Salmonelose
Infecção bacteriana causada por bactérias do gênero Salmonella, transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, podendo variar de gastroenterite autolimitada a doença invasiva grave.
Quadro clínico principal
- Diarreia, geralmente aguda
- Febre e mal-estar
- Cólica abdominal
- Náuseas e vômitos
- Desidratação em casos intensos
- Possível bacteremia em grupos de risco
Diagnóstico
- Coprocultura em gastroenterite
- Hemocultura se suspeita invasiva
- Cultura de sítios focais quando houver complicação
- Antibiograma para orientar terapia
Tratamento
- Reposição de fluidos e eletrólitos
- Antibiótico apenas quando indicado
- Opções: quinolona, azitromicina ou cefalosporina de 3ª geração
- Casos complicados podem exigir cirurgia
Complicações
- Bacteremia e sepse
- Endocardite e arterite
- Osteomielite e artrite séptica
- Abscessos e colecistite
O que é
A salmonelose é uma infecção bacteriana causada por espécies do gênero Salmonella. Na prática clínica, pode se apresentar como gastroenterite não tifoide, doença invasiva com bacteremia, infecção focal ou febre entérica relacionada a Salmonella enterica sorotipos Typhi e Paratyphi.
Agente etiológico
Salmonella é um bacilo Gram-negativo, anaeróbio facultativo, pertencente à família Enterobacteriaceae.
- Salmonella não tifoide: causa mais comum de gastroenterite, associada a alimentos contaminados e contato com animais.
- Salmonella Typhi: agente da febre tifoide, com transmissão fecal-oral e maior risco de doença sistêmica.
- Salmonella Paratyphi: causa febre paratifoide, clinicamente semelhante à febre tifoide.
- Reservatórios: humanos em febre tifoide; aves, répteis, bovinos, suínos e outros animais nas formas não tifoides.
Epidemiologia
A salmonelose é uma das principais causas de doença transmitida por alimentos. O risco aumenta quando há falhas no armazenamento, preparo ou cocção de alimentos, saneamento inadequado e contato com animais portadores.
Mundial, com maior carga em locais com saneamento e segurança alimentar inadequados.
Ovos, aves, carnes, leite cru, vegetais contaminados e água contaminada.
Geralmente autolimitada, mas pode ser grave em lactentes, idosos e imunossuprimidos.
Maior em extremos de idade, HIV, hemoglobinopatias e uso de imunossupressores.
Depende de higiene, cozimento adequado, água segura e vigilância de surtos.
Reservatórios e transmissão
Principais reservatórios
- Aves e ovos contaminados.
- Bovinos, suínos e outros animais de produção.
- Répteis, anfíbios e aves domésticas.
- Ser humano, especialmente em S. Typhi e portadores crônicos.
Formas de transmissão
- Ingestão de alimentos crus, malcozidos ou contaminados após o preparo.
- Consumo de água contaminada.
- Contato com animais ou superfícies contaminadas.
- Transmissão fecal-oral em ambientes com higiene inadequada.
Fisiopatologia
Após ingestão, a Salmonella sobrevive ao trato gastrointestinal, adere ao epitélio intestinal e invade células da mucosa. A resposta inflamatória local gera diarreia, dor abdominal e febre.
Em grupos de risco ou em sorotipos invasivos, pode ocorrer translocação para linfonodos, corrente sanguínea e órgãos à distância, causando bacteremia, infecções focais e complicações sistêmicas.
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Como ocorre a transmissão
A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, após ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes humanas ou animais. A contaminação pode acontecer na produção, transporte, armazenamento, preparo ou manipulação dos alimentos.
Principais vias de infecção
Ovos, aves, carnes, leite não pasteurizado, vegetais crus e alimentos prontos contaminados por manipulação inadequada.
Água contaminada por esgoto ou por falhas na potabilidade, especialmente em áreas com saneamento precário.
Répteis, anfíbios, aves e animais de produção podem eliminar Salmonella sem sinais clínicos evidentes.
Pode ocorrer por higiene inadequada das mãos, principalmente em creches, instituições, surtos e cuidado de pacientes com diarreia.
Grupos de maior risco
- Lactentes, crianças pequenas e idosos.
- Gestantes, quando houver risco de desidratação ou doença sistêmica.
- Pessoas com HIV, neoplasias, transplante ou uso de imunossupressores.
- Pacientes com hemoglobinopatias, especialmente doença falciforme.
- Pessoas com próteses vasculares, valva cardíaca, enxertos ou materiais implantáveis.
- Manipuladores de alimentos em contexto de surto ou eliminação fecal persistente.
Quadro clínico
A apresentação mais comum é gastroenterite aguda. Os sintomas costumam surgir após período de incubação curto e podem variar de diarreia leve a quadro grave com febre alta, desidratação e sinais sistêmicos.
Sintomas mais comuns
Pode ser aquosa ou, em alguns casos, inflamatória, com muco ou sangue.
Frequente, especialmente em quadros inflamatórios ou mais intensos.
Cólica, desconforto difuso ou dor em cólica associada a evacuações.
Podem contribuir para redução da ingesta e desidratação.
