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SDRA — Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo

O pulmão da SDRA não é rígido por inteiro: é um baby lung pequeno e complacente cercado de tecido colapsado. Ventilá-lo como se fosse um pulmão normal é o que mata. Quase tudo que reduziu mortalidade nesta síndrome — volume corrente baixo, posição prona, menos pressão de distensão — funciona fazendo menos, e não fazendo mais.

6 mL/kg de peso predito Platô ≤ 30, driving ≤ 15 Prona ≥ 16 h ECMO em centro de referência
Tempo de leitura: 24 min
Atualizado em: 14/08/2026

Diagnosticar

  • Início em até 7 dias de um fator desencadeante
  • Opacidades bilaterais não explicadas por derrame ou atelectasia
  • Edema não explicado só por causa cardíaca ou hipervolemia
  • Nova definição global aceita SpO₂/FiO₂ e ultrassom

Ventilar protegendo

  • Volume corrente de 4 a 8 mL/kg de peso predito
  • Pressão de platô abaixo de 30 cmH₂O
  • Driving pressure alvo de 15 cmH₂O ou menos
  • Peso predito vem da altura e do sexo, nunca da balança

Pronar cedo

  • Indicada com relação P/F abaixo de 150
  • Sessões de 16 horas ou mais, não de 4 a 6
  • Reduz mortalidade de forma consistente
  • Iniciar nas primeiras 36 a 48 horas

Saber o que não fazer

  • Manobras de recrutamento prolongadas causam dano
  • Ventilação oscilatória de alta frequência não é indicada
  • Remoção extracorpórea de CO₂ isolada não é recomendada
  • Balanço hídrico positivo piora o desfecho

O que é SDRA

A síndrome do desconforto respiratório agudo é uma resposta inflamatória pulmonar difusa, desencadeada por um insulto direto ou indireto, que resulta em aumento da permeabilidade da barreira alvéolo-capilar. O alvéolo se enche de líquido rico em proteína, o surfactante é inativado e o pulmão colapsa em áreas dependentes.

A consequência funcional é hipoxemia grave por shunt intrapulmonar, queda acentuada da complacência e aumento do espaço morto. Não é um diagnóstico etiológico: é uma síndrome, e por trás dela sempre existe uma causa que precisa ser tratada.

Nenhuma terapia trata a SDRA em si. O que reduz mortalidade é tratar a causa e não lesar mais o pulmão enquanto ele se recupera. Toda a ventilação protetora existe para isso.

O conceito do baby lung

É a ideia que organiza todo o tratamento. Na tomografia, o pulmão da SDRA não é uniformemente rígido: ele tem três compartimentos.

  • Área aerada e complacente — pequena, frequentemente equivalente ao pulmão de uma criança. É ela que recebe todo o volume corrente.
  • Área recrutável — colapsada, mas passível de reabertura com pressão adequada. É o alvo racional da PEEP.
  • Área consolidada — não recrutável em nenhuma pressão. Insistir nela só transfere pressão para o resto.

Se você entrega 500 mL a um pulmão funcionalmente do tamanho de 1,5 litro, está aplicando um volume corrente relativo enorme sobre a área sadia — e é justamente ela que sofre a lesão induzida pelo ventilador.

Os quatro mecanismos de lesão pelo ventilador

  • Volutrauma — distensão excessiva do baby lung por volume corrente alto. É o mecanismo dominante.
  • Barotrauma — pressão transpulmonar elevada, com risco de pneumotórax e pneumomediastino.
  • Atelectrauma — abertura e fechamento cíclicos de alvéolos instáveis, gerando forças de cisalhamento. É o que a PEEP evita.
  • Biotrauma — a lesão mecânica libera mediadores inflamatórios que atingem a circulação sistêmica e contribuem para disfunção de múltiplos órgãos.
Por que isso importa na prática

Pacientes com SDRA raramente morrem de hipoxemia refratária. Morrem de disfunção de múltiplos órgãos — e a ventilação inadequada é uma das fontes dessa disfunção. Proteger o pulmão é proteger o resto do organismo.

As três fases histológicas

1

Exsudativa

0 a 7 dias

Dano alveolar difuso, membranas hialinas, edema rico em proteína e influxo de neutrófilos. É a fase de maior hipoxemia e de maior queda da complacência — e a janela em que a ventilação protetora, a prona e o bloqueio neuromuscular têm maior impacto.

2

Proliferativa

7 a 21 dias

Proliferação de pneumócitos tipo II, organização do exsudato e início do reparo. A maioria dos pacientes começa a melhorar aqui; o espaço morto costuma aumentar antes da complacência melhorar.

3

Fibrótica

Após 2 a 3 semanas

Deposição de colágeno, remodelamento e formação de cistos. Nem todos os pacientes chegam a esta fase. Associa-se a ventilação mecânica prolongada, dependência de oxigênio e sequela funcional persistente.

