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Aspergilose

Espectro de doenças causadas por fungos filamentosos do gênero Aspergillus, adquiridos principalmente pela inalação de conídios ambientais. A apresentação varia de hipersensibilidade e colonização cavitária à doença pulmonar crônica e angioinvasão; diagnóstico e tratamento dependem do fenótipo clínico e do estado imune do hospedeiro.

Fungo filamentoso Conídios ambientais ABPA • CPA • invasiva Azóis e anfotericina B
22–28 min de leitura Atualizado em agosto de 2026

Quando suspeitar

O contexto define a forma: asma/bronquiectasias com sensibilização sugerem ABPA; cavidades pulmonares estruturais sugerem CPA/aspergiloma; neutropenia ou imunossupressão com febre e infiltrado pulmonar exige pensar em doença invasiva.

Diagnóstico

Combina contexto clínico, TC e microbiologia. IgE/IgG têm papel central na ABPA/CPA; galactomanana, BAL, cultura, PCR e histopatologia ganham importância na aspergilose invasiva.

Tratamento

ABPA aguda: prednisolona ou itraconazol. Doença invasiva: azol de amplo espectro ou formulação lipídica de anfotericina B conforme cenário. CPA geralmente exige ≥6 meses de antifúngico.

Prevenção

Em alto risco hematológico, profilaxia antifúngica pode ser indicada. Reduzir exposição intensa a poeira, obras, compostagem e matéria orgânica é especialmente importante em imunossuprimidos.

O que é aspergilose

Aspergilose é um termo que reúne diferentes síndromes provocadas por fungos filamentosos (mofos) do gênero Aspergillus. O agente é ubíquo no ambiente e a exposição a conídios inalados é cotidiana; doença clínica surge quando a interação entre fungo, pulmão e imunidade favorece sensibilização, colonização persistente ou invasão tecidual.

As formas mais úteis para a prática são aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA), aspergilose pulmonar crônica (CPA), aspergiloma e aspergilose invasiva. Elas não devem ser tratadas como uma única doença, porque critérios diagnósticos, gravidade e terapias são diferentes.

Um mesmo gênero fúngico pode causar hipersensibilidade sem invasão, crescimento dentro de cavidade pulmonar preexistente ou doença angioinvasiva potencialmente fatal. O primeiro passo é definir qual síndrome está presente.

O patógeno

Aspergillus spp. são mofos hialinos, septados, capazes de formar conídios que se dispersam pelo ar. A. fumigatus é a espécie mais frequentemente implicada em muitas síndromes humanas, mas A. flavus, A. niger, A. terreus e outras espécies também têm relevância clínica.

A identificação da espécie pode importar porque perfis de suscetibilidade não são idênticos. A. terreus, por exemplo, apresenta resistência intrínseca relevante à anfotericina B; além disso, resistência adquirida aos triazóis em A. fumigatus é uma preocupação crescente.

Ponto microbiológico:

Hifas hialinas, septadas e com ramificação em ângulo agudo sugerem Aspergillus na histopatologia, mas a morfologia isolada não identifica espécie nem substitui cultura, métodos moleculares ou correlação clínica.

Aspergillus spp. — toque/clique para ampliar.

Fisiopatologia

Os conídios inalados alcançam vias aéreas e alvéolos. Em hospedeiros imunocompetentes, depuração mucociliar, macrófagos alveolares e neutrófilos geralmente impedem germinação e invasão. Quando há doença estrutural, resposta alérgica exacerbada ou falha de defesa imune, a mesma exposição pode produzir fenótipos muito distintos.

