MedFoco

Emergência & UTI • Insuficiência Respiratória

Pneumotórax Hipertensivo

É a única emergência torácica em que esperar o raio-X pode matar o paciente. Uma válvula unidirecional deixa o ar entrar e não sair, a pressão pleural sobe, o mediastino desloca, as veias cavas dobram e o retorno venoso simplesmente acaba. O diagnóstico é clínico, o tratamento é imediato — e a agulha, sozinha, falha com muito mais frequência do que se ensina.

Diagnóstico clínico Toracostomia digital Cateter longo o bastante Dreno é o definitivo
Tempo de leitura: 20 min
Atualizado em: 14/08/2026

Reconhecer

  • Hipotensão com hipoxemia e murmúrio abolido de um lado
  • Turgência jugular e desvio de traqueia são tardios
  • Em ventilação mecânica, pico de pressão dispara
  • Não espere o raio-X para agir

Descomprimir

  • Intubado ou com equipe treinada: toracostomia digital
  • Agulha só se a digital não for possível agora
  • Cateter de 8 cm no adulto de porte médio ou maior
  • A agulha converte, mas não trata

Escolher o sítio

  • 4º ou 5º EIC na linha axilar anterior é o preferido do ATLS
  • 2º EIC na linha hemiclavicular segue válido e é mais rápido
  • À esquerda, cuidado com a distância até o pericárdio
  • Sempre na borda superior da costela inferior

Drenar

  • Dreno de tórax é o tratamento definitivo, sempre
  • Triângulo de segurança, 4º ou 5º EIC
  • Selo d'água, sem clampear no transporte
  • Radiografia de controle após o procedimento

O que é pneumotórax hipertensivo

Pneumotórax hipertensivo é o acúmulo progressivo de ar no espaço pleural sob pressão positiva, por um mecanismo de válvula unidirecional: o ar entra a cada inspiração e não consegue sair na expiração. A pressão intrapleural, normalmente negativa, torna-se positiva e crescente.

A consequência não é apenas respiratória. O pulmão colapsa e a hipoxemia se instala, mas o que mata rápido é o componente hemodinâmico: o mediastino desloca para o lado oposto, as veias cavas se angulam, o retorno venoso despenca e o débito cardíaco cai até a atividade elétrica sem pulso.

É um diagnóstico clínico. Em paciente instável, o tratamento precede a confirmação por imagem — mandar para a radiografia um paciente em pneumotórax hipertensivo é uma das formas mais previsíveis de perdê-lo no corredor.

A cascata fisiopatológica

Entender a sequência explica por que os sinais aparecem em ordem — e por que os mais famosos são justamente os mais tardios:

  • Entrada de ar sem saída — laceração pleural que funciona como válvula, por trauma, barotrauma ou ruptura de bolha.
  • Colapso pulmonar ipsilateral — perda de volume corrente efetivo, shunt intrapulmonar e hipoxemia progressiva.
  • Aumento da pressão intrapleural — a complacência do hemitórax se esgota e a pressão passa a ser transmitida ao mediastino.
  • Desvio mediastinal — compressão do pulmão contralateral e, principalmente, angulação das veias cavas.
  • Queda do retorno venoso — redução da pré-carga, com hipotensão que não responde a volume.
  • Colapso circulatório — atividade elétrica sem pulso, uma das causas reversíveis clássicas da parada.

Espontâneo x ventilação com pressão positiva

Essa distinção muda completamente a velocidade da apresentação e deve orientar o nível de vigilância:

  • Em ventilação espontânea — a pressão pleural sobe mais devagar. O paciente compensa por horas com taquipneia e taquicardia; a hipotensão é tardia e frequentemente pré-terminal.
  • Sob pressão positiva — cada ciclo do ventilador ou da bolsa-válvula-máscara bombeia ar para dentro da pleura. A deterioração é de minutos, e hipotensão precoce é a regra.
A regra que salva na UTI

Todo paciente intubado que dessatura e hipotende de forma súbita tem pneumotórax hipertensivo até prova em contrário. Desconecte do ventilador, ventile manualmente com cuidado e examine o tórax antes de qualquer outra coisa.

Por que ainda erramos

Apesar de ser uma das causas mais evitáveis de morte no trauma, o pneumotórax hipertensivo continua sendo diagnosticado tarde, tratado com material inadequado ou tratado sem que exista.

Morte evitável

Está entre as principais causas de óbito evitável no trauma torácico.

Cateter curto

Cateteres de 4,5 a 5 cm falham em parcela relevante dos adultos por não atingir a pleura.

Obesidade

A espessura da parede torácica cresce com o índice de massa corporal e é a principal causa de falha.

Efeito temporário

O cateter dobra, obstrui ou sai — a descompressão com agulha é ponte, nunca tratamento.

Digital é superior

A toracostomia digital confirma o acesso à pleura e não depende do comprimento da agulha.

Há também o problema oposto: séries de descompressões pré-hospitalares mostram que boa parte dos pacientes puncionados não tinha sinais vitais compatíveis com fisiologia hipertensiva. O procedimento não é inócuo e merece indicação criteriosa.

As quatro etapas do manejo

1

Reconhecer

Segundos

Instabilidade com hipoxemia e assimetria à ausculta, em contexto compatível. Ultrassom à beira do leito quando não atrasar. Não solicite radiografia em paciente instável.

2

Descomprimir

Imediato

Toracostomia digital quando o paciente está intubado ou será intubado e há equipe treinada; punção com agulha quando a digital não é possível naquele momento. Objetivo: converter em pneumotórax simples.

