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Coronavírus

A covid-19 é uma infecção respiratória causada pelo SARS-CoV-2, um coronavírus humano cuja transmissão ocorre predominantemente por partículas respiratórias. O diagnóstico combina quadro clínico e testes virais, enquanto a conduta depende da gravidade e do risco de progressão, com vacinação, ventilação e medidas de redução da transmissão como pilares preventivos.

SARS-CoV-2 Transmissão respiratória Antígeno / molecular Vacinação
22–26 min de leitura Atualizado em agosto de 2026

Quando suspeitar

Infecção respiratória aguda com sintomas como tosse, coriza, dor de garganta ou congestão nasal, associados ou não a febre, cefaleia, mialgia ou calafrios.

Diagnóstico

Testes de antígeno e métodos moleculares detectam infecção ativa. Na vigilância brasileira de 2026, RT-qPCR segue como padrão-ouro na vigilância sentinela.

Tratamento / Conduta

Casos sem fatores de risco recebem suporte e monitoramento. No SUS, nirmatrelvir/ritonavir é opção precoce para grupos elegíveis de alto risco.

Prevenção

Vacinação atualizada, boa ventilação, etiqueta respiratória e uso criterioso de máscara reduzem o risco de transmissão e de formas graves.

O que é covid-19

A covid-19 é a doença infecciosa causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. A infecção pode permanecer assintomática ou produzir doença respiratória de intensidade variável, de quadros autolimitados a pneumonia, hipoxemia, síndrome respiratória aguda grave, trombose e disfunção de múltiplos órgãos.

Com imunidade populacional adquirida por vacinação e infecções prévias, mudanças na circulação de variantes e disponibilidade de terapias, o risco individual atual é muito heterogêneo. Por isso, percentuais fixos de hospitalização ou letalidade da fase inicial da pandemia não devem ser usados como regra contemporânea.

O raciocínio clínico atual deve integrar gravidade, idade, comorbidades, imunossupressão, gestação, vacinação, tempo de sintomas e possibilidade de tratamento antiviral precoce.

O agente: SARS-CoV-2

Na taxonomia atual do ICTV, o SARS-CoV-2 integra a espécie Betacoronavirus pandemicum, na família Coronaviridae, gênero Betacoronavirus e subgênero Sarbecovirus. É um vírus envelopado de RNA de fita simples de sentido positivo, com genoma de aproximadamente 30 kb.

Entre as proteínas estruturais mais importantes estão a proteína S (spike), responsável pela ligação ao receptor celular; a proteína M (membrana); a proteína E (envelope); e a proteína N (nucleocapsídeo). A proteína S interage principalmente com a ACE2, e proteases do hospedeiro facilitam a entrada viral.

Coronavírus humanos reconhecidos: HCoV-229E, HCoV-NL63, HCoV-OC43, HCoV-HKU1, SARS-CoV, MERS-CoV e SARS-CoV-2. Os quatro primeiros estão associados principalmente a infecções respiratórias sazonais; SARS-CoV, MERS-CoV e SARS-CoV-2 estão relacionados a síndromes emergentes de maior impacto.
SARS-CoV-2 — representação visual do agente; toque/clique para ampliar.

Fisiopatologia

A doença começa com infecção de células suscetíveis do trato respiratório. A ligação da proteína spike à ACE2 e a ativação proteolítica da spike permitem fusão/entrada, seguida de tradução do RNA viral e montagem de novos vírions. A resposta imune do hospedeiro determina grande parte da evolução clínica.

  1. Entrada: partículas virais alcançam mucosas respiratórias e infectam células com receptores e cofatores adequados.
  2. Replicação: o RNA viral de sentido positivo funciona como molde para síntese de proteínas e de novos genomas virais.
  3. Resposta imune: interferons, imunidade inata e resposta adaptativa limitam a infecção; anticorpos e células T contribuem para controle e memória.
  4. Doença pulmonar: nos casos graves, lesão epitelial/endotelial, inflamação desregulada, edema e dano alveolar podem comprometer as trocas gasosas.
  5. Efeitos sistêmicos: disfunção endotelial, inflamação e ativação da coagulação participam de complicações trombóticas e extrapulmonares.
A gravidade não é explicada apenas por “carga viral” ou por uma única citocina. Ela resulta da interação entre vírus, imunidade prévia, resposta inflamatória, idade, comorbidades e outros fatores do hospedeiro.
Fisiopatologia da infecção pelo SARS-CoV-2 — toque/clique para ampliar.

