Crise Hipertensiva
A pergunta não é "quanto está a pressão", e sim existe lesão aguda de órgão-alvo? Com lesão, é emergência: monitorização, droga intravenosa e meta definida pelo órgão acometido. Sem lesão, o número isolado não é emergência — e baixar a pressão às pressas faz mais mal do que bem.
Classificar certo
- Emergência: pressão alta com lesão aguda de órgão
- Hipertensão grave: número alto, sem lesão aguda
- Pseudocrise: pressão sobe por dor, ansiedade ou retenção
- O termo "urgência hipertensiva" foi aposentado
Procurar a lesão
- Cérebro, coração, aorta, rim e retina
- Exame neurológico e fundoscopia dirigidos
- Eletrocardiograma, troponina e creatinina
- Gestante: pensar sempre em pré-eclâmpsia
Meta por cenário
- Regra geral: reduzir até 25% na primeira hora
- Dissecção aórtica: sistólica abaixo de 120 rápido
- AVC isquêmico: quase sempre não tratar
- Meta errada causa isquemia de órgão
O que não fazer
- Nifedipino sublingual está proscrito
- Sem lesão de órgão, não use droga intravenosa
- Não tratar número isolado em assintomático
- Reduzir rápido demais provoca isquemia
A terminologia mudou
Durante décadas, "crise hipertensiva" foi dividida em emergência e urgência. A diretriz americana de 2025 aposentou o termo urgência hipertensiva, substituindo-o por hipertensão grave sem lesão aguda de órgão-alvo. A mudança não é cosmética: a palavra "urgência" induzia a tratar o número com pressa, gerando encaminhamentos desnecessários ao pronto-socorro, internações evitáveis e reduções pressóricas rápidas que causavam mais dano do que benefício.
| Categoria | Definição | Conduta |
|---|---|---|
| Emergência hipertensiva | Elevação importante da pressão — habitualmente acima de 180/120 mmHg — com lesão aguda de órgão-alvo. | Monitorização contínua, droga intravenosa titulável e meta definida pelo órgão acometido. |
| Hipertensão grave sem lesão aguda | Pressão acima de 180/120 mmHg sem lesão aguda de órgão-alvo. Substitui o antigo termo "urgência hipertensiva". | Ambiente calmo, remedir corretamente, ajustar ou reintroduzir tratamento oral e garantir seguimento. Sem droga intravenosa. |
| Pseudocrise hipertensiva | Elevação pressórica reativa a dor, ansiedade, retenção urinária, abstinência, hipoxemia ou uso de substâncias. | Tratar a causa, não o número. A pressão cai sozinha quando o gatilho é resolvido. |
| Pressão elevada assintomática | Achado isolado, sem sintomas nem lesão, em consulta ou internação. | Confirmar a medida, revisar o tratamento de base e encaminhar para seguimento ambulatorial. |
Calculadora — classificação e conduta inicial
Informe a pressão medida corretamente e marque o que estiver presente. Qualquer sinal de lesão aguda caracteriza emergência hipertensiva, independentemente do valor numérico.
Sinais de lesão aguda de órgão-alvo
Fatores que elevam a pressão de forma reativa
Por que a mudança importa
Pressão elevada é queixa frequente no pronto-socorro, e a maioria dos casos não é emergência.
Apenas uma minoria dos pacientes com pressão acima de 180/120 apresenta lesão aguda de órgão.
Redução rápida em paciente assintomático associa-se a isquemia cerebral, coronariana e renal.
A emergência hipertensiva verdadeira tem letalidade relevante e exige terapia intravenosa monitorizada.
No seguimento ambulatorial e na adesão ao tratamento, não na dose administrada na sala de emergência.
Os primeiros minutos
Manguito adequado ao braço, paciente sentado e em repouso, medida em ambos os braços na suspeita de dissecção. Repita após alguns minutos antes de qualquer decisão.
Exame neurológico, ausculta cardíaca e pulmonar, palpação de pulsos, fundoscopia quando possível, eletrocardiograma, creatinina e urina.
Com lesão aguda: droga intravenosa titulável em ambiente monitorizado. Sem lesão aguda: ajuste do tratamento oral e seguimento.
Medir corretamente antes de decidir
- Manguito adequado — a bolsa inflável deve cobrir cerca de 80% da circunferência do braço; manguito pequeno em braço grosso superestima a pressão de forma expressiva.