3

Drenar

Em seguida

Dreno de tórax no triângulo de segurança, conectado a selo d'água. É o tratamento definitivo e deve seguir toda descompressão, sem exceção.

4

Investigar e monitorar

Depois

Radiografia de controle, busca da causa, vigilância de escape aéreo persistente, de recidiva e de edema pulmonar de reexpansão. Avaliação da cirurgia torácica quando indicada.

A frase que resume tudo: a agulha converte, o dreno trata. Nenhuma descompressão de emergência dispensa a drenagem torácica subsequente.

De onde vem o pneumotórax hipertensivo

Qualquer pneumotórax pode tensionar, mas alguns contextos concentram quase todos os casos. Conhecer a lista é o que permite antecipar em vez de reagir.

Grupo Situações Observação prática
Trauma penetrante Ferimento por arma branca ou de fogo, empalamento, ferida torácica aspirativa ocluída de forma inadequada. Curativo de tórax totalmente vedado pode criar a válvula. Use curativo de três pontas ou valvulado.
Trauma contuso Fratura de arcos costais com laceração pleural, lesão traqueobrônquica, desaceleração, esmagamento torácico. Lesão traqueobrônquica cursa com escape aéreo maciço e pneumotórax que não resolve mesmo bem drenado.
Barotrauma na ventilação Volume corrente ou PEEP elevados, auto-PEEP na asma e na DPOC, ventilação com bolsa-válvula-máscara vigorosa, ventilação não invasiva. É a causa mais comum dentro da UTI. Deterioração súbita no ventilador é pneumotórax até prova em contrário.
Iatrogênico por procedimento Punção de veia subclávia ou jugular interna, biópsia pulmonar transtorácica, broncoscopia com biópsia transbrônquica, toracocentese, bloqueio de plexo, acupuntura. Paciente que piora logo após um procedimento cervicotorácico tem pneumotórax na primeira linha da lista.
Espontâneo secundário DPOC com bolhas, fibrose cística, pneumonia necrosante, tuberculose, pneumocistose, câncer de pulmão, linfangioleiomiomatose. Reserva funcional baixa: tensiona mais fácil e descompensa muito mais rápido que o primário.
Espontâneo primário Ruptura de bleb apical em jovem alto, magro e tabagista, sem doença pulmonar conhecida. Tensiona com menos frequência, mas quando ocorre em paciente jovem a compensação mascara a gravidade até muito tarde.
Ressuscitação cardiopulmonar Compressões torácicas, ventilação vigorosa e fratura de costelas durante a reanimação. Considerar em toda parada com atividade elétrica sem pulso que não responde às medidas iniciais.
Um pneumotórax simples pode tensionar a qualquer momento quando o paciente é intubado, transportado por via aérea ou colocado em ventilação não invasiva. Pneumotórax não drenado é contraindicação relativa a todas essas situações.

Quem tem risco de tensionar

Ventilação com pressão positiva

Invasiva ou não invasiva. Cada ciclo empurra ar para a pleura, e o mecanismo valvular se torna muito mais eficiente. É o principal fator de risco isolado.

Doença pulmonar estrutural

DPOC, fibrose cística, doenças císticas e infecções necrosantes. Menor reserva e maior chance de escape aéreo persistente após a drenagem.

Transporte aéreo

A queda da pressão atmosférica expande o volume do ar pleural. Pneumotórax não drenado deve ser drenado antes do voo.

Ferida torácica ocluída

Curativo hermético sobre ferida aspirativa transforma pneumotórax aberto em hipertensivo. Sempre deixe um lado livre.

Pós-procedimento recente

Acesso venoso central, biópsias e bloqueios. Vigilância nas primeiras horas, sobretudo se o paciente será ventilado.

Reanimação em curso

Atividade elétrica sem pulso refratária exige descartar pneumotórax hipertensivo bilateralmente.

Sinais clínicos e quando aparecem

A tríade dos livros — desvio de traqueia, turgência jugular e hipertimpanismo — é pouco sensível e muito tardia. Quem espera a tríade completa costuma tratar o paciente já em parada.

Sinal Momento Comentário
Dor torácica e dispneiaPrecoceInespecíficos, mas quase universais no paciente que ainda comunica.
Taquipneia e taquicardiaPrecocePrimeira resposta compensatória; presente muito antes da hipotensão.
HipoxemiaPrecoceQueda da saturação refratária ao aumento da fração inspirada de oxigênio.
Murmúrio vesicular reduzido ou abolidoPrecoce a intermediárioSinal mais útil na prática, embora difícil de avaliar em ambiente ruidoso.
Hipertimpanismo à percussãoIntermediárioBom sinal quando presente, mas raramente avaliável na sala de emergência.
Enfisema subcutâneoVariávelSugere fortemente lesão pleural; crepitação à palpação do tórax e do pescoço.
HipotensãoTardio na ventilação espontânea, precoce sob pressão positivaMarca a falência do retorno venoso. Não responde a volume.
Turgência jugularTardioAusente se houver hipovolemia associada — comum no politraumatizado.
Desvio de traqueiaMuito tardioSinal pré-terminal e de baixa sensibilidade. Sua ausência não afasta nada.
Atividade elétrica sem pulsoTerminalUma das causas reversíveis clássicas da parada cardiorrespiratória.
No politraumatizado hipovolêmico, a turgência jugular pode não existir mesmo com pneumotórax hipertensivo instalado. A combinação de hipotensão com murmúrio abolido de um lado já basta para agir.

