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Flutter Atrial

É a arritmia que mais se disfarça: a frequência atrial em torno de 300 com condução 2:1 gera um ventrículo exatamente a 150 batimentos, regular e de QRS estreito — indistinguível de uma taquicardia supraventricular comum. Reverte com energias baixas, quase sempre é curável por ablação do istmo, e o risco tromboembólico é tratado exatamente como o da fibrilação atrial.

Dente de serra nas inferiores A armadilha dos 150 bpm Cardioverte com 50 a 100 J Anticoagula como na FA
Tempo de leitura: 20 min
Atualizado em: 24/08/2026

Reconhecer

  • Ondas em dente de serra em DII, DIII e aVF
  • Frequência atrial habitual de 250 a 350 bpm
  • Ventrículo a 150 bpm sugere condução 2:1
  • Manobra vagal ou adenosina desmascara o flutter

Controlar

  • Controle de frequência é mais difícil que na FA
  • Betabloqueador, diltiazem ou verapamil
  • Antiarrítmico IC sozinho pode gerar condução 1:1
  • Instável significa cardioversão imediata

Anticoagular

  • Mesmos critérios da fibrilação atrial
  • ESC 2024 adotou o escore CHA₂DS₂-VA
  • Anticoagular se 2 ou mais; considerar se 1
  • Quatro semanas após qualquer cardioversão

Curar

  • Ablação do istmo cavotricuspídeo no flutter típico
  • Sucesso acima de 95%, com baixa recorrência
  • Metade evolui para fibrilação atrial mesmo assim
  • Ablação não encerra a indicação de anticoagulação

O que é o flutter atrial

Flutter atrial é uma macrorreentrada atrial — um circuito elétrico amplo e organizado que gira dentro do átrio, tipicamente a uma frequência de 250 a 350 batimentos por minuto, com padrão regular e morfologia constante. O nó atrioventricular funciona como filtro e determina quantos desses impulsos chegam ao ventrículo.

Essa organização é o que separa o flutter da fibrilação atrial: no flutter há um circuito único e previsível, com ondas atriais idênticas entre si; na fibrilação, múltiplos circuitos caóticos sem atividade atrial organizada. A consequência prática é que o flutter reverte com energias mais baixas, é mais difícil de controlar em frequência e é mais curável por ablação.

Apesar dessas diferenças, o risco tromboembólico do flutter é tratado exatamente como o da fibrilação atrial. A anticoagulação segue os mesmos escores e os mesmos limiares — e presumir que o flutter é "mais benigno" nesse aspecto é um erro com consequências graves.

Flutter contra fibrilação atrial

Característica Flutter atrial Fibrilação atrial
Mecanismo Macrorreentrada organizada, com circuito único e previsível. Múltiplos circuitos caóticos, sem organização atrial.
Atividade atrial Ondas F idênticas entre si, em dente de serra, a 250 a 350 bpm. Ondas f irregulares, de amplitude e morfologia variáveis, a 350 a 600 bpm.
Ritmo ventricular Habitualmente regular, por condução fixa; pode ser irregular se a condução for variável. Classicamente irregularmente irregular.
Controle de frequência Mais difícil, frequentemente exigindo doses maiores ou associação de fármacos. Habitualmente mais responsivo aos bloqueadores do nó.
Cardioversão elétrica Energias baixas, tipicamente 50 a 100 J bifásico. Energias mais altas, tipicamente 120 a 200 J bifásico.
Ablação Istmo cavotricuspídeo no flutter típico, com sucesso acima de 95% e procedimento relativamente simples. Isolamento de veias pulmonares, tecnicamente mais complexo e com mais recorrências.
Anticoagulação Mesmos critérios e mesmos limiares para as duas arritmias.
As duas arritmias coexistem com muita frequência no mesmo paciente. Cerca de metade dos pacientes submetidos a ablação bem-sucedida do istmo desenvolve fibrilação atrial ao longo do seguimento — motivo pelo qual a ablação do flutter, por si só, não autoriza suspender a anticoagulação.

O circuito do flutter típico

No flutter típico, o circuito percorre o átrio direito ao redor do anel tricuspídeo, passando obrigatoriamente por uma faixa estreita de miocárdio entre a valva tricúspide e a veia cava inferior: o istmo cavotricuspídeo.

  • Esse istmo é uma zona de condução lenta e é o elo vulnerável do circuito.
  • Interromper o istmo com uma linha de ablação torna o circuito impossível — daí a alta taxa de sucesso do procedimento.
  • A crista terminal e a válvula de Eustáquio funcionam como barreiras anatômicas que delimitam o circuito.
  • A frequência atrial em torno de 300 bpm corresponde a um ciclo de aproximadamente 200 milissegundos.

