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Hantavirose

Zoonose viral aguda causada por orthohantavírus e adquirida, em geral, pela inalação de aerossóis contaminados por excretas de roedores silvestres. No Brasil, a apresentação humana de maior relevância é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), em que reconhecimento precoce, confirmação por IgM e suporte intensivo com manejo volêmico cuidadoso são decisivos.

Orthohantavirus Roedores silvestres Aerossóis SCPH Notificação imediata
18–22 min de leitura Atualizado em agosto de 2026

Quando suspeitar

Febre, mialgia, cefaleia e sintomas gastrointestinais após exposição a roedores ou ambientes contaminados nos últimos 60 dias, sobretudo se surgirem tosse seca, dispneia ou hipotensão.

Diagnóstico

O ELISA-IgM é o principal método confirmatório. Trombocitopenia, hemoconcentração, leucocitose com desvio à esquerda e infiltrado pulmonar bilateral reforçam a suspeita.

Tratamento / Conduta

Não há antiviral específico aprovado para SCPH. Casos suspeitos com comprometimento cardiopulmonar exigem UTI precoce, suporte respiratório e hemodinâmico e fluidos cuidadosamente titulados.

Prevenção

Evite contato com roedores e poeira contaminada. Ventile locais fechados, umedeça/desinfete excretas antes da limpeza e nunca varra ou aspire resíduos secos.

O que é hantavirose

A hantavirose é uma zoonose viral aguda causada por vírus da família Hantaviridae. Nas Américas, os quadros mais característicos são pulmonares e cardiovasculares. No Brasil, a doença humana sob vigilância se apresenta principalmente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), podendo variar de síndrome febril inicial a insuficiência respiratória aguda, edema pulmonar não cardiogênico e choque.

Os reservatórios naturais são principalmente roedores silvestres persistentemente infectados, que eliminam o vírus pela urina, fezes e saliva sem necessariamente adoecer. A infecção humana costuma ocorrer de forma acidental, quando partículas contaminadas se tornam aerossóis e são inaladas.

Em síndrome febril aguda sem causa definida, pergunte ativamente sobre limpeza de locais fechados, presença de roedores, trabalho rural, armazenamento de grãos, contato com excretas e exposição ambiental nos 60 dias anteriores.

O agente

Os hantavírus de importância humana pertencem à família Hantaviridae, subfamília Mammantavirinae, gênero Orthohantavirus. São vírus envelopados com genoma de RNA de fita simples, sentido negativo, segmentado em três partes. O envelope apresenta glicoproteínas de superfície que participam da entrada viral nas células.

Diferentes orthohantavírus estão associados a reservatórios e regiões geográficas distintas. Nas Américas, a forma cardiopulmonar está associada a vírus do chamado grupo do Novo Mundo. Sin Nombre é uma referência histórica importante na América do Norte, mas não deve ser descrito como o agente predominante do Brasil.

Ponto virológico:

o nome “hantavírus” é usado de forma ampla na prática clínica. Para o artigo, a taxonomia atual é apresentada como Hantaviridae → Mammantavirinae → Orthohantavirus, evitando a classificação antiga em Bunyaviridae.

Hantavírus — toque/clique para ampliar.

Fisiopatologia e evolução da infecção

Após a exposição, o vírus alcança o hospedeiro principalmente pela via respiratória. Na SCPH, a lesão clínica não decorre simplesmente de destruição viral maciça do endotélio: a resposta imune e a disfunção da barreira endotelial aumentam a permeabilidade capilar, especialmente no pulmão.

  1. Exposição: partículas de urina, fezes ou saliva de roedores infectados contaminam poeira e superfícies e podem formar aerossóis.
  2. Infecção e disseminação: após entrada por mucosa, o vírus se replica e alcança células endoteliais e outros compartimentos sem produzir, por si só, extensa citólise como mecanismo principal.
  3. Resposta inflamatória: ativação imune e mediadores inflamatórios alteram a integridade da barreira vascular.
  4. Extravasamento capilar: ocorre passagem de líquido para o interstício e alvéolos, com edema pulmonar não cardiogênico, hipoxemia e hemoconcentração.
  5. Comprometimento cardiovascular: redução do débito cardíaco e choque podem acompanhar a fase grave; a fisiologia hemodinâmica pode diferir do choque séptico clássico.
O mecanismo de extravasamento capilar explica por que reposição volêmica liberal pode piorar rapidamente o edema pulmonar e deve ser evitada.
Fisiopatologia e ciclo da hantavirose — toque/clique para ampliar.

