MedFoco

Bulário clínico · Antimicrobiano

Sulfato de Amicacina

Aminoglicosídeo semissintético de uso parenteral, resistente à maioria das enzimas que inativam gentamicina e tobramicina, empregado em infecções graves por bacilos Gram-negativos e em micobacterioses, com ajuste pela função renal e vigilância de nefro e ototoxicidade.

AminoglicosídeoEV · IMAjuste renalUso hospitalarReceita com retençãoOtotoxicidade

Revisado em pela equipe MedFoco

Ototoxicidade costuma ser irreversível e silenciosa

A perda auditiva começa pelas frequências altas e pode ser detectada apenas por audiometria. Insuficiência renal, doses altas, tratamento acima de 10 dias, idade avançada, desidratação e associação com outros nefro ou ototóxicos aumentam o risco. A segurança além de 14 dias não está estabelecida.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a amicacina?

A amicacina é um aminoglicosídeo semissintético derivado da canamicina, bactericida, que inibe a síntese proteica bacteriana ao se ligar à subunidade 30S do ribossomo. Sua cadeia lateral a protege da maioria das enzimas que inativam outros aminoglicosídeos, preservando atividade contra muitos bacilos Gram-negativos resistentes à gentamicina e contra micobactérias.

ViasEV · IM
Faixa etáriaPrematuro a adulto
SUSRENAME · Estratégico (250 mg/mL)
ReceitaAntimicrobiano · 2 vias

Composição e papel de cada componente1 ativos

Amicacina

Bactericida concentração-dependente que se liga à subunidade 30S, provoca leitura incorreta do RNA mensageiro e resiste à maioria das enzimas modificadoras de aminoglicosídeos.

Aminoglicosídeo

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Bacteremia e septicemia, incluindo sepse neonatal, por Gram-negativos sensíveis.
  • Infecções graves do trato respiratório, incluindo pneumonia hospitalar.
  • Infecções do sistema nervoso central, incluindo meningite, em esquemas apropriados.
  • Infecções intra-abdominais, incluindo peritonite.
  • Infecções de ossos, articulações, pele e partes moles, incluindo queimaduras e infecções pós-operatórias.
  • Infecções do trato urinário complicadas e recorrentes.
  • Tuberculose resistente e micobacterioses não tuberculosas, em esquemas combinados conforme protocolo.
  • Nocardiose, em associação.
Não indicado
  • Hipersensibilidade à amicacina ou aos componentes da formulação, incluindo bissulfito.
  • História de hipersensibilidade ou reação tóxica grave a outros aminoglicosídeos.
  • Infecções por anaeróbios ou Gram-positivos como monoterapia.
  • ITU não complicada quando há alternativas orais menos tóxicas.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis2 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Amicacina 50 mg/mLPediatriaSolução injetável50 mg/mLAmpola de 2 mL (100 mg); caixas com 1 ou 50 ampolas.
Amicilon
Amicacina 250 mg/mLRENAME · EstratégicoSolução injetável250 mg/mLAmpola de 2 mL (500 mg); caixas com 1 ou 50 ampolas.
Amicilon
Amicacina 50 mg/mLSolução injetável
Pediatria
Concentração / composição
50 mg/mL
EmbalagemAmpola de 2 mL (100 mg); caixas com 1 ou 50 ampolas.
Nomes comerciais
Amicilon
Amicacina 250 mg/mLSolução injetável
RENAME · Estratégico
Concentração / composição
250 mg/mL
EmbalagemAmpola de 2 mL (500 mg); caixas com 1 ou 50 ampolas.
Nomes comerciais
Amicilon
Atenção

Mesmo volume, dose cinco vezes maior

A ampola de 2 mL pode conter 100 mg (50 mg/mL) ou 500 mg (250 mg/mL). Confirme a concentração antes de aspirar, especialmente em pediatria e neonatologia.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Adulto15 mg/kg/dia

Em 2 ou 3 doses; máximo 1,5 g/dia.

Pediatria15 mg/kg/dia

Neonato: ataque 10 mg/kg, depois 7,5 mg/kg de 12/12 h.

Duração7–10 dias

Segurança acima de 14 dias não estabelecida.

Níveis séricosPico < 35 · vale < 10

µg/mL, em esquemas fracionados.