- Paciente sentado, com as costas apoiadas, pés no chão, braço na altura do coração e sem falar durante a medida.
- Repouso de alguns minutos antes da primeira medida, e repetição após intervalo — muitas "crises" desaparecem na segunda aferição.
- Medir nos dois braços na suspeita de dissecção aórtica; diferença importante entre eles é achado relevante.
- Confirmar com método auscultatório quando o valor automático parecer discrepante do quadro clínico.
- Tratar a dor e a ansiedade primeiro, quando presentes — e remedir depois.
- Verificar bexiga cheia, que é causa clássica e reversível de elevação pressórica.
Onde procurar lesão de órgão-alvo
| Órgão | O que procurar | Como investigar |
|---|---|---|
| Cérebro | Déficit focal, rebaixamento, crise epiléptica, cefaleia intensa, alteração visual, confusão — encefalopatia hipertensiva, acidente vascular isquêmico ou hemorrágico. | Exame neurológico completo e tomografia de crânio; ressonância quando indicada. |
| Coração | Dor torácica isquêmica, dispneia, congestão pulmonar, terceira bulha, estertores. | Eletrocardiograma, troponina, radiografia de tórax e ecocardiograma quando disponível. |
| Aorta | Dor lancinante de início súbito irradiada para o dorso, assimetria de pulsos ou de pressão entre os braços, sopro aórtico novo. | Angiotomografia de aorta; ecocardiograma transesofágico como alternativa. |
| Rim | Elevação aguda da creatinina, oligúria, hematúria e proteinúria nova. | Creatinina e ureia, urina tipo I, relação albumina-creatinina e ultrassom quando indicado. |
| Retina | Hemorragias, exsudatos algodonosos e papiledema — marcadores clássicos de hipertensão maligna. | Fundoscopia, subutilizada e de alto valor diagnóstico nesse contexto. |
| Sangue | Anemia hemolítica microangiopática com esquizócitos e plaquetopenia. | Hemograma com esfregaço, desidrogenase láctica, haptoglobina e bilirrubinas. |
| Gestação | Pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia e síndrome HELLP em gestantes e puérperas. | Proteinúria, plaquetas, transaminases, creatinina e avaliação obstétrica imediata. |
Investigação inicial e desencadeantes
Exames iniciais
- Eletrocardiograma de doze derivações.
- Creatinina, ureia, sódio, potássio e glicemia.
- Hemograma com pesquisa de esquizócitos quando houver suspeita.
- Urina tipo I com pesquisa de proteinúria e hematúria.
- Troponina e radiografia de tórax conforme o quadro.
- Imagem dirigida: tomografia de crânio ou angiotomografia de aorta.
Desencadeantes a procurar
- Má adesão ou suspensão abrupta do tratamento — a causa mais frequente.
- Dor, ansiedade, retenção urinária e abstinência.
- Substâncias: cocaína, anfetaminas, descongestionantes e anti-inflamatórios.
- Suspensão abrupta de betabloqueador ou de clonidina, com hipertensão de rebote.
- Excesso de sal e ingestão alcoólica.
- Hipertensão secundária não diagnosticada.
O princípio da autorregulação
No hipertenso crônico, a curva de autorregulação cerebral e renal está deslocada para a direita: os órgãos se adaptaram a operar com pressões mais altas. Reduzir a pressão rapidamente para valores considerados "normais" pode levar o paciente para abaixo do limite inferior de autorregulação e provocar isquemia cerebral, coronariana ou renal — exatamente o dano que se pretendia evitar.
Daí a regra geral: na maioria das emergências hipertensivas, a redução é gradual e escalonada. As exceções são poucas, bem definidas, e existem porque nelas o dano da pressão alta é imediato e mecânico.
Calculadora — meta pressórica por cenário
Informe a pressão atual e selecione o cenário clínico. A calculadora estima a pressão arterial média e sugere a meta correspondente ao órgão acometido.
