Gestação
Categoria BUsar se o benefício justificar o risco
Não há estudos adequados e bem controlados em gestantes; estudos em animais não mostraram risco fetal.
Carbapenêmico de dose única diária, EV ou IM, ativo contra Enterobacterales produtoras de ESBL, anaeróbios e Gram-positivos sensíveis, mas sem atividade útil contra Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter e enterococos. Útil em infecções intra-abdominais, pélvicas, de pele e urinárias complicadas e na terapia antimicrobiana parenteral ambulatorial.
Revisado em pela equipe MedFoco
Diferentemente de meropeném e imipeném, o ertapeném não deve ser usado quando há risco relevante de P. aeruginosa, Acinetobacter ou Enterococcus. Não dilua em soluções com glicose e nunca administre por via EV a solução preparada com lidocaína.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
O ertapeném é um carbapenêmico parenteral de longa meia-vida, administrado uma vez ao dia por via EV ou IM. Tem atividade contra a maioria das Enterobacterales, incluindo produtoras de ESBL e AmpC, contra anaeróbios e contra Gram-positivos sensíveis à meticilina, mas é pouco ativo contra Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp., Enterococcus spp. e MRSA. É indicado a partir de 3 meses de idade.
Betalactâmico bactericida que se liga às PBPs, sobretudo PBP2 e PBP3 em Escherichia coli, inibindo a síntese da parede celular. É estável frente à hidrólise pela maioria das betalactamases, incluindo ESBL e AmpC.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Ertapeném 1 gReferência | Pó liofilizado para solução injetável | Ertapeném (como ertapeném sódico 1,046 g) 1 gSódio ≈ 137 mg | Caixa com 1 frasco-ampola. Armazenar abaixo de 25 °C. | Invanz |
| Ertapeném 1 gGenérico | Pó liofilizado para solução injetável | 1 g | Cartucho com 10 frascos-ampola. A conservação varia entre fabricantes (alguns exigem 2 °C a 8 °C). | Somente genérico |
Dose, frequência e duração por população.
Dose única diária, EV em 30 min ou IM.
Não exceder 1 g/dia.
Inclui hemodiálise; suplemento de 150 mg em situação específica.
Conforme foco; transição oral após melhora clínica.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual — infusão EV | 1 g | 24/24 h, infusão em 30 minutos | 3 a 14 dias, conforme o foco | Válida para todas as indicações de tratamento com ClCr > 30 mL/min/1,73 m². Diluir em SF 0,9%; não usar soluções com glicose. |
| Profilaxia em cirurgia colorretal eletiva | 1 g | Dose única 1 hora antes da incisão | Dose única | Indicação restrita a adultos a partir de 18 anos. |
Válida para todas as indicações de tratamento com ClCr > 30 mL/min/1,73 m². Diluir em SF 0,9%; não usar soluções com glicose.
Indicação restrita a adultos a partir de 18 anos.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual — intramuscular | 1 g | 24/24 h | 3 a 14 dias, conforme o foco | Reconstituir com 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina; aplicar IM profunda em até 1 hora. Alternativa quando a terapia IM é adequada. |
Reconstituir com 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina; aplicar IM profunda em até 1 hora. Alternativa quando a terapia IM é adequada.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Infecção intra-abdominal complicada | 1 g | 24/24 h | 5 a 14 dias | Com controle adequado do foco, cursos mais curtos costumam ser suficientes. |
| Infecção complicada de pele e anexos, incluindo pé diabético | 1 g | 24/24 h | 7 a 14 dias | Não estudado em pé diabético com osteomielite. No estudo de pé diabético, o tratamento total (parenteral e oral) chegou a 28 dias. |
| Pneumonia adquirida na comunidade | 1 g | 24/24 h | 10 a 14 dias | A duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica. |
| Infecção urinária complicada, incluindo pielonefrite | 1 g | 24/24 h | 10 a 14 dias | A duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica. |
| Infecção pélvica aguda | 1 g | 24/24 h | 3 a 10 dias | Inclui endomiometrite pós-parto, aborto séptico e infecções ginecológicas pós-cirúrgicas. |
Com controle adequado do foco, cursos mais curtos costumam ser suficientes.
Não estudado em pé diabético com osteomielite. No estudo de pé diabético, o tratamento total (parenteral e oral) chegou a 28 dias.
A duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica.
A duração inclui a transição para terapia oral após ao menos 3 dias de terapia parenteral com melhora clínica.
Inclui endomiometrite pós-parto, aborto séptico e infecções ginecológicas pós-cirúrgicas.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual — 3 meses a 12 anos | 15 mg/kg/dose | 12/12 h | 3 a 14 dias, conforme o foco | Não exceder 1 g/dia. Durações por foco iguais às do adulto (IIAc 5–14 d; pele 7–14 d; PAC e ITU 10–14 d; pélvica 3–10 d). Diluir para ≤ 20 mg/mL em SF 0,9%. |
| Dose usual — 13 a 17 anos | 1 g | 24/24 h | 3 a 14 dias, conforme o foco | Mesma posologia do adulto. |
Não exceder 1 g/dia. Durações por foco iguais às do adulto (IIAc 5–14 d; pele 7–14 d; PAC e ITU 10–14 d; pélvica 3–10 d). Diluir para ≤ 20 mg/mL em SF 0,9%.