  1. Inalação: conídios ambientais entram pelas vias respiratórias e depositam-se em brônquios e alvéolos.
  2. ABPA: colonização brônquica persistente desencadeia resposta de hipersensibilidade, inflamação eosinofílica, muco impactado e bronquiectasias.
  3. CPA/aspergiloma: doença pulmonar estrutural e cavidades preexistentes permitem colonização, bola fúngica, espessamento pleural, novas cavitações e fibrose.
  4. Doença invasiva: em imunossupressão importante, conídios germinam em hifas capazes de invadir tecido e vasos.
  5. Angioinvasão: trombose, infarto, necrose e disseminação hematogênica podem atingir cérebro, olhos, coração, rins, pele e outros órgãos.
Neutropenia prolongada, transplante, neoplasia hematológica e corticosteroide/imunossupressão intensos deslocam o risco para a forma invasiva, que exige investigação e terapia precoces.
Fisiopatologia da aspergilose — toque/clique para ampliar.

Principais síndromes

ABPA

Hipersensibilidade a Aspergillus, tipicamente em asma, fibrose cística ou bronquiectasias; cursa com exacerbações, eosinofilia, IgE elevada, muco e bronquiectasias.

Aspergiloma

Bola fúngica móvel dentro de cavidade pulmonar preexistente. Pode ser assintomática ou provocar hemoptise importante.

CPA

Doença de meses, geralmente sobre pulmão estruturalmente alterado, com cavitações, espessamento pleural, aspergiloma, sintomas constitucionais e/ou fibrose.

Aspergilose invasiva

Infecção tecidual e frequentemente angioinvasiva, predominante em imunossuprimidos; pode progredir rapidamente e disseminar.

Como ocorre a exposição

Aspergillus é encontrado em solo, poeira, vegetação em decomposição, compostagem, materiais orgânicos e ambientes internos. A principal porta de entrada é a inalação de conídios aerossolizados. Não se considera, na prática habitual, uma infecção transmitida de pessoa para pessoa.

Ar ambiente

Conídios são dispersos continuamente e inalados sem que a maioria das pessoas desenvolva doença.

Matéria orgânica

Jardinagem, composto, folhas, palha, madeira e solo revolvido podem elevar a carga de esporos.

Construções

Obras e reformas geram poeira e são preocupação importante em unidades que atendem pacientes altamente imunossuprimidos.

Quem tem maior risco

ABPA

Asma, fibrose cística, bronquiectasias e outras condições com sensibilização fúngica.

CPA/aspergiloma

Tuberculose prévia, DPOC, sarcoidose, pneumotórax/bolhas, câncer pulmonar, cirurgia torácica e outras doenças cavitárias/estruturais.

Aspergilose invasiva

Neutropenia grave/prolongada, leucemias, transplante de células-tronco ou órgãos sólidos, doença do enxerto contra hospedeiro e imunossupressão intensa.

Outros cenários

Corticosteroides sistêmicos prolongados, imunodeficiências, doença crítica e alguns quadros virais graves podem aumentar vulnerabilidade conforme o contexto.

A presença de Aspergillus em cultura respiratória não significa automaticamente doença invasiva. O significado depende do hospedeiro, da imagem, dos biomarcadores e da evidência de invasão.

Ambiente hospitalar e prevenção da exposição

Centros de transplante e hematologia devem vigiar infecções por mofos e investigar aumentos acima da incidência basal. Em pacientes de risco muito alto, medidas ambientais incluem reduzir exposição a poeira, obras, jardinagem, composto e material orgânico em decomposição; estratégias institucionais de qualidade do ar dependem da população e do serviço.

Aspergilose broncopulmonar alérgica

ABPA costuma se manifestar como piora recorrente de sintomas respiratórios em paciente com condição predisponente ou apresentação clínico-radiológica compatível. Tosse, expectoração, sibilância, dispneia, eliminação de tampões mucosos e exacerbações de asma são frequentes.

Respiratórios

Tosse, sibilância, dispneia, muco espesso e episódios de piora do controle da doença de base.

Muco

Tampões mucosos e opacidades em “dedo de luva” podem ocorrer; muco de alta atenuação em TC é altamente específico.

Imunologia

Sensibilização específica, IgE total elevada e eosinofilia fazem parte da avaliação, mas devem ser interpretadas em conjunto.