A fase importa para o corticoide: as diretrizes recomendam iniciar dentro dos primeiros 14 dias. Começar corticoide muito tarde, na fase fibrótica estabelecida, associa-se a piores desfechos.

Números que importam

Frequência

Cerca de 10% das admissões em terapia intensiva e aproximadamente 23% dos pacientes ventilados no estudo LUNG SAFE.

Mortalidade

Aproximadamente 35% na leve, 40% na moderada e 46% na grave, conforme a definição de Berlim.

Subdiagnóstico

No LUNG SAFE, cerca de 40% dos casos não foram reconhecidos pela equipe assistente.

Subtratamento

Boa parte dos pacientes recebia volume corrente acima de 8 mL/kg de peso predito, e a prona era pouco utilizada.

Sequelas

Fraqueza adquirida, comprometimento cognitivo e sintomas psiquiátricos são frequentes um ano após a alta.

O dado mais acionável dessa lista não é a mortalidade: é o subdiagnóstico. Reconhecer a síndrome é o passo que desbloqueia todas as intervenções que efetivamente funcionam.

Critérios diagnósticos

A definição de Berlim, de 2012, segue sendo a referência mais usada. A Nova Definição Global, publicada em 2023 e 2024, amplia esses critérios para incorporar oxigênio nasal de alto fluxo, oximetria de pulso, ultrassom pulmonar e cenários de recursos limitados.

Berlim 2012

Os quatro critérios clássicos

Tempo: início em até 7 dias de um insulto conhecido ou de piora dos sintomas respiratórios.

Imagem: opacidades bilaterais na radiografia ou na tomografia, não explicadas totalmente por derrame, atelectasia ou nódulos.

Origem do edema: insuficiência respiratória não explicada integralmente por insuficiência cardíaca ou hipervolemia; ecocardiograma pode ser necessário para afastar.

Oxigenação: relação PaO₂/FiO₂ igual ou menor que 300 mmHg, com PEEP ou CPAP de pelo menos 5 cmH₂O.

Definição global

O que a nova definição acrescenta

Não intubados: inclui pacientes em oxigênio nasal de alto fluxo com fluxo de pelo menos 30 L/min, além de ventilação não invasiva e CPAP.

Oximetria: aceita SpO₂/FiO₂ ≤ 315 como critério de hipoxemia, desde que a SpO₂ seja ≤ 97%, sem alteração de hemoglobina e com boa perfusão periférica.

Ultrassom: reconhece o ultrassom pulmonar como modalidade de imagem válida para identificar as opacidades bilaterais.

Recursos limitados: dispensa exigência de PEEP mínima, de fluxo de oxigênio e de dispositivo específico — incorporando o espírito da definição de Kigali.

A relação SpO₂/FiO₂ perde confiabilidade quando a saturação está acima de 97%, porque a curva de dissociação da hemoglobina achata e pequenas variações de SpO₂ correspondem a grandes variações de PaO₂. Use apenas com SpO₂ ≤ 97%.

Calculadora — oxigenação e gravidade

P/F e S/F Classificação de Berlim Conduta correspondente

Informe a gasometria ou a oximetria e a fração inspirada de oxigênio. A ferramenta calcula as relações, classifica a gravidade e indica quais intervenções passam a ser recomendadas naquela faixa.

Relação calculada
150
Índice
PaO₂/FiO₂
FiO₂ considerada
0,60
Classificação
A classificação de Berlim pressupõe PEEP de pelo menos 5 cmH₂O. A relação P/F varia com a PEEP e com a FiO₂, por isso deve ser reavaliada após a estabilização ventilatória — a classificação feita logo após otimizar a PEEP prediz melhor o desfecho do que a colhida na admissão. A relação S/F só é válida com SpO₂ ≤ 97%.

O diferencial que mais importa

A pergunta central do diagnóstico é sempre a mesma: este edema é inflamatório ou hidrostático? Errar aqui leva a tratar SDRA com diurético e congestão cardíaca com PEEP alta.

Achado Favorece SDRA Favorece edema cardiogênico
HistóriaSepse, pneumonia, aspiração, trauma, pancreatite, transfusão.Cardiopatia conhecida, dor torácica, arritmia, má adesão a diurético.
Distribuição na imagemOpacidades periféricas, heterogêneas e gravidade-dependentes.Distribuição central, em asa de borboleta, com linhas B de Kerley.
Área cardíaca e derramesÁrea cardíaca normal; derrames pequenos.Cardiomegalia, derrames volumosos e congestão hilar.
EcocardiogramaFunção ventricular preservada, sem elevação de pressões de enchimento.Disfunção sistólica ou diastólica, pressões de enchimento elevadas.
Ultrassom pulmonarLinhas B heterogêneas, com áreas poupadas, pleura irregular e consolidações subpleurais.Linhas B homogêneas e bilaterais, pleura lisa, com derrame associado.
Peptídeo natriuréticoValores baixos apoiam SDRA, mas não excluem sobreposição.Valores muito elevados apoiam origem cardíaca.
Resposta ao diuréticoMelhora limitada, sobretudo da oxigenação.Melhora clínica e radiológica rápida.
As duas condições coexistem com frequência. A definição atual não exige ausência de causa cardíaca: exige que o quadro não seja explicado integralmente por ela. Paciente cardiopata com sepse pode ter, e frequentemente tem, as duas coisas.

