Gestação
Categoria CContraindicado
A gestação consta entre as contraindicações. Sulfonilureias no fim da gestação podem causar hipoglicemia neonatal grave. Substituir por insulina.
Associação em dose fixa de sulfonilureia com metformina para o diabetes tipo 2 em adultos, combinando estímulo à secreção de insulina com redução da produção hepática de glicose.
Revisado em pela equipe MedFoco
A glimepirida pode causar hipoglicemia grave e prolongada, sobretudo em idosos, com ingestão alimentar irregular, álcool ou disfunção renal. A metformina exige função renal adequada e suspensão em situações de hipóxia, desidratação, contraste iodado e cirurgia.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
É uma combinação em dose fixa de glimepirida, sulfonilureia de terceira geração que estimula a liberação de insulina pelas células beta, com cloridrato de metformina, biguanida que reduz a produção hepática de glicose e melhora a sensibilidade à insulina. A ação complementar reduz glicemia de jejum, pós-prandial e HbA1c, ao custo de risco de hipoglicemia relacionado à sulfonilureia.
Bloqueia canais de potássio dependentes de ATP nas células beta, estimulando a secreção de insulina; efeito máximo nas primeiras horas após a dose.
Reduz a gliconeogênese hepática e aumenta a sensibilidade tecidual à insulina, sem estimular sua secreção.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Glimepirida 2 mg + Metformina 1.000 mgDose inicial | Comprimido revestido | Glimepirida 2 mgCloridrato de metformina 1.000 mg | Caixa com 10 ou 30 comprimidos revestidos. | Meritor |
| Glimepirida 4 mg + Metformina 1.000 mg | Comprimido revestido | Glimepirida 4 mgCloridrato de metformina 1.000 mg | Caixa com 10 ou 30 comprimidos revestidos. | Meritor |
O genérico de glimepirida + cloridrato de metformina é comercializado nas mesmas concentrações (2/1.000 mg e 4/1.000 mg), com embalagens de tamanhos variados conforme o fabricante.
Dose, frequência e duração por população.
No café da manhã
Pela glicemia e HbA1c
Em 2 tomadas
Primeiras semanas
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual — 2/1.000 mg | 1 comprimido de 2 mg/1.000 mg | 1x/dia, com o café da manhã ou a primeira refeição principal | Uso contínuo | Dose inicial recomendada, inclusive em pacientes previamente tratados com monoterapia. Ajustar a cada 2 semanas conforme glicemia de jejum, pós-prandial e HbA1c. |
| Dose usual — 4/1.000 mg | 1 comprimido de 4 mg/1.000 mg | 1x/dia, com o café da manhã ou a primeira refeição principal | Uso contínuo | Após controle insatisfatório com 2/1.000 mg por pelo menos 2 semanas, ou em pacientes que já usavam doses equivalentes dos componentes. |
| Dose máxima | 2 comprimidos (2/1.000 mg ou 4/1.000 mg) | 2x/dia, com as refeições | Uso contínuo | Corresponde a 4 ou 8 mg de glimepirida + 2.000 mg de metformina por dia. Não exceder 2 comprimidos/dia. |
| Troca de sulfonilureia | Iniciar com 2/1.000 mg | 1x/dia | Ajustar a cada 2 semanas | Suspender a sulfonilureia anterior 24 horas antes (48 horas se clorpropamida). A dose inicial não deve exceder as doses de glimepirida (ou equivalente) e metformina já em uso. |
| Associação com insulina | Conforme controle glicêmico | 1 a 2x/dia | Uso contínuo | Pode reduzir a necessidade diária de insulina. Monitorar glicemias com rigor e reduzir a insulina se houver hipoglicemia. |
Dose inicial recomendada, inclusive em pacientes previamente tratados com monoterapia. Ajustar a cada 2 semanas conforme glicemia de jejum, pós-prandial e HbA1c.
Após controle insatisfatório com 2/1.000 mg por pelo menos 2 semanas, ou em pacientes que já usavam doses equivalentes dos componentes.
