Peste
Infecção bacteriana zoonótica causada por Yersinia pestis, transmitida principalmente pela picada de pulgas infectadas, contato com animais contaminados ou, na forma pneumônica, por gotículas respiratórias.
Quadro clínico principal
- Febre alta de início súbito
- Calafrios e mal-estar intenso
- Cefaleia e mialgia
- Linfadenite dolorosa — bubão
- Prostração importante
- Tosse, dispneia e hemoptise na forma pneumônica
Diagnóstico
- Suspeita clínica + vínculo epidemiológico
- Cultura de aspirado de bubão, sangue ou escarro
- PCR para Yersinia pestis
- Sorologia com aumento de títulos em amostras pareadas
Tratamento
- Iniciar antibiótico imediatamente na suspeita
- Gentamicina ou estreptomicina como opções clássicas
- Doxiciclina ou ciprofloxacino em casos selecionados
- Isolamento respiratório na suspeita de peste pneumônica
Complicações
- Septicemia e choque séptico
- Pneumonia grave e insuficiência respiratória
- Meningite por Yersinia pestis
- Coagulação intravascular disseminada
O que é
A brucelose é uma zoonose bacteriana sistêmica, causada por espécies do gênero Brucella, que afeta humanos e diversos animais domésticos e selvagens. É uma doença de evolução subaguda ou crônica, que pode acometer múltiplos órgãos e gerar incapacidades significativas.
Agente etiológico
Bactéria Gram-negativa, aeróbica e intracelular facultativa do gênero Brucella.
- Brucella melitensis — mais virulenta; associada a ovinos e caprinos.
- Brucella abortus — relacionada a bovinos, mais comum no Brasil.
- Brucella suis — associada a suínos.
- Brucella canis — associada a cães, menos frequente em humanos.
Epidemiologia
Endêmica em regiões com baixo controle sanitário agropecuário e consumo de produtos animais crus.
~500 mil novos casos/ano.
Subnotificada, prevalente em áreas rurais.
Baixa; risco em endocardite.
Alta sem tratamento adequado.
Adulto exposto a animais ou produtos crus.
Reservatórios e transmissão
Principais reservatórios
- Bovinos — Brucella abortus.
- Caprinos e ovinos — Brucella melitensis.
- Suínos — Brucella suis.
- Cães — Brucella canis.
Formas de transmissão
- Ingestão de leite cru ou derivados não pasteurizados.
- Contato com secreções, placenta, urina ou sangue de animais infectados.
- Inalação de aerossóis em ambientes rurais ou laboratórios.
- Acidentes laboratoriais.
Fisiopatologia
A Brucella penetra por mucosas, pele lesionada ou trato digestivo. É fagocitada por macrófagos mas resiste à destruição intracelular e se replica no interior das células fagocíticas.
Dissemina-se por via linfática e hematogênica, alcançando fígado, baço, linfonodos, medula óssea e testículos.
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Como ocorre a transmissão
A bactéria penetra no organismo por mucosas, pele lesionada, via digestiva ou respiratória, por contato direto ou indireto com animais infectados e seus produtos.
Principais vias de infecção
Consumo de leite cru, queijo artesanal não inspecionado ou outros derivados contaminados.
Contato com sangue, placenta, secreções uterinas, fetos abortados ou carcaças de animais infectados.
Inalação de aerossóis contaminados em currais, frigoríficos ou laboratórios.
Manipulação de culturas ou amostras contaminadas sem proteção adequada.
Grupos de maior risco
- Trabalhadores rurais.
- Veterinários e estudantes de veterinária.
- Funcionários de frigoríficos e abatedouros.
- Ordenhadores e produtores de leite.
- Profissionais de laboratório.
- Pessoas que consomem leite ou queijo artesanal sem inspeção sanitária.
Quadro clínico
A brucelose apresenta sintomas inespecíficos. O quadro pode ser agudo, subagudo ou crônico, com evolução arrastada e períodos de melhora e piora.
Sintomas mais comuns
Irregular, recorrente, muitas vezes vespertina ou noturna.
Geralmente intensa e com odor característico.
Cansaço persistente, fraqueza e queda do rendimento físico.
Artralgia, lombalgia, dor sacroilíaca ou dor em grandes articulações.
Acompanha febre, mal-estar e dor muscular.
Em quadros prolongados ou sem tratamento adequado.
Formas clínicas
- Aguda: febre, mal-estar, sudorese, mialgia e sintomas gerais.
- Subaguda: evolução mais lenta, sintomas persistentes por semanas.
- Crônica: sintomas por meses, fadiga, dor osteoarticular e recaídas.
- Focal: acometimento de órgão específico — coluna, articulações, SNC ou coração.
Suspeita diagnóstica
Deve ser suspeitada em pacientes com febre prolongada, sudorese, sintomas osteoarticulares e história de exposição a animais ou consumo de leite/derivados não pasteurizados.
Exames utilizados
Pode confirmar o diagnóstico na fase aguda; pode exigir incubação prolongada.
Triagem sorológica, especialmente em contextos epidemiológicos compatíveis.
Auxilia na confirmação diagnóstica e acompanhamento.
Útil em cenários específicos, especialmente em centros especializados.