Quando o circuito gira no sentido anti-horário visto de frente, as ondas F são negativas nas derivações inferiores — o padrão clássico. No sentido horário, elas se tornam positivas.

O papel do nó atrioventricular

É o nó que decide quantos dos 300 impulsos atriais por minuto chegam ao ventrículo, e essa relação define a apresentação clínica.

  • 2:1 — a mais comum na apresentação inicial, gera cerca de 150 bpm. É justamente a que se disfarça de taquicardia supraventricular comum.
  • 3:1 — cerca de 100 bpm.
  • 4:1 — cerca de 75 bpm, frequentemente em pacientes já medicados com bloqueadores do nó.
  • Variável — gera ritmo irregular e pode ser confundido com fibrilação atrial.
  • 1:1emergência: cerca de 300 bpm, geralmente com alargamento do QRS, com risco de colapso hemodinâmico.
Por que 1:1 acontece

Antiarrítmicos da classe IC, como propafenona e flecainida, lentificam o circuito atrial para algo em torno de 200 bpm — frequência que o nó consegue conduzir integralmente. O resultado é uma resposta ventricular catastrófica.

Quem tem flutter

Predomínio

Nitidamente mais frequente em homens, com incidência que aumenta com a idade.

Doença pulmonar

Doença pulmonar obstrutiva crônica é uma das associações mais fortes.

Cardiopatia

Insuficiência cardíaca, valvopatias e cirurgia cardíaca prévia.

Pós-operatório

Frequente após cirurgia cardíaca e após ablação de fibrilação atrial.

Ablação

Sucesso acima de 95% no flutter típico, com recorrência baixa.

Outras associações que vale procurar ativamente: hipertireoidismo, embolia pulmonar, apneia obstrutiva do sono, obesidade, consumo excessivo de álcool, pericardite e uso de antiarrítmicos. Corrigir o precipitante muda o curso da arritmia.

As quatro perguntas da beira do leito

É mesmo flutter?

Frequência regular próxima de 150 bpm obriga a procurar ondas F escondidas no QRS e na onda T. Manobra vagal ou adenosina aumentam o grau de bloqueio e desmascaram a atividade atrial.

O paciente está estável?

Hipotensão, rebaixamento agudo, dor isquêmica, congestão pulmonar aguda ou choque atribuíveis à arritmia indicam cardioversão sincronizada imediata.

Há quanto tempo começou?

Duração acima de 48 horas ou indeterminada muda toda a estratégia de cardioversão: exige anticoagulação prévia por 3 semanas ou ecocardiograma transesofágico.

Precisa anticoagular a longo prazo?

Aplique o escore de risco tromboembólico com os mesmos critérios da fibrilação atrial. A decisão independe de o ritmo ter sido revertido.

Classificação

A divisão mais útil é entre o flutter que depende do istmo cavotricuspídeo — e portanto é curável por uma linha de ablação bem definida — e todos os demais.

Tipo Circuito e características Eletrocardiograma e conduta
Típico anti-horário
(comum)
Macrorreentrada no átrio direito ao redor do anel tricuspídeo, girando no sentido anti-horário e passando pelo istmo cavotricuspídeo. Responde pela grande maioria dos casos. Ondas F negativas em DII, DIII e aVF, com o clássico dente de serra, e positivas em V1. Ablação do istmo com sucesso acima de 95%.
Típico horário
(reverso)
Mesmo circuito e mesmo istmo, girando no sentido oposto. Bem menos frequente. Ondas F positivas nas derivações inferiores e negativas em V1. Também curável pela ablação do istmo.
Atípico do átrio direito Circuitos que não dependem do istmo — ao redor de cicatrizes cirúrgicas, de áreas de fibrose ou de estruturas anatômicas. Morfologia variável, sem o padrão clássico. Exige mapeamento eletroanatômico; ablação mais complexa.
Atípico do átrio esquerdo Frequentemente após ablação de fibrilação atrial, ao redor do anel mitral, do teto atrial ou de lesões prévias. Ondas F de baixa amplitude, por vezes difíceis de identificar. Ablação em centro especializado.
Pós-incisional Reentrada ao redor de cicatriz de atriotomia, comum em cardiopatias congênitas operadas. Circuito individualizado; exige mapeamento e planejamento cuidadoso.
A antiga nomenclatura de tipo I e tipo II, baseada apenas na frequência atrial, foi substituída pela classificação por mecanismo e circuito, que é a que orienta a estratégia de ablação. Ainda aparece em provas, mas tem valor prático limitado.

Anti-horário ou horário — como diferenciar

A distinção é feita pela polaridade das ondas F e tem importância sobretudo para o eletrofisiologista. Ambos os padrões dependem do istmo e têm o mesmo alvo de ablação.

