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Bulário clínico · Antimicrobiano

Ertapeném

Carbapenêmico de dose única diária, EV ou IM, ativo contra Enterobacterales produtoras de ESBL, anaeróbios e Gram-positivos sensíveis, mas sem atividade útil contra Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter e enterococos. Útil em infecções intra-abdominais, pélvicas, de pele e urinárias complicadas e na terapia antimicrobiana parenteral ambulatorial.

Carbapenêmico1 vez ao diaEV · IMAjuste renalInteração com valproatoReceita com retenção

Revisado em pela equipe MedFoco

Não cobre Pseudomonas aeruginosa nem Acinetobacter

Diferentemente de meropeném e imipeném, o ertapeném não deve ser usado quando há risco relevante de P. aeruginosa, Acinetobacter ou Enterococcus. Não dilua em soluções com glicose e nunca administre por via EV a solução preparada com lidocaína.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é o ertapeném?

O ertapeném é um carbapenêmico parenteral de longa meia-vida, administrado uma vez ao dia por via EV ou IM. Tem atividade contra a maioria das Enterobacterales, incluindo produtoras de ESBL e AmpC, contra anaeróbios e contra Gram-positivos sensíveis à meticilina, mas é pouco ativo contra Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp., Enterococcus spp. e MRSA. É indicado a partir de 3 meses de idade.

ViasEV · IM
Faixa etária≥ 3 meses
SUSFora da RENAME 2024
ReceitaAntimicrobiano · 2 vias

Composição e papel de cada componente1 ativos

Ertapeném

Betalactâmico bactericida que se liga às PBPs, sobretudo PBP2 e PBP3 em Escherichia coli, inibindo a síntese da parede celular. É estável frente à hidrólise pela maioria das betalactamases, incluindo ESBL e AmpC.

Carbapenêmico

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Infecções intra-abdominais complicadas.
  • Infecções complicadas de pele e anexos, incluindo infecções de pé diabético sem osteomielite.
  • Pneumonia adquirida na comunidade.
  • Infecções complicadas do trato urinário, incluindo pielonefrite.
  • Infecções pélvicas agudas, incluindo endomiometrite pós-parto, aborto séptico e infecções ginecológicas pós-cirúrgicas.
  • Sepse bacteriana por micro-organismos sensíveis.
  • Profilaxia de infecção do sítio cirúrgico em cirurgia colorretal eletiva em adultos.
Não indicado
  • Infecções em que P. aeruginosa, Acinetobacter spp. ou Enterococcus spp. sejam patógenos prováveis.
  • Pneumonia hospitalar ou associada à ventilação com risco de bacilos não fermentadores.
  • Infecções por MRSA ou por enterobactérias produtoras de carbapenemases.
  • Pacientes com menos de 3 meses de idade.
  • Pacientes em uso de ácido valproico ou divalproato, sempre que houver alternativa.
  • Meningite, por ausência de dados suficientes de penetração e eficácia.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis2 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Ertapeném 1 gReferênciaPó liofilizado para solução injetávelErtapeném (como ertapeném sódico 1,046 g) 1 gSódio ≈ 137 mgCaixa com 1 frasco-ampola. Armazenar abaixo de 25 °C.
Invanz
Ertapeném 1 gGenéricoPó liofilizado para solução injetável1 gCartucho com 10 frascos-ampola. A conservação varia entre fabricantes (alguns exigem 2 °C a 8 °C).Somente genérico
Ertapeném 1 gPó liofilizado para solução injetável
Referência
Concentração / composição
Ertapeném (como ertapeném sódico 1,046 g) 1 gSódio ≈ 137 mg
EmbalagemCaixa com 1 frasco-ampola. Armazenar abaixo de 25 °C.
Nomes comerciais
Invanz
Ertapeném 1 gPó liofilizado para solução injetável
Genérico
Concentração / composição
1 g
EmbalagemCartucho com 10 frascos-ampola. A conservação varia entre fabricantes (alguns exigem 2 °C a 8 °C).
Nomes comerciais
Somente genérico

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

≥ 13 anos1 g/dia

Dose única diária, EV em 30 min ou IM.