Variantes associadas à SCPH no Brasil

A vigilância brasileira descreve variantes virais associadas a casos humanos de SCPH e outras detectadas apenas em roedores. Essa distinção é importante para não atribuir patogenicidade humana a todo hantavírus identificado em reservatórios.

SituaçãoVariantesPonto prático
Associadas a casos humanosAraraquara, Juquitiba/Araucária, Castelo dos Sonhos, Anajatuba, Laguna Negra, Paranoá e Rio Mamoré.Relacionadas à SCPH em diferentes regiões brasileiras.
Detectadas em roedoresRio Mearim, Jaborá e Seoul.A presença em reservatórios não equivale, por si só, a comprovação de doença humana no Brasil.

Incubação e evolução

O período de incubação costuma ser de aproximadamente 1 a 5 semanas, com faixa descrita de 3 a 60 dias. A evolução clínica clássica da SCPH pode ser organizada em fases prodrômica, cardiopulmonar, diurética e convalescente.

1–5 semanas

Período de incubação mais frequente.

1–6 dias

Pródromo típico; excepcionalmente pode durar até 15 dias.

4–5 dias

Fase cardiopulmonar descrita no guia brasileiro.

≈5 dias

Fase diurética em sobreviventes, com reabsorção do edema.

2 semanas–2 meses

Faixa descrita para a convalescença clínica.

Como ocorre a transmissão

A principal via de transmissão para humanos é a inalação de aerossóis formados a partir de urina, fezes e saliva de roedores infectados. Situações que revolvem poeira ou resíduos secos aumentam a possibilidade de aerossolização.

Inalação

É a via mais frequente. Limpeza, varrição ou movimentação de materiais contaminados pode suspender partículas no ar.

Mucosa ou pele lesionada

Mãos contaminadas podem levar material à conjuntiva, boca, nariz ou pele não íntegra.

Mordedura

É uma via possível, porém menos frequente que a inalação de aerossóis contaminados.

Transmissão pessoa a pessoa não é uma característica geral dos hantavírus. Ela foi documentada de forma esporádica com o vírus Andes, especialmente na Argentina e no Chile.

Situações de maior risco

Trabalho rural e agrícola

Contato com depósitos, paióis, grãos, silos, matas e áreas com circulação de roedores silvestres.

Limpeza de ambientes fechados

Galpões, casas abandonadas, depósitos e outros locais com fezes, urina, ninhos ou carcaças de roedores.

Atividades ambientais

Acampamentos, manejo de fauna, pesquisa de campo e trabalho em áreas com alterações ambientais e presença de reservatórios.

Exposição doméstica/peridomiciliar

Infestação de roedores, alimentos acessíveis, entulho e frestas que favorecem a entrada e permanência desses animais.

Triagem educativa da exposição

Esta ferramenta organiza a história epidemiológica a partir de situações reconhecidas de exposição. Não é um escore validado de risco e não substitui a definição de caso, a avaliação clínica nem a vigilância epidemiológica.

Exposição nos últimos 60 dias

Selecione o contexto e o mecanismo mais compatíveis com o relato.

Selecione o contexto e o mecanismo de exposição.

Epidemiologia e Saúde Única

A ocorrência de casos depende da distribuição dos reservatórios, da circulação viral e da interação entre pessoas, roedores e ambiente. Mudanças no uso do solo, expansão agrícola, disponibilidade de alimento e alterações populacionais de roedores podem modificar o risco de contato humano.

Saúde Única:

a prevenção efetiva combina vigilância de casos humanos, conhecimento dos reservatórios, manejo ambiental, controle de acesso de roedores às edificações e educação sobre limpeza segura.

Apresentação clínica

O início costuma ser inespecífico. Febre, cefaleia, mialgia, dor lombar ou abdominal, astenia intensa, náuseas, vômitos e diarreia podem preceder o comprometimento cardiopulmonar. O aparecimento de tosse seca, dispneia, taquipneia, hipoxemia ou hipotensão deve elevar imediatamente o grau de preocupação.

Pródromo

Febre, cefaleia, mialgia, astenia e sintomas gastrointestinais, geralmente por poucos dias.

Cardiopulmonar

Tosse seca, dispneia, taquipneia, hipoxemia, edema pulmonar não cardiogênico e instabilidade hemodinâmica.

Choque

Casos graves podem evoluir com baixo débito cardíaco, hipotensão e colapso cardiovascular.