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via endovenosa ou intramuscular4 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual7,5 mg/kg12/12 h7 a 10 diasTotal de 15 mg/kg/dia. Em obesos, usar peso ajustado e não exceder 1,5 g/dia. Ajustar pela função renal.
5 mg/kg8/8 h7 a 10 diasAlternativa de fracionamento com a mesma dose diária (15 mg/kg/dia). Máximo de 1,5 g/dia.
ITU não complicada250 mg12/12 h7 a 10 diasReservar para patógenos resistentes a alternativas menos tóxicas.
Micobacterioses (TB resistente, MNT)15 mg/kg1 vez ao dia (ou 3 vezes por semana, conforme protocolo)Conforme protocolo do Ministério da SaúdeSempre em esquema combinado. Dose máxima usual de 1 g por aplicação. Audiometria basal e seriada é obrigatória pelo uso prolongado.
Dose usual
7,5 mg/kg12/12 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Total de 15 mg/kg/dia. Em obesos, usar peso ajustado e não exceder 1,5 g/dia. Ajustar pela função renal.

5 mg/kg8/8 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Alternativa de fracionamento com a mesma dose diária (15 mg/kg/dia). Máximo de 1,5 g/dia.

ITU não complicada
250 mg12/12 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Reservar para patógenos resistentes a alternativas menos tóxicas.

Micobacterioses (TB resistente, MNT)
15 mg/kg1 vez ao dia (ou 3 vezes por semana, conforme protocolo)
Detalhes
DuraçãoConforme protocolo do Ministério da Saúde
Observações

Sempre em esquema combinado. Dose máxima usual de 1 g por aplicação. Audiometria basal e seriada é obrigatória pelo uso prolongado.

Via endovenosa1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose diária única15 mg/kg24/24 h7 a 10 diasSomente com ClCr ≥ 50 mL/min. Infundir em 30–60 minutos. Monitorar vale antes da dose seguinte conforme protocolo.
Dose diária única
15 mg/kg24/24 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Somente com ClCr ≥ 50 mL/min. Infundir em 30–60 minutos. Monitorar vale antes da dose seguinte conforme protocolo.

Pediatria e neonatologia

Via endovenosa ou intramuscular4 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual7,5 mg/kg12/12 h7 a 10 diasCrianças e lactentes com mais de 2 semanas e função renal normal. Infusão EV em 1–2 horas em lactentes.
5 mg/kg8/8 h7 a 10 diasAlternativa de fracionamento para crianças e lactentes com mais de 2 semanas. Total de 15 mg/kg/dia.
Recém-nascidoAtaque de 10 mg/kg, seguido de 7,5 mg/kg12/12 hConforme indicação neonatalA imaturidade renal prolonga a meia-vida; monitorar níveis séricos e função renal.
Prematuro7,5 mg/kg12/12 hConforme indicação neonatalAlto risco de acúmulo; individualizar por níveis séricos e protocolo neonatal.
Dose usual
7,5 mg/kg12/12 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Crianças e lactentes com mais de 2 semanas e função renal normal. Infusão EV em 1–2 horas em lactentes.

5 mg/kg8/8 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Alternativa de fracionamento para crianças e lactentes com mais de 2 semanas. Total de 15 mg/kg/dia.

Recém-nascido
Ataque de 10 mg/kg, seguido de 7,5 mg/kg12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme indicação neonatal
Observações

A imaturidade renal prolonga a meia-vida; monitorar níveis séricos e função renal.

Prematuro
7,5 mg/kg12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme indicação neonatal
Observações

Alto risco de acúmulo; individualizar por níveis séricos e protocolo neonatal.