Metas em resumo
| Cenário | Meta | Droga habitual |
|---|---|---|
| Regra geral | Reduzir até 25% da PAM na 1ª hora; 160/100 a 110 em 2 a 6 h; normalizar em 24 a 48 h. | Nitroprussiato, nicardipina ou nitroglicerina. |
| Dissecção aórtica | Sistólica abaixo de 120 mmHg e frequência abaixo de 60 bpm, em cerca de 20 minutos. | Betabloqueador primeiro — esmolol ou metoprolol —, depois vasodilatador. |
| AVC isquêmico sem trombólise | Tratar apenas se acima de 220/120 mmHg, reduzindo cerca de 15%. | Anti-hipertensivo intravenoso titulável. |
| AVC isquêmico com trombólise | Abaixo de 185/110 mmHg antes, e abaixo de 180/105 nas 24 h seguintes. | Anti-hipertensivo intravenoso titulável. |
| Hemorragia intracerebral | Sistólica em torno de 130 a 140 mmHg, evitando quedas abaixo de 130. | Anti-hipertensivo intravenoso titulável. |
| Edema agudo de pulmão | Redução rápida da pós-carga, com alívio sintomático. | Nitroglicerina ou nitroprussiato, com diurético de alça e ventilação não invasiva. |
| Síndrome coronariana aguda | Alívio da isquemia com redução progressiva. | Nitroglicerina e betabloqueador, salvo contraindicação. |
| Pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia | Tratar quando ≥160/110 mmHg, mantendo abaixo desse valor sem hipotensão. | Hidralazina, nifedipino oral ou labetalol, associados a sulfato de magnésio. |
| Crise adrenérgica | Controle sintomático e pressórico progressivo. | Benzodiazepínico e alfabloqueio; nunca betabloqueador isolado. |
Emergências neurológicas
Cefaleia, confusão, alteração visual e crises, com edema cerebral posterior à imagem. É diagnóstico de exclusão e melhora com a redução controlada da pressão — a resposta terapêutica confirma o diagnóstico.
A pressão elevada é compensatória, mantendo a perfusão da penumbra. Trate apenas acima de 220/120 mmHg, ou abaixo de 185/110 quando houver trombólise.
Meta de sistólica em torno de 130 a 140 mmHg, com redução suave e sem quedas abruptas; evitar valores abaixo de 130 mmHg.
Controlar a pressão até o tratamento do aneurisma, equilibrando risco de ressangramento e de isquemia; conduta em conjunto com a neurocirurgia.
Emergências cardiovasculares
| Condição | Reconhecimento | Conduta |
|---|---|---|
| Dissecção aórtica | Dor lancinante de início súbito irradiada para o dorso, assimetria de pulsos ou de pressão, sopro aórtico novo, alargamento do mediastino. | Betabloqueador primeiro para reduzir a frequência abaixo de 60 bpm e a força de ejeção; só depois vasodilatador. Sistólica abaixo de 120 mmHg em cerca de 20 minutos. Cirurgia de urgência na dissecção proximal. |
| Edema agudo de pulmão | Dispneia intensa, ortopneia, estertores difusos, hipoxemia e congestão radiológica. | Nitroglicerina ou nitroprussiato para reduzir a pós-carga, diurético de alça e ventilação não invasiva. Evitar betabloqueador na fase congestiva. |
| Síndrome coronariana aguda | Dor torácica isquêmica com alterações eletrocardiográficas e elevação de troponina. | Nitroglicerina e betabloqueador, salvo contraindicação; reperfusão conforme o protocolo. Evitar nitrato se houve uso recente de inibidor de fosfodiesterase. |
| Lesão renal aguda hipertensiva | Elevação da creatinina, proteinúria e hematúria em vigência de pressão muito elevada. | Redução gradual conforme a regra geral; atenção à piora inicial da função renal, que pode ser esperada e transitória. |
| Crise renal esclerodérmica | Esclerose sistêmica com elevação abrupta da pressão e lesão renal rapidamente progressiva. | Inibidor da enzima conversora de angiotensina — o captopril é a droga de escolha, mesmo com creatinina em elevação. |
Emergências obstétricas
- Considere pré-eclâmpsia em toda gestante com mais de 20 semanas e pressão elevada, e também em puérperas — o quadro pode surgir semanas após o parto.
- Critério de gravidade — pressão de 160/110 mmHg ou mais, cefaleia persistente, alteração visual, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de transaminases ou de creatinina.
- Trate a pressão quando estiver em 160/110 mmHg ou acima, com hidralazina, nifedipino oral ou labetalol, mantendo abaixo desse limiar sem provocar hipotensão.
- Sulfato de magnésio para prevenção e tratamento da eclâmpsia — não é anti-hipertensivo, e sim anticonvulsivante.