3 meses a 12 anos15 mg/kg 12/12 h

Não exceder 1 g/dia.

ClCr ≤ 30500 mg/dia

Inclui hemodiálise; suplemento de 150 mg em situação específica.

Duração3–14 dias

Conforme foco; transição oral após melhora clínica.

Esquemas por população3 grupos

Adulto e adolescente ≥ 13 anos

Via endovenosa2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — infusão EV1 g24/24 h, infusão em 30 minutos3 a 14 dias, conforme o focoVálida para todas as indicações de tratamento com ClCr > 30 mL/min/1,73 m². Diluir em SF 0,9%; não usar soluções com glicose.
Profilaxia em cirurgia colorretal eletiva1 gDose única 1 hora antes da incisãoDose únicaIndicação restrita a adultos a partir de 18 anos.
Dose usual — infusão EV
1 g24/24 h, infusão em 30 minutos
Detalhes
Duração3 a 14 dias, conforme o foco
Observações

Válida para todas as indicações de tratamento com ClCr > 30 mL/min/1,73 m². Diluir em SF 0,9%; não usar soluções com glicose.

Profilaxia em cirurgia colorretal eletiva
1 gDose única 1 hora antes da incisão
Detalhes
DuraçãoDose única
Observações

Indicação restrita a adultos a partir de 18 anos.

Via intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — intramuscular1 g24/24 h3 a 14 dias, conforme o focoReconstituir com 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina; aplicar IM profunda em até 1 hora. Alternativa quando a terapia IM é adequada.
Dose usual — intramuscular
1 g24/24 h
Detalhes
Duração3 a 14 dias, conforme o foco
Observações

Reconstituir com 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina; aplicar IM profunda em até 1 hora. Alternativa quando a terapia IM é adequada.

Via endovenosa ou intramuscular5 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Infecção intra-abdominal complicada1 g24/24 h5 a 14 diasCom controle adequado do foco, cursos mais curtos costumam ser suficientes.
Infecção complicada de pele e anexos, incluindo pé diabético1 g24/24 h7 a 14 diasNão estudado em pé diabético com osteomielite. No estudo de pé diabético, o tratamento total (parenteral e oral) chegou a 28 dias.
Pneumonia adquirida na comunidade1 g24/24 h10 a 14 diasA duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica.
Infecção urinária complicada, incluindo pielonefrite1 g24/24 h10 a 14 diasA duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica.
Infecção pélvica aguda1 g24/24 h3 a 10 diasInclui endomiometrite pós-parto, aborto séptico e infecções ginecológicas pós-cirúrgicas.
Infecção intra-abdominal complicada
1 g24/24 h
Detalhes
Duração5 a 14 dias
Observações

Com controle adequado do foco, cursos mais curtos costumam ser suficientes.

Infecção complicada de pele e anexos, incluindo pé diabético
1 g24/24 h
Detalhes
Duração7 a 14 dias
Observações

Não estudado em pé diabético com osteomielite. No estudo de pé diabético, o tratamento total (parenteral e oral) chegou a 28 dias.

Pneumonia adquirida na comunidade
1 g24/24 h
Detalhes
Duração10 a 14 dias
Observações

A duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica.

Infecção urinária complicada, incluindo pielonefrite
1 g24/24 h
Detalhes
Duração10 a 14 dias
Observações

A duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica.

Infecção pélvica aguda
1 g24/24 h
Detalhes
Duração3 a 10 dias
Observações

Inclui endomiometrite pós-parto, aborto séptico e infecções ginecológicas pós-cirúrgicas.