Aspergilose pulmonar invasiva

Em pacientes neutropênicos ou intensamente imunossuprimidos, a apresentação típica inclui febre persistente, tosse, dispneia, dor torácica pleurítica e hemoptise. Hipoxemia e insuficiência respiratória podem evoluir rapidamente.

Febre persistente apesar de antibiótico de amplo espectro em paciente de alto risco, associada a achados tomográficos compatíveis, deve acelerar a investigação e não deve atrasar antifúngico quando a suspeita é forte.

Angioinvasão pode gerar nódulos, infartos hemorrágicos, cavitação e disseminação. A recuperação neutrofílica pode, paradoxalmente, acompanhar aumento inicial de infiltrados nas primeiras fases de resposta.

Aspergilose pulmonar crônica e aspergiloma

CPA

Meses de tosse, fadiga, perda ponderal, dispneia, hemoptise e/ou sintomas constitucionais, com cavidades e progressão radiológica em pulmão previamente doente.

Aspergiloma

Massa arredondada de hifas, muco, fibrina e detritos dentro de cavidade; pode permanecer estável ou provocar hemoptise potencialmente grave.

Hemoptise recorrente ou importante em paciente com cavidade e bola fúngica exige avaliação de gravidade, reserva pulmonar e possibilidade de embolização e/ou cirurgia.

Formas extrapulmonares e disseminadas

A disseminação hematogênica pode atingir sistema nervoso central, retina, coração, rins, fígado, baço, pele, ossos e partes moles. Também existem rinossinusite invasiva, traqueobronquite, infecção de ferida e formas gastrointestinais.

SNC

Abscessos, infartos e déficits focais; alto risco de mortalidade.

Olho

Endoftalmite pode exigir tratamento sistêmico associado a terapia intravítrea.

Coração

Endocardite e focos miocárdicos são incomuns, porém graves e frequentemente demandam abordagem multidisciplinar.

Diagnósticos diferenciais

Pneumonia bacteriana ou viral, tuberculose e outras micobacterioses, mucormicose, fusariose, nocardiose, abscesso pulmonar, embolia pulmonar, sarcoidose, pneumonite por hipersensibilidade, pneumonia eosinofílica, granulomatose eosinofílica com poliangiite e outras causas de bronquiectasias/cavitação podem simular parte do espectro.

Princípio diagnóstico

Não existe um único exame capaz de diagnosticar todas as formas de aspergilose. A interpretação correta combina fenótipo clínico + risco do hospedeiro + imagem + evidência imunológica, microbiológica ou histopatológica.

Critérios atuais para ABPA

Os critérios revisados da ISHAM em 2024 aceitam condição predisponente — asma, fibrose cística, DPOC ou bronquiectasias — ou apresentação clínico-radiológica compatível. São componentes essenciais sensibilização a A. fumigatus e IgE total elevada.

ComponenteCritério prático
Essencial 1IgE específica para A. fumigatus ≥0,35 kUA/L; teste cutâneo imediato é aceitável quando IgE específica não está disponível.
Essencial 2IgE total sérica ≥500 IU/mL; valores menores podem ocorrer em situações selecionadas se os demais critérios forem muito convincentes.
Adicionar 2IgG específica positiva; eosinófilos ≥500 células/µL atuais ou históricos; e/ou TC compatível com bronquiectasias, impactação mucosa ou muco de alta atenuação.
O ponto de corte de IgE total foi reduzido de 1.000 para 500 IU/mL na revisão de 2024, aumentando a sensibilidade diagnóstica.

Aspergilose invasiva — exames úteis

TC de tórax

Deve ser realizada precocemente em paciente de alto risco com suspeita clínica; nódulos, halo, consolidações, cavitação e outros padrões dependem do momento e do hospedeiro.

Galactomanana

Útil especialmente em populações hematológicas selecionadas; pode ser pesquisada em soro e lavado broncoalveolar conforme o cenário.

PCR

Pode aumentar rendimento quando integrada a outros exames, mas desempenho e padronização dependem do ensaio e da amostra.

Cultura/histologia

Cultura permite identificação e suscetibilidade. Invasão tecidual por hifas em histopatologia fornece evidência forte de doença invasiva.

