MedFoco

Guia de Zoonoses • Fungos

Geotricose

Micose oportunista rara causada principalmente por Geotrichum candidum, fungo artroconidial ambiental que pode colonizar pele e tratos respiratório e gastrointestinal. A doença invasiva ocorre sobretudo em hospedeiros imunocomprometidos e exige confirmação microbiológica, definição da extensão e terapia antifúngica rápida.

Artroconídios Oportunista Pulmonar / invasiva Cultura essencial
16–20 min de leitura Atualizado em agosto de 2026

Quando suspeitar

Fungemia, pneumonia ou lesões cutâneas em imunossuprimido, especialmente com neutropenia, neoplasia hematológica ou diabetes descompensado.

Diagnóstico

Cultura de sangue, tecido ou material de sítio estéril é central. Histologia sugere micose, mas não define geotricose isoladamente.

Tratamento

Anfotericina B lipossomal ± flucitosina ou voriconazol são opções de primeira linha; equinocandinas não são recomendadas.

Prevenção

Não há vacina ou PEP específica. A prevenção se concentra em barreiras, controle de fontes e redução de riscos no imunocomprometido.

O que é geotricose

Geotricose é a infecção causada por fungos do gênero Geotrichum, especialmente Geotrichum candidum. Trata-se de uma micose rara e oportunista. O microrganismo é encontrado no ambiente e em alimentos e pode colonizar seres humanos sem causar doença, o que torna fundamental diferenciar colonização de infecção verdadeira.

Na doença invasiva, o quadro pode incluir fungemia, comprometimento pulmonar, lesões cutâneas e disseminação para órgãos profundos. A evidência disponível vem principalmente de relatos e séries de casos, portanto as recomendações terapêuticas têm grau de certeza limitado e precisam ser individualizadas.

Ponto-chave: isolamento de Geotrichum em amostra não estéril não significa automaticamente doença. A interpretação depende do hospedeiro, do sítio, da histopatologia, da repetição do isolamento e da presença de invasão tecidual ou fungemia.

Taxonomia e nomenclatura

A nomenclatura desses fungos mudou ao longo do tempo. Nomes antigos podem aparecer em artigos e laudos, o que favorece confusão entre Geotrichum, Magnusiomyces, Saprochaete e Trichosporon. Geotrichum capitatum, por exemplo, foi reclassificado e não deve ser tratado como sinônimo atual de G. candidum.

A revisão taxonômica de 2024 reforçou a separação filogenética entre o grupo de Geotrichum e o grupo de Magnusiomyces/Saprochaete. Na prática clínica, isso importa porque epidemiologia, suscetibilidade e recomendações terapêuticas não devem ser misturadas entre gêneros diferentes.

Evite um erro frequente:

tricosporonose por Trichosporon spp. e geotricose por Geotrichum spp. são entidades distintas, embora ambas possam formar artroconídios.

O agente

G. candidum é um fungo leveduriforme/filamentoso artroconidial, urease-negativo, capaz de formar hifas hialinas septadas que se fragmentam em artroconídios retangulares de tamanhos variáveis. A ausência de blastoconídios ajuda no raciocínio morfológico.

É ubíquo em solo, matéria orgânica em decomposição e alimentos, incluindo produtos lácteos. Também pode colonizar pele e mucosas dos tratos respiratório e gastrointestinal sem causar doença.

A identificação definitiva deve priorizar cultura associada a métodos confiáveis de identificação, como MALDI-TOF com base adequada ou sequenciamento de regiões ITS/D1-D2 quando necessário.
Aspecto microscópico associado à geotricose — toque/clique para ampliar.

Fisiopatologia

A doença surge quando um fungo de baixa virulência relativa encontra um hospedeiro vulnerável ou uma barreira anatômica rompida. Em imunossuprimidos, colonização respiratória ou gastrointestinal pode preceder invasão; em doença cutânea localizada, trauma e lesão de barreira podem atuar como portas de entrada.