Pediatria

Via endovenosa ou intramuscular2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — 3 meses a 12 anos15 mg/kg/dose12/12 h3 a 14 dias, conforme o focoNão exceder 1 g/dia. Durações por foco iguais às do adulto (IIAc 5–14 d; pele 7–14 d; PAC e ITU 10–14 d; pélvica 3–10 d). Diluir para ≤ 20 mg/mL em SF 0,9%.
Dose usual — 13 a 17 anos1 g24/24 h3 a 14 dias, conforme o focoMesma posologia do adulto.
Dose usual — 3 meses a 12 anos
15 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração3 a 14 dias, conforme o foco
Observações

Não exceder 1 g/dia. Durações por foco iguais às do adulto (IIAc 5–14 d; pele 7–14 d; PAC e ITU 10–14 d; pélvica 3–10 d). Diluir para ≤ 20 mg/mL em SF 0,9%.

Dose usual — 13 a 17 anos
1 g24/24 h
Detalhes
Duração3 a 14 dias, conforme o foco
Observações

Mesma posologia do adulto.

Via endovenosa1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Menores de 3 mesesNão recomendado——Não há dados disponíveis nessa faixa etária.
Menores de 3 meses
Não recomendado—
Detalhes
Duração—
Observações

Não há dados disponíveis nessa faixa etária.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria B

Usar se o benefício justificar o risco

Não há estudos adequados e bem controlados em gestantes; estudos em animais não mostraram risco fetal.

Lactação

Compatível

Pode ser usado com cautela

Excretado no leite em concentrações muito baixas (< 0,38 µg/mL no último dia de tratamento e indetectável 5 dias após), com absorção oral desprezível pelo lactente. Observar diarreia ou candidíase.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ClCr > 30 mL/min/1,73 m²Sem ajusteSem ajuste posológico específico1 g 24/24 hSem ajuste. Inclui insuficiência renal leve e moderada.
ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m²Ajustar dose500 mg24/24 hAjustar dose. Estimar ClCr por Cockcroft-Gault. Risco de convulsão maior com acúmulo do fármaco.
HemodiáliseDose suplementar500 mg/dia + 150 mg após a sessão24/24 hDose suplementar. Suplementar 150 mg apenas se a dose diária foi administrada nas 6 horas anteriores à hemodiálise; se dada ≥ 6 h antes, não é necessária. Sem dados em diálise peritoneal ou hemofiltração.
Pediatria com insuficiência renalSem dadosSem posologia estabelecida—Sem dados. Não há dados clínicos em pacientes pediátricos com insuficiência renal ou em hemodiálise.
Insuficiência hepáticaSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. O ertapeném é pouco metabolizado no fígado.
ClCr > 30 mL/min/1,73 m²Sem ajuste
Sem ajuste posológico específico
Frequência1 g 24/24 h
Observações

Sem ajuste. Inclui insuficiência renal leve e moderada.

ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m²Ajustar dose
500 mg
Frequência24/24 h
Observações

Ajustar dose. Estimar ClCr por Cockcroft-Gault. Risco de convulsão maior com acúmulo do fármaco.

HemodiáliseDose suplementar
500 mg/dia + 150 mg após a sessão
Frequência24/24 h
Observações

Dose suplementar. Suplementar 150 mg apenas se a dose diária foi administrada nas 6 horas anteriores à hemodiálise; se dada ≥ 6 h antes, não é necessária. Sem dados em diálise peritoneal ou hemofiltração.

Pediatria com insuficiência renalSem dados
Sem posologia estabelecida
Frequência—
Observações

Sem dados. Não há dados clínicos em pacientes pediátricos com insuficiência renal ou em hemodiálise.

Insuficiência hepáticaSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. O ertapeném é pouco metabolizado no fígado.

Outras populações

Não há ajuste posológico específicoIdoso

As concentrações são um pouco maiores em idosos, sem necessidade de ajuste; ajustar apenas se ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m².

Modelos de prescrição4 modelos

Adulto · infusão EVVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Adulto · intramuscularVia intramuscularAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · 3 meses a 12 anosVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · 13 a 17 anosVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSF 0,9% (não usar soluções com glicose)
Via principalInfusão endovenosa

Infusão EV em 30 minutos após reconstituição e diluição em SF 0,9%. A via IM, com lidocaína como diluente, é alternativa quando a terapia IM é adequada.

