MedFoco

Bulário clínico · Antimicrobiano

Lactobionato de Eritromicina

Sal hidrossolúvel de eritromicina para infusão endovenosa, indicado quando a terapia oral não é possível em infecções por agentes sensíveis, como pneumonias por Legionella e atípicos, coqueluche, difteria e infecções estreptocócicas em alérgicos à penicilina.

MacrolídeoInfusão EVInfundir em ≥ 60 minUso hospitalarReceita com retençãoRisco de QT longo

Revisado em pela equipe MedFoco

Reconstituir somente com água para injetáveis e nunca infundir rápido

Soluções salinas ou com sais orgânicos causam precipitação na reconstituição. A infusão deve durar no mínimo 60 minutos; infusões rápidas causam dor venosa, flebite e reações circulatórias, e a eritromicina EV pode desencadear torsades de pointes.

Informações rápidas Toque em um cartão para abrir o resumo sem sair da página.

Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é o lactobionato de eritromicina?

É o sal hidrossolúvel da eritromicina destinado à infusão endovenosa. A eritromicina é um macrolídeo que se liga à subunidade ribossômica 50S e inibe a síntese proteica bacteriana. A forma EV é reservada a pacientes que necessitam de terapia parenteral ou não podem receber tratamento oral.

ViaEndovenosa (infusão)
Faixa etáriaPediatria (exceto neonatos) · adulto
SUSFora da RENAME 2024
ReceitaAntimicrobiano · uso hospitalar

Composição e papel de cada componente1 ativos

Eritromicina

Liga-se de forma reversível à subunidade 50S e impede a formação de ligações peptídicas. Bacteriostática em concentrações usuais, com atividade contra atípicos, Legionella, B. pertussis, C. diphtheriae, Campylobacter e estreptococos sensíveis.

Macrolídeo

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Infecções profundas das vias respiratórias que exigem terapia parenteral: bronquite e pneumonia, incluindo pneumonia por Legionella, Chlamydia e Mycoplasma.
  • Coqueluche e infecções otorrinolaringológicas (otite média, sinusite, faringite, tonsilite e laringite) quando a via oral não é possível.
  • Erisipela, escarlatina e profilaxia de febre reumática em alérgicos à penicilina.
  • Difteria, incluindo erradicação em portadores, e enterite por Campylobacter jejuni.
  • Uretrite por Chlamydia trachomatis ou Ureaplasma urealyticum, gonorreia e sífilis inicial quando outros antibióticos não puderem ser usados.
  • Conjuntivite e tracoma por C. trachomatis e actinomicose em alérgicos à penicilina.
Não indicado
  • Recém-nascidos.
  • QT longo ou uso de fármacos que prolongam o QT, como antiarrítmicos das classes IA e III.
  • Hipocalemia, hipomagnesemia, bradicardia clinicamente relevante ou arritmias, como na insuficiência cardíaca.
  • Hipersensibilidade à eritromicina ou a outros macrolídeos.
  • Pacientes que toleram e absorvem a via oral, para quem um macrolídeo oral é preferível.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis1 apresentação

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Eritromicina 1.000 mgUso hospitalarPó para solução injetável1.488,2 mg (equivalente a 1.000 mg de eritromicina base)Caixa com 10 frascos-ampola (embalagem hospitalar).
Tromaxil
Eritromicina 1.000 mgPó para solução injetável
Uso hospitalar
Concentração / composição
1.488,2 mg (equivalente a 1.000 mg de eritromicina base)
EmbalagemCaixa com 10 frascos-ampola (embalagem hospitalar).
Nomes comerciais
Tromaxil
Atenção

Dose em eritromicina base, não em lactobionato

Cada frasco contém 1.488,2 mg do sal, que correspondem a 1.000 mg de eritromicina base. Prescrever e calcular sempre em mg de eritromicina base.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Adulto15–20 mg/kg/dia