Via endovenosa1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose diária única (> 1 mês)20 mg/kg24/24 hConforme foco infecciosoSomente com ClCr ≥ 50 mL/min. Seguir protocolo institucional de monitorização farmacocinética.
Dose diária única (> 1 mês)
20 mg/kg24/24 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco infeccioso
Observações

Somente com ClCr ≥ 50 mL/min. Seguir protocolo institucional de monitorização farmacocinética.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria D

Usar apenas quando o benefício justificar o risco fetal

Atravessa a placenta e atinge concentrações significativas no líquido amniótico. Aminoglicosídeos podem causar surdez congênita bilateral irreversível.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Individualizar tratamento ou amamentação

A bula orienta não amamentar durante o tratamento. A absorção oral pelo lactente é mínima, mas pode alterar a flora intestinal; decidir conforme a importância do tratamento materno.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ClCr ≥ 50 mL/minSem ajusteDose usualConforme esquemaSem ajuste. Permite dose diária única. Reavaliar creatinina durante o tratamento.
ClCr < 50 mL/min · intervalo prolongadoAjustar intervalo7,5 mg/kgIntervalo (h) = creatinina sérica (mg/dL) × 9Ajustar intervalo. Ex.: creatinina 2 mg/dL → 7,5 mg/kg a cada 18 h. Método aproximado; preferir monitorização sérica.
ClCr < 50 mL/min · dose reduzidaReduzir doseAtaque 7,5 mg/kg; manutenção = 7,5 mg/kg × (ClCr do paciente ÷ ClCr normal)12/12 hReduzir dose. Alternativa em estado de equilíbrio: dividir a dose usual pela creatinina sérica do paciente. Suspender se houver azotemia crescente ou queda progressiva da diurese.
Insuficiência hepáticaSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicação e função renalSem ajuste. Sem metabolização hepática relevante; eliminação por filtração glomerular. Hepatopatas graves podem ter disfunção renal não evidente.
ClCr ≥ 50 mL/minSem ajuste
Dose usual
FrequênciaConforme esquema
Observações

Sem ajuste. Permite dose diária única. Reavaliar creatinina durante o tratamento.

ClCr < 50 mL/min · intervalo prolongadoAjustar intervalo
7,5 mg/kg
FrequênciaIntervalo (h) = creatinina sérica (mg/dL) × 9
Observações

Ajustar intervalo. Ex.: creatinina 2 mg/dL → 7,5 mg/kg a cada 18 h. Método aproximado; preferir monitorização sérica.

ClCr < 50 mL/min · dose reduzidaReduzir dose
Ataque 7,5 mg/kg; manutenção = 7,5 mg/kg × (ClCr do paciente ÷ ClCr normal)
Frequência12/12 h
Observações

Reduzir dose. Alternativa em estado de equilíbrio: dividir a dose usual pela creatinina sérica do paciente. Suspender se houver azotemia crescente ou queda progressiva da diurese.

Insuficiência hepáticaSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação e função renal
Observações

Sem ajuste. Sem metabolização hepática relevante; eliminação por filtração glomerular. Hepatopatas graves podem ter disfunção renal não evidente.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
IdosoAjustar pela função renalSem redução apenas pela idadeConforme ClCrAjustar pela função renal. A creatinina sérica pode subestimar a perda de função renal; estimar ClCr e monitorar níveis séricos e audição.
ObesidadePeso ajustadoCalcular por peso ideal ou ajustadoConforme esquemaPeso ajustado. Não exceder 1,5 g/dia.
IdosoAjustar pela função renal
Sem redução apenas pela idade
FrequênciaConforme ClCr
Observações

Ajustar pela função renal. A creatinina sérica pode subestimar a perda de função renal; estimar ClCr e monitorar níveis séricos e audição.

ObesidadePeso ajustado
Calcular por peso ideal ou ajustado
FrequênciaConforme esquema
Observações

Peso ajustado. Não exceder 1,5 g/dia.

Modelos de prescrição4 modelos

Adulto · 7,5 mg/kg de 12/12 hVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Adulto · 5 mg/kg de 8/8 hVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · 7,5 mg/kg de 12/12 hVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · 5 mg/kg de 8/8 hVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSF 0,9% · SG 5% · Ringer lactatoReconstituiçãoNão requer
Via principalEndovenosa

Infusão intermitente em 30–60 minutos no adulto e 1–2 horas em lactentes. A via IM profunda é alternativa com a mesma dose, quando o acesso venoso não é praticável.

Técnica de aplicação7 passos

1
Calcule pelo peso e pela função renal

Pesar o paciente antes da primeira dose; em obesos, usar peso ajustado. Estimar ClCr e definir intervalo ou dose de manutenção.

2
Confirme a concentração

Ampolas de 2 mL com 50 mg/mL (100 mg) ou 250 mg/mL (500 mg).