Beta-D-glucana é um marcador fúngico não específico. Resultado positivo não identifica Aspergillus e deve ser integrado a outros dados.

CPA e aspergiloma

A CPA é sustentada por sintomas ou progressão radiológica por aproximadamente 3 meses ou mais, alterações estruturais compatíveis e evidência de Aspergillus. IgG contra Aspergillus é o teste microbiológico mais sensível em muitas séries; cultura e PCR respiratórias agregam informação.

No aspergiloma, a TC mostra uma massa intracavitária, frequentemente separada da parede por ar e às vezes móvel. A distinção entre aspergiloma simples e CPA associada depende de sintomas, inflamação e progressão ao longo do tempo.

Coleta, cultura e suscetibilidade

Escarro, lavado broncoalveolar, tecido e outras amostras devem ser escolhidos conforme o foco. Em doença invasiva, broncoscopia com BAL é útil quando segura e viável. Identificação até espécie e teste de suscetibilidade tornam-se especialmente importantes em falha terapêutica, exposição prévia a azóis ou epidemiologia de resistência.

Princípios do tratamento

A escolha do tratamento depende da síndrome. ABPA é doença de hipersensibilidade e pode ser tratada com glicocorticoide ou itraconazol; aspergilose invasiva é infecção tecidual potencialmente fatal e demanda antifúngico sistêmico imediato quando fortemente suspeita; CPA costuma requerer tratamento prolongado; e aspergiloma simples pode ser observado ou tratado cirurgicamente conforme sintomas e risco.

Na aspergilose invasiva, o padrão de 2025 para pacientes onco-hematológicos na América Latina recomenda azóis de amplo espectro — voriconazol, isavuconazol ou posaconazol — em pacientes sem profilaxia prévia contra mofos e sem contraindicação; formulações lipídicas de anfotericina B são centrais quando azóis não são adequados ou quando houve breakthrough sob profilaxia com azol.

Na suspeita forte de aspergilose invasiva, não se deve aguardar confirmação microbiológica completa para iniciar terapia quando o atraso puder piorar o prognóstico.

Mapa rápido dos principais esquemas

CenárioOpções principaisDuração / observação
ABPA agudaPrednisolona 0,5 mg/kg/dia com desmame ou itraconazol 200 mg 12/12 hEsquemas atuais visam completar ~4 meses. Combinação não é rotina na primeira exacerbação.
ABPA recorrentePrednisolona + itraconazolConsiderar quando ≥2 exacerbações em 1–2 anos; individualizar conforme bronquiectasias e toxicidade.
InvasivaVoriconazol, isavuconazol, posaconazol; anfotericina B lipossomal ou complexo lipídicoEm geral 6–12 semanas, ajustando à resposta e imunossupressão.
Profilaxia de alto riscoPosaconazol preferencial; alternativas selecionadas: voriconazol, caspofungina, micafungina ou anfotericina B lipossomalEnquanto persistir o período de alto risco, conforme protocolo hematológico.
CPAItraconazol ou voriconazol; posaconazol quando intolerância/falha; terapia IV em resgateMínimo de 6 meses; alguns pacientes necessitam supressão prolongada.
Aspergiloma simplesObservação se assintomático/estável; cirurgia se sintomático, especialmente hemoptise significativaAntifúngico perioperatório não é rotina se não houver risco de derramamento.

ABPA — terapia anti-inflamatória e antifúngica

O manejo combina controle da inflamação e redução da carga fúngica conforme a apresentação clínica e a frequência de exacerbações.

Aspergilose pulmonar invasiva

O tratamento sistêmico deve considerar gravidade, exposição prévia a azóis, espécie, suscetibilidade, interações e função orgânica. Equinocandinas entram sobretudo em resgate/combinação, não como monoterapia primária rotineira.

Profilaxia da aspergilose invasiva

Aplicável a populações hematológicas de alto risco; posaconazol é a opção preferencial em muitos protocolos.

