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Doença da Arranhadura do Gato

Infecção bacteriana zoonótica causada principalmente pela Bartonella henselae, transmitida por arranhaduras, mordeduras ou contato com saliva de gatos infectados, especialmente filhotes.

Gatos Zoonose Bartonella henselae Arranhadura ou mordida
Tempo de leitura: 8 min
Atualizado em: 18/05/2026
Doença da arranhadura do gato

Quadro clínico principal

  • Pápula ou pústula no local da arranhadura
  • Linfadenopatia regional dolorosa
  • Febre baixa
  • Mal-estar e fadiga
  • Cefaleia
  • História de contato com gato, especialmente filhote

Diagnóstico

  • Diagnóstico geralmente clínico-epidemiológico
  • Sorologia para Bartonella henselae
  • PCR em tecido ou aspirado de linfonodo
  • Biópsia em casos atípicos ou persistentes

Tratamento

  • Maioria dos casos é autolimitada
  • Analgesia e acompanhamento clínico
  • Azitromicina pode reduzir linfonodomegalia
  • Casos graves ou disseminados exigem antibióticos específicos

Complicações

  • Linfadenite supurativa
  • Síndrome oculoglandular de Parinaud
  • Neurorretinite
  • Encefalopatia ou manifestações neurológicas
  • Angiomatose bacilar em imunossuprimidos

O que é

A doença da arranhadura do gato é uma zoonose bacteriana, geralmente benigna e autolimitada, causada principalmente pela Bartonella henselae. A infecção ocorre após arranhaduras, mordeduras ou contato da saliva de gatos infectados com pele lesionada ou mucosas, podendo causar lesão cutânea inicial e aumento doloroso dos linfonodos regionais.

Agente etiológico

Bactéria Gram-negativa, intracelular facultativa, pertencente ao gênero Bartonella.

  • Bartonella henselae — principal agente da doença da arranhadura do gato.
  • Bartonella clarridgeiae — espécie menos frequente, também associada a casos humanos.
  • Gatos domésticos — principais reservatórios, especialmente filhotes.
  • Pulgas de gatos — importantes na transmissão entre os felinos.
Gato doméstico associado à doença da arranhadura do gato

Epidemiologia

É uma zoonose de distribuição mundial, mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens com contato próximo com gatos, principalmente filhotes.

Distribuição mundial

Presente em diversos países, especialmente onde há contato frequente com gatos domésticos.

No Brasil

Provavelmente subdiagnosticada, com casos associados ao convívio com gatos.

Mortalidade

Muito baixa em imunocompetentes.

Morbidade

Geralmente leve, mas pode ser relevante em formas oculares, neurológicas ou disseminadas.

Perfil típico

Crianças e jovens com história de arranhadura ou mordida de gato.

Reservatórios e transmissão

Principais reservatórios

  • Gatos domésticos, especialmente filhotes.
  • Gatos assintomáticos com bacteremia por Bartonella henselae.
  • Pulgas de gatos, que mantêm a circulação da bactéria entre os felinos.
  • Raramente, outros mamíferos podem estar envolvidos como hospedeiros acidentais.

Formas de transmissão

  • Arranhadura de gato contaminada com fezes de pulgas.
  • Mordedura de gato infectado.
  • Contato da saliva do gato com pele lesionada.
  • Contato com mucosas, como conjuntiva, em casos específicos.
A transmissão direta entre pessoas não é considerada forma habitual da doença.

Fisiopatologia

A Bartonella henselae é inoculada na pele após arranhadura, mordedura ou contato com saliva contaminada. No local da inoculação, pode surgir uma pequena pápula, pústula ou crosta, geralmente alguns dias após a exposição.

Em seguida, a bactéria alcança os vasos linfáticos e os linfonodos regionais, levando a uma resposta inflamatória granulomatosa e supurativa, que se manifesta como linfadenopatia dolorosa. Em imunocomprometidos, pode ocorrer disseminação sistêmica, com angiomatose bacilar, peliose hepática ou acometimento de múltiplos órgãos.