Variantes em circulação

As linhagens do SARS-CoV-2 continuam evoluindo. A classificação da OMS é dinâmica e deve ser consultada por data, em vez de manter uma lista histórica de Alpha, Beta, Gamma e Delta como se todas fossem variantes atuais.

VOI

Em 28 de julho de 2026, a OMS mantinha JN.1 como variante de interesse (VOI).

VUM

Em 27 de julho de 2026, eram monitoradas PQ.16.1.1, NB.1.8.1, XFG e BA.3.2.

Interpretação

A prevalência muda ao longo das semanas e depende da representatividade da vigilância genômica.

Impacto

As VUMs acompanhadas em julho de 2026 não mostravam risco adicional de saúde pública em relação às demais variantes circulantes.

Incubação, infectividade e evolução

O período de incubação varia conforme a linhagem e o hospedeiro e, nas linhagens contemporâneas, costuma ser mais curto que o descrito no início da pandemia. A transmissão pode ocorrer antes do início dos sintomas e tende a ser maior nos primeiros dias da doença.

Primeiros dias

Período em que a transmissibilidade costuma ser maior.

PCR prolongado

RNA detectável por semanas não equivale, por si só, a vírus viável ou transmissível.

Reinfecção

Pode ocorrer por queda da proteção e escape imune de novas linhagens.

Imunidade híbrida

Vacinação e infecções prévias modificam risco de doença grave, sem impedir toda infecção.

Como ocorre a transmissão

A principal via é a exposição a partículas respiratórias infecciosas liberadas ao respirar, falar, tossir ou espirrar. Essas partículas podem ser inaladas ou atingir diretamente mucosas, com maior risco em proximidade, permanência prolongada e ambientes fechados ou mal ventilados.

Via respiratória

É a rota dominante, incluindo gotículas e aerossóis de diferentes tamanhos.

Ambientes fechados

Ventilação inadequada, aglomeração e exposição prolongada favorecem transmissão.

Superfícies

Contaminação de superfícies é possível, mas tem importância menor que a transmissão respiratória.

Tempos exatos de “sobrevivência” em superfícies ou distâncias fixas de propagação obtidos em experimentos não devem ser usados isoladamente para estimar risco clínico real.

Origem zoonótica e interface animal

A avaliação independente da OMS publicada em 2025 concluiu que o peso das evidências disponíveis favorece um transbordamento zoonótico, diretamente de morcegos ou por hospedeiro intermediário. Entretanto, não foi possível determinar com certeza onde, quando e como o SARS-CoV-2 entrou inicialmente na população humana, e hipóteses não esclarecidas permanecem sob investigação.

Infecções de animais por SARS-CoV-2 já foram documentadas em diversas espécies após exposição humana, ilustrando a importância de uma abordagem de Saúde Única. Isso não significa que animais domésticos sejam a principal fonte de transmissão na comunidade.

Quem tem maior risco de evolução grave

O risco aumenta principalmente com idade avançada, imunossupressão e determinadas doenças crônicas. A avaliação deve ser individual e considerar também vacinação, infecção recente, fragilidade e reserva funcional.

Idade avançada

É um dos determinantes mais consistentes de hospitalização, complicações e morte.

Imunocomprometidos

Podem ter menor resposta vacinal, maior risco de progressão e replicação viral prolongada.

Doenças crônicas

Cardiovasculares, pulmonares, renais, hepáticas, diabetes, obesidade e outras condições podem aumentar risco.

Gestação

A gestação é considerada condição de maior risco para desfechos graves em comparação com pessoas não gestantes da mesma faixa etária.

