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Peste | Guia de Zoonoses
Guia de Zoonoses

Peste

Zoonose bacteriana grave causada por Yersinia pestis, transmitida principalmente por pulgas infectadas e associada a roedores silvestres. Pode se manifestar como peste bubônica, septicêmica, pneumônica, pleurítica ou meníngea.

Yersinia pestis Pulgas infectadas Forma pneumônica Evolução rápida
Tempo de leitura: 9 min
Atualizado em: 27/06/2026
Peste causada por Yersinia pestis

Quadro clínico principal

  • Febre alta e início súbito
  • Bubão doloroso na forma bubônica
  • Sepse e choque na forma septicêmica
  • Pneumonia grave na forma pneumônica
  • Hemoptise e insuficiência respiratória
  • Meningite ou pleurite em formas especiais

Diagnóstico

  • Suspeita clínica e epidemiológica
  • Cultura de sangue, aspirado de bubão ou escarro
  • PCR quando disponível
  • Notificação imediata

Tratamento

  • Iniciar antimicrobiano precocemente
  • Idealmente nas primeiras 15 horas dos sintomas
  • Gentamicina ou estreptomicina como primeira linha
  • Esquemas específicos para pleurite e meningite

Complicações

  • Choque séptico
  • Insuficiência respiratória
  • Coagulação intravascular disseminada
  • Pleurite ou meningite
  • Óbito sem tratamento rápido

O que é

A peste é uma zoonose bacteriana aguda e potencialmente fatal, causada por Yersinia pestis. A doença é mantida na natureza por ciclos entre roedores e pulgas, podendo acometer humanos após picada de pulgas infectadas, contato com animais contaminados ou exposição respiratória a pacientes com forma pneumônica.

Agente etiológico

Yersinia pestis é um bacilo Gram-negativo, da família Enterobacteriaceae, com elevada capacidade de disseminação linfática, hematogênica e pulmonar.

  • Forma bubônica: acometimento linfonodal, com bubão doloroso.
  • Forma septicêmica: bacteremia, sepse, choque e manifestações hemorrágicas.
  • Forma pneumônica: pneumonia grave, transmissível por gotículas respiratórias.
  • Formas especiais: pleurítica e meníngea, com maior gravidade clínica.
Yersinia pestis

Epidemiologia

A peste é uma doença de importância em saúde pública devido à possibilidade de surtos, elevada letalidade sem tratamento e risco de transmissão respiratória na forma pneumônica. A suspeita deve considerar exposição a áreas endêmicas, roedores, pulgas, animais mortos ou contato com caso suspeito.

Distribuição

Focos naturais em diferentes regiões do mundo.

Vetor

Pulgas infectadas associadas a roedores.

Risco especial

Forma pneumônica pode transmitir por gotículas.

Gravidade

Evolução rápida sem tratamento precoce.

Vigilância

Doença de notificação imediata.

Reservatórios e transmissão

Principais reservatórios

  • Roedores silvestres e sinantrópicos.
  • Pulgas infectadas que participam da manutenção do ciclo zoonótico.
  • Animais domésticos podem atuar como ponte epidemiológica em cenários específicos.

Formas de transmissão

  • Picada de pulga infectada.
  • Contato direto com tecidos, secreções ou fluidos de animais infectados.
  • Inalação de gotículas de paciente ou animal com peste pneumônica.
  • Exposição laboratorial a amostras contaminadas.
A forma pneumônica exige isolamento respiratório e tratamento imediato devido ao risco de transmissão entre pessoas por gotículas.

Fisiopatologia

Após a inoculação pela picada da pulga ou por contato direto, Y. pestis pode migrar para linfonodos regionais, onde se multiplica e causa linfadenite intensa, formando o bubão. A partir desse foco, pode ocorrer disseminação hematogênica, sepse e acometimento pulmonar secundário.