- Evite inibidores da enzima conversora, bloqueadores do receptor de angiotensina, nitroprussiato de sódio e antagonistas mineralocorticoides na gestação.
- O tratamento definitivo da pré-eclâmpsia é a resolução da gestação, decidida em conjunto com a obstetrícia.
- Hipertensão crônica na gestação — as diretrizes atuais recomendam tratar a partir de 140/90 mmHg, com labetalol ou nifedipino de liberação prolongada como primeira escolha.
Crises adrenérgicas
Cocaína e simpaticomiméticos
- Benzodiazepínico é a primeira linha: reduz a descarga adrenérgica central.
- Vasodilatador — nitroglicerina ou nitroprussiato — se a pressão persistir elevada.
- Fentolamina como alfabloqueador nos casos refratários.
- Evitar betabloqueador isolado pelo risco teórico de estímulo alfa sem oposição.
Feocromocitoma
- Crises paroxísticas com cefaleia, sudorese e palpitações.
- Alfabloqueio primeiro — fentolamina ou nitroprussiato.
- Betabloqueador apenas depois do alfabloqueio, para controlar a taquicardia.
- Investigação bioquímica com metanefrinas após a estabilização.
Hipertensão de rebote
A suspensão abrupta de algumas classes provoca elevação pressórica intensa, muitas vezes acompanhada de taquicardia, sudorese e ansiedade. É causa frequente e facilmente reversível de pressão muito elevada no pronto-socorro.
- Clonidina — rebote clássico, com quadro adrenérgico exuberante; a conduta é reintroduzir a droga.
- Betabloqueadores — suspensão abrupta pode precipitar isquemia miocárdica e taquiarritmias.
- Conduta — reintrodução do fármaco suspenso e orientação explícita sobre desmame gradual.
- Prevenção — sempre pergunte, na anamnese, quais medicações foram interrompidas e há quanto tempo.
Calculadora — infusão contínua
Informe o peso e selecione a droga. A calculadora usa as diluições mais habituais e converte a dose em velocidade de infusão — confira sempre a padronização do seu serviço.
Drogas intravenosas
| Droga | Perfil | Melhor indicação | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Nitroprussiato de sódio | Vasodilatador arterial e venoso, início imediato e meia-vida muito curta. | Emergências em geral, quando se deseja titulação fina. | Toxicidade por cianeto em uso prolongado ou disfunção renal e hepática; fotossensível; evitar na gestação. |
| Nitroglicerina | Predomínio venoso em doses baixas, com efeito arterial em doses altas. | Edema agudo de pulmão e síndrome coronariana aguda. | Cefaleia e taquifilaxia; contraindicada após uso de inibidor de fosfodiesterase. |
| Esmolol | Betabloqueador cardiosseletivo de ação ultracurta, muito titulável. | Dissecção aórtica e situações que exigem controle rápido da frequência. | Evitar em broncoespasmo grave, bradicardia e insuficiência cardíaca descompensada. |
| Metoprolol intravenoso | Betabloqueador em doses fracionadas, amplamente disponível. | Dissecção aórtica e síndrome coronariana, quando não há esmolol. | Mesmas contraindicações dos betabloqueadores; efeito menos titulável. |
| Hidralazina | Vasodilatador arterial direto, em bolus, com efeito menos previsível. | Pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia. | Taquicardia reflexa e hipotensão imprevisível; evitar na dissecção aórtica e na coronariopatia. |
| Labetalol | Bloqueio alfa e beta combinado, muito usado internacionalmente. | Emergências neurológicas e obstétricas. | Disponibilidade limitada no Brasil na apresentação intravenosa. |
| Nicardipina e clevidipina | Bloqueadores de canal de cálcio intravenosos, de titulação fina. | Emergências neurológicas, com bom perfil de previsibilidade. | Disponibilidade restrita em boa parte dos serviços brasileiros. |
| Furosemida | Diurético de alça. | Congestão pulmonar e sobrecarga volêmica. | Não é anti-hipertensivo de crise; usar apenas quando há congestão real. |
Cada card abre o detalhamento: indicação, posologia, titulação e cuidados. Confira apresentação, diluição e padronização do seu serviço antes de prescrever.
Drogas intravenosas
As opções disponíveis na maior parte dos serviços brasileiros, com doses, titulação e as armadilhas que costumam gerar hipotensão ou piora clínica.