3
Dilua para uso EV

Adulto: 100 a 200 mL de SF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato. Pediatria: volume suficiente para infundir no tempo recomendado, respeitando restrição hídrica.

4
Infunda lentamente

30 a 60 minutos no adulto; 1 a 2 horas em lactentes.

5
Para IM, não dilua

Aplicar por via intramuscular profunda em grande massa muscular.

6
Não misture com outros fármacos

Administrar separadamente, especialmente de penicilinas e cefalosporinas, que podem inativar o aminoglicosídeo na mesma solução.

7
Monitore toxicidade

Creatinina, ureia e urina tipo 1 periódicas, níveis séricos e audiometria seriada em pacientes de risco ou tratamento prolongado.

Diluições e preparo2 preparos

Infusão EV intermitente — adulto

Administração EV habitual

≈ 2,5–5 mg/mL (dose de 500 mg)

Dose calculada em 100 a 200 mL de diluente.

  1. Aspirar o volume correspondente à dose calculada.
  2. Adicionar a 100 ou 200 mL de SF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato.
  3. Homogeneizar e inspecionar a solução.
Volume final100–200 mL
DiluenteSF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato
Tempo / modo30–60 minutos
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente (15–30 °C) ou sob refrigeração (2–8 °C)

Não adicionar outros medicamentos à solução.

Infusão EV intermitente — adultoAdministração EV habitual≈ 2,5–5 mg/mL (dose de 500 mg)

Dose calculada em 100 a 200 mL de diluente.

  1. Aspirar o volume correspondente à dose calculada.
  2. Adicionar a 100 ou 200 mL de SF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato.
  3. Homogeneizar e inspecionar a solução.
Volume final100–200 mL
DiluenteSF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato
Tempo / modo30–60 minutos
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente (15–30 °C) ou sob refrigeração (2–8 °C)

Não adicionar outros medicamentos à solução.

Infusão EV — lactentes e crianças

Pediatria e neonatologia

Dose calculada diluída em volume compatível com idade e restrição hídrica.

  1. Preferir a apresentação de 50 mg/mL para maior precisão de volume.
  2. Diluir em SF 0,9% ou SG 5%.
  3. Programar bomba de infusão para 1 a 2 horas.
DiluenteSF 0,9% ou SG 5%
Tempo / modo1–2 horas
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou sob refrigeração

Monitorar níveis séricos pela imaturidade renal.

Infusão EV — lactentes e criançasPediatria e neonatologia

Dose calculada diluída em volume compatível com idade e restrição hídrica.

  1. Preferir a apresentação de 50 mg/mL para maior precisão de volume.
  2. Diluir em SF 0,9% ou SG 5%.
  3. Programar bomba de infusão para 1 a 2 horas.
DiluenteSF 0,9% ou SG 5%
Tempo / modo1–2 horas
Estabilidade24 horas em temperatura ambiente ou sob refrigeração

Monitorar níveis séricos pela imaturidade renal.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaInfusão diluída em 30–60 minutos (1–2 horas em lactentes). Evitar bolus.
IntramuscularVia indicadaIM profunda, sem diluição, com a mesma dose da via EV.
OralNão se aplicaAbsorção gastrointestinal desprezível.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
SubcutâneaNão se aplicaNão é via aprovada.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasPerigosaIrrigação de campos cirúrgicos com aminoglicosídeos causou surdez irreversível, insuficiência renal e morte por bloqueio neuromuscular. A absorção por superfícies extensas é rápida e quase completa.
SNG/SNENão se aplicaNão se aplica à solução injetável.
InalatóriaUso especializadoUsada em protocolos para micobactérias não tuberculosas com formulações específicas; a solução injetável não é aprovada para nebulização.
EndovenosaVia indicada
Observações

Infusão diluída em 30–60 minutos (1–2 horas em lactentes). Evitar bolus.

IntramuscularVia indicada
Observações

IM profunda, sem diluição, com a mesma dose da via EV.

OralNão se aplica
Observações

Absorção gastrointestinal desprezível.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SubcutâneaNão se aplica
Observações

Não é via aprovada.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasPerigosa
Observações

Irrigação de campos cirúrgicos com aminoglicosídeos causou surdez irreversível, insuficiência renal e morte por bloqueio neuromuscular. A absorção por superfícies extensas é rápida e quase completa.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Não se aplica à solução injetável.