Outros diagnósticos a considerar

Hemorragia alveolar difusa

Queda de hemoglobina, hemoptise (que pode faltar) e lavado broncoalveolar progressivamente hemorrágico. Considerar vasculites e síndromes pulmão-rim.

Pneumonia em organização e pneumonite intersticial aguda

Evolução subaguda, padrão tomográfico característico e resposta a corticoide. Frequentemente exigem biópsia ou avaliação especializada.

Pneumonite por fármaco

Amiodarona, bleomicina, nitrofurantoína, metotrexato e inibidores de checkpoint imunológico. Revisar toda a prescrição e o histórico oncológico.

Pneumonia eosinofílica aguda

Eosinofilia no lavado broncoalveolar, história de tabagismo recente e resposta rápida e marcante ao corticoide.

TRALI

Lesão pulmonar relacionada à transfusão, com início em até 6 horas do hemocomponente. É uma causa de SDRA e não um diferencial excludente.

Edema pulmonar de altitude e neurogênico

Contexto clínico define: exposição a grande altitude ou lesão neurológica aguda grave, como hemorragia subaracnóidea.

Considere lavado broncoalveolar quando a causa não é evidente: ele diferencia hemorragia alveolar, pneumonia eosinofílica e infecções oportunistas, e pode mudar completamente a conduta.

Causas diretas e indiretas

A distinção entre insulto pulmonar e extrapulmonar não muda os alvos de ventilação protetora, mas ajuda a antecipar o comportamento mecânico do pulmão e, sobretudo, a não esquecer de tratar a causa.

Tipo Causas Comportamento típico
Direta (pulmonar) Pneumonia bacteriana e viral, aspiração de conteúdo gástrico, contusão pulmonar, quase afogamento, inalação de fumaça e de gases tóxicos, embolia gordurosa. Consolidação mais focal e assimétrica, com menor recrutabilidade e complacência da parede torácica preservada. Costuma responder menos à PEEP alta.
Indireta (extrapulmonar) Sepse de foco não pulmonar, pancreatite aguda grave, politrauma, transfusão maciça e TRALI, grande queimado, circulação extracorpórea, overdose. Edema mais difuso e homogêneo, com maior recrutabilidade e frequente aumento da pressão intra-abdominal. Costuma responder melhor à PEEP e à prona.
Causa mais frequente Pneumonia e sepse respondem pela maior parte dos casos em qualquer série. Colher culturas e iniciar antimicrobiano precoce é parte do tratamento da SDRA, não algo à parte.
Diante de SDRA sem causa evidente, procure ativamente: foco infeccioso oculto, pancreatite, transfusão recente, fármaco novo, exposição inalatória, aspiração não presenciada e doença autoimune. SDRA sem causa identificada é diagnóstico incompleto.

Fenótipos inflamatórios

Análises de agrupamento de grandes ensaios identificaram, de forma reprodutível, dois fenótipos biológicos com prognóstico e resposta ao tratamento distintos. É a base do movimento em direção à medicina de precisão na SDRA.

Fenótipo 1

Hipoinflamatório

Cerca de dois terços dos pacientes. Marcadores inflamatórios menos elevados, menor incidência de choque e de disfunção orgânica, com mortalidade menor.

Nas reanálises, foi o grupo que pareceu se beneficiar de estratégias com PEEP mais baixa e de manejo hídrico conservador.

Fenótipo 2

Hiperinflamatório

Cerca de um terço dos pacientes. Interleucina-6 e receptor solúvel de fator de necrose tumoral elevados, acidose, choque com vasopressor e mortalidade substancialmente maior.

Nas reanálises, pareceu responder melhor a PEEP mais alta e apresentou sinal favorável com estratégias anti-inflamatórias.

Os fenótipos ainda são ferramenta de pesquisa: dependem de biomarcadores não disponíveis à beira do leito e não devem, hoje, guiar decisões individuais. Servem para entender por que ensaios com resultado neutro podem esconder subgrupos com benefício real.

Recrutabilidade — o fenótipo que importa hoje

Muito mais útil na prática diária do que o fenótipo inflamatório. A pergunta é simples: este pulmão abre com pressão, ou só se distende?

Sugerem alta recrutabilidade

  • SDRA de causa extrapulmonar, com edema difuso e homogêneo.
  • Melhora da oxigenação e da complacência ao aumentar a PEEP.
  • Queda da relação entre espaço morto e volume corrente com o aumento da PEEP.
  • Grande proporção de área colapsada gravidade-dependente na tomografia.
  • Boa resposta à posição prona.

