Template de Artigo Médico
Home Guia de Zoonoses Bactérias Doença de Lyme
Zoonoses

Doença de Lyme

Infecção bacteriana transmitida por carrapatos, causada por espiroquetas do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato, podendo acometer pele, articulações, sistema nervoso e coração quando não tratada adequadamente.

Carrapatos Zoonose Bactéria Eritema migrans
Tempo de leitura: 8 min
Atualizado em: 14/05/2026
Doença de Lyme transmitida por carrapatos

Quadro clínico principal

  • Eritema migrans
  • Febre e mal-estar
  • Cefaleia
  • Mialgia e artralgia
  • Fadiga
  • Linfadenopatia regional

Diagnóstico

  • Diagnóstico clínico no eritema migrans típico
  • Sorologia em duas etapas
  • ELISA como triagem
  • Imunoblot confirmatório

Tratamento

  • Doxiciclina nos casos leves
  • Amoxicilina como alternativa
  • Ceftriaxona em formas neurológicas
  • Tratamento varia conforme fase clínica

Complicações

  • Artrite de Lyme
  • Neuroborreliose
  • Paralisia facial periférica
  • Cardite de Lyme

O que é

A Doença de Lyme é uma zoonose infecciosa causada por espiroquetas do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato, transmitidas principalmente pela picada de carrapatos infectados.

É considerada a doença transmitida por carrapatos mais comum em diversas regiões do hemisfério norte, podendo acometer pele, articulações, sistema nervoso e coração em diferentes fases clínicas.

Agente etiológico

Espiroquetas do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato, bactérias helicoidais com capacidade de disseminação sistêmica após inoculação pela picada do carrapato.

  • Borrelia burgdorferi sensu stricto — principal espécie nos Estados Unidos.
  • Borrelia afzelii — frequentemente associada a manifestações cutâneas na Europa.
  • Borrelia garinii — relacionada a acometimento neurológico.
  • Espiroqueta móvel — possui elevada capacidade de disseminação tecidual.
Borrelia burgdorferi

Epidemiologia

A Doença de Lyme é mais frequente em regiões temperadas da América do Norte, Europa e Ásia, principalmente em áreas de mata e vegetação densa com presença de carrapatos do gênero Ixodes.

Distribuição

América do Norte, Europa e Ásia.

Vetor principal

Carrapatos do gênero Ixodes.

Sazonalidade

Maior incidência na primavera e verão.

Maior risco

Pessoas expostas a áreas de mata.

Complicações

Neurológicas, cardíacas e articulares.

Reservatórios e transmissão

Principais reservatórios

  • Roedores silvestres.
  • Cervos e outros mamíferos selvagens.
  • Pequenos mamíferos de áreas florestais.
  • Aves migratórias podem auxiliar na dispersão dos carrapatos.

Formas de transmissão

  • Picada de carrapatos infectados.
  • Maior risco após fixação prolongada do carrapato na pele.
  • Exposição durante atividades rurais, trilhas ou camping.
  • Não há transmissão interpessoal habitual.
A transmissão geralmente requer permanência prolongada do carrapato aderido à pele.

Fisiopatologia

Após a inoculação pela picada do carrapato, as espiroquetas se multiplicam localmente na pele, originando o eritema migrans.

Posteriormente, podem disseminar-se pela corrente sanguínea e atingir articulações, sistema nervoso central, coração e outros tecidos.

A resposta inflamatória do hospedeiro contribui para as manifestações clínicas tardias, especialmente artrite e neuroborreliose.

Fisiopatologia da Doença de Lyme Clique para ampliar

Como ocorre a transmissão

A Doença de Lyme é transmitida principalmente pela picada de carrapatos infectados do gênero Ixodes, que inoculam as espiroquetas durante o repasto sanguíneo.

O risco de transmissão aumenta quanto maior o tempo de fixação do carrapato na pele, especialmente após 24–48 horas de aderência.

Principais vias de infecção

Picada do carrapato

Principal forma de transmissão, ocorrendo após contato com carrapatos infectados em áreas de mata, gramados ou vegetação densa.

Fixação prolongada

Quanto maior o tempo do carrapato aderido à pele, maior o risco de transmissão da bactéria.

Exposição ambiental

Atividades como trilhas, camping, caça, jardinagem e trabalho rural aumentam o risco de contato.

Contato com animais

Cães e outros animais podem transportar carrapatos para ambientes domiciliares.

Grupos de maior risco

  • Praticantes de trilhas e atividades ao ar livre.
  • Trabalhadores rurais e florestais.
  • Caçadores e campistas.
  • Pessoas que vivem próximas a áreas de mata.
  • Veterinários e profissionais expostos a animais.
  • Crianças que brincam em áreas gramadas ou florestais.