CPA e aspergiloma

Terapia antifúngica prolongada para doença crônica progressiva; o aspergiloma simples tem estratégia própria.

Monitoramento dos antifúngicos

Triazóis

Revisar interações, hepatotoxicidade e absorção. Monitorização terapêutica de níveis é particularmente útil para itraconazol, voriconazol e posaconazol quando disponível.

Anfotericina B

Monitorar função renal, potássio, magnésio e reações infusionais. Formulações lipídicas são preferidas quando possível por menor nefrotoxicidade.

Equinocandinas

Perfil de interações geralmente favorável; monitorar função hepática e contexto clínico. Não são monoterapia primária padrão para aspergilose invasiva.

Resistência

Falha sob triazol exige revisar adesão, exposição, níveis séricos e suscetibilidade do isolado quando disponível.

Gestação

Na ABPA aguda ou dependente de tratamento durante a gestação, a ISHAM recomenda glicocorticoide sistêmico nos mesmos princípios gerais usados fora da gestação e recomenda evitar azóis orais e biológicos para esse cenário. Aspergilose invasiva na gestação exige infectologia e obstetrícia; formulações lipídicas de anfotericina B costumam ser preferidas quando antifúngico sistêmico é necessário.

Crianças

ABPA ocorre especialmente em crianças com asma difícil de tratar ou fibrose cística. Os critérios de 2024 recomendam rastrear sensibilização em crianças asmáticas difíceis de tratar em centros terciários. Doses antifúngicas pediátricas podem diferir das doses adultas, sobretudo para voriconazol, e devem ser calculadas em protocolo pediátrico específico.

Função renal e hepática

Disfunção renal

Favorece evitar anfotericina B desoxicolato; formulações lipídicas têm perfil renal melhor. A formulação IV de voriconazol contém veículo que merece avaliação na insuficiência renal importante.

Disfunção hepática

Azóis exigem monitoramento e podem precisar ajuste/seleção alternativa conforme gravidade. Interações por CYP são particularmente relevantes com voriconazol e itraconazol.

Imunossupressão e breakthrough

Se a aspergilose invasiva surge durante profilaxia com azol ativo contra mofos, é recomendado confirmar nível sérico quando possível, obter diagnóstico microbiológico e trocar para outra classe, frequentemente anfotericina B lipossomal, enquanto se investiga resistência. Redução da imunossupressão e recuperação neutrofílica, quando viáveis, fazem parte do controle da infecção.

Formas focais graves

  • SNC: voriconazol é terapia primária recomendada; formulação lipídica de anfotericina B é alternativa para intolerância/refratariedade.
  • Rinossinusite invasiva: combinar antifúngico sistêmico e desbridamento cirúrgico quando indicado.
  • Endoftalmite: terapia sistêmica deve ser associada a abordagem intravítrea especializada.
  • Endocardite/osteomielite/focos acessíveis: tratamento costuma exigir antifúngico prolongado e avaliação cirúrgica individualizada.

Como acompanhar a resposta

ABPA

Reavaliar em 8–12 semanas com sintomas, imagem e IgE total. Redução ≥20% da IgE, associada a melhora clínica/radiológica, apoia resposta.

Invasiva

Seguimento clínico e tomográfico seriado; a frequência da TC é individualizada. Galactomanana seriada pode complementar, mas não determina sozinha o fim da terapia.

CPA

Reavaliar sintomas, peso, hemoptise, marcadores inflamatórios, imagem e tolerância ao antifúngico. Seguimento costuma ocorrer a cada 3–6 meses.

Duração e profilaxia secundária

Aspergilose invasiva geralmente requer 6–12 semanas, podendo ser mais longa se a imunossupressão persistir ou a resposta for lenta. Pacientes previamente tratados que voltarão a períodos de imunossupressão relevante podem precisar de profilaxia secundária.

Na CPA sintomática/progressiva, o tratamento antifúngico deve durar pelo menos 6 meses; doença progressiva ou recorrente pode exigir terapia muito mais longa.