Sugerem baixa recrutabilidade

  • SDRA de causa pulmonar, com consolidação focal e assimétrica.
  • PEEP alta que melhora a oxigenação mas piora a complacência — sinal de hiperdistensão, não de recrutamento.
  • Aumento da driving pressure ao subir a PEEP.
  • Queda da pressão arterial e do débito cardíaco com PEEP elevada.
  • Fase fibrótica tardia.
O teste prático de recrutabilidade é gratuito: suba a PEEP em 2 a 4 cmH₂O e observe a complacência estática e a driving pressure. Se a driving pressure cai, você recrutou. Se sobe, você hiperdistendeu — volte.

As metas que reduzem mortalidade

A ventilação protetora é a única intervenção com benefício de mortalidade demonstrado em ensaio clínico de grande porte para a SDRA em geral. Tudo o mais é adjuvante ou de resgate.

Volume corrente
4–8 mL/kg
De peso predito, com alvo inicial de 6 mL/kg
Pressão de platô
≤ 30 cmH₂O
Medida em pausa inspiratória de 0,5 a 2 segundos
Driving pressure
≤ 15 cmH₂O
Platô menos PEEP — a variável que melhor prediz mortalidade
pH arterial
≥ 7,20
Hipercapnia permissiva é aceitável para proteger o pulmão
SpO₂ alvo
88–95%
PaO₂ de 55 a 80 mmHg; hiperóxia não traz benefício
Potência mecânica
< 17 J/min
Alvo exploratório, ainda sem validação prospectiva
O volume corrente é calculado sobre o peso predito, derivado da altura e do sexo — nunca sobre o peso real. Usar o peso da balança em um paciente obeso pode significar entregar o dobro do volume corrente adequado.

Calculadora — peso predito, volume corrente e PEEP

Peso predito por altura Volume corrente alvo Tabela PEEP/FiO₂

O peso predito depende apenas de altura e sexo. A calculadora devolve a faixa completa de volume corrente e, para a FiO₂ informada, a PEEP correspondente nas tabelas de baixa e de alta PEEP do ARDSNet.

Peso predito
70,5 kg
VC alvo (6 mL/kg)
423 mL
Faixa (4 a 8 mL/kg)
282–564 mL
Fórmula de peso predito: homens 50 + 0,91 × (altura em cm − 152,4) e mulheres 45,5 + 0,91 × (altura em cm − 152,4). Meça a altura de verdade — a estimativa visual erra com frequência e, em SDRA, esse erro se traduz diretamente em volume corrente inadequado.

Tabelas PEEP/FiO₂ do ARDSNet

São o método mais usado e mais reprodutível de titulação. A escolha entre a tabela de baixa e a de alta PEEP permanece controversa: as diretrizes divergem, e a estratégia mais aceita é usar PEEP mais alta nos casos mais graves e recrutáveis.

FiO₂ PEEP — tabela baixa PEEP — tabela alta
0,3055 a 14
0,405 a 814 a 16
0,508 a 1016 a 20
0,601020
0,7010 a 1420
0,801420 a 22
0,9014 a 1822
1,0018 a 2422 a 24
A linha correspondente à FiO₂ informada na calculadora acima fica destacada automaticamente. Valores em cmH₂O. Estas tabelas titulam PEEP pela oxigenação; a titulação pela menor driving pressure é uma alternativa fisiologicamente mais racional e cada vez mais usada à beira do leito.

Como montar o ventilador na prática

  1. Meça a altura e calcule o peso predito — anote no prontuário e no ventilador. Todo o resto depende desse número.
  2. Modo — controlado a volume ou a pressão; não há superioridade demonstrada de um sobre o outro. O que importa é o volume entregue e a pressão gerada.
  3. VOLUME CORRENTE DE 6 mL/kg DE PESO PREDITO como ponto de partida, ajustável entre 4 e 8 conforme platô, driving pressure e pH.
  4. Frequência respiratória — 20 a 35 por minuto para compensar o volume minuto, vigiando auto-PEEP com a curva de fluxo expiratório.
  5. PEEP inicial — pela tabela correspondente à FiO₂, com alvo de SpO₂ entre 88% e 95%.
  6. Meça platô e driving pressure — pausa inspiratória com o paciente passivo. Platô acima de 30 ou driving acima de 15 exigem reduzir o volume corrente.
  7. Teste a recrutabilidade — varie a PEEP em 2 a 4 cmH₂O e observe a driving pressure: se cai, mantenha; se sobe, volte.
  8. Reduza a FiO₂ assim que possível — hiperóxia não traz benefício e pode ser deletéria.
  9. Reavalie ao menos a cada 4 a 6 horas e após qualquer mudança clínica, de posição ou de sedação.
Se ao reduzir o volume corrente para 6 mL/kg o paciente ficar taquipneico e assincrônico, o caminho é otimizar sedação e analgesia — e, na SDRA moderada a grave precoce, considerar bloqueio neuromuscular. Não é motivo para voltar a volumes altos.

