Gestação
Categoria BMesmos esquemas da adulta não gestante
Atravessa a placenta sem efeito fetal adverso conhecido. Não trata sífilis na gestação, que exige benzilpenicilina benzatina.
Penicilina V oral, estável ao ácido gástrico, indicada em infecções leves a moderadas por estreptococos, pneumococos e estafilococos sensíveis, como faringoamigdalite, escarlatina e erisipela, e como alternativa oral na profilaxia da febre reumática.
Revisado em pela equipe MedFoco
Pneumonia grave, empiema, bacteremia, pericardite, meningite e artrite não devem ser tratadas com penicilina V na fase aguda. A absorção oral pode ser insuficiente em vômitos, diarreia ou hipermotilidade intestinal.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
A fenoximetilpenicilina (penicilina V) é o análogo fenoximetil da penicilina G. Sua principal característica é a resistência à inativação pelo suco gástrico, o que permite uso oral com níveis séricos previsíveis. Tem ação bactericida sobre microrganismos sensíveis em multiplicação ativa.
Inibe a biossíntese do peptidoglicano da parede celular por ligação às proteínas ligadoras de penicilina, com ação bactericida. É estável em meio ácido, mas sensível às betalactamases.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Fenoximetilpenicilina potássica 500.000 UI≥ 12 anos | Comprimido | Fenoximetilpenicilina potássica 500.000 UIExcipiente relevante Lactose | Embalagem com 12 comprimidos (Meracilina também em embalagem com 250 comprimidos). | Pen-Ve-OralMeracilina |
| Fenoximetilpenicilina potássica 80.000 UI/mLRENAME 2024 | Pó para solução oral | Fenoximetilpenicilina potássica 400.000 UI/5 mLExcipiente relevante Sacarose | Frasco com pó para 60 mL após reconstituição. | Pen-Ve-Oral |
500.000 UI correspondem a aproximadamente 312,5 mg de fenoximetilpenicilina e 400.000 UI a cerca de 250 mg. Prescrever sempre em UI, conforme a apresentação brasileira.
Dose, frequência e duração por população.
De 6/6 ou 8/8 h.
Em 3 a 6 tomadas, até 500.000 UI/dose.
Mínimo nas infecções estreptocócicas.
Profilaxia contínua, alternativa à benzatina.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 500.000 UI (1 comprimido) | 6/6 h ou 8/8 h | 10 dias | Infecções estreptocócicas leves a moderadas do trato respiratório superior, escarlatina e erisipela. Faixa de bula: 200.000 a 500.000 UI por dose. |
| 400.000 UI (5 mL da solução 80.000 UI/mL) | 6/6 h ou 8/8 h | 10 dias | Alternativa para quem não consegue deglutir comprimidos. Faixa de bula: 2,5 a 6,3 mL por dose (200.000 a 500.000 UI). | |
| Infecções pneumocócicas leves a moderadas | 400.000 a 500.000 UI | 6/6 h | Até 2 dias sem febre | Inclui otite média. Confirmar sensibilidade do pneumococo à penicilina. |
| Infecções estafilocócicas de pele e tecidos moles | 400.000 a 500.000 UI | 6/6 h ou 8/8 h | Conforme evolução | Somente cepas sensíveis, idealmente guiado por cultura e antibiograma. |
| Angina de Vincent | 400.000 a 500.000 UI | 6/6 h ou 8/8 h | Conforme evolução | Fusoespiroquetose leve a moderada da orofaringe; associar tratamento odontológico quando houver acometimento gengival. |
| Prevenção de recorrência da febre reumática | 200.000 a 500.000 UI | 12/12 h | Ininterruptamente, conforme risco | Alternativa quando a benzatina IM não for possível; a adesão é o principal limite. |
| Profilaxia de endocardite bacteriana | 3.000.000 UI antes · 1.500.000 UI depois | 1 h antes e 6 h após o procedimento | 2 doses | Esquema de bula para procedimentos dentários ou do trato respiratório superior. Diretrizes atuais preferem amoxicilina em dose única. Em uso contínuo de penicilina para febre reumática, considerar outro antimicrobiano. |
Infecções estreptocócicas leves a moderadas do trato respiratório superior, escarlatina e erisipela. Faixa de bula: 200.000 a 500.000 UI por dose.
