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Salmonelose | Guia de Zoonoses
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Salmonelose

Infecção bacteriana causada por bactérias do gênero Salmonella, transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, podendo variar de gastroenterite autolimitada a doença invasiva grave.

Bactéria entérica Transmissão alimentar Hidratação é prioridade Risco de doença invasiva
Tempo de leitura: 9 min
Atualizado em: 26/06/2026
Salmonelose e transmissão alimentar

Quadro clínico principal

  • Diarreia, geralmente aguda
  • Febre e mal-estar
  • Cólica abdominal
  • Náuseas e vômitos
  • Desidratação em casos intensos
  • Possível bacteremia em grupos de risco

Diagnóstico

  • Coprocultura em gastroenterite
  • Hemocultura se suspeita invasiva
  • Cultura de sítios focais quando houver complicação
  • Antibiograma para orientar terapia

Tratamento

  • Reposição de fluidos e eletrólitos
  • Antibiótico apenas quando indicado
  • Opções: quinolona, azitromicina ou cefalosporina de 3ª geração
  • Casos complicados podem exigir cirurgia

Complicações

  • Bacteremia e sepse
  • Endocardite e arterite
  • Osteomielite e artrite séptica
  • Abscessos e colecistite

O que é

A salmonelose é uma infecção bacteriana causada por espécies do gênero Salmonella. Na prática clínica, pode se apresentar como gastroenterite não tifoide, doença invasiva com bacteremia, infecção focal ou febre entérica relacionada a Salmonella enterica sorotipos Typhi e Paratyphi.

Agente etiológico

Salmonella é um bacilo Gram-negativo, anaeróbio facultativo, pertencente à família Enterobacteriaceae.

  • Salmonella não tifoide: causa mais comum de gastroenterite, associada a alimentos contaminados e contato com animais.
  • Salmonella Typhi: agente da febre tifoide, com transmissão fecal-oral e maior risco de doença sistêmica.
  • Salmonella Paratyphi: causa febre paratifoide, clinicamente semelhante à febre tifoide.
  • Reservatórios: humanos em febre tifoide; aves, répteis, bovinos, suínos e outros animais nas formas não tifoides.
Bactéria Salmonella

Epidemiologia

A salmonelose é uma das principais causas de doença transmitida por alimentos. O risco aumenta quando há falhas no armazenamento, preparo ou cocção de alimentos, saneamento inadequado e contato com animais portadores.

Distribuição

Mundial, com maior carga em locais com saneamento e segurança alimentar inadequados.

Fonte comum

Ovos, aves, carnes, leite cru, vegetais contaminados e água contaminada.

Gravidade

Geralmente autolimitada, mas pode ser grave em lactentes, idosos e imunossuprimidos.

Risco invasivo

Maior em extremos de idade, HIV, hemoglobinopatias e uso de imunossupressores.

Controle

Depende de higiene, cozimento adequado, água segura e vigilância de surtos.

Reservatórios e transmissão

Principais reservatórios

  • Aves e ovos contaminados.
  • Bovinos, suínos e outros animais de produção.
  • Répteis, anfíbios e aves domésticas.
  • Ser humano, especialmente em S. Typhi e portadores crônicos.

Formas de transmissão

  • Ingestão de alimentos crus, malcozidos ou contaminados após o preparo.
  • Consumo de água contaminada.
  • Contato com animais ou superfícies contaminadas.
  • Transmissão fecal-oral em ambientes com higiene inadequada.
A eliminação fecal pode persistir após melhora clínica, exigindo atenção em manipuladores de alimentos e surtos.

Fisiopatologia

Após ingestão, a Salmonella sobrevive ao trato gastrointestinal, adere ao epitélio intestinal e invade células da mucosa. A resposta inflamatória local gera diarreia, dor abdominal e febre.

Em grupos de risco ou em sorotipos invasivos, pode ocorrer translocação para linfonodos, corrente sanguínea e órgãos à distância, causando bacteremia, infecções focais e complicações sistêmicas.