As pressões que você precisa medir

Monitorar SDRA sem medir platô e driving pressure é como tratar hipertensão sem aferir a pressão. As medidas exigem apenas uma pausa inspiratória e um paciente passivo.

Variável Como se obtém O que significa
Pressão de pico Leitura direta no ventilador durante a inspiração. Reflete resistência das vias aéreas mais complacência. Isoladamente, informa pouco sobre lesão pulmonar.
Pressão de platô Pausa inspiratória de 0,5 a 2 segundos, com o paciente passivo. Pressão alveolar no fim da inspiração. Alvo ≤ 30 cmH₂O. Pico alto com platô normal aponta para resistência, não para o pulmão.
Driving pressure Platô menos PEEP total (inclua a auto-PEEP quando presente). Volume corrente normalizado pela complacência. Alvo ≤ 15 cmH₂O. É a variável ventilatória que melhor se associa a mortalidade.
Complacência estática Volume corrente dividido pela driving pressure. Reflete o tamanho funcional do baby lung. Valores abaixo de 30 mL/cmH₂O indicam doença grave.
Auto-PEEP Pausa expiratória, com o paciente passivo. PEEP oculta que se soma à programada. Ignorá-la superestima a driving pressure real e mascara hiperinsuflação.
Potência mecânica Calculada a partir de volume, frequência, pico e driving pressure. Energia total entregue ao pulmão por minuto. Integra volume, pressão e frequência em um número só. Alvo exploratório abaixo de 17 J/min.
Pressão transpulmonar Requer cateter de balão esofágico. Separa o que é pressão do pulmão do que é pressão da parede torácica. Útil em obesidade e hipertensão intra-abdominal.
Platô e driving pressure só são válidos com o paciente passivo. Esforço inspiratório durante a pausa falseia a medida — em geral para menos, criando falsa sensação de segurança.

Calculadora — mecânica ventilatória

Driving pressure Complacência estática Potência mecânica

Informe os parâmetros medidos com o paciente passivo. A calculadora devolve driving pressure, complacência, potência mecânica e o volume corrente por quilo de peso predito, com leitura interpretativa de cada resultado.

Driving pressure
14
Complacência estática
30
Potência mecânica
21
Driving pressure
Verde até 15 cmH₂O (alvo) • amarelo de 15 a 20 (zona de atenção) • vermelho acima de 20 (risco elevado). Escala de 0 a 30 cmH₂O.
Fórmulas utilizadas: driving pressure = platô − PEEP total; complacência estática = volume corrente ÷ driving pressure; potência mecânica (equação simplificada de Gattinoni para volume controlado com fluxo constante) = 0,098 × FR × VC(L) × [pico − (driving pressure ÷ 2)]. A potência mecânica é uma ferramenta de pesquisa promissora, com limiar de dano ainda não validado prospectivamente — use como tendência, não como meta rígida.

Hipercapnia permissiva

Reduzir o volume corrente eleva a PaCO₂ — e isso é aceitável e esperado. Proteger o pulmão vale mais do que normalizar a gasometria.

Limite tolerável

pH acima de 7,20 é geralmente bem tolerado. Alguns protocolos aceitam até 7,15 em situações limitadas, com monitorização estrita.

Como manejar

Aumentar a frequência respiratória até 35 por minuto (vigiando auto-PEEP), reduzir espaço morto do circuito e tratar febre, agitação e sepse, que aumentam a produção de CO₂.

Contraindicações relativas

Hipertensão intracraniana, isquemia miocárdica aguda, hipertensão pulmonar grave com disfunção de ventrículo direito e acidose metabólica grave já instalada.

Bicarbonato

Não é rotina. Pode aumentar a produção de CO₂ e piorar a acidose intracelular. Reserve para acidose metabólica concomitante grave, conforme protocolo.

Antes de aceitar hipercapnia progressiva, exclua causas corrigíveis de aumento do espaço morto: auto-PEEP, tubo parcialmente obstruído, embolia pulmonar e hiperdistensão por PEEP excessiva.

Lesão pulmonar autoinfligida pelo paciente

O conceito de P-SILI descreve a lesão causada pelo esforço respiratório vigoroso do próprio paciente, em ventilação espontânea ou assistida. O paciente com drive elevado gera pressões transpulmonares altas mesmo com o ventilador programado de forma protetora.