A deterioração da fase cardiopulmonar pode ser muito rápida. Dispneia progressiva, hipoxemia, hipotensão, necessidade crescente de oxigênio ou sinais de choque exigem manejo em ambiente de terapia intensiva.

Fases clínicas clássicas da SCPH

1

Fase prodrômica

1–6 dias, raramente até 15

Febre, mialgia, cefaleia, lombalgia ou dor abdominal, astenia e sintomas gastrointestinais. Tosse seca pode anunciar progressão.

2

Fase cardiopulmonar

≈4–5 dias

Hipoxemia, taquicardia, taquipneia, infiltrado pulmonar bilateral, edema não cardiogênico e possível choque. É a fase de maior risco.

3

Fase diurética

≈5 dias

Nos sobreviventes, ocorre reabsorção do líquido extravascular com diurese e melhora progressiva da oxigenação e da hemodinâmica.

4

Convalescença

2 semanas–2 meses

Recuperação clínica progressiva, com necessidade de reavaliação conforme gravidade, função orgânica e tolerância ao esforço.

Achados laboratoriais e radiológicos

DomínioAchados que podem ocorrerComo usar na prática
HemogramaLeucocitose, neutrofilia e desvio à esquerda; linfopenia relativa com linfócitos atípicos; trombocitopenia; hemoconcentração.Trombocitopenia + hemoconcentração em contexto epidemiológico compatível aumentam a suspeita.
BioquímicaElevação de AST/ALT/LDH, hipoalbuminemia/hipoproteinemia e alterações renais variáveis.Ajuda a avaliar gravidade, disfunção orgânica e manejo de suporte.
GasometriaHipoxemia e, nos casos graves, acidose metabólica e alterações relacionadas ao choque.Orienta suporte respiratório e avaliação de perfusão.
Radiografia de tóraxInfiltrado intersticial bilateral com progressão para padrão alveolar; derrame pleural pode ocorrer.Padrão é compatível com edema pulmonar não cardiogênico, mas não é específico.

Complicações e gravidade

  • Insuficiência respiratória hipoxêmica e síndrome do desconforto respiratório agudo.
  • Edema pulmonar não cardiogênico por extravasamento capilar.
  • Choque e depressão miocárdica, com baixo débito cardíaco em casos graves.
  • Alterações da coagulação e trombocitopenia importantes.
  • Disfunção renal, geralmente leve a moderada na SCPH brasileira, embora síndromes renais sejam proeminentes em outros hantavírus e regiões do mundo.

Diagnósticos diferenciais

Infecções febris/hemorrágicas

Leptospirose, dengue, febre amarela, riquetsioses e outras zoonoses conforme epidemiologia.

Infecções respiratórias

Influenza, COVID-19, pneumonias bacterianas/atípicas, Legionella e outras causas de pneumonia grave.

Sepse e choque

Sepse de outros focos pode apresentar febre, hipotensão, lactato elevado e disfunção orgânica.

Não infecciosos

Edema pulmonar cardiogênico, SARA de outras etiologias e doença pulmonar intersticial inflamatória.

O diagnóstico começa pela combinação correta

O diagnóstico deve integrar síndrome clínica + exposição epidemiológica + confirmação laboratorial. Na SCPH, a deterioração pode anteceder o resultado do exame específico; portanto, estabilização, suporte e transferência para serviço adequado não devem aguardar confirmação.

  1. Reconheça a síndrome: febre e mialgia/cefaleia, com ou sem sintomas gastrointestinais, seguidas de sinais respiratórios ou hemodinâmicos.
  2. Busque exposição: roedores, excretas, limpeza de ambientes fechados ou atividade rural/ambiental nos 60 dias anteriores.
  3. Procure o padrão laboratorial: trombocitopenia, hemoconcentração e leucocitose com desvio à esquerda, além de hipoxemia e infiltrado pulmonar quando presentes.
  4. Confirme: ELISA-IgM é o principal método; imuno-histoquímica e RT-PCR têm papéis específicos.

Exames específicos

ExameUtilidadePonto de interpretação
ELISA-IgMPrincipal método utilizado para confirmação laboratorial.Aproximadamente 95% dos pacientes podem apresentar IgM detectável já no início dos sintomas.
IgGAuxilia estudos epidemiológicos e documentação de resposta imune.Isoladamente, não define doença aguda recente.
Imuno-histoquímicaDetecta antígeno viral em tecidos.É especialmente útil em investigação post-mortem.
RT-PCRDetecta RNA viral e permite caracterização/genotipagem em contextos selecionados.Método complementar; não substitui automaticamente o fluxo sorológico de rotina.

