Gestação
Categoria DSomente após cuidadosa avaliação de risco-benefício
Estudos em animais foram negativos e não há dados controlados em humanos. Preferir alternativa mais segura quando disponível.
Sal hidrossolúvel de eritromicina para infusão endovenosa, indicado quando a terapia oral não é possível em infecções por agentes sensíveis, como pneumonias por Legionella e atípicos, coqueluche, difteria e infecções estreptocócicas em alérgicos à penicilina.
Revisado em pela equipe MedFoco
Soluções salinas ou com sais orgânicos causam precipitação na reconstituição. A infusão deve durar no mínimo 60 minutos; infusões rápidas causam dor venosa, flebite e reações circulatórias, e a eritromicina EV pode desencadear torsades de pointes.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
É o sal hidrossolúvel da eritromicina destinado à infusão endovenosa. A eritromicina é um macrolídeo que se liga à subunidade ribossômica 50S e inibe a síntese proteica bacteriana. A forma EV é reservada a pacientes que necessitam de terapia parenteral ou não podem receber tratamento oral.
Liga-se de forma reversível à subunidade 50S e impede a formação de ligações peptídicas. Bacteriostática em concentrações usuais, com atividade contra atípicos, Legionella, B. pertussis, C. diphtheriae, Campylobacter e estreptococos sensíveis.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Eritromicina 1.000 mgUso hospitalar | Pó para solução injetável | 1.488,2 mg (equivalente a 1.000 mg de eritromicina base) | Caixa com 10 frascos-ampola (embalagem hospitalar). | Tromaxil |
Cada frasco contém 1.488,2 mg do sal, que correspondem a 1.000 mg de eritromicina base. Prescrever e calcular sempre em mg de eritromicina base.
Dose, frequência e duração por população.
Geralmente 1–2 g/dia em 1–4 infusões
Em 3–4 doses · pode dobrar
Concentração ≤ 5 mg/mL
Cr > 2 mg/dL ou anúria
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 15 a 20 mg/kg/dia (em geral 1 a 2 g/dia) | Dividir em 1 a 4 infusões (habitualmente 6/6 h) | 7 a 8 dias, mantendo 2–3 dias após resolução | Adultos e adolescentes acima de 12 anos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder 4 g/dia. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias. |
| Infecção gonocócica aguda | 3 g/dia de eritromicina base | Dividir em 3 infusões (1 g 8/8 h) | Conforme resposta | Somente quando outros antibióticos não puderem ser usados. Controle bacteriológico 3 a 4 dias após o término. |
| Sífilis em estágio inicial | 3 g/dia de eritromicina base | Dividir em 3 infusões (1 g 8/8 h) | Até dose total de 45 g (máximo 64 g) | Alternativa em alérgicos à penicilina sem outra opção; seguir PCDT vigente para sífilis. |
| Uretrite por C. trachomatis ou Ureaplasma | 2,5 a 3 g/dia de eritromicina base | Dividir em 3 infusões | Conforme resposta, com transição para via oral | Reservado a pacientes sem possibilidade de terapia oral. |
| Pró-cinético antes de endoscopia (fora da bula) | 250 mg | Dose única | 30 a 120 min antes da endoscopia | Em hemorragia digestiva alta, melhora a visualização gástrica. Verificar QT e interações antes do uso; seguir protocolo institucional. |
Adultos e adolescentes acima de 12 anos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder 4 g/dia. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias.
Somente quando outros antibióticos não puderem ser usados. Controle bacteriológico 3 a 4 dias após o término.
Alternativa em alérgicos à penicilina sem outra opção; seguir PCDT vigente para sífilis.
Reservado a pacientes sem possibilidade de terapia oral.
Em hemorragia digestiva alta, melhora a visualização gástrica. Verificar QT e interações antes do uso; seguir protocolo institucional.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 15 a 20 mg/kg/dia | Dividir em 3 a 4 doses (6/6 h ou 8/8 h) | 7 a 8 dias, mantendo 2–3 dias após resolução | Até 12 anos. Contraindicada em recém-nascidos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder a dose do adulto. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias. |
| Dose por superfície corporal | 300 a 600 mg/m²/dia | Dividir em 3 a 4 doses | Conforme foco | Alternativa ao cálculo por peso, prevista em bula. |
Até 12 anos. Contraindicada em recém-nascidos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder a dose do adulto. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias.
Alternativa ao cálculo por peso, prevista em bula.
Somente após cuidadosa avaliação de risco-benefício
Estudos em animais foram negativos e não há dados controlados em humanos. Preferir alternativa mais segura quando disponível.