Geralmente 1–2 g/dia em 1–4 infusões

Pediatria15–20 mg/kg/dia

Em 3–4 doses · pode dobrar

Infusão≥ 60 min

Concentração ≤ 5 mg/mL

IR graveMáx. 2 g/dia

Cr > 2 mg/dL ou anúria

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via endovenosa5 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual15 a 20 mg/kg/dia (em geral 1 a 2 g/dia)Dividir em 1 a 4 infusões (habitualmente 6/6 h)7 a 8 dias, mantendo 2–3 dias após resoluçãoAdultos e adolescentes acima de 12 anos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder 4 g/dia. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias.
Infecção gonocócica aguda3 g/dia de eritromicina baseDividir em 3 infusões (1 g 8/8 h)Conforme respostaSomente quando outros antibióticos não puderem ser usados. Controle bacteriológico 3 a 4 dias após o término.
Sífilis em estágio inicial3 g/dia de eritromicina baseDividir em 3 infusões (1 g 8/8 h)Até dose total de 45 g (máximo 64 g)Alternativa em alérgicos à penicilina sem outra opção; seguir PCDT vigente para sífilis.
Uretrite por C. trachomatis ou Ureaplasma2,5 a 3 g/dia de eritromicina baseDividir em 3 infusõesConforme resposta, com transição para via oralReservado a pacientes sem possibilidade de terapia oral.
Pró-cinético antes de endoscopia (fora da bula)250 mgDose única30 a 120 min antes da endoscopiaEm hemorragia digestiva alta, melhora a visualização gástrica. Verificar QT e interações antes do uso; seguir protocolo institucional.
Dose usual
15 a 20 mg/kg/dia (em geral 1 a 2 g/dia)Dividir em 1 a 4 infusões (habitualmente 6/6 h)
Detalhes
Duração7 a 8 dias, mantendo 2–3 dias após resolução
Observações

Adultos e adolescentes acima de 12 anos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder 4 g/dia. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias.

Infecção gonocócica aguda
3 g/dia de eritromicina baseDividir em 3 infusões (1 g 8/8 h)
Detalhes
DuraçãoConforme resposta
Observações

Somente quando outros antibióticos não puderem ser usados. Controle bacteriológico 3 a 4 dias após o término.

Sífilis em estágio inicial
3 g/dia de eritromicina baseDividir em 3 infusões (1 g 8/8 h)
Detalhes
DuraçãoAté dose total de 45 g (máximo 64 g)
Observações

Alternativa em alérgicos à penicilina sem outra opção; seguir PCDT vigente para sífilis.

Uretrite por C. trachomatis ou Ureaplasma
2,5 a 3 g/dia de eritromicina baseDividir em 3 infusões
Detalhes
DuraçãoConforme resposta, com transição para via oral
Observações

Reservado a pacientes sem possibilidade de terapia oral.

Pró-cinético antes de endoscopia (fora da bula)
250 mgDose única
Detalhes
Duração30 a 120 min antes da endoscopia
Observações

Em hemorragia digestiva alta, melhora a visualização gástrica. Verificar QT e interações antes do uso; seguir protocolo institucional.

Pediatria

Via endovenosa2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual15 a 20 mg/kg/diaDividir em 3 a 4 doses (6/6 h ou 8/8 h)7 a 8 dias, mantendo 2–3 dias após resoluçãoAté 12 anos. Contraindicada em recém-nascidos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder a dose do adulto. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias.
Dose por superfície corporal300 a 600 mg/m²/diaDividir em 3 a 4 dosesConforme focoAlternativa ao cálculo por peso, prevista em bula.
Dose usual
15 a 20 mg/kg/diaDividir em 3 a 4 doses (6/6 h ou 8/8 h)
Detalhes
Duração7 a 8 dias, mantendo 2–3 dias após resolução
Observações

Até 12 anos. Contraindicada em recém-nascidos. Em infecções graves, a dose pode ser dobrada, sem exceder a dose do adulto. Estreptococo beta-hemolítico: mínimo de 10 dias.

Dose por superfície corporal
300 a 600 mg/m²/diaDividir em 3 a 4 doses
Detalhes
DuraçãoConforme foco
Observações

Alternativa ao cálculo por peso, prevista em bula.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria D

Somente após cuidadosa avaliação de risco-benefício

Estudos em animais foram negativos e não há dados controlados em humanos. Preferir alternativa mais segura quando disponível.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Usar apenas se indispensável

