Herpes Zoster
Reativação do vírus varicela-zoster caracterizada por dor neuropática e erupção vesicular unilateral em distribuição dermatomérica, com risco de neuralgia pós-herpética.
Visão Geral
O herpes zoster é uma infecção cutânea causada pela reativação do vírus varicela-zoster, o mesmo vírus responsável pela catapora.
Após a infecção primária, o vírus permanece latente nos gânglios sensitivos e pode ser reativado anos depois, principalmente em situações de queda da imunidade ou envelhecimento.
Clinicamente, manifesta-se por dor, ardência, formigamento ou hipersensibilidade local, seguida pelo surgimento de vesículas agrupadas sobre base eritematosa em faixa, geralmente unilateral.
O reconhecimento precoce é importante para iniciar antivirais no momento adequado, reduzir duração e intensidade dos sintomas e prevenir complicações como neuralgia pós-herpética, acometimento ocular e infecção bacteriana secundária.
- Dor neuropática local, em queimação, pontada ou choque
- Vesículas agrupadas sobre base eritematosa
- Distribuição unilateral em trajeto dermatomérico
- Lesões em diferentes estágios: pápulas, vesículas, crostas
- Prurido, ardência e hipersensibilidade cutânea
- Risco de neuralgia pós-herpética, especialmente em idosos
O destaque clínico está na pele e no trajeto neural acometido: as lesões seguem um dermátomo, refletindo a reativação viral em gânglios sensitivos e a inflamação do nervo correspondente.
O herpes zoster apresenta evolução típica com sintomas neurais iniciais, como dor, queimação, parestesia ou hipersensibilidade, seguidos por lesões vesiculares localizadas.
A apresentação clássica é unilateral, respeita a linha média e acompanha um dermátomo, sendo mais comum em tronco, face e região cervical.
Dor neuropática
Pode surgir antes das lesões cutâneas, com sensação de queimação, pontadas, choque, formigamento ou hipersensibilidade ao toque.
Vesículas agrupadas
As lesões costumam aparecer como vesículas agrupadas sobre base avermelhada, evoluindo para crostas ao longo dos dias.
Padrão dermatomérico
A erupção acompanha o território sensitivo de um nervo, geralmente de forma unilateral e sem ultrapassar a linha média.
Pródromo doloroso
Febre baixa, mal-estar, cefaleia, dor localizada e sensação de ardência podem preceder a erupção cutânea.
Maior risco em idosos
A incidência e o risco de complicações aumentam com a idade, especialmente pela redução da imunidade celular contra o vírus.
Complicações possíveis
Neuralgia pós-herpética, infecção bacteriana secundária, herpes zoster oftálmico e acometimento neurológico podem ocorrer.
Atenção à face
Lesões na região frontal, nasal ou periocular exigem avaliação rápida pelo risco de acometimento ocular.
Janela terapêutica
O benefício dos antivirais é maior quando iniciados precocemente, idealmente nas primeiras 72 horas do início das lesões.
O diagnóstico do herpes zoster é principalmente clínico, baseado na combinação de dor neuropática localizada e erupção vesicular unilateral em padrão dermatomérico.
Exames laboratoriais geralmente não são necessários em apresentações típicas, mas podem ser úteis em casos atípicos, imunossuprimidos, lesões disseminadas ou dúvida diagnóstica.
Avaliação clínica
Identifica dor em faixa, vesículas agrupadas, unilateralidade e distribuição compatível com dermátomo.
Exame dermatológico
Analisa morfologia, extensão, estágio das lesões, sinais de impetiginização e localização de risco, como face e região ocular.
PCR para VZV
Pode confirmar o diagnóstico em casos duvidosos, especialmente por coleta do conteúdo vesicular ou raspado da base da lesão.
Avaliação ocular
Indicada quando há lesões na face, ponta do nariz, pálpebras, dor ocular, hiperemia ou alteração visual.
Sinais neurológicos
Cefaleia intensa, rigidez de nuca, confusão, paresias ou dor incapacitante exigem investigação de complicações neurológicas.
Imunossupressão
Pacientes imunossuprimidos devem ser avaliados com maior cautela pelo risco de disseminação, gravidade e necessidade de terapia intravenosa.
O herpes zoster deve ser diferenciado de herpes simples, dermatite de contato, impetigo bolhoso, celulite, picadas de insetos, queimaduras, foliculite e outras dermatoses vesicobolhosas.
A presença de dor neuropática e distribuição dermatomérica unilateral é um dos elementos mais úteis para diferenciar o herpes zoster de outras lesões cutâneas vesiculares.
Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas relacionadas ao herpes zoster e suas principais alterações cutâneas associadas.
O tratamento do herpes zoster depende do tempo de evolução, intensidade da dor, extensão das lesões, idade, imunidade do paciente e presença de sinais de complicação.
O manejo envolve antivirais, controle da dor, cuidados locais com a pele, prevenção de infecção secundária e acompanhamento de casos com risco de neuralgia pós-herpética ou acometimento ocular.
Antivirais precoces
Aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir podem ser indicados, com maior benefício quando iniciados nas primeiras 72 horas das lesões.
Controle da dor
Analgésicos, anti-inflamatórios e medicamentos para dor neuropática podem ser necessários conforme intensidade e persistência dos sintomas.
Cuidados locais
Manter a pele limpa, evitar manipular as vesículas e proteger as lesões ajuda a reduzir irritação e risco de infecção bacteriana secundária.
Herpes zoster oftálmico
Lesões em região oftálmica exigem avaliação urgente, pois podem ocorrer ceratite, uveíte e perda visual se houver acometimento ocular.
Prevenção e vacina
A vacinação contra herpes zoster é uma estratégia preventiva importante, especialmente em adultos mais velhos e grupos de maior risco.
Casos graves
Imunossuprimidos, doença disseminada, complicações neurológicas ou acometimento visceral podem exigir internação e antiviral intravenoso.
A maioria dos casos evolui com resolução das lesões em algumas semanas, mas a dor pode persistir após a cicatrização, caracterizando neuralgia pós-herpética.
O prognóstico é melhor quando o tratamento é iniciado precocemente e quando há atenção especial a pacientes idosos, imunossuprimidos, com lesões extensas ou acometimento de face e olhos.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre herpes zoster, infecções cutâneas e manifestações dermatológicas virais.
- BOLOGNIA, J. L.; SCHAFFER, J. V.; CERRONI, L. Dermatology. 5. ed. Elsevier, 2024.
- GOLDSMITH, L. A. et al. Fitzpatrick's Dermatology in General Medicine. 9. ed. McGraw-Hill Education, 2019.
- KANG, S. et al. Fitzpatrick's Dermatology. 9. ed. McGraw-Hill Education, 2019.
- MANDELL, G. L.; BENNETT, J. E.; DOLIN, R. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. 9. ed. Elsevier, 2020.
As imagens utilizadas neste atlas dermatológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações didáticas de lesões cutâneas.
Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação das vesículas, crostas, eritema e distribuição dermatomérica do herpes zoster.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação médica especializada, livros-texto completos ou orientação acadêmica.
