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Documentos médicos

Relatório de Alta Hospitalar

Guia prático para organizar o resumo ou sumário de alta, reunindo motivo da internação, evolução clínica, procedimentos, resultados relevantes e orientações necessárias para a continuidade do cuidado após a saída do hospital.

Continuidade do cuidado Sumário de alta Registro clínico

Visão Geral

O relatório de alta hospitalar, também chamado de resumo ou sumário de alta, é o documento clínico que sintetiza as informações mais relevantes da internação e organiza o plano de continuidade do cuidado após a saída do paciente do hospital.

A alta hospitalar é um ato médico. O médico responsável deve definir a alta e elaborar o resumo clínico correspondente. Os demais profissionais da equipe participam do processo assistencial realizando seus próprios registros e orientações de acordo com suas competências, contribuindo para uma transição segura do cuidado.

Um bom relatório não deve ser apenas uma lista de diagnósticos e exames. Ele deve permitir que outro profissional compreenda por que o paciente foi internado, o que aconteceu durante a internação, qual é sua condição no momento da alta e quais cuidados devem ser mantidos ou realizados depois dela.

Resume a internação Favorece transição do cuidado Organiza o plano pós-alta

Por que internou?

Registre o motivo da admissão, o contexto clínico e os principais problemas que motivaram a internação.

O que foi descoberto?

Apresente os diagnósticos estabelecidos ou suspeitos e os resultados que realmente modificaram a condução do caso.

O que foi feito?

Resuma tratamentos, procedimentos, intervenções e intercorrências relevantes ocorridas durante a hospitalização.

O que fazer agora?

Deixe claras as medicações, cuidados, retornos, exames pendentes e sinais que exigem nova avaliação.

Objetivo prático

O relatório deve funcionar como uma ponte entre a internação e o seguimento ambulatorial ou domiciliar, reduzindo perda de informações e facilitando a continuidade assistencial.

Informações que devem constar no relatório

A estrutura pode variar conforme o perfil e as normas da instituição, mas o relatório deve conter informações suficientes para identificar o paciente, compreender a internação e executar corretamente o plano após a alta.

Identificação da instituição Nome do hospital ou serviço responsável pelo atendimento.
Identificação do paciente Nome, CPF quando houver, data de nascimento e número do prontuário.
Setor responsável pela alta Informe a unidade de saída; outros setores podem ser citados quando relevantes.
Datas de internação e alta Delimitam o período da hospitalização e ajudam a contextualizar a evolução.
Motivo da admissão Queixa, condição ou evento que levou à necessidade de internação.
Diagnósticos Registre os diagnósticos de alta e diferencie hipóteses ainda não confirmadas.
Comorbidades relevantes Inclua doenças associadas que interferem no cuidado ou no seguimento.
Procedimentos e terapêuticas Liste intervenções relevantes, cirurgias, tratamentos e mudanças importantes da terapia.
Exames relevantes Resuma resultados que tenham impacto no diagnóstico, prognóstico ou seguimento.
Condição clínica na alta Descreva de forma objetiva o estado atual e pontos relevantes do exame físico.
Medicações após a alta Nome, dose, via, frequência, duração e mudanças em relação ao uso prévio quando pertinente.
Orientações não farmacológicas Dieta, atividade, curativos, dispositivos, restrições e outros cuidados necessários.
Seguimento ambulatorial Informe onde o paciente deve retornar e, sempre que possível, o prazo recomendado.
Pendências Exames ainda aguardados, procedimentos programados e decisões que dependerão do seguimento.
Sinais de alerta Registre situações em que o paciente deve procurar reavaliação ou atendimento de urgência.
Identificação do médico Nome, CRM/UF, data de emissão, assinatura e demais elementos exigidos para documentos médicos.
Evite copiar todo o prontuário

O relatório deve ser sintético e clinicamente útil. Resultados de exames podem ser resumidos, priorizando aqueles que modificaram diagnóstico, tratamento ou seguimento.

Deixe as pendências explícitas

Exames ainda sem resultado, culturas, anatomopatológicos, retornos programados e procedimentos futuros precisam ficar claramente identificados.

