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Micoses Sistêmicas

Criptococose

Infecção fúngica sistêmica causada principalmente por leveduras do gênero Cryptococcus, com maior gravidade em pessoas imunossuprimidas, podendo acometer pulmões e sistema nervoso central.

Micose sistêmica Fezes de aves Neuroinfecção Imunossupressão
Tempo de leitura: 9 min
Atualizado em: 14/05/2026
Criptococose

Quadro clínico principal

  • Febre persistente
  • Cefaleia progressiva
  • Tosse e dor torácica
  • Dispneia em casos pulmonares
  • Náuseas e vômitos
  • Rigidez de nuca ou confusão mental

Diagnóstico

  • Pesquisa de antígeno criptocócico
  • Exame do líquor em suspeita neurológica
  • Tinta nanquim no líquor
  • Cultura de líquor, sangue ou secreções

Tratamento

  • Anfotericina B em casos graves
  • Flucitosina quando disponível
  • Fluconazol na consolidação e manutenção
  • Controle da hipertensão intracraniana

Complicações

  • Meningoencefalite criptocócica
  • Hipertensão intracraniana
  • Déficits neurológicos
  • Disseminação sistêmica

O que é

A criptococose é uma micose sistêmica causada por leveduras encapsuladas do gênero Cryptococcus, principalmente Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii.

A infecção ocorre geralmente pela inalação de partículas fúngicas presentes no ambiente, podendo permanecer assintomática ou evoluir para formas pulmonares e neurológicas graves, especialmente em indivíduos imunossuprimidos.

Agente etiológico

Fungos leveduriformes encapsulados do gênero Cryptococcus, capazes de sobreviver no ambiente e causar infecção oportunista em humanos.

  • Cryptococcus neoformans — principal agente em pacientes com HIV/aids e outras imunossupressões.
  • Cryptococcus gattii — pode acometer indivíduos imunocompetentes.
  • Possuem cápsula polissacarídica espessa, importante fator de virulência.
  • Apresentam tropismo pelo sistema nervoso central.
Cryptococcus na microscopia

Epidemiologia

A criptococose possui distribuição mundial e está associada principalmente a ambientes contaminados por fezes de aves, especialmente pombos.

Distribuição

Presente em praticamente todo o mundo.

Principal grupo

Pessoas imunossuprimidas, especialmente HIV/aids.

Forma grave

Meningoencefalite criptocócica.

Porta de entrada

Trato respiratório por inalação.

Importância clínica

Alta mortalidade sem diagnóstico e tratamento precoces.

Reservatórios e transmissão

Principais reservatórios

  • Fezes secas de pombos e outras aves.
  • Solo contaminado.
  • Madeira em decomposição.
  • Árvores ocas, especialmente eucaliptos.

Como ocorre a transmissão

  • Inalação de partículas fúngicas dispersas no ambiente.
  • Exposição a poeira contaminada.
  • Contato frequente com locais com acúmulo de fezes de aves.
  • Não ocorre transmissão interpessoal habitual.
A criptococose não é transmitida de pessoa para pessoa na maioria dos casos.

Fisiopatologia

Após a inalação, o fungo alcança os alvéolos pulmonares, podendo permanecer localizado ou disseminar-se pela corrente sanguínea.

Em indivíduos imunossuprimidos, há maior risco de disseminação hematogênica, principalmente para o sistema nervoso central, causando meningite ou meningoencefalite.

A cápsula polissacarídica do fungo contribui para evasão do sistema imune e persistência da infecção.

Fisiopatologia da criptococose Clique para ampliar

Como ocorre a transmissão

A criptococose é adquirida principalmente pela inalação de partículas fúngicas presentes no ambiente, especialmente em locais contaminados por fezes de aves ou matéria orgânica em decomposição.

Após a inalação, os fungos alcançam o trato respiratório inferior, podendo permanecer localizados nos pulmões ou disseminar-se para outros órgãos, especialmente o sistema nervoso central.

Principais formas de exposição

Fezes de aves

Ambientes com acúmulo de fezes secas de pombos representam importante fonte ambiental do fungo.