Ciclo de vida e fisiopatologia da doença da arranhadura do gato Clique para ampliar

Como ocorre a transmissão

A transmissão ocorre principalmente quando a Bartonella henselae é inoculada na pele ou em mucosas após arranhaduras, mordeduras ou contato com saliva de gatos infectados. A bactéria circula entre os gatos principalmente por meio das pulgas.

Principais vias de infecção

Arranhadura de gato

Principal forma de transmissão, especialmente quando as unhas estão contaminadas por fezes de pulgas infectadas.

Mordedura

A mordida de gato pode inocular a bactéria diretamente na pele, principalmente quando há lesão profunda ou ferida local.

Saliva em pele lesionada

O contato da saliva do gato com cortes, escoriações ou pequenas feridas pode permitir a entrada da bactéria.

Contato com mucosas

Em situações menos comuns, o contato com mucosas, como a conjuntiva, pode causar manifestações oculares, como a síndrome oculoglandular de Parinaud.

Grupos de maior risco

  • Crianças e adolescentes que brincam com gatos.
  • Pessoas com contato frequente com gatos filhotes.
  • Tutores de gatos com infestação por pulgas.
  • Veterinários, estudantes de veterinária e profissionais de pet shops.
  • Pessoas imunossuprimidas, com maior risco de formas disseminadas.
  • Indivíduos com feridas na pele expostas ao contato com gatos.
A transmissão direta entre pessoas não é considerada forma habitual de disseminação da doença.

Quadro clínico

A doença da arranhadura do gato geralmente apresenta evolução benigna e autolimitada. O quadro típico começa com uma pequena lesão cutânea no local da arranhadura ou mordedura, seguida por aumento doloroso dos linfonodos regionais, principalmente em axila, pescoço, região inguinal ou cotovelo.

Lesão cutânea inicial

A lesão primária costuma surgir no local de inoculação da bactéria, geralmente alguns dias após o contato com o gato. Pode passar despercebida, pois muitas vezes é pequena e pouco dolorosa.

  • Pápula avermelhada no local da arranhadura.
  • Pústula pequena ou crosta superficial.
  • Lesão geralmente única ou em pequeno número.
  • Pode regredir espontaneamente antes do aumento dos linfonodos.
Lesão cutânea da doença da arranhadura do gato Clique para ampliar

Sintomas mais comuns

Pápula ou pústula inicial

Pequena lesão no local da arranhadura, mordedura ou contato com saliva contaminada.

Linfadenopatia regional

Aumento de linfonodos próximos ao local da lesão, geralmente dolorosos e de evolução lenta.

Febre baixa

Pode ocorrer principalmente nos primeiros dias, associada a mal-estar geral.

Astenia

Cansaço, indisposição e queda do rendimento físico, geralmente leves.

Cefaleia

Pode acompanhar o quadro sistêmico, especialmente quando há febre e mal-estar.

Supuração linfonodal

Alguns linfonodos podem evoluir com flutuação, dor intensa e drenagem espontânea.

Formas clínicas

  • Forma típica: lesão cutânea inicial seguida de linfadenopatia regional dolorosa.
  • Forma linfonodal supurativa: linfonodo aumentado, doloroso, com flutuação e possível drenagem.
  • Forma ocular: pode causar síndrome oculoglandular de Parinaud, com conjuntivite granulomatosa e linfonodo pré-auricular.
  • Forma neurológica: rara, podendo cursar com encefalopatia, convulsões, neurorretinite ou outras manifestações.
  • Forma disseminada: mais comum em imunossuprimidos, podendo causar febre prolongada, acometimento hepatoesplênico, angiomatose bacilar ou peliose hepática.

Diferença entre doença da arranhadura do gato e esporotricose

As duas doenças podem estar relacionadas ao contato com gatos e podem causar lesões de pele, mas o padrão clínico costuma ser diferente.

Doença da arranhadura do gato

Costuma causar uma pápula, pústula ou crosta pequena no local da inoculação, seguida principalmente por linfonodo regional aumentado e doloroso.