Na peste pneumônica primária, a entrada ocorre pela via respiratória, com pneumonia necrosante rapidamente progressiva, alta carga bacteriana e risco de transmissão para contactantes próximos.

Fisiopatologia da peste Clique para ampliar

Como ocorre a transmissão

A transmissão humana ocorre principalmente pela picada de pulgas infectadas, pelo contato com animais contaminados ou pela inalação de gotículas respiratórias em contato próximo com pacientes com peste pneumônica.

Principais vias de infecção

Vetorial

Picada de pulgas infectadas após contato com roedores ou ambientes com circulação de Y. pestis.

Contato animal

Manipulação de tecidos, carcaças, secreções ou fluidos de animais infectados.

Respiratória

Gotículas de pacientes com peste pneumônica ou exposição a secreções respiratórias contaminadas.

Laboratorial

Manipulação de culturas ou amostras clínicas sem biossegurança adequada.

Grupos de maior risco

  • Pessoas expostas a áreas com epizootias ou morte incomum de roedores.
  • Profissionais que manipulam animais silvestres ou carcaças.
  • Contactantes próximos de pacientes com suspeita ou confirmação de peste pneumônica.
  • Profissionais de saúde sem proteção respiratória adequada.
  • Profissionais de laboratório expostos a amostras contaminadas.
Contactantes sem proteção respiratória de pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por Y. pestis podem precisar de profilaxia pós-exposição.

Quadro clínico

A peste costuma ter início abrupto, com febre alta, calafrios, mal-estar intenso, cefaleia e prostração. A apresentação clínica varia conforme a porta de entrada e a extensão da disseminação bacteriana.

Sintomas mais comuns

Febre alta

Geralmente de início súbito, associada a calafrios e queda importante do estado geral.

Bubão

Linfadenite regional dolorosa, mais comum em região inguinal, axilar ou cervical.

Sepse

Hipotensão, alteração do nível de consciência, choque e manifestações hemorrágicas.

Pneumonia

Tosse, dispneia, dor torácica, escarro purulento ou hemoptoico e evolução rápida.

Meningite

Cefaleia intensa, rigidez nucal, alteração neurológica e sinais meníngeos.

Pleurite

Dor torácica pleurítica, derrame pleural e comprometimento respiratório.

Formas clínicas

  • Bubônica: febre, toxemia e bubão doloroso após picada de pulga.
  • Septicêmica: bacteremia grave, choque, necrose, sangramentos e disfunção orgânica.
  • Pneumônica: pneumonia fulminante, com risco de transmissão por gotículas.
  • Pleurítica: acometimento pleural, geralmente associado a maior gravidade.
  • Meníngea: acometimento do sistema nervoso central, exigindo esquema específico.

Suspeita diagnóstica

Deve ser suspeitada em pacientes com febre aguda grave associada a bubão, sepse sem foco claro, pneumonia rapidamente progressiva ou história epidemiológica compatível, especialmente exposição a roedores, pulgas, animais mortos ou contato com caso suspeito.

Exames utilizados

Cultura

Sangue, aspirado de bubão, escarro, lavado respiratório, líquido pleural ou líquor, conforme a forma clínica.

PCR

Pode auxiliar na confirmação rápida quando disponível, especialmente em amostras respiratórias ou de bubão.

Microscopia

Pode demonstrar bacilos Gram-negativos em amostras clínicas, mas não substitui confirmação laboratorial.

Notificação

A suspeita deve acionar vigilância epidemiológica e medidas de controle sem aguardar confirmação.

Diagnósticos diferenciais

  • Linfadenite bacteriana aguda.
  • Tularemia.
  • Febre maculosa e outras rickettsioses.
  • Sepse bacteriana por outros agentes.
  • Pneumonia bacteriana grave.
  • Meningite bacteriana.
  • Leptospirose grave.
Na suspeita de peste, o tratamento não deve aguardar resultados microbiológicos, devido à rapidez de evolução do quadro clínico.