Poeira contaminada

A dispersão de partículas contaminadas no ar favorece a inalação do fungo.

Madeira e solo

O fungo pode ser encontrado em árvores ocas, madeira em decomposição e solo contaminado.

Ambientes urbanos

Locais fechados, abandonados ou com grande presença de aves aumentam o risco de exposição.

Grupos de maior risco

  • Pessoas vivendo com HIV/aids.
  • Pacientes transplantados ou em uso de imunossupressores.
  • Indivíduos com câncer hematológico.
  • Pessoas expostas frequentemente a ambientes com fezes de aves.
  • Trabalhadores da limpeza urbana, construções e manejo ambiental.
  • Pacientes com imunidade celular comprometida.

Existe transmissão entre pessoas?

A transmissão interpessoal é extremamente rara e não representa a principal forma de disseminação da doença.

Na maioria dos casos, a criptococose é adquirida diretamente do ambiente por inalação das partículas fúngicas.

A criptococose não é considerada uma doença contagiosa entre humanos.

Quadro clínico

A criptococose pode apresentar manifestações variadas, desde infecção pulmonar assintomática até doença disseminada grave, principalmente em pessoas com imunossupressão.

As formas mais importantes são a pulmonar, neurológica, cutânea e disseminada. Em pacientes com HIV/aids ou imunidade celular comprometida, a manifestação mais temida é a meningoencefalite criptocócica.

Sintomas mais comuns

Febre

Pode ser persistente, baixa ou elevada, especialmente nas formas disseminadas.

Cefaleia

Progressiva e persistente, sendo muito sugestiva de acometimento neurológico.

Tosse

Pode ocorrer nas formas pulmonares, com ou sem dor torácica e dispneia.

Alteração neurológica

Confusão mental, sonolência, vômitos, rigidez de nuca ou sinais de hipertensão intracraniana.

Perda de peso

Pode ocorrer em quadros subagudos ou disseminados.

Lesões cutâneas

Pápulas, nódulos, úlceras ou lesões semelhantes a molusco contagioso.

Formas clínicas

  • Forma pulmonar: pode ser assintomática ou causar tosse, febre, dor torácica, dispneia e nódulos pulmonares.
  • Forma neurológica: manifesta-se principalmente como meningite ou meningoencefalite subaguda.
  • Forma cutânea: pode apresentar pápulas, nódulos, placas, abscessos, úlceras ou lesões umbilicadas.
  • Forma disseminada: ocorre quando o fungo se espalha pelo sangue, acometendo SNC, pele, pulmões, ossos e outros órgãos.
  • Forma ocular: pode cursar com coriorretinite, neurite óptica ou perda visual em casos avançados.
  • Forma óssea: rara, podendo causar lesões osteolíticas, dor localizada e sinais inflamatórios.

Aspectos clínicos

Algumas apresentações da criptococose possuem achados clínicos característicos, especialmente quando há acometimento pulmonar, neurológico ou cutâneo.

Forma pulmonar
Forma pulmonar da criptococose Clique para ampliar

Pode cursar com tosse, febre, dor torácica, dispneia e alterações radiológicas como infiltrados, nódulos ou massas pulmonares.

Forma neurológica
Forma neurológica da criptococose Clique para ampliar

Meningite ou meningoencefalite subaguda, com cefaleia progressiva, vômitos, confusão mental e sinais de hipertensão intracraniana.

Forma cutânea
Forma cutânea da criptococose Clique para ampliar

Lesões papulares, nodulares, ulceradas ou umbilicadas, podendo simular outras infecções dermatológicas.

Forma disseminada

Ocorre quando o fungo se dissemina hematogenicamente para múltiplos órgãos, principalmente em pacientes imunossuprimidos.

  • Acometimento simultâneo de pulmões, SNC e pele.
  • Maior risco em pacientes com HIV/aids avançado.
  • Pode evoluir rapidamente sem tratamento adequado.
Em paciente imunossuprimido com cefaleia progressiva, febre e sinais neurológicos, a criptococose deve ser considerada como hipótese importante.