  1. Contato ou colonização: o fungo está presente no ambiente, em alimentos ou como colonizante transitório.
  2. Quebra de barreira ou imunossupressão: neutropenia, neoplasia, diabetes descompensado, trauma ou queimadura favorecem invasão.
  3. Invasão tecidual: hifas e artroconídios podem ser demonstrados em tecido, associados a resposta inflamatória variável.
  4. Disseminação hematogênica: nos casos invasivos, fungemia pode acompanhar lesões pulmonares, cutâneas e focos em órgãos profundos.
  5. Persistência/foco profundo: endocardite, acometimento ocular, osteoarticular ou do SNC exigem controle de foco e tratamento prolongado.
Em paciente neutropênico ou gravemente imunocomprometido, fungemia ou doença profunda por Geotrichum deve ser tratada como infecção fúngica invasiva de alto risco.
Fisiopatologia da geotricose — toque/clique para ampliar.

O que se sabe sobre frequência e prognóstico

A geotricose invasiva é muito rara. Em séries de fungos emergentes, G. candidum representa pequena fração dos casos, e a literatura é dominada por relatos individuais. A mortalidade descrita é elevada sobretudo em pacientes onco-hematológicos, refletindo tanto a agressividade da infecção quanto a gravidade do hospedeiro.

Fungemia

Uma das apresentações invasivas mais relevantes.

Pulmões

Sítio frequentemente acometido em imunocomprometidos.

Neutropenia

Fator de risco importante em séries de micoses raras.

Incubação

Não há período de incubação clínico padronizado.

Exposição ambiental, colonização e infecção

G. candidum é ambiental e pode ser encontrado em solo, matéria orgânica, vegetais e alimentos. A geotricose não apresenta uma cadeia de transmissão típica comparável às zoonoses clássicas e não há evidência para considerar a transmissão pessoa a pessoa como mecanismo habitual.

Ambiente

Solo e matéria orgânica constituem reservatórios ambientais relevantes.

Alimentos

O fungo pode estar presente em produtos alimentares e é utilizado em determinados processos de maturação de queijos.

Colonização humana

Pele e tratos respiratório e gastrointestinal podem ser colonizados sem doença invasiva.

Contexto do Guia de Zoonoses:

a geotricose deve ser entendida aqui como micose ambiental/oportunista. O vínculo com animais não é requisito para suspeita clínica.

Quem tem maior risco

Neoplasia hematológica e neutropenia

Grupo clássico de maior risco para doença invasiva e disseminada.

Outras malignidades / imunossupressão

Quimioterapia, transplante e imunossupressão intensa aumentam a vulnerabilidade.

Diabetes descompensado

Descrito entre os fatores predisponentes em casos de geotricose invasiva e cutânea.

HIV/AIDS e imunodeficiência avançada

Podem favorecer formas mucosas, pulmonares ou disseminadas.

Trauma, cirurgia, queimaduras

Rompimento de barreiras pode permitir inoculação e infecção localizada.

Doença crítica

Hospitalização prolongada, dispositivos invasivos e múltiplas exposições antimicrobianas podem coexistir nos casos invasivos.

O que não está estabelecido

  • Não existe vacina humana contra geotricose.
  • Não há profilaxia pós-exposição específica validada.
  • Não há recomendação de rastreamento de contatos.
  • Não há medida preventiva específica baseada em contato com animais.
  • A presença do fungo em cultura de sítio colonizado não justifica tratamento sem correlação clínica.

Apresentações clínicas

O espectro clínico varia de infecção localizada a doença invasiva multissistêmica. Os achados são inespecíficos; em pacientes de alto risco, a combinação de febre persistente, fungemia, alterações pulmonares e lesões cutâneas deve ampliar o diferencial para fungos raros.

Fungemia

Pode ocorrer isoladamente ou com focos profundos e manifestações cutâneas.