Esporotricose

Geralmente causa lesão nodular, ulcerada ou verrucosa, que pode formar um trajeto de nódulos pela drenagem linfática, conhecido como padrão linfocutâneo.

Padrão linfonodal

Na doença da arranhadura do gato, o achado dominante costuma ser a linfadenopatia regional, muitas vezes maior e mais dolorosa que a lesão de pele inicial.

Padrão em cadeia

Na esporotricose, é comum o aparecimento de lesões ascendentes em cadeia ao longo dos vasos linfáticos, especialmente em membros superiores.

Atenção: gato com lesões ulceradas, crostosas ou disseminadas na pele deve levantar suspeita de esporotricose felina, que exige avaliação veterinária e medidas de proteção no manuseio.

Suspeita diagnóstica

Deve ser suspeitada em pacientes com linfonodomegalia regional dolorosa, especialmente após história recente de arranhadura, mordedura ou contato próximo com gatos, principalmente filhotes. A presença de pápula ou pústula no local da inoculação reforça a hipótese diagnóstica.

Exames utilizados

Diagnóstico clínico

Baseado na associação entre contato com gatos, lesão cutânea típica e linfadenopatia regional.

Sorologia

Pesquisa de anticorpos contra Bartonella henselae, útil em casos sugestivos.

PCR

Pode ser realizada em aspirado de linfonodo, biópsia ou tecidos acometidos, especialmente em casos atípicos.

Punção de linfonodo

Indicada principalmente quando há supuração importante, dor intensa ou dúvida diagnóstica.

Biópsia

Pode mostrar inflamação granulomatosa e necrose estrelada, sendo reservada para casos persistentes ou suspeita de outras doenças.

Exames complementares

Fundoscopia, neuroimagem ou ultrassonografia podem ser necessários em formas oculares, neurológicas ou viscerais.

Diagnósticos diferenciais

  • Esporotricose.
  • Tuberculose ganglionar.
  • Toxoplasmose.
  • Mononucleose infecciosa.
  • Linfoma.
  • Abscessos bacterianos.
  • Leishmaniose tegumentar.
  • Outras causas de linfadenopatia crônica.
A associação entre história epidemiológica, padrão da lesão cutânea e linfadenopatia regional é essencial para evitar atrasos diagnósticos e tratamentos inadequados.

Princípios do tratamento

A doença da arranhadura do gato, na maioria dos pacientes imunocompetentes, tem evolução benigna e autolimitada. O tratamento depende da gravidade, da presença de linfadenopatia dolorosa, manifestações atípicas e do estado imunológico do paciente.

A maioria dos pacientes, principalmente crianças, apresenta resolução espontânea em cerca de 2 a 8 semanas, com necessidade apenas de medidas sintomáticas e acompanhamento clínico.

Classificação prática por gravidade

Forma leve / típica

Lesão cutânea pequena, linfonodomegalia regional discreta a moderada, sem sinais sistêmicos importantes e paciente imunocompetente.

Forma moderada

Linfonodo muito doloroso, volumoso, persistente, com febre, mal-estar importante ou suspeita de supuração.

Forma grave ou atípica

Doença ocular, neurológica, hepatoesplênica, osteomielite, febre prolongada ou acometimento sistêmico.

Imunossuprimidos

HIV avançado, transplantados, uso de imunossupressores ou suspeita de angiomatose bacilar, peliose hepática, bacteremia ou doença disseminada.

Forma leve / típica — imunocompetente

Indicada para pacientes com quadro localizado, sem sinais de gravidade. A conduta pode ser apenas sintomática, pois muitos casos resolvem espontaneamente.

Medidas sintomáticas

  • Analgesia conforme dor.
  • Antitérmico se febre.
  • Compressas mornas sobre linfonodo doloroso.
  • Acompanhamento da regressão do linfonodo.
  • Orientar retorno se febre persistente, piora da dor, aumento progressivo ou sinais de supuração.