Suspeita diagnóstica

A criptococose deve ser suspeitada principalmente em pacientes imunossuprimidos, especialmente pessoas vivendo com HIV/aids, transplantados ou usuários de imunossupressores, que apresentem cefaleia persistente, febre, sintomas pulmonares ou alterações neurológicas.

O diagnóstico precoce é fundamental, pois o acometimento do sistema nervoso central pode evoluir rapidamente com hipertensão intracraniana e risco elevado de mortalidade.

Exames utilizados

Antígeno criptocócico

Principal exame diagnóstico. Pode ser realizado no sangue ou líquor, com alta sensibilidade e especificidade.

Punção lombar

Fundamental na suspeita neurológica para análise liquórica e avaliação da pressão de abertura.

Cultura

Pode isolar o fungo em líquor, sangue, secreções respiratórias ou tecidos.

Tinta nanquim

Método clássico que evidencia as leveduras encapsuladas no líquor.

Líquor na neurocriptococose

O líquor geralmente apresenta alterações inflamatórias características, especialmente nas formas meningoencefálicas.

  • Pressão de abertura elevada.
  • Pleocitose linfocitária.
  • Proteínas aumentadas.
  • Glicose reduzida.
  • Pesquisa positiva para antígeno criptocócico.
Líquor na criptococose Clique para ampliar

Achados de imagem

Exames de imagem podem demonstrar alterações pulmonares ou neurológicas, auxiliando na suspeita diagnóstica e avaliação da extensão da doença.

  • Nódulos pulmonares.
  • Infiltrados intersticiais.
  • Massas pulmonares.
  • Hidrocefalia.
  • Lesões gelatinosas no SNC.
Imagem pulmonar da criptococose Clique para ampliar

Diagnósticos diferenciais

  • Tuberculose meníngea.
  • Neurotoxoplasmose.
  • Histoplasmose disseminada.
  • Meningite bacteriana subaguda.
  • Neoplasias do sistema nervoso central.
  • Pneumonias fúngicas.
  • Paracoccidioidomicose.

Importância da pressão intracraniana

A hipertensão intracraniana é uma das principais causas de complicações e mortalidade na neurocriptococose.

A avaliação da pressão de abertura durante a punção lombar é essencial e pode indicar necessidade de punções terapêuticas seriadas.

Cefaleia intensa persistente, vômitos e alteração visual podem indicar hipertensão intracraniana grave.
Em pacientes com HIV/aids e sintomas neurológicos subagudos, a pesquisa do antígeno criptocócico deve ser realizada precocemente.

Princípios do tratamento

O tratamento da criptococose varia conforme a gravidade clínica, acometimento do sistema nervoso central, presença de fungemia e condição imunológica do paciente.

Pacientes com doença leve sem acometimento neurológico podem ser tratados ambulatorialmente, enquanto formas disseminadas, neurocriptococose, transplantados e pacientes HIV positivos geralmente necessitam de tratamento hospitalar em múltiplas etapas.

Tratamento ambulatorial

O tratamento ambulatorial é destinado aos pacientes que possuem formas leves da doença sem envolvimento do sistema nervoso central ou fungemia.

A medicação de primeira linha é o Fluconazol e o tratamento geralmente deve durar de 6 a 12 meses.

1ª linha — Fluconazol

Fluconazol 400 mg VO de 24/24 horas, por 6–12 meses.

Alternativas quando Fluconazol não puder ser utilizado

Itraconazol

200 mg VO de 12/12 horas, por 6–12 meses.

Voriconazol

200 mg VO de 12/12 horas, por 6–12 meses.

Posaconazol VO

300 mg VO de 12/12 horas por 2 doses, seguido de 300 mg/dia, por 6–12 meses.

Posaconazol EV

300 mg EV de 12/12 horas por 2 doses, seguido de 300 mg/dia, por 6–12 meses.

Tratamento hospitalar

O tratamento hospitalar é destinado para pacientes que possuem infecções graves disseminadas, meningite criptocócica, soropositivos para HIV e transplantados.

O tratamento é dividido em três etapas:

Terapia de indução

Controle inicial da infecção fúngica ativa.