Usar apenas se indispensável
Passa para o leite e pode causar diarreia, sensibilização, candidíase e, raramente, estenose pilórica no lactente.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| Creatinina > 2 mg/dL ou anúriaDose máxima reduzida | Máximo de 2 g/dia de eritromicina base | Dividir conforme esquema | Dose máxima reduzida. Para adultos e adolescentes acima de 14 anos (equivale a 3 g/dia do sal). Em disfunção menos grave, reduzir conforme a gravidade. Maior risco de ototoxicidade. |
| Hemodiálise / diálise peritonealSem dose suplementar | Sem dose suplementar | Conforme esquema | Sem dose suplementar. Os níveis séricos não são alterados de forma significativa pela diálise. |
| Insuficiência hepáticaCautela | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Cautela. Usar somente após avaliação rigorosa de risco e exames de função hepática. A meia-vida pode subir para 5–8 h em dano hepático grave. |
Dose máxima reduzida. Para adultos e adolescentes acima de 14 anos (equivale a 3 g/dia do sal). Em disfunção menos grave, reduzir conforme a gravidade. Maior risco de ototoxicidade.
Sem dose suplementar. Os níveis séricos não são alterados de forma significativa pela diálise.
Cautela. Usar somente após avaliação rigorosa de risco e exames de função hepática. A meia-vida pode subir para 5–8 h em dano hepático grave.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| Recém-nascidosContraindicado | Não usar | — | Contraindicado em recém-nascidos; em lactentes jovens há risco de estenose hipertrófica do piloro. |
| IdosoCautela | Individualizar | Conforme função renal | Cautela. Maior risco de QT longo, ototoxicidade e interações (varfarina, digoxina, estatinas). |
Contraindicado em recém-nascidos; em lactentes jovens há risco de estenose hipertrófica do piloro.
Cautela. Maior risco de QT longo, ototoxicidade e interações (varfarina, digoxina, estatinas).
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Administrar exclusivamente por infusão EV, em pelo menos 60 minutos. Não usar por via intra-arterial ou intramuscular.
Resulta em 50 mg/mL (solução a 5%). Não usar SF ou soluções com sais orgânicos na reconstituição, pelo risco de precipitação ou gelificação.
Adicionar 20 mL de água para injetáveis ao frasco de 1.000 mg e agitar até solução clara (50 mg/mL).
1.000 mg em 230 mL (total 250 mL, 4 mg/mL) ou em 480 mL (total 500 mL, 2 mg/mL). Para doses menores, manter concentração final de até 5 mg/mL.
Referência de gotejamento: 250 mL a 85–90 gotas/min; 500 mL a 170–180 gotas/min. Infusões rápidas causam dor venosa e flebite.
Não misturar na seringa ou solução com beta-lactâmicos, aminoglicosídeos, tetraciclina, cloranfenicol, colistina, aminofilina, barbitúricos, fenitoína, heparina, fenotiazinas ou vitaminas B2, B6 e C.
Descartar sobras do frasco. Preparo em ambiente não controlado deve ser usado imediatamente.
Observar o acesso venoso, sinais de flebite e, em pacientes de risco, o ritmo cardíaco.
Infusão intermitente
20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 230 mL de SF 0,9%.
Não reconstituir com SF; evitar SG 5% pela baixa estabilidade.
20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 230 mL de SF 0,9%.
Não reconstituir com SF; evitar SG 5% pela baixa estabilidade.
Infusão intermitente com menor concentração
20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 480 mL de SF 0,9%.
Útil para reduzir irritação venosa em acesso periférico.
20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 480 mL de SF 0,9%.
Útil para reduzir irritação venosa em acesso periférico.
Dose fracionada de 6/6 h
10 mL do reconstituído (500 mg) + 90 mL de SF 0,9%.
10 mL do reconstituído (500 mg) + 90 mL de SF 0,9%.
Preparo individualizado por peso
Volume do reconstituído (mL) = dose (mg) ÷ 50 mg/mL; completar com SF 0,9%.
Considerar restrição hídrica e calibre do acesso.
Volume do reconstituído (mL) = dose (mg) ÷ 50 mg/mL; completar com SF 0,9%.
Considerar restrição hídrica e calibre do acesso.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Somente infusão diluída, em pelo menos 60 minutos. |
| Intramuscular | Não usar | Aplicação IM não indicada. |
| Intra-arterial | Não usar | Injeção ou infusão intra-arterial não indicada. |
| Subcutânea | Não usar | Via não prevista; risco de lesão tecidual. |
| Oral | Outro sal | A terapia oral utiliza estolato ou outros sais de eritromicina, ou outro macrolídeo. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Forma exclusivamente injetável. |
Somente infusão diluída, em pelo menos 60 minutos.
