MedFoco

Teoria das Necessidades Humanas Básicas – Enf. Wanda Horta
Teorias da Enfermagem

Teoria da Conservação

Desenvolvida pela enfermeira Myra Estrin Levine, a Teoria da Conservação compreende o paciente como um ser integral que busca manter sua estabilidade diante das mudanças provocadas pela doença, pelo ambiente e pelo processo de cuidado. Na enfermagem, o foco está em promover a adaptação e conservar energia, integridade estrutural, integridade pessoal e integridade social.

📅 18 de maio de 2026 ⏱ 10 min de leitura 📘 Teorias da Enfermagem
Teoria da Conservação de Myra Levine

Resumo rápido

Base conceitual
Conservação e adaptação
Autora
Myra Estrin Levine
Modelo teórico
Teoria da Conservação
Foco
Manutenção da integridade e adaptação do paciente
Aplicação
Cuidado integral, preservação de energia, proteção física, identidade e vínculo social
1

O que é a Teoria da Conservação?

A Teoria da Conservação, desenvolvida por Myra Estrin Levine, é um modelo teórico da enfermagem que compreende o paciente como um ser humano integral, em constante interação com o ambiente e em busca de equilíbrio diante das alterações provocadas pela doença.

Para Levine, o cuidado de enfermagem deve ajudar o indivíduo a conservar sua integridade e a se adaptar às mudanças. Essa conservação não significa apenas manter funções biológicas, mas também proteger a identidade, a dignidade, os vínculos sociais e a capacidade de resposta do paciente.

Ideia central: a enfermagem atua promovendo a adaptação do paciente e conservando energia, integridade estrutural, integridade pessoal e integridade social.

A teoria valoriza uma assistência planejada, individualizada e centrada na pessoa, considerando que cada paciente responde de maneira única ao adoecimento, ao tratamento e ao ambiente de cuidado.

2

Os quatro princípios de conservação

A teoria de Myra Levine é organizada em quatro princípios fundamentais. Esses princípios orientam o enfermeiro a observar o paciente de forma ampla, considerando suas necessidades físicas, emocionais, pessoais e sociais.

Conservação de energia

Busca preservar a energia do paciente, evitando desgaste desnecessário e favorecendo repouso, conforto, nutrição adequada e recuperação fisiológica.

Integridade estrutural

Relaciona-se à proteção do corpo físico, prevenção de lesões, cicatrização, manutenção da pele, mobilidade, segurança e recuperação das funções corporais.

Integridade pessoal

Envolve respeito à identidade, privacidade, autonomia, autoestima, valores, dignidade e participação do paciente nas decisões sobre seu cuidado.

Integridade social

Considera os vínculos familiares, culturais, comunitários e sociais do paciente, reconhecendo que o adoecimento também afeta suas relações.

3

Relação com o cuidado de enfermagem

Na Teoria da Conservação, o cuidado de enfermagem é voltado para apoiar o paciente em seu processo de adaptação. O enfermeiro avalia as respostas individuais ao adoecimento, identifica ameaças à integridade e planeja intervenções para preservar o equilíbrio físico, emocional e social.

Avaliação integral

O enfermeiro observa o paciente como um todo, considerando sinais clínicos, limitações físicas, emoções, ambiente, vínculos e necessidades de adaptação.

Preservação fisiológica

As intervenções buscam reduzir gasto energético, controlar sintomas, prevenir complicações e favorecer a recuperação do organismo.

Cuidado individualizado

O plano de cuidados deve respeitar a singularidade do paciente, seus valores, sua história, sua autonomia e sua forma de enfrentar a doença.

Proteção da integridade

A enfermagem atua prevenindo danos físicos, emocionais e sociais, promovendo segurança, conforto, privacidade e dignidade durante o cuidado.

Avaliação da adaptação

O enfermeiro acompanha a resposta do paciente às intervenções e verifica se houve melhora, estabilidade, adaptação ou necessidade de reajuste no cuidado.

4

Desafios e limitações

Embora a Teoria da Conservação seja ampla e aplicável a diferentes contextos assistenciais, sua utilização exige do enfermeiro uma avaliação sensível, raciocínio clínico e capacidade de relacionar alterações físicas, emocionais e sociais do paciente.

Visão ampla do paciente

A teoria exige que o cuidado ultrapasse o aspecto biológico, incluindo identidade, autonomia, contexto social e respostas individuais ao adoecimento.

Tempo para avaliação

A identificação das necessidades de conservação pode ser dificultada em serviços com alta demanda, pouco tempo de atendimento e sobrecarga da equipe.

Individualidade das respostas

Cada paciente reage de forma diferente à doença, ao tratamento e ao ambiente, exigindo intervenções ajustadas à sua realidade.

Risco de aplicação superficial

Quando aplicada apenas como uma lista de princípios, a teoria pode perder sua profundidade e deixar de orientar um cuidado realmente integral.

Necessidade de raciocínio crítico

O enfermeiro precisa interpretar sinais, comportamentos e contextos para reconhecer quais dimensões da conservação estão ameaçadas.

Esses desafios reforçam que a teoria de Myra Levine deve ser aplicada com sensibilidade, pensamento crítico e compromisso com a preservação da integridade do paciente em todas as dimensões do cuidado.
5

Quem criou?

Myra Estrin Levine

Myra Estrin Levine

Myra Estrin Levine foi uma enfermeira teórica norte-americana reconhecida por sua contribuição ao desenvolvimento do pensamento científico da enfermagem.

Sua principal contribuição foi a Teoria da Conservação, que propõe que o cuidado de enfermagem deve ajudar o paciente a conservar sua energia, sua integridade estrutural, sua integridade pessoal e sua integridade social.

A teoria de Levine tornou-se importante por reforçar a visão do paciente como um ser integral, capaz de se adaptar às mudanças impostas pela doença, pelo tratamento e pelo ambiente de cuidado.

Conservação de energia
Integridade do paciente
Cuidado integral

Autores

Dr. Marcelo Negreiros

Dr. Marcelo Negreiros

Médico • Criador do MedFoco

Enf. Leila Regina

Enf. Leila Regina

Enfermeira • Educação em saúde

Referências

  • Levine, M.E. (1967). The four conservation principles of nursing. Nursing Forum.
  • Levine, M.E. (1973). Introduction to Clinical Nursing. 2nd ed. Philadelphia: F.A. Davis.
  • George, J.B. (2011). Teorias de Enfermagem: os fundamentos à prática profissional. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed.
  • Alligood, M.R. (2018). Nursing Theorists and Their Work. 9th ed. Elsevier.
  • Fawcett, J., & DeSanto-Madeya, S. (2012). Contemporary Nursing Knowledge: Analysis and Evaluation of Nursing Models and Theories. F.A. Davis Company.
Rolar para cima