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Atlas de Oftalmologia

Oncocercose

Infecção parasitária por Onchocerca volvulus, transmitida por moscas do gênero Simulium, capaz de provocar inflamação ocular crônica, queratite, uveíte, lesões retinianas e perda visual.

Conjuntiva Infecção parasitária River blindness
Visão Geral
Características
Diagnóstico
Galeria
Tratamento
Referências
Oncocercose ocular

Visão Geral

A oncocercose, também conhecida como “cegueira dos rios”, é uma doença parasitária causada pelo nematódeo Onchocerca volvulus, transmitido por picadas repetidas de moscas negras do gênero Simulium.

No olho, a resposta inflamatória contra microfilárias pode comprometer a conjuntiva, córnea, câmara anterior, úvea, retina e nervo óptico, produzindo desde irritação ocular até perda visual progressiva.

As manifestações oftalmológicas incluem hiperemia conjuntival, prurido, fotofobia, lacrimejamento, ceratite puntata, ceratite esclerosante, uveíte anterior, coriorretinite e atrofia óptica.

O reconhecimento precoce é importante para reduzir inflamação ocular, orientar investigação epidemiológica e iniciar tratamento antiparasitário adequado, principalmente em pacientes provenientes de áreas endêmicas.

Principais achados
  1. Hiperemia e irritação conjuntival
  2. Prurido ocular e lacrimejamento
  3. Fotofobia e sensação de corpo estranho
  4. Ceratite puntata e opacidades corneanas
  5. Uveíte anterior e inflamação crônica
  6. Perda visual por ceratite esclerosante, coriorretinite ou atrofia óptica
Estrutura em destaque
Estruturas em destaque da oncocercose ocular

A oncocercose pode envolver a conjuntiva e o segmento anterior do olho, mas também pode atingir córnea, úvea, retina e nervo óptico, explicando seu potencial de causar baixa visual progressiva.

Estruturas em destaque da oncocercose ocular
Características Clínicas

A oncocercose ocular resulta da presença de microfilárias e da resposta inflamatória desencadeada no olho, especialmente em indivíduos expostos a áreas endêmicas.

A gravidade varia conforme a carga parasitária, a duração da infecção e as estruturas acometidas, podendo evoluir de conjuntivite crônica para queratite, uveíte e lesões do polo posterior.

Inflamação conjuntival

Pode haver hiperemia, prurido, lacrimejamento e irritação ocular crônica, principalmente quando há microfilárias no segmento anterior.

Ceratite puntata

Pequenas opacidades puntiformes na córnea podem surgir por reação inflamatória às microfilárias, causando fotofobia e desconforto visual.

Ceratite esclerosante

Em fases avançadas, a inflamação pode levar a opacificação corneana progressiva, com redução importante da transparência e da visão.

Uveíte anterior

A inflamação intraocular pode se manifestar como uveíte anterior, dor, fotofobia, hiperemia e piora da acuidade visual.

Lesões coriorretinianas

A doença pode acometer retina e coroide, provocando alterações pigmentares, atrofia e perda visual quando o polo posterior é afetado.

Atrofia óptica

A inflamação crônica e o dano ocular avançado podem estar associados a comprometimento do nervo óptico e perda visual irreversível.

Nódulos subcutâneos

Além do acometimento ocular, podem existir nódulos subcutâneos com vermes adultos, ajudando na suspeita clínica em áreas endêmicas.

Evolução crônica

A doença costuma ter evolução lenta e cumulativa, com maior risco de dano ocular em infecções prolongadas e sem controle antiparasitário.

Diagnóstico da Oncocercose

O diagnóstico da oncocercose combina história epidemiológica, exame clínico, avaliação dermatológica e exame oftalmológico detalhado, especialmente em pacientes de áreas endêmicas ou com exposição a moscas negras.

A investigação busca demonstrar microfilárias, reconhecer lesões oculares relacionadas à inflamação e diferenciar a doença de outras causas infecciosas ou inflamatórias de conjuntivite, ceratite, uveíte e baixa visual.

Exame oftalmológico

Avalia acuidade visual, hiperemia, fotofobia, sinais de inflamação do segmento anterior e alterações compatíveis com ceratite, uveíte ou dano posterior.