Passa para o leite e pode causar diarreia, sensibilização, candidíase e, raramente, estenose pilórica no lactente.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Creatinina > 2 mg/dL ou anúriaDose máxima reduzidaMáximo de 2 g/dia de eritromicina baseDividir conforme esquemaDose máxima reduzida. Para adultos e adolescentes acima de 14 anos (equivale a 3 g/dia do sal). Em disfunção menos grave, reduzir conforme a gravidade. Maior risco de ototoxicidade.
Hemodiálise / diálise peritonealSem dose suplementarSem dose suplementarConforme esquemaSem dose suplementar. Os níveis séricos não são alterados de forma significativa pela diálise.
Insuficiência hepáticaCautelaSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoCautela. Usar somente após avaliação rigorosa de risco e exames de função hepática. A meia-vida pode subir para 5–8 h em dano hepático grave.
Creatinina > 2 mg/dL ou anúriaDose máxima reduzida
Máximo de 2 g/dia de eritromicina base
FrequênciaDividir conforme esquema
Observações

Dose máxima reduzida. Para adultos e adolescentes acima de 14 anos (equivale a 3 g/dia do sal). Em disfunção menos grave, reduzir conforme a gravidade. Maior risco de ototoxicidade.

Hemodiálise / diálise peritonealSem dose suplementar
Sem dose suplementar
FrequênciaConforme esquema
Observações

Sem dose suplementar. Os níveis séricos não são alterados de forma significativa pela diálise.

Insuficiência hepáticaCautela
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Cautela. Usar somente após avaliação rigorosa de risco e exames de função hepática. A meia-vida pode subir para 5–8 h em dano hepático grave.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Recém-nascidosContraindicadoNão usar—Contraindicado em recém-nascidos; em lactentes jovens há risco de estenose hipertrófica do piloro.
IdosoCautelaIndividualizarConforme função renalCautela. Maior risco de QT longo, ototoxicidade e interações (varfarina, digoxina, estatinas).
Recém-nascidosContraindicado
Não usar
Frequência—
Observações

Contraindicado em recém-nascidos; em lactentes jovens há risco de estenose hipertrófica do piloro.

IdosoCautela
Individualizar
FrequênciaConforme função renal
Observações

Cautela. Maior risco de QT longo, ototoxicidade e interações (varfarina, digoxina, estatinas).

Modelos de prescrição2 modelos

Dose usual — adultoUso endovenosoAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — pediatriaUso endovenosoAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSF 0,9%
Via principalInfusão endovenosa

Administrar exclusivamente por infusão EV, em pelo menos 60 minutos. Não usar por via intra-arterial ou intramuscular.

ReconstituiçãoReconstituir 1.000 mg com 20 mL de água para injetáveis

Resulta em 50 mg/mL (solução a 5%). Não usar SF ou soluções com sais orgânicos na reconstituição, pelo risco de precipitação ou gelificação.

Técnica de aplicação6 passos

1
Reconstitua com água para injetáveis

Adicionar 20 mL de água para injetáveis ao frasco de 1.000 mg e agitar até solução clara (50 mg/mL).

2
Dilua em SF 0,9%

1.000 mg em 230 mL (total 250 mL, 4 mg/mL) ou em 480 mL (total 500 mL, 2 mg/mL). Para doses menores, manter concentração final de até 5 mg/mL.

3
Infunda em ≥ 60 minutos

Referência de gotejamento: 250 mL a 85–90 gotas/min; 500 mL a 170–180 gotas/min. Infusões rápidas causam dor venosa e flebite.

4
Não misture com outros fármacos

Não misturar na seringa ou solução com beta-lactâmicos, aminoglicosídeos, tetraciclina, cloranfenicol, colistina, aminofilina, barbitúricos, fenitoína, heparina, fenotiazinas ou vitaminas B2, B6 e C.

5
Use logo após o preparo

Descartar sobras do frasco. Preparo em ambiente não controlado deve ser usado imediatamente.

6
Monitore durante a infusão

Observar o acesso venoso, sinais de flebite e, em pacientes de risco, o ritmo cardíaco.

Diluições e preparo4 preparos

Eritromicina 1.000 mg em 250 mL

Infusão intermitente

4 mg/mL

20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 230 mL de SF 0,9%.

  1. Reconstituir com 20 mL de água para injetáveis.
  2. Transferir para 230 mL de SF 0,9%.
  3. Homogeneizar e identificar a bolsa.
Volume final250 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos (85–90 gotas/min)
EstabilidadePreparo asséptico em farmácia: reconstituído 24 h em temperatura ambiente ou 48 h refrigerado; diluído 8 h em temperatura ambiente. Fora dessas condições, uso imediato.

Não reconstituir com SF; evitar SG 5% pela baixa estabilidade.

