Quando suspeitar
Contato com água doce em área de transmissão + dermatite cercariana, síndrome febril com eosinofilia ou doença intestinal/hepatoesplênica.
Infecção por trematódeos do gênero Schistosoma; no Brasil, a doença é causada por Schistosoma mansoni e está ligada ao contato da pele com água doce onde há caramujos transmissores. O diagnóstico é principalmente parasitológico, e o praziquantel permanece o tratamento de escolha.
Contato com água doce em área de transmissão + dermatite cercariana, síndrome febril com eosinofilia ou doença intestinal/hepatoesplênica.
Pesquisa de ovos nas fezes, preferencialmente por Kato-Katz. Baixa carga exige amostras seriadas; imagem avalia fibrose periportal e complicações.
No Brasil: praziquantel VO em dose única, 50 mg/kg para adultos e 60 mg/kg para crianças. Formas agudas graves e neurológicas exigem manejo especial.
Saneamento, água segura, diagnóstico e tratamento dos infectados, educação em saúde e redução de contato com coleções hídricas de risco.
A esquistossomose é uma doença parasitária aguda e crônica causada por trematódeos sanguíneos do gênero Schistosoma. No território brasileiro, a transmissão autóctone está relacionada ao S. mansoni, cujos vermes adultos vivem principalmente em vênulas mesentéricas.
A maior parte do dano tecidual não decorre diretamente dos vermes adultos, mas da resposta inflamatória e granulomatosa contra ovos retidos nos tecidos. No intestino e no fígado, essa resposta pode evoluir para fibrose periportal, hipertensão portal, esplenomegalia, circulação colateral e hemorragia digestiva.
Schistosoma são trematódeos dioicos: há vermes machos e fêmeas separados. O macho possui canal ginecóforo, no qual a fêmea permanece acoplada. No S. mansoni, os ovos caracteristicamente apresentam espinho lateral, achado útil no reconhecimento microscópico.
O ciclo exige um hospedeiro intermediário. No Brasil, caramujos de água doce do gênero Biomphalaria participam da manutenção da transmissão. Humanos infectados eliminam ovos nas fezes, perpetuando o ciclo quando há contaminação de coleções hídricas adequadas ao molusco.
o verme adulto pode persistir por anos. A morbidade crônica resulta sobretudo da deposição de ovos e da resposta imune do hospedeiro.
O ciclo alterna entre o ser humano e o caramujo. A infecção humana começa quando cercárias liberadas por moluscos infectados penetram a pele em contato com água doce.
Esquistossomose intestinal/hepática. É a espécie responsável pela transmissão no Brasil.
Predomina na forma urogenital, especialmente na África e em alguns focos relacionados.
Espécies asiáticas de esquistossomose intestinal; a posologia internacional difere da adotada no Brasil para S. mansoni.
A transmissão depende da presença simultânea de pessoas infectadas eliminando ovos, coleções hídricas adequadas e caramujos suscetíveis. As cercárias liberadas na água penetram a pele durante o contato.
Banho, travessia de rios, pesca, lavagem de roupas, trabalho agrícola, irrigação e lazer em água doce de risco.
A cercária penetra ativamente a pele. Engolir a água não é o mecanismo necessário para a infecção.
Não há contágio pessoa a pessoa pelo contato cotidiano; os ovos precisam alcançar a água e passar pelo caramujo.
Risco maior onde saneamento e abastecimento de água são insuficientes e há caramujos transmissores.
Pescadores, agricultores, trabalhadores de irrigação e pessoas que entram regularmente em água doce.
Brincadeiras, banho e natação podem aumentar a exposição repetida em áreas endêmicas.
Uma única exposição pode causar doença aguda; baixa carga parasitária torna o diagnóstico parasitológico mais difícil.
A esquistossomose mansoni mantém transmissão focal em diferentes áreas do país, historicamente concentrada sobretudo nas regiões Nordeste e Sudeste. Urbanização, deslocamentos populacionais, obras e ecoturismo podem modificar a distribuição dos focos.