No paciente ventilado — o sinal que chega primeiro

Sob ventilação mecânica, a mecânica ventilatória denuncia o pneumotórax antes de qualquer sinal de exame físico. Em modo controlado a volume, o achado típico é o aumento súbito da pressão de pico.

Pressão de pico e de platô

Ambas sobem no pneumotórax, porque o problema é de complacência. Se apenas o pico sobe e o platô se mantém, pense em resistência: rolha, broncoespasmo ou tubo dobrado.

Volume corrente em modo pressão

Em modo controlado a pressão, a pressão é fixa e o que cai é o volume corrente entregue.

Capnografia

Queda abrupta do dióxido de carbono expirado por redução do débito cardíaco, com onda que pode se tornar irregular.

Hemodinâmica

Hipotensão precoce, taquicardia e, em monitorização invasiva, variação respiratória exagerada da curva de pressão arterial.

Mnemônico DOPES para deterioração súbita no ventilador

Deslocamento do tubo, Obstrução do tubo, Pneumotórax, Equipamento com falha e Stacking de ar (auto-PEEP). A primeira manobra é desconectar do ventilador: se o paciente melhora ao desconectar, o problema é auto-PEEP; se não melhora, procure pneumotórax e obstrução.

Checklist de reconhecimento à beira do leito

8 achados Peso por relevância Decisão imediata

Marque os achados presentes. A ferramenta organiza o raciocínio e sinaliza quando a probabilidade é alta o bastante para descomprimir sem aguardar imagem. Não é um escore validado — é um apoio de estruturação clínica.

Pontuação de suspeita
0
Suspeita baixa
Investigue outras causas de instabilidade e mantenha a hipótese em vigilância
Ferramenta de apoio ao raciocínio, sem validação prospectiva. A combinação de hipotensão com murmúrio abolido unilateral em contexto compatível já autoriza a descompressão imediata, independentemente da pontuação total.

Ultrassom à beira do leito

O ultrassom pulmonar é mais sensível que a radiografia em decúbito para pneumotórax e leva segundos. Em paciente instável, ele não pode atrasar a descompressão — mas quando o quadro é duvidoso, resolve a dúvida rapidamente.

Achados que sustentam o diagnóstico

  • Ausência de deslizamento pleural — o sinal mais importante. Avalie na região anterior, com o paciente em decúbito dorsal.
  • Sinal do código de barras — no modo M, substitui o padrão de praia normal, indicando ausência de movimento pleural.
  • Ausência de linhas B — a presença de qualquer linha B naquele ponto praticamente afasta pneumotórax ali.
  • Ausência de pulso pulmonar — perda da transmissão da pulsação cardíaca à pleura.
  • Ponto pulmonar — transição entre pleura que desliza e pleura que não desliza. É específico, porém pode não existir no pneumotórax hipertensivo, justamente porque o colapso é total.

Armadilhas

  • Intubação seletiva em brônquio principal direito abole o deslizamento à esquerda e simula pneumotórax.
  • Apneia, parada cardiorrespiratória, síndrome do desconforto respiratório agudo grave, aderências pleurais, atelectasia e pneumonectomia prévia também abolem o deslizamento.
  • Enfisema subcutâneo extenso impede completamente a janela acústica.
  • Ultrassom normal não exclui pneumotórax hipertensivo se você examinou apenas um ponto.
  • Exame negativo em paciente instável não deve impedir a descompressão quando a clínica é convincente.

Imagem — quando e qual

Paciente instável

Nenhuma imagem. Descomprima primeiro. A radiografia entra depois, como controle do procedimento.

Radiografia de tórax

Mostra hipertransparência sem trama vascular, desvio contralateral do mediastino, rebaixamento da cúpula diafragmática e alargamento dos espaços intercostais do lado afetado.

Sinal do sulco profundo

No decúbito dorsal, o ar se acumula na região anteroinferior e aprofunda o seio costofrênico — achado clássico do paciente de terapia intensiva.

Tomografia

Padrão-ouro para pneumotórax oculto e para planejamento, mas apenas em paciente estável. Nunca no instável.

Se a radiografia já foi feita e mostra pneumotórax hipertensivo em paciente instável, isso significa apenas que o exame foi solicitado antes do que deveria. Descomprima agora e discuta o fluxo depois.

Diagnóstico diferencial da instabilidade

Condição O que diferencia Como resolver rápido
Tamponamento cardíacoTurgência jugular presente com murmúrio simétrico, bulhas abafadas, pulso paradoxal.Ultrassom cardíaco à beira do leito.
Hemotórax maciçoMurmúrio abolido com macicez à percussão e jugulares colabadas por hipovolemia.Ultrassom com líquido pleural; drenagem e reposição.
Intubação seletivaMurmúrio abolido à esquerda logo após a intubação; ausculte antes de puncionar.Conferir a marca do tubo e tracioná-lo 2 cm.
Obstrução do tuboPico elevado com platô normal; dificuldade de passar a sonda de aspiração.Aspirar, testar passagem de sonda e trocar o tubo se necessário.
Auto-PEEPAsma e DPOC; melhora ao desconectar do ventilador e comprimir o tórax.Desconectar, reduzir frequência e prolongar o tempo expiratório.
Tromboembolismo pulmonarHipoxemia com ausculta simétrica e sinais de sobrecarga de ventrículo direito.Ultrassom cardíaco e contexto clínico.
Enfisema bolhoso giganteHipertransparência crônica que simula pneumotórax na radiografia; sem instabilidade aguda.Comparar com exames prévios; tomografia antes de qualquer punção.
Hérnia diafragmáticaTrauma prévio, ruídos hidroaéreos no tórax, sonda gástrica desviada.Radiografia e tomografia; não drenar às cegas.
Puncionar um enfisema bolhoso gigante acreditando tratar-se de pneumotórax é um erro clássico e potencialmente grave. Em paciente estável com hipertransparência, sempre confira exames prévios e tomografia antes de intervir.

