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Choque Hemorrágico

Choque hipovolêmico por perda sanguínea aguda. A hemorragia é a principal causa evitável de morte no trauma: controlar o sangramento, repor de forma hemostática e proteger o paciente da tríade letal (acidose, hipotermia e coagulopatia) definem o prognóstico.

Controle do sangramento Reposição hemostática Transfusão 1:1:1 Tranexâmico < 3 h
Tempo de leitura: 10 min
Atualizado em: 13/07/2026

Pare o sangramento

  • "X" do XABCDE vem antes da via aérea
  • Compressão direta; torniquete se ineficaz
  • Hemostático tópico quando indicado
  • Foco interno: cinta pélvica, dreno, cirurgia, embolização

Classifique

  • Classes I a IV (ATLS) por perda estimada
  • Classe III: cristaloide + sangue
  • Classe IV: transfusão imediata
  • Shock Index ≥ 1,0 = choque significativo

Reponha certo

  • Cristaloide aquecido: 250–500 mL, evitar > 1,5 L
  • Hipotensão permissiva: PAS ≈ 90 mmHg
  • Ácido tranexâmico nas primeiras 3 h
  • Transfusão balanceada 1:1:1

Tríade letal

  • Acidose, hipotermia e coagulopatia
  • Aquecer paciente, fluidos e hemocomponentes
  • Repor cálcio e corrigir a coagulopatia
  • Hb inicial não reflete a perda aguda

O que é

O choque hemorrágico é a forma mais comum de choque hipovolêmico: perda sanguínea aguda e significativa, com queda da oferta de oxigênio aos tecidos (DO₂) por dois mecanismos somados — redução do débito cardíaco (queda da pré-carga) e queda do conteúdo arterial de O₂ (queda da hemoglobina).

É a principal causa evitável de morte no trauma. O tratamento não é "encher de soro": é parar o sangramento e repor de forma hemostática e balanceada.

Volemia ≈ 70 mL/kg (cerca de 7% do peso corporal) — um adulto de 70 kg tem aproximadamente 5 litros de sangue circulante.

Fisiopatologia

A perda volêmica reduz o retorno venoso e o débito cardíaco. A resposta compensatória (taquicardia, vasoconstrição, taquipneia) mascara a gravidade nas fases iniciais, sobretudo em jovens — a hipotensão costuma ser manifestação tardia.

A hipoperfusão gera metabolismo anaeróbio, acidose lática e disfunção endotelial. Instala-se a coagulopatia induzida pelo trauma, agravada pela hipotermia, pela acidose, pela hemodiluição por cristaloides e pelo consumo de fatores.

Consequências clínicas diretas

  • ↓ Pré-carga → taquicardia, pressão de pulso estreita, hipotensão tardia.
  • ↓ Hemoglobina → queda adicional do transporte de oxigênio.
  • Vasoconstrição → extremidades frias, oligúria, moteamento.
  • Hipoperfusão → lactato elevado, acidose metabólica, disfunção orgânica.
  • Coagulopatia precoce → mais sangramento, em ciclo vicioso.
Damage control resuscitation

Três pilares: hemostasia precoce (cirúrgica ou endovascular), hipotensão permissiva até o controle do foco e reposição hemostática balanceada, com cristaloide mínimo.

Reconhecimento

Taquicardia e taquipneia

Resposta compensatória precoce — muitas vezes o primeiro sinal, antes da queda da PA.

Hipotensão

PAS < 90 mmHg e pressão de pulso estreita (< 20 mmHg). Sinal tardio: já indica perda ≥ 30%.

Má perfusão

Extremidades frias e pálidas, enchimento capilar > 3 segundos, moteamento (mottling).

Alteração da consciência

Ansiedade e agitação evoluindo para confusão e letargia conforme a perda aumenta.

Oligúria

Débito urinário reduzido — marcador sensível de hipoperfusão renal.

Sangramento

Externo visível ou interno oculto: tórax, abdome, retroperitônio, pelve e ossos longos.

Idosos, betabloqueados, atletas, gestantes e crianças podem não taquicardizar ou manter a PA até o colapso. Não se deixe tranquilizar por sinais vitais "normais".

