MedFoco

Bulário clínico · Antimicrobiano

Sulfato de Polimixina B

Antibiótico polipeptídico de uso hospitalar, ativo contra bacilos Gram-negativos, reservado a infecções por bactérias multirresistentes (como Acinetobacter, Pseudomonas e enterobactérias produtoras de carbapenemase) quando alternativas menos tóxicas não são possíveis.

PolimixinaEV · IM · intratecalReserva · multirresistentesUso hospitalarReceita com retençãoNefro e neurotoxicidade

Revisado em pela equipe MedFoco

Nefrotoxicidade e neurotoxicidade limitam o uso

Pode causar lesão renal, parestesias, ataxia e bloqueio neuromuscular com apneia, sobretudo após anestesia ou curarizantes e com outros nefro ou neurotóxicos. Oligúria e ureia crescente indicam suspensão. Uso restrito a pacientes hospitalizados sob supervisão médica.

Informações rápidas Toque em um cartão para abrir o resumo sem sair da página.

Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a polimixina B?

A polimixina B é um antibiótico polipeptídico catiônico produzido por Paenibacillus polymyxa. Liga-se ao lipopolissacarídeo da membrana externa dos bacilos Gram-negativos, desloca cálcio e magnésio, desorganiza a membrana e aumenta sua permeabilidade, levando à morte bacteriana. Voltou ao uso clínico como opção de reserva diante de bactérias resistentes a carbapenêmicos.

ViasEV · IM · intratecal
Faixa etáriaNeonatal a adulto
UsoRestrito a hospitais
ReceitaAntimicrobiano · 2 vias

Composição e papel de cada componente1 ativos

Polimixina B

Polipeptídeo catiônico que se liga ao lipídeo A do lipopolissacarídeo e rompe as membranas externa e citoplasmática de bacilos Gram-negativos.

Polimixina

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Infecções agudas por cepas sensíveis de Pseudomonas aeruginosa.
  • Infecções do trato urinário, meninges e corrente sanguínea por bacilos Gram-negativos sensíveis.
  • Infecções por Gram-negativos multirresistentes (Acinetobacter baumannii, P. aeruginosa e enterobactérias resistentes a carbapenêmicos) quando fármacos menos tóxicos são ineficazes ou contraindicados, preferencialmente em associação.
  • Meningite e ventriculite por Gram-negativos sensíveis, por via intratecal ou intraventricular.
  • Bacteremias por Klebsiella pneumoniae e Enterobacter aerogenes, e meningite por H. influenzae, quando alternativas menos tóxicas não são possíveis.
Não indicado
  • Hipersensibilidade às polimixinas.
  • Infecções por Gram-positivos, cocos Gram-negativos (N. meningitidis, N. gonorrhoeae), fungos ou anaeróbios.
  • Infecções por Proteus, Providencia, Morganella, Serratia ou Burkholderia (resistência intrínseca).
  • ITU isolada por patógeno sensível a alternativa menos tóxica.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis1 apresentação

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Polimixina B 500.000 UIUso hospitalarPó liofilizado para solução injetávelequivalente a 500.000 UI (≈ 50 mg) de polimixina B baseFrasco-ampola; embalagens com 1, 5, 10, 20 ou 25 frascos-ampola, conforme fabricante.
SpoxPolycidPolixil BPolytek B
Polimixina B 500.000 UIPó liofilizado para solução injetável
Uso hospitalar
Concentração / composição
equivalente a 500.000 UI (≈ 50 mg) de polimixina B base
EmbalagemFrasco-ampola; embalagens com 1, 5, 10, 20 ou 25 frascos-ampola, conforme fabricante.
Nomes comerciais
SpoxPolycidPolixil BPolytek B
Atenção

Preparo varia entre fabricantes

O volume de reconstituição (2 ou 10 mL) e o volume de diluição (250–500 mL ou 300–500 mL) diferem entre as marcas. Siga a bula do produto em uso e não confunda com colistimetato de sódio.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Dose EV (bula)15.000–25.000 UI/kg/dia

Divididos de 12/12 h; máximo 25.000 UI/kg/dia.

Ataque (consenso)20.000–25.000 UI/kg

Em 1 hora, seguido de 12.500–15.000 UI/kg de 12/12 h.

Intratecal50.000 UI/dia

20.000–25.000 UI em menores de 2 anos.

Função renalMonitorar

Bula reduz dose; consenso mantém dose sem ajuste renal.