Qual técnica escolher

A escolha depende menos da preferência pessoal e mais de três perguntas objetivas: o paciente está ou será intubado, existe alguém treinado disponível agora, e qual material está ao alcance da mão.

Preferencial

Toracostomia digital (simples)

Incisão de 3 a 4 cm, dissecção romba com pinça, perfuração da pleura e confirmação com o dedo dentro do espaço pleural. Não depende do comprimento de agulha nenhuma e resolve simultaneamente o hemotórax.

É a escolha quando o paciente está intubado ou será intubado e há profissional treinado. Também é o passo inicial natural da drenagem definitiva.

Alternativa

Punção com agulha (toracocentese de alívio)

Cateter sobre agulha de grosso calibre inserido no espaço pleural. É mais rápida, exige menos treinamento e menos material — mas tem taxa de falha relevante por comprimento insuficiente, dobra ou obstrução do cateter.

É a escolha quando a toracostomia digital não é possível naquele momento: paciente em ventilação espontânea, ambiente pré-hospitalar, acesso restrito ao paciente ou ausência de equipe treinada.

Qualquer que seja a técnica, ela é temporária. Toda descompressão de emergência precisa ser seguida de drenagem torácica formal — e a toracostomia digital em paciente ventilado exige dreno logo em seguida, porque o orifício se fecha.

Onde puncionar — os dois sítios

As diretrizes internacionais divergem, e é importante saber disso em vez de decorar um único ponto. O ATLS, desde sua revisão de 2018, prefere o sítio lateral; o European Trauma Course e a escola britânica mantêm o sítio anterior.

ATLS

4º ou 5º espaço intercostal, linha axilar anterior

Parede torácica em geral mais fina no adulto de porte médio, com maior taxa de sucesso descrita em estudos com tomografia e em cadáveres. É o mesmo sítio da drenagem, o que facilita a sequência do atendimento.

Cuidado: à esquerda, a distância entre a pele e o pericárdio pode ser menor que o comprimento de um cateter de 8 cm — não introduza o cateter até o canhão sem necessidade.

ETC / clássico

2º espaço intercostal, linha hemiclavicular

Ponto anatômico mais fácil de encontrar e acessível sem mobilizar o braço do paciente, o que o torna prático no ambiente pré-hospitalar e no paciente preso em ferragens.

Vantagem em obesos: parte da literatura mostra que, no sobrepeso e na obesidade, a parede é mais fina aqui do que na axilar anterior — o oposto do que ocorre no paciente magro.

Em qualquer sítio, insira o cateter na borda superior da costela inferior. O feixe vasculonervoso intercostal corre no sulco da borda inferior da costela de cima — passar rente a ela é a maneira mais fácil de causar sangramento.

Calculadora — cateter, sítio e chance de sucesso

Espessura da parede Comprimento do cateter Margem de segurança

Informe a espessura da parede torácica — medida ao ultrassom quando houver tempo, ou estimada pelo biotipo — e o cateter disponível. A ferramenta calcula se ele alcança a pleura e qual a penetração residual dentro do tórax.

Penetração na pleura
15 mm
Margem de segurança
Adequada
Conduta sugerida
Punção viável
Valores de referência aproximados para estimativa de espessura: adulto magro cerca de 25 a 35 mm, eutrófico 35 a 45 mm, sobrepeso 45 a 55 mm e obeso acima de 55 mm, com valores maiores em mulheres no 2º espaço intercostal. São estimativas para orientar a escolha do material e não substituem a medida direta por ultrassom nem o julgamento clínico à beira do leito.

Técnica — punção com agulha

  1. Prepare o material antes — cateter sobre agulha do maior calibre e comprimento disponíveis (14G ou 16G), seringa, clorexidina alcoólica e luvas.
  2. Escolha e marque o sítio — 4º ou 5º espaço intercostal na linha axilar anterior, ou 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular. Confirme o lado pelo exame físico.
  3. Antissepsia rápida — sem sacrificar tempo em paciente pré-terminal, mas sem abandonar a técnica asséptica quando ela é possível.
  4. INSIRA PERPENDICULAR À PELE, RENTE À BORDA SUPERIOR DA COSTELA INFERIOR, para não lesar o feixe vasculonervoso intercostal.
  5. Avance aspirando — com a seringa acoplada; a saída súbita e sob pressão de ar confirma a entrada no espaço pleural.
  6. Avance o cateter e retire a agulha — deixe apenas o cateter plástico no espaço pleural, para reduzir o risco de lesão pulmonar e de dobra.
  7. Fixe com firmeza — o cateter sai ou dobra com facilidade durante a mobilização e o transporte.
  8. Reavalie imediatamente — melhora da pressão arterial, da saturação e da mecânica ventilatória. Ausência de melhora não significa necessariamente que o diagnóstico estava errado.
  9. PROVIDENCIE A DRENAGEM TORÁCICA. A punção é ponte, não tratamento, e o efeito pode durar poucos minutos.

