Gestação
Categoria DEvitar; usar apenas sem alternativa
Atravessa a placenta; há relatos de surdez congênita bilateral irreversível com estreptomicina. Não integra esquemas de tuberculose para gestantes quando há alternativa.
Primeiro aminoglicosídeo de uso clínico, administrado por via intramuscular profunda, reservado no Brasil a esquemas especiais de tuberculose, micobacterioses, brucelose, peste e tularemia, com ajuste renal e vigilância de toxicidade vestibular e auditiva.
Revisado em pela equipe MedFoco
Vertigem, desequilíbrio e zumbido podem preceder dano permanente. O risco aumenta com insuficiência renal, idade avançada, desidratação, obesidade, doses altas e tratamento prolongado. Crianças não devem receber doses acima das recomendadas pelo risco de depressão respiratória e coma.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
A estreptomicina é um aminoglicosídeo obtido de Streptomyces griseus, bactericida, que se liga à subunidade 30S do ribossomo e prejudica a síntese proteica de micro-organismos em multiplicação. Atua sobre Mycobacterium tuberculosis em multiplicação ativa extracelular, Yersinia pestis, Francisella tularensis e Brucella, entre outros.
Bactericida que se liga à proteína S12 da subunidade 30S, causando leitura incorreta do RNA mensageiro e inibição da síntese proteica.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Estreptomicina 1 gRENAME · Estratégico | Pó para solução injetável | 1,2529 g (equivalente a 1 g de estreptomicina base) | Caixa com 50 frascos-ampola acompanhados de 50 ampolas de 5 mL de água para injeção. | FURP-Estreptomicina |
A solução reconstituída contém ≈ 216 mg/mL de sulfato de estreptomicina, equivalentes a ≈ 172 mg/mL de estreptomicina base. A dose prescrita refere-se à base: 1 g corresponde ao frasco inteiro (≈ 5,8 mL).
Dose, frequência e duração por população.
IM profunda, dose única diária.
Até 20 kg; 500 mg/dia de 20 a 35 kg; 1 g/dia acima de 35 kg.
Fase intensiva, sempre em associação.
ClCr < 50 mL/min: a cada 24–96 h.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 1.000 mg | 1 vez ao dia | 3 meses (tuberculose) | Sempre em associação com outros tuberculostáticos. IM profunda após reconstituição. Ajustar pela função renal; em idosos, considerar 500–750 mg/dia. |
| Brucelose | 1.000 mg | 1 vez ao dia | 14 a 21 dias | Associada a doxiciclina por 6 semanas. |
| Peste e tularemia | 1.000 mg | 12/12 h | 7 a 10 dias | Esquema de diretrizes internacionais de referência (2 g/dia). Monitorar função renal e vestibular. |
Sempre em associação com outros tuberculostáticos. IM profunda após reconstituição. Ajustar pela função renal; em idosos, considerar 500–750 mg/dia.
Associada a doxiciclina por 6 semanas.
Esquema de diretrizes internacionais de referência (2 g/dia). Monitorar função renal e vestibular.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Uso endovenoso (situações especiais) | Mesma dose da via IM | Conforme indicação | Conforme indicação | Diluir em 50 a 100 mL de SF 0,9% e infundir em, no mínimo, 30 minutos. |
Diluir em 50 a 100 mL de SF 0,9% e infundir em, no mínimo, 30 minutos.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 20 mg/kg | 1 vez ao dia | 3 meses (tuberculose) | Crianças com até 20 kg. Sempre em associação. Não exceder a dose recomendada pelo risco de depressão respiratória e coma. |
| 500 mg | 1 vez ao dia | 3 meses (tuberculose) | Crianças de 20 a 35 kg. Corresponde a ≈ 2,9 mL da solução reconstituída. | |
| 1.000 mg | 1 vez ao dia | 3 meses (tuberculose) | Crianças com mais de 35 kg. Frasco inteiro reconstituído. |
Crianças com até 20 kg. Sempre em associação. Não exceder a dose recomendada pelo risco de depressão respiratória e coma.
Crianças de 20 a 35 kg. Corresponde a ≈ 2,9 mL da solução reconstituída.
Crianças com mais de 35 kg. Frasco inteiro reconstituído.
Evitar; usar apenas sem alternativa
Atravessa a placenta; há relatos de surdez congênita bilateral irreversível com estreptomicina. Não integra esquemas de tuberculose para gestantes quando há alternativa.
Usar com cautela
Excretada em pequenas quantidades no leite, com absorção oral mínima pelo lactente. Observar diarreia e candidíase no lactente.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ClCr 10–50 mL/minAjustar intervalo | Dose usual | A cada 24–72 h | Ajustar intervalo. Monitorar creatinina, audiometria e sinais vestibulares. |
| ClCr < 10 mL/minAjustar intervalo | Dose usual | A cada 72–96 h | Ajustar intervalo. Risco elevado de neurotoxicidade; preferir alternativa quando possível. |
| HemodiáliseDose suplementar | Dose usual + ½ dose | Nos dias de diálise | Dose suplementar. Administrar após a sessão. |
| Insuficiência hepáticaSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. Sem metabolismo hepático relevante. Na tuberculose com hepatopatia, a estreptomicina é uma das opções para esquemas sem fármacos hepatotóxicos. |
Ajustar intervalo. Monitorar creatinina, audiometria e sinais vestibulares.
Ajustar intervalo. Risco elevado de neurotoxicidade; preferir alternativa quando possível.
Dose suplementar. Administrar após a sessão.