Onde procurar o sangue

Diante de choque no trauma, o sangue "esconde-se" em poucos lugares. Procure sistematicamente — e lembre que hemorragias não traumáticas (HDA, ruptura de aneurisma, gravidez ectópica, hemorragia pós-parto) seguem a mesma lógica.

Externo

Ferimentos visíveis, amputações, escalpo, hemorragia obstétrica.

Tórax

Hemotórax — radiografia e ultrassom à beira-leito.

Abdome

Hemoperitônio — FAST positivo.

Pelve e retroperitônio

Fratura de pelve — indicar cinta pélvica precocemente.

Ossos longos

Fêmur pode acumular de 1 a 2 litros por coxa.

"Assoalho" e cena

Sangramento no local do acidente, muitas vezes subestimado.

Classes de hemorragia (ATLS)

Estimativa baseada em parâmetros clínicos para um adulto de ~70 kg. Serve para orientar a conduta inicial, e não para substituir a reavaliação contínua.

Parâmetro Classe I Classe II Classe III Classe IV
Perda (mL)Até 750750–1.5001.500–2.000> 2.000
Perda (%)Até 15%15–30%30–40%> 40%
FC (bpm)< 100> 100> 120> 140
Pressão arterialNormalNormalDiminuídaDiminuída
Pressão de pulsoNormalDiminuídaDiminuídaDiminuída
FR (irpm)14–2020–3030–40> 35
Diurese (mL/h)> 3020–305–15Desprezível
ConsciênciaAnsiedadeAgitaçãoConfusãoLetargia
CondutaObservaçãoCristaloideCristaloide + sangueTransfusão imediata
Classe III: o cristaloide isolado não basta — indique hemotransfusão. Classe IV: risco de morte em minutos, transfusão sempre indicada e hemostasia imediata.

Shock Index (FC ÷ PAS)

Índice simples e sensível para detectar choque oculto — especialmente útil quando a PA ainda está "normal". Valores de referência no adulto: 0,5 a 0,7.

Informe FC e PAS para calcular
SI ≥ 1,0 sugere choque significativo e apoia a ativação do protocolo de transfusão maciça. Ferramenta de apoio: a decisão é sempre clínica.

Escore ABC — quando ativar a transfusão maciça

Escore de triagem simples: 1 ponto para cada item presente. Pontuação ≥ 2 sugere necessidade de protocolo de transfusão maciça.

Critério Pontuação
Trauma penetrante1 ponto
FAST positivo1 ponto
PAS ≤ 90 mmHg na chegada1 ponto
FC ≥ 120 bpm na chegada1 ponto
Interpretação≥ 2 pontos → ativar PTM

Atendimento — XABCDE

O "X" vem antes da via aérea: hemorragia exsanguinante é controlada primeiro. De nada adianta uma via aérea perfeita em um paciente que sangrou até a morte.
  • XHemorragia exsanguinante: compressão direta; torniquete se a compressão for ineficaz; agente hemostático tópico em ferimentos de junção.
  • AVia aérea com proteção da coluna cervical.
  • BVentilação e oxigenação — avaliar pneumotórax hipertensivo e hemotórax maciço.
  • CCirculação: dois acessos calibrosos, reposição hemostática e identificação do foco (FAST, RX de tórax e pelve).
  • DAvaliação neurológica — Glasgow e pupilas.
  • EExposição completa com prevenção ativa da hipotermia (aquecer o paciente e o ambiente).

Controle do sangramento

Sangramento externo

Compressão manual direta e firme sobre o foco. O torniquete entra quando a compressão não controla o sangramento de extremidade — registre o horário de colocação, pelo risco isquêmico. Em ferimentos de junção (axila, virilha, pescoço), use agente hemostático com compressão.

Sangramento interno

Identifique o foco (RX de tórax e pelve, FAST, TC se estável) e trate: cinta/estabilizador pélvico, toracostomia com drenagem, laparotomia de controle de danos, embolização por radiologia intervencionista ou fixação de ossos longos.

Paciente instável não vai para a tomografia: vai para o centro cirúrgico ou para a hemodinâmica.