Terapia de consolidação

Redução da carga fúngica residual.

Terapia de manutenção

Prevenção de recaídas e recorrência da doença.

Terapia de indução

As medicações de primeira linha são a Anfotericina B associada à Flucitosina em terapia combinada.

O período de indução geralmente dura de 2 a 6 semanas, dependendo da resposta clínica e do estado imunológico.

Pacientes soronegativos para HIV

1ª escolha — Anfotericina B complexo lipídico

5 mg/kg/dia EV.

Anfotericina B lipossomal

3 mg/kg/dia EV.

Anfotericina B desoxicolato

0,7–1,0 mg/kg/dia EV.

Flucitosina

100 mg/kg VO de 6/6 horas.

Pacientes soropositivos para HIV

1ª escolha — Anfotericina B lipossomal

3–5 mg/kg/dia EV.

Anfotericina B complexo lipídico

5 mg/kg/dia EV.

Anfotericina B desoxicolato

1,0 mg/kg/dia EV.

Flucitosina

100 mg/kg VO de 6/6 horas.

Quando não há disponibilidade das drogas

Quando a Anfotericina B ou a Flucitosina não estiverem disponíveis, um dos esquemas pode ser substituído por Fluconazol em dose alta.

Fluconazol em dose alta

Fluconazol 1.200 mg/dia.

Em pacientes HIV negativos utilizando Fluconazol + Flucitosina, a dose da Flucitosina deve ser ajustada:

Ajuste da Flucitosina

Flucitosina 25 mg/kg VO de 6/6 horas.

Monoterapia

  • Se apenas Anfotericina B estiver disponível, pode-se utilizar monoterapia por 4–6 semanas.
  • Se apenas Fluconazol estiver disponível: Fluconazol 1.200–2.000 mg/dia por 10–12 semanas, seguido de consolidação com 800 mg/dia.

Terapia de consolidação

A consolidação é realizada após a fase de indução para reduzir a carga fúngica residual e prevenir recaídas precoces.

Fluconazol

400–800 mg VO de 24/24 horas (preferir 800 mg), por pelo menos 8 semanas.

Terapia de manutenção

A manutenção tem como objetivo prevenir recaídas da criptococose, especialmente em pacientes imunossuprimidos.

Fluconazol

200 mg VO de 24/24 horas, por pelo menos 12 meses.

Situações especiais

  • Considerar 400–800 mg VO de 24/24 horas, por 18 meses em criptococomas cerebrais.
  • Pode-se prolongar o tratamento em pacientes sob imunossupressão concomitante.
  • Em transplantados, considerar 200–400 mg/dia por 6–12 meses.
Pode-se considerar suspensão da manutenção quando o paciente estiver assintomático, com CD4 > 100 células/mm³, carga viral indetectável e uso de TARV eficaz por mais de 3 meses.

Tratamento preemptivo

O tratamento preemptivo é utilizado em pacientes assintomáticos com antígeno criptocócico positivo e alto risco de progressão para doença ativa.

Essa estratégia é especialmente importante em pessoas vivendo com HIV com CD4 < 100 células/mm³.

Esquema preemptivo

Fluconazol 1.200 mg/dia VO por 2 semanas, seguido de 800 mg/dia por 8 semanas. Após isso, manter 200 mg/dia até recuperação imunológica.

  • Paciente assintomático.
  • Antígeno criptocócico positivo.
  • CD4 baixo (< 100 células/mm³).
  • Objetivo: impedir progressão para neurocriptococose.

Profilaxia secundária

Após o tratamento da criptococose, é fundamental manter profilaxia secundária para prevenir recaídas.

Fluconazol

200 mg/dia VO por no mínimo 12 meses.

Suspensão da profilaxia

  • Paciente assintomático.
  • Carga viral indetectável.
  • CD4 ≥ 200 células/mm³ sustentado por pelo menos 6 meses.
  • Uso adequado de TARV.
O atraso no diagnóstico e tratamento da neurocriptococose aumenta significativamente o risco de hipertensão intracraniana, sequelas neurológicas e mortalidade.