Anti-horário (comum)

  • Ondas F negativas em DII, DIII e aVF, com descida lenta e subida rápida — o dente de serra clássico.
  • Ondas F positivas em V1.
  • Ondas F negativas em V6.
  • Responde pela grande maioria dos casos de flutter típico.

Horário (reverso)

  • Ondas F positivas nas derivações inferiores, com aspecto mais arredondado e menos serrilhado.
  • Ondas F negativas ou bifásicas em V1.
  • Ondas F positivas em V6.
  • Bem menos frequente, mas com o mesmo alvo terapêutico.
Regra prática de memorização: no padrão comum, as ondas F "descem" nas inferiores e "sobem" em V1. Basta lembrar de uma derivação e inverter para a outra.

O que procurar como causa

  • Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras pneumopatias — uma das associações mais fortes; procure hipoxemia e hipercapnia.
  • Insuficiência cardíaca e cardiopatia estrutural, com dilatação atrial.
  • Valvopatias, sobretudo as que sobrecarregam o átrio direito.
  • Cirurgia cardíaca recente — o flutter pós-operatório é frequente e habitualmente transitório.
  • Ablação prévia de fibrilação atrial — causa comum de flutter atípico do átrio esquerdo.
  • Hipertireoidismo — dose de hormônio tireoestimulante em todo paciente com flutter novo.
  • Tromboembolismo pulmonar e outras causas de sobrecarga aguda de câmaras direitas.
  • Apneia obstrutiva do sono, obesidade e consumo excessivo de álcool.
  • Distúrbios eletrolíticos, pericardite e uso de antiarrítmicos.
  • Cardiopatia congênita operada — pense em flutter pós-incisional.
Todo paciente com flutter atrial deve realizar ecocardiograma transtorácico e dosagem de função tireoidiana. Não é rotina burocrática: as duas condições mudam conduta com frequência real.

Lendo o flutter

O achado que define o diagnóstico é a atividade atrial contínua e organizada, sem linha de base isoelétrica entre as ondas, formando o padrão em dente de serra melhor visto em DII, DIII e aVF.

Achado Como identificar Significado
Ondas F em dente de serra Atividade atrial contínua, sem retorno à linha de base, a 250 a 350 bpm. Melhor visualizada nas derivações inferiores. Achado diagnóstico do flutter típico.
Ondas F em V1 Nessa derivação as ondas costumam ser discretas e bem separadas, o que ajuda a contar a frequência atrial. V1 é frequentemente a melhor derivação para contar as ondas F.
Frequência ventricular de 150 bpm Ritmo regular, QRS estreito, sem onda P aparente. Suspeite de condução 2:1 — é a armadilha clássica do flutter.
Ritmo irregular Condução variável, com intervalos RR que são múltiplos do ciclo atrial. Pode ser confundido com fibrilação atrial; a diferença é a presença de ondas F organizadas.
QRS largo Aberrância, bloqueio de ramo prévio ou condução muito rápida. Em frequência muito alta com QRS largo, considere condução 1:1 — emergência.
Alterações de repolarização Ondas F sobrepostas ao segmento ST simulando infra ou supradesnivelamento. Cuidado ao interpretar isquemia durante o flutter; reavalie após a reversão.
A armadilha mais comum da emergência: taquicardia regular, de QRS estreito, a exatamente 150 bpm. Antes de rotular como taquicardia supraventricular comum, procure ondas F escondidas dentro do QRS e da onda T — e compare a onda T com um traçado prévio, se houver.

Como desmascarar o flutter

Quando a condução 2:1 esconde as ondas F, aumentar transitoriamente o grau de bloqueio no nó atrioventricular revela a atividade atrial. A arritmia não reverte — e é exatamente esse o achado diagnóstico.

  1. Registre um eletrocardiograma de 12 derivações e uma tira longa de ritmo em DII e V1.
  2. Meça o intervalo entre duas ondas atriais consecutivas e calcule a frequência atrial; próximo de 300 bpm é altamente sugestivo.
  3. Compare a morfologia da onda T com um traçado prévio em ritmo sinusal — uma onda F sobreposta deforma a T de maneira reconhecível.
  4. Aplique a manobra de Valsalva modificada mantendo registro contínuo do ritmo.
  5. Se necessário, administre adenosina em bolus rápido: ela aumenta o bloqueio no nó e revela as ondas F por alguns segundos.
  6. A adenosina NÃO reverte o flutter — o circuito não depende do nó atrioventricular. Reverter com adenosina afasta o diagnóstico e aponta para reentrada nodal ou atrioventricular.
  7. Registre o traçado durante a manobra: é ele que documenta o diagnóstico para quem vier depois.
A adenosina no flutter tem finalidade exclusivamente diagnóstica. Use-a sabendo que a arritmia vai continuar, e avise o paciente sobre a sensação transitória e intensa que ela provoca — do contrário, ele passa por um desconforto significativo sem qualquer benefício terapêutico aparente.