Quando considerar antibiótico

  • Linfadenopatia muito dolorosa ou volumosa.
  • Desejo de reduzir mais rapidamente o volume linfonodal.
  • Quadro persistente ou com impacto funcional.
  • Dúvida sobre evolução clínica ou dificuldade de seguimento.
Azitromicina — esquema de 5 dias

Adultos ou pacientes ≥ 45 kg: 500 mg VO no 1º dia, depois 250 mg VO 1x/dia do 2º ao 5º dia.

Crianças ou pacientes < 45 kg: 10 mg/kg VO no 1º dia, depois 5 mg/kg VO 1x/dia do 2º ao 5º dia.

Forma moderada — linfonodo doloroso, volumoso ou supurativo

Indicada para pacientes com linfadenopatia exuberante, dor importante, evolução arrastada ou suspeita de supuração linfonodal.

Antibiótico preferencial

Azitromicina por 5 dias, nas mesmas doses da forma típica.

Aspiração por agulha

Pode ser considerada quando há flutuação, dor intensa ou necessidade de alívio sintomático.

Evitar incisão ampla

Drenagem cirúrgica ampla deve ser evitada quando possível, pelo risco de fístula crônica.

Reavaliar diagnóstico

Se evolução atípica, considerar esporotricose, micobactéria, toxoplasmose, linfoma ou outras causas.

Azitromicina

≥ 45 kg: 500 mg VO no D1, depois 250 mg VO 1x/dia do D2 ao D5.

< 45 kg: 10 mg/kg VO no D1, depois 5 mg/kg VO 1x/dia do D2 ao D5.

Forma grave ou atípica — ocular, neurológica ou sistêmica

Manifestações atípicas, doença mais grave ou disseminada podem durar meses a anos e causar quadro debilitante. Nesses casos, o tratamento deve ser individualizado e, preferencialmente, acompanhado por infectologia.

Ocorre principalmente em crianças muito jovens, idosos imunocompetentes e pacientes imunossuprimidos, como pessoas vivendo com HIV, transplantados ou usuários de imunossupressores.

Opções frequentemente utilizadas

Doxiciclina

100 mg VO/EV de 12/12 h, geralmente por 4 a 6 semanas.

Rifampicina

300 mg VO/EV de 12/12 h, geralmente associada à doxiciclina em formas oculares, neurológicas ou disseminadas.

Azitromicina

500 mg VO 1x/dia pode ser alternativa em algumas formas sistêmicas, conforme avaliação clínica.

Claritromicina

500 mg VO de 12/12 h pode ser alternativa em situações selecionadas.

Exemplo de esquema para neurorretinite ou acometimento neurológico

Doxiciclina: 100 mg VO/EV de 12/12 h por 4 a 6 semanas.

Rifampicina: 300 mg VO/EV de 12/12 h por 4 a 6 semanas.

Em crianças, gestantes ou contraindicação à doxiciclina, individualizar o esquema.

Imunossuprimidos ou doença disseminada

Pacientes imunossuprimidos devem receber antibiótico, mesmo quando o quadro parecer inicialmente localizado, devido ao maior risco de bacteremia, angiomatose bacilar, peliose hepática, osteomielite, endocardite ou doença disseminada.

Esquemas preferenciais

  • Doxiciclina: 100 mg VO/EV de 12/12 h.
  • OU Eritromicina: 500 mg VO/EV de 6/6 h.
  • Duração: pelo menos 3 meses em pacientes com HIV ou doença disseminada.

Alternativas

  • Azitromicina: 500 mg VO 1x/dia.
  • Claritromicina: 500 mg VO de 12/12 h.
  • Considerar associação com rifampicina em doença grave ou multifocal.
Doença grave, multifocal ou com descompensação clínica

Doxiciclina: 100 mg VO/EV de 12/12 h.

Rifampicina: 300 mg VO/EV de 12/12 h.

Duração: geralmente ≥ 3 meses, ajustada conforme resposta clínica.

