Gestação
Categoria CUsar apenas se o benefício justificar o risco
Segurança na gestação não estabelecida; sem estudos adequados em animais ou humanos.
Antibiótico polipeptídico de uso hospitalar, ativo contra bacilos Gram-negativos, reservado a infecções por bactérias multirresistentes (como Acinetobacter, Pseudomonas e enterobactérias produtoras de carbapenemase) quando alternativas menos tóxicas não são possíveis.
Revisado em pela equipe MedFoco
Pode causar lesão renal, parestesias, ataxia e bloqueio neuromuscular com apneia, sobretudo após anestesia ou curarizantes e com outros nefro ou neurotóxicos. Oligúria e ureia crescente indicam suspensão. Uso restrito a pacientes hospitalizados sob supervisão médica.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
A polimixina B é um antibiótico polipeptídico catiônico produzido por Paenibacillus polymyxa. Liga-se ao lipopolissacarídeo da membrana externa dos bacilos Gram-negativos, desloca cálcio e magnésio, desorganiza a membrana e aumenta sua permeabilidade, levando à morte bacteriana. Voltou ao uso clínico como opção de reserva diante de bactérias resistentes a carbapenêmicos.
Polipeptídeo catiônico que se liga ao lipídeo A do lipopolissacarídeo e rompe as membranas externa e citoplasmática de bacilos Gram-negativos.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Polimixina B 500.000 UIUso hospitalar | Pó liofilizado para solução injetável | equivalente a 500.000 UI (≈ 50 mg) de polimixina B base | Frasco-ampola; embalagens com 1, 5, 10, 20 ou 25 frascos-ampola, conforme fabricante. | SpoxPolycidPolixil BPolytek B |
O volume de reconstituição (2 ou 10 mL) e o volume de diluição (250–500 mL ou 300–500 mL) diferem entre as marcas. Siga a bula do produto em uso e não confunda com colistimetato de sódio.
Dose, frequência e duração por população.
Divididos de 12/12 h; máximo 25.000 UI/kg/dia.
Em 1 hora, seguido de 12.500–15.000 UI/kg de 12/12 h.
20.000–25.000 UI em menores de 2 anos.
Bula reduz dose; consenso mantém dose sem ajuste renal.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 15.000 a 25.000 UI/kg/dia | Divididos de 12/12 h | Conforme foco e resposta clínica | Função renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg (2,5 mg/kg). Reduzir na insuficiência renal conforme bula. |
| Gram-negativo multirresistente (consenso internacional) | Ataque 20.000–25.000 UI/kg; manutenção 12.500–15.000 UI/kg | Ataque em 1 h; manutenção de 12/12 h, iniciada 12 h após o ataque | Conforme foco e resposta clínica | Dose pelo peso corporal total. Sem ajuste pela função renal neste esquema. Preferir associação com outro agente ativo. Não usar como monoterapia em infecção urinária, pela baixa concentração urinária. |
Função renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg (2,5 mg/kg). Reduzir na insuficiência renal conforme bula.
Dose pelo peso corporal total. Sem ajuste pela função renal neste esquema. Preferir associação com outro agente ativo. Não usar como monoterapia em infecção urinária, pela baixa concentração urinária.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Via intramuscular (excepcional) | 25.000 a 30.000 UI/kg/dia | Divididos de 4/4 h ou 6/6 h | Conforme resposta clínica | Somente se for a única via possível, pela dor intensa no local. Reduzir na insuficiência renal. |
Somente se for a única via possível, pela dor intensa no local. Reduzir na insuficiência renal.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Meningite (via intratecal) | 50.000 UI | 1 vez ao dia por 3–4 dias; depois 50.000 UI em dias alternados | Até ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizada | Em infecção meníngea, a via intratecal é obrigatória. Administrar lentamente. |
Em infecção meníngea, a via intratecal é obrigatória. Administrar lentamente.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 15.000 a 25.000 UI/kg/dia | Divididos de 12/12 h | Conforme foco e resposta clínica | Crianças com função renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg. |
Crianças com função renal normal. Dose diária máxima de 25.000 UI/kg.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Neonatos | Até 40.000 UI/kg/dia | EV de 12/12 h; IM de 4/4 h a 6/6 h | Conforme resposta clínica | Neonatos com função renal normal toleram até 40.000 UI/kg/dia; doses de até 45.000 UI/kg/dia foram usadas em prematuros com sepse por P. aeruginosa. |
Neonatos com função renal normal toleram até 40.000 UI/kg/dia; doses de até 45.000 UI/kg/dia foram usadas em prematuros com sepse por P. aeruginosa.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Via intramuscular (excepcional) | 25.000 a 30.000 UI/kg/dia | Divididos de 4/4 h ou 6/6 h | Conforme resposta clínica | Não recomendada rotineiramente pela dor intensa, sobretudo em crianças e neonatos. |
Não recomendada rotineiramente pela dor intensa, sobretudo em crianças e neonatos.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Meningite (via intratecal) · > 2 anos | 50.000 UI | 1 vez ao dia por 3–4 dias; depois em dias alternados | Até ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizada | Administrar lentamente. |
| Meningite (via intratecal) · < 2 anos | 20.000 UI/dia por 3–4 dias ou 25.000 UI em dias alternados; depois 25.000 UI | Manutenção em dias alternados | Até ≥ 2 semanas após culturas do LCR negativas e glicose normalizada | Administrar lentamente. |
Administrar lentamente.