Diagnóstico diferencial

Condição Como diferenciar Consequência prática
Reentrada nodal Onda P retrógrada escondida no QRS, com pseudo-r' em V1; ausência de atividade atrial contínua. Reverte com adenosina. Se reverteu com adenosina, não era flutter.
Taquicardia sinusal Onda P de morfologia sinusal com linha de base isoelétrica; frequência varia com o estímulo e desacelera gradualmente. Tratar a causa; não cardioverter.
Taquicardia atrial focal Onda P única de morfologia diferente da sinusal, com linha de base isoelétrica entre as ondas. A presença de linha isoelétrica é o achado que mais separa da macrorreentrada.
Fibrilação atrial Ondas f irregulares em amplitude e morfologia, sem organização, com ritmo irregularmente irregular. Energias de cardioversão mais altas; anticoagulação com os mesmos critérios.
Taquicardia atrial multifocal Três ou mais morfologias distintas de onda P, com PR variável, em paciente com doença pulmonar avançada. O tratamento é da doença de base; cardioversão não tem papel.
Taquicardia ventricular QRS largo com dissociação atrioventricular, batimentos de captura ou de fusão. Flutter com aberrância pode simular — na dúvida, trate como ventricular.

Sequência de abordagem

  1. Monitorização contínua, acesso venoso, oximetria e desfibrilador ao lado. Registre o eletrocardiograma de 12 derivações.
  2. AVALIE A ESTABILIDADE: hipotensão, rebaixamento agudo, dor isquêmica, congestão pulmonar aguda ou choque atribuíveis à arritmia indicam CARDIOVERSÃO SINCRONIZADA imediata, com sedação.
  3. Confirme o diagnóstico procurando ondas F; use manobra vagal ou adenosina para desmascarar a condução 2:1.
  4. Determine há quanto tempo a arritmia começou — é o dado que define a estratégia de cardioversão.
  5. Procure e trate o precipitante: hipoxemia, hipertireoidismo, embolia pulmonar, distúrbio eletrolítico, sepse, álcool e pós-operatório recente.
  6. Decida entre controle de frequência e controle de ritmo, considerando sintomas, duração, comorbidades e preferência do paciente.
  7. Inicie controle de frequência com betabloqueador, diltiazem ou verapamil, respeitando a função ventricular.
  8. NUNCA use antiarrítmico da classe IC isolado — propafenona e flecainida sem bloqueador do nó podem gerar condução 1:1 com colapso hemodinâmico.
  9. Aplique o escore de risco tromboembólico e defina a anticoagulação, com os mesmos critérios da fibrilação atrial.
  10. Solicite ecocardiograma transtorácico, função tireoidiana, eletrólitos e hemograma.
  11. Encaminhe à eletrofisiologia: a ablação do istmo é altamente eficaz e deve ser oferecida precocemente no flutter típico.

Controle de frequência ou de ritmo

No flutter, essa balança pende mais para o controle de ritmo do que na fibrilação atrial — porque o controle de frequência é notoriamente difícil e porque a ablação oferece uma solução definitiva.

Controle de frequência

  • Betabloqueador, diltiazem ou verapamil, por via intravenosa na fase aguda e oral na manutenção.
  • Betabloqueadores são preferidos quando há insuficiência cardíaca; diltiazem e verapamil devem ser evitados com fração de ejeção reduzida.
  • Digoxina como adjuvante, especialmente em disfunção ventricular, com início de ação lento.
  • Amiodarona quando os demais são contraindicados.
  • Limitação: no flutter, atingir o alvo frequentemente exige doses altas ou associação, e ainda assim a resposta pode ser insatisfatória.

Controle de ritmo

  • Cardioversão elétrica sincronizada — a mais eficaz, com energias baixas de 50 a 100 J bifásico.
  • Ibutilida é o antiarrítmico com melhor desempenho na reversão do flutter, onde disponível.
  • Amiodarona tem eficácia limitada para reverter, mas ajuda no controle de frequência.
  • Estimulação atrial rápida em pacientes com marca-passo ou eletrodos epicárdicos no pós-operatório.
  • Ablação do istmo como estratégia definitiva no flutter típico.
Independentemente do método escolhido para reverter, a anticoagulação peri-procedimento segue as mesmas regras da fibrilação atrial: arritmia com mais de 48 horas ou de duração indeterminada exige 3 semanas de anticoagulação prévia ou ecocardiograma transesofágico afastando trombo.
Condutas — como usar os cards

Cada card abre o detalhamento: indicação, posologia, técnica e cuidados. Confira sempre a bula, a apresentação disponível e o protocolo institucional antes de prescrever.