Pulmonar

Febre, tosse, dispneia e infiltrados/nódulos inespecíficos, especialmente em imunocomprometidos.

Cutânea

Pode ser primária após ruptura de barreira ou representar disseminação hematogênica.

Formas focais e profundas

SítioPossíveis manifestaçõesPonto prático
PulmãoPneumonia, nódulos, infiltrados, cavitação ocasional.TC é preferível à radiografia para definir extensão.
Pele / partes molesPápulas, nódulos, placas, úlceras ou necrose.Biopsiar lesões suspeitas e correlacionar com cultura.
OlhoEndoftalmite e outras infecções oculares raras.Emergência oftalmológica; pode exigir intervenção local/cirúrgica.
CoraçãoEndocardite, inclusive em válvula protética.Ecocardiografia transesofágica é importante quando há suspeita.
SNCAbscesso ou outras formas invasivas raras.RM é preferida para caracterizar extensão.
OsteoarticularArtrite séptica ou infecção óssea após trauma/inoculação.Drenagem/debridamento pode ser parte central do controle de foco.
GastrointestinalInfecção intestinal rara em hospedeiros vulneráveis.Diferenciar colonização de invasão tecidual.

Sinais de gravidade

  • Fungemia persistente ou recorrente.
  • Neutropenia profunda/prolongada ou imunossupressão intensa.
  • Hipoxemia, instabilidade hemodinâmica ou falência de órgãos.
  • Lesões cutâneas múltiplas em contexto de fungemia.
  • Suspeita de endocardite, endoftalmite, SNC ou foco osteoarticular profundo.
  • Progressão clínica ou radiológica durante antifúngico.
Doença invasiva por Geotrichum é rara, mas pode ser rapidamente fatal em pacientes hematológicos. Atraso na identificação e uso de terapia inadequada aumentam o risco de desfecho desfavorável.

Diagnósticos diferenciais

O diagnóstico diferencial depende do sítio e do hospedeiro. Em doença invasiva, considerar candidíase, aspergilose, fusariose, mucormicose, tricosporonose e infecções por Magnusiomyces. Em lesões cutâneas, também entram esporotricose, feo-hifomicoses, dermatofitoses profundas e infecções bacterianas.

Artroconídios podem aparecer em diferentes fungos. A morfologia fornece pista, mas a identificação a gênero/espécie é fundamental para evitar tratamento baseado no agente errado.

Estratégia diagnóstica

  1. Defina o risco do hospedeiro: neutropenia, câncer, transplante, diabetes, HIV/imunossupressão ou ruptura de barreira.
  2. Defina se há doença invasiva: fungemia, pneumonia, lesões cutâneas múltiplas ou foco profundo.
  3. Colete antes do antifúngico quando possível: hemoculturas e amostras do foco, sem atrasar terapia em paciente instável.
  4. Use histopatologia: PAS e/ou Grocott-GMS ajudam a demonstrar invasão fúngica.
  5. Confirme o agente: cultura, MALDI-TOF adequadamente validado ou sequenciamento ITS/D1-D2.
  6. Solicite suscetibilidade: útil para orientar casos clinicamente significativos, lembrando que não há breakpoints específicos validados.
  7. Mapeie extensão: TC, RM, ecocardiografia e avaliação oftalmológica conforme síndrome.

Microscopia, histopatologia e cultura

Histopatologia

Hifas hialinas, longas e septadas podem ser vistas em PAS/GMS, mas o aspecto não é específico o suficiente para confirmar geotricose sozinho.

Microscopia/cultura

Hifas ramificadas fragmentando-se em artroconídios retangulares; blastoconídios não são típicos.

Hemoculturas

São relevantes porque fungemia é apresentação importante. O fungo pode crescer em meios de cultura rotineiros.

Urease

G. candidum é urease-negativo, característica que pode ajudar na diferenciação inicial de outras leveduras artroconidiais.