Sede, tontura, redução de diurese, mucosas secas e prostração.
Febre persistente, toxemia, bacteremia ou sintomas de foco extraintestinal.
Formas clínicas
- Gastroenterite não complicada: diarreia, febre, dor abdominal e evolução geralmente autolimitada.
- Gastroenterite complicada: doença grave, desidratação importante, febre persistente ou risco de invasão.
- Bacteremia: presença de Salmonella no sangue, mais provável em imunossuprimidos e extremos de idade.
- Infecção focal: endocardite, arterite, osteomielite, artrite séptica, abscessos ou colecistite.
- Estado de portador: eliminação persistente, especialmente relevante em S. Typhi e portadores com doença biliar.
Suspeita diagnóstica
Deve ser considerada em pacientes com diarreia febril, dor abdominal e história de ingestão de alimento suspeito, surto alimentar, contato com animais de risco ou viagem para área com saneamento precário.
Exames utilizados
Principal exame na gastroenterite; permite isolamento do agente e realização de antibiograma.
Indicada em febre persistente, toxemia, imunossupressão, suspeita de febre entérica ou doença invasiva.
Painéis por PCR podem detectar patógenos entéricos rapidamente, mas a cultura segue importante para sensibilidade antimicrobiana.
Útil quando há abscesso, osteomielite, artrite séptica, colecistite ou outra manifestação focal.
Diagnósticos diferenciais
- Campilobacteriose.
- Shigelose.
- Escherichia coli enteroinvasiva ou entero-hemorrágica.
- Yersiniose.
- Gastroenterites virais.
- Amebíase e outras parasitoses intestinais.
- Doença inflamatória intestinal em primeiro episódio.
Princípios do tratamento
Na salmonelose, a prioridade inicial é avaliar gravidade, hidratação, risco de doença invasiva e necessidade de investigação. A gastroenterite não complicada costuma ser manejada com suporte clínico, enquanto antimicrobianos ficam reservados para doença grave, pacientes de alto risco ou infecção extraintestinal.
As orientações gerais ficam visíveis em cada categoria. Doses, alternativas e situações cirúrgicas foram concentradas nos popups para preservar o mesmo estilo visual e facilitar a comparação dos esquemas.
Gastroenterite não complicada
Indicada para pacientes estáveis, sem sinais de doença invasiva, desidratação grave ou comorbidades que aumentem o risco de complicação. O foco é reposição de fluidos, eletrólitos e acompanhamento clínico.
Gastroenterite complicada
Inclui doença grave, febre persistente, sinais sistêmicos, desidratação importante, suspeita de bacteremia ou pacientes com alto risco de doença invasiva. Nesses cenários, pode ser necessária antibioticoterapia empírica e suporte hospitalar.
Doença focal, complicações e abordagem cirúrgica
Infecções focais podem exigir tratamento prolongado, drenagem, correção cirúrgica ou remoção de foco. A duração da terapia depende do quadro clínico, do local acometido e da resposta ao tratamento.
Complicações da salmonelose
As complicações são mais prováveis em lactentes, idosos, imunossuprimidos, pessoas com hemoglobinopatias, doença cardiovascular estrutural ou materiais protéticos.
Principais acometimentos
Pode ocorrer após invasão intestinal, com febre persistente, toxemia e risco de disseminação para outros órgãos.
Complicação grave, especialmente em pacientes com valvopatias ou próteses cardíacas.
Pode acometer vasos, especialmente aorta abdominal ou aneurismas preexistentes.
Risco aumentado em doença falciforme e imunossupressão.
Podem ocorrer em partes moles, baço, fígado ou outros sítios, exigindo drenagem em alguns casos.
A vesícula biliar pode funcionar como reservatório, especialmente em portadores de S. Typhi.
Prevenção
A prevenção envolve segurança alimentar, higiene das mãos, saneamento e manejo adequado de alimentos crus e prontos para consumo.
Medidas práticas
Cozinhar completamente ovos, aves, carnes e outros alimentos de origem animal.
Lavar as mãos após usar o banheiro, trocar fraldas, manipular carnes cruas ou tocar animais.
Manter alimentos perecíveis refrigerados e evitar tempo prolongado em temperatura ambiente.
Separar tábuas, facas e superfícies usadas para alimentos crus e alimentos prontos.
Vacinação
Não há vacina de rotina para salmonelose não tifoide. Para febre tifoide, vacinas podem ser indicadas em situações específicas, como viagens para áreas de risco, conforme orientação de saúde do viajante.
Referências bibliográficas
- Centers for Disease Control and Prevention. Clinical Overview of Salmonellosis. Atualizado em 2024.
- Centers for Disease Control and Prevention. Treatment of Salmonella Infection. Atualizado em 2024.
- MSD Manuals Professional Edition. Nontyphoidal Salmonella Infections.
- Infectious Diseases Society of America. Clinical Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Infectious Diarrhea. 2017.
- Brasil. Ministério da Saúde. Materiais de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos.
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Em provas / residência
Salmonelose → gastroenterite após alimento contaminado, com diarreia, febre e dor abdominal.
Antibiótico não é rotina na forma não complicada; indicar em doença grave, invasiva ou alto risco.