Manejo agudo

Controlar a frequência, reverter o ritmo ou ambos. A instabilidade hemodinâmica atravessa toda a escala e leva direto à cardioversão.

Anticoagulação e tratamento definitivo

As decisões que se tomam depois de estabilizado o ritmo — e que determinam o prognóstico a longo prazo.

Risco tromboembólico — CHA₂DS₂-VA e CHA₂DS₂-VASc

ESC 2024: sem o critério sexo Escore clássico em paralelo

Aplica-se ao flutter atrial com os mesmos critérios da fibrilação atrial. A diretriz europeia de 2024 substituiu o CHA₂DS₂-VASc pelo CHA₂DS₂-VA, removendo o sexo feminino como fator de risco independente. A ferramenta calcula os dois em paralelo.

CHA₂DS₂-VA (ESC 2024)
0
CHA₂DS₂-VASc (clássico)
0
Risco anual estimado
Recomendação
Sem indicação de anticoagulação pelo escore
Marque os fatores presentes para ver a leitura
Pela ESC 2024: anticoagulação recomendada com CHA₂DS₂-VA de 2 ou mais, e a considerar com pontuação 1, em decisão compartilhada. Os anticoagulantes orais diretos são preferidos aos antagonistas da vitamina K, exceto em prótese valvar mecânica e estenose mitral moderada a grave. Anticoagulação é indicada independentemente do escore em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica ou amiloidose cardíaca. As taxas de risco anual são estimativas de coortes e variam entre populações.

Risco hemorrágico — HAS-BLED

0 a 9 pontos Fatores modificáveis

Estima o risco de sangramento maior no paciente anticoagulado. Sua função principal não é decidir se anticoagula, e sim identificar e corrigir fatores modificáveis e sinalizar quem precisa de seguimento mais próximo.

HAS-BLED
0
Risco hemorrágico baixo
Marque os fatores presentes para ver a leitura
Pontuação de 3 ou mais indica risco hemorrágico elevado e recomenda revisão clínica mais precoce e frequente — não é contraindicação à anticoagulação. Note que vários fatores do escore também pontuam no risco tromboembólico, ou seja, quem mais sangra costuma ser quem mais precisa anticoagular. O valor prático maior está em corrigir o que é corrigível: pressão, uso de anti-inflamatórios e de antiagregantes desnecessários, álcool e controle do INR.

Relação de condução atrioventricular

Frequência atrial e ventricular Alerta de condução 1:1

Calcula a relação entre a frequência atrial e a ventricular, ajudando a confirmar o flutter e a reconhecer a armadilha da condução 2:1. Informe a frequência atrial contada nas ondas F ou o intervalo entre duas ondas F consecutivas.

Frequência atrial
Relação calculada
Padrão
Leitura
Informe as duas frequências
A frequência atrial habitual do flutter típico é de 250 a 350 bpm
Conversão usada: frequência atrial em bpm igual a 60000 dividido pelo intervalo FF em milissegundos. Relações não inteiras sugerem condução variável, situação em que o ritmo ventricular é irregular e pode ser confundido com fibrilação atrial. Frequência ventricular próxima da atrial indica condução 1:1 — emergência, tipicamente associada ao uso de antiarrítmico da classe IC sem bloqueador do nó atrioventricular.

Estratégia de cardioversão e anticoagulação

Corte de 48 horas Eco transesofágico

Cruza a duração da arritmia, o estado de anticoagulação e a estabilidade hemodinâmica para definir se a cardioversão pode ser imediata, guiada por ecocardiograma transesofágico ou precedida de três semanas de anticoagulação.

Estratégia sugerida
Ferramenta de apoio à organização do cuidado. Independentemente da estratégia escolhida, mantenha anticoagulação por pelo menos 4 semanas após a cardioversão, porque o átrio permanece com contratilidade reduzida — o chamado atordoamento atrial — e o risco embólico persiste mesmo em ritmo sinusal. A decisão sobre anticoagulação de longo prazo depende do escore de risco tromboembólico, e não do sucesso da cardioversão.

A regra que organiza tudo

O flutter atrial é anticoagulado com os mesmos critérios, os mesmos escores e os mesmos limiares da fibrilação atrial. Não existe um escore próprio do flutter, nem um limiar mais permissivo.

A diretriz europeia de 2024 trouxe a mudança mais relevante da última década nesse campo: a substituição do CHA₂DS₂-VASc pelo CHA₂DS₂-VA, com a remoção do sexo feminino como fator de risco independente. O raciocínio é que o sexo funciona como modificador de risco dependente da idade, e não como fator isolado — nas faixas em que a diferença aparece, a paciente já teria indicação de anticoagulação por outros critérios.