Histologia positiva ≠ espécie definida:

sempre que possível, associe visualização tecidual a cultura ou método molecular para identificação.

Identificação e suscetibilidade antifúngica

Sequenciamento das regiões ITS ou D1/D2 do rDNA é uma referência robusta quando a identificação fenotípica ou por MALDI-TOF é duvidosa. Isso é especialmente útil diante das mudanças taxonômicas e do risco de confundir Geotrichum com outros fungos artroconidiais.

Para G. candidum, não existem breakpoints clínicos ou pontos de corte epidemiológicos validados que permitam rotular isolados de forma simples como “sensível” ou “resistente”. A CIM deve ser interpretada em conjunto com o antifúngico utilizado, a literatura, o sítio da infecção e a resposta clínica.

Importante: uma CIM isolada não substitui julgamento clínico. Teste de suscetibilidade é particularmente útil em falha terapêutica, doença grave ou quando há necessidade de escolher uma classe alternativa.

Imagem e investigação de extensão

SuspeitaExame preferencialObjetivo
PulmãoTC de tóraxDefinir nódulos, infiltrados, cavitações e extensão.
SNCRMCaracterizar abscessos e acometimento profundo.
OlhoAvaliação oftalmológica ± imagem dirigidaDetectar endoftalmite e indicar intervenção.
EndocarditeEcocardiografia, preferencialmente transesofágica quando indicadaPesquisar vegetação e complicações.
Foco osteoarticularRM/TC conforme sítioMapear extensão e orientar drenagem/debridamento.

A diretriz global recomenda repetir imagem durante o seguimento quando houve doença de órgão-alvo.

Princípios do tratamento

O tratamento da geotricose invasiva é guiado por diagnóstico, extensão da doença e perfil do hospedeiro. Como não existem ensaios clínicos comparativos, a diretriz global ECMM/ISHAM/ASM baseia as recomendações em séries de casos, experiência clínica e suscetibilidade in vitro.

Para infecção invasiva confirmada ou fortemente suspeita, as opções com suporte moderado são anfotericina B lipossomal com ou sem flucitosina e voriconazol. Anfotericina B desoxicolato pode ser usada quando formulações lipídicas não estão disponíveis, mas apresenta pior perfil de segurança.

Equinocandinas não são recomendadas como tratamento inicial da geotricose invasiva. Em progressão, prefira trocar para outra classe com apoio do teste de suscetibilidade e avaliação especializada.

Esquemas sistêmicos de referência — adultos

OpçãoDose de referênciaObservações
Anfotericina B lipossomal3–5 mg/kg EV a cada 24 hPrimeira linha com suporte moderado; pode ser associada à flucitosina.
Flucitosina25 mg/kg EV/VO a cada 6 h (100 mg/kg/dia)Adjuvante possível com anfotericina B; requer ajuste renal e monitorização terapêutica quando disponível.
Voriconazol6 mg/kg EV/VO a cada 12 h no dia 1; depois 4 mg/kg a cada 12 hAlternativa de primeira linha com suporte moderado; atenção a interações, função hepática e TDM.
Anfotericina B desoxicolato1 mg/kg EV a cada 24 hAlternativa quando formulação lipídica não está disponível; maior nefrotoxicidade.
As doses acima são referências da diretriz global para infecções por Geotrichum. Função renal/hepática, idade, interações, formulação e toxicidade podem exigir ajustes e monitorização.

Antifúngicos sistêmicos

Abra os cartões para ver dose, monitorização e pontos de atenção.

Duração do tratamento

Não existe duração padronizada. A recomendação é individualizar conforme resposta clínica, sítio e extensão, depuração de hemoculturas, controle de foco e estado imune atual e esperado. Relatos de cura variam de algumas semanas a meses, com cursos mais longos para doença de órgão-alvo.

Fungemia sem foco profundo

Não há duração universal validada; documente depuração e avalie focos ocultos antes de definir o total.