ReconstituiçãoEV: 10 mL de água para injeção, SF 0,9% ou água bacteriostática · IM: 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina

Agitar bem até dissolver. As soluções variam de incolores a amarelo-claras sem perda de potência. Não congelar.

Técnica de aplicação6 passos

1
Escolha a via e o diluente correto

Para EV, reconstituir com água para injeção, SF 0,9% ou água bacteriostática. Para IM, reconstituir com lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina. Nunca usar diluentes com glicose.

2
Reconstitua e agite

EV: 10 mL por frasco de 1 g. IM: 3,2 mL de lidocaína, agitando energicamente até formar solução.

3
Dilua imediatamente para infusão

Adulto: descartar 10 mL de um frasco de 50 mL de SF 0,9% e transferir todo o conteúdo reconstituído. Pediatria: diluir a dose em SF 0,9% para ≤ 20 mg/mL.

4
Infunda em 30 minutos

Não misturar nem infundir com outros medicamentos. Concluir a infusão em até 6 h em temperatura ambiente ou em até 4 h após retirada da refrigeração.

5
IM profunda com aspiração

Aplicar em grande massa muscular (glúteo ou face lateral da coxa), aspirando antes de injetar para evitar injeção intravascular. Usar em até 1 hora após o preparo.

6
Revise interações antes de iniciar

Checar uso de ácido valproico ou divalproato e antecedente de convulsões ou doença do SNC.

Diluições e preparo4 preparos

Infusão EV — adulto e ≥ 13 anos

Dose de 1 g

20 mg/mL

1 g reconstituído em 10 mL + 40 mL de SF 0,9% (frasco de 50 mL após descartar 10 mL)

  1. Reconstituir 1 g com 10 mL de água para injeção, SF 0,9% ou água bacteriostática.
  2. Retirar e descartar 10 mL de um frasco de 50 mL de SF 0,9%.
  3. Transferir imediatamente todo o conteúdo reconstituído para o frasco de SF 0,9%.
Volume final50 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo30 minutos
EstabilidadeDiluída: infundir em até 6 h em temperatura ambiente (25 °C) ou armazenar até 24 h sob refrigeração (5 °C) e infundir em até 4 h após retirada.

Não usar soluções com glicose. Não congelar.

Infusão EV — adulto e ≥ 13 anosDose de 1 g20 mg/mL

1 g reconstituído em 10 mL + 40 mL de SF 0,9% (frasco de 50 mL após descartar 10 mL)

  1. Reconstituir 1 g com 10 mL de água para injeção, SF 0,9% ou água bacteriostática.
  2. Retirar e descartar 10 mL de um frasco de 50 mL de SF 0,9%.
  3. Transferir imediatamente todo o conteúdo reconstituído para o frasco de SF 0,9%.
Volume final50 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo30 minutos
EstabilidadeDiluída: infundir em até 6 h em temperatura ambiente (25 °C) ou armazenar até 24 h sob refrigeração (5 °C) e infundir em até 4 h após retirada.

Não usar soluções com glicose. Não congelar.

Dose renal de 500 mg

ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m² e hemodiálise

≤ 20 mg/mL

5 mL da solução reconstituída (100 mg/mL) + SF 0,9% até ≥ 25 mL

  1. Reconstituir 1 g com 10 mL de diluente compatível (≈ 100 mg/mL).
  2. Aspirar 5 mL (500 mg).
  3. Diluir em SF 0,9% para concentração ≤ 20 mg/mL.
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo30 minutos

Descartar o volume remanescente do frasco. A dose suplementar de 150 mg corresponde a 1,5 mL da solução reconstituída.