InalatóriaUso especializado
Observações

Usada em protocolos para micobactérias não tuberculosas com formulações específicas; a solução injetável não é aprovada para nebulização.

Situações especiais

Queimados e críticos

Volume de distribuição aumentado

Queimaduras extensas, sepse e sobrecarga hídrica reduzem concentrações séricas; ajustar a dose por monitorização farmacocinética.

Bloqueio neuromuscular

Anestesia e transfusão maciça

Risco de paralisia respiratória com anestésicos, bloqueadores neuromusculares ou grande volume de sangue citratado. Reverter com sais de cálcio e suporte ventilatório.

Doença neuromuscular

Miastenia gravis e parkinsonismo

Aminoglicosídeos podem agravar a fraqueza muscular; usar com cautela e monitorar a função respiratória.

Tratamento prolongado

Micobacterioses

Em esquemas de semanas a meses, realizar audiometria basal e seriada, função renal e eletrólitos (magnésio, cálcio, potássio) periodicamente.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Toxicidade depende da exposição e da função renal

A amicacina pode causar nefrotoxicidade e ototoxicidade coclear e vestibular, geralmente irreversível. O risco aumenta com insuficiência renal, picos e vales elevados, tratamento prolongado, idade avançada, desidratação e associação com outros fármacos nefro ou ototóxicos.

Contraindicações4 itens

  • Hipersensibilidade à amicacina.
  • Hipersensibilidade a outros aminoglicosídeos, pelo risco de reação cruzada.
  • História de reação tóxica grave a aminoglicosídeos.
  • Hipersensibilidade ao bissulfito de sódio ou a outros componentes da formulação.

Populações especiais

Gestação

Categoria D

Aminoglicosídeos atravessam a placenta e podem causar surdez congênita. Usar apenas em infecção grave sem alternativa mais segura.

Lactação

Avaliar risco-benefício

A bula orienta não amamentar durante o uso. Pequenas quantidades passam ao leite, com absorção oral mínima pelo lactente.

Função renal

Ajuste obrigatório

Eliminação quase exclusivamente renal. Com ClCr < 50 mL/min, prolongar o intervalo ou reduzir a dose de manutenção, guiado por níveis séricos.

Função hepática

Sem ajuste específico

Sem metabolismo hepático relevante. A função renal continua sendo o principal determinante da dose.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Resposta clínica e microbiológica.
  • Diurese e hidratação.
  • Zumbido, plenitude auricular, vertigem, desequilíbrio e perda auditiva.
  • Parestesias, fasciculações, fraqueza muscular e função respiratória.
Sinais de alerta
  • Creatinina, ureia e estimativa do ClCr antes e durante o tratamento.
  • Urina tipo 1 (cilindros, leucócitos, hemácias, albumina).
  • Concentrações séricas de pico e vale.
  • Audiometria seriada em pacientes de alto risco ou tratamento prolongado.

Eventos adversos

RenaisClinicamente relevantes
Elevação de creatinina e ureiaAlbuminúria e cilindrúriaLeucócitos e hemácias na urinaOligúria e azotemia
Auditivos e vestibularesPossíveis
Perda auditiva para frequências altasZumbido e plenitude auricularVertigem e perda do equilíbrio
OutrosRaros
Exantema, febre medicamentosa e eosinofiliaCefaleia, parestesias e tremorNáuseas e vômitosAnemia e hipomagnesemiaHipotensão
Exigem suspensão e avaliaçãoPotencialmente graves
Surdez bilateral irreversívelLesão renal agudaBloqueio neuromuscular, paralisia muscular aguda e apneiaConvulsõesAnafilaxia (inclusive por bissulfito)