Mesma posologia do adulto.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Menores de 3 meses | Não recomendado | — | — | Não há dados disponíveis nessa faixa etária. |
Não há dados disponíveis nessa faixa etária.
Usar se o benefício justificar o risco
Não há estudos adequados e bem controlados em gestantes; estudos em animais não mostraram risco fetal.
Pode ser usado com cautela
Excretado no leite em concentrações muito baixas (< 0,38 µg/mL no último dia de tratamento e indetectável 5 dias após), com absorção oral desprezível pelo lactente. Observar diarreia ou candidíase.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ClCr > 30 mL/min/1,73 m²Sem ajuste | Sem ajuste posológico específico | 1 g 24/24 h | Sem ajuste. Inclui insuficiência renal leve e moderada. |
| ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m²Ajustar dose | 500 mg | 24/24 h | Ajustar dose. Estimar ClCr por Cockcroft-Gault. Risco de convulsão maior com acúmulo do fármaco. |
| HemodiáliseDose suplementar | 500 mg/dia + 150 mg após a sessão | 24/24 h | Dose suplementar. Suplementar 150 mg apenas se a dose diária foi administrada nas 6 horas anteriores à hemodiálise; se dada ≥ 6 h antes, não é necessária. Sem dados em diálise peritoneal ou hemofiltração. |
| Pediatria com insuficiência renalSem dados | Sem posologia estabelecida | — | Sem dados. Não há dados clínicos em pacientes pediátricos com insuficiência renal ou em hemodiálise. |
| Insuficiência hepáticaSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. O ertapeném é pouco metabolizado no fígado. |
Sem ajuste. Inclui insuficiência renal leve e moderada.
Ajustar dose. Estimar ClCr por Cockcroft-Gault. Risco de convulsão maior com acúmulo do fármaco.
Dose suplementar. Suplementar 150 mg apenas se a dose diária foi administrada nas 6 horas anteriores à hemodiálise; se dada ≥ 6 h antes, não é necessária. Sem dados em diálise peritoneal ou hemofiltração.
Sem dados. Não há dados clínicos em pacientes pediátricos com insuficiência renal ou em hemodiálise.
Sem ajuste. O ertapeném é pouco metabolizado no fígado.
As concentrações são um pouco maiores em idosos, sem necessidade de ajuste; ajustar apenas se ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m².
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Infusão EV em 30 minutos após reconstituição e diluição em SF 0,9%. A via IM, com lidocaína como diluente, é alternativa quando a terapia IM é adequada.
Agitar bem até dissolver. As soluções variam de incolores a amarelo-claras sem perda de potência. Não congelar.
Para EV, reconstituir com água para injeção, SF 0,9% ou água bacteriostática. Para IM, reconstituir com lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina. Nunca usar diluentes com glicose.
EV: 10 mL por frasco de 1 g. IM: 3,2 mL de lidocaína, agitando energicamente até formar solução.
Adulto: descartar 10 mL de um frasco de 50 mL de SF 0,9% e transferir todo o conteúdo reconstituído. Pediatria: diluir a dose em SF 0,9% para ≤ 20 mg/mL.
Não misturar nem infundir com outros medicamentos. Concluir a infusão em até 6 h em temperatura ambiente ou em até 4 h após retirada da refrigeração.
Aplicar em grande massa muscular (glúteo ou face lateral da coxa), aspirando antes de injetar para evitar injeção intravascular. Usar em até 1 hora após o preparo.
Checar uso de ácido valproico ou divalproato e antecedente de convulsões ou doença do SNC.
Dose de 1 g
1 g reconstituído em 10 mL + 40 mL de SF 0,9% (frasco de 50 mL após descartar 10 mL)
Não usar soluções com glicose. Não congelar.
1 g reconstituído em 10 mL + 40 mL de SF 0,9% (frasco de 50 mL após descartar 10 mL)
Não usar soluções com glicose. Não congelar.
ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m² e hemodiálise
5 mL da solução reconstituída (100 mg/mL) + SF 0,9% até ≥ 25 mL
Descartar o volume remanescente do frasco. A dose suplementar de 150 mg corresponde a 1,5 mL da solução reconstituída.
5 mL da solução reconstituída (100 mg/mL) + SF 0,9% até ≥ 25 mL
Descartar o volume remanescente do frasco. A dose suplementar de 150 mg corresponde a 1,5 mL da solução reconstituída.
15 mg/kg/dose
Volume (mL) da solução reconstituída = 15 × peso (kg) ÷ 100
Volume (mL) da solução reconstituída = 15 × peso (kg) ÷ 100
Alternativa à via EV
1 g + 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina
A solução com lidocaína não deve ser administrada por via EV.