  • Sinais de alerta — volume corrente espontâneo elevado, uso de musculatura acessória, frequência respiratória alta persistente, oscilação exagerada da pressão de vias aéreas e assincronia com duplo disparo.
  • Índice de pressão de oclusão (P 0.1) — valores muito elevados sugerem drive respiratório excessivo; muito baixos sugerem sedação profunda demais.
  • Pressão de oclusão expiratória — manobra de oclusão ao fim da expiração estima o esforço muscular e a pressão de platô dinâmica.
  • O que fazer — otimizar analgesia e sedação, corrigir causas de drive elevado (dor, febre, acidose, ansiedade, hipoxemia), ajustar o ventilador e, na SDRA moderada a grave precoce, considerar bloqueio neuromuscular.
  • Onde a controvérsia está — a magnitude clínica do P-SILI ainda é debatida, e não deve justificar intubação precoce indiscriminada em paciente que responde bem ao suporte não invasivo.

Escalonamento por gravidade

A sequência é a mesma em qualquer serviço: primeiro o que tem benefício demonstrado e custo baixo, depois o que exige mais recurso e tem evidência mais frágil. Pular etapas não acelera nada.

1

Base — todos os pacientes

Sempre

Tratar a causa, ventilação protetora com 4 a 8 mL/kg de peso predito, platô ≤ 30, driving pressure ≤ 15, PEEP titulada, sedação e analgesia adequadas, e balanço hídrico conservador após a estabilização hemodinâmica.

2

Moderada a grave — P/F < 150

Precoce

Posição prona por 16 horas ou mais por sessão, iniciada cedo. Considerar bloqueio neuromuscular na fase precoce e corticoide sistêmico dentro dos primeiros 14 dias. Reavaliar PEEP e recrutabilidade.

3

Refratária — resgate

Centro especializado

ECMO venovenosa em centro de referência, segundo critérios do estudo EOLIA. Vasodilatador inalatório apenas como ponte. Contato precoce com o serviço de ECMO — transferir cedo é melhor que transferir tarde.

4

Suporte e prevenção

Paralelo

Nutrição, profilaxias, pacote de prevenção de pneumonia associada à ventilação, mobilização precoce quando possível, prevenção de delirium e planejamento do desmame e da reabilitação.

Antes de escalonar para ECMO, as diretrizes pedem que se esgote o que é menos invasivo: ventilação protetora bem feita, PEEP otimizada, bloqueio neuromuscular e prona adequada. Muitos pacientes "refratários" na verdade nunca foram pronados por 16 horas.

Onde as diretrizes divergem

As atualizações da American Thoracic Society, de 2024, e da European Society of Intensive Care Medicine, de 2023, concordam no essencial e divergem em três pontos que vale conhecer antes de discutir um caso.

Intervenção ATS 2024 ESICM 2023
Volume corrente baixoRecomendação forte a favor.Concordante — recomendação forte a favor.
Posição pronaRecomendação forte a favor na SDRA grave.Concordante — recomendação forte a favor.
Manobras de recrutamento prolongadasRecomendação forte contra.Concordante — recomendação forte contra.
PEEP mais altaSugere PEEP mais alta sem manobras de recrutamento na moderada a grave (condicional).Não emite recomendação, por resultados inconsistentes entre os estudos.
Bloqueio neuromuscularSugere uso na SDRA grave precoce (condicional a favor).Recomendação forte contra o uso rotineiro.
Corticoide sistêmicoSugere uso (condicional a favor), iniciado em até 14 dias.Não aborda o tema nesta diretriz.
ECMO venovenosaSugere em pacientes selecionados com SDRA grave (condicional).Recomendação forte a favor em centro especializado.
Ventilação oscilatória de alta frequênciaRecomendação forte contra.Concordante — não recomendada.
A divergência sobre o bloqueio neuromuscular vem da diferença entre os estudos ACURASYS, favorável, e ROSE, neutro — que usaram estratégias de sedação e de PEEP distintas. Na prática, a leitura mais aceita é reservá-lo para a SDRA grave precoce com assincronia ou drive elevado, e não usá-lo de rotina em todos.

Calculadora — escore de Murray e critérios de ECMO

4 componentes 0 a 4 pontos Referência para ECMO

O Lung Injury Score de Murray quantifica a gravidade da lesão pulmonar e é uma das referências históricas para indicação de ECMO. A pontuação final é a média dos quatro componentes.

Escore de Murray
3,25
Lesão pulmonar grave
Interpretação: 0 = sem lesão; 0,1 a 2,5 = lesão leve a moderada; acima de 2,5 = lesão grave. Escore ≥ 3,0 foi um dos critérios de inclusão do estudo CESAR para ECMO. O escore isolado não indica ECMO — a decisão depende dos critérios do estudo EOLIA, de reversibilidade, de contraindicações e da avaliação do centro de referência.
Condutas — como usar os cards

Cada card abre o detalhamento completo: indicação, evidência que sustenta, parâmetros e posologia quando aplicável, contraindicações e erros frequentes. Os cards seguem a ordem de escalonamento apresentada acima.

Base — para todos os pacientes com SDRA

Intervenções com melhor relação entre benefício e custo. Se algo aqui não está bem feito, nenhuma terapia de resgate compensa.