Complicações da criptococose

As complicações da criptococose ocorrem principalmente em pacientes imunossuprimidos, sem tratamento precoce ou com acometimento do sistema nervoso central.

A neurocriptococose representa a forma mais grave da doença, podendo evoluir com hipertensão intracraniana, sequelas neurológicas permanentes e óbito.

Principais complicações

Hipertensão intracraniana

Uma das complicações mais importantes da neurocriptococose, podendo causar cefaleia intensa, vômitos, papiledema e rebaixamento do nível de consciência.

Meningoencefalite

Inflamação grave do sistema nervoso central com risco de sequelas neurológicas permanentes.

Alterações visuais

Pode ocorrer perda visual secundária à hipertensão intracraniana ou acometimento ocular direto.

Insuficiência respiratória

Casos pulmonares extensos podem evoluir com hipoxemia e necessidade de suporte ventilatório.

Disseminação sistêmica

Disseminação hematogênica para múltiplos órgãos, especialmente em pacientes HIV positivos.

Sepse

Infecção sistêmica grave com instabilidade hemodinâmica e risco elevado de mortalidade.

Complicações neurológicas

O sistema nervoso central é o principal local de complicações graves da criptococose.

Possíveis complicações

  • Hipertensão intracraniana grave.
  • Hidrocefalia.
  • Convulsões.
  • Coma.
  • Déficits neurológicos focais.
  • Edema cerebral.

Sinais de alerta

  • Cefaleia progressiva intensa.
  • Alteração do nível de consciência.
  • Visão borrada ou diplopia.
  • Vômitos persistentes.
  • Papiledema.
  • Rigidez de nuca.
Hipertensão intracraniana não tratada é uma das principais causas de óbito na neurocriptococose.

Complicações pulmonares

A criptococose pulmonar pode variar desde formas assintomáticas até doença pulmonar extensa e insuficiência respiratória.

Hipoxemia

Redução importante da oxigenação em casos pulmonares graves.

Pneumonia extensa

Infiltrados pulmonares difusos e acometimento bilateral.

SDRA

Casos graves podem evoluir com síndrome do desconforto respiratório agudo.

Necessidade de UTI

Pode ocorrer necessidade de ventilação mecânica e suporte intensivo.

Pacientes imunossuprimidos

Pessoas vivendo com HIV/aids, transplantados e usuários de imunossupressores possuem maior risco de evolução grave e recorrência da doença.

Maior risco de:

  • Disseminação hematogênica.
  • Fungemia.
  • Neurocriptococose grave.
  • Recidivas frequentes.
  • Alta mortalidade.

Fatores associados

  • CD4 baixo.
  • Carga viral elevada no HIV.
  • Uso de corticoides.
  • Transplante de órgãos sólidos.
  • Neoplasias hematológicas.

Síndrome inflamatória da reconstituição imune (IRIS)

Em pacientes HIV positivos, especialmente após início da terapia antirretroviral, pode ocorrer piora inflamatória paradoxal conhecida como IRIS.

Essa condição ocorre devido à recuperação imunológica com resposta inflamatória intensa contra antígenos fúngicos residuais.

Manifestações

Piora da cefaleia, febre, linfonodomegalia e sinais neurológicos.

Momento típico

Semanas após início da TARV em pacientes com imunossupressão avançada.

O início da TARV deve ser cuidadosamente planejado em pacientes com neurocriptococose.

Recidiva da doença

A interrupção precoce da terapia de manutenção aumenta significativamente o risco de recaída da criptococose.

  • Maior risco em pacientes com CD4 baixo.
  • Ocorre principalmente sem uso adequado de profilaxia secundária.
  • Pode reaparecer como meningite, fungemia ou doença disseminada.
  • Recorrências aumentam risco de sequelas neurológicas.
Neurocriptococose com hipertensão intracraniana grave possui alta mortalidade sem tratamento rápido e adequado.

Prevenção da criptococose

A prevenção da criptococose é baseada principalmente na redução da exposição ambiental ao fungo e no controle adequado da imunossupressão, especialmente em pessoas vivendo com HIV/aids.