Sequência prática

  1. Controlar a hemorragia visível (compressão, torniquete, hemostático).
  2. Dois acessos venosos periféricos calibrosos (14–16G). Se impossível, acesso intraósseo ou venoso central.
  3. Coletar tipagem sanguínea, prova cruzada, hemograma, coagulograma, gasometria, lactato e cálcio iônico.
  4. Cristaloide aquecido em volume restrito (250–500 mL) enquanto o sangue não chega.
  5. Ácido tranexâmico o mais precocemente possível — dentro das primeiras 3 horas do trauma.
  6. Acionar o banco de sangue e ativar o protocolo de transfusão maciça se SI ≥ 1,0 ou escore ABC ≥ 2.
  7. Manter hipotensão permissiva (PAS ≈ 90 mmHg) até o controle definitivo do foco — exceto no TCE e no trauma raquimedular.
  8. Prevenir a hipotermia: aquecer o paciente, os fluidos e os hemocomponentes.
  9. Reavaliar continuamente: perfusão, lactato, coagulação, cálcio e resposta à reposição.

Reposição volêmica inicial

Hipotensão permissiva: alvo de PAS ≈ 90 mmHg (PAM 60–65) até o controle definitivo do sangramento — exceto no TCE e no trauma raquimedular, em que se mantém PA mais alta para preservar a perfusão do SNC.
Cristaloide
250–500 mL
Aquecido, até o sangue estar disponível. Pediátrico: 10–20 mL/kg
Evitar volume total > 1,5 L
Hemocomponentes
1 : 1 : 1
Hemácias : plasma : plaquetas, de forma balanceada
Base da reposição no choque grave
Cristaloide em excesso piora o desfecho: dilui fatores de coagulação, agrava a hipotermia e a acidose e desloca coágulos já formados. Sangue não se repõe com soro.

Calculadora de infusões

Informe o peso para obter a velocidade em mL/h nas diluições padronizadas. Fórmula usada: mL/h = (dose [mcg/kg/min] × peso [kg] × 60) ÷ concentração [mcg/mL].

kg
Droga e diluição Dose Velocidade
Vasopressor e inotrópico são adjuvantes temporários — só após reposição adequada, e nunca em substituição a volume e sangue. Vasopressina é dose fixa (U/min). Confirme a apresentação disponível antes de preparar.

Antifibrinolítico e reposição de base

O ácido tranexâmico reduz mortalidade por sangramento quando administrado nas primeiras 3 horas do trauma (CRASH-2) — e o benefício é maior quanto mais precoce. O cálcio é frequentemente esquecido, mas a hipocalcemia induzida pelo citrato agrava a coagulopatia e a hipotensão.

Vasopressor e inotrópico — adjuvantes

Uso temporário, apenas quando a hipotensão persiste apesar de reposição adequada, ou como ponte enquanto o sangue não chega. Vasopressor no paciente hipovolêmico não corrigido mascara o choque e piora a perfusão tecidual.

Sedação e analgesia (se IOT / ventilação mecânica)

Escolha e titule com cuidado: quase todos os sedativos causam vasodilatação e queda do débito no paciente hipovolêmico. Prefira doses reduzidas e reponha volume antes da indução sempre que possível.

Protocolo de transfusão maciça (PTM)

Reposição balanceada 1:1:1 (hemácias : plasma : plaquetas). Transfundir apenas hemácias gera coagulopatia dilucional e piora o sangramento.

Definição: mais de 10 concentrados de hemácias em 24 horas, ou mais de 3–4 concentrados por hora.

Quando ativar

  • Instabilidade hemodinâmica persistente apesar da reposição inicial.
  • Sangramento ativo com necessidade de cirurgia ou embolização.
  • Escore ABC ≥ 2 pontos.
  • Shock Index ≥ 1,0.

Hemocomponentes por peso

Informe o peso para calcular a dose dos hemocomponentes dependentes de peso.

kg
Hemocomponente Dose Para este peso
Ferramenta de apoio. As indicações e os alvos transfusionais devem seguir o protocolo do seu serviço e a avaliação clínica do sangramento.