SDRA moderada a grave — relação P/F abaixo de 150

Aqui entram as intervenções com maior impacto individual sobre a mortalidade. A prona é a mais custo-efetiva de todas e a mais subutilizada.

SDRA refratária — terapias de resgate

Reservadas para quem não responde a tudo o que veio antes. Exigem centro com experiência e indicação criteriosa — e, no caso da ECMO, contato precoce.

Recuperação, desmame e reabilitação

A SDRA não termina na extubação. A sequela funcional e cognitiva de longo prazo é uma das principais marcas da síndrome e merece planejamento desde a fase aguda.

Situações com manejo próprio

Cenário Particularidade O que fazer diferente
Obesidade A parede torácica pesada eleva a pressão de platô sem que a pressão transpulmonar esteja alta. O platô superestima a lesão pulmonar. Volume corrente sempre pelo peso predito. Considere PEEP mais alta e, quando disponível, manometria esofágica para separar pulmão de parede. Cabeceira elevada.
Hipertensão intra-abdominal Mesmo problema mecânico da obesidade, com componente reversível. Reduz a complacência da parede e desloca o diafragma. Meça a pressão intravesical, trate a causa (distensão, ascite, íleo), evite conclusões pelo platô isolado e considere pressão transpulmonar.
Hipertensão intracraniana A hipercapnia permissiva é contraindicada, e PEEP alta pode reduzir o retorno venoso cerebral. Priorize normocapnia, use a menor PEEP eficaz, mantenha cabeceira elevada e discuta caso a caso o conflito entre proteção pulmonar e cerebral.
Cor pulmonale agudo Ocorre em parcela relevante da SDRA grave. PEEP alta, hipercapnia e hipoxemia aumentam a pós-carga do ventrículo direito. Ecocardiograma seriado, limitar driving pressure, evitar hipercapnia extrema, considerar prona (que costuma melhorar o ventrículo direito) e evitar sobrecarga volêmica.
Gestação Elevação diafragmática, menor capacidade residual funcional e alcalose respiratória fisiológica. Hipoxemia materna afeta o feto rapidamente. Alvos de oxigenação mais generosos (SpO₂ ≥ 95%), atenção ao pH (a hipercapnia permissiva é menos tolerada), decúbito lateral esquerdo e prona possível com equipe treinada e apoio obstétrico.
Imunossuprimido Espectro etiológico muito mais amplo, incluindo infecções oportunistas, toxicidade de fármacos e envolvimento da doença de base. Baixo limiar para lavado broncoalveolar e tomografia. Ajuste a cobertura antimicrobiana e reveja a lista de fármacos pneumotóxicos.
SDRA por COVID-19 Mecanicamente comporta-se como SDRA clássica na maioria dos casos, com alta incidência de trombose. Ventilação protetora habitual, corticoide conforme protocolo vigente, atenção redobrada a eventos tromboembólicos e prona também em não intubados quando indicado.
Trauma torácico com contusão Componente assimétrico, dor limitando a mecânica e risco elevado de barotrauma. Analgesia agressiva, incluindo bloqueio regional, drenar pneumotórax antes de subir PEEP e vigilância contínua para barotrauma.
Recursos limitados Sem gasometria, sem tomografia e, por vezes, sem ventilador disponível de imediato. A nova definição global foi construída para este cenário: use SpO₂/FiO₂ e ultrassom pulmonar, e aplique o que é factível — volume corrente baixo, prona e manejo hídrico conservador não dependem de tecnologia cara.

Erros comuns

  • Calcular o volume corrente pelo peso real em vez do peso predito.
  • Estimar a altura no olho em vez de medi-la, errando o peso predito e todo o resto.
  • Não reconhecer a síndrome — o subdiagnóstico é o erro mais frequente de todos.
  • Nunca medir pressão de platô nem driving pressure.
  • Medir platô em paciente com esforço inspiratório ativo e confiar no valor.
  • Esquecer de somar a auto-PEEP ao calcular a driving pressure.
  • Aumentar a PEEP olhando apenas a oxigenação, ignorando que a driving pressure subiu.
  • Fazer manobras de recrutamento prolongadas, que aumentaram a mortalidade no estudo ART.
  • Adiar a prona ou fazer sessões curtas de 4 a 6 horas em vez de 16 horas ou mais.
  • Considerar o paciente refratário sem nunca tê-lo pronado adequadamente.
  • Manter balanço hídrico positivo depois que o choque já foi resolvido.
  • Perseguir SpO₂ de 100% e manter FiO₂ alta desnecessariamente.
  • Tratar a hipercapnia permissiva com bicarbonato de rotina.
  • Iniciar corticoide muito tardiamente, já na fase fibrótica.
  • Não procurar e não tratar a causa da SDRA.
  • Acionar o centro de ECMO apenas quando o paciente já está em falência de múltiplos órgãos.
  • Esquecer as profilaxias, a nutrição e a prevenção de delirium enquanto se foca no ventilador.