Muitas infecções permanecem assintomáticas. Quando há manifestações iniciais, podem ocorrer dermatite cercariana e, semanas depois, síndrome aguda de hipersensibilidade relacionada à maturação dos vermes e início da oviposição.
Prurido e erupção transitória no local de penetração; é inespecífica e nem sempre ocorre.
Febre, mal-estar, cefaleia, mialgia, tosse e sintomas abdominais, frequentemente com eosinofilia.
Pode acompanhar a fase aguda, especialmente em apresentações mais intensas.
| Forma | Achados | Ponto prático |
|---|---|---|
| Intestinal | Dor abdominal, diarreia, sangue nas fezes em alguns casos. | Pode ter baixa intensidade e poucos sintomas. |
| Hepatointestinal / hepática | Hepatomegalia e alterações associadas à deposição de ovos e reação granulomatosa. | Ultrassonografia ajuda a caracterizar fibrose periportal. |
| Hepatoesplênica | Fibrose periportal, hipertensão portal, esplenomegalia, hiperesplenismo e circulação colateral. | Varizes esofagogástricas e hemorragia digestiva são complicações centrais. |
| Vasculopulmonar | Hipertensão pulmonar e repercussão cardiopulmonar. | Dispneia progressiva, síncope ou sinais de cor pulmonale exigem avaliação especializada. |
| Neurológica | Mielite, mielorradiculopatia, cone medular/cauda equina; mais raramente formas cerebrais. | Déficit motor/sensitivo e disfunção esfincteriana são emergências diagnósticas. |
| Renal | Glomerulopatia associada a formas avançadas. | Proteinúria, hematúria e disfunção renal merecem investigação dirigida. |
O diagnóstico parte da história de contato com água doce em área de transmissão e é confirmado preferencialmente pela demonstração de ovos do parasito. A carga de ovos pode ser baixa e a eliminação intermitente, especialmente em infecções leves ou em viajantes.
A técnica de Kato-Katz permite identificar e quantificar ovos de S. mansoni. Em áreas de baixa ou moderada endemicidade, uma única lâmina ou amostra pode perder infecções de pequena carga.
A sorologia pode ser útil especialmente em viajantes ou imigrantes com baixa carga parasitária e sem tratamento prévio, mas anticorpos podem persistir e não servem bem para comprovar cura. Em infecção recente, a resposta sorológica pode ainda não estar detectável.
Avalia fibrose periportal, baço, calibre vascular, ascite e repercussões da forma hepatosplênica.
Indicada para avaliação de varizes e risco hemorrágico em hipertensão portal.
Exame de grande importância na suspeita de mielorradiculopatia ou acometimento do SNC.
Integra a investigação inicial quando há suspeita de hipertensão pulmonar.
O praziquantel é o fármaco de escolha e o medicamento específico utilizado pelo programa brasileiro. Para a esquistossomose mansoni sem lesões avançadas, o Ministério da Saúde recomenda comprimidos de 600 mg, administrados por via oral após refeição, preferencialmente em dose única.
Adultos: 50 mg/kg VO em dose única. Crianças: 60 mg/kg VO em dose única. Casos especiais, formas graves e contraindicações exigem avaliação médica individualizada.
Ferramenta para consulta rápida das faixas de comprimidos descritas nas tabelas do Ministério da Saúde. Não substitui avaliação clínica, contraindicações, idade, função orgânica ou decisão sobre formas especiais.
Selecione o grupo e informe o peso. Para pacientes fora das faixas padronizadas, a ferramenta orienta avaliação individual.
Tabela MS 2024: crianças 4–15 anos usam 60 mg/kg e adultos 50 mg/kg. Crianças <4 anos e/ou <10 kg devem ser avaliadas individualmente; idosos >70 anos requerem supervisão médica.