Princípios do tratamento

O tratamento da peste deve ser iniciado precocemente, idealmente nas primeiras 15 horas após o início dos sintomas, sem aguardar os resultados laboratoriais. A escolha do esquema depende da forma clínica, gravidade, idade, gestação e presença de pleurite ou acometimento do sistema nervoso central.

Como usar esta aba

As orientações gerais ficam visíveis nos cards. As doses, vias e durações foram organizadas em popups para manter a leitura limpa e facilitar o uso na prática.

Profilaxia pós-exposição

Recomendada para contactantes sem proteção respiratória de pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por Y. pestis que não tenham recebido antibioticoterapia por, pelo menos, 48 horas.

Tratamento hospitalar

O paciente deve ser manejado em ambiente hospitalar, com isolamento nas primeiras 48 horas de antimicrobiano. Na forma pneumônica, manter isolamento respiratório até obtenção de escarro negativo, devido ao risco de contaminação de contactantes.

Populações especiais

Gestantes e crianças exigem ajuste do esquema conforme risco-benefício, peso, forma clínica e gravidade. A doença grave justifica tratamento imediato e individualizado.

Atraso no início do tratamento aumenta o risco de evolução fulminante, especialmente nas formas septicêmica e pneumônica.

Complicações da peste

As complicações estão relacionadas à disseminação bacteriana, sepse, acometimento pulmonar e atraso terapêutico. A doença pode evoluir rapidamente para instabilidade hemodinâmica e disfunção orgânica.

Principais acometimentos

Choque séptico

Hipotensão, hipoperfusão, acidose e necessidade de suporte intensivo.

Insuficiência respiratória

Mais comum na peste pneumônica, com rápida deterioração ventilatória.

Coagulopatia

Sangramentos, púrpura, necrose periférica e coagulação intravascular disseminada.

Meningite

Forma grave com necessidade de associação terapêutica específica.

Pleurite

Derrame pleural e dor torácica, exigindo esquema com cloranfenicol associado.

Óbito

Risco elevado quando não há diagnóstico e antibioticoterapia precoces.

Pneumonia grave de evolução rápida associada a exposição epidemiológica deve levantar suspeita de peste pneumônica e acionar isolamento respiratório.

Medidas individuais

  • Evitar contato com roedores mortos ou doentes.
  • Controlar pulgas em animais domésticos e no ambiente.
  • Usar equipamentos de proteção ao manipular animais silvestres ou carcaças.
  • Evitar exposição respiratória sem máscara em casos suspeitos de peste pneumônica.
  • Buscar atendimento imediato diante de febre súbita após exposição de risco.

Medidas coletivas

Controle de pulgas

Reduz a transmissão vetorial e deve preceder ações de controle de roedores.

Vigilância de roedores

Monitoramento de epizootias, mortalidade incomum e áreas de risco.

Isolamento respiratório

Indicado em suspeita de peste pneumônica até controle do risco de transmissão.

Profilaxia de contactantes

Indicada para exposições respiratórias relevantes conforme avaliação epidemiológica.

A profilaxia não substitui vigilância clínica: contactantes devem ser orientados a procurar atendimento se surgirem febre, tosse, dispneia ou linfonodos dolorosos.

Referências bibliográficas

Lista de referências sugeridas para construção e revisão do artigo.

  1. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde: peste e outras zoonoses de importância em saúde pública.
  2. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Plague: clinical information, treatment and post-exposure prophylaxis.
  3. World Health Organization (WHO). Plague: fact sheets and operational guidance.
  4. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. Yersinia pestis and plague.
  5. Heymann DL. Control of Communicable Diseases Manual. Plague.

Em provas / residência

Peste → febre súbita + bubão doloroso ou pneumonia rapidamente progressiva em contexto epidemiológico compatível.

Na suspeita, iniciar tratamento e medidas de isolamento sem aguardar confirmação laboratorial.

Mais informações nas abas abaixo do artigo.

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