Resumo do fluxo

  1. Reconheça: hipoxemia aguda com opacidades bilaterais em até 7 dias de um insulto, não explicada apenas por causa cardíaca. Calcule P/F ou S/F.
  2. Procure e trate a causa — pneumonia, sepse, aspiração, pancreatite, transfusão, fármaco.
  3. Meça a altura e calcule o peso predito. Anote no prontuário.
  4. VOLUME CORRENTE DE 4 A 8 mL/kg DE PESO PREDITO, PLATÔ ≤ 30 E DRIVING PRESSURE ≤ 15 cmH₂O.
  5. Titule a PEEP pela tabela correspondente à FiO₂ ou pela menor driving pressure; alvo de SpO₂ entre 88% e 95%.
  6. Otimize sedação e analgesia; corrija assincronia antes de aumentar volume corrente.
  7. Reavalie a relação P/F após a estabilização ventilatória e reclassifique a gravidade.
  8. P/F ABAIXO DE 150: PRONE POR 16 HORAS OU MAIS, INICIANDO PRECOCEMENTE.
  9. Considere bloqueio neuromuscular na fase precoce da SDRA grave e corticoide sistêmico dentro dos primeiros 14 dias.
  10. Após a estabilização hemodinâmica, adote estratégia hídrica conservadora.
  11. Persistindo refratariedade, acione precocemente o centro de ECMO e avalie os critérios do EOLIA.
  12. Em paralelo, mantenha nutrição, profilaxias, prevenção de delirium e mobilização possível; planeje desmame e reabilitação desde cedo.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

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Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Parâmetros ventilatórios, doses e metas devem ser sempre conferidos e individualizados, considerando o paciente, o equipamento disponível e o contexto assistencial.

Informações rápidas

Resumo do artigo e metas de bolso, reunidos em um só lugar.

O essencial

Diagnosticar

Início em até 7 dias de um insulto, opacidades bilaterais não explicadas apenas por derrame ou atelectasia, edema não explicado integralmente por causa cardíaca, e relação P/F ≤ 300 com PEEP de pelo menos 5. A nova definição global aceita SpO₂/FiO₂ ≤ 315 (com SpO₂ ≤ 97%), oxigênio nasal de alto fluxo com ao menos 30 L/min e ultrassom pulmonar como imagem.

Ventilar protegendo

Volume corrente de 4 a 8 mL/kg de peso predito (alvo 6), platô abaixo de 30 e driving pressure até 15 cmH₂O. O peso predito vem de altura e sexo — jamais da balança. SpO₂ alvo de 88% a 95% e hipercapnia permissiva aceitável com pH acima de 7,20.

Pronar cedo

Indicada com P/F abaixo de 150, em sessões de 16 horas ou mais, iniciadas nas primeiras 36 a 48 horas. É a intervenção com maior benefício de mortalidade depois da própria ventilação protetora — e a mais subutilizada na prática.

Saber o que não fazer

Manobras de recrutamento prolongadas aumentaram a mortalidade no estudo ART. Ventilação oscilatória de alta frequência e remoção extracorpórea isolada de CO₂ não são recomendadas. Balanço hídrico positivo após a resolução do choque piora o desfecho.

Números rápidos

Peso predito: homem 50 + 0,91 × (altura em cm − 152,4); mulher 45,5 + 0,91 × (altura em cm − 152,4).

Volume corrente: 4 a 8 mL/kg de peso predito, alvo inicial de 6.

Platô: abaixo de 30 cmH₂O. Driving pressure: até 15 cmH₂O.

Classificação: P/F de 201 a 300 leve, 101 a 200 moderada, até 100 grave.

Prona: P/F abaixo de 150, sessões de 16 horas ou mais.

SpO₂ alvo: 88% a 95%; PaO₂ de 55 a 80 mmHg.

pH: hipercapnia permissiva aceitável acima de 7,20.

Potência mecânica: alvo exploratório abaixo de 17 J/min.

Não esqueça

Peso predito, calculado por altura e sexo — nunca o peso real.

Meça platô e driving pressure com o paciente passivo.

Some a auto-PEEP ao calcular a driving pressure.

PEEP que melhora a oxigenação mas piora a driving pressure é hiperdistensão, não recrutamento.

Prona longa (16 h), e não sessões curtas de 4 a 6 horas.

Recrutamento prolongado causa dano — não faça.

SDRA é síndrome: sempre procure e trate a causa.

Em provas / residência

A banca cobra os quatro critérios de Berlim, a classificação pela relação P/F e o cálculo do volume corrente pelo peso predito.

Decore: 6 mL/kg de peso predito; platô abaixo de 30; driving pressure até 15; prona indicada com P/F menor que 150, por 16 horas ou mais.

Mais informações nas abas do artigo.

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