MedFoco

Teoria das Necessidades Humanas Básicas – Enf. Wanda Horta
Teorias da Enfermagem

Modelo do Sistema Comportamental

Desenvolvido pela enfermeira Dorothy Johnson, o Modelo do Sistema Comportamental compreende o ser humano como um sistema formado por padrões de comportamento organizados em subsistemas. Na enfermagem, o cuidado busca identificar desequilíbrios comportamentais, reduzir estressores e ajudar o paciente a recuperar estabilidade, adaptação e funcionamento adequado.

📅 18 de maio de 2026 ⏱ 10 min de leitura 📘 Teorias da Enfermagem
Modelo do Sistema Comportamental de Dorothy Johnson

Resumo rápido

Base conceitual
Sistema comportamental humano
Autora
Dorothy E. Johnson
Modelo teórico
Modelo do Sistema Comportamental
Foco
Equilíbrio, estabilidade e adaptação dos comportamentos
Aplicação
Avaliação de padrões comportamentais e intervenções para restaurar o equilíbrio do paciente
1

O que é o Modelo do Sistema Comportamental?

O Modelo do Sistema Comportamental, desenvolvido por Dorothy E. Johnson, considera o ser humano como um sistema composto por comportamentos organizados, interdependentes e direcionados à manutenção do equilíbrio.

Nessa perspectiva, a saúde está relacionada à capacidade da pessoa de manter padrões comportamentais estáveis, funcionais e adaptativos diante das mudanças internas e externas. Quando há doença, estresse ou alteração no ambiente, esses comportamentos podem entrar em desequilíbrio.

Ideia central: a enfermagem atua identificando alterações nos padrões comportamentais do paciente e planejando cuidados para restaurar equilíbrio, adaptação e estabilidade.

O modelo ajuda o enfermeiro a observar não apenas sinais físicos, mas também respostas emocionais, sociais, protetoras, dependentes, alimentares, eliminatórias, sexuais e de realização, compreendendo o paciente de forma ampla e sistematizada.

2

Os sete subsistemas comportamentais

Para Dorothy Johnson, o comportamento humano pode ser compreendido por meio de sete subsistemas. Cada um deles possui uma função na adaptação do indivíduo e pode sofrer alterações quando há doença, sofrimento, ameaça, dependência ou mudança no ambiente.

Subsistema afiliativo

Relacionado aos vínculos, pertencimento, interação social, segurança afetiva e capacidade de estabelecer relações com outras pessoas.

Subsistema de dependência

Envolve busca por ajuda, apoio, atenção, cuidado, proteção e reconhecimento, especialmente em situações de vulnerabilidade.

Subsistema ingestivo

Relaciona-se aos comportamentos de alimentação, ingestão de líquidos, aceitação alimentar, hábitos nutricionais e resposta ao cuidado alimentar.

Subsistema eliminativo

Envolve padrões de eliminação urinária e intestinal, controle, privacidade, conforto e adaptação a alterações fisiológicas.

Subsistema agressivo-protetor

Refere-se à autoproteção, defesa, enfrentamento de ameaças, preservação da integridade e respostas diante de riscos.

Subsistema sexual

Relaciona-se à identidade, intimidade, expressão da sexualidade, reprodução e mudanças que afetam o corpo e a autoimagem.

Subsistema de realização

Envolve desempenho, autonomia, controle, metas, conquistas, aprendizagem e capacidade de executar atividades significativas.

Equilíbrio do sistema

O cuidado de enfermagem busca reconhecer quais subsistemas estão alterados e intervir para restabelecer estabilidade e adaptação.

3

Relação com o cuidado de enfermagem

No Modelo do Sistema Comportamental, a enfermagem tem como objetivo ajudar o paciente a manter ou restaurar o equilíbrio dos seus subsistemas comportamentais. Para isso, o enfermeiro observa padrões, identifica alterações, reconhece fatores estressores e planeja intervenções direcionadas à adaptação.

Avaliação comportamental

Consiste em observar respostas, hábitos, interações, dependência, alimentação, eliminação, proteção, sexualidade e desempenho do paciente.

Identificação de desequilíbrios

O enfermeiro reconhece quais subsistemas apresentam instabilidade, alteração funcional ou dificuldade de adaptação.

Planejamento do cuidado

As intervenções são direcionadas à redução de estressores, fortalecimento da adaptação e recuperação da estabilidade comportamental.

Intervenção de enfermagem

Inclui apoio emocional, orientações, estímulo à autonomia, proteção, organização do ambiente e acompanhamento das respostas do paciente.

Avaliação da adaptação

Verifica se houve melhora dos padrões comportamentais, maior estabilidade, conforto, segurança e participação no próprio cuidado.

4

Desafios e limitações

Embora o Modelo do Sistema Comportamental contribua para uma visão ampla do paciente, sua aplicação exige capacidade de observação, conhecimento teórico e interpretação cuidadosa dos comportamentos humanos dentro do contexto clínico, social e emocional.

Subjetividade do comportamento

Os comportamentos podem ser influenciados por cultura, emoções, experiências anteriores e contexto familiar, exigindo avaliação individualizada.

Complexidade dos subsistemas

Os subsistemas são interdependentes, e uma alteração em uma área pode afetar outras dimensões do comportamento humano.

Risco de interpretação superficial

Quando aplicado de forma simplificada, o modelo pode reduzir comportamentos complexos a categorias rígidas ou pouco contextualizadas.

Tempo para observação

A identificação adequada dos padrões comportamentais exige acompanhamento, escuta, vínculo e observação contínua do paciente.

Integração com a prática clínica

O enfermeiro precisa relacionar comportamento, sinais clínicos, ambiente, vulnerabilidades e respostas ao tratamento.

Esses desafios reforçam que o Modelo do Sistema Comportamental deve ser aplicado com pensamento crítico, escuta qualificada e compreensão do paciente como um sistema humano em constante adaptação.
5

Quem criou?

Dorothy E. Johnson

Dorothy E. Johnson

Dorothy E. Johnson foi uma enfermeira e teórica norte-americana reconhecida por sua contribuição ao desenvolvimento de modelos conceituais para a enfermagem.

Sua principal contribuição foi o Modelo do Sistema Comportamental, que propõe compreender o paciente como um sistema de comportamentos organizados em subsistemas, buscando equilíbrio, estabilidade e adaptação.

O modelo de Johnson fortaleceu a enfermagem ao direcionar o olhar profissional para as respostas comportamentais do paciente, ajudando o enfermeiro a planejar cuidados voltados à restauração do equilíbrio humano diante da doença e do estresse.

Sistema comportamental
Equilíbrio e adaptação
Teoria de enfermagem

Autores

Dr. Marcelo Negreiros

Dr. Marcelo Negreiros

Médico • Criador do MedFoco

Enf. Leila Regina

Enf. Leila Regina

Enfermeira • Educação em saúde

Referências

  • Johnson, D.E. (1980). The Behavioral System Model for Nursing. In: Riehl, J.P.; Roy, C. Conceptual Models for Nursing Practice. 2nd ed. New York: Appleton-Century-Crofts.
  • George, J.B. (2011). Teorias de Enfermagem: os fundamentos à prática profissional. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed.
  • Alligood, M.R. (2018). Nursing Theorists and Their Work. 9th ed. Elsevier.
  • Fawcett, J., & DeSanto-Madeya, S. (2012). Contemporary Nursing Knowledge: Analysis and Evaluation of Nursing Models and Theories. F.A. Davis Company.
Rolar para cima