Eritromicina 1.000 mg em 250 mLInfusão intermitente4 mg/mL

20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 230 mL de SF 0,9%.

  1. Reconstituir com 20 mL de água para injetáveis.
  2. Transferir para 230 mL de SF 0,9%.
  3. Homogeneizar e identificar a bolsa.
Volume final250 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos (85–90 gotas/min)
EstabilidadePreparo asséptico em farmácia: reconstituído 24 h em temperatura ambiente ou 48 h refrigerado; diluído 8 h em temperatura ambiente. Fora dessas condições, uso imediato.

Não reconstituir com SF; evitar SG 5% pela baixa estabilidade.

Eritromicina 1.000 mg em 500 mL

Infusão intermitente com menor concentração

2 mg/mL

20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 480 mL de SF 0,9%.

  1. Reconstituir com 20 mL de água para injetáveis.
  2. Transferir para 480 mL de SF 0,9%.
  3. Homogeneizar e identificar a bolsa.
Volume final500 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos (170–180 gotas/min)

Útil para reduzir irritação venosa em acesso periférico.

Eritromicina 1.000 mg em 500 mLInfusão intermitente com menor concentração2 mg/mL

20 mL do reconstituído (1.000 mg) + 480 mL de SF 0,9%.

  1. Reconstituir com 20 mL de água para injetáveis.
  2. Transferir para 480 mL de SF 0,9%.
  3. Homogeneizar e identificar a bolsa.
Volume final500 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos (170–180 gotas/min)

Útil para reduzir irritação venosa em acesso periférico.

Eritromicina 500 mg

Dose fracionada de 6/6 h

5 mg/mL

10 mL do reconstituído (500 mg) + 90 mL de SF 0,9%.

  1. Aspirar 10 mL da solução reconstituída a 50 mg/mL.
  2. Adicionar a 90 mL de SF 0,9%.
  3. Descartar o restante do frasco se não for usado imediatamente.
Volume final100 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos
Eritromicina 500 mgDose fracionada de 6/6 h5 mg/mL

10 mL do reconstituído (500 mg) + 90 mL de SF 0,9%.

  1. Aspirar 10 mL da solução reconstituída a 50 mg/mL.
  2. Adicionar a 90 mL de SF 0,9%.
  3. Descartar o restante do frasco se não for usado imediatamente.
Volume final100 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos

Pediatria

Preparo individualizado por peso

1 a 5 mg/mL

Volume do reconstituído (mL) = dose (mg) ÷ 50 mg/mL; completar com SF 0,9%.

  1. Calcular a dose em mg de eritromicina base.
  2. Aspirar o volume correspondente da solução a 50 mg/mL.
  3. Diluir em SF 0,9% para concentração final de até 5 mg/mL.
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos

Considerar restrição hídrica e calibre do acesso.

PediatriaPreparo individualizado por peso1 a 5 mg/mL

Volume do reconstituído (mL) = dose (mg) ÷ 50 mg/mL; completar com SF 0,9%.

  1. Calcular a dose em mg de eritromicina base.
  2. Aspirar o volume correspondente da solução a 50 mg/mL.
  3. Diluir em SF 0,9% para concentração final de até 5 mg/mL.
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo≥ 60 minutos

Considerar restrição hídrica e calibre do acesso.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaSomente infusão diluída, em pelo menos 60 minutos.
IntramuscularNão usarAplicação IM não indicada.
Intra-arterialNão usarInjeção ou infusão intra-arterial não indicada.
SubcutâneaNão usarVia não prevista; risco de lesão tecidual.
OralOutro salA terapia oral utiliza estolato ou outros sais de eritromicina, ou outro macrolídeo.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
SNG/SNENão se aplicaForma exclusivamente injetável.
EndovenosaVia indicada
Observações

Somente infusão diluída, em pelo menos 60 minutos.

IntramuscularNão usar
Observações

Aplicação IM não indicada.

Intra-arterialNão usar
Observações

Injeção ou infusão intra-arterial não indicada.

SubcutâneaNão usar
Observações

Via não prevista; risco de lesão tecidual.

OralOutro sal
Observações

A terapia oral utiliza estolato ou outros sais de eritromicina, ou outro macrolídeo.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Forma exclusivamente injetável.

Situações especiais

Flebite

Concentração e velocidade importam

Concentrações maiores e infusões rápidas aumentam dor e tromboflebite. Preferir diluições de 1 a 5 mg/mL e acesso de bom calibre.

