Gestação
Categoria DUsar apenas quando o benefício justificar o risco fetal
Atravessa a placenta e atinge concentrações significativas no líquido amniótico. Aminoglicosídeos podem causar surdez congênita bilateral irreversível.
Aminoglicosídeo semissintético de uso parenteral, resistente à maioria das enzimas que inativam gentamicina e tobramicina, empregado em infecções graves por bacilos Gram-negativos e em micobacterioses, com ajuste pela função renal e vigilância de nefro e ototoxicidade.
Revisado em pela equipe MedFoco
A perda auditiva começa pelas frequências altas e pode ser detectada apenas por audiometria. Insuficiência renal, doses altas, tratamento acima de 10 dias, idade avançada, desidratação e associação com outros nefro ou ototóxicos aumentam o risco. A segurança além de 14 dias não está estabelecida.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
A amicacina é um aminoglicosídeo semissintético derivado da canamicina, bactericida, que inibe a síntese proteica bacteriana ao se ligar à subunidade 30S do ribossomo. Sua cadeia lateral a protege da maioria das enzimas que inativam outros aminoglicosídeos, preservando atividade contra muitos bacilos Gram-negativos resistentes à gentamicina e contra micobactérias.
Bactericida concentração-dependente que se liga à subunidade 30S, provoca leitura incorreta do RNA mensageiro e resiste à maioria das enzimas modificadoras de aminoglicosídeos.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Amicacina 50 mg/mLPediatria | Solução injetável | 50 mg/mL | Ampola de 2 mL (100 mg); caixas com 1 ou 50 ampolas. | Amicilon |
| Amicacina 250 mg/mLRENAME · Estratégico | Solução injetável | 250 mg/mL | Ampola de 2 mL (500 mg); caixas com 1 ou 50 ampolas. | Amicilon |
A ampola de 2 mL pode conter 100 mg (50 mg/mL) ou 500 mg (250 mg/mL). Confirme a concentração antes de aspirar, especialmente em pediatria e neonatologia.
Dose, frequência e duração por população.
Em 2 ou 3 doses; máximo 1,5 g/dia.
Neonato: ataque 10 mg/kg, depois 7,5 mg/kg de 12/12 h.
Segurança acima de 14 dias não estabelecida.
µg/mL, em esquemas fracionados.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 7,5 mg/kg | 12/12 h | 7 a 10 dias | Total de 15 mg/kg/dia. Em obesos, usar peso ajustado e não exceder 1,5 g/dia. Ajustar pela função renal. |
| 5 mg/kg | 8/8 h | 7 a 10 dias | Alternativa de fracionamento com a mesma dose diária (15 mg/kg/dia). Máximo de 1,5 g/dia. | |
| ITU não complicada | 250 mg | 12/12 h | 7 a 10 dias | Reservar para patógenos resistentes a alternativas menos tóxicas. |
| Micobacterioses (TB resistente, MNT) | 15 mg/kg | 1 vez ao dia (ou 3 vezes por semana, conforme protocolo) | Conforme protocolo do Ministério da Saúde | Sempre em esquema combinado. Dose máxima usual de 1 g por aplicação. Audiometria basal e seriada é obrigatória pelo uso prolongado. |
Total de 15 mg/kg/dia. Em obesos, usar peso ajustado e não exceder 1,5 g/dia. Ajustar pela função renal.
Alternativa de fracionamento com a mesma dose diária (15 mg/kg/dia). Máximo de 1,5 g/dia.
Reservar para patógenos resistentes a alternativas menos tóxicas.
Sempre em esquema combinado. Dose máxima usual de 1 g por aplicação. Audiometria basal e seriada é obrigatória pelo uso prolongado.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose diária única | 15 mg/kg | 24/24 h | 7 a 10 dias | Somente com ClCr ≥ 50 mL/min. Infundir em 30–60 minutos. Monitorar vale antes da dose seguinte conforme protocolo. |
Somente com ClCr ≥ 50 mL/min. Infundir em 30–60 minutos. Monitorar vale antes da dose seguinte conforme protocolo.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 7,5 mg/kg | 12/12 h | 7 a 10 dias | Crianças e lactentes com mais de 2 semanas e função renal normal. Infusão EV em 1–2 horas em lactentes. |
| 5 mg/kg | 8/8 h | 7 a 10 dias | Alternativa de fracionamento para crianças e lactentes com mais de 2 semanas. Total de 15 mg/kg/dia. | |
| Recém-nascido | Ataque de 10 mg/kg, seguido de 7,5 mg/kg | 12/12 h | Conforme indicação neonatal | A imaturidade renal prolonga a meia-vida; monitorar níveis séricos e função renal. |
| Prematuro | 7,5 mg/kg | 12/12 h | Conforme indicação neonatal | Alto risco de acúmulo; individualizar por níveis séricos e protocolo neonatal. |
Crianças e lactentes com mais de 2 semanas e função renal normal. Infusão EV em 1–2 horas em lactentes.