Cards clicáveis com a dose brasileira e as principais situações em que o manejo muda.
Não aplicar automaticamente um esquema ambulatorial simples. Corticosteroides e suporte são definidos pela gravidade e pelo órgão acometido.
A página atual do Ministério da Saúde orienta, de maneira geral, não adotar praziquantel durante a gestação e, na lactação, suspender a amamentação por 72 horas se a nutriz for medicada. Já a OMS recomenda acesso ao praziquantel em programas de controle para gestantes após o primeiro trimestre e lactantes.
O manual brasileiro de 2024 orienta avaliação individual para crianças menores de 4 anos e/ou com menos de 10 kg. A página atual do Ministério da Saúde também lista menores de 2 anos entre as situações em que, de maneira geral, o praziquantel não deve ser adotado rotineiramente. A OMS possui experiência programática mais permissiva a partir de 2 anos e evidência crescente em pré-escolares.
Viajantes podem ter baixa carga e síndrome de Katayama. O CDC recomenda considerar tratamento ao menos 6–8 semanas após a última exposição quando o objetivo é atingir vermes maduros; em infecções leves pode ser necessário repetir o tratamento em 2–4 semanas. Essa repetição não deve ser extrapolada como rotina para todos os casos brasileiros.
Para S. mansoni, S. haematobium e S. intercalatum, o CDC usa 40 mg/kg/dia em duas doses no mesmo dia; para S. japonicum e S. mekongi, 60 mg/kg/dia em três doses no mesmo dia. No Brasil, para esquistossomose mansoni, prevalece a recomendação nacional de 50 mg/kg em adultos e 60 mg/kg em crianças, preferencialmente em dose única.
Déficit neurológico em contexto epidemiológico compatível exige avaliação urgente, ressonância magnética e exclusão de diagnósticos diferenciais. O tratamento combina esquistossomicida e corticosteroide; a duração do corticoide é prolongada e o desmame deve ser lento, sob seguimento especializado.
Para avaliar cura parasitológica, o manual brasileiro recomenda Kato-Katz em três amostras de fezes coletadas em dias alternados, com a primeira amostra a partir de 40 dias após o tratamento. Casos que permanecem positivos devem ser tratados novamente pelo mesmo protocolo, após revisão clínica.
Abastecimento seguro e destino adequado de fezes interrompem o elo humano–água–caramujo.
Evitar contato com água doce de risco quando não houver informação segura sobre transmissão local.
Tratar pessoas infectadas reduz morbidade e a eliminação de ovos no ambiente.
Medidas ambientais e malacológicas podem integrar estratégias locais, associadas a WASH e educação em saúde.
o controle exige integração entre vigilância, saneamento, ambiente, educação, serviços de saúde e conhecimento dos habitats de Biomphalaria.
Na Lista Nacional de Notificação Compulsória vigente após a Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, esquistossomose consta como agravo de notificação semanal em todo o território nacional.
Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, formas focais graves, gestação e profilaxia após exposição devem ser conferidas antes da prescrição.
O essencial de Esquistossomose para consulta rápida no celular.
Contato com água doce + quadro agudo eosinofílico ou doença intestinal/hepatoesplênica.
Kato-Katz/pesquisa de ovos; aumente amostras em baixa carga e use imagem para complicações.
Brasil: praziquantel adulto 50 mg/kg; criança 60 mg/kg, preferencialmente dose única.
Saneamento, água segura, tratamento dos infectados e evitar água doce de risco.
Incubação da síndrome aguda.
Primeira amostra do controle de cura no protocolo brasileiro.
Cercárias em água doce são a forma infectante para humanos.
Fraqueza, alteração sensitiva ou disfunção esfincteriana exigem investigação imediata.
Esquistossomose → água doce + eosinofilia/Katayama ou hipertensão portal com esplenomegalia/varizes.
Lembre-se da reação granulomatosa aos ovos e da neuroesquistossomose diante de síndrome medular.
—
—