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Atlas de Oftalmologia

Ceratopatia em Faixa

Degeneração corneana caracterizada por depósitos de sais de cálcio nas camadas superficiais da córnea, formando uma opacidade horizontal na zona interpalpebral.

Córnea Deposição de cálcio Opacidade em faixa
Visão Geral
Características
Diagnóstico
Galeria
Tratamento
Referências
Ceratopatia em faixa com opacidade calcificada na córnea

Visão Geral

A ceratopatia em faixa, também chamada ceratopatia em banda calcificada, é uma degeneração corneana causada pela deposição de sais de cálcio, principalmente na membrana de Bowman e no estroma anterior.

Os depósitos costumam formar uma faixa horizontal branco-acinzentada na área interpalpebral, iniciando-se junto ao limbo nasal e temporal e avançando em direção ao centro da córnea.

A condição é frequentemente associada à inflamação ocular crônica, sobretudo uveíte, mas também pode ocorrer em olhos com doença avançada, após exposição prolongada a alguns colírios ou em distúrbios sistêmicos com hipercalcemia ou hiperfosfatemia.

Lesões periféricas podem ser assintomáticas. Quando a faixa alcança o eixo visual ou torna a superfície corneana irregular, pode causar redução da visão, sensação de corpo estranho, fotofobia, lacrimejamento e dor.

Principais achados
  1. Opacidade horizontal branco-acinzentada na zona interpalpebral
  2. Depósitos de cálcio na membrana de Bowman e no estroma anterior
  3. Progressão do limbo nasal e temporal em direção ao centro
  4. Pequenos orifícios claros entre os depósitos, conhecidos como “Swiss cheese”
  5. Separação entre a faixa calcificada e o limbo por uma zona corneana transparente
  6. Redução visual ou desconforto quando há comprometimento central e irregularidade epitelial
Estrutura em destaque
Camadas superficiais da córnea acometidas na ceratopatia em faixa

Os depósitos calcificados localizam-se principalmente no epitélio basal, na membrana de Bowman e no estroma anterior, alterando a transparência e a regularidade da superfície corneana.

Camadas superficiais da córnea acometidas na ceratopatia em faixa
Características Clínicas

A ceratopatia em faixa apresenta depósito progressivo de cálcio na córnea exposta pela fenda palpebral, geralmente com padrão bilateral quando associada a alterações metabólicas e unilateral ou assimétrica quando relacionada a doença ocular local.

A intensidade dos sintomas depende da extensão da calcificação, do envolvimento do eixo visual e da integridade do epitélio corneano.

Opacidade horizontal

Forma-se uma faixa branco-acinzentada na região interpalpebral da córnea, tipicamente orientada no sentido horizontal.

Progressão periférica

Os depósitos geralmente começam junto ao limbo nasal e temporal e progridem lentamente em direção ao centro.

Padrão “Swiss cheese”

Pequenos espaços claros correspondentes à passagem de nervos corneanos podem permanecer visíveis entre as áreas calcificadas.

Redução da visão

O comprometimento do eixo visual pode causar visão borrada, perda de contraste e piora da acuidade visual.

Irritação e dor

Depósitos elevados podem romper ou tornar irregular o epitélio, provocando sensação de corpo estranho, fotofobia, lacrimejamento e dor.

Inflamação ocular associada

Uveíte crônica, artrite idiopática juvenil e outras doenças inflamatórias oculares são associações clínicas importantes.

Alterações metabólicas

Hipercalcemia ou hiperfosfatemia por hiperparatireoidismo, doença renal e outras condições podem favorecer deposição bilateral.

Fatores locais e iatrogênicos

Olhos cronicamente inflamados ou com baixa visão e uso prolongado de preparações contendo fosfato podem desenvolver calcificação corneana.

Diagnóstico da Ceratopatia em Faixa

O diagnóstico é predominantemente clínico e realizado por exame oftalmológico com lâmpada de fenda, que demonstra a localização superficial e o padrão característico dos depósitos.

A investigação etiológica deve considerar o histórico ocular e medicamentoso. Exames laboratoriais são especialmente importantes quando não existe uma causa ocular evidente, quando a apresentação é bilateral ou quando há suspeita de alteração sistêmica.

Biomicroscopia

A lâmpada de fenda identifica a faixa calcificada superficial, sua extensão, os orifícios claros e o comprometimento do eixo visual.

Acuidade visual e refração

Avaliam o impacto funcional da opacidade e da irregularidade corneana, principalmente quando os depósitos atingem a região central.