Dose renal de 500 mgClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m² e hemodiálise≤ 20 mg/mL

5 mL da solução reconstituída (100 mg/mL) + SF 0,9% até ≥ 25 mL

  1. Reconstituir 1 g com 10 mL de diluente compatível (≈ 100 mg/mL).
  2. Aspirar 5 mL (500 mg).
  3. Diluir em SF 0,9% para concentração ≤ 20 mg/mL.
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo30 minutos

Descartar o volume remanescente do frasco. A dose suplementar de 150 mg corresponde a 1,5 mL da solução reconstituída.

Infusão EV — 3 meses a 12 anos

15 mg/kg/dose

≤ 20 mg/mL

Volume (mL) da solução reconstituída = 15 × peso (kg) ÷ 100

  1. Reconstituir 1 g com 10 mL de diluente compatível (≈ 100 mg/mL).
  2. Retirar imediatamente o volume correspondente a 15 mg/kg.
  3. Diluir em SF 0,9% até concentração final ≤ 20 mg/mL.
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo30 minutos
EstabilidadeInfundir em até 6 h em temperatura ambiente ou em até 4 h após retirada da refrigeração (até 24 h a 5 °C).
Infusão EV — 3 meses a 12 anos15 mg/kg/dose≤ 20 mg/mL

Volume (mL) da solução reconstituída = 15 × peso (kg) ÷ 100

  1. Reconstituir 1 g com 10 mL de diluente compatível (≈ 100 mg/mL).
  2. Retirar imediatamente o volume correspondente a 15 mg/kg.
  3. Diluir em SF 0,9% até concentração final ≤ 20 mg/mL.
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo30 minutos
EstabilidadeInfundir em até 6 h em temperatura ambiente ou em até 4 h após retirada da refrigeração (até 24 h a 5 °C).

Injeção intramuscular

Alternativa à via EV

≈ 280 mg/mL

1 g + 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina

  1. Reconstituir com 3,2 mL de lidocaína sem epinefrina.
  2. Agitar energicamente até formar solução.
  3. Aspirar todo o conteúdo (ou o volume de 15 mg/kg em pediatria) e aplicar IM profunda.
DiluenteLidocaína 1% ou 2% sem epinefrina
EstabilidadeUsar em até 1 hora após o preparo.

A solução com lidocaína não deve ser administrada por via EV.

Injeção intramuscularAlternativa à via EV≈ 280 mg/mL

1 g + 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina

  1. Reconstituir com 3,2 mL de lidocaína sem epinefrina.
  2. Agitar energicamente até formar solução.
  3. Aspirar todo o conteúdo (ou o volume de 15 mg/kg em pediatria) e aplicar IM profunda.
DiluenteLidocaína 1% ou 2% sem epinefrina
EstabilidadeUsar em até 1 hora após o preparo.

A solução com lidocaína não deve ser administrada por via EV.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaInfusão em 30 minutos, diluída em SF 0,9%. Não administrar em bolus.
IntramuscularVia indicadaIM profunda com lidocaína sem epinefrina como diluente; aspirar antes de injetar.
OralNão se aplicaNão há formulação oral.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
SubcutâneaNão usarVia não aprovada.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
SNG/SNENão se aplicaNão se aplica.
EndovenosaVia indicada
Observações

Infusão em 30 minutos, diluída em SF 0,9%. Não administrar em bolus.

IntramuscularVia indicada
Observações

IM profunda com lidocaína sem epinefrina como diluente; aspirar antes de injetar.

OralNão se aplica
Observações

Não há formulação oral.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SubcutâneaNão usar
Observações

Via não aprovada.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Terapia ambulatorial

Dose única diária facilita a OPAT

A meia-vida de cerca de 4 horas permite administração 1 vez ao dia, por infusão ou IM, favorecendo a terapia antimicrobiana parenteral ambulatorial e a desospitalização.

Epilepsia

Valproato e risco convulsivo

Evitar em pacientes controlados com ácido valproico ou divalproato. Se o uso for inevitável, associar anticonvulsivante suplementar e monitorar de perto. Manter anticonvulsivantes em epilépticos.