Endocardite por Bartonella

A endocardite por Bartonella henselae é uma forma grave e deve ser manejada em ambiente hospitalar, com infectologia e cardiologia.

Doxiciclina

100 mg VO/EV de 12/12 h por pelo menos 6 semanas; frequentemente por tempo maior conforme evolução.

Rifampicina

300 mg VO/EV de 12/12 h, associada à doxiciclina por no mínimo 6 semanas.

Gentamicina

1 mg/kg EV de 8/8 h por 14 dias, quando indicada e com monitorização renal.

Avaliação cirúrgica

Pode ser necessária em disfunção valvar, insuficiência cardíaca, abscesso ou falha terapêutica.

Evolução, recorrência e imunidade

Crianças imunocompetentes

A maioria evolui bem, com melhora espontânea em semanas e regressão gradual dos linfonodos.

Casos atípicos

Formas graves ou disseminadas podem persistir por meses a anos e gerar sintomas debilitantes.

Recorrência

É mais preocupante em imunossuprimidos; pode exigir curso prolongado ou troca do esquema antimicrobiano.

Imunidade

A maioria dos pacientes acometidos desenvolve imunidade prolongada contra nova infecção.

Casos com alteração visual, sinais neurológicos, febre persistente, hepatoesplenomegalia, suspeita de endocardite ou imunossupressão não devem ser conduzidos apenas como forma leve.

Complicações da doença da arranhadura do gato

A maioria dos casos evolui de forma benigna, com resolução espontânea. As complicações são mais prováveis em pacientes imunossuprimidos, crianças muito jovens, idosos ou quando há manifestações atípicas, disseminadas ou atraso diagnóstico.

Principais acometimentos

Linfonodal

Linfadenite regional dolorosa, persistente ou supurativa, podendo evoluir com flutuação, drenagem espontânea e desconforto local importante.

Ocular

Síndrome oculoglandular de Parinaud, conjuntivite granulomatosa, linfonodo pré-auricular e neurorretinite, com risco de alteração visual.

Neurológico

Encefalopatia, convulsões, meningite, mielite, neuropatias ou alterações visuais associadas à neurorretinite.

Hepatoesplênico

Lesões granulomatosas no fígado e baço, dor abdominal, febre prolongada, hepatomegalia, esplenomegalia ou elevação de enzimas hepáticas.

Osteoarticular

Osteomielite, dor óssea localizada, acometimento vertebral ou lesões ósseas focais, geralmente em formas atípicas.

Cardíaco

Endocardite por Bartonella henselae, rara, porém grave, devendo ser suspeitada em febre prolongada com sopro, valvopatia ou hemoculturas negativas.

Imunossuprimidos

Angiomatose bacilar, peliose hepática, bacteremia persistente e doença disseminada, especialmente em HIV avançado, transplantados ou usuários de imunossupressores.

Evolução prolongada

Manifestações atípicas ou disseminadas podem persistir por meses a anos, com febre prolongada, fadiga, perda funcional e quadro debilitante.

Sinais de alerta

  • Febre persistente ou prolongada.
  • Linfonodo muito doloroso, volumoso, flutuante ou com drenagem espontânea.
  • Alteração visual, dor ocular, olho vermelho persistente ou perda de acuidade visual.
  • Convulsões, confusão mental, cefaleia intensa ou sinais neurológicos focais.
  • Dor abdominal associada a hepatomegalia, esplenomegalia ou lesões hepatoesplênicas.
  • Dor óssea localizada ou suspeita de osteomielite.
  • Paciente imunossuprimido, transplantado ou com HIV avançado.

Prognóstico e imunidade

Casos típicos

A maioria dos pacientes, principalmente crianças imunocompetentes, apresenta resolução espontânea em cerca de 2 a 8 semanas.

Imunidade prolongada

A maioria dos pacientes acometidos desenvolve imunidade prolongada após a infecção.

Maior risco de gravidade

Crianças muito jovens, idosos e pacientes imunossuprimidos têm maior risco de formas graves, disseminadas ou prolongadas.