Pontuação Recomendação (ESC 2024) Observação
0 Anticoagulação não indicada pelo escore. Reavalie periodicamente — o escore muda com o tempo e com novas comorbidades.
1 Anticoagulação deve ser considerada, em decisão compartilhada com o paciente. Recomendação de classe IIa; pese o risco hemorrágico e a preferência informada.
≥ 2 Anticoagulação recomendada. Recomendação de classe I; anticoagulante oral direto como primeira escolha.
indicações independentes do escore: pacientes com cardiomiopatia hipertrófica ou amiloidose cardíaca devem ser anticoagulados independentemente da pontuação. Da mesma forma, prótese valvar mecânica e estenose mitral moderada a grave exigem antagonista da vitamina K, e não anticoagulante direto.

Anticoagulação peri-cardioversão

A cardioversão — elétrica ou farmacológica — desencadeia o atordoamento atrial: o átrio recupera o ritmo antes de recuperar a contratilidade, e o risco de embolia persiste por semanas mesmo com o eletrocardiograma em ritmo sinusal.

Cenário Antes da cardioversão Depois da cardioversão
Instabilidade hemodinâmica Cardioverter imediatamente, sem aguardar exames ou anticoagulação; iniciar anticoagulação parenteral o quanto antes. Manter anticoagulação por pelo menos 4 semanas e reavaliar a indicação de longo prazo.
Menos de 48 horas, início documentado Cardioversão pode ser realizada sem as 3 semanas prévias; iniciar anticoagulação antes ou no momento do procedimento. Anticoagulação por pelo menos 4 semanas, mesmo com escore de risco zero.
48 horas ou mais, ou duração indeterminada 3 semanas de anticoagulação adequada antes do procedimento, ou ecocardiograma transesofágico afastando trombo atrial. Anticoagulação por pelo menos 4 semanas, com reavaliação da indicação de longo prazo.
Trombo identificado ao ecocardiograma Adiar a cardioversão eletiva; anticoagular e reavaliar por imagem após algumas semanas. Prosseguir apenas após a resolução documentada do trombo.
Já anticoagulado adequadamente há 3 semanas ou mais Cardioversão pode ser realizada; confirmar adesão e, no caso de antagonista da vitamina K, o tempo em faixa terapêutica. Manter a anticoagulação sem interrupção.
Erro clássico: suspender a anticoagulação assim que o paciente volta ao ritmo sinusal. A decisão de longo prazo depende do escore de risco tromboembólico, e não do sucesso da cardioversão nem da ablação.

Escolhendo o anticoagulante

Anticoagulantes orais diretos

Primeira escolha na grande maioria dos pacientes: apixabana, rivaroxabana, dabigatrana e edoxabana. Dispensam controle de INR e têm menos hemorragia intracraniana.

Quando NÃO usar direto

Prótese valvar mecânica e estenose mitral moderada a grave — nesses casos, antagonista da vitamina K com alvo de INR definido.

Dose e função renal

Ajustar conforme a bula de cada agente, considerando idade, peso e depuração de creatinina. Evite reduções de dose não justificadas — elas aumentam o risco de evento sem reduzir o sangramento.

Antiagregante não substitui

AAS isolado não é alternativa à anticoagulação na prevenção de embolia. Associar antiagregante ao anticoagulante só com indicação vascular específica.

Reavaliação periódica

Escore de risco, função renal, adesão e fatores hemorrágicos modificáveis devem ser reavaliados ao menos anualmente.

Oclusão do apêndice atrial

Opção em pacientes com contraindicação de longo prazo à anticoagulação, avaliada em centro especializado.

Ablação e o que muda depois

A ablação do istmo cavotricuspídeo tem sucesso acima de 95% no flutter típico, com recorrência baixa e procedimento relativamente simples em comparação à ablação de fibrilação atrial. É oferecida precocemente, e não apenas após falha de medicamentos.

  • Indicação ampla — flutter típico sintomático, recorrente, com controle de frequência difícil ou por preferência do paciente.
  • Alvo — linha de ablação no istmo, entre a valva tricúspide e a veia cava inferior, com confirmação de bloqueio bidirecional ao final do procedimento.
  • Flutter atípico — exige mapeamento eletroanatômico, é tecnicamente mais complexo e tem menor taxa de sucesso.
  • Riscos — complicações vasculares no sítio de punção, derrame pericárdico, e bloqueio atrioventricular em circuitos próximos ao nó.
  • A anticoagulação NÃO é suspensa automaticamente após a ablação bem-sucedida — a decisão continua sendo do escore de risco.
  • Cerca de metade dos pacientes desenvolve fibrilação atrial no seguimento, frequentemente assintomática, o que reforça a manutenção da anticoagulação nos pacientes de risco.
  • Seguimento — monitorização ambulatorial periódica para detectar fibrilação atrial silenciosa, sobretudo em pacientes com escore elevado.
A conversa correta com o paciente é: "a ablação resolve esta arritmia com alta chance de sucesso, mas o anticoagulante depende do seu risco de AVC, não da arritmia estar curada". Sem essa explicação, a suspensão por conta própria é comum.