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via endovenosa2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual15.000 a 25.000 UI/kg/diaDivididos de 12/12 hConforme foco e resposta clínicaFunção renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg (2,5 mg/kg). Reduzir na insuficiência renal conforme bula.
Gram-negativo multirresistente (consenso internacional)Ataque 20.000–25.000 UI/kg; manutenção 12.500–15.000 UI/kgAtaque em 1 h; manutenção de 12/12 h, iniciada 12 h após o ataqueConforme foco e resposta clínicaDose pelo peso corporal total. Sem ajuste pela função renal neste esquema. Preferir associação com outro agente ativo. Não usar como monoterapia em infecção urinária, pela baixa concentração urinária.
Dose usual
15.000 a 25.000 UI/kg/diaDivididos de 12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco e resposta clínica
Observações

Função renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg (2,5 mg/kg). Reduzir na insuficiência renal conforme bula.

Gram-negativo multirresistente (consenso internacional)
Ataque 20.000–25.000 UI/kg; manutenção 12.500–15.000 UI/kgAtaque em 1 h; manutenção de 12/12 h, iniciada 12 h após o ataque
Detalhes
DuraçãoConforme foco e resposta clínica
Observações

Dose pelo peso corporal total. Sem ajuste pela função renal neste esquema. Preferir associação com outro agente ativo. Não usar como monoterapia em infecção urinária, pela baixa concentração urinária.

Via intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Via intramuscular (excepcional)25.000 a 30.000 UI/kg/diaDivididos de 4/4 h ou 6/6 hConforme resposta clínicaSomente se for a única via possível, pela dor intensa no local. Reduzir na insuficiência renal.
Via intramuscular (excepcional)
25.000 a 30.000 UI/kg/diaDivididos de 4/4 h ou 6/6 h
Detalhes
DuraçãoConforme resposta clínica
Observações

Somente se for a única via possível, pela dor intensa no local. Reduzir na insuficiência renal.

Via intratecal1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Meningite (via intratecal)50.000 UI1 vez ao dia por 3–4 dias; depois 50.000 UI em dias alternadosAté ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizadaEm infecção meníngea, a via intratecal é obrigatória. Administrar lentamente.
Meningite (via intratecal)
50.000 UI1 vez ao dia por 3–4 dias; depois 50.000 UI em dias alternados
Detalhes
DuraçãoAté ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizada
Observações

Em infecção meníngea, a via intratecal é obrigatória. Administrar lentamente.

Pediatria e neonatologia

Via endovenosa1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual15.000 a 25.000 UI/kg/diaDivididos de 12/12 hConforme foco e resposta clínicaCrianças com função renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg.
Dose usual
15.000 a 25.000 UI/kg/diaDivididos de 12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco e resposta clínica
Observações

Crianças com função renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg.

Via endovenosa ou intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
NeonatosAté 40.000 UI/kg/diaEV de 12/12 h; IM de 4/4 h a 6/6 hConforme resposta clínicaNeonatos com função renal normal toleram até 40.000 UI/kg/dia; doses de até 45.000 UI/kg/dia foram usadas em prematuros com sepse por P. aeruginosa.
Neonatos
Até 40.000 UI/kg/diaEV de 12/12 h; IM de 4/4 h a 6/6 h
Detalhes
DuraçãoConforme resposta clínica
Observações

Neonatos com função renal normal toleram até 40.000 UI/kg/dia; doses de até 45.000 UI/kg/dia foram usadas em prematuros com sepse por P. aeruginosa.

Via intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Via intramuscular (excepcional)25.000 a 30.000 UI/kg/diaDivididos de 4/4 h ou 6/6 hConforme resposta clínicaNão recomendada rotineiramente pela dor intensa, sobretudo em crianças e neonatos.
Via intramuscular (excepcional)
25.000 a 30.000 UI/kg/diaDivididos de 4/4 h ou 6/6 h
Detalhes
DuraçãoConforme resposta clínica
Observações

Não recomendada rotineiramente pela dor intensa, sobretudo em crianças e neonatos.

Via intratecal2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Meningite (via intratecal) · > 2 anos50.000 UI1 vez ao dia por 3–4 dias; depois em dias alternadosAté ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizadaAdministrar lentamente.
Meningite (via intratecal) · < 2 anos20.000 UI/dia por 3–4 dias ou 25.000 UI em dias alternados; depois 25.000 UIManutenção em dias alternadosAté ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizadaAdministrar lentamente.
Meningite (via intratecal) · > 2 anos
50.000 UI1 vez ao dia por 3–4 dias; depois em dias alternados
Detalhes
DuraçãoAté ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizada
Observações

Administrar lentamente.