1 g + 3,2 mL de lidocaína 1% ou 2% sem epinefrina
A solução com lidocaína não deve ser administrada por via EV.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Infusão em 30 minutos, diluída em SF 0,9%. Não administrar em bolus. |
| Intramuscular | Via indicada | IM profunda com lidocaína sem epinefrina como diluente; aspirar antes de injetar. |
| Oral | Não se aplica | Não há formulação oral. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Subcutânea | Não usar | Via não aprovada. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica. |
Infusão em 30 minutos, diluída em SF 0,9%. Não administrar em bolus.
IM profunda com lidocaína sem epinefrina como diluente; aspirar antes de injetar.
Não há formulação oral.
Não se aplica.
Via não aprovada.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
A meia-vida de cerca de 4 horas permite administração 1 vez ao dia, por infusão ou IM, favorecendo a terapia antimicrobiana parenteral ambulatorial e a desospitalização.
Evitar em pacientes controlados com ácido valproico ou divalproato. Se o uso for inevitável, associar anticonvulsivante suplementar e monitorar de perto. Manter anticonvulsivantes em epilépticos.
A solução IM contém lidocaína: contraindicada em alergia a anestésicos amida, choque ou bloqueio cardíaco grave, e jamais deve ser injetada na veia.
Considerar em pacientes hipertensos, com insuficiência cardíaca ou em dieta com restrição de sódio.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
O ertapeném é excelente para enterobactérias produtoras de ESBL e infecções polimicrobianas comunitárias, mas não cobre P. aeruginosa, Acinetobacter e enterococos. Seu uso racional preserva carbapenêmicos antipseudomonas. Atenção à interação com valproato e ao risco convulsivo na insuficiência renal.
Sem estudos adequados e bem controlados em gestantes. Usar apenas se o benefício potencial justificar o possível risco para a mãe e o feto.
Excretado no leite em concentrações muito baixas e com biodisponibilidade oral desprezível. Pode ser usado com cautela, observando o lactente quanto a diarreia ou candidíase.
Reduzir para 500 mg/dia com ClCr ≤ 30 mL/min/1,73 m², inclusive em hemodiálise. Dose suplementar de 150 mg após a sessão se a dose foi dada até 6 horas antes da diálise.
Não é necessário ajuste na insuficiência hepática, pois o metabolismo hepático é mínimo.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Inibe a síntese da parede celular bacteriana ao se ligar às proteínas ligadoras de penicilina, com afinidade preferencial por PBP2 e PBP3 em E. coli, impedindo a transpeptidação do peptidoglicano. É estável frente à hidrólise por penicilinases, cefalosporinases e ESBL, mas é hidrolisado por carbapenemases.
A ligação às proteínas plasmáticas é alta e dependente de concentração (cerca de 95% a 85%), o que explica a meia-vida de aproximadamente 4 horas em adultos e adolescentes e a dose única diária. Em crianças de 3 meses a 12 anos a meia-vida é de cerca de 2,5 horas, justificando duas doses diárias.
Por via IM, a biodisponibilidade é de cerca de 92%, com pico em aproximadamente 2 horas. O volume de distribuição é de cerca de 8 L (0,11 L/kg) em adultos.
Cerca de 80% da dose é recuperada na urina (aproximadamente 38% inalterada e 37% como metabólito de anel aberto inativo) e 10% nas fezes.
A AUC aumenta cerca de 2,6 vezes com ClCr 5–30 mL/min/1,73 m². A hemodiálise remove cerca de 30% de uma dose administrada imediatamente antes da sessão.
A interação mais relevante é com ácido valproico e divalproato: carbapenêmicos reduzem de forma rápida e intensa as concentrações séricas do valproato, provavelmente por inibir a hidrólise do seu glicuronídeo, com risco de crises convulsivas que não é corrigido pelo simples aumento de dose; a associação deve ser evitada. A probenecida compete pela secreção tubular e aumenta discretamente a meia-vida e a exposição ao ertapeném, sem necessidade de ajuste e sem indicação para prolongar seu efeito. O ertapeném não inibe as principais isoenzimas do citocromo P450 nem o transporte pela glicoproteína P, de modo que interações farmacocinéticas por essas vias são improváveis. Não deve ser misturado ou infundido com outros medicamentos, nem diluído em soluções com glicose.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda. Bula para o profissional de saúde, utilizada para indicações, posologia adulta e pediátrica, ajuste renal, preparo, estabilidade, interações e segurança.
Bulas de genéricos nacionais de ertapeném sódico 1 g, consultadas para apresentação e condições de conservação.
Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, consultada para situação no SUS.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Ertapenem; DDD parenteral de 1 g.
Critérios para prescrição, dispensação, controle, embalagem e rotulagem de medicamentos à base de substâncias antimicrobianas.
Infectious Diseases Society of America. Papel do ertapeném no tratamento de Enterobacterales produtoras de ESBL.
National Library of Medicine. Excreção no leite humano e compatibilidade com a amamentação.