Corresponde a 4 ou 8 mg de glimepirida + 2.000 mg de metformina por dia. Não exceder 2 comprimidos/dia.
Suspender a sulfonilureia anterior 24 horas antes (48 horas se clorpropamida). A dose inicial não deve exceder as doses de glimepirida (ou equivalente) e metformina já em uso.
Pode reduzir a necessidade diária de insulina. Monitorar glicemias com rigor e reduzir a insulina se houver hipoglicemia.
Contraindicado
A gestação consta entre as contraindicações. Sulfonilureias no fim da gestação podem causar hipoglicemia neonatal grave. Substituir por insulina.
Ponderar benefício e risco
A metformina é excretada no leite sem efeitos adversos descritos no lactente; a excreção da glimepirida é incerta, mas provável pelo baixo peso molecular. Se usado, monitorar hipoglicemia no lactente.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| Insuficiência renalContraindicado | Não usar | — | Contraindicado na insuficiência renal orgânica ou funcional (creatinina ≥ 1,5 mg/dL em homens ou ≥ 1,4 mg/dL em mulheres, ou depuração de creatinina anormal). Reduzir ou suspender se a creatinina se elevar durante o tratamento. |
| Insuficiência hepática graveContraindicado | Não usar | — | Contraindicado. Maior risco de hipoglicemia por menor metabolismo da glimepirida e de acidose láctica pela metformina. |
Contraindicado na insuficiência renal orgânica ou funcional (creatinina ≥ 1,5 mg/dL em homens ou ≥ 1,4 mg/dL em mulheres, ou depuração de creatinina anormal). Reduzir ou suspender se a creatinina se elevar durante o tratamento.
Contraindicado. Maior risco de hipoglicemia por menor metabolismo da glimepirida e de acidose láctica pela metformina.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| IdosoIniciar com dose menor | 2/1.000 mg 1x/dia | 1x/dia | Iniciar com dose menor. Hipoglicemia mais difícil de reconhecer e função renal frequentemente reduzida. Monitorar creatinina 2 a 4x/ano. |
Iniciar com dose menor. Hipoglicemia mais difícil de reconhecer e função renal frequentemente reduzida. Monitorar creatinina 2 a 4x/ano.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Preferencialmente pela manhã, com o café da manhã ou a primeira refeição principal. Doses acima de 1 comprimido devem ser divididas em duas tomadas com as refeições.
Dosar creatinina antes do início e monitorar 1x/ano com função normal ou 2 a 4x/ano se no limite superior, especialmente em idosos.
Administrar junto com a refeição. Não omitir a refeição após a tomada pelo risco de hipoglicemia.
Aumentos a cada 2 semanas, buscando a menor dose eficaz e menor intolerância gastrointestinal.
Orientar sintomas, correção com carboidrato de absorção rápida e cautela ao dirigir no início do tratamento ou após ajustes.
O álcool potencializa hipoglicemia e acidose láctica.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Oral | Via indicada | Comprimido inteiro, com a refeição. |
| SNG/SNE | Não recomendado | A trituração remove o revestimento, pode comprometer a eficácia e obstruir a sonda. Usar os componentes separados em formulações adequadas. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Endovenosa | Não se aplica | Não há apresentação parenteral. |
| Intramuscular | Não se aplica | Não se aplica. |
| Subcutânea | Não se aplica | Não se aplica. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
Comprimido inteiro, com a refeição.
A trituração remove o revestimento, pode comprometer a eficácia e obstruir a sonda. Usar os componentes separados em formulações adequadas.
Não se aplica.
Não há apresentação parenteral.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Em procedimentos com jejum, suspender pelo menos 24 horas antes e reiniciar somente após retorno da alimentação oral e avaliação da função renal.
Interromper 48 horas antes de exames com contraste iodado e reiniciar 48 horas após o exame, com função renal reavaliada.
Pode haver perda do controle glicêmico; considerar insulina temporária, associada ou em substituição.