Fundoscopia

A lâmpada de fenda permite identificar conjuntivite, microfilárias no segmento anterior, ceratite puntata, ceratite esclerosante e sinais de uveíte.

Pesquisa de microfilárias

A demonstração de microfilárias em amostras de pele ou em avaliação ocular especializada fortalece o diagnóstico da infecção por O. volvulus.

Biópsia de pele superficial

O “skin snip” pode ser utilizado para pesquisar microfilárias na pele, especialmente em contexto epidemiológico compatível.

Fundoscopia

Avalia coriorretinite, alterações pigmentares, atrofia retinocoroidiana e sinais de comprometimento do nervo óptico.

Testes sorológicos ou moleculares

Podem auxiliar em cenários específicos, principalmente quando a pesquisa direta é negativa ou quando há necessidade de confirmação em contexto epidemiológico.

Diagnóstico diferencial

A oncocercose ocular deve ser diferenciada de tracoma, ceratites infecciosas, uveítes de outras causas, toxocaríase ocular, toxoplasmose, sífilis, tuberculose ocular e outras causas de coriorretinite ou neuropatia óptica.

A história de exposição em área endêmica, a presença de manifestações cutâneas e a identificação de microfilárias ajudam a direcionar o diagnóstico correto.

Galeria Oftalmológica

Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas relacionadas à oncocercose ocular e às principais alterações inflamatórias associadas.

Tratamento da Oncocercose

O tratamento da oncocercose busca reduzir a carga de microfilárias, controlar a transmissão e prevenir progressão das lesões cutâneas e oculares.

A ivermectina é a principal medicação utilizada para reduzir microfilárias; o acompanhamento oftalmológico é importante para tratar inflamação ocular, complicações e sequelas visuais.

Ivermectina

É o tratamento antiparasitário de escolha para matar microfilárias e reduzir o risco de progressão das manifestações cutâneas e oculares.

Tratamento periódico

Como a ivermectina não elimina diretamente os vermes adultos, podem ser necessárias doses repetidas ao longo de anos conforme protocolos de controle.

Avaliar coinfecção por Loa loa

Em regiões onde há risco de Loa loa, a estratégia terapêutica deve ser individualizada devido ao risco de eventos adversos graves.

Doxiciclina em casos selecionados

Pode ser considerada por especialista para reduzir bactérias endossimbiontes Wolbachia e afetar a fertilidade dos vermes adultos.

Controle da inflamação ocular

Uveíte, ceratite e outras complicações devem ser manejadas por oftalmologista, com tratamento direcionado conforme atividade inflamatória e sequelas.

Prevenção de transmissão

Medidas coletivas incluem controle vetorial e tratamento em massa em áreas endêmicas para reduzir microfilaremia e transmissão comunitária.

Prognóstico Visual

O prognóstico visual depende da precocidade do diagnóstico, da extensão do dano ocular e da adesão às estratégias de tratamento e controle em áreas endêmicas.

Casos avançados podem evoluir com opacificação corneana, uveíte crônica, lesões coriorretinianas, atrofia óptica e perda visual irreversível.

Referências Bibliográficas

As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre oncocercose ocular e suas manifestações oftalmológicas.

Livros e Atlas de Oftalmologia
  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Onchocerciasis. Fact sheet. Geneva: WHO, 2025.
  2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Clinical Treatment of Onchocerciasis. Atlanta: CDC, 2024.
  3. KANSKI, J. J.; BOWLING, B. Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier, 2020.
  4. YANOFF, M.; DUKER, J. S. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier, 2022.
  5. AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. Basic and Clinical Science Course (BCSC). San Francisco: AAO, 2024.
Fontes das Imagens

As imagens utilizadas neste atlas oftalmológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações anatômicas didáticas.

Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação das alterações da conjuntiva, córnea, segmento anterior e fundo de olho associadas à oncocercose.

Observação

Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação oftalmológica especializada, livros-texto completos ou orientação acadêmica.

Informações Rápidas
Doença
Oncocercose
Tipo
Infecção filarial transmitida por vetor
Estrutura afetada
Conjuntiva e demais estruturas oculares
Causa mais comum
Onchocerca volvulus após picadas repetidas de Simulium
Sintomas comuns
Prurido ocular, hiperemia, fotofobia, opacidades corneanas e baixa visual
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