Prevenção prática

Alto risco

Evitar jardinagem, compostagem, cobertura vegetal/mulch e exposição próxima a obras ou reformas durante imunossupressão intensa.

Serviços de saúde

Vigilância de infecções por mofos, controle de poeira e medidas ambientais específicas em unidades de transplante/hematologia.

Profilaxia farmacológica

Reservada a grupos de alto risco, com escolha segundo doença de base, interações, exposição antifúngica prévia e protocolo local.

Vacina

Não existe vacina humana de uso clínico rotineiro contra aspergilose.

Erros comuns

ErroPor que importaComo evitar
Tratar cultura isolada como invasãoColonização pode ocorrer sem doença tecidual.Integrar hospedeiro, TC, biomarcadores e histologia/microbiologia.
Usar IgE ≥1.000 como regra atual de ABPAO critério foi revisado e pode perder casos.Usar o corte ≥500 IU/mL dentro do conjunto de critérios ISHAM 2024.
Associar equinocandina rotineiramenteNão há base para combinação universal na terapia inicial.Reservar combinação/resgate para cenários selecionados.
Ignorar formulação do posaconazolComprimido, suspensão e IV têm posologias e absorção diferentes.Prescrever pelo produto/formulação disponível.
Dar antifúngico perioperatório a todo aspergilomaNão é necessário de rotina no aspergiloma simples ressecado sem risco de derramamento.Avaliar risco de abertura da cavidade/contaminação pleural e CPA associada.

Resumo do fluxo prático

  1. Defina primeiro o fenótipo: ABPA, CPA/aspergiloma, invasiva ou forma focal.
  2. Identifique fatores do hospedeiro que mudam a probabilidade pré-teste e a urgência.
  3. Use TC e os exames adequados ao fenótipo; não aplique o mesmo biomarcador a todas as formas.
  4. Na ABPA, utilize os critérios ISHAM 2024 e diferencie exacerbação de asma/bronquiectasia.
  5. Na suspeita forte de doença invasiva, inicie antifúngico precocemente enquanto completa a investigação.
  6. Revise interações, função renal/hepática e necessidade de TDM antes e durante azóis/anfotericina.
  7. Na CPA, planeje terapia de pelo menos 6 meses e acompanhamento longitudinal.
  8. Em aspergiloma, estratifique hemoptise, reserva pulmonar e risco cirúrgico antes da intervenção.

Referências principais

  1. Agarwal R, Sehgal IS, Muthu V, et al. Revised ISHAM-ABPA working group clinical practice guidelines for diagnosing, classifying and treating allergic bronchopulmonary aspergillosis/mycoses. Eur Respir J. 2024;63(4):2400061. doi:10.1183/13993003.00061-2024.
  2. Cortés JA, Rodríguez-Lugo DA, Valderrama-Rios MC, et al. Evidence-based clinical standard for the diagnosis and treatment of invasive lung aspergillosis in the patient with oncohematologic disease. Braz J Infect Dis. 2025;29(2):104517. doi:10.1016/j.bjid.2025.104517.
  3. Patterson TF, Thompson GR III, Denning DW, et al. Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Aspergillosis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2016;63:e1–e60.
  4. Denning DW, Cadranel J, Beigelman-Aubry C, et al. Chronic pulmonary aspergillosis: rationale and clinical guidelines for diagnosis and management. Eur Respir J. 2016;47:45–68.
  5. Epelbaum O, Marinelli T, Haydour Q, et al. Treatment of Invasive Pulmonary Aspergillosis and Preventive and Empirical Therapy for Invasive Candidiasis in Adult Pulmonary and Critical Care Patients: An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;211(1):34–53. doi:10.1164/rccm.202410-2045ST.
  6. Cadena J, Thompson GR III, Patterson TF. Invasive aspergillosis: current strategies for diagnosis and management. Infect Dis Clin North Am. 2016;30(1):125–142.
  7. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Aspergillosis. Clinical and prevention information for patients and health professionals.

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, formas focais graves, gestação e profilaxia após exposição devem ser conferidas antes da prescrição.

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