Advertências

  • Avaliar frequentemente pacientes em uso parenteral pelo risco de oto e nefrotoxicidade.
  • Segurança de tratamentos acima de 14 dias não estabelecida.
  • Lesão coclear ou vestibular pode ocorrer sem sintomas durante o tratamento e manifestar-se após a suspensão.
  • Suspender ou ajustar a dose diante de tontura, vertigem, zumbido, perda auditiva, azotemia crescente ou queda da diurese.
  • Evitar uso concomitante com bacitracina, cisplatina, anfotericina B, polimixina B, colistina, vancomicina e outros aminoglicosídeos.
  • Evitar diuréticos potentes (furosemida, ácido etacrínico), que somam ototoxicidade e elevam os níveis teciduais.
  • Manter hidratação adequada durante o tratamento.
  • Pode ocorrer superinfecção por micro-organismos não sensíveis.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Amicacina

Liga-se de forma irreversível à subunidade 30S do ribossomo bacteriano, interfere na iniciação da síntese proteica e induz leitura incorreta do RNA mensageiro. A cadeia lateral L-hidroxiaminobutiril protege a molécula da maioria das acetiltransferases, fosfotransferases e nucleotidiltransferases bacterianas.

Farmacocinética

Distribuição extracelular e ligação proteica mínima

Absorção IM rápida, com pico em cerca de 1 hora. Volume de distribuição médio de 24 L (≈ 28% do peso), predominantemente no líquido extracelular, com ligação proteica de 0 a 11%.

Atravessa a placenta e atinge concentrações significativas no líquido amniótico. A penetração no liquor é baixa na ausência de inflamação meníngea.

Pico IM ≈ 1 hVd ≈ 0,25 L/kgLigação proteica < 11%
Eliminação

Filtração glomerular quase total

Não sofre metabolização relevante. Cerca de 94% a 98% da dose são excretados inalterados na urina em 24 horas.

A meia-vida, de cerca de 2 horas com função renal normal, prolonga-se muito na insuficiência renal e em neonatos, justificando o ajuste e a monitorização sérica.

T½ ≈ 2 hExcreção renal inalteradaTDM recomendada

Interações medicamentosas

O principal risco é a toxicidade aditiva: outros aminoglicosídeos, vancomicina, polimixina B, colistina, anfotericina B, cisplatina, bacitracina, cefalosporinas de primeira geração, ciclosporina e outros nefro ou neurotóxicos aumentam o risco de lesão renal e auditiva e devem ser evitados ou monitorados de perto. Diuréticos de alça e ácido etacrínico potencializam a ototoxicidade e, por via EV, elevam a concentração sérica e tecidual do antibiótico. Anestésicos, bloqueadores neuromusculares e transfusão maciça de sangue citratado intensificam o bloqueio neuromuscular, com risco de apneia. Beta-lactâmicos são associados com frequência pelo sinergismo, mas podem inativar a amicacina quando misturados na mesma solução ou, em insuficiência renal grave, no próprio soro; administrar separadamente.

Informação regulatória

SUSRENAME · EstratégicoSulfato de amicacina 250 mg/mL solução injetável consta na RENAME no Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica (programa de tuberculose e micobacterioses). Classificação AWaRe: Acesso.
GenéricoDisponívelHá genéricos registrados de solução injetável de 50 mg/mL e 250 mg/mL, que representam a maior parte do mercado hospitalar.
ATCJ01GB06WHO ATC/DDD: amicacina, outro aminoglicosídeo antibacteriano sistêmico. DDD parenteral: 1 g.

Receituário

Tipo de receitaAntimicrobiano
Número de vias2 vias
Retenção2ª via
Validade10 dias

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Amicilon® — sulfato de amicacina

Blau Farmacêutica. Bula profissional da solução injetável de 50 mg/mL e 250 mg/mL: posologia, ajuste renal, diluição, estabilidade e advertências.

2024
02
Bula profissional

Sulfato de amicacina — medicamento genérico

Bula profissional de genérico da solução injetável de 250 mg/mL, usada para farmacocinética, contraindicações e esquemas pediátricos.

2024
03
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Sulfato de amicacina 250 mg/mL solução injetável no Componente Estratégico.

2024
04
Diretriz

Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil

Ministério da Saúde. Uso de amicacina em esquemas para tuberculose resistente e micobacterioses.

2019
05
Classificação

ATC/DDD Index — J01GB06

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Amikacin.

2026
06
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.

2021
07
Informação complementar

Amikacin sulfate injection — rotulagem profissional internacional

Fonte complementar para limites de concentração sérica, interações e toxicidade.

2025
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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