Exames para avaliação de gravidade

Além do teste específico, a investigação deve avaliar comprometimento respiratório, cardiovascular, hematológico e renal. A seleção depende do quadro e da disponibilidade local.

Hematologia

Hemograma, plaquetas e coagulograma ajudam a identificar hemoconcentração, trombocitopenia e alterações de coagulação.

Respiratório

Oximetria, gasometria e imagem de tórax orientam gravidade e suporte ventilatório.

Perfusão/órgãos

Função renal e hepática, eletrólitos, lactato e balanço hídrico devem ser considerados conforme instabilidade.

Definição de caso suspeito — raciocínio prático

Na vigilância brasileira, a suspeita considera síndrome febril e/ou insuficiência respiratória aguda de causa não definida associada a exposição epidemiológica compatível. A história dos 60 dias anteriores é particularmente importante.

Não espere o exame para agir:

paciente com quadro clínico compatível, exposição relevante e sinais cardiopulmonares deve ser manejado como potencial SCPH enquanto a investigação laboratorial é processada.

Princípios do tratamento

Tratamento de suporte intensivo, precoce e guiado pela fisiologia.

Não existe antiviral específico aprovado com benefício estabelecido para a SCPH. A prioridade é reconhecer rapidamente a progressão, oferecer suporte respiratório e cardiovascular e evitar intervenções que agravem o extravasamento capilar.

Evite reposição volêmica liberal ou bolus padronizado de grande volume. Na SCPH, excesso de fluidos pode agravar edema pulmonar e hipoxemia.

Nível de cuidado e estabilização

  • Suspeita de fase cardiopulmonar deve motivar internação precoce em UTI ou transferência para unidade com capacidade de suporte intensivo.
  • Monitorar continuamente oxigenação, frequência respiratória, pressão arterial, perfusão, diurese e evolução hemodinâmica conforme gravidade.
  • Oferecer oxigênio e escalonar suporte ventilatório conforme insuficiência respiratória; ventilação mecânica invasiva pode ser necessária.
  • Usar fluidos intravenosos de forma cautelosa e titulada, com reavaliação frequente de perfusão e congestão.
  • Vasoativos e/ou inotrópicos podem ser necessários em choque, guiados por avaliação hemodinâmica e protocolos de terapia intensiva.

Suporte por domínio

DomínioConduta de suportePonto crítico
RespiratórioOxigênio suplementar e escalonamento para ventilação mecânica quando indicado; estratégias protetoras conforme manejo de SARA.Hipoxemia pode piorar rapidamente durante o extravasamento capilar.
FluidosReposição cautelosa, individualizada e reavaliada por perfusão, balanço hídrico e sinais de congestão.Excesso de volume pode precipitar ou agravar edema pulmonar.
CardiovascularMonitorização cardíaca; vasoativo/inotrópico quando necessário, conforme fenótipo hemodinâmico.Na SCPH grave pode ocorrer baixo débito com resistência vascular sistêmica elevada.
RenalMonitorar creatinina, eletrólitos e diurese; terapia renal substitutiva se houver indicação clínica.Disfunção renal deve ser tratada conforme gravidade e contexto.
ResgateConsiderar ECMO precocemente em colapso cardiopulmonar refratário, em centro experiente e paciente selecionado.Encaminhamento deve ocorrer antes de deterioração irreversível quando a modalidade for plausível.

Condutas de suporte — detalhes

Clique nos cards para revisar objetivos, monitorização e pontos de segurança. Os componentes abaixo não substituem protocolo institucional de terapia intensiva.

Antivirais e terapias específicas

Não há terapia antiviral específica aprovada com benefício comprovado para a SCPH. A ribavirina não demonstrou benefício clínico estabelecido na forma pulmonar e não deve atrasar o suporte intensivo. Imunoterapias experimentais não fazem parte do tratamento padronizado de rotina.

Prioridade prática:

em paciente com possível SCPH, tempo é melhor investido em reconhecimento de deterioração, suporte de oxigenação, hemodinâmica cuidadosa e acesso precoce a terapia intensiva.

Gestação

A evidência é limitada e não existe esquema antiviral específico validado. Gestantes com suspeita de SCPH devem receber avaliação hospitalar precoce, suporte materno intensivo quando necessário e acompanhamento obstétrico, com atenção à oxigenação, perfusão e efeitos fetais da instabilidade materna.