Fatores que aumentam o risco

Maior chance de transmissão

  • Permanência prolongada do carrapato na pele.
  • Ausência de roupas protetoras.
  • Não realizar inspeção corporal após exposição.
  • Presença de carrapatos em animais domésticos.

Menor chance de transmissão

  • Remoção precoce do carrapato.
  • Uso de repelentes adequados.
  • Uso de roupas longas em áreas de risco.
  • Inspeção da pele após atividades externas.
Não há transmissão interpessoal habitual da Doença de Lyme.

Quadro clínico

A Doença de Lyme possui evolução em fases clínicas, podendo iniciar com manifestações cutâneas localizadas e posteriormente evoluir para acometimento neurológico, cardíaco e articular.

Os sintomas podem surgir dias a semanas após a picada do carrapato infectado.

Eritema migrans

O eritema migrans é a manifestação inicial mais característica da Doença de Lyme. Trata-se de uma lesão cutânea expansiva, geralmente avermelhada, que cresce progressivamente ao redor do local da picada.

Pode apresentar clareamento central, formando aspecto em “alvo”, embora nem todos os pacientes apresentem esse padrão clássico.

  • Surge dias após a picada do carrapato.
  • Lesão em expansão progressiva.
  • Pode estar associada a prurido ou ardor leve.
  • Nem sempre é dolorosa.
Eritema migrans na Doença de Lyme Clique para ampliar

Sintomas mais comuns

Febre

Pode acompanhar a fase inicial da doença juntamente com mal-estar geral.

Cefaleia

Frequentemente associada a fadiga e sintomas gripais.

Artralgia e mialgia

Dores musculares e articulares são comuns desde as fases iniciais.

Fadiga

Sensação intensa de cansaço pode persistir mesmo após tratamento.

Palpitações

Podem ocorrer em casos com acometimento cardíaco.

Tontura

Pode estar associada a manifestações neurológicas ou cardíacas.

Fases clínicas

  • Fase localizada precoce: eritema migrans e sintomas gripais inespecíficos.
  • Fase disseminada precoce: múltiplas lesões cutâneas, paralisia facial, meningite e cardite.
  • Fase tardia: artrite de Lyme, neuropatias e manifestações neurológicas persistentes.

Manifestações tardias

Artrite de Lyme

Episódios recorrentes de artrite, principalmente em grandes articulações como joelhos.

Neuroborreliose

Pode causar meningite, neuropatias cranianas e radiculopatias.

Cardite

Distúrbios de condução cardíaca podem ocorrer em fases disseminadas.

Paralisia facial

Paralisia facial periférica é uma manifestação neurológica clássica.

Eritema migrans associado a exposição epidemiológica compatível pode ser suficiente para iniciar tratamento mesmo antes da confirmação sorológica.

Suspeita diagnóstica

O diagnóstico da Doença de Lyme deve considerar a associação entre quadro clínico compatível, exposição epidemiológica a áreas com carrapatos e manifestações características, especialmente o eritema migrans.

Em pacientes com lesão cutânea típica e história de exposição, o diagnóstico pode ser clínico, sem necessidade obrigatória de confirmação laboratorial inicial.

Diagnóstico laboratorial

ELISA

Principal exame de triagem sorológica, utilizado para detecção inicial de anticorpos.

Imunoblot

Utilizado como exame confirmatório após teste de triagem positivo ou inconclusivo.

PCR

Pode detectar material genético da bactéria em situações específicas, especialmente líquor ou líquido sinovial.

Análise do líquor

Indicada em suspeita de neuroborreliose para avaliação inflamatória do sistema nervoso central.

Interpretação sorológica

Fase inicial

  • Sorologia pode ser negativa nas primeiras semanas.
  • Eritema migrans típico pode definir diagnóstico clínico.
  • Tratamento não deve ser atrasado aguardando exames.

Fases tardias

  • Maior sensibilidade dos testes sorológicos.
  • Anticorpos IgG frequentemente positivos.
  • Resultados devem ser correlacionados ao quadro clínico.

Diagnósticos diferenciais

  • Febre maculosa.
  • Leptospirose.
  • Artrite reumatoide.
  • Fibromialgia.
  • Meningites virais.
  • Esclerose múltipla.
  • Outras doenças transmitidas por carrapatos.

Avaliação complementar

Eletrocardiograma

Importante na suspeita de cardite de Lyme e distúrbios de condução.

Punção lombar

Indicada em pacientes com manifestações neurológicas.

Líquido sinovial

Pode auxiliar na investigação da artrite de Lyme.

Exames de imagem

Utilizados conforme manifestações articulares, cardíacas ou neurológicas.

Sorologia positiva isoladamente não confirma doença ativa; os resultados devem sempre ser interpretados junto ao quadro clínico e epidemiológico.