Alternativa de fracionamento para crianças e lactentes com mais de 2 semanas. Total de 15 mg/kg/dia.
A imaturidade renal prolonga a meia-vida; monitorar níveis séricos e função renal.
Alto risco de acúmulo; individualizar por níveis séricos e protocolo neonatal.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose diária única (> 1 mês) | 20 mg/kg | 24/24 h | Conforme foco infeccioso | Somente com ClCr ≥ 50 mL/min. Seguir protocolo institucional de monitorização farmacocinética. |
Somente com ClCr ≥ 50 mL/min. Seguir protocolo institucional de monitorização farmacocinética.
Usar apenas quando o benefício justificar o risco fetal
Atravessa a placenta e atinge concentrações significativas no líquido amniótico. Aminoglicosídeos podem causar surdez congênita bilateral irreversível.
Individualizar tratamento ou amamentação
A bula orienta não amamentar durante o tratamento. A absorção oral pelo lactente é mínima, mas pode alterar a flora intestinal; decidir conforme a importância do tratamento materno.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ClCr ≥ 50 mL/minSem ajuste | Dose usual | Conforme esquema | Sem ajuste. Permite dose diária única. Reavaliar creatinina durante o tratamento. |
| ClCr < 50 mL/min · intervalo prolongadoAjustar intervalo | 7,5 mg/kg | Intervalo (h) = creatinina sérica (mg/dL) × 9 | Ajustar intervalo. Ex.: creatinina 2 mg/dL → 7,5 mg/kg a cada 18 h. Método aproximado; preferir monitorização sérica. |
| ClCr < 50 mL/min · dose reduzidaReduzir dose | Ataque 7,5 mg/kg; manutenção = 7,5 mg/kg × (ClCr do paciente ÷ ClCr normal) | 12/12 h | Reduzir dose. Alternativa em estado de equilíbrio: dividir a dose usual pela creatinina sérica do paciente. Suspender se houver azotemia crescente ou queda progressiva da diurese. |
| Insuficiência hepáticaSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação e função renal | Sem ajuste. Sem metabolização hepática relevante; eliminação por filtração glomerular. Hepatopatas graves podem ter disfunção renal não evidente. |
Sem ajuste. Permite dose diária única. Reavaliar creatinina durante o tratamento.
Ajustar intervalo. Ex.: creatinina 2 mg/dL → 7,5 mg/kg a cada 18 h. Método aproximado; preferir monitorização sérica.
Reduzir dose. Alternativa em estado de equilíbrio: dividir a dose usual pela creatinina sérica do paciente. Suspender se houver azotemia crescente ou queda progressiva da diurese.
Sem ajuste. Sem metabolização hepática relevante; eliminação por filtração glomerular. Hepatopatas graves podem ter disfunção renal não evidente.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| IdosoAjustar pela função renal | Sem redução apenas pela idade | Conforme ClCr | Ajustar pela função renal. A creatinina sérica pode subestimar a perda de função renal; estimar ClCr e monitorar níveis séricos e audição. |
| ObesidadePeso ajustado | Calcular por peso ideal ou ajustado | Conforme esquema | Peso ajustado. Não exceder 1,5 g/dia. |
Ajustar pela função renal. A creatinina sérica pode subestimar a perda de função renal; estimar ClCr e monitorar níveis séricos e audição.
Peso ajustado. Não exceder 1,5 g/dia.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Infusão intermitente em 30–60 minutos no adulto e 1–2 horas em lactentes. A via IM profunda é alternativa com a mesma dose, quando o acesso venoso não é praticável.
Pesar o paciente antes da primeira dose; em obesos, usar peso ajustado. Estimar ClCr e definir intervalo ou dose de manutenção.
Ampolas de 2 mL com 50 mg/mL (100 mg) ou 250 mg/mL (500 mg).
Adulto: 100 a 200 mL de SF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato. Pediatria: volume suficiente para infundir no tempo recomendado, respeitando restrição hídrica.
30 a 60 minutos no adulto; 1 a 2 horas em lactentes.
Aplicar por via intramuscular profunda em grande massa muscular.
Administrar separadamente, especialmente de penicilinas e cefalosporinas, que podem inativar o aminoglicosídeo na mesma solução.
Creatinina, ureia e urina tipo 1 periódicas, níveis séricos e audiometria seriada em pacientes de risco ou tratamento prolongado.
Administração EV habitual
Dose calculada em 100 a 200 mL de diluente.
Não adicionar outros medicamentos à solução.
Dose calculada em 100 a 200 mL de diluente.
Não adicionar outros medicamentos à solução.
Pediatria e neonatologia
Dose calculada diluída em volume compatível com idade e restrição hídrica.
Monitorar níveis séricos pela imaturidade renal.
Dose calculada diluída em volume compatível com idade e restrição hídrica.