Após correção inicial, a hipoglicemia por sulfonilureia pode recorrer. Casos graves exigem observação prolongada ou hospitalização.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
Todas as sulfonilureias podem causar hipoglicemia grave, mais frequente nas primeiras semanas, em idosos, com disfunção renal, álcool, ingestão calórica deficiente ou exercício. A metformina pode acumular na insuficiência renal e causar acidose láctica, potencialmente fatal.
Contraindicado na gestação. Sulfonilureias próximas ao parto podem causar hipoglicemia neonatal grave e prolongada. Substituir por insulina.
Evidência insuficiente. Ponderar benefícios e riscos; se usado, observar sinais de hipoglicemia no lactente.
Contraindicado na insuficiência renal. A disfunção renal aumenta tanto o risco de acidose láctica quanto a sensibilidade ao efeito hipoglicemiante da glimepirida.
Contraindicado na insuficiência hepática grave. Na hepatopatia leve a moderada, usar com cautela pelo risco de hipoglicemia e acidose láctica.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Sulfonilureia de terceira geração que se liga ao receptor SUR1 das células beta, fecha canais de potássio sensíveis ao ATP, despolariza a membrana e estimula a liberação de insulina. Também apresenta efeitos extrapancreáticos discretos sobre a sensibilidade à insulina.
Aumenta a sensibilidade à insulina, sobretudo no fígado, inibe a gliconeogênese hepática e aumenta a captação periférica de glicose, sem estimular a secreção de insulina.
Glimepirida: biodisponibilidade completa, sem interferência dos alimentos, ligação proteica de 99,5% e metabolismo hepático (CYP2C9) a um derivado hidroxilado ativo (M1) e um carboxilado inativo (M2), eliminados na urina (~60%) e nas fezes (~40%).
Metformina: absorção intestinal saturável, reduzida e retardada pelos alimentos, sem ligação proteica, praticamente sem metabolismo e eliminação renal inalterada por secreção tubular ativa.
A combinação reduz efetivamente glicemia de jejum, pós-prandial e HbA1c, com baixo custo. A metformina atenua o ganho de peso associado à sulfonilureia.
Não apresenta benefício cardiovascular ou renal demonstrado, e o risco de hipoglicemia limita o uso em idosos frágeis e na doença renal.
Fármacos que potencializam o efeito hipoglicemiante incluem insulina e outros antidiabéticos, inibidores da ECA, fluconazol e miconazol (inibição do CYP2C9), fibratos, salicilatos e AINEs, sulfonamidas, inibidores da MAO, alopurinol, cloranfenicol, cumarínicos, fluoxetina e quinolonas. Betabloqueadores, clonidina e reserpina podem mascarar sintomas adrenérgicos de hipoglicemia. Agentes hiperglicemiantes, como corticosteroides, diuréticos tiazídicos, contraceptivos orais, hormônios tireoidianos, simpaticomiméticos, ácido nicotínico em altas doses e indutores enzimáticos como rifampicina, podem reduzir o controle glicêmico. Contraste iodado, AINEs, diuréticos de alça e outros fármacos que comprometem a função renal elevam o risco de acúmulo de metformina e acidose láctica; inibidores de OCT2/MATE, como cimetidina e dolutegravir, aumentam a exposição à metformina. O álcool potencializa tanto a hipoglicemia quanto a acidose láctica.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. Comprimidos revestidos de 2/1.000 mg e 4/1.000 mg; indicações, posologia, contraindicações, advertências e reações adversas.
Sanofi Medley. Referência complementar para farmacocinética, hipoglicemia e interações da glimepirida.
Merck S.A. Referência para metformina, acidose láctica, contraste iodado e vitamina B12.
Ministério da Saúde. Antidiabéticos orais disponíveis no Componente Básico da Assistência Farmacêutica.
Posicionamento das sulfonilureias na terapia combinada e prevenção de hipoglicemia.
American Diabetes Association. Terapia combinada, risco de hipoglicemia e ajuste da metformina pela TFGe.
Metformina e sulfonilureias.