Administrar lentamente.
Usar apenas se o benefício justificar o risco
Segurança na gestação não estabelecida; sem estudos adequados em animais ou humanos.
Individualizar
Excreção no leite não determinada. Absorção oral desprezível pelo lactente; observar diarreia e alterações da flora.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ClCr normal ou > 80% do normalSem ajuste | 25.000 UI/kg/dia (2,5 mg/kg/dia) | Divididos de 12/12 h | Sem ajuste. Determinar a função renal antes de iniciar. |
| ClCr 30–80% do normalReduzir dose | 1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000–15.000 UI/kg/dia | Diariamente | Reduzir dose. Esquema de bula. Monitorar creatinina, diurese e níveis quando disponíveis. |
| ClCr < 25% do normalReduzir dose e ampliar intervalo | 1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000–15.000 UI/kg | A cada 2–3 dias | Reduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula. |
| AnúriaReduzir dose e ampliar intervalo | 1º dia: 25.000 UI/kg; depois 10.000 UI/kg | A cada 5–7 dias | Reduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula. |
| Disfunção renal · consenso internacionalDivergência | Manter ataque e manutenção sem redução | 12/12 h | Divergência. A depuração da polimixina B é predominantemente não renal; o consenso de 2019 (ACCP/ESCMID/IDSA/ISAP/SCCM/SIDP) não recomenda ajuste renal, pelo risco de subdose. Decidir com a CCIH. |
| Insuficiência hepáticaSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. Sem metabolismo hepático relevante descrito. |
Sem ajuste. Determinar a função renal antes de iniciar.
Reduzir dose. Esquema de bula. Monitorar creatinina, diurese e níveis quando disponíveis.
Reduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula.
Reduzir dose e ampliar intervalo. Esquema de bula.
Divergência. A depuração da polimixina B é predominantemente não renal; o consenso de 2019 (ACCP/ESCMID/IDSA/ISAP/SCCM/SIDP) não recomenda ajuste renal, pelo risco de subdose. Decidir com a CCIH.
Sem ajuste. Sem metabolismo hepático relevante descrito.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| IdosoCautela | Conforme função renal | Conforme indicação | Cautela. Pode ser usada com monitorização renal. Níveis plasmáticos tendem a ser maiores em idosos e crianças. |
Cautela. Pode ser usada com monitorização renal. Níveis plasmáticos tendem a ser maiores em idosos e crianças.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Infusão após reconstituição e diluição. A bula descreve infusão contínua; na prática, protocolos institucionais costumam infundir cada dose de 12/12 h em 1 a 2 horas. A via intratecal é obrigatória na meningite, e a IM é reservada a situações em que é a única via possível.
Alguns fabricantes orientam 10 mL de SF 0,9% ou SG 5%. A solução reconstituída é estável por 24 horas em temperatura ambiente ou 72 horas sob refrigeração (2–8 °C).
Determinar creatinina basal e peso antes da primeira dose; definir o esquema (bula ou consenso) com a CCIH.
Adicionar 2 mL do diluente indicado (ou 10 mL, conforme fabricante) e dissolver suavemente.
Transferir a dose para 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9% (250 a 500 mL em algumas marcas). Em pediatria, ajustar o volume.
Respeitar o tempo de infusão do protocolo e observar tromboflebite no local.
Reconstituir com 2 mL de SF 0,9% e transferir para seringa com 8 mL da mesma solução (50.000 UI/mL), administrando lentamente.
Creatinina, ureia, diurese, sinais de neurotoxicidade e função respiratória durante todo o tratamento.
Administração EV habitual
Dose reconstituída em 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9%.
Não armazenar em soluções alcalinas, que reduzem a estabilidade.
Dose reconstituída em 300 a 500 mL de SG 5% ou SF 0,9%.
Não armazenar em soluções alcalinas, que reduzem a estabilidade.
Meningite por Gram-negativos sensíveis
500.000 UI + 2 mL de SF 0,9%, transferidos para seringa com 8 mL de SF 0,9% (volume total de 10 mL).
Procedimento exclusivo por profissional habilitado, com técnica asséptica rigorosa.
500.000 UI + 2 mL de SF 0,9%, transferidos para seringa com 8 mL de SF 0,9% (volume total de 10 mL).
Procedimento exclusivo por profissional habilitado, com técnica asséptica rigorosa.
Somente quando for a única via possível
500.000 UI + 2 mL de água para injeção, SF 0,9% ou procaína 1% (ou lidocaína 1%, conforme fabricante).
Dor intensa no local, especialmente em crianças e neonatos.