Modelo de estrutura para Relatório de Alta Hospitalar
Relatório de Alta Hospitalar
Instituição / setor:
Paciente / CPF / prontuário / data de nascimento:
Data da internação / data da alta:
Motivo da admissão:
Diagnósticos de alta e comorbidades relevantes:
Resumo da evolução durante a internação:
Procedimentos e tratamentos realizados:
Resultados de exames relevantes:
Condição clínica no momento da alta:
Medicações de alta:
Orientações e cuidados após a alta:
Retornos, encaminhamentos, exames pendentes e sinais de alerta:

Nome do(a) médico(a)
CRM/UF

Adaptação institucional: a apresentação do relatório pode variar conforme as normas do hospital e o perfil assistencial da unidade. O modelo deve ser ajustado para que permaneça objetivo, legível e suficiente para a continuidade do cuidado.
Como organizar o conteúdo

Uma forma prática de evitar relatórios desorganizados é construir uma narrativa clínica curta: situação inicial, contexto relevante, avaliação do que ocorreu durante a internação e recomendações para o período pós-alta.

A metodologia SBAR pode ser utilizada como referência para estruturar essa comunicação. Ela não substitui os campos obrigatórios do documento, mas ajuda a transformar informações dispersas em uma sequência lógica.

Situação

Explique o que aconteceu, por que o paciente foi internado e se houve algum fator que prolongou ou modificou a internação.

Background

Resuma antecedentes relevantes, comorbidades, eventos prévios e informações que ajudam a compreender o caso.

Avaliação

Sintetize evolução, resposta ao tratamento, condição atual, exame físico e resultados complementares pertinentes.

Recomendações

Defina medicações, cuidados, retornos, exames, procedimentos futuros, restrições e orientações para continuidade do tratamento.

O que melhora o relatório
  • Explicar a relação entre motivo da internação, investigação e diagnóstico final.
  • Registrar intercorrências que alteraram a evolução esperada.
  • Interpretar os exames relevantes em vez de apenas transcrever resultados.
  • Destacar mudanças de medicações realizadas durante a internação.
  • Informar exatamente o que deve ocorrer depois da alta e em qual prazo.
  • Diferenciar condutas concluídas de pendências que ainda precisam de acompanhamento.
O que evitar
  • Texto excessivamente longo sem hierarquia clínica.
  • Copiar evoluções diárias integralmente para o documento de alta.
  • Listar exames sem indicar quais achados foram relevantes para o caso.
  • Prescrições incompletas, sem dose, frequência ou duração quando necessárias.
  • Expressões vagas como “retornar se necessário” quando existe seguimento definido.
  • Omitir resultados pendentes ou responsabilidades de acompanhamento pós-alta.
Pense na transição do cuidado

Quem receber esse paciente depois deve conseguir entender o episódio hospitalar e saber quais ações precisam ser mantidas, iniciadas ou revisadas.

Responsabilidade profissional

A decisão de alta e o resumo clínico médico são de responsabilidade do médico. Outros profissionais devem registrar, dentro de suas competências, as orientações e intervenções realizadas no processo de alta.

Referências Bibliográficas

Normas e documentos utilizados como base para a organização do resumo ou sumário de alta hospitalar e para os requisitos gerais aplicáveis aos documentos médicos.

Normas e documentos de referência
  1. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.381, de 20 de junho de 2024. Normatiza a emissão de documentos médicos e define o resumo ou sumário de alta como relatório clínico elaborado por médico quando o paciente está pronto para receber alta. Brasília: CFM, 2024.
  2. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.056, de 20 de setembro de 2013, e atualizações. Estabelece critérios mínimos para funcionamento dos serviços médicos e dispõe sobre responsabilidades na admissão, continuidade terapêutica e alta de pacientes. Brasília: CFM, 2013.
  3. CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DA BAHIA. Parecer CREMEB nº 40/09. Relatório ou Informativo de Alta Hospitalar. Salvador: CREMEB, 2009.
  4. BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Brasília, DF, 2018.
Padronização institucional

A forma de apresentação do relatório deve considerar as características do serviço, o perfil dos pacientes e a padronização definida pela instituição, sem comprometer a clareza das informações clínicas necessárias para continuidade do cuidado.

Finalidade educacional

Este conteúdo tem finalidade educacional e deve ser adaptado às normas institucionais, à legislação vigente, às regras do CFM/CRM e às particularidades clínicas de cada paciente.

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