Princípios do tratamento

O tratamento da Doença de Lyme depende da fase clínica e das manifestações apresentadas pelo paciente. A antibioticoterapia precoce reduz o risco de complicações neurológicas, cardíacas e articulares.

Pacientes com eritema migrans típico e exposição epidemiológica compatível podem iniciar tratamento mesmo antes da confirmação sorológica.

Profilaxia pós-exposição

O tratamento ambulatorial profilático é destinado aos pacientes de alto risco que preenchem todos os critérios:

  • Presença de picada por carrapato do gênero Ixodes.
  • Exposição em área endêmica.
  • Vetor fixado à pele por mais de 36 horas.

A profilaxia é feita em monoterapia:

1ª linha — Doxiciclina

200 mg VO dose única.

Alternativa — Minociclina

200 mg VO dose única.

Tratamento da fase localizada precoce

Indicado para pacientes a partir da fase localizada precoce da doença.

Doxiciclina

100 mg VO/EV de 12/12 horas, por 10 dias.

Amoxicilina

500 mg VO/EV de 8/8 horas, por 14 dias.

Cefuroxima

500 mg VO de 12/12 horas ou EV de 8/8 horas, por 14 dias.

Segunda linha de tratamento

Azitromicina

500 mg VO/EV de 24/24 horas, por 7 dias.

Claritromicina

500 mg VO/EV de 12/12 horas, por 14–21 dias.

Cardite de Lyme

O tratamento da complicação cardíaca varia conforme o grau do bloqueio atrioventricular (BAV).

BAV de primeiro grau

  • Doxiciclina: 100 mg VO de 12/12 horas, por 14–21 dias.
  • Amoxicilina: 500 mg VO de 8/8 horas, por 14–21 dias.

Preferencial em gestantes: Amoxicilina.

BAV de segundo ou terceiro grau

1ª linha — Ceftriaxona

2 g IV de 24/24 horas, por 14–21 dias.

Alternativas

  • Cefotaxima: 1 g IV de 4/4 horas, por 14–21 dias.
  • Penicilina G: 3 milhões unidades IV de 4/4 horas, por 14–21 dias.

Paralisia de Bell

Em pacientes com paralisia facial periférica, deve-se realizar punção lombar para excluir meningite.

1ª linha de tratamento

Doxiciclina

100 mg VO de 12/12 horas, por 14 dias.

Amoxicilina

500 mg VO de 8/8 horas, por 14 dias.

Tratamento alternativo

Cefuroxima

500 mg VO de 12/12 horas, por 14 dias.

Ceftriaxona

2 g IV de 24/24 horas, por 14 dias.

Meningite / encefalite

1ª linha de tratamento

Doxiciclina

100 mg VO/EV de 12/12 horas, por 14–21 dias.

Ceftriaxona

2 g IV de 24/24 horas, por 14–21 dias.

Cefotaxima

1 g IV de 4/4 horas, por 14–21 dias.

Tratamento alternativo

Amoxicilina

500 mg VO/EV de 8/8 horas, por 14–21 dias.

Penicilina G

3 milhões unidades IV de 4/4 horas, por 14–21 dias.

Artrite de Lyme

1ª linha de tratamento

Doxiciclina

100 mg VO de 12/12 horas, por 28 dias.

Amoxicilina

500 mg VO de 8/8 horas, por 28 dias.

Cefuroxima

500 mg VO de 12/12 horas, por 28 dias.

Tratamento alternativo

Ceftriaxona

2 g EV de 24/24 horas, por 14–28 dias.

Penicilina G

20–24 milhões unidades IV de 24/24 horas, por 14–28 dias.

O atraso no tratamento aumenta o risco de manifestações neurológicas, cardíacas e articulares persistentes.

Complicações da Doença de Lyme

As complicações geralmente ocorrem quando há atraso diagnóstico ou ausência de tratamento adequado, especialmente nas fases disseminadas da doença.

O acometimento pode envolver sistema nervoso, coração, articulações e pele.

Principais acometimentos

Artrite de Lyme

Episódios recorrentes de artrite, principalmente em grandes articulações como joelhos.

Neuroborreliose

Pode causar meningite, encefalite, radiculopatias e neuropatias cranianas.

Cardite de Lyme

Distúrbios de condução cardíaca, especialmente bloqueios atrioventriculares.

Paralisia facial

Paralisia facial periférica é uma das manifestações neurológicas mais clássicas.

Fadiga persistente

Alguns pacientes podem apresentar sintomas prolongados mesmo após tratamento.

Lesões cutâneas tardias

Alterações dermatológicas crônicas podem ocorrer em formas prolongadas.

Complicações neurológicas

Sistema nervoso periférico

  • Paralisia facial periférica.
  • Neuropatias periféricas.
  • Radiculopatias dolorosas.
  • Parestesias persistentes.