Meningite (via intratecal) · < 2 anos
20.000 UI/dia por 3–4 dias ou 25.000 UI em dias alternados; depois 25.000 UIManutenção em dias alternados
Detalhes
DuraçãoAté ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizada
Observações

Administrar lentamente.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria C

Usar apenas se o benefício justificar o risco

Segurança na gestação não estabelecida; sem estudos adequados em animais ou humanos.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Individualizar

Excreção no leite não determinada. Absorção oral desprezível pelo lactente; observar diarreia e alterações da flora.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ClCr normal ou > 80% do normalSem ajuste25.000 UI/kg/dia (2,5 mg/kg/dia)Divididos de 12/12 hSem ajuste. Determinar a função renal antes de iniciar.
ClCr 30–80% do normalReduzir dose1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000–15.000 UI/kg/diaDiariamenteReduzir dose. Esquema de bula. Monitorar creatinina, diurese e níveis quando disponíveis.
ClCr < 25% do normalReduzir dose e ampliar intervalo1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000–15.000 UI/kgA cada 2–3 diasReduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula.
AnúriaReduzir dose e ampliar intervalo1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000 UI/kgA cada 5–7 diasReduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula.
Disfunção renal · consenso internacionalDivergênciaManter ataque e manutenção sem redução12/12 hDivergência. A depuração da polimixina B é predominantemente não renal; o consenso de 2019 (ACCP/ESCMID/IDSA/ISAP/SCCM/SIDP) não recomenda ajuste renal, pelo risco de subdose. Decidir com a CCIH.
Insuficiência hepáticaSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Sem metabolismo hepático relevante descrito.
ClCr normal ou > 80% do normalSem ajuste
25.000 UI/kg/dia (2,5 mg/kg/dia)
FrequênciaDivididos de 12/12 h
Observações

Sem ajuste. Determinar a função renal antes de iniciar.

ClCr 30–80% do normalReduzir dose
1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000–15.000 UI/kg/dia
FrequênciaDiariamente
Observações

Reduzir dose. Esquema de bula. Monitorar creatinina, diurese e níveis quando disponíveis.

ClCr < 25% do normalReduzir dose e ampliar intervalo
1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000–15.000 UI/kg
FrequênciaA cada 2–3 dias
Observações

Reduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula.

AnúriaReduzir dose e ampliar intervalo
1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000 UI/kg
FrequênciaA cada 5–7 dias
Observações

Reduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula.

Disfunção renal · consenso internacionalDivergência
Manter ataque e manutenção sem redução
Frequência12/12 h
Observações

Divergência. A depuração da polimixina B é predominantemente não renal; o consenso de 2019 (ACCP/ESCMID/IDSA/ISAP/SCCM/SIDP) não recomenda ajuste renal, pelo risco de subdose. Decidir com a CCIH.

Insuficiência hepáticaSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Sem metabolismo hepático relevante descrito.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
IdosoCautelaConforme função renalConforme indicaçãoCautela. Pode ser usada com monitorização renal. Níveis plasmáticos tendem a ser maiores em idosos e crianças.
IdosoCautela
Conforme função renal
FrequênciaConforme indicação
Observações

Cautela. Pode ser usada com monitorização renal. Níveis plasmáticos tendem a ser maiores em idosos e crianças.

Modelos de prescrição2 modelos

Adulto · via endovenosaVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · via endovenosaVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSG 5% · SF 0,9%
Via principalEndovenosa

Infusão após reconstituição e diluição. A bula descreve infusão contínua; na prática, protocolos institucionais costumam infundir cada dose de 12/12 h em 1 a 2 horas. A via intratecal é obrigatória na meningite, e a IM é reservada a situações em que é a única via possível.

ReconstituiçãoReconstituir 500.000 UI com 2 mL de água para injeção, SF 0,9% ou SG 5%

Alguns fabricantes orientam 10 mL de SF 0,9% ou SG 5%. A solução reconstituída é estável por 24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração (2–8 °C).

Técnica de aplicação6 passos

1
Confirme função renal e peso

Determinar creatinina basal e peso antes da primeira dose; definir o esquema (bula ou consenso) com a CCIH.