Lidocaína

Cuidado com a via IM

A solução IM contém lidocaína: contraindicada em alergia a anestésicos amida, choque ou bloqueio cardíaco grave, e jamais deve ser injetada na veia.

Restrição de sódio

137 mg de sódio por dose de 1 g

Considerar em pacientes hipertensos, com insuficiência cardíaca ou em dieta com restrição de sódio.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Escolha o carbapenêmico certo para o patógeno provável

O ertapeném é excelente para enterobactérias produtoras de ESBL e infecções polimicrobianas comunitárias, mas não cobre P. aeruginosa, Acinetobacter e enterococos. Seu uso racional preserva carbapenêmicos antipseudomonas. Atenção à interação com valproato e ao risco convulsivo na insuficiência renal.

Contraindicações4 itens

  • Hipersensibilidade ao ertapeném ou a qualquer componente da formulação.
  • Hipersensibilidade a outros carbapenêmicos.
  • Antecedente de reação anafilática a qualquer betalactâmico.
  • Via IM (diluição em lidocaína): hipersensibilidade a anestésicos locais do tipo amida, choque ou bloqueio cardíaco grave.

Populações especiais

Gestação

Categoria B

Sem estudos adequados e bem controlados em gestantes. Usar apenas se o benefício potencial justificar o possível risco para a mãe e o feto.

Lactação

Compatível

Excretado no leite em concentrações muito baixas e com biodisponibilidade oral desprezível. Pode ser usado com cautela, observando o lactente quanto a diarreia ou candidíase.

Função renal

Ajustar se ClCr ≤ 30

Reduzir para 500 mg/dia com ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m², inclusive em hemodiálise. Dose suplementar de 150 mg após a sessão se a dose foi dada até 6 horas antes da diálise.

Função hepática

Sem ajuste

Não é necessário ajuste na insuficiência hepática, pois o metabolismo hepático é mínimo.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Resposta clínica em 48 a 72 horas e possibilidade de transição oral.
  • Tremores, mioclonias, confusão ou crises convulsivas.
  • Sinais de hipersensibilidade.
  • Diarreia durante ou após o tratamento.
  • Reações no local de infusão ou injeção IM.
Sinais de alerta
  • Creatinina e ClCr no início e durante o tratamento.
  • Função hepática e hemograma em tratamentos prolongados.
  • Nível sérico de ácido valproico se a associação for inevitável.
  • Culturas e antibiograma para confirmar sensibilidade.

Eventos adversos

Gastrointestinais e geraisComuns (≥ 2%)
Diarreia, náusea, vômitos e constipaçãoDor abdominalCefaleia, tontura e insôniaFebre e edemaComplicação na veia de infusão e flebiteVaginite
LaboratoriaisComuns
Aumento de ALT, AST e fosfatase alcalinaAumento da contagem de plaquetas e eosinofiliaRedução de hemoglobina e hematócritoRedução da contagem de neutrófilos (pediatria)
Neurológicos e cutâneosIncomuns
Alteração do estado mental, sonolência, agitação ou confusãoPrurido, erupção cutânea e urticáriaHipotensãoCandidíase oral e vaginal
GravesRaros, exigem ação imediata
Convulsões (cerca de 0,5% nos estudos)AnafilaxiaColite por C. difficileCrises por queda de nível de valproato

Advertências

  • Investigar hipersensibilidade prévia a penicilinas, cefalosporinas e outros betalactâmicos; suspender imediatamente se houver reação alérgica.
  • Convulsões são mais frequentes em pacientes com lesões cerebrais, epilepsia ou insuficiência renal; respeitar rigorosamente a dose ajustada.
  • Não recomendado com ácido valproico ou divalproato: a queda dos níveis pode não ser compensada pelo aumento da dose do anticonvulsivante.
  • Considerar colite por C. difficile em qualquer diarreia após o uso.
  • Uso prolongado pode selecionar micro-organismos não sensíveis.
  • Evitar injeção intravascular inadvertida na via IM.
  • Pode causar tontura e sonolência; orientar sobre direção e operação de máquinas.
  • Contém 137 mg de sódio por dose.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Ertapeném

Inibe a síntese da parede celular bacteriana ao se ligar às proteínas ligadoras de penicilina, com afinidade preferencial por PBP2 e PBP3 em E. coli, impedindo a transpeptidação do peptidoglicano. É estável frente à hidrólise por penicilinases, cefalosporinases e ESBL, mas é hidrolisado por carbapenemases.