Fisiopatologia da salmonelose Clique para ampliar

Como ocorre a transmissão

A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, após ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes humanas ou animais. A contaminação pode acontecer na produção, transporte, armazenamento, preparo ou manipulação dos alimentos.

Principais vias de infecção

Via alimentar

Ovos, aves, carnes, leite não pasteurizado, vegetais crus e alimentos prontos contaminados por manipulação inadequada.

Via hídrica

Água contaminada por esgoto ou por falhas na potabilidade, especialmente em áreas com saneamento precário.

Contato com animais

Répteis, anfíbios, aves e animais de produção podem eliminar Salmonella sem sinais clínicos evidentes.

Pessoa a pessoa

Pode ocorrer por higiene inadequada das mãos, principalmente em creches, instituições, surtos e cuidado de pacientes com diarreia.

Grupos de maior risco

  • Lactentes, crianças pequenas e idosos.
  • Gestantes, quando houver risco de desidratação ou doença sistêmica.
  • Pessoas com HIV, neoplasias, transplante ou uso de imunossupressores.
  • Pacientes com hemoglobinopatias, especialmente doença falciforme.
  • Pessoas com próteses vasculares, valva cardíaca, enxertos ou materiais implantáveis.
  • Manipuladores de alimentos em contexto de surto ou eliminação fecal persistente.
A prevenção depende de cozimento adequado, higiene das mãos, separação entre alimentos crus e prontos e armazenamento em temperatura segura.

Quadro clínico

A apresentação mais comum é gastroenterite aguda. Os sintomas costumam surgir após período de incubação curto e podem variar de diarreia leve a quadro grave com febre alta, desidratação e sinais sistêmicos.

Sintomas mais comuns

Diarreia

Pode ser aquosa ou, em alguns casos, inflamatória, com muco ou sangue.

Febre

Frequente, especialmente em quadros inflamatórios ou mais intensos.

Dor abdominal

Cólica, desconforto difuso ou dor em cólica associada a evacuações.

Náuseas e vômitos

Podem contribuir para redução da ingesta e desidratação.

Desidratação

Sede, tontura, redução de diurese, mucosas secas e prostração.

Doença invasiva

Febre persistente, toxemia, bacteremia ou sintomas de foco extraintestinal.

Formas clínicas

  • Gastroenterite não complicada: diarreia, febre, dor abdominal e evolução geralmente autolimitada.
  • Gastroenterite complicada: doença grave, desidratação importante, febre persistente ou risco de invasão.
  • Bacteremia: presença de Salmonella no sangue, mais provável em imunossuprimidos e extremos de idade.
  • Infecção focal: endocardite, arterite, osteomielite, artrite séptica, abscessos ou colecistite.
  • Estado de portador: eliminação persistente, especialmente relevante em S. Typhi e portadores com doença biliar.

Suspeita diagnóstica

Deve ser considerada em pacientes com diarreia febril, dor abdominal e história de ingestão de alimento suspeito, surto alimentar, contato com animais de risco ou viagem para área com saneamento precário.

Exames utilizados

Coprocultura

Principal exame na gastroenterite; permite isolamento do agente e realização de antibiograma.

Hemocultura

Indicada em febre persistente, toxemia, imunossupressão, suspeita de febre entérica ou doença invasiva.

Testes moleculares

Painéis por PCR podem detectar patógenos entéricos rapidamente, mas a cultura segue importante para sensibilidade antimicrobiana.

Cultura de foco

Útil quando há abscesso, osteomielite, artrite séptica, colecistite ou outra manifestação focal.

Diagnósticos diferenciais

  • Campilobacteriose.
  • Shigelose.
  • Escherichia coli enteroinvasiva ou entero-hemorrágica.
  • Yersiniose.
  • Gastroenterites virais.
  • Amebíase e outras parasitoses intestinais.
  • Doença inflamatória intestinal em primeiro episódio.
Em doença grave, invasiva ou associada a surto, sempre que possível solicite cultura e antibiograma antes de definir o antimicrobiano definitivo.