Técnica — toracostomia digital

  1. Posicione o braço — abduzido e acima da cabeça, expondo a região axilar do lado afetado.
  2. Identifique o triângulo de segurança — delimitado pela borda lateral do peitoral maior, pela borda anterior do grande dorsal e por uma linha horizontal ao nível do mamilo, no 4º ou 5º espaço intercostal.
  3. Antissepsia e anestesia local — lidocaína com infiltração de pele, subcutâneo, músculo e, sobretudo, do periósteo e da pleura parietal, se o paciente não estiver profundamente sedado.
  4. Incisão de 3 a 4 cm — paralela ao trajeto da costela, atravessando pele e subcutâneo.
  5. DISSEQUE COM PINÇA HEMOSTÁTICA RENTE À BORDA SUPERIOR DA COSTELA INFERIOR, abrindo caminho até a pleura parietal.
  6. Perfure a pleura — com a ponta fechada da pinça, abrindo-a em seguida para ampliar o orifício. A saída de ar sob pressão confirma a descompressão.
  7. Introduza o dedo — confirme que está no espaço pleural, verifique a ausência de aderências e afaste a presença de vísceras abdominais herniadas.
  8. Mantenha o orifício pérvio — em paciente ventilado, o orifício tende a se fechar; passe o dreno em seguida ou reavalie periodicamente.
  9. Complete com o dreno — o trajeto já está pronto e a drenagem definitiva é o passo natural seguinte.
A grande vantagem da toracostomia digital é a confirmação tátil: você sabe que entrou na pleura. Com a agulha, você só descobre que falhou quando o paciente não melhora.

Quando a punção não funciona

Cateter curto demais

Causa mais comum de falha. Se a parede é mais espessa que o cateter, ele simplesmente não chega à pleura. Repita com cateter mais longo ou parta para a toracostomia digital.

Cateter dobrado ou obstruído

O plástico dobra sobre si mesmo ou obstrui com sangue e tecido. Ausculte, reavalie e não hesite em repetir o procedimento.

Lado errado

Ausculte novamente. Diante de dúvida real em paciente em parada, a descompressão bilateral é aceitável e frequentemente recomendada.

Diagnóstico errado

Reavalie tamponamento, hemotórax maciço, obstrução do tubo, auto-PEEP, embolia e choque hemorrágico. O ultrassom resolve a maioria dessas dúvidas em segundos.

Punção sem melhora não afasta pneumotórax hipertensivo. Antes de descartar o diagnóstico, garanta uma descompressão que você tenha certeza de ter funcionado — e isso, na prática, significa toracostomia digital ou dreno.

Drenagem torácica — o tratamento definitivo

O dreno de tórax é o que efetivamente trata o pneumotórax hipertensivo. Toda descompressão de emergência é uma ponte até ele, e nenhum paciente descomprimido pode ser considerado resolvido antes da drenagem.

  1. Posicione — decúbito dorsal com leve elevação do tronco, braço do lado afetado abduzido e acima da cabeça.
  2. Identifique o triângulo de segurança — 4º ou 5º espaço intercostal, entre a borda lateral do peitoral maior e a borda anterior do grande dorsal, ao nível do mamilo.
  3. Antissepsia ampla e campos estéreis — clorexidina alcoólica, com paramentação completa sempre que a situação permitir.
  4. Anestesia local generosa — lidocaína a 1% ou 2% em pele, subcutâneo, músculo intercostal, periósteo e pleura parietal, aspirando antes de cada injeção. Respeite a dose máxima por peso.
  5. Incisão de 2 a 3 cm — paralela ao trajeto da costela, no espaço intercostal escolhido.
  6. DISSECÇÃO ROMBA COM PINÇA RENTE À BORDA SUPERIOR DA COSTELA INFERIOR, até perfurar a pleura parietal. Nunca use trocarte pontiagudo às cegas.
  7. Explore com o dedo — confirme o espaço pleural, verifique aderências e afaste vísceras herniadas antes de introduzir o dreno.
  8. Introduza o dreno — direcionado para ápice e posterior no pneumotórax, com todos os orifícios laterais dentro do tórax.
  9. Conecte ao selo d'água — observe borbulhamento e oscilação da coluna líquida com a respiração, sinais de que o sistema está funcionante.
  10. Fixe e cubra — sutura de fixação, curativo oclusivo e marcação da posição do dreno para detectar tração.
  11. Radiografia de controle — confirma o posicionamento e a expansão pulmonar.

Calibre do dreno e sistema de drenagem

Situação Calibre sugerido Justificativa
Pneumotórax hipertensivo no trauma28 a 32 FrPermite drenar sangue associado; hemotórax coexistente é frequente e obstrui drenos finos.
Pneumotórax espontâneo, sem trauma8 a 14 FrDrenos finos são igualmente eficazes para ar puro e causam menos dor.
Pneumotórax em ventilação mecânica24 a 28 FrEscape aéreo pode ser volumoso e superar a capacidade de drenos finos.
Hemotórax ou hemopneumotórax28 a 32 FrSangue coagula e obstrui; calibre grosso é regra nesse cenário.
Suspeita de lesão traqueobrônquica32 Fr, considerar dois drenosEscape aéreo maciço com pulmão que não expande apesar da drenagem.

Selo d'água

  • Funciona como válvula unidirecional: o ar sai e não volta.
  • Mantenha o frasco sempre abaixo do nível do tórax do paciente.
  • Oscilação da coluna com a respiração indica sistema pérvio e conectado à pleura.
  • Borbulhamento contínuo indica escape aéreo ativo ou vazamento no sistema.
  • Ausência de oscilação sugere dreno obstruído, dobrado, mal posicionado ou pulmão já expandido.