2
Reconstitua o frasco

Adicionar 2 mL do diluente indicado (ou 10 mL, conforme fabricante) e dissolver suavemente.

3
Dilua para infusão EV

Transferir a dose para 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9% (250 a 500 mL em algumas marcas). Em pediatria, ajustar o volume.

4
Infunda e vigie o acesso

Respeitar o tempo de infusão do protocolo e observar tromboflebite no local.

5
Via intratecal: preparo específico

Reconstituir com 2 mL de SF 0,9% e transferir para seringa com 8 mL da mesma solução (50.000 UI/mL), administrando lentamente.

6
Monitore toxicidade

Creatinina, ureia, diurese, sinais de neurotoxicidade e função respiratória durante todo o tratamento.

Diluições e preparo3 preparos

Infusão endovenosa

Administração EV habitual

Dose reconstituída em 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9%.

  1. Reconstituir cada frasco de 500.000 UI com 2 mL de água para injeção, SF 0,9% ou SG 5%.
  2. Aspirar a dose calculada.
  3. Diluir em 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9% e homogeneizar.
Volume final300–500 mL
DiluenteSG 5% ou SF 0,9%
Tempo / modoInfusão contínua (bula) ou 1–2 h por dose (protocolos institucionais)
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração após diluição

Não armazenar em soluções alcalinas, que reduzem a estabilidade.

Infusão endovenosaAdministração EV habitual

Dose reconstituída em 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9%.

  1. Reconstituir cada frasco de 500.000 UI com 2 mL de água para injeção, SF 0,9% ou SG 5%.
  2. Aspirar a dose calculada.
  3. Diluir em 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9% e homogeneizar.
Volume final300–500 mL
DiluenteSG 5% ou SF 0,9%
Tempo / modoInfusão contínua (bula) ou 1–2 h por dose (protocolos institucionais)
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração após diluição

Não armazenar em soluções alcalinas, que reduzem a estabilidade.

Preparo intratecal

Meningite por Gram-negativos sensíveis

50.000 UI/mL

500.000 UI + 2 mL de SF 0,9%, transferidos para seringa com 8 mL de SF 0,9% (volume total de 10 mL).

  1. Reconstituir o frasco com 2 mL de SF 0,9% sem conservantes.
  2. Transferir para seringa contendo 8 mL de SF 0,9%.
  3. Aspirar 1 mL (50.000 UI) ou o volume prescrito e administrar lentamente.
Volume final10 mL
DiluenteSF 0,9%
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração

Procedimento exclusivo por profissional habilitado, com técnica asséptica rigorosa.

Preparo intratecalMeningite por Gram-negativos sensíveis50.000 UI/mL

500.000 UI + 2 mL de SF 0,9%, transferidos para seringa com 8 mL de SF 0,9% (volume total de 10 mL).

  1. Reconstituir o frasco com 2 mL de SF 0,9% sem conservantes.
  2. Transferir para seringa contendo 8 mL de SF 0,9%.
  3. Aspirar 1 mL (50.000 UI) ou o volume prescrito e administrar lentamente.
Volume final10 mL
DiluenteSF 0,9%
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração

Procedimento exclusivo por profissional habilitado, com técnica asséptica rigorosa.

Preparo intramuscular

Somente quando for a única via possível

500.000 UI + 2 mL de água para injeção, SF 0,9% ou procaína 1% (ou lidocaína 1%, conforme fabricante).

  1. Reconstituir com 2 mL do diluente indicado.
  2. Aplicar lentamente por via IM profunda.
Volume final≈ 2 mL
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração

Dor intensa no local, especialmente em crianças e neonatos.

Preparo intramuscularSomente quando for a única via possível

500.000 UI + 2 mL de água para injeção, SF 0,9% ou procaína 1% (ou lidocaína 1%, conforme fabricante).

  1. Reconstituir com 2 mL do diluente indicado.
  2. Aplicar lentamente por via IM profunda.
Volume final≈ 2 mL
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração

Dor intensa no local, especialmente em crianças e neonatos.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaVia preferencial para infecções sistêmicas, sempre diluída.
IntratecalVia indicadaObrigatória na meningite; preparo a 50.000 UI/mL em SF 0,9%.
IntramuscularExcepcionalDor intensa; usar apenas se for a única via possível e em paciente hospitalizado.
InalatóriaUso especializadoUsada em protocolos como adjuvante em pneumonia por Gram-negativos resistentes; não é via aprovada em bula.
OralNão se aplicaNão absorvida pelo trato gastrointestinal.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
SubcutâneaNão utilizarNão é via aprovada; dor e lesão local.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasOutras formulaçõesHá associações tópicas, oftálmicas e otológicas com polimixina B; não substituir pelo pó injetável.
SNG/SNENão se aplicaNão se aplica.
EndovenosaVia indicada
Observações

Via preferencial para infecções sistêmicas, sempre diluída.