Evolução arrastada

Formas atípicas podem durar meses a anos e exigir investigação complementar, tratamento prolongado e acompanhamento especializado.

Linfadenopatia regional após contato com gato costuma sugerir doença da arranhadura do gato, mas febre prolongada, alteração visual, sinais neurológicos ou imunossupressão devem levantar suspeita de forma complicada.

Como prevenir

A prevenção da doença da arranhadura do gato depende principalmente de cuidados no contato com gatos, controle de pulgas e higiene adequada após arranhaduras, mordeduras ou lambeduras em pele lesionada.

Medidas individuais

  • Evitar brincadeiras agressivas com gatos, especialmente filhotes.
  • Lavar imediatamente arranhaduras e mordeduras com água e sabão.
  • Evitar que gatos lambam feridas, cortes, escoriações ou mucosas.
  • Manter as unhas dos gatos aparadas para reduzir risco de arranhaduras.
  • Higienizar as mãos após contato com gatos, principalmente antes de tocar olhos, boca ou feridas.
  • Evitar contato próximo com gatos desconhecidos, ariscos ou com infestação por pulgas.

Cuidados com os gatos

Controle de pulgas

As pulgas são importantes na transmissão da Bartonella henselae entre os gatos. O controle regular reduz a circulação da bactéria.

Cuidado com filhotes

Filhotes têm maior chance de transmitir a doença, pois costumam brincar arranhando e podem apresentar bacteremia com mais frequência.

Acompanhamento veterinário

Consultas veterinárias, controle parasitário e cuidados gerais ajudam a manter o animal saudável e reduzem riscos de transmissão.

Higiene ambiental

Manter o ambiente limpo e controlar pulgas em camas, tapetes e locais onde o gato permanece com frequência.

Atenção especial para imunossuprimidos

Pessoas imunossuprimidas têm maior risco de formas graves, disseminadas ou prolongadas da doença, como angiomatose bacilar, peliose hepática e bacteremia.

  • Evitar contato com gatos filhotes ou animais com pulgas.
  • Não permitir lambedura em feridas, mucosas ou região dos olhos.
  • Usar cuidado redobrado ao manusear animais ariscos.
  • Manter controle rigoroso de pulgas no animal e no ambiente.
  • Procurar avaliação médica se surgir febre, lesão cutânea ou linfonodo aumentado após contato com gato.

Medidas coletivas e educativas

Educação em saúde

Orientar crianças, tutores e profissionais sobre riscos de arranhaduras, mordeduras e contato de saliva com feridas.

Ambientes com crianças

Ensinar crianças a evitar brincadeiras agressivas com gatos e a avisar adultos quando ocorrer arranhadura ou mordedura.

Serviços veterinários

Reforçar controle de pulgas, cuidados com filhotes e orientação aos tutores durante consultas de rotina.

Reconhecimento precoce

Identificar rapidamente linfonodomegalia regional após contato com gatos para evitar atraso diagnóstico.

Não existe vacina humana disponível para prevenção da doença da arranhadura do gato. A prevenção depende de higiene, cuidado com arranhaduras e controle de pulgas nos gatos.

Importante

A doença da arranhadura do gato costuma ser autolimitada, mas pode evoluir com formas atípicas ou disseminadas, especialmente em crianças muito jovens, idosos e pacientes imunossuprimidos. Alterações visuais, sinais neurológicos, febre persistente ou linfonodomegalia supurativa exigem avaliação cuidadosa.

Referências bibliográficas

Ver todas as referências utilizadas neste artigo

Em provas / residência

Doença da arranhadura do gato → contato com gato, principalmente filhote, seguido de pequena pápula ou pústula no local da inoculação e linfadenopatia regional dolorosa.

Em provas, diferencie de esporotricose: na doença da arranhadura do gato predomina o linfonodo aumentado; na esporotricose, predominam lesões nodulares ou ulceradas em cadeia pelo trajeto linfático.

Mais informações nas abas acima do artigo.

Referências bibliográficas

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