Endocardite / SNC / olho

Exigem tratamento prolongado, abordagem multidisciplinar e frequentemente intervenção de controle de foco.

Pele / partes moles

Casos profundos podem necessitar meses de terapia e debridamento, especialmente em imunossuprimidos.

Falha terapêutica

Reveja identificação, suscetibilidade, exposição farmacológica, interações, controle de foco e recuperação imune.

Controle de foco

Quando houver lesão localizada passível de abordagem, a diretriz apoia fortemente o envolvimento cirúrgico além do antifúngico sistêmico. Isso pode incluir debridamento de tecido, drenagem de artrite/abscesso, cirurgia ocular e intervenção valvar conforme o caso.

Regra prática:

antifúngico adequado não compensa um foco profundo não controlado quando existe indicação de intervenção.

Crianças

A diretriz global aplica os mesmos princípios de escolha antifúngica e controle de foco usados em adultos, mas ressalta que a farmacocinética pediátrica é diferente. Em doença invasiva, infectologia pediátrica e farmácia clínica devem participar da prescrição.

AgenteReferência pediátricaPonto de atenção
Anfotericina B lipossomal3–5 mg/kg/dia EVMonitorar função renal, potássio e magnésio.
Flucitosina100–150 mg/kg/dia em 3–4 dosesAjuste renal e TDM são particularmente importantes.
Voriconazol 2–<12 anos ou 12–14 anos <50 kgDia 1: 9 mg/kg EV 12/12 h; depois 8 mg/kg EV 12/12 h. Via oral requer esquema pediátrico específico.Alta variabilidade; TDM é fortemente recomendado.
Voriconazol ≥15 anos ou 12–14 anos ≥50 kgRegime equivalente ao adulto: 6 mg/kg EV 12/12 h no dia 1; depois 4 mg/kg 12/12 h.Ajustar conforme formulação, função hepática, interações e níveis.
As doses pediátricas não substituem bula/protocolo institucional. Idade, peso, formulação, via e TDM podem modificar a prescrição.

Neutropenia e onco-hematologia

É o cenário mais associado à geotricose invasiva grave. Além do antifúngico ativo, devem ser buscados recuperação da neutropenia quando possível, controle de focos e revisão de dispositivos intravasculares no contexto de fungemia.

  • Não atribua fungemia persistente apenas à imunossupressão: pesquise endocardite, pulmão, pele, olho e outros órgãos.
  • Revise antifúngicos profiláticos prévios e possibilidade de infecção de escape.
  • Considere troca de classe se houver progressão, apoiada em identificação e suscetibilidade.

Função renal, hepática e toxicidade

Anfotericina B

Nefrotoxicidade e distúrbios de potássio/magnésio exigem monitorização seriada; formulação lipossomal é preferida quando disponível.

Flucitosina

Eliminação renal, risco de acúmulo e toxicidade hematológica/hepática; ajustar e utilizar TDM quando disponível.

Voriconazol

Interações medicamentosas, hepatotoxicidade, efeitos visuais/neurológicos e alterações de QT devem ser considerados; TDM melhora segurança e exposição.

Doença crítica

Absorção oral, interações, suporte extracorpóreo e disfunção de órgãos podem alterar exposição e escolha da formulação.

Endocardite, olho, SNC e foco osteoarticular

São formas raras que exigem estratégia individualizada e tratamento prolongado. Endocardite pode necessitar cirurgia valvar; endoftalmite pode exigir terapia intravítrea e vitrectomia; artrite/osteomielite podem precisar drenagem ou debridamento. Em todos os casos, a duração deve ser guiada por resposta clínica e radiológica.

Monitorização da resposta

O seguimento deve combinar evolução clínica, depuração microbiológica e reavaliação do órgão acometido. Em fungemia, obtenha hemoculturas seriadas até negativação. Em doença profunda, repita imagem de acordo com o sítio e a resposta.

Culturas

Documentar negativação e investigar persistência.