Aplicação IM não indicada.
Injeção ou infusão intra-arterial não indicada.
Via não prevista; risco de lesão tecidual.
A terapia oral utiliza estolato ou outros sais de eritromicina, ou outro macrolídeo.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Forma exclusivamente injetável.
Concentrações maiores e infusões rápidas aumentam dor e tromboflebite. Preferir diluições de 1 a 5 mg/mL e acesso de bom calibre.
A terapia EV deve ser usada apenas no início do tratamento de casos complicados ou quando a via oral é impossível; migrar assim que possível.
Raramente pode reduzir a eficácia de contraceptivos hormonais; orientar método complementar durante o tratamento.
Pode interferir na dosagem urinária de catecolaminas; informar o laboratório.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
A eritromicina prolonga o QT e inibe o CYP3A4. A associação com fármacos que prolongam o QT ou que dependem do CYP3A4 pode precipitar torsades de pointes, taquicardia ventricular e toxicidade grave, sobretudo com hipocalemia, hipomagnesemia ou bradicardia.
Usar somente após cuidadosa avaliação de risco-benefício; preferir alternativas mais seguras quando disponíveis.
Passa para o leite. Utilizar apenas se o tratamento for indispensável e observar o lactente quanto a diarreia, candidíase e sinais de estenose pilórica.
Reduzir conforme a gravidade. Com creatinina > 2 mg/dL ou anúria, não ultrapassar 2 g/dia de eritromicina base. Diálise não exige dose suplementar.
Usar em hepatopatia somente após avaliação rigorosa e exames de função hepática. Tratamentos prolongados podem causar colestase intra-hepática.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Liga-se reversivelmente ao RNA 23S da subunidade 50S, bloqueando a translocação e a formação de ligações peptídicas. Também atua como agonista do receptor da motilina, estimulando a motilidade gastroduodenal, efeito explorado como pró-cinético.
A meia-vida da eritromicina base livre é de 1,5 a 3 horas, podendo chegar a 5–8 horas em dano hepático grave. A ligação proteica depende da concentração, com faixa terapêutica de 54–74%.
Acumula-se no fígado e é excretada principalmente na bile; 2–15% aparece inalterada na urina. Hemodiálise e diálise peritoneal não alteram significativamente os níveis séricos.
A eritromicina EV é o macrolídeo com maior associação a torsades de pointes, especialmente em infusões rápidas, com distúrbios eletrolíticos ou com outros pró-arrítmicos.
A inibição do CYP3A4 eleva a exposição a numerosos fármacos; a ototoxicidade é dose-dependente e geralmente reversível.
A interação mais grave é o efeito aditivo sobre o QT: terfenadina, astemizol, cisaprida, pimozida e antiarrítmicos das classes IA e III são contraindicados, e a pentamidina EV associou-se a torsades de pointes. Pela inibição do CYP3A4, aumenta a exposição a teofilina, carbamazepina, fenitoína, ácido valproico, clozapina, alfentanila, bromocriptina, quinidina, disopiramida, felodipina, metilprednisolona, midazolam, triazolam, zopiclona, tacrolimo e anticoagulantes cumarínicos, exigindo monitorização ou ajuste. A digoxina pode ter níveis elevados, a lovastatina tem risco de rabdomiólise e a ciclosporina tem nefrotoxicidade potencializada. Ergotamínicos podem causar vasoespasmo e isquemia. Ritonavir reduz o metabolismo da eritromicina. Cloranfenicol, clindamicina e lincomicina competem pelo mesmo sítio ribossômico e podem reduzir a eficácia. A solução não deve ser misturada a outros fármacos na mesma seringa ou bolsa.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Opem Representação Importadora (fabricado por Laboratoires Panpharma, França). Composição, indicações, contraindicações, posologia, ajuste renal, preparo e reações adversas.
Hospital Sírio-Libanês. Reconstituição, concentração máxima de 5 mg/mL, estabilidade, tempo de infusão e incompatibilidades.
Ministério da Saúde. Consultada para verificar a situação da eritromicina parenteral no elenco vigente.
European Society of Gastrointestinal Endoscopy. Eritromicina 250 mg EV 30 a 120 minutos antes da endoscopia em hemorragia digestiva alta.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Erythromycin: DDD parenteral 1 g.
Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.