Hemocomponentes

Cada card traz apresentação, dose, volume, efeito esperado, indicação e alvo terapêutico. Em emergência extrema, use sangue O negativo (ou O positivo em homens e mulheres fora da idade fértil, conforme protocolo institucional) até a tipagem ficar pronta.

Alvos de correção da coagulopatia

Parâmetro Alvo Conduta
Hemoglobina> 7 g/dL (7–9 g/dL no sangramento ativo)Concentrado de hemácias, guiado pela clínica
INR< 1,5–1,8PFC 10–15 mL/kg ou complexo protrombínico + vitamina K 10 mg
Plaquetas> 50.000/mm³ (TCE: > 100.000)1 U randômica / 10 kg ou 1 unidade de aférese
Fibrinogênio> 150 mg/dL (hemorragia obstétrica: > 200)Crioprecipitado 1 U / 10 kg ou concentrado de fibrinogênio
Cálcio iônico> 1,1 mmol/L (ref. ~1,17–1,3)Gluconato ou cloreto de cálcio (reposição durante a transfusão)
Temperatura> 35 °CAquecer paciente, fluidos e hemocomponentes
Quando disponível, a tromboelastometria (ROTEM/TEG) permite guiar a reposição de forma individualizada, reduzindo transfusão desnecessária.

Reversão de anticoagulantes

Varfarina

Complexo protrombínico (preferencial) ou PFC, sempre associados a vitamina K 10 mg EV.

Dabigatrana

Idarucizumabe (antídoto específico). Alternativas: complexo protrombínico e, em casos selecionados, hemodiálise.

Rivaroxabana, apixabana e edoxabana

Andexanet alfa (quando disponível) ou complexo protrombínico.

Heparina não fracionada e enoxaparina

Protamina — HNF: 1 mg para cada 100 U infundidas na última hora (reavaliar TTPa). Enoxaparina: 1 mg de protamina por mg de enoxaparina; metade da dose se a última aplicação foi há mais de 8 horas.

Pergunte sempre pelo uso de anticoagulantes e antiagregantes: no idoso, essa informação muda completamente a conduta.

Laboratório

Hemoglobina e hematócrito não avaliam a perda aguda: podem permanecer normais até que ocorra reposição volêmica e redistribuição de líquidos. Nunca use a Hb inicial para decidir contra a transfusão.
Hemoglobina seriada

Útil na evolução, não na primeira hora. Colete de forma seriada e interprete junto com a clínica.

Coagulograma

INR, TTPa, plaquetas e fibrinogênio (< 150 mg/dL indica reposição). Tromboelastometria, quando disponível, guia melhor a terapia.

Cálcio iônico

Hipocalcemia é frequente após transfusão (quelação pelo citrato) e agrava coagulopatia e hipotensão.

Gasometria e lactato

Acidose metabólica (pH < 7,35; bicarbonato < 22), lactato (referência < 2 mmol/L), excesso de base e SvcO₂. O clareamento do lactato guia a resposta.

Tipagem e prova cruzada

Colher antes da transfusão sempre que possível — sem atrasar o sangue de emergência.

Beta-hCG

Em toda mulher em idade fértil com choque sem trauma aparente: pense em gravidez ectópica rota.

Imagem

Radiografias

Tórax e pelve na sala de emergência; ossos longos conforme o mecanismo.

FAST / E-FAST

Ultrassom à beira-leito para líquido livre, pericárdio e pneumotórax. Rápido e repetível.

TC / angio-TC

Padrão no trauma de alta energia — apenas no paciente estável ou transitoriamente responsivo.

Endoscopia / arteriografia

Nas hemorragias não traumáticas: HDA e sangramentos passíveis de embolização.

Tríade letal

Acidose, hipotermia e coagulopatia se retroalimentam e formam um ciclo que mata. Prevenir é muito mais eficaz do que tratar.

Acidose

A hipoperfusão gera acidose lática, que reduz a atividade dos fatores de coagulação. Corrige-se restaurando a perfusão, não infundindo bicarbonato.