Sistema nervoso central

  • Meningite linfocítica.
  • Encefalite.
  • Alterações cognitivas.
  • Distúrbios de memória e concentração.

Complicações cardíacas

A cardite de Lyme ocorre principalmente na fase disseminada precoce da doença.

  • Bloqueio atrioventricular de primeiro grau.
  • Bloqueio atrioventricular de segundo grau.
  • Bloqueio atrioventricular total.
  • Palpitações e tonturas.
  • Síncope em casos graves.
  • Miocardite e pericardite raramente.

Complicações articulares

A artrite de Lyme é uma manifestação tardia clássica, podendo ocorrer meses após a infecção inicial.

Joelhos

Articulação mais frequentemente acometida.

Inflamação recorrente

Episódios intermitentes de edema e dor articular.

Limitação funcional

Casos prolongados podem comprometer mobilidade e qualidade de vida.

Sinovite

Processo inflamatório persistente em articulações acometidas.

Pacientes com sintomas neurológicos, cardíacos ou articulares após exposição a carrapatos devem ser investigados para manifestações disseminadas da Doença de Lyme.

Como prevenir

A prevenção da Doença de Lyme é baseada principalmente na redução da exposição a carrapatos, identificação precoce do vetor aderido à pele e remoção adequada após atividades em áreas de risco.

Medidas individuais de proteção são fundamentais para diminuir o risco de transmissão da Borrelia burgdorferi.

Medidas individuais

  • Utilizar roupas compridas em áreas de mata, trilhas e vegetação densa.
  • Preferir roupas claras para facilitar a visualização dos carrapatos.
  • Aplicar repelentes apropriados para carrapatos na pele e roupas.
  • Inspecionar cuidadosamente o corpo após atividades ao ar livre.
  • Verificar couro cabeludo, axilas, virilha e atrás dos joelhos.
  • Retirar carrapatos rapidamente utilizando pinça adequada.
  • Evitar esmagar o carrapato durante a remoção.

Remoção correta do carrapato

Como remover

  • Usar pinça fina.
  • Segurar próximo à pele.
  • Puxar lentamente e de forma contínua.
  • Higienizar a área após remoção.

O que evitar

  • Não esmagar o carrapato.
  • Não utilizar fogo ou substâncias químicas.
  • Não torcer excessivamente o vetor.
  • Evitar remoção abrupta.

Redução da exposição ambiental

Trilhas

Permanecer em caminhos centrais e evitar vegetação alta.

Camping

Evitar dormir diretamente sobre gramados ou folhas secas.

Animais domésticos

Realizar controle de carrapatos em cães e outros animais.

Ambiente domiciliar

Manter gramados aparados e reduzir áreas favoráveis ao vetor.

Profilaxia pós-exposição

A profilaxia antibiótica pode ser considerada em situações de alto risco após picada por carrapato do gênero Ixodes.

  • Área endêmica para Doença de Lyme.
  • Carrapato aderido por mais de 36 horas.
  • Remoção recente do vetor.
  • Avaliação médica individualizada.
Doxiciclina

200 mg VO dose única como profilaxia em pacientes selecionados.

Vacinação

Atualmente não existe vacina humana amplamente disponível para prevenção da Doença de Lyme.

A principal estratégia preventiva continua sendo a proteção contra picadas de carrapatos e o reconhecimento precoce do vetor aderido à pele.

A remoção precoce do carrapato reduz significativamente o risco de transmissão da bactéria.

Importante

A Doença de Lyme pode evoluir para acometimento neurológico, cardíaco e articular quando não diagnosticada e tratada precocemente.

Referências bibliográficas

Ver todas as referências utilizadas neste artigo

Em provas / residência

Brucelose → febre ondulante + sudorese noturna + exposição ocupacional ou ingestão de leite não pasteurizado.

Lembre-se das complicações osteoarticulares e da necessidade de tratamento prolongado.

Mais informações nas abas acima do artigo.

Referências bibliográficas

  1. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Lyme Disease. 2025.
  2. Infectious Diseases Society of America (IDSA). Clinical Practice Guidelines for the Prevention, Diagnosis, and Treatment of Lyme Disease. 2020.
  3. Steere AC et al. Lyme borreliosis. Nat Rev Dis Primers. 2016;2:16090.
  4. Stanek G et al. Lyme borreliosis. Lancet. 2012;379(9814):461-473.
  5. Wormser GP et al. The clinical assessment, treatment, and prevention of Lyme disease. Clin Infect Dis. 2006;43(9):1089-1134.
  6. Hu LT. Lyme Disease. Ann Intern Med. 2016;164(9):ITC65-ITC80.
  7. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Tickborne Diseases of the United States. 2024.
  8. World Health Organization (WHO). Vector-borne diseases. 2024.
Rolar para cima