Apresentação clínica

O espectro varia de infecção assintomática a doença crítica. Tosse, coriza/congestão nasal, dor de garganta, febre, cefaleia, mialgia, fadiga e calafrios são frequentes. Alterações de olfato ou paladar continuam possíveis, mas são menos dominantes que em algumas fases anteriores da pandemia.

Respiratórios

Tosse, coriza, congestão nasal, odinofagia e, nos casos mais importantes, dispneia.

Sistêmicos

Febre, calafrios, fadiga, cefaleia, mialgia e mal-estar.

Gastrointestinais

Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal podem ocorrer.

Neurossensoriais

Anosmia, hiposmia, ageusia ou disgeusia podem acompanhar o quadro.

Síndrome gripal — definição de vigilância 2026

Para a vigilância brasileira, síndrome gripal (SG) é definida como infecção respiratória com início nos últimos 10 dias e pelo menos dois sinais ou sintomas, sendo obrigatoriamente ao menos um respiratório.

Sintomas respiratórios

Tosse, coriza, dor de garganta ou congestão nasal.

Sintomas gerais

Febre, dor de cabeça, dor no corpo ou calafrios.

Importante: essa definição é sindrômica e foi atualizada pelo Ministério da Saúde em agosto de 2026. Nem toda síndrome gripal é covid-19.

Sinais de gravidade e SRAG

Na definição nacional de 2026, SRAG inclui indivíduo hospitalizado com síndrome gripal e ao menos um sinal de agravamento — dispneia, taquipneia e/ou saturação de O2 ≤ 94% em ar ambiente — ou óbito por SRAG independentemente de hospitalização.

  • Dispneia, esforço respiratório progressivo ou taquipneia.
  • Saturação de O2 ≤ 94% em ar ambiente no contexto da definição de SRAG.
  • Alteração do estado mental, sinais de choque, cianose ou falência orgânica.
  • Em menores de 2 anos: observar também batimento de asas nasais, apneia, cianose, tiragens, recusa alimentar, irritabilidade ou letargia.
Hipoxemia pode ocorrer com percepção subjetiva de dispneia menor que a esperada. Em pessoas de risco ou com piora, a oximetria complementa — mas não substitui — a avaliação clínica.

Complicações

Pulmonares

Pneumonia viral, insuficiência respiratória e síndrome do desconforto respiratório agudo.

Trombóticas

Tromboembolismo venoso e outros eventos trombóticos, sobretudo em doença grave.

Cardiovasculares

Lesão miocárdica, arritmias, miocardite/pericardite e eventos isquêmicos podem ocorrer.

Renais

Lesão renal aguda pode acompanhar doença sistêmica grave.

Neurológicas

Encefalopatia, AVC e outras manifestações são descritas, especialmente em quadros complexos.

Pós-covid

Sintomas persistentes ou novos após a fase aguda podem comprometer múltiplos sistemas.

Achados laboratoriais e diferenciais

Hemograma, função renal/hepática, marcadores inflamatórios, troponina, D-dímero e outros exames podem ser úteis conforme gravidade e hipótese de complicação, mas não confirmam covid-19 isoladamente. A procalcitonina também não deve ser interpretada de forma absoluta para excluir ou confirmar coinfecção bacteriana.

Principais diagnósticos diferenciais

Influenza, vírus sincicial respiratório, rinovírus, metapneumovírus, adenovírus, outros coronavírus, pneumonia bacteriana, exacerbações de asma/DPOC, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca e outras causas de síndrome respiratória aguda.

Confirmação diagnóstica

O diagnóstico de infecção ativa baseia-se principalmente na detecção direta do vírus por teste rápido de antígeno (TR-Ag) ou por método molecular, como RT-qPCR. O desempenho depende do momento da coleta, qualidade da amostra, carga viral e características do teste.

MétodoMelhor usoPontos de atenção
TR-AgDiagnóstico rápido de infecção ativa, sobretudo na fase inicial sintomática.Resultado negativo pode exigir repetição ou teste molecular quando a suspeita clínica é alta.
RT-qPCR / molecularDetecção sensível de RNA viral; padrão-ouro para vigilância sentinela no Brasil.Pode permanecer detectável após cessar infectividade; interpretar no contexto clínico.
SorologiaQuestões específicas de resposta imune/estudos selecionados.Não é o método de escolha para diagnosticar infecção aguda ativa.