Erros com o sistema

  • Clampear o dreno em paciente com escape aéreo — pode recriar pneumotórax hipertensivo. No transporte, o dreno vai aberto e o frasco abaixo do tórax.
  • Elevar o frasco acima do tórax, permitindo refluxo do líquido para a pleura.
  • Deixar o dreno ocluído por coágulo sem checar a permeabilidade.
  • Aspiração aplicada sem indicação, o que pode perpetuar escape aéreo.
  • Retirar o dreno sem clampeamento de teste ou sem radiografia de controle, quando o protocolo local os exige.

Calculadora — dose máxima de lidocaína

Dose por peso Volume por concentração

Anestesia insuficiente é uma das principais causas de procedimento malfeito. Calcule o volume disponível antes de começar e infiltre com generosidade, sobretudo o periósteo e a pleura parietal.

Dose máxima
210 mg
Volume máximo
10,5 mL
Frascos de 20 mL
0,5 frasco
Doses máximas de referência: 3 mg/kg sem vasoconstritor e 7 mg/kg com adrenalina, com teto habitual de 300 mg e 500 mg respectivamente no adulto. Reduza em hepatopatia, insuficiência cardíaca e nos extremos de idade. Aspire antes de cada injeção e vigie sinais de toxicidade sistêmica: gosto metálico, parestesia perioral, zumbido, convulsão e arritmia.

Complicações da drenagem

Lesão de estruturas

Pulmão, coração, grandes vasos, fígado, baço e diafragma. Prevenida pela dissecção romba, pela exploração digital antes da introdução e por nunca usar trocarte às cegas.

Sangramento intercostal

Lesão do feixe vasculonervoso por passagem rente à borda inferior da costela superior. Pode exigir revisão cirúrgica.

Edema pulmonar de reexpansão

Raro e potencialmente grave, mais frequente quando o colapso é prolongado e a reexpansão, rápida. Cursa com tosse, hipoxemia e infiltrado ipsilateral.

Infecção

Empiema e infecção do sítio, mais frequentes com técnica asséptica comprometida — situação comum na descompressão de emergência.

Mau posicionamento

Dreno subcutâneo, intrafissural, intraparenquimatoso ou com orifícios laterais fora do tórax. A radiografia de controle é obrigatória.

Escape aéreo persistente

Borbulhamento contínuo além de 3 a 5 dias sugere fístula broncopleural ou lesão traqueobrônquica; acione a cirurgia torácica.

Para reduzir o risco de edema de reexpansão em colapso prolongado, evite aspiração vigorosa imediata e permita reexpansão gradual sob selo d'água, monitorando a saturação durante o processo.

Depois do dreno

  • Radiografia de controle logo após o procedimento e conforme a evolução clínica.
  • Analgesia adequada — dreno de tórax dói e a dor limita a expansão pulmonar e a tosse. Analgesia multimodal e, quando disponível, bloqueio regional.
  • Registro do débito — volume, aspecto, presença de borbulhamento e oscilação a cada turno.
  • Fisioterapia respiratória e mobilização precoce, salvo contraindicação.
  • Antibiótico profilático — considerar no trauma penetrante conforme o protocolo institucional; não é rotina no pneumotórax espontâneo.
  • Critérios de retirada — pulmão expandido, ausência de escape aéreo por 24 horas e débito líquido dentro do limite institucional.
  • Retirada na expiração forçada ou ao final da inspiração, com curativo oclusivo imediato e radiografia de controle.
  • Orientação de alta — retorno imediato diante de dor torácica ou dispneia, e proibição de mergulho e de voo até liberação especializada.

Sequência completa do atendimento

O pneumotórax hipertensivo é um problema do B do atendimento inicial, mas se manifesta como problema do C. Por isso é tratado antes de qualquer investigação e em paralelo ao restante da abordagem.

  1. Reconheça — instabilidade com hipoxemia e assimetria à ausculta, em contexto compatível. Chame ajuda e anuncie a hipótese em voz alta.
  2. Oxigênio em alto fluxo — melhora a hipoxemia e acelera a reabsorção do ar pleural pelo gradiente de nitrogênio.
  3. DESCOMPRIMA IMEDIATAMENTE — toracostomia digital de preferência, punção com agulha quando ela não for possível agora. Não aguarde imagem.
  4. Suporte hemodinâmico em paralelo — volume e vasopressor enquanto a descompressão é preparada, sem que isso atrase o procedimento.
  5. Reavalie — pressão arterial, saturação, ausculta e mecânica ventilatória. Ausência de melhora exige repetir a descompressão ou revisar o diagnóstico.
  6. Drene — dreno de tórax no triângulo de segurança, conectado a selo d'água. É o tratamento definitivo.
  7. Radiografia de controle — posicionamento do dreno e expansão pulmonar.
  8. Investigue a causa — trauma, barotrauma, procedimento recente, doença pulmonar estrutural.
  9. Monitore — escape aéreo persistente, recidiva, edema de reexpansão e necessidade de avaliação da cirurgia torácica.
Se o paciente precisa ser intubado e há suspeita de pneumotórax, descomprima antes ou imediatamente após a intubação. A pressão positiva transforma um pneumotórax simples em hipertensivo em poucos ciclos ventilatórios.
Condutas — como usar os cards

Cada card abre o detalhamento completo: indicação, material, técnica passo a passo, posologia quando aplicável, e os erros mais frequentes. Os cards seguem a ordem em que as intervenções entram no atendimento.