Imagem

Comparar extensão e resolução de focos profundos.

Toxicidade

Função renal/hepática, eletrólitos, hemograma e níveis conforme antifúngico.

Prevenção

Não existem medidas específicas validadas para prevenir geotricose além do controle de riscos gerais de infecção fúngica oportunista. A prevenção é centrada em proteger barreiras, reduzir exposições evitáveis em imunossuprimidos e aplicar boas práticas de cuidado de dispositivos e feridas.

  • Higiene de mãos e cuidado adequado de feridas, acessos vasculares e áreas de ruptura cutânea.
  • Redução de exposição intensa a solo/matéria orgânica em períodos de imunossupressão profunda, conforme orientação do serviço.
  • Segurança alimentar individualizada para pacientes onco-hematológicos conforme protocolo institucional.
  • Não tratar colonização isolada sem evidência clínica de infecção.
  • Não há vacina nem PEP específica.

Quando reconsiderar o diagnóstico ou o esquema

  • Hemoculturas continuam positivas apesar de terapia adequada.
  • Lesões pulmonares/cutâneas progridem ou novos focos aparecem.
  • A identificação foi apenas fenotípica e há dúvida entre fungos artroconidiais.
  • Há exposição subterapêutica por interação, absorção ou dose inadequada.
  • O foco anatômico não foi drenado/debridado quando indicado.

Resumo do fluxo prático

  1. Reconheça hospedeiro de risco e síndrome compatível.
  2. Diferencie colonização de doença invasiva ou focal verdadeira.
  3. Colete culturas e tecido/material do foco; demonstre invasão quando possível.
  4. Confirme gênero/espécie com método confiável e solicite suscetibilidade em isolado clinicamente relevante.
  5. Em doença invasiva, inicie rapidamente anfotericina B lipossomal ± flucitosina ou voriconazol.
  6. Evite equinocandina como monoterapia inicial.
  7. Pesquise focos profundos e realize controle de foco quando indicado.
  8. Individualize a duração e mantenha seguimento microbiológico, clínico e radiológico.

Referências principais

  1. Chen SCA, Perfect J, Colombo AL, et al. Global guideline for the diagnosis and management of rare yeast infections: an initiative of the ECMM in cooperation with ISHAM and ASM. Lancet Infect Dis. 2021;21(12):e375-e386. doi:10.1016/S1473-3099(21)00203-6.
  2. European Confederation of Medical Mycology (ECMM). Supplement to the Global Guideline for Rare Yeast Infections. Seções específicas de Geotrichum candidum, diagnóstico, tratamento e doses.
  3. Arendrup MC, Boekhout T, Akova M, et al. ESCMID and ECMM joint clinical guidelines for the diagnosis and management of rare invasive yeast infections. Clin Microbiol Infect. 2014;20 Suppl 3:76-98.
  4. Durán Graeff L, Seidel D, Vehreschild MJGT, et al. Invasive infections due to Saprochaete and Geotrichum species: Report of 23 cases from the FungiScope Registry. Mycoses. 2017;60(4):273-279. doi:10.1111/myc.12595.
  5. Román-Montes CM, Sifuentes-Osornio J, Martínez-Gamboa A. Cutaneous Infections by Geotrichum spp. Curr Fungal Infect Rep. 2024;18:60-68. doi:10.1007/s12281-024-00481-9.
  6. Zhu HY, Shang YJ, Wei XY, et al. Taxonomic revision of Geotrichum and Magnusiomyces, with the descriptions of five new Geotrichum species from China. Mycology. 2024;15(3):400-423. doi:10.1080/21501203.2023.2294945.
  7. NCBI Taxonomy Browser. Geotrichum candidum (Taxonomy ID 1173061). Nomenclatura e sinônimos taxonômicos.

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, formas focais graves, gestação e profilaxia após exposição devem ser conferidas antes da prescrição.

Rolar para cima