Diagnósticos diferenciais
- Tuberculose.
- Febre Q.
- Leptospirose.
- Endocardite infecciosa.
- Malária em áreas endêmicas.
- Linfomas e outras causas de febre prolongada.
Princípios do tratamento
Antibioticoterapia prolongada e combinada para erradicação do agente e prevenção de recaídas. A duração depende da forma clínica e das complicações.
Tratamento ambulatorial
Indicado para formas leves sem envolvimento de outros sistemas. Doxiciclina associada a 1 antibiótico:
100 mg VO de 12/12 h, por 6 semanas.
Escolha uma das opções:
5 mg/kg IM/EV de 24/24 h, por 7–10 dias.
1 g IM/EV de 24/24 h, por 14–21 dias.
600–900 mg VO de 24/24 h, por 6 semanas.
Intolerância a aminoglicosídeos:
500 mg VO de 12/12 h.
200 mg VO de 12/12 h.
Recorrência ou refratariedade
Terapia tripla com o esquema anterior acrescido de:
800 + 160 mg VO de 12/12 h, por 6 semanas.
Profilaxia pós-exposição laboratorial
Preferencial
- Doxiciclina: 100 mg VO de 12/12 h, por 3 semanas.
- Rifampicina: 600–900 mg VO de 24/24 h, por 3 semanas.
Alternativa
- SMX + TMP: 800 + 160 mg VO de 12/12 h, por 3 semanas.
- Rifampicina: 600–900 mg VO de 24/24 h, por 3 semanas (opcional).
Tratamento hospitalar
Indicado em infecções graves, alteração neurológica ou endocardite. Pode-se usar o mesmo esquema ambulatorial com administração EV.
Neurobrucelose
Terapia tripla por 3–6 meses: doxiciclina + rifampicina + ceftriaxona, com dexametasona adjuvante.
100 mg VO/EV de 12/12 h.
600–900 mg VO de 24/24 h.
2 g EV/IM de 12/12 h.
3 mg/kg EV, depois 1 mg/kg EV de 6/6 h por 48 h.
Endocardite por brucelose
Terapia tripla: doxiciclina + rifampicina + estreptomicina ou gentamicina.
100 mg VO/EV de 12/12 h, ≥ 12 semanas.
600–900 mg VO de 24/24 h, ≥ 12 semanas.
1 g IM/EV de 24/24 h, por 4 semanas.
5 mg/kg EV de 24/24 h, 1–3 doses nas primeiras 4 semanas.
Doença focal osteoarticular
Esquema com doxiciclina
- Doxiciclina: 100 mg VO/EV de 12/12 h, ≥ 3 meses.
- Rifampicina: 600–900 mg VO de 24/24 h, ≥ 3 meses.
- Gentamicina: 5 mg/kg IM/EV de 24/24 h, por 7–14 dias.
Esquema com quinolona
- Ciprofloxacino: 750 mg VO de 12/12 h ou 400 mg EV de 12/12 h, ≥ 3 meses.
- Rifampicina: 600–900 mg VO de 24/24 h, ≥ 3 meses.
Complicações da brucelose
São mais frequentes quando há atraso diagnóstico, tratamento inadequado ou doença prolongada.
Principais acometimentos
Sacroileíte, espondilodiscite, artrite periférica e dor lombar persistente.
Endocardite — rara, mas principal causa de morte relacionada à brucelose.
Meningite, encefalite, radiculopatia ou neuropatias periféricas.
Orquite, epididimite e prostatite, especialmente em homens.
Hepatomegalia, esplenomegalia, elevação de transaminases e granulomas hepáticos.
Anemia, leucopenia, plaquetopenia e marcadores inflamatórios elevados.
Como prevenir
A prevenção depende do controle sanitário dos rebanhos, inspeção de produtos de origem animal e medidas de proteção individual para expostos ocupacionalmente.
Medidas individuais
- Consumir apenas leite pasteurizado ou fervido.
- Evitar queijos artesanais sem inspeção sanitária.
- Utilizar luvas, botas, máscara e proteção ocular ao lidar com animais.
- Higienizar mãos, utensílios e superfícies após contato com produtos de origem animal.
- Não manipular fetos abortados, placenta ou secreções sem proteção adequada.
Medidas coletivas
Reduz a circulação da doença nos rebanhos e protege indiretamente os humanos.
Testagem, notificação e eliminação de focos em rebanhos infectados.
Fiscalização de leite, carne, derivados e estabelecimentos produtores.
Orientação de produtores, trabalhadores rurais e consumidores.
Importante
A brucelose pode se tornar crônica se não tratada adequadamente, causando complicações graves como comprometimento osteoarticular, endocardite e neurobrucelose.
Referências bibliográficas
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Artigos relacionados
Em provas / residência
Brucelose → febre ondulante + sudorese noturna + exposição ocupacional ou ingestão de leite não pasteurizado.
Lembre-se das complicações osteoarticulares e da necessidade de tratamento prolongado.
Resultado final
Revisão das questões
Referências bibliográficas
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- Bosilkovski M, Keramat F, Arapović J. The current therapeutical strategies in human brucellosis. Infection. 2021;49(5):823-832.
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