Medidas imediatas e suporte

Correm em paralelo à descompressão, nunca no lugar dela. O objetivo é ganhar tempo hemodinâmico e respiratório enquanto o procedimento é preparado.

Descompressão de emergência

Objetivo único: converter o pneumotórax hipertensivo em pneumotórax simples e devolver o retorno venoso. É intervenção temporária, sempre seguida de drenagem.

Drenagem definitiva e manejo do sistema

O dreno é o tratamento. O manejo correto do sistema de selo d'água e dos cuidados subsequentes evita recidiva e complicações evitáveis.

Situações com manejo próprio

Cenários em que a técnica muda, o sítio muda ou existe uma armadilha específica que precisa ser conhecida antes de o caso acontecer.

Situações particulares

Cenário Particularidade O que fazer diferente
Paciente em ventilação mecânica Deterioração em minutos; pressão de pico e de platô sobem juntas. É a apresentação mais comum na terapia intensiva. Desconecte do ventilador, ventile manualmente com cuidado e aplique o DOPES. Descomprima com toracostomia digital e reduza volume corrente e PEEP após a drenagem.
Parada cardiorrespiratória Causa reversível clássica de atividade elétrica sem pulso, sobretudo no trauma. Descompressão bilateral sem hesitar, preferencialmente por toracostomia digital, durante a reanimação.
Gestante Elevação diafragmática desloca os pontos anatômicos para cima e a reserva respiratória é reduzida. Puncione e drene um a dois espaços acima do habitual. Decúbito lateral esquerdo e oxigenação agressiva.
Criança Parede torácica fina, mediastino muito móvel e descompensação rapidíssima, porém com boa resposta ao tratamento. Cateter de 18G a 20G no lactente e 14G a 16G na criança maior, com profundidade proporcional. Dreno de calibre adequado ao peso.
DPOC com bolhas Bolha gigante simula pneumotórax na radiografia e a punção pode ser catastrófica. Em paciente estável, tomografia antes de qualquer intervenção. Em paciente instável, o risco de não tratar supera o de puncionar.
Transporte aéreo A queda da pressão atmosférica expande o ar pleural e pode tensionar um pneumotórax até então estável. Drene antes do voo qualquer pneumotórax conhecido. Dreno aberto ao selo d'água, jamais clampeado.
Doença descompressiva e mergulho Barotrauma pulmonar por ascensão com glote fechada; pode coexistir com embolia gasosa arterial. Drenar antes de qualquer terapia hiperbárica. Avaliação de medicina hiperbárica e proibição definitiva de mergulho autônomo.
Pós-procedimento em tórax ou pescoço Acesso venoso central, biópsia, bloqueio de plexo e broncoscopia. Sintomas podem surgir horas depois. Radiografia de controle e vigilância, sobretudo se o paciente for ventilado ou transportado logo em seguida.
Lesão traqueobrônquica Escape aéreo maciço, pulmão que não expande apesar do dreno bem posicionado, enfisema subcutâneo extenso. Segundo dreno, broncoscopia diagnóstica e avaliação urgente da cirurgia torácica. Considerar intubação seletiva.
Pneumotórax bilateral Raro, catastrófico, típico de barotrauma grave e de reanimação prolongada. Descompressão dos dois lados e drenagem bilateral. Suspeite sempre que a resposta unilateral for parcial.

Erros comuns

  • Solicitar radiografia de tórax em paciente instável com suspeita clara.
  • Esperar a tríade completa de desvio de traqueia, turgência jugular e hipertimpanismo.
  • Descartar o diagnóstico porque não há turgência jugular em paciente hipovolêmico.
  • Usar cateter de 4,5 a 5 cm em adulto obeso e concluir que não havia pneumotórax.
  • Puncionar rente à borda inferior da costela superior, lesando o feixe intercostal.
  • Deixar a agulha metálica dentro do tórax em vez de avançar apenas o cateter plástico.
  • Considerar o caso resolvido após a punção e não providenciar o dreno.
  • Não fixar o cateter e perdê-lo durante a mobilização ou o transporte.
  • Ocluir hermeticamente uma ferida torácica aspirativa, criando o pneumotórax hipertensivo.
  • Clampear o dreno durante o transporte de paciente com escape aéreo ativo.
  • Elevar o frasco de selo d'água acima do nível do tórax.
  • Puncionar bolha gigante de enfisema em paciente estável, sem tomografia prévia.
  • Intubar paciente com pneumotórax não drenado e não antecipar a deterioração.
  • Não reavaliar o paciente após a descompressão para confirmar a resposta.
  • Introduzir o dreno com trocarte pontiagudo, sem dissecção romba e sem exploração digital.
  • Esquecer a analgesia — dreno mal anestesiado gera procedimento incompleto e mal posicionado.

Resumo do fluxo

  1. Suspeite: instabilidade com hipoxemia e murmúrio abolido de um lado, em contexto de trauma, ventilação com pressão positiva ou procedimento recente.
  2. Chame ajuda, ofereça oxigênio em alto fluxo e monitorize.
  3. DESCOMPRIMA IMEDIATAMENTE — toracostomia digital de preferência; punção com agulha se ela não for possível agora. Nunca aguarde imagem no instável.
  4. Escolha o sítio: 4º ou 5º espaço intercostal na linha axilar anterior, ou 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular, sempre na borda superior da costela inferior.
  5. Use cateter compatível com a espessura da parede torácica — 8 cm no adulto de porte médio ou maior.
  6. Reavalie: pressão, saturação, ausculta e mecânica ventilatória. Sem melhora, repita ou revise o diagnóstico.
  7. DRENE SEMPRE — dreno de tórax no triângulo de segurança com selo d'água. A agulha converte, o dreno trata.
  8. Radiografia de controle para posicionamento e expansão.
  9. Investigue a causa e ajuste o ventilador para estratégia protetora quando aplicável.
  10. Monitore escape aéreo persistente, recidiva e edema pulmonar de reexpansão; acione a cirurgia torácica quando indicado.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