Pacientes imunossuprimidos possuem maior risco de desenvolver formas graves, principalmente neurocriptococose.

Redução da exposição ambiental

O fungo pode ser encontrado em ambientes contaminados por fezes de aves, solo e madeira em decomposição.

Evitar locais contaminados

Evitar exposição frequente a locais com grande acúmulo de fezes de pombos.

Uso de proteção

Utilizar máscara durante limpeza de ambientes contaminados ou atividades com poeira.

Higienização adequada

Realizar limpeza segura de áreas contaminadas com equipamentos de proteção individual.

Ambientes fechados

Evitar permanência prolongada em locais abandonados ou com infestação de aves.

Prevenção em pacientes HIV positivos

Pessoas vivendo com HIV/aids representam o principal grupo de risco para neurocriptococose.

Medidas importantes

  • Diagnóstico precoce do HIV.
  • Uso adequado da terapia antirretroviral (TARV).
  • Acompanhamento regular do CD4 e carga viral.
  • Investigação precoce de sintomas neurológicos.
  • Pesquisa do antígeno criptocócico em pacientes de risco.

Maior risco de criptococose

  • CD4 < 100 células/mm³.
  • Carga viral elevada.
  • Baixa adesão à TARV.
  • Infecções oportunistas associadas.
  • Desnutrição e imunossupressão avançada.

Rastreamento com antígeno criptocócico

A pesquisa do antígeno criptocócico no sangue é uma estratégia importante para prevenção da doença ativa em pacientes imunossuprimidos.

Pacientes assintomáticos com antígeno positivo podem receber tratamento preemptivo antes da evolução para neurocriptococose.

Pacientes candidatos ao rastreamento

Pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 < 100 células/mm³.

O rastreamento precoce reduz significativamente o risco de meningite criptocócica.

Profilaxia secundária

Após tratamento da criptococose, recomenda-se profilaxia secundária para prevenir recaídas, principalmente em pacientes HIV positivos.

Fluconazol

200 mg/dia VO por no mínimo 12 meses.

Suspensão da profilaxia

  • Paciente assintomático.
  • Carga viral indetectável.
  • CD4 ≥ 200 células/mm³ sustentado por pelo menos 6 meses.
  • Uso adequado e contínuo de TARV.

Pacientes transplantados e imunossuprimidos

Transplantados e pacientes em uso de imunossupressores possuem risco aumentado de criptococose disseminada.

Ajuste da imunossupressão

Sempre que possível, reduzir imunossupressão excessiva sob avaliação especializada.

Monitorização clínica

Avaliar precocemente sintomas pulmonares ou neurológicos persistentes.

Investigação precoce

Solicitar exames rapidamente em pacientes de alto risco.

Seguimento especializado

Acompanhamento regular com infectologia em casos complexos.

Orientações ao paciente

  • Manter adesão rigorosa ao tratamento antifúngico.
  • Não interromper Fluconazol sem orientação médica.
  • Buscar atendimento diante de cefaleia persistente ou sintomas neurológicos.
  • Manter acompanhamento regular em casos de HIV/aids.
  • Evitar exposição intensa a ambientes contaminados por fezes de aves.
  • Realizar seguimento clínico mesmo após melhora dos sintomas.
Pacientes imunossuprimidos com cefaleia persistente devem ser avaliados precocemente para excluir neurocriptococose.

Importante

A criptococose pode evoluir de forma grave, principalmente em pessoas imunossuprimidas, com risco de meningoencefalite, hipertensão intracraniana e disseminação sistêmica.

Referências bibliográficas

Ver todas as referências utilizadas neste artigo

Em provas / residência

Criptococose → paciente imunossuprimido + cefaleia progressiva + sinais de meningite subaguda.

Lembre-se da associação com HIV/aids, pesquisa do antígeno criptocócico e controle da hipertensão intracraniana.

Mais informações nas abas acima do artigo.

Referências bibliográficas

  1. PERFECT JR, JOHN R.; DURACK, DAVID T. Cryptococcosis. Infectious Disease Clinics of North America. 1989;3(1):77-102.
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