Transição para VO

Reservar a via EV

A terapia EV deve ser usada apenas no início do tratamento de casos complicados ou quando a via oral é impossível; migrar assim que possível.

Contraceptivos

Método adicional

Raramente pode reduzir a eficácia de contraceptivos hormonais; orientar método complementar durante o tratamento.

Exames

Catecolaminas urinárias

Pode interferir na dosagem urinária de catecolaminas; informar o laboratório.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Risco arrítmico e de interações graves

A eritromicina prolonga o QT e inibe o CYP3A4. A associação com fármacos que prolongam o QT ou que dependem do CYP3A4 pode precipitar torsades de pointes, taquicardia ventricular e toxicidade grave, sobretudo com hipocalemia, hipomagnesemia ou bradicardia.

Contraindicações7 itens

  • Hipersensibilidade à eritromicina, a outros macrolídeos ou a componentes da formulação.
  • Uso concomitante com terfenadina, astemizol, cisaprida ou pimozida.
  • Uso concomitante com antiarrítmicos das classes IA e III ou outros fármacos que prolongam o QT.
  • Tendência ao prolongamento do intervalo QT.
  • Distúrbios eletrolíticos, sobretudo hipocalemia e hipomagnesemia.
  • Bradicardia clinicamente relevante e distúrbios do ritmo cardíaco, como na insuficiência cardíaca.
  • Recém-nascidos.

Populações especiais

Gestação

Categoria D

Usar somente após cuidadosa avaliação de risco-benefício; preferir alternativas mais seguras quando disponíveis.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Passa para o leite. Utilizar apenas se o tratamento for indispensável e observar o lactente quanto a diarreia, candidíase e sinais de estenose pilórica.

Função renal

Ajustar dose máxima

Reduzir conforme a gravidade. Com creatinina > 2 mg/dL ou anúria, não ultrapassar 2 g/dia de eritromicina base. Diálise não exige dose suplementar.

Função hepática

Cautela

Usar em hepatopatia somente após avaliação rigorosa e exames de função hepática. Tratamentos prolongados podem causar colestase intra-hepática.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Local de infusão: dor, eritema e flebite.
  • Palpitações, síncope ou arritmias durante o tratamento.
  • Icterícia, dor abdominal, náusea e febre.
  • Diarreia persistente, com ou sem sangue.
  • Zumbido ou perda auditiva com doses altas.
  • Vômitos em jato, irritabilidade e perda de peso em lactentes.
Sinais de alerta
  • ECG e eletrólitos (potássio e magnésio) em pacientes com fatores de risco ou em uso de fármacos pró-arrítmicos.
  • Função hepática, renal e hemograma com diferencial em tratamentos acima de 3 semanas.
  • Função renal em uso de ciclosporina.
  • Níveis de digoxina, teofilina, carbamazepina, fenitoína e ácido valproico quando associados.
  • Avaliação auditiva com doses altas ou insuficiência renal/hepática.

Eventos adversos

GastrointestinaisFrequentes · dose-dependentes
Náusea e vômitosDor e cólica abdominalFlatulência e desconforto intestinalDiarreia
Ocasionais≥ 0,1% e < 1%
Erupções cutâneas e urticáriaElevação de enzimas hepáticasDor venosa e flebite no local da infusão
Raros e muito raros< 0,1%
Zumbido, perda auditiva ou surdez (sobretudo ≥ 4 g/dia ou insuficiência renal/hepática)Angioedema e febre medicamentosaPancreatiteNefrite intersticialExacerbação de miastenia gravis
GravesInterromper e avaliar
Torsades de pointes e taquicardia ventricularChoque anafiláticoEritema multiforme e Stevens-JohnsonColestase intra-hepática e hepatiteColite pseudomembranosaEstenose hipertrófica do piloro em lactentes

Advertências

  • Monitorar rigorosamente o uso com antiarrítmicos ou outros fármacos que prolongam o QT, pelo risco de arritmias graves.
  • Diarreia persistente com sangue e dor abdominal intensa durante ou após o tratamento sugere colite pseudomembranosa; avaliar imediatamente e não usar antiperistálticos.
  • Tratamentos acima de 3 semanas exigem controle de hemograma e das funções hepática e renal; uso prolongado favorece superinfecção por bactérias resistentes ou fungos.
  • Em hepatopatia, usar apenas após avaliação rigorosa de risco e exames de função hepática.
  • Em lactentes, há risco de estenose pilórica nas primeiras semanas de vida; orientar cuidadores sobre vômitos em jato e irritabilidade.
  • Pode reduzir raramente a eficácia de contraceptivos hormonais.
  • Uso restrito a hospitais.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Eritromicina

Liga-se reversivelmente ao RNA 23S da subunidade 50S, bloqueando a translocação e a formação de ligações peptídicas. Também atua como agonista do receptor da motilina, estimulando a motilidade gastroduodenal, efeito explorado como pró-cinético.