Sem ajuste. Sem metabolismo hepático relevante. Na tuberculose com hepatopatia, a estreptomicina é uma das opções para esquemas sem fármacos hepatotóxicos.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| IdosoReduzir dose | 500–750 mg | 1 vez ao dia | Reduzir dose. Maior risco de ototoxicidade; estimar ClCr e monitorar audição e equilíbrio. |
Reduzir dose. Maior risco de ototoxicidade; estimar ClCr e monitorar audição e equilíbrio.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Aplicar em grande massa muscular (glúteo ou face lateral da coxa), alternando os locais. A via EV é reservada a situações especiais, sempre diluída e infundida lentamente.
Volume final de ≈ 5,8 mL, com ≈ 172 mg/mL de estreptomicina base. Usar logo após o preparo.
Definir a dose pela faixa de peso e idade e estimar ClCr antes de iniciar; realizar audiometria basal sempre que possível.
Adicionar 5 mL de água para injeção ao frasco e agitar até dissolução completa.
Usar ≈ 172 mg/mL para converter mg em mL; desprezar o volume excedente.
Injetar lentamente em grande massa muscular, alternando os locais para reduzir dor e abscesso estéril.
Diluir em 50 a 100 mL de SF 0,9% e infundir em no mínimo 30 minutos.
Audiometria periódica, perguntas dirigidas sobre zumbido e vertigem, função renal e respiratória.
Via intramuscular (padrão)
1 g + 5 mL de água para injeção.
1 g + 5 mL de água para injeção.
Situações especiais em que a IM não é viável
Dose reconstituída em 50 ou 100 mL de SF 0,9%.
Infusão rápida aumenta o risco de bloqueio neuromuscular.
Dose reconstituída em 50 ou 100 mL de SF 0,9%.
Infusão rápida aumenta o risco de bloqueio neuromuscular.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Intramuscular | Via indicada | IM profunda após reconstituição. Via padrão. |
| Endovenosa | Situações especiais | Diluída em 50–100 mL de SF 0,9%, em no mínimo 30 minutos. |
| Oral | Não se aplica | Absorção gastrointestinal desprezível. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Subcutânea | Não utilizar | Dor e lesão tecidual; não é via aprovada. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não utilizar | Absorção sistêmica imprevisível em superfícies extensas, com risco de toxicidade. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica. |
IM profunda após reconstituição. Via padrão.
Diluída em 50–100 mL de SF 0,9%, em no mínimo 30 minutos.
Absorção gastrointestinal desprezível.
Não se aplica.
Dor e lesão tecidual; não é via aprovada.
Não se aplica.
Absorção sistêmica imprevisível em superfícies extensas, com risco de toxicidade.
Não se aplica.
Por não ser metabolizada no fígado, pode compor esquemas especiais em pacientes com hepatopatia grave ou hepatotoxicidade aos tuberculostáticos de primeira linha, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
Risco de depressão respiratória com anestésicos, curarizantes e em miastenia gravis ou botulismo. Sais de cálcio e suporte ventilatório revertem o quadro.
Idosos, desidratados e obesos têm maior risco de alterações auditivas; corrigir volemia e calcular a dose com cautela.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
Zumbido e sensação de ouvido cheio são sinais precoces de dano auditivo, que pode regredir com a suspensão imediata. Doses altas e uso prolongado aumentam o risco de toxicidade renal e auditiva permanente.
Risco de surdez congênita irreversível. Evitar na gestação, sobretudo quando houver alternativa terapêutica.
Excretada em pequenas quantidades no leite; absorção oral desprezível pelo lactente. Usar com cautela.
Eliminação renal inalterada de 60% a 95% da dose. Ampliar o intervalo conforme ClCr e suplementar após hemodiálise.
Sem metabolismo hepático relevante; não requer ajuste.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Liga-se à proteína S12 da subunidade ribossômica 30S, distorce o sítio de decodificação e induz leitura incorreta do RNA mensageiro, inibindo a síntese proteica durante a multiplicação bacteriana. Efeito bactericida concentração-dependente.
Após injeção IM, o pico sérico ocorre em 1 a 2 horas. Distribui-se bem pelos tecidos e líquidos extracelulares, exceto o líquido cefalorraquidiano.
Cerca de um terço liga-se às proteínas plasmáticas. Atravessa a placenta, alcançando o feto.
Não sofre metabolização relevante; 60% a 95% da dose são eliminados inalterados na urina em 24 horas.
A meia-vida, de 2 a 3 horas em adultos jovens, prolonga-se em idosos e na insuficiência renal. Pequenas quantidades aparecem no suor, saliva e leite.
A toxicidade aditiva é o eixo principal: outros aminoglicosídeos, capreomicina, polimixinas, vancomicina, anfotericina B, cisplatina, ciclosporina e cefalosporinas nefrotóxicas aumentam o risco renal e auditivo e devem ser evitados ou monitorados. Diuréticos de alça e ácido etacrínico potencializam a ototoxicidade. Anestésicos gerais, bloqueadores neuromusculares, toxina botulínica e transfusão maciça de sangue citratado intensificam o bloqueio neuromuscular, com risco de apneia. Beta-lactâmicos não devem ser misturados na mesma seringa ou solução pelo risco de inativação.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Fundação para o Remédio Popular. Apresentação, reconstituição, posologia por peso, vias, contraindicações e advertências.
Ministério da Saúde. Sulfato de estreptomicina 1 g no Componente Estratégico.
Ministério da Saúde. Esquemas especiais com estreptomicina, ajustes em hepatopatia, nefropatia e idosos.
Organização Mundial da Saúde. Posição atual dos injetáveis no tratamento da tuberculose resistente.
CDC. Esquemas de aminoglicosídeos para peste e tularemia.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Streptomycin; DDD parenteral de 1 g.
Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.