História clínica dirigida

Pesquisa uveíte, trauma, cirurgias, doença ocular crônica, uso prolongado de colírios e condições sistêmicas associadas.

Cálcio e fósforo séricos

Auxiliam na identificação de hipercalcemia ou hiperfosfatemia, sobretudo nos casos sem causa ocular definida ou com acometimento bilateral.

Função renal e PTH

Creatinina, função renal e paratormônio podem ser solicitados conforme o contexto para investigar doença renal e hiperparatireoidismo.

OCT de segmento anterior

Em casos selecionados, demonstra a profundidade e a densidade dos depósitos, auxiliando no planejamento do tratamento superficial.

Diagnóstico diferencial

A ceratopatia em faixa deve ser diferenciada de degeneração esferoidal, distrofia de Schnyder, cicatrizes corneanas, degeneração nodular de Salzmann e outras causas de opacidade ou depósito corneano superficial.

O padrão horizontal interpalpebral, a localização superficial dos depósitos e a presença de pequenos espaços claros favorecem o diagnóstico de ceratopatia em faixa.

Galeria Oftalmológica

Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas da ceratopatia em faixa, destacando o padrão horizontal dos depósitos calcificados na córnea.

Tratamento da Ceratopatia em Faixa

O tratamento depende dos sintomas, do potencial visual do olho, da extensão dos depósitos e da causa associada. Casos periféricos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados.

Quando há dor, irritação, comprometimento visual ou indicação estética relevante, o objetivo é remover o cálcio, restaurar uma superfície corneana mais regular e controlar a doença ocular ou sistêmica de base.

Lubrificação ocular

Lágrimas artificiais e medidas de proteção da superfície ocular podem aliviar sintomas leves, mas não removem os depósitos de cálcio.

Controle da causa de base

Uveíte, alterações metabólicas, doença renal e fatores medicamentosos devem ser tratados ou corrigidos para reduzir progressão e recorrência.

Quelação com EDTA

Após remoção do epitélio, o EDTA liga-se ao cálcio e facilita sua retirada. É uma das técnicas mais utilizadas nos casos sintomáticos.

Ceratoplastia superficial

O desbridamento ou a ceratectomia superficial pode remover placas calcificadas, frequentemente em associação à quelação com EDTA.

Ceratectomia fototerapêutica

A PTK com excimer laser pode tratar depósitos mais extensos ou residuais e regularizar a superfície em casos selecionados.

Seguimento e recorrência

O acompanhamento é necessário porque a calcificação pode recidivar, especialmente quando a inflamação ou a alteração metabólica permanece ativa.

Prognóstico Visual

O alívio do desconforto costuma ser significativo após a remoção dos depósitos. A melhora visual depende do envolvimento do eixo óptico, da profundidade da calcificação e da presença de outras doenças oculares.

Olhos com baixa visão por uveíte crônica, glaucoma, doença retiniana ou outras alterações podem apresentar melhora sintomática sem ganho visual expressivo. A recorrência é possível, mas nem sempre exige novo procedimento.

Referências Bibliográficas

As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre ceratopatia em faixa calcificada.

Diretrizes, Atlas e Estudos
  1. AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. Calcific Band Keratopathy. EyeWiki. Atualizado em 2026.
  2. AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. What causes calcification on the cornea? Eye Health, 2019.
  3. COLUMBIA UNIVERSITY IRVING MEDICAL CENTER. Band Keratopathy. Digital Reference of Ophthalmology.
  4. AL-HITY, A. et al. EDTA chelation for symptomatic band keratopathy: results and recurrence. Eye, 2018; 32:26–31.
  5. NAJJAR, D. M. et al. EDTA chelation for calcific band keratopathy. American Journal of Ophthalmology, 2004; 137(6):1056–1064.
  6. SHAH, R. P. et al. Modified transepithelial phototherapeutic keratectomy for band keratopathy. Journal of Clinical Medicine, 2024; 13(19):5717.
Fontes das Imagens

As imagens utilizadas neste atlas oftalmológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações anatômicas didáticas.

Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação dos depósitos calcificados e das camadas superficiais da córnea.

Observação

Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação oftalmológica especializada, investigação clínica individualizada, livros-texto completos ou orientação acadêmica.

Informações Rápidas
Doença
Ceratopatia em faixa
Tipo
Degeneração corneana por deposição de cálcio
Estrutura afetada
Camadas superficiais da córnea
Associação mais comum
Inflamação ocular crônica, principalmente uveíte
Sintomas comuns
Baixa visual, irritação, fotofobia, lacrimejamento e dor
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