Monitorar níveis séricos pela imaturidade renal.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Infusão diluída em 30–60 minutos (1–2 horas em lactentes). Evitar bolus. |
| Intramuscular | Via indicada | IM profunda, sem diluição, com a mesma dose da via EV. |
| Oral | Não se aplica | Absorção gastrointestinal desprezível. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Subcutânea | Não se aplica | Não é via aprovada. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Perigosa | Irrigação de campos cirúrgicos com aminoglicosídeos causou surdez irreversível, insuficiência renal e morte por bloqueio neuromuscular. A absorção por superfícies extensas é rápida e quase completa. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica à solução injetável. |
| Inalatória | Uso especializado | Usada em protocolos para micobactérias não tuberculosas com formulações específicas; a solução injetável não é aprovada para nebulização. |
Infusão diluída em 30–60 minutos (1–2 horas em lactentes). Evitar bolus.
IM profunda, sem diluição, com a mesma dose da via EV.
Absorção gastrointestinal desprezível.
Não se aplica.
Não é via aprovada.
Não se aplica.
Irrigação de campos cirúrgicos com aminoglicosídeos causou surdez irreversível, insuficiência renal e morte por bloqueio neuromuscular. A absorção por superfícies extensas é rápida e quase completa.
Não se aplica à solução injetável.
Usada em protocolos para micobactérias não tuberculosas com formulações específicas; a solução injetável não é aprovada para nebulização.
Queimaduras extensas, sepse e sobrecarga hídrica reduzem concentrações séricas; ajustar a dose por monitorização farmacocinética.
Risco de paralisia respiratória com anestésicos, bloqueadores neuromusculares ou grande volume de sangue citratado. Reverter com sais de cálcio e suporte ventilatório.
Aminoglicosídeos podem agravar a fraqueza muscular; usar com cautela e monitorar a função respiratória.
Em esquemas de semanas a meses, realizar audiometria basal e seriada, função renal e eletrólitos (magnésio, cálcio, potássio) periodicamente.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
A amicacina pode causar nefrotoxicidade e ototoxicidade coclear e vestibular, geralmente irreversível. O risco aumenta com insuficiência renal, picos e vales elevados, tratamento prolongado, idade avançada, desidratação e associação com outros fármacos nefro ou ototóxicos.
Aminoglicosídeos atravessam a placenta e podem causar surdez congênita. Usar apenas em infecção grave sem alternativa mais segura.
A bula orienta não amamentar durante o uso. Pequenas quantidades passam ao leite, com absorção oral mínima pelo lactente.
Eliminação quase exclusivamente renal. Com ClCr < 50 mL/min, prolongar o intervalo ou reduzir a dose de manutenção, guiado por níveis séricos.
Sem metabolismo hepático relevante. A função renal continua sendo o principal determinante da dose.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Liga-se de forma irreversível à subunidade 30S do ribossomo bacteriano, interfere na iniciação da síntese proteica e induz leitura incorreta do RNA mensageiro. A cadeia lateral L-hidroxiaminobutiril protege a molécula da maioria das acetiltransferases, fosfotransferases e nucleotidiltransferases bacterianas.
Absorção IM rápida, com pico em cerca de 1 hora. Volume de distribuição médio de 24 L (≈ 28% do peso), predominantemente no líquido extracelular, com ligação proteica de 0 a 11%.
Atravessa a placenta e atinge concentrações significativas no líquido amniótico. A penetração no liquor é baixa na ausência de inflamação meníngea.
Não sofre metabolização relevante. Cerca de 94% a 98% da dose são excretados inalterados na urina em 24 horas.
A meia-vida, de cerca de 2 horas com função renal normal, prolonga-se muito na insuficiência renal e em neonatos, justificando o ajuste e a monitorização sérica.
O principal risco é a toxicidade aditiva: outros aminoglicosídeos, vancomicina, polimixina B, colistina, anfotericina B, cisplatina, bacitracina, cefalosporinas de primeira geração, ciclosporina e outros nefro ou neurotóxicos aumentam o risco de lesão renal e auditiva e devem ser evitados ou monitorados de perto. Diuréticos de alça e ácido etacrínico potencializam a ototoxicidade e, por via EV, elevam a concentração sérica e tecidual do antibiótico. Anestésicos, bloqueadores neuromusculares e transfusão maciça de sangue citratado intensificam o bloqueio neuromuscular, com risco de apneia. Beta-lactâmicos são associados com frequência pelo sinergismo, mas podem inativar a amicacina quando misturados na mesma solução ou, em insuficiência renal grave, no próprio soro; administrar separadamente.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Blau Farmacêutica. Bula profissional da solução injetável de 50 mg/mL e 250 mg/mL: posologia, ajuste renal, diluição, estabilidade e advertências.
Bula profissional de genérico da solução injetável de 250 mg/mL, usada para farmacocinética, contraindicações e esquemas pediátricos.
Ministério da Saúde. Sulfato de amicacina 250 mg/mL solução injetável no Componente Estratégico.
Ministério da Saúde. Uso de amicacina em esquemas para tuberculose resistente e micobacterioses.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Amikacin.
Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.
Fonte complementar para limites de concentração sérica, interações e toxicidade.