Fratura em Galho Verde
Fratura incompleta do osso cortical, típica de crianças, em que um lado rompe e o outro se dobra sem fragmentar-se completamente.
Visão Geral
A fratura em galho verde é uma fratura incompleta que ocorre predominantemente em crianças, cujos ossos são mais flexíveis e resistentes do que os de adultos. O nome faz alusão ao comportamento de um galho jovem de árvore que, ao ser dobrado, rompe em apenas um lado sem se fragmentar completamente.
Radiograficamente, observa-se interrupção do córtex em um dos lados do osso, com deformidade angular, enquanto o córtex oposto permanece íntegro, porém fletido. A linha de fratura pode ser sutil, exigindo atenção na leitura do exame.
O mecanismo mais comum é uma força de compressão com angulação, como quedas com apoio da mão. Os ossos mais frequentemente acometidos são o rádio e a ulna distais.
- Interrupção do córtex em apenas um lado do osso
- Deformidade angular sem fragmentação completa
- Córtex oposto fletido, porém contínuo
- Ausência de desvio dos fragmentos (sem cominução)
- Possível espessamento periosteal associado
O diagnóstico é predominantemente radiográfico e clínico, baseado na apresentação típica em pacientes pediátricos após trauma de baixa energia.
Radiografia simples
Exame de primeira escolha. Projeções AP e perfil são essenciais para identificar a angulação e o córtex acometido.
Perfil pediátrico
Ocorre exclusivamente em crianças e adolescentes com esqueleto imaturo, devido à maior plasticidade óssea.
Fratura sutil
A linha de fratura pode ser pouco evidente. Procure interrupção unilateral do córtex e discreta angulação.
Grau de angulação
Mensure o ângulo de deformidade: ângulos acima de 10–15° geralmente indicam necessidade de redução.
Diagnóstico diferencial
Diferenciar de fratura de toro (bojo) e de fratura completa, que apresentam padrões radiográficos distintos.
Projeções adicionais
Incidências oblíquas podem ser necessárias quando os achados nas projeções padrão são inconclusivos.
- Analise os dois córtices do osso em toda sua extensão.
- Identifique o lado com ruptura cortical e o lado com simples arqueamento.
- Avalie o grau de angulação com referência ao eixo longitudinal do osso.
- Pesquise possível envolvimento da fise (placa de crescimento).
Fraturas com angulação mínima podem ser tratadas com imobilização e sem redução. Angulações significativas ou instabilidade podem exigir redução fechada sob anestesia.
O potencial de remodelação óssea em crianças é alto, favorecendo resultados excelentes com tratamento conservador.
A compreensão das estruturas ósseas e de seu comportamento biomecânico em esqueletos imaturos é fundamental para a correta interpretação radiográfica desta fratura.
As diáfises do rádio e da ulna distal são as localizações mais frequentes, especialmente após quedas com a mão em extensão (mecanismo FOOSH).
- Rádio e ulna distais (mais comuns)
- Diáfise da fíbula
- Diáfise da tíbia
- Clavícula (em lactentes)
- Costelas (menos frequente)
O osso pediátrico possui maior conteúdo de colágeno e menor mineralização, tornando-o mais flexível e capaz de absorver energia sem fragmentar-se completamente.
O periósteo é mais espesso e resistente, contribuindo para manter a continuidade do córtex oposto ao impacto.
Esta galeria reúne imagens radiográficas da fratura em galho verde em diferentes ossos, projeções e faixas etárias pediátricas.
As referências abaixo fundamentaram o conteúdo deste artigo sobre fratura em galho verde no Atlas de Radiologia MedFoco.
- BRODER, J. S. Diagnostic Imaging for the Emergency Physician. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2011.
- COLEY, B. D. Caffey's Pediatric Diagnostic Imaging. 13. ed. Philadelphia: Elsevier, 2019.
- RESNICK, D.; KRANSDORF, M. J. Bone and Joint Imaging. 3. ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2005.
- GRANT, H. D. et al. Emergency Care. 12. ed. New Jersey: Brady/Prentice Hall, 2014.
As imagens radiográficas utilizadas neste atlas foram selecionadas e editadas para fins didáticos, com foco na identificação clara dos achados típicos desta fratura.
Parte das imagens pode ter sido ajustada em brilho, contraste ou anotada para facilitar a identificação das estruturas.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui livros-texto, tratados de radiologia ou orientação de especialista.
Analise sempre os dois córtices: um rompe, o outro se dobra. Se ambos estiverem íntegros, pense em fratura de toro ou fratura plástica.