Critérios de vigilância no Brasil — 2026

Para síndrome gripal por covid-19, a Nota Técnica nº 11/2026 admite confirmação por critério laboratorial — TR-Ag reagente ou método molecular detectável — ou por critério clínico-epidemiológico, quando há SG e contato próximo/domiciliar com caso confirmado nos sete dias anteriores ao início dos sintomas.

Na SRAG, a investigação prioriza método molecular; na ausência deste, o TR-Ag pode ser considerado excepcionalmente conforme a diretriz de vigilância.

Critérios de vigilância epidemiológica organizam notificação e encerramento de casos; não substituem julgamento clínico diante de pneumonia, hipoxemia ou outro diagnóstico alternativo.

Quando solicitar exames adicionais

Em casos leves sem sinais de alarme, exames complementares extensos geralmente não são necessários. Em doença moderada/grave, a investigação deve ser guiada pelo estado clínico e por complicações suspeitas.

Oximetria

Útil para identificar hipoxemia, acompanhar evolução e orientar necessidade de avaliação hospitalar.

Imagem de tórax

Indicada quando há suspeita de pneumonia, hipoxemia, piora clínica ou diagnóstico diferencial relevante; não é exame de rastreio de rotina.

Laboratório

Hemograma, função renal/hepática, eletrólitos e marcadores específicos conforme gravidade, terapias e suspeita de complicação.

Investigação bacteriana

Reservar culturas e antimicrobianos para contextos em que coinfecção bacteriana seja clinicamente plausível.

Princípios do tratamento

O manejo deve separar três perguntas: o paciente tem doença grave?, tem alto risco de progressão? e está dentro da janela para antiviral?. Casos não graves sem fatores de risco costumam receber tratamento sintomático, hidratação, orientação e monitoramento.

Em pacientes de alto risco, antivirais devem ser considerados precocemente. Em doença grave/crítica, suporte respiratório, corticosteroide sistêmico e, em pacientes selecionados, imunomodulação fazem parte das estratégias baseadas em evidências.

Não usar corticosteroide sistêmico rotineiramente em covid-19 não grave apenas para tratar a infecção. Antibiótico empírico também não é recomendado quando a suspeita de coinfecção bacteriana é baixa.

Manejo ambulatorial

Suporte

Hidratação, alimentação conforme tolerância, repouso relativo e sintomáticos apropriados ao perfil do paciente.

Monitoramento

Orientar retorno por piora respiratória, dor/pressão torácica persistente, alteração de consciência, desidratação importante ou outros sinais de alarme.

Antiviral precoce

Avaliar elegibilidade, janela, função renal/hepática e interações medicamentosas antes de prescrever.

Evitar terapias sem benefício

Hidroxicloroquina, ivermectina e anticorpos monoclonais sem atividade contra variantes atuais não devem ser tratados como esquemas ativos.

Terapias com papel clínico atual

Abra os cartões para ver indicação, dose quando aplicável e pontos de segurança.

Doença grave ou crítica

Pacientes com hipoxemia, insuficiência respiratória, choque ou disfunção orgânica exigem avaliação hospitalar e suporte proporcional à gravidade. O oxigênio deve ser titulado conforme metas clínicas e comorbidades; escalonamento para cânula nasal de alto fluxo, ventilação não invasiva ou ventilação invasiva depende da resposta e do esforço respiratório.

  • Corticosteroide: recomendado em doença grave/crítica; não extrapolar automaticamente para doença não grave.
  • Imunomodulação: tocilizumabe ou baricitinibe podem ser utilizados em pacientes selecionados, geralmente junto a corticosteroide e conforme protocolo institucional.
  • Tromboprofilaxia: avaliar risco trombótico e hemorrágico; hospitalização por doença aguda frequentemente indica profilaxia farmacológica quando não há contraindicação.
  • Antibióticos: reservar para suspeita ou confirmação de infecção bacteriana concomitante.
  • Suporte de órgãos: manejar choque, lesão renal, trombose e outras complicações segundo protocolos específicos.