Via oral e situações específicas
O que usar quando não há lesão de órgão-alvo, o que está proscrito e como conduzir os cenários com regra própria.
Hipertensão grave sem lesão aguda
Este é o cenário mais frequente e o mais maltratado. Paciente com pressão acima de 180/120 mmHg, assintomático ou com queixas inespecíficas, sem qualquer sinal de lesão aguda de órgão-alvo. A evidência é consistente: reduzir a pressão rapidamente não melhora desfecho e expõe o paciente a hipotensão, isquemia e quedas.
- Coloque o paciente em ambiente calmo e trate dor, ansiedade ou retenção urinária, se houver.
- Remeça a pressão após alguns minutos de repouso, com manguito adequado e técnica correta.
- Faça anamnese e exame dirigidos à busca de lesão aguda de órgão-alvo.
- Solicite exames apenas se houver suspeita clínica — a bateria completa não é rotina no assintomático.
- NÃO USE ANTI-HIPERTENSIVO INTRAVENOSO nem doses repetidas por via oral apenas para derrubar o número.
- Reintroduza ou ajuste o tratamento oral de base, investigando adesão, custo e efeitos adversos.
- Considere iniciar ou intensificar medicação oral com seguimento garantido, o que reduz a pressão de forma segura ao longo de dias.
- Oriente sinais de alarme e agende retorno ambulatorial próximo, idealmente em dias a poucas semanas.
O que fazer e o que evitar
Fazer
- Confirmar a medida com técnica adequada e repetir após repouso.
- Buscar e tratar fatores desencadeantes reversíveis.
- Revisar a prescrição de base e investigar adesão de forma não julgadora.
- Ajustar ou iniciar tratamento oral, preferindo combinações em dose única diária.
- Orientar medida domiciliar da pressão e registro.
- Garantir seguimento ambulatorial e reavaliação em curto prazo.
Evitar
- Anti-hipertensivo intravenoso sem lesão de órgão-alvo.
- Doses orais repetidas até "a pressão baixar" antes da alta.
- Nifedipino sublingual, que está proscrito.
- Internação apenas pelo valor da pressão.
- Bateria ampla de exames em paciente assintomático e sem fatores de risco.
- Alta sem plano terapêutico e sem retorno agendado.
Adesão: a causa mais comum
- Pergunte sem julgamento — "muita gente esquece ou para de tomar; com você tem acontecido?" abre a conversa melhor do que "está tomando direitinho?".
- Investigue custo e acesso — falta de medicação na unidade e dificuldade financeira são causas frequentes e resolvíveis.
- Procure efeitos adversos — tosse por inibidor da enzima conversora, edema por bloqueador de canal de cálcio e disfunção sexual levam ao abandono silencioso.
- Simplifique o esquema — combinações em comprimido único e dose única diária melhoram a adesão de forma consistente.
- Explique a assintomatologia — muitos pacientes tomam a medicação apenas quando "sentem a pressão subir", o que não faz sentido fisiopatológico.
- Envolva a família e considere estratégias de lembrete quando houver comprometimento cognitivo.
Erros comuns
- Tratar o número isolado, sem procurar lesão aguda de órgão-alvo.
- Usar nifedipino sublingual, prática proscrita há décadas pelo risco de queda abrupta e isquemia.
- Prescrever anti-hipertensivo intravenoso em paciente assintomático e sem lesão de órgão.
- Repetir doses orais até "a pressão baixar" antes de liberar o paciente.
- Reduzir a pressão rápido demais na maioria das emergências, provocando isquemia cerebral, coronariana ou renal.
- Tratar a pressão elevada do acidente vascular isquêmico por reflexo.
- Administrar vasodilatador antes do betabloqueador na dissecção aórtica.
- Usar betabloqueador isolado em crise por cocaína ou feocromocitoma.
- Esquecer de medir a pressão nos dois braços diante de dor torácica com irradiação para o dorso.
- Não pensar em pré-eclâmpsia em gestante ou puérpera com pressão elevada.
- Medir com manguito inadequado, em paciente com dor, sem repouso ou com bexiga cheia.
- Deixar de fazer fundoscopia quando há suspeita de hipertensão maligna.
- Não investigar o desencadeante, sobretudo suspensão de medicação e uso de substâncias.
- Internar apenas pelo valor da pressão, sem lesão de órgão.