Alternativa para quem não consegue deglutir comprimidos. Faixa de bula: 2,5 a 6,3 mL por dose (200.000 a 500.000 UI).
Inclui otite média. Confirmar sensibilidade do pneumococo à penicilina.
Somente cepas sensíveis, idealmente guiado por cultura e antibiograma.
Fusoespiroquetose leve a moderada da orofaringe; associar tratamento odontológico quando houver acometimento gengival.
Alternativa quando a benzatina IM não for possível; a adesão é o principal limite.
Esquema de bula para procedimentos dentários ou do trato respiratório superior. Diretrizes atuais preferem amoxicilina em dose única. Em uso contínuo de penicilina para febre reumática, considerar outro antimicrobiano.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 25.000 a 90.000 UI/kg/dia | Dividir em 3 a 6 tomadas (8/8 h, 6/6 h ou 4/4 h) | 10 dias em infecção estreptocócica | Usar o pó para solução oral (80.000 UI/mL). Dose máxima de 500.000 UI (6,3 mL) por dose. |
| Infecções estreptocócicas respiratórias | 40.000 UI/kg/dia | Dividir de 12/12 h | 10 dias | Regime alternativo de bula, incluindo otite média. |
| Faringoamigdalite · prevenção de febre reumática | 25.000 a 50.000 UI/kg/dia | Dividir de 8/8 h ou 12/12 h | 10 dias | Dose máxima de 500.000 UI por dose. A benzatina IM em dose única é a escolha preferencial. |
| Profilaxia de endocardite · < 27 kg | 1.500.000 UI antes · 800.000 a 1.000.000 UI depois | 1 h antes e 6 h após o procedimento | 2 doses | Crianças acima de 27 kg seguem o esquema do adulto. Diretrizes atuais preferem amoxicilina. |
Usar o pó para solução oral (80.000 UI/mL). Dose máxima de 500.000 UI (6,3 mL) por dose.
Regime alternativo de bula, incluindo otite média.
Dose máxima de 500.000 UI por dose. A benzatina IM em dose única é a escolha preferencial.
Crianças acima de 27 kg seguem o esquema do adulto. Diretrizes atuais preferem amoxicilina.
Mesmos esquemas da adulta não gestante
Atravessa a placenta sem efeito fetal adverso conhecido. Não trata sífilis na gestação, que exige benzilpenicilina benzatina.
Sem necessidade de suspender a amamentação
Pequenas quantidades são excretadas no leite. Observar o lactente quanto a diarreia, candidíase e exantema.
Pode haver acúmulo; usar com cautela. É removida por hemodiálise, mas não por diálise peritoneal. Monitorar função hepática em tratamentos prolongados.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| Diabetes mellitusAtenção à solução oral | Mesmo esquema | Conforme indicação | Atenção à solução oral. O pó para solução oral contém sacarose. |
| IdosoSem ajuste pela idade | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste pela idade. Considerar a função renal estimada. |
Atenção à solução oral. O pó para solução oral contém sacarose.
Sem ajuste pela idade. Considerar a função renal estimada.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Pode ser administrada com alimentos, mas a absorção é maior em jejum (1 hora antes ou 2 horas após as refeições). O comprimido deve ser deglutido inteiro com um pouco de líquido.
Agitar o frasco antes, adicionar água aos poucos agitando constantemente até a marca. Obtêm-se 60 mL a 80.000 UI/mL (400.000 UI/5 mL), estáveis por 7 dias entre 15 °C e 30 °C. O comprimido não requer preparo.
Comprimido somente a partir de 12 anos; solução oral a partir de 5 anos.
Agitar o pó, adicionar água filtrada aos poucos até a marca e agitar até dissolução completa.
Usar seringa oral ou copo dosador graduado; não usar colher caseira.
Administrar 1 hora antes ou 2 horas após as refeições para maior biodisponibilidade.
Respeitar os horários e completar o tratamento, mesmo com melhora dos sintomas.