Situações com manejo próprio

Cenário Particularidade O que fazer diferente
Condução 1:1 Frequência ventricular próxima de 300 bpm, geralmente com QRS alargado e colapso hemodinâmico. Quase sempre precipitada por antiarrítmico da classe IC sem bloqueador do nó. Cardioversão elétrica imediata. Suspender o antiarrítmico. Considerar bicarbonato de sódio na toxicidade por bloqueio de canal de sódio, conforme o protocolo.
Doença pulmonar obstrutiva Associação forte; hipoxemia e hipercapnia sustentam a arritmia. Betabloqueador pode agravar broncoespasmo. Corrigir hipoxemia e broncoespasmo primeiro. Preferir diltiazem ou verapamil quando a função ventricular permite; betabloqueador cardiosseletivo com cautela.
Insuficiência cardíaca A arritmia piora a congestão, e a congestão perpetua a arritmia. Evitar diltiazem e verapamil com fração de ejeção reduzida. Preferir betabloqueador, digoxina ou amiodarona; limiar mais baixo para cardioversão.
Pós-operatório de cirurgia cardíaca Frequente nos primeiros dias, habitualmente transitório e relacionado a inflamação, distúrbio eletrolítico e catecolaminas. Corrigir potássio e magnésio, tratar dor e hipovolemia. Estimulação atrial rápida pelos eletrodos epicárdicos é opção elegante quando disponível.
Após ablação de fibrilação atrial Causa comum de flutter atípico do átrio esquerdo, por circuitos ao redor das linhas de ablação prévias. Encaminhar ao centro que realizou o procedimento; exige mapeamento eletroanatômico.
Hipertireoidismo Pode ser a única manifestação; o controle de frequência é particularmente difícil enquanto a tireotoxicose persiste. Dosar hormônio tireoestimulante em todo flutter novo. Tratar a tireotoxicose é parte do tratamento da arritmia.
Cardiomiopatia induzida por taquicardia Disfunção ventricular causada pela própria arritmia persistente, frequentemente confundida com miocardiopatia dilatada primária. Suspeitar diante de flutter persistente com disfunção ventricular. A ablação costuma reverter a disfunção.
Cardiopatia congênita operada Flutter pós-incisional, ao redor de cicatrizes de atriotomia; anatomia complexa. Encaminhar a centro com experiência em cardiopatias congênitas do adulto.
Gestação Incomum, mas exige cuidado com a escolha farmacológica. Cardioversão elétrica é segura em qualquer trimestre, com monitorização fetal. Evitar amiodarona; anticoagulação com heparina de baixo peso molecular, e não com anticoagulante oral direto.

Erros comuns

  • Rotular como taquicardia supraventricular comum um flutter com condução 2:1 a 150 bpm.
  • Não procurar ondas F escondidas dentro do QRS e da onda T diante de ritmo regular a 150 bpm.
  • Esperar que a adenosina reverta o flutter — ela apenas desmascara, porque o circuito não depende do nó.
  • Presumir que o flutter tem risco embólico menor que a fibrilação atrial e deixar de anticoagular.
  • Suspender a anticoagulação assim que o paciente retorna ao ritmo sinusal.
  • Suspender a anticoagulação após ablação bem-sucedida do istmo, ignorando o escore de risco.
  • Não manter as 4 semanas de anticoagulação obrigatórias após qualquer cardioversão.
  • Cardioverter eletivamente arritmia com mais de 48 horas sem anticoagulação prévia nem ecocardiograma transesofágico.
  • Prescrever propafenona ou flecainida sem associar bloqueador do nó atrioventricular, com risco de condução 1:1.
  • Usar diltiazem ou verapamil em paciente com fração de ejeção reduzida.
  • Insistir indefinidamente no controle de frequência, que no flutter é notoriamente difícil, em vez de considerar reversão ou ablação.
  • Não dosar função tireoidiana em flutter de início recente.
  • Não solicitar ecocardiograma transtorácico em todo paciente com flutter.
  • Interpretar como isquemia as alterações de ST causadas pelas ondas F sobrepostas.
  • Não corrigir hipoxemia e broncoespasmo antes de escalonar antiarrítmicos no pneumopata.
  • Reduzir a dose do anticoagulante oral direto sem critério de bula, aumentando o risco de evento.
  • Considerar HAS-BLED elevado como contraindicação à anticoagulação, em vez de sinal para corrigir fatores modificáveis.
  • Não encaminhar à eletrofisiologia um paciente com flutter típico recorrente, apesar da alta taxa de cura.