Crianças e adolescentes

A doença pode ocorrer em pacientes pediátricos. O reconhecimento depende dos mesmos pilares — quadro clínico, exposição e teste específico —, mas parâmetros hemodinâmicos, ventilatórios e volêmicos devem ser ajustados à idade e ao peso em ambiente com experiência pediátrica.

Idosos e comorbidades

Doença cardíaca, renal ou pulmonar prévia pode reduzir a reserva fisiológica e tornar o equilíbrio entre perfusão e sobrecarga volêmica ainda mais delicado. O limiar para monitorização intensiva deve ser baixo diante de sinais de progressão.

Transporte e transferência

O transporte de paciente com suspeita de SCPH deve priorizar estabilidade hemodinâmica, oxigenação/ventilação adequada, acesso venoso e capacidade de tratar deterioração durante o deslocamento. Não administrar volume excessivo apenas para “normalizar” pressão arterial sem reavaliar o risco de extravasamento capilar.

Quando houver possibilidade de necessidade de ECMO ou suporte cardiopulmonar avançado, a discussão com centro de referência deve ocorrer precocemente, antes de colapso refratário.

Profissionais expostos e investigação ambiental

Atividades com potencial de contato intenso com excretas ou captura/manuseio de roedores exigem avaliação de risco ocupacional e EPI apropriado. Em investigações de campo e cenários de maior exposição, o Ministério da Saúde orienta proteção respiratória de alta eficiência, luvas, vestimenta de proteção e proteção ocular conforme atividade.

Síndrome renal após viagem

Em paciente com viagem ou residência recente em regiões da Europa ou Ásia e quadro febril com lesão renal, trombocitopenia e manifestações hemorrágicas, considere também febre hemorrágica com síndrome renal por hantavírus do Velho Mundo. Esse fenótipo difere da SCPH predominante nas Américas e demanda investigação contextualizada.

Seguimento após a fase crítica

Após estabilização, sobreviventes podem entrar em fase diurética e depois convalescente. O seguimento deve ser individualizado conforme intensidade da insuficiência respiratória, choque, função renal, necessidade de ventilação mecânica e outras complicações.

  • Reavaliar oxigenação, sintomas respiratórios e tolerância ao esforço conforme evolução.
  • Controlar função renal, eletrólitos e balanço hídrico quando houve disfunção relevante.
  • Revisar complicações da internação e necessidade de reabilitação após doença crítica.
  • Orientar retorno imediato se houver piora respiratória, síncope, hipotensão ou nova deterioração sistêmica.

Limpeza segura de ambientes com roedores

  1. Ventile o ambiente fechado antes da limpeza, mantendo portas e janelas abertas quando possível.
  2. Não varra nem aspire resíduos secos, porque isso pode aerossolizar partículas contaminadas.
  3. Umedeça completamente fezes, urina, ninhos e superfícies com desinfetante apropriado antes de remover.
  4. Use luvas e outros EPIs conforme intensidade da infestação e risco ocupacional.
  5. Descarte e higienize materiais e superfícies de forma segura, evitando contato de mãos contaminadas com olhos, boca ou nariz.

Redução do contato com roedores

Bloqueie o acesso

Vede frestas e pontos de entrada e mantenha edificações em condições que dificultem abrigo de roedores.

Proteja alimentos

Armazene grãos e alimentos em recipientes fechados e elimine fontes de alimento acessíveis.

Reduza abrigo

Organize depósitos, remova entulho e mantenha áreas próximas às casas sem acúmulos que favoreçam ninhos.

Limpe com método úmido

Desinfete antes de remover resíduos e evite qualquer técnica que levante poeira contaminada.

Vacina e profilaxia

Não há vacina de uso rotineiro aprovada para prevenção da hantavirose humana no Brasil, nem profilaxia pós-exposição antiviral padronizada. A prevenção depende fundamentalmente de controle ambiental e redução da exposição a roedores e suas excretas.

Vigilância e notificação

A hantavirose é doença de notificação compulsória imediata. A suspeita deve ser comunicada à vigilância em até 24 horas para permitir investigação epidemiológica, identificação do provável local de infecção e adoção de medidas preventivas.

Síntese prática:

suspeite pela combinação de exposição + pródromo febril + alterações hematológicas e progressão respiratória; confirme com IgM, notifique imediatamente e trate a fase cardiopulmonar com suporte intensivo e fluidos cuidadosamente titulados.

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, formas focais graves, gestação e profilaxia após exposição devem ser conferidas antes da prescrição.

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