IntratecalVia indicada
Observações

Obrigatória na meningite; preparo a 50.000 UI/mL em SF 0,9%.

IntramuscularExcepcional
Observações

Dor intensa; usar apenas se for a única via possível e em paciente hospitalizado.

InalatóriaUso especializado
Observações

Usada em protocolos como adjuvante em pneumonia por Gram-negativos resistentes; não é via aprovada em bula.

OralNão se aplica
Observações

Não absorvida pelo trato gastrointestinal.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SubcutâneaNão utilizar
Observações

Não é via aprovada; dor e lesão local.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasOutras formulações
Observações

Há associações tópicas, oftálmicas e otológicas com polimixina B; não substituir pelo pó injetável.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Divergência de dose

Bula versus consenso internacional

A bula reduz a dose na disfunção renal; o consenso de 2019 recomenda ataque e manutenção pelo peso total sem ajuste renal, por depuração predominantemente não renal. Alinhar o esquema ao protocolo da CCIH.

Infecção urinária

Concentração urinária baixa

Pela eliminação não renal, a polimixina B atinge baixas concentrações na urina; para ITU por multirresistentes, avaliar alternativas, como colistina ou aminoglicosídeo ativo.

Anestesia

Risco de apneia

Evitar administração logo após anestesia ou com curarizantes; se houver sinais de paralisia respiratória, interromper e dar suporte ventilatório.

Meningite

Via sistêmica não basta

A polimixina B não atravessa a barreira hematoencefálica; associar via intratecal ou intraventricular à terapia sistêmica.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Nefro e neurotoxicidade dose-dependentes

A polimixina B pode causar albuminúria, cilindrúria, azotemia e lesão renal, além de neurotoxicidade com parestesias, ataxia e bloqueio neuromuscular. Oligúria e ureia crescente indicam suspensão. Evitar outros nefro e neurotóxicos.

Contraindicações2 itens

  • Hipersensibilidade às polimixinas.
  • Hipersensibilidade aos componentes da formulação.

Populações especiais

Gestação

Categoria C

Segurança não estabelecida. Usar apenas quando o benefício justificar o risco.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Risco não determinado. Absorção oral desprezível pelo lactente; individualizar.

Função renal

Ajustar dose

Bula reduz dose e amplia intervalo conforme a depuração. O consenso internacional não recomenda ajuste. Monitorar creatinina e diurese em qualquer esquema.

Função hepática

Sem ajuste específico

Sem ajuste hepático descrito.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Diurese e balanço hídrico.
  • Parestesia perioral, formigamento de extremidades, tontura, sonolência, ataxia e visão turva.
  • Fraqueza muscular e função respiratória.
  • Flebite no local de infusão e hiperpigmentação cutânea.
Sinais de alerta
  • Creatinina e ureia basais e frequentes durante o tratamento.
  • Urina tipo 1 (albuminúria, cilindrúria).
  • Eletrólitos (magnésio, potássio, cálcio).
  • Níveis plasmáticos quando disponíveis.

Eventos adversos

RenaisFrequentes
Albuminúria e cilindrúriaAzotemiaLesão renal agudaAumento dos níveis plasmáticos sem aumento de dose
NeurológicosFrequentes
Rubor facial e parestesia perioralParestesia periféricaTontura progredindo para ataxiaSonolência e irritabilidadeVisão turva
Locais e cutâneosOcasionais
Tromboflebite no local da infusãoDor intensa no local da injeção IMHiperpigmentação cutâneaUrticária e febre
Exigem suspensão e avaliaçãoPotencialmente graves
Bloqueio neuromuscular com apneiaOligúria com ureia crescenteIrritação meníngea na via intratecal (febre, cefaleia, rigidez de nuca, pleocitose)Diarreia por Clostridioides difficileAnafilaxia