Resumo do fluxo

  1. Monitorização, acesso venoso, oximetria e desfibrilador ao lado; eletrocardiograma de 12 derivações com tira longa em DII e V1.
  2. AVALIE A ESTABILIDADE: instabilidade atribuível à arritmia indica CARDIOVERSÃO SINCRONIZADA imediata com 50 a 100 J, sob sedação.
  3. Confirme o flutter procurando ondas F em dente de serra; use manobra vagal ou adenosina para desmascarar a condução 2:1.
  4. Calcule a relação de condução; frequência ventricular próxima da atrial indica condução 1:1 e é emergência.
  5. Determine há quanto tempo começou — é o dado que define toda a estratégia de cardioversão.
  6. Procure precipitantes: hipoxemia, hipertireoidismo, embolia pulmonar, distúrbio eletrolítico, pós-operatório e álcool.
  7. Inicie controle de frequência com betabloqueador, diltiazem ou verapamil, respeitando a fração de ejeção.
  8. NUNCA prescreva classe IC isolada — sempre associada a bloqueador do nó atrioventricular.
  9. Aplique o escore de risco tromboembólico com os mesmos critérios da fibrilação atrial e defina a anticoagulação.
  10. Para cardioversão eletiva com mais de 48 horas de arritmia: 3 semanas de anticoagulação prévia ou ecocardiograma transesofágico.
  11. Após qualquer cardioversão, mantenha anticoagulação por pelo menos 4 semanas.
  12. Solicite ecocardiograma transtorácico, função tireoidiana, eletrólitos e hemograma.
  13. Encaminhe à eletrofisiologia: a ablação do istmo cura mais de 95% dos flutters típicos.
  14. Explique ao paciente que a ablação não encerra, por si só, a indicação de anticoagulação.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

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Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, energias, escores e condutas devem ser sempre conferidos antes da aplicação.

Informações rápidas

Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.

O essencial

Reconhecer

Ondas F em dente de serra em DII, DIII e aVF, sem linha de base isoelétrica, a 250 a 350 bpm. V1 costuma ser a melhor derivação para contar as ondas. Ritmo regular a 150 bpm obriga a suspeitar de condução 2:1. Manobra vagal ou adenosina aumentam o bloqueio e desmascaram a atividade atrial — mas não revertem o flutter.

Controlar

O controle de frequência no flutter é notoriamente mais difícil que na fibrilação atrial. Use betabloqueador, diltiazem ou verapamil, evitando os dois últimos com fração de ejeção reduzida. Instabilidade atribuível à arritmia indica cardioversão sincronizada imediata. Nunca prescreva propafenona ou flecainida sem bloqueador do nó, pelo risco de condução 1:1.

Anticoagular

Mesmos critérios da fibrilação atrial. A ESC 2024 adotou o CHA₂DS₂-VA, sem o critério sexo: anticoagular com 2 ou mais, considerar com 1. Cardioversão eletiva com mais de 48 horas de arritmia exige 3 semanas de anticoagulação prévia ou ecocardiograma transesofágico. Mantenha 4 semanas de anticoagulação após qualquer cardioversão.

Curar

A ablação do istmo cavotricuspídeo cura mais de 95% dos flutters típicos, com procedimento relativamente simples e baixa recorrência. Deve ser oferecida precocemente. Atenção: cerca de metade dos pacientes desenvolve fibrilação atrial no seguimento, e por isso a ablação bem-sucedida não encerra, por si só, a indicação de anticoagulação.

Números rápidos

Frequência atrial: 250 a 350 bpm; o flutter típico gira em torno de 300.

Condução 2:1: ventrículo a cerca de 150 bpm — a armadilha clássica.

Cardioversão: 50 a 100 J bifásico, sincronizada e com sedação.

Anticoagulação: CHA₂DS₂-VA de 2 ou mais recomenda; 1 considera.

Pós-cardioversão: pelo menos 4 semanas de anticoagulação, mesmo com escore zero.

Ablação do istmo: sucesso acima de 95% no flutter típico.

Não esqueça

Ritmo regular a 150 bpm: procure ondas F escondidas no QRS e na onda T.

Adenosina desmascara, mas não reverte o flutter.

Anticoagula com os mesmos critérios da fibrilação atrial.

Classe IC sem bloqueador do nó pode gerar condução 1:1.

Ablação bem-sucedida não encerra a indicação de anticoagulação.

Em provas / residência

A banca cobra o dente de serra nas derivações inferiores, a condução 2:1 a 150 bpm, a energia baixa de cardioversão e a anticoagulação idêntica à da fibrilação atrial.

Decore: adenosina desmascara mas não reverte; classe IC sem bloqueador do nó gera condução 1:1; ablação do istmo cura mais de 95%.

Mais informações nas abas do artigo.

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