Princípios do tratamento

Na salmonelose, a prioridade inicial é avaliar gravidade, hidratação, risco de doença invasiva e necessidade de investigação. A gastroenterite não complicada costuma ser manejada com suporte clínico, enquanto antimicrobianos ficam reservados para doença grave, pacientes de alto risco ou infecção extraintestinal.

Como usar esta aba

As orientações gerais ficam visíveis em cada categoria. Doses, alternativas e situações cirúrgicas foram concentradas nos popups para preservar o mesmo estilo visual e facilitar a comparação dos esquemas.

Gastroenterite não complicada

Indicada para pacientes estáveis, sem sinais de doença invasiva, desidratação grave ou comorbidades que aumentem o risco de complicação. O foco é reposição de fluidos, eletrólitos e acompanhamento clínico.

Gastroenterite complicada

Inclui doença grave, febre persistente, sinais sistêmicos, desidratação importante, suspeita de bacteremia ou pacientes com alto risco de doença invasiva. Nesses cenários, pode ser necessária antibioticoterapia empírica e suporte hospitalar.

Doença focal, complicações e abordagem cirúrgica

Infecções focais podem exigir tratamento prolongado, drenagem, correção cirúrgica ou remoção de foco. A duração da terapia depende do quadro clínico, do local acometido e da resposta ao tratamento.

Em salmonelose não complicada, antibióticos não são recomendados de rotina; em doença grave, invasiva ou alto risco, a escolha deve considerar cultura, sensibilidade local e avaliação clínica.

Complicações da salmonelose

As complicações são mais prováveis em lactentes, idosos, imunossuprimidos, pessoas com hemoglobinopatias, doença cardiovascular estrutural ou materiais protéticos.

Principais acometimentos

Bacteremia

Pode ocorrer após invasão intestinal, com febre persistente, toxemia e risco de disseminação para outros órgãos.

Endocardite

Complicação grave, especialmente em pacientes com valvopatias ou próteses cardíacas.

Arterite

Pode acometer vasos, especialmente aorta abdominal ou aneurismas preexistentes.

Osteomielite

Risco aumentado em doença falciforme e imunossupressão.

Abscessos

Podem ocorrer em partes moles, baço, fígado ou outros sítios, exigindo drenagem em alguns casos.

Colecistite e portador

A vesícula biliar pode funcionar como reservatório, especialmente em portadores de S. Typhi.

Febre persistente, dor focal, sinais vasculares ou piora após melhora inicial devem levantar suspeita de doença invasiva ou foco extraintestinal.

Prevenção

A prevenção envolve segurança alimentar, higiene das mãos, saneamento e manejo adequado de alimentos crus e prontos para consumo.

Medidas práticas

Cozinhar bem

Cozinhar completamente ovos, aves, carnes e outros alimentos de origem animal.

Higienizar as mãos

Lavar as mãos após usar o banheiro, trocar fraldas, manipular carnes cruas ou tocar animais.

Armazenar corretamente

Manter alimentos perecíveis refrigerados e evitar tempo prolongado em temperatura ambiente.

Evitar contaminação cruzada

Separar tábuas, facas e superfícies usadas para alimentos crus e alimentos prontos.

Vacinação

Não há vacina de rotina para salmonelose não tifoide. Para febre tifoide, vacinas podem ser indicadas em situações específicas, como viagens para áreas de risco, conforme orientação de saúde do viajante.

Manipuladores de alimentos com diarreia devem ser afastados temporariamente da manipulação até avaliação e orientação adequada.

Referências bibliográficas

  1. Centers for Disease Control and Prevention. Clinical Overview of Salmonellosis. Atualizado em 2024.
  2. Centers for Disease Control and Prevention. Treatment of Salmonella Infection. Atualizado em 2024.
  3. MSD Manuals Professional Edition. Nontyphoidal Salmonella Infections.
  4. Infectious Diseases Society of America. Clinical Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Infectious Diarrhea. 2017.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Materiais de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos.

Em provas / residência

Salmonelose → gastroenterite após alimento contaminado, com diarreia, febre e dor abdominal.

Antibiótico não é rotina na forma não complicada; indicar em doença grave, invasiva ou alto risco.

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Mais informações nas abas abaixo do artigo.

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