Farmacocinética

Alta ligação proteica e meia-vida longa

A ligação às proteínas plasmáticas é alta e dependente de concentração (cerca de 95% a 85%), o que explica a meia-vida de aproximadamente 4 horas em adultos e adolescentes e a dose única diária. Em crianças de 3 meses a 12 anos a meia-vida é de cerca de 2,5 horas, justificando duas doses diárias.

Por via IM, a biodisponibilidade é de cerca de 92%, com pico em aproximadamente 2 horas. O volume de distribuição é de cerca de 8 L (0,11 L/kg) em adultos.

Ligação proteica 85–95%t½ ≈ 4 hIM: F ≈ 92%
Eliminação

Predominantemente renal

Cerca de 80% da dose é recuperada na urina (aproximadamente 38% inalterada e 37% como metabólito de anel aberto inativo) e 10% nas fezes.

A AUC aumenta cerca de 2,6 vezes com ClCr 5–30 mL/min/1,73 m². A hemodiálise remove cerca de 30% de uma dose administrada imediatamente antes da sessão.

Excreção renal ≈ 80%Metabólito inativoDialisável

Interações medicamentosas

A interação mais relevante é com ácido valproico e divalproato: carbapenêmicos reduzem de forma rápida e intensa as concentrações séricas do valproato, provavelmente por inibir a hidrólise do seu glicuronídeo, com risco de crises convulsivas que não é corrigido pelo simples aumento de dose; a associação deve ser evitada. A probenecida compete pela secreção tubular e aumenta discretamente a meia-vida e a exposição ao ertapeném, sem necessidade de ajuste e sem indicação para prolongar seu efeito. O ertapeném não inibe as principais isoenzimas do citocromo P450 nem o transporte pela glicoproteína P, de modo que interações farmacocinéticas por essas vias são improváveis. Não deve ser misturado ou infundido com outros medicamentos, nem diluído em soluções com glicose.

Informação regulatória

SUSFora da RENAMENão consta na RENAME 2024. A disponibilidade depende da padronização hospitalar e dos protocolos institucionais de controle de antimicrobianos.
GenéricoDisponívelHá ertapeném sódico 1 g genérico de diferentes fabricantes nacionais, além do medicamento de referência.
ATCJ01DH03WHO ATC/DDD: ertapeném, carbapenêmico de uso sistêmico. DDD parenteral: 1 g.

Receituário

Tipo de receitaAntimicrobiano (RDC 471/2021)
Número de vias2 vias
Retenção2ª via retida
Validade10 dias

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Invanz® — ertapeném sódico

Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda. Bula para o profissional de saúde, utilizada para indicações, posologia adulta e pediátrica, ajuste renal, preparo, estabilidade, interações e segurança.

2026
02
Bula profissional

Ertapeném sódico — medicamento genérico

Bulas de genéricos nacionais de ertapeném sódico 1 g, consultadas para apresentação e condições de conservação.

2026
03
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, consultada para situação no SUS.

2024
04
Classificação

ATC/DDD Index — J01DH03

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Ertapenem; DDD parenteral de 1 g.

2026
05
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle, embalagem e rotulagem de medicamentos à base de substâncias antimicrobianas.

2021
06
Diretriz internacional

IDSA Guidance on the Treatment of Antimicrobial-Resistant Gram-Negative Infections

Infectious Diseases Society of America. Papel do ertapeném no tratamento de Enterobacterales produtoras de ESBL.

2024
07
Base de dados

LactMed — Ertapenem

National Library of Medicine. Excreção no leite humano e compatibilidade com a amamentação.

2026
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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