Advertências

  • Uso restrito a hospitais; vias IM e intratecal apenas em pacientes hospitalizados com supervisão constante.
  • Na meningite, utilizar a via intratecal.
  • Suspender diante de oligúria ou ureia crescente.
  • Evitar uso concomitante ou sequencial com bacitracina, aminoglicosídeos, colistina, cefaloridina, vancomicina e outros nefro ou neurotóxicos.
  • Evitar curarizantes e anestésicos neurotóxicos pelo risco de depressão respiratória.
  • Pode causar tontura, confusão, sonolência e distúrbios visuais.
  • Superinfecção, inclusive fúngica, e diarreia por C. difficile podem ocorrer.
  • Usar somente em infecções comprovadas ou fortemente suspeitas por bactérias sensíveis, guiado por cultura e antibiograma.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Polimixina B

Polipeptídeo catiônico que se liga ao lipídeo A do lipopolissacarídeo, desloca cálcio e magnésio da membrana externa e atua como detergente sobre a membrana citoplasmática, aumentando sua permeabilidade e causando extravasamento do conteúdo celular. Também neutraliza parcialmente a endotoxina.

Farmacocinética

Distribuição tecidual limitada

Não é absorvida pelo trato gastrointestinal. Após administração parenteral, liga-se de forma relevante às proteínas plasmáticas e tem difusão tecidual pobre, sem atravessar a barreira hematoencefálica.

Ao contrário da colistina, é administrada na forma ativa, alcançando concentrações terapêuticas mais rapidamente e com menor variabilidade.

Forma ativaNão atravessa BHESem absorção oral
Eliminação

Depuração predominantemente não renal

Menos de 5% da dose é recuperada inalterada na urina; a maior parte sofre reabsorção tubular e eliminação não renal ainda pouco caracterizada.

A meia-vida é de cerca de 9 a 12 horas. Por isso, a concentração urinária é baixa e a função renal tem impacto limitado na exposição sistêmica, base da recomendação de não ajustar a dose no consenso internacional.

T½ ≈ 9–12 hExcreção urinária < 5%Baixa concentração urinária

Interações medicamentosas

A toxicidade aditiva domina o perfil de interações: aminoglicosídeos (estreptomicina, neomicina, canamicina, gentamicina, tobramicina, amicacina), colistina, bacitracina, vancomicina, anfotericina B, cefaloridina, paromomicina e viomicina aumentam o risco de nefro e neurotoxicidade e devem ser evitados em uso concomitante ou sequencial. Curarizantes (tubocurarina, succinilcolina, galamina, decametônio), anestésicos como éter e citrato de sódio potencializam o bloqueio neuromuscular e podem precipitar depressão respiratória; se surgirem sinais de paralisia, interromper a polimixina e garantir suporte ventilatório. Na prática, associações com carbapenêmicos, tigeciclina ou outros agentes ativos são usadas para ampliar a eficácia contra multirresistentes.

Informação regulatória

SUSUso hospitalarA forma injetável sistêmica não integra os componentes ambulatoriais da RENAME; o fornecimento ocorre por padronização hospitalar. A polimixina B consta na RENAME apenas em associação de uso otológico. Classificação AWaRe: Reserva.
GenéricoDisponívelHá genéricos registrados de sulfato de polimixina B 500.000 UI pó liofilizado para solução injetável.
ATCJ01XB02WHO ATC/DDD: polimixina B, polimixinas antibacterianas sistêmicas. DDD parenteral: 0,15 g.

Receituário

Tipo de receitaAntimicrobiano
Número de vias2 vias
Retenção2ª via
Validade10 dias

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Polycid® — sulfato de polimixina B 500.000 UI

União Química. Posologia por via EV, IM e intratecal, ajuste renal, preparo, estabilidade e interações.

2023
02
Bula profissional

Spox® — sulfato de polimixina B

Cristália. Reconstituição com lidocaína para via IM e apresentações.

2024
03
Bula profissional

Polixil B® — sulfato de polimixina B

Viatris (Mylan). Volumes alternativos de reconstituição e diluição.

2024
04
Diretriz

International Consensus Guidelines for the Optimal Use of the Polymyxins

Tsuji BT et al. ACCP, ESCMID, IDSA, ISAP, SCCM e SIDP. Pharmacotherapy 2019;39(1):10-39. Dose de ataque, manutenção e ausência de ajuste renal para polimixina B.

2019
05
Classificação

ATC/DDD Index — J01XB02

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Polymyxin B; DDD parenteral de 0,15 g.

2026
06
Classificação

WHO AWaRe Antibiotic Book

Organização Mundial da Saúde. Polimixina B na categoria Reserva.

2022
07
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.

2021
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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