- Dar alta sem ajustar o tratamento de base e sem retorno agendado.
- Não investigar hipertensão secundária em paciente jovem ou com quadro resistente.
Resumo do fluxo
- Meça a pressão com técnica correta, manguito adequado e repouso; repita após alguns minutos.
- Trate dor, ansiedade e retenção urinária, e remeça — muitas elevações são reativas.
- PROCURE LESÃO AGUDA DE ÓRGÃO-ALVO: cérebro, coração, aorta, rim, retina e, na gestante, pré-eclâmpsia.
- Com lesão aguda: monitorize, obtenha acesso e inicie droga intravenosa titulável em ambiente adequado.
- Defina a meta pelo órgão acometido — regra geral de até 25% na primeira hora, com as exceções conhecidas.
- Sem lesão aguda: não use via intravenosa; ajuste ou reintroduza o tratamento oral.
- Investigue o desencadeante: adesão, suspensão de droga, substâncias e causas secundárias.
- Reavalie a resposta e evite quedas excessivas — hipotensão iatrogênica é complicação real.
- Defina o destino: terapia intensiva na emergência hipertensiva, alta com seguimento nos demais casos.
- Na alta: esquema simplificado, orientação sobre sinais de alarme e retorno ambulatorial agendado.
Destino e seguimento
Emergência hipertensiva confirmada, com necessidade de monitorização contínua e droga intravenosa titulável.
Lesão de órgão em investigação, resposta incerta ou comorbidade que exija observação.
Hipertensão grave sem lesão aguda, com tratamento ajustado e retorno garantido em dias a poucas semanas.
As diretrizes recomendam reavaliação mensal após início ou ajuste de medicação, até o controle pressórico.
Referências bibliográficas
Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.
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- Powers WJ, Rabinstein AA, Ackerson T, et al. Guidelines for the early management of patients with acute ischemic stroke, versões vigentes. Stroke.
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Aviso importante
Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, metas e condutas devem ser sempre conferidas antes da aplicação.
Informações rápidas
Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.
O essencial
Classificar certo
Emergência é pressão elevada com lesão aguda de órgão-alvo. Hipertensão grave sem lesão aguda substituiu o termo "urgência hipertensiva". Pseudocrise é elevação reativa a dor, ansiedade ou retenção — trate a causa, não o número.
Procurar a lesão
Cérebro, coração, aorta, rim e retina. Exame neurológico, ausculta, pulsos, fundoscopia, eletrocardiograma, troponina, creatinina e urina. Em gestante ou puérpera, pense sempre em pré-eclâmpsia.
Meta por cenário
Regra geral: reduzir até 25% da PAM na primeira hora, chegar a 160/100 a 110 em 2 a 6 h e normalizar em 24 a 48 h. Exceções: dissecção aórtica exige sistólica abaixo de 120 rapidamente; AVC isquêmico quase nunca se trata.
O que não fazer
Nifedipino sublingual está proscrito. Sem lesão de órgão, não use anti-hipertensivo intravenoso nem doses orais repetidas para derrubar o número. Reduzir rápido demais provoca isquemia cerebral, coronariana e renal.
Números rápidos
Definição: emergência exige lesão aguda de órgão-alvo, não apenas número alto.
Regra geral: até 25% da PAM na 1ª hora; 160/100 a 110 em 2 a 6 h.
Dissecção aórtica: sistólica abaixo de 120 e frequência abaixo de 60, em cerca de 20 minutos.
AVC isquêmico: tratar só acima de 220/120; abaixo de 185/110 se houver trombólise.
Pré-eclâmpsia: tratar a partir de 160/110 e associar sulfato de magnésio.
Não esqueça
Nifedipino sublingual está proscrito.
Sem lesão de órgão-alvo, não se usa droga intravenosa.
Na dissecção aórtica, betabloqueador vem antes do vasodilatador.
Nunca betabloqueador isolado na crise por cocaína ou feocromocitoma.
Gestante e puérpera com pressão alta: pense em pré-eclâmpsia.
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A banca cobra a diferença entre emergência e hipertensão grave sem lesão, as metas por cenário e a proscrição do nifedipino sublingual.
Decore: 25% na primeira hora como regra geral; dissecção exige betabloqueador primeiro; AVC isquêmico quase nunca se trata; crise adrenérgica nunca começa com betabloqueador.