500.000 UI + 2 mL de água para injeção, SF 0,9% ou procaína 1% (ou lidocaína 1%, conforme fabricante).
Dor intensa no local, especialmente em crianças e neonatos.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Via preferencial para infecções sistêmicas, sempre diluída. |
| Intratecal | Via indicada | Obrigatória na meningite; preparo a 50.000 UI/mL em SF 0,9%. |
| Intramuscular | Excepcional | Dor intensa; usar apenas se for a única via possível e em paciente hospitalizado. |
| Inalatória | Uso especializado | Usada em protocolos como adjuvante em pneumonia por Gram-negativos resistentes; não é via aprovada em bula. |
| Oral | Não se aplica | Não absorvida pelo trato gastrointestinal. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Subcutânea | Não utilizar | Não é via aprovada; dor e lesão local. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Outras formulações | Há associações tópicas, oftálmicas e otológicas com polimixina B; não substituir pelo pó injetável. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica. |
Via preferencial para infecções sistêmicas, sempre diluída.
Obrigatória na meningite; preparo a 50.000 UI/mL em SF 0,9%.
Dor intensa; usar apenas se for a única via possível e em paciente hospitalizado.
Usada em protocolos como adjuvante em pneumonia por Gram-negativos resistentes; não é via aprovada em bula.
Não absorvida pelo trato gastrointestinal.
Não se aplica.
Não é via aprovada; dor e lesão local.
Não se aplica.
Há associações tópicas, oftálmicas e otológicas com polimixina B; não substituir pelo pó injetável.
Não se aplica.
A bula reduz a dose na disfunção renal; o consenso de 2019 recomenda ataque e manutenção pelo peso total sem ajuste renal, por depuração predominantemente não renal. Alinhar o esquema ao protocolo da CCIH.
Pela eliminação não renal, a polimixina B atinge baixas concentrações na urina; para ITU por multirresistentes, avaliar alternativas, como colistina ou aminoglicosídeo ativo.
Evitar administração logo após anestesia ou com curarizantes; se houver sinais de paralisia respiratória, interromper e dar suporte ventilatório.
A polimixina B não atravessa a barreira hematoencefálica; associar via intratecal ou intraventricular à terapia sistêmica.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
A polimixina B pode causar albuminúria, cilindrúria, azotemia e lesão renal, além de neurotoxicidade com parestesias, ataxia e bloqueio neuromuscular. Oligúria e ureia crescente indicam suspensão. Evitar outros nefro e neurotóxicos.
Segurança não estabelecida. Usar apenas quando o benefício justificar o risco.
Risco não determinado. Absorção oral desprezível pelo lactente; individualizar.
Bula reduz dose e amplia intervalo conforme a depuração. O consenso internacional não recomenda ajuste. Monitorar creatinina e diurese em qualquer esquema.
Sem ajuste hepático descrito.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Polipeptídeo catiônico que se liga ao lipídeo A do lipopolissacarídeo, desloca cálcio e magnésio da membrana externa e atua como detergente sobre a membrana citoplasmática, aumentando sua permeabilidade e causando extravasamento do conteúdo celular. Também neutraliza parcialmente a endotoxina.
Não é absorvida pelo trato gastrointestinal. Após administração parenteral, liga-se de forma relevante às proteínas plasmáticas e tem difusão tecidual pobre, sem atravessar a barreira hematoencefálica.
Ao contrário da colistina, é administrada na forma ativa, alcançando concentrações terapêuticas mais rapidamente e com menor variabilidade.
Menos de 5% da dose é recuperada inalterada na urina; a maior parte sofre reabsorção tubular e eliminação não renal ainda pouco caracterizada.
A meia-vida é de cerca de 9 a 12 horas. Por isso, a concentração urinária é baixa e a função renal tem impacto limitado na exposição sistêmica, base da recomendação de não ajustar a dose no consenso internacional.
A toxicidade aditiva domina o perfil de interações: aminoglicosídeos (estreptomicina, neomicina, canamicina, gentamicina, tobramicina, amicacina), colistina, bacitracina, vancomicina, anfotericina B, cefaloridina, paromomicina e viomicina aumentam o risco de nefro e neurotoxicidade e devem ser evitados em uso concomitante ou sequencial. Curarizantes (tubocurarina, succinilcolina, galamina, decametônio), anestésicos como éter e citrato de sódio potencializam o bloqueio neuromuscular e podem precipitar depressão respiratória; se surgirem sinais de paralisia, interromper a polimixina e garantir suporte ventilatório. Na prática, associações com carbapenêmicos, tigeciclina ou outros agentes ativos são usadas para ampliar a eficácia contra multirresistentes.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
União Química. Posologia por via EV, IM e intratecal, ajuste renal, preparo, estabilidade e interações.
Cristália. Reconstituição com lidocaína para via IM e apresentações.
Viatris (Mylan). Volumes alternativos de reconstituição e diluição.
Tsuji BT et al. ACCP, ESCMID, IDSA, ISAP, SCCM e SIDP. Pharmacotherapy 2019;39(1):10-39. Dose de ataque, manutenção e ausência de ajuste renal para polimixina B.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Polymyxin B; DDD parenteral de 0,15 g.
Organização Mundial da Saúde. Polimixina B na categoria Reserva.
Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.