  1. American College of Surgeons, Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Support (ATLS), edições 10ª e 11ª — capítulo de trauma torácico.
  2. Roberts DJ, Leigh-Smith S, Faris PD, et al. Clinical presentation of patients with tension pneumothorax: a systematic review. Ann Surg. 2015;261(6):1068-1078.
  3. Meta-análise sobre comprimento de agulha e sítio de descompressão no pneumotórax hipertensivo, com recomendações de consenso frente às diretrizes do ATLS e do European Trauma Course. World J Emerg Surg. 2025.
  4. Roberts ME, Rahman NM, Maskell NA, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Suppl 3):s1-s42.
  5. Asciak R, Bedawi EO, Bhatnagar R, et al. British Thoracic Society Clinical Statement on pleural procedures. Thorax. 2023;78(Suppl 3):s43-s68.
  6. Inaba K, Branco BC, Eckstein M, et al. Optimal positioning for emergent needle thoracostomy: a cadaver-based study. J Trauma. 2011;71(5):1099-1103.
  7. Laan DV, Vu TDN, Thiels CA, et al. Chest wall thickness and decompression failure: a systematic review and meta-analysis comparing anatomic locations in needle thoracostomy. Injury. 2016;47(4):797-804.
  8. Lichtenstein DA, Mezière GA. Relevance of lung ultrasound in the diagnosis of acute respiratory failure: the BLUE protocol. Chest. 2008;134(1):117-125.
  9. Volpicelli G, Elbarbary M, Blaivas M, et al. International evidence-based recommendations for point-of-care lung ultrasound. Intensive Care Med. 2012;38(4):577-591.
  10. StatPearls. Tension Pneumothorax, atualização de 2025. NCBI Bookshelf.
  11. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Major trauma: assessment and initial management, NG39, atualização de 2025.
  12. Merelman AH, Perlmutter MC, Strayer RJ. Alternatives to rapid sequence intubation and airway management in the critically ill e literatura correlata sobre toracostomia digital em emergência.
  13. Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Recomendações vigentes sobre drenagem pleural e manejo do pneumotórax.
  14. Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Protocolos vigentes de barotrauma e de emergências respiratórias em terapia intensiva.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Técnicas invasivas exigem treinamento formal e supervisão adequada; doses, calibres e medidas devem ser sempre conferidos antes da aplicação.

Informações rápidas

Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.

O essencial

Reconhecer

Hipotensão com hipoxemia e murmúrio vesicular abolido de um lado, em contexto de trauma, ventilação com pressão positiva ou procedimento recente. Turgência jugular e desvio de traqueia são tardios e podem faltar. No ventilador, o pico e o platô de pressão sobem juntos. Não espere o raio-X.

Descomprimir

Toracostomia digital é preferencial quando o paciente está intubado e há equipe treinada — ela confirma o acesso à pleura pelo tato. A punção com agulha entra quando a digital não é possível agora, com cateter de 8 cm no adulto de porte médio ou maior. A agulha converte o quadro, mas não trata.

Escolher o sítio

O ATLS prefere o 4º ou 5º espaço intercostal na linha axilar anterior; o European Trauma Course mantém o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular, que é mais rápido de localizar e pode ter parede mais fina no obeso. À esquerda, atenção à distância até o pericárdio. Sempre na borda superior da costela inferior.

Drenar

Dreno de tórax no triângulo de segurança, 4º ou 5º espaço intercostal, com dissecção romba e exploração digital antes de introduzir. Calibre de 28 a 32 Fr no trauma. Conecte ao selo d'água, mantenha o frasco abaixo do tórax e faça radiografia de controle.

Números rápidos

Diagnóstico: clínico. Em paciente instável, descomprima antes de qualquer imagem.

Sítio do ATLS: 4º ou 5º espaço intercostal, linha axilar anterior.

Sítio clássico: 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular.

Cateter: 14G, com 5 cm no adulto magro e 8 cm no de porte médio ou maior.

Dreno no trauma: 28 a 32 Fr; no pneumotórax espontâneo, 8 a 14 Fr.

Lidocaína: 3 mg/kg sem adrenalina e 7 mg/kg com adrenalina.

Triângulo de segurança: peitoral maior, grande dorsal e linha do mamilo.

Não esqueça

A agulha converte, o dreno trata — toda descompressão exige drenagem depois.

Puncione na borda superior da costela inferior, nunca rente à de cima.

Turgência jugular pode faltar no politraumatizado hipovolêmico.

Punção sem melhora não exclui o diagnóstico — pode ter sido cateter curto.

Curativo de ferida torácica aspirativa sempre com um lado livre.

No transporte, dreno aberto e frasco abaixo do nível do tórax.

Deterioração súbita no ventilador: desconecte e pense DOPES.

Em provas / residência

A banca cobra que o diagnóstico é clínico, que a radiografia não deve ser solicitada no paciente instável e que a descompressão precede a imagem.

Decore: sítio do ATLS é o 4º ou 5º espaço intercostal na linha axilar anterior; sempre na borda superior da costela inferior; o dreno de tórax é o tratamento definitivo.

Mais informações nas abas do artigo.

Rolar para cima