Terapias históricas que não devem permanecer como rotina

O artigo original de pesquisa reúne intervenções que fizeram parte de fases anteriores da pandemia. Algumas perderam indicação por ausência de benefício ou por escape das variantes. O conteúdo atual não mantém como opções rotineiras:

Hidroxicloroquina/cloroquina

Não apresentam benefício clínico para tratamento da covid-19.

Ivermectina

Não deve ser usada como tratamento específico de rotina para covid-19.

Anticorpos monoclonais antigos

Casirivimabe/imdevimabe, sotrovimabe, regdanvimabe e tixagevimabe/cilgavimabe não devem ser listados como opções ativas sem confirmação contemporânea de atividade, autorização e disponibilidade.

Antibiótico “preventivo”

Não é indicado na ausência de suspeita clínica de coinfecção bacteriana.

Crianças e adolescentes

A maioria das infecções pediátricas é leve, mas lactentes, crianças com comorbidades e imunocomprometidas exigem atenção especial. Em menores de 2 anos, sinais como apneia, batimento de asas nasais, cianose, tiragens, recusa alimentar, irritabilidade e letargia podem indicar agravamento.

Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P/MIS-C) é uma complicação rara pós-infecciosa e deve ser lembrada diante de febre persistente com envolvimento multissistêmico após exposição ao SARS-CoV-2.

Gestação e puerpério

Gestantes têm maior risco de alguns desfechos graves da covid-19 em comparação com pessoas não gestantes da mesma idade. A avaliação terapêutica deve ponderar benefício materno, idade gestacional, comorbidades, função orgânica e dados de segurança do medicamento.

No calendário brasileiro vigente em 2026, a vacina contra covid-19 é recomendada em uma dose a cada gestação. A vacinação deve ser atualizada durante o pré-natal conforme orientação do PNI.

Imunocomprometidos

Podem apresentar maior risco de progressão e, em alguns casos, replicação viral prolongada. O limiar para avaliação precoce de antiviral é menor, e a interpretação de testes positivos persistentes precisa considerar sintomas, grau de imunossupressão e contexto.

Isolamento no Brasil: a Nota Técnica nº 5/2026 recomenda, para SG na comunidade em imunocomprometidos, 10 dias a partir do início dos sintomas, desde que sem febre por pelo menos 48 horas sem antitérmico e com remissão dos sintomas respiratórios.

Função renal, hepática e interações

Nirmatrelvir/ritonavir exige revisão de função renal e de interações pelo potente efeito do ritonavir sobre o metabolismo de diversos medicamentos. O guia brasileiro deve ser consultado no momento da prescrição, especialmente em doença renal avançada, hepatopatia importante, polifarmácia e uso de fármacos com estreita margem terapêutica.

Não prescrever nirmatrelvir/ritonavir sem checar a lista completa de medicamentos em uso. Algumas interações podem ser manejadas por pausa ou ajuste temporário; outras contraindicam a combinação.

Isolamento e redução da transmissão — Brasil 2026

A Nota Técnica nº 5/2026 atualizou o período recomendado de isolamento para síndromes respiratórias. Para SG na comunidade em pessoas não imunossuprimidas, são 5 dias desde o início dos sintomas, desde que a pessoa esteja sem febre há pelo menos 24 horas sem antitérmico e apresente remissão dos sintomas respiratórios.

SG — não imunossuprimido

5 dias desde o início dos sintomas, com critérios clínicos para suspensão.

Assintomático positivo

5 dias a partir da data do exame laboratorial positivo.

SG — imunocomprometido

10 dias, com pelo menos 48 h sem febre e remissão de sintomas respiratórios.

SRAG por SARS-CoV-2

20 dias desde o início dos sintomas, com pelo menos 24 h sem febre e remissão de sintomas respiratórios.

Vacinação — calendário brasileiro 2026

A vacinação permanece a principal estratégia para reduzir formas graves. O esquema depende de idade, grupo de risco, histórico vacinal e recomendações atualizadas do PNI.

Crianças pequenas

Rotina infantil inclui vacinação contra covid-19 a partir dos 6 meses, com esquema conforme produto e situação imunológica.