Desprezar a solução reconstituída não utilizada após 7 dias.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Oral | Via indicada | Comprimido inteiro (≥ 12 anos) ou solução oral (≥ 5 anos), de preferência em jejum. |
| SNG/SNE | Somente solução oral | Não macerar comprimidos (risco de degradação). A solução oral pode ser administrada diluída em cerca de 10 mL de água, imediatamente; pausar a nutrição enteral 1 h antes e 2 h depois. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Endovenosa | Não se aplica | Não há apresentação parenteral; em infecções graves, usar benzilpenicilina potássica EV. |
| Intramuscular | Não se aplica | Para via IM, usar benzilpenicilina benzatina ou procaína, conforme indicação. |
| Subcutânea | Não se aplica | Não se aplica. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
Comprimido inteiro (≥ 12 anos) ou solução oral (≥ 5 anos), de preferência em jejum.
Não macerar comprimidos (risco de degradação). A solução oral pode ser administrada diluída em cerca de 10 mL de água, imediatamente; pausar a nutrição enteral 1 h antes e 2 h depois.
Não se aplica.
Não há apresentação parenteral; em infecções graves, usar benzilpenicilina potássica EV.
Para via IM, usar benzilpenicilina benzatina ou procaína, conforme indicação.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Em doença grave, vômitos, espasmo da cárdia ou hipermotilidade intestinal, preferir via parenteral.
A elevação do pH gástrico prejudica a absorção; reavaliar a necessidade do IBP ou a escolha do antimicrobiano.
A profilaxia oral contínua é menos eficaz que a benzatina IM quando há falhas de tomada; reservar para impossibilidade da via IM.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
Reações de hipersensibilidade graves, incluindo anafilaxia fatal, são menos frequentes que com as formas injetáveis, mas já foram descritas. Nas infecções estreptocócicas, o tratamento deve durar no mínimo 10 dias.
Sem risco fetal demonstrado; usar quando necessário.
Pequenas quantidades no leite. Manter amamentação com observação do lactente.
Possibilidade de acúmulo; sem ajuste posológico definido. Removida por hemodiálise.
Monitorar testes hepáticos periodicamente em hepatopatas e em tratamentos prolongados.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Liga-se às proteínas ligadoras de penicilina e impede a etapa final de transpeptidação do peptidoglicano, inibindo a biossíntese da parede celular. Ativa contra estreptococos dos grupos A, C, G, H, L e M, pneumococos sensíveis e estafilococos não produtores de penicilinase.
Resiste à inativação pelo suco gástrico e é absorvida rapidamente, com níveis 2 a 5 vezes maiores que os da penicilina G oral e menor variação individual.
Cerca de 80% liga-se às proteínas plasmáticas. Maiores concentrações nos rins; pequenas quantidades no líquor.
É excretada tão rapidamente quanto absorvida em indivíduos com função renal normal, como fármaco inalterado e metabólitos.
A excreção é retardada em recém-nascidos, crianças pequenas e insuficiência renal. É removida por hemodiálise, não por diálise peritoneal.
Fármacos que reduzem a absorção diminuem os níveis séricos: inibidores de bomba de prótons, por elevar o pH gástrico, cloroquina e exenatida. A probenecida reduz a excreção tubular e eleva os níveis da penicilina. Tetraciclinas e outros bacteriostáticos podem antagonizar o efeito bactericida. As penicilinas reduzem a excreção do metotrexato, com risco de toxicidade, e podem diminuir os níveis do micofenolato. Bupropiona e tramadol podem aumentar o risco de convulsões em predispostos. Há relato de possível redução da eficácia de contraceptivos orais. Em exames, podem alterar a glicosúria pelo método do sulfato de cobre, sem interferir na glicose-oxidase.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Eurofarma Laboratórios S.A. Comprimido 500.000 UI e pó para solução oral 80.000 UI/mL. Bula aprovada pela Anvisa em 16/12/2020.
Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. Comprimido 500.000 UI, embalagens com 12 e 250 comprimidos.
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Penicilina V como opção oral para profilaxia primária e secundária.
Ministério da Saúde. Fenoximetilpenicilina potássica 80.000 UI/mL pó para solução oral.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Phenoxymethylpenicillin; DDD oral de 2 g.
Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de antimicrobianos.