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🐎 Marcha Equina

A marcha equina, também chamada de marcha em estepagem, é um padrão anormal de deambulação que ocorre quando o paciente apresenta fraqueza ou paralisia dos músculos dorsiflexores do pé, geralmente por lesão do nervo fibular comum ou de suas raízes nervosas. O termo “equina” faz referência à semelhança com o movimento dos cavalos ao andar, que levantam exageradamente os membros anteriores — assim como o paciente precisa fazer para evitar arrastar o pé.

Nesse tipo de marcha, o paciente eleva o joelho e a coxa de forma exagerada durante a fase de balanço da marcha, para compensar o pé caído, já que não consegue dorsifletir o tornozelo de forma adequada. Ao colocar o pé no chão, este desce com um som audível, caracterizando o chamado “foot slap”.

Importância clínica

A marcha equina é um sinal clínico clássico de pé caído, e sua presença exige uma investigação neurológica completa. Além do exame físico detalhado, incluindo testes de força e reflexos, podem ser necessários exames como eletroneuromiografia, ressonância da coluna lombar e testes laboratoriais para avaliar causas metabólicas ou hereditárias.

O tratamento depende da causa, mas em geral envolve fisioterapia motora, uso de órtese tipo AFO (ankle-foot orthosis) e, em alguns casos, abordagem cirúrgica. O reconhecimento precoce pode prevenir quedas, melhorar a qualidade de vida e permitir o tratamento da doença de base com mais eficácia.

A característica principal da marcha equina é o movimento exagerado de elevação da perna durante o caminhar, que visa evitar que o pé arraste no solo. O paciente caminha com passos altos, e o pé acometido cai rapidamente ao tocar o chão, de forma descontrolada. Em casos mais graves ou bilaterais, o paciente pode precisar de apoio para evitar quedas.

Além da alteração da marcha, pode haver perda da sensibilidade na região anterolateral da perna e dorso do pé, e em alguns casos, atrofia da musculatura anterior da perna. Quando o quadro é unilateral, a assimetria é facilmente observada durante a marcha.

Principais causas

A marcha equina pode ter origem em lesões periféricas, radiculopatias ou doenças neuromusculares que afetam a inervação motora do músculo tibial anterior e outros dorsiflexores. As causas mais comuns incluem:

  • Lesão do nervo fibular comum, geralmente por compressão na cabeça da fíbula
  • Hérnia de disco lombar, com compressão radicular de L4-L5
  • Trauma direto ou cirurgias ortopédicas no joelho ou fíbula proximal
  • Esclerose lateral amiotrófica (ELA) ou outras doenças do neurônio motor
  • Polineuropatias periféricas, como no diabetes mellitus
  • Distrofias musculares e doenças hereditárias como a Charcot-Marie-Tooth

Referências

  1. Preston DC, Shapiro BE. Electromyography and Neuromuscular Disorders. Elsevier, 2012.
  2. Blumenfeld H. Neuroanatomy through Clinical Cases. Sinauer Associates, 2010.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de Abordagem das Polineuropatias.
  4. DeMyer W. Techniques of the Neurologic Examination. McGraw-Hill Education, 2004.
  5. Snell RS. Neuroanatomia Clínica. 7ª ed. Guanabara Koogan, 2011.

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