Hifema
Presença de sangue na câmara anterior do olho, geralmente associada a trauma ocular, podendo causar aumento da pressão intraocular e comprometimento visual.
Visão Geral
O hifema é caracterizado pela presença de sangue na câmara anterior do olho, localizado entre a córnea e a íris.
A condição ocorre principalmente após trauma ocular contuso, mas também pode estar associada a doenças vasculares, distúrbios hematológicos ou procedimentos oftalmológicos.
Dependendo da quantidade de sangue acumulada, o paciente pode apresentar dor ocular, fotofobia, visão borrada e aumento da pressão intraocular.
O reconhecimento precoce é importante para prevenir complicações como glaucoma secundário, ressangramento e impregnação hemática da córnea.
- Sangue visível na câmara anterior
- História de trauma ocular
- Visão borrada
- Fotofobia
- Dor ocular
- Aumento da pressão intraocular
O sangue acumula-se na câmara anterior devido ao rompimento de vasos da íris ou do corpo ciliar, podendo obstruir a drenagem do humor aquoso e elevar a pressão intraocular.
O hifema é caracterizado pelo acúmulo de sangue na câmara anterior do olho, geralmente visível como um nível avermelhado na porção inferior da íris e da córnea.
A gravidade varia conforme a quantidade de sangue, a pressão intraocular e a presença de lesões associadas ao trauma ocular.
Sangue na câmara anterior
O principal achado é a presença de sangue entre a córnea e a íris, podendo formar um nível horizontal visível ao exame.
Olho vermelho
A hiperemia conjuntival é comum, especialmente quando o hifema está associado a trauma ocular recente.
Visão borrada
A redução visual ocorre pela presença de sangue no eixo visual ou por alterações associadas, como edema de córnea ou lesões intraoculares.
Dor ocular
A dor pode estar relacionada ao trauma, à inflamação intraocular ou ao aumento da pressão intraocular.
Fotofobia
A sensibilidade à luz pode ocorrer devido à inflamação do segmento anterior e à irritação ocular associada.
Aumento da pressão intraocular
O sangue pode obstruir a drenagem do humor aquoso, favorecendo elevação da pressão intraocular e risco de glaucoma secundário.
Risco de ressangramento
O ressangramento pode ocorrer nos primeiros dias após o trauma e costuma estar associado a maior risco de complicações.
Alterações da íris
Podem existir lesões associadas, como ruptura de vasos da íris, irregularidade pupilar, iridodiálise ou sinais de trauma no segmento anterior.
O diagnóstico do hifema é realizado principalmente por meio do exame oftalmológico, com identificação de sangue na câmara anterior do olho.
A avaliação detalhada é essencial para determinar a gravidade do quadro, identificar lesões associadas e monitorar possíveis complicações, como aumento da pressão intraocular.
Biomicroscopia
Permite visualizar o sangue na câmara anterior, avaliar o nível do hifema e identificar alterações traumáticas associadas.
Tonometria
Fundamental para avaliar a pressão intraocular, que pode aumentar devido à obstrução da drenagem do humor aquoso pelo sangue.
Avaliação do trauma ocular
Deve-se investigar presença de lesões associadas, como ruptura de íris, corpo estranho ocular, catarata traumática ou lesões retinianas.
Fundoscopia
Avalia possíveis alterações do segmento posterior, especialmente em traumas oculares de maior impacto.
Ultrassonografia ocular
Pode ser necessária quando a visualização do fundo de olho está prejudicada pela presença intensa de sangue.
Acompanhamento especializado
O seguimento oftalmológico é importante devido ao risco de ressangramento, glaucoma secundário e outras complicações.
O hifema deve ser diferenciado de condições como hipópio, hemorragia subconjuntival extensa e pigmentação ou depósitos na câmara anterior.
A avaliação clínica detalhada e os exames complementares ajudam a confirmar o diagnóstico e identificar lesões associadas.
Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas relacionadas à hifema e suas principais alterações associadas.
O tratamento do hifema depende da quantidade de sangue presente na câmara anterior, da pressão intraocular e da presença de lesões oculares associadas.
O manejo adequado reduz o risco de complicações como ressangramento, glaucoma secundário e comprometimento visual permanente.
Repouso e proteção ocular
Recomenda-se repouso relativo, elevação da cabeceira e uso de proteção ocular para reduzir o risco de ressangramento.
Colírios medicamentosos
Corticoides tópicos e cicloplégicos podem ser utilizados para reduzir inflamação, dor e prevenir complicações.
Controle da pressão intraocular
O aumento da pressão intraocular pode exigir uso de colírios hipotensores e monitorização frequente.
Evitar medicamentos de risco
Anti-inflamatórios não esteroidais e anticoagulantes podem aumentar o risco de sangramento e devem ser avaliados com cautela.
Tratamento cirúrgico
Casos graves ou persistentes podem necessitar de lavagem da câmara anterior para remoção do sangue acumulado.
Acompanhamento contínuo
O seguimento oftalmológico é essencial para monitorar ressangramento, glaucoma secundário e recuperação visual.
O prognóstico do hifema geralmente é favorável nos casos leves tratados adequadamente, especialmente quando não há lesões oculares associadas.
Quadros extensos ou complicados podem evoluir com glaucoma, impregnação hemática da córnea e redução permanente da visão.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre hifema e trauma ocular.
- KANSKI, J. J.; BOWLING, B. Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier, 2020.
- YANOFF, M.; DUKER, J. S. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier, 2022.
- AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. Basic and Clinical Science Course (BCSC). San Francisco: AAO, 2024.
- REMINGTON, L. A. Clinical Anatomy and Physiology of the Visual System. 4. ed. Elsevier, 2021.
As imagens utilizadas neste atlas oftalmológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações anatômicas didáticas.
Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação das alterações oftalmológicas.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação oftalmológica especializada, livros-texto completos ou orientação acadêmica.
