Eosinófilos
Leucócitos granulócitos envolvidos na defesa contra parasitas, na modulação de reações alérgicas e na resposta inflamatória.
Visão Geral
Os eosinófilos são leucócitos granulócitos derivados da medula óssea e representam uma pequena parcela dos leucócitos circulantes.
Apresentam núcleo geralmente bilobulado e citoplasma repleto de grânulos grandes, uniformes e intensamente eosinofílicos, que assumem tonalidade alaranjada ou avermelhada nas colorações hematológicas.
Participam principalmente da defesa contra helmintos, da modulação de respostas alérgicas e da inflamação, liberando proteínas, enzimas e mediadores armazenados em seus grânulos.
- Leucócito maior que as hemácias ao redor.
- Núcleo segmentado, geralmente com dois lobos unidos por uma fina ponte de cromatina.
- Grânulos citoplasmáticos grandes, numerosos e intensamente alaranjados ou avermelhados.
- Citoplasma parcialmente oculto pelos grânulos específicos.
- Hemácias anucleadas distribuídas ao redor, úteis como referência de tamanho.
A identificação do eosinófilo depende da associação entre o núcleo segmentado e os grânulos específicos fortemente eosinofílicos.
Núcleo bilobulado
O núcleo costuma apresentar dois lobos unidos por uma estreita ponte de cromatina.
Grânulos específicos
Possui grânulos citoplasmáticos grandes, abundantes e relativamente uniformes.
Coloração eosinofílica
Os grânulos coram-se em laranja, rosa intenso ou vermelho com corantes ácidos.
Tamanho celular
Mede aproximadamente 12 a 17 µm e é maior que as hemácias adjacentes.
Cromatina condensada
Apresenta cromatina nuclear densa, típica de leucócitos maduros.
Citoplasma granuloso
O citoplasma é ocupado por grânulos que podem encobrir parcialmente o núcleo.
- Localize um leucócito maior que as hemácias.
- Procure um núcleo com dois lobos bem definidos.
- Confirme a presença de numerosos grânulos alaranjados ou avermelhados.
- Diferencie-o do neutrófilo, que possui mais lobos e grânulos menos evidentes.
O eosinófilo maduro combina núcleo bilobulado, cromatina condensada e grânulos citoplasmáticos acidófilos.
Esses grânulos contêm proteínas e enzimas relacionadas à defesa antiparasitária e à modulação inflamatória.
Os eosinófilos atuam na imunidade inata e adaptativa, especialmente em respostas contra parasitas multicelulares e em processos alérgicos.
Após ativação, podem migrar para os tecidos e liberar o conteúdo de seus grânulos, citocinas, quimiocinas e mediadores lipídicos.
Defesa antiparasitária
Participam da resposta contra helmintos por degranulação e liberação de proteínas citotóxicas.
Resposta alérgica
Atuam em doenças alérgicas, incluindo asma, rinite e dermatite atópica.
Modulação inflamatória
Produzem mediadores capazes de ampliar ou limitar diferentes etapas da inflamação.
Degranulação
Liberam proteínas catiônicas, peroxidase e outras substâncias armazenadas nos grânulos.
Sinalização imune
Secretam citocinas e quimiocinas que influenciam outras células do sistema imune.
Atuação tecidual
Migram do sangue para tecidos, sobretudo mucosas, em resposta a estímulos químicos.
A ação eosinofílica pode contribuir para a eliminação de parasitas grandes demais para serem fagocitados.
Em excesso ou ativação persistente, também pode provocar lesão tecidual e participar da fisiopatologia de doenças eosinofílicas.
Os numerosos grânulos permitem armazenar moléculas efetoras para liberação rápida no local da resposta imune.
O núcleo segmentado favorece a deformabilidade necessária para atravessar o endotélio e migrar para os tecidos.
Os eosinófilos são produzidos na medula óssea, permanecem por curto período no sangue periférico e migram principalmente para os tecidos.
Em condições fisiológicas, são encontrados com maior frequência na mucosa do trato gastrointestinal, exceto no esôfago, e em outros tecidos de interface com o ambiente.
A permanência predominante nos tecidos aproxima os eosinófilos de superfícies expostas a antígenos e parasitas.
Durante reações alérgicas ou parasitárias, quimiocinas favorecem seu recrutamento para os locais inflamados.
O aumento de eosinófilos no sangue é denominado eosinofilia e deve ser interpretado de acordo com o quadro clínico, medicamentos, alergias, infecções parasitárias e outras causas possíveis.
Esta galeria reúne imagens e um vídeo de eosinófilos em esfregaços sanguíneos, permitindo comparar morfologia, coloração e relação com as demais células do sangue.



Os eosinófilos são avaliados principalmente em esfregaços de sangue periférico corados por métodos hematológicos, como Wright, Giemsa, May-Grünwald-Giemsa ou Panótico.
Coloração hematológica
Os corantes ácidos evidenciam os grânulos em tons de laranja, rosa intenso ou vermelho.
Aumento sugerido
A confirmação morfológica é geralmente realizada com objetiva de 100× e óleo de imersão.
Núcleo segmentado
O padrão bilobulado é um dos principais critérios para identificação.
Grânulos acidófilos
São maiores e mais intensos que os grânulos encontrados em neutrófilos.
Comparação celular
As hemácias próximas ajudam a estimar o tamanho e a proporção do leucócito.
Contagem diferencial
A avaliação integra a contagem diferencial de leucócitos no hemograma.
- Selecione a região do esfregaço com células bem distribuídas e pouca sobreposição.
- Utilize as hemácias como referência de tamanho.
- Identifique o núcleo bilobulado e a cromatina condensada.
- Confirme os grânulos grandes e intensamente eosinofílicos.
- Diferencie eosinófilos de neutrófilos, basófilos e artefatos de coloração.
Coloração inadequada, esfregaço espesso, lise celular e precipitados podem dificultar a identificação correta dos grânulos.
A interpretação morfológica deve ser associada à contagem diferencial e aos dados clínicos e laboratoriais.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre eosinófilos.
- JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica: Texto e Atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
- ROSS, M. H.; PAWLINA, W. Histologia: Texto e Atlas. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
- HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em Hematologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.
- BAIN, B. J. Blood Cells: A Practical Guide. 6. ed. Hoboken: Wiley-Blackwell, 2022.
As imagens e o vídeo desta página são utilizados para fins educacionais e demonstram aspectos morfológicos dos eosinófilos em material hematológico.
As imagens podem ter sido recortadas, legendadas ou aprimoradas digitalmente para facilitar a identificação das estruturas.
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