Hipotermia

Compromete a função plaquetária e a cascata de coagulação. Aqueça o paciente, o ambiente, os fluidos e os hemocomponentes; alvo > 35 °C.

Coagulopatia

Precoce no trauma e agravada pela diluição. Trate com reposição balanceada 1:1:1, antifibrinolítico precoce e reposição de cálcio.

Hipocalcemia (o "4º pilar")

Cada vez mais reconhecida como parte do problema: o citrato dos hemocomponentes quela o cálcio, essencial para a coagulação e para a contratilidade.

Erros fatais

  • Atrasar o controle do foco de sangramento — nenhuma droga substitui a hemostasia.
  • Reanimação agressiva com cristaloide (mais de 1,5 L).
  • Usar a Hb/hematócrito inicial para decidir contra a transfusão na fase aguda.
  • Substituir volume e sangue por vasopressor.
  • Esquecer o ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas do trauma.
  • Transfundir apenas hemácias, gerando coagulopatia dilucional.
  • Não prevenir a hipotermia e não repor cálcio durante a transfusão maciça.
  • Levar paciente instável para a tomografia.

Cuidados gerais

  • Dieta zero enquanto houver perspectiva cirúrgica ou instabilidade.
  • Cateter vesical de demora, com alvo de diurese de 0,5–1 mL/kg/h (adulto).
  • Glicemia capilar seriada e controle conforme protocolo institucional.
  • Curva térmica e prevenção ativa da hipotermia em todas as etapas.
  • Coleta seriada: hemoglobina, plaquetas, INR, fibrinogênio, cálcio iônico, gasometria e lactato.
  • Analgesia adequada — dor aumenta o consumo de oxigênio e a resposta ao estresse.
  • Profilaxia de TEV assim que o sangramento estiver controlado.

Checklist de plantão

  • "X" controlado: compressão, torniquete ou hemostático aplicados.
  • Dois acessos calibrosos e cristaloide aquecido em volume restrito (≤ 1,5 L).
  • Ácido tranexâmico iniciado dentro das 3 primeiras horas.
  • Banco de sangue acionado e protocolo de transfusão maciça ativado quando indicado.
  • FAST e radiografias realizadas; cirurgia e/ou hemodinâmica acionadas.
  • Normotermia mantida e cálcio reposto.
  • Coagulação e lactato reavaliados de forma seriada.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos da sua instituição, as normas do serviço de hemoterapia nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, diluições e velocidades de infusão devem ser sempre conferidas antes da administração.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

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  3. Holcomb JB, Tilley BC, Baraniuk S, et al. Transfusion of plasma, platelets, and red blood cells in a 1:1:1 vs a 1:1:2 ratio and mortality in patients with severe trauma (PROPPR). JAMA. 2015;313(5):471-482.
  4. Rossaint R, Afshari A, Bouillon B, et al. The European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma: sixth edition. Crit Care. 2023;27(1):80.
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  6. Nunez TC, Voskresensky IV, Dossett LA, et al. Early prediction of massive transfusion in trauma: simple as ABC? J Trauma. 2009;66(2):346-352.
  7. Cannon JW. Hemorrhagic shock. N Engl J Med. 2018;378(4):370-379.
  8. Ministério da Saúde (Brasil). Guia para uso de hemocomponentes. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde.

Dose rápida

Ácido tranexâmico (< 3 h)

1 g (20 mL) em 100 mL SF, em 10 min → 600 mL/h. Depois 1 g em 8 h → 12,5 mL/h.

Cristaloide aquecido

250–500 mL; evitar volume total > 1,5 L.

Transfusão maciça

1 : 1 : 1 — hemácias : plasma : plaquetas (SI ≥ 1,0 ou ABC ≥ 2).

Hipotensão permissiva

PAS ≈ 90 mmHg — exceto TCE e trauma medular.

Em provas / residência

Choque hemorrágico → taquicardia e pressão de pulso estreita antes da hipotensão. Hipotensão já é classe III (perda > 30%).

Decore: tranexâmico até 3 h (CRASH-2); 1:1:1 (PROPPR); cristaloide restrito; hipotensão permissiva, exceto TCE.

Mais informações nas abas do artigo.

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