60 anos ou mais

Calendário vigente recomenda 1 dose semestral.

Gestantes

Calendário vigente recomenda 1 dose a cada gestação.

Outros grupos especiais podem ter indicação anual ou semestral. Conferir o Calendário Nacional de Vacinação e as notas técnicas vigentes antes de definir o esquema.

Prevenção prática

Ventilação

Aumentar renovação do ar em ambientes internos reduz concentração de partículas respiratórias.

Máscaras

São especialmente úteis quando há sintomas, exposição recente, locais fechados lotados ou contato com pessoas vulneráveis.

Higiene

Higienizar as mãos e evitar tocar mucosas após contato com secreções respiratórias.

Vacinação

Manter doses atualizadas conforme o PNI e o grupo de risco.

Condição pós-covid

Persistência, recorrência ou aparecimento de sintomas após a fase aguda pode envolver fadiga, dispneia, intolerância ao esforço, alterações cognitivas, dor, sintomas autonômicos e outras manifestações. A abordagem é clínica, multidimensional e orientada pelos sintomas e prejuízo funcional.

Antes de atribuir um sintoma à condição pós-covid, avaliar diagnósticos alternativos, complicações não reconhecidas e descompensação de doenças prévias.

Notificação e vigilância — atualização de agosto de 2026

A notificação universal mudou. Devem ser notificados em até 24 horas: todos os casos confirmados de síndrome gripal por covid-19, todos os casos de SRAG hospitalizada e todos os óbitos por SRAG, independentemente de hospitalização.

  • SG confirmada por covid-19: registro no e-SUS Notifica.
  • Casos e óbitos de SRAG: registro no Sivep-Gripe, módulo SRAG.
  • Casos assintomáticos com teste positivo para SARS-CoV-2 não são mais considerados de notificação obrigatória e imediata para fins de vigilância epidemiológica nacional.

Resumo do fluxo prático

  1. Identifique síndrome respiratória e sinais de gravidade.
  2. Teste para SARS-CoV-2 quando o resultado puder orientar diagnóstico, vigilância, isolamento ou tratamento.
  3. Se houver hipoxemia, dispneia importante ou instabilidade, encaminhe para avaliação hospitalar.
  4. Em doença não grave, estratifique risco de progressão e verifique rapidamente elegibilidade para antiviral.
  5. Revise função renal/hepática e interações antes de nirmatrelvir/ritonavir.
  6. Não use corticosteroide sistêmico ou antibiótico de rotina em doença não grave sem indicação específica.
  7. Oriente isolamento conforme Nota Técnica nº 5/2026 e medidas adicionais de redução de transmissão.
  8. Atualize vacinação e reavalie sintomas persistentes ou recorrentes após a fase aguda.

Referências principais

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 11/2026-CGCOVID/DEDT/SVSA/MS. Atualização das diretrizes de vigilância da covid-19, influenza e outros vírus respiratórios. Agosto de 2026.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 5/2026-CGCOVID/DEDT/SVSA/MS. Atualização das orientações sobre isolamento para SG e SRAG. Março de 2026.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Guia para uso do antiviral nirmatrelvir/ritonavir em pacientes com covid-19 de alto risco. 2ª edição, 2025.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Atualizações de 2026 para crianças, gestantes, adultos e idosos.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Guia nacional de manejo das condições pós-covid no âmbito do SUS. 2026.
  6. World Health Organization. Clinical management of COVID-19: living guideline. Junho de 2025.
  7. World Health Organization. Therapeutics and COVID-19: living guideline. Agosto de 2025.
  8. World Health Organization. Tracking SARS-CoV-2 variants. Consulta atualizada em agosto de 2026.
  9. World Health Organization, SAGO. Independent assessment of the origins of SARS-CoV-2. Junho de 2025.
  10. Centers for Disease Control and Prevention. Human Coronavirus Types. Atualizado em fevereiro de 2026.
  11. International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV). Betacoronavirus / Betacoronavirus pandemicum. Taxonomia vigente em 2026.

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, formas focais graves, gestação e profilaxia após exposição devem ser conferidas antes da prescrição.

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