Farmacocinética

Meia-vida curta e eliminação biliar

A meia-vida da eritromicina base livre é de 1,5 a 3 horas, podendo chegar a 5–8 horas em dano hepático grave. A ligação proteica depende da concentração, com faixa terapêutica de 54–74%.

Acumula-se no fígado e é excretada principalmente na bile; 2–15% aparece inalterada na urina. Hemodiálise e diálise peritoneal não alteram significativamente os níveis séricos.

Meia-vida 1,5–3 hLigação proteica 54–74%Eliminação biliarNão dialisável
Segurança

Efeito sobre a repolarização e o CYP3A4

A eritromicina EV é o macrolídeo com maior associação a torsades de pointes, especialmente em infusões rápidas, com distúrbios eletrolíticos ou com outros pró-arrítmicos.

A inibição do CYP3A4 eleva a exposição a numerosos fármacos; a ototoxicidade é dose-dependente e geralmente reversível.

QT longoCYP3A4OtotoxicidadeAWaRe Alerta

Interações medicamentosas

A interação mais grave é o efeito aditivo sobre o QT: terfenadina, astemizol, cisaprida, pimozida e antiarrítmicos das classes IA e III são contraindicados, e a pentamidina EV associou-se a torsades de pointes. Pela inibição do CYP3A4, aumenta a exposição a teofilina, carbamazepina, fenitoína, ácido valproico, clozapina, alfentanila, bromocriptina, quinidina, disopiramida, felodipina, metilprednisolona, midazolam, triazolam, zopiclona, tacrolimo e anticoagulantes cumarínicos, exigindo monitorização ou ajuste. A digoxina pode ter níveis elevados, a lovastatina tem risco de rabdomiólise e a ciclosporina tem nefrotoxicidade potencializada. Ergotamínicos podem causar vasoespasmo e isquemia. Ritonavir reduz o metabolismo da eritromicina. Cloranfenicol, clindamicina e lincomicina competem pelo mesmo sítio ribossômico e podem reduzir a eficácia. A solução não deve ser misturada a outros fármacos na mesma seringa ou bolsa.

Informação regulatória

SUSFora da RENAME 2024O lactobionato de eritromicina não integra a RENAME 2024; a eritromicina consta apenas nas formas orais de estolato. A disponibilidade depende da padronização hospitalar.
GenéricoNão confirmadoNão foi identificado genérico de lactobionato de eritromicina; a apresentação conhecida é importada e de uso restrito a hospitais.
ATCJ01FA01WHO ATC/DDD: eritromicina, macrolídeos. DDD parenteral de 1 g.

Receituário

Tipo de receitaAntimicrobiano · prescrição hospitalar
Número de vias2 vias
Retenção2ª via
Validade10 dias

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Tromaxil® — eritromicina 1.000 mg pó injetável

Opem Representação Importadora (fabricado por Laboratoires Panpharma, França). Composição, indicações, contraindicações, posologia, ajuste renal, preparo e reações adversas.

2014
02
Guia hospitalar

Guia Farmacêutico — Eritromicina, lactobionato

Hospital Sírio-Libanês. Reconstituição, concentração máxima de 5 mg/mL, estabilidade, tempo de infusão e incompatibilidades.

2025
03
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Consultada para verificar a situação da eritromicina parenteral no elenco vigente.

2024
04
Diretriz internacional

ESGE — Endoscopic diagnosis and management of nonvariceal upper GI hemorrhage

European Society of Gastrointestinal Endoscopy. Eritromicina 250 mg EV 30 a 120 minutos antes da endoscopia em hemorragia digestiva alta.

2021
05
Classificação

ATC/DDD Index — J01FA01

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Erythromycin: DDD parenteral 1 g.

2026
06
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.

2021
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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