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Bulário clínico · Antimicrobiano

Doxiciclina

Tetraciclina oral de longa meia-vida e alta biodisponibilidade, de escolha para riquetsioses (incluindo febre maculosa), leptospirose, infecções por clamídia, doença de Lyme e diversas zoonoses. Não exige ajuste renal.

Via oralTetraciclinaAdulto · pediatria ≥ 8 anosRENAME · EstratégicoReceita com retençãoFotossensibilidade · esofagite

Revisado em pela equipe MedFoco

Na suspeita de febre maculosa, iniciar doxiciclina imediatamente, em qualquer idade

A doxiciclina é o tratamento de escolha das riquetsioses, inclusive em crianças menores de 8 anos, pois o atraso aumenta a letalidade e cursos curtos têm baixo risco de alteração dentária. Não aguardar confirmação laboratorial.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a doxiciclina?

A doxiciclina é uma tetraciclina semissintética de segunda geração, bacteriostática, com absorção oral quase completa, alta lipossolubilidade e meia-vida de 18 a 22 horas. Inibe a síntese proteica ao se ligar à subunidade ribossômica 30S. É fármaco de escolha para riquetsioses, leptospirose e diversas infecções por agentes intracelulares e zoonóticos.

ViaOral
Faixa etáriaAdulto e criança ≥ 8 anos
SUSRENAME 2024 · Estratégico
ReceitaAntimicrobiano · 2 vias

Composição e papel de cada componente1 ativos

Doxiciclina

Bacteriostático que bloqueia a ligação do aminoacil-tRNA ao ribossomo 30S; ativo contra riquétsias, clamídias, micoplasmas, espiroquetas, Brucella, Coxiella e Plasmodium.

Tetraciclina

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Riquetsioses: febre maculosa brasileira, febre das Montanhas Rochosas, tifo, febre Q, ehrlichiose e anaplasmose.
  • Leptospirose (tratamento e profilaxia), cólera, brucelose (em associação), peste, tularemia e bartonelose.
  • Infecções por Chlamydia trachomatis (uretrite, cervicite, retal, linfogranuloma venéreo), uretrite por Ureaplasma, donovanose e orquiepididimite.
  • Doença de Lyme inicial e febre recorrente transmitida por piolho ou carrapato.
  • Pneumonia comunitária por atípicos, exacerbação infecciosa de DPOC e rinossinusite bacteriana aguda.
  • Sífilis, bouba, actinomicose e listeriose quando a penicilina é contraindicada.
  • Profilaxia de malária por P. falciparum e tratamento associado a esquizonticida; profilaxia da diarreia do viajante.
  • Acne inflamatória e infecções de pele e partes moles, incluindo MRSA comunitário.
  • Antraz, inclusive profilaxia pós-exposição inalatória.
  • Doença inflamatória pélvica, em associação com cefalosporina.
Não indicado
  • Gestação e lactação.
  • Crianças menores de 8 anos, exceto em infecções graves sem alternativa (riquetsioses, antraz).
  • Hipersensibilidade a qualquer tetraciclina.
  • Infecções estreptocócicas sem demonstração de sensibilidade.
  • Infecções do sistema nervoso central como monoterapia de rotina.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis2 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Doxiciclina 100 mgRENAME 2024Comprimido solúvel100 mgCaixa com 20 comprimidos solúveis (Vibramicina); genéricos disponíveis.
Vibramicina
Doxiciclina 100 mgRENAME 2024Comprimido revestido100 mgCaixas com 15 ou 20 comprimidos revestidos; embalagens hospitalares e institucionais.
ClordoxDoxiclinIQUEGO-Doxiciclina
Doxiciclina 100 mgComprimido solúvel
RENAME 2024
Concentração / composição
100 mg
EmbalagemCaixa com 20 comprimidos solúveis (Vibramicina); genéricos disponíveis.
Nomes comerciais
Vibramicina
Doxiciclina 100 mgComprimido revestido
RENAME 2024
Concentração / composição
100 mg
EmbalagemCaixas com 15 ou 20 comprimidos revestidos; embalagens hospitalares e institucionais.
Nomes comerciais
ClordoxDoxiclinIQUEGO-Doxiciclina
Atenção

Comprimido solúvel e revestido não são intercambiáveis no preparo

Somente o comprimido solúvel pode ser dissolvido em água ou administrado por sonda. O revestido deve ser engolido inteiro. A doxiciclina injetável, também presente na RENAME, é abordada em monografia própria.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Adulto200 mg → 100 mg/dia

Ataque no 1º dia

Infecção grave100 mg 12/12 h

Inclui febre maculosa

Criança < 45 kg2,2 mg/kg/dose

12/12 h · máx. 100 mg/dose

Função renalSem ajuste

Não removida por diálise

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via oral21 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual200 mg no 1º dia; depois 100 mg/dia1º dia: dose única ou 100 mg 12/12 h; depois 1x/dia ou 50 mg 12/12 hAté 24–48 h após a resolução dos sintomasEstreptococo beta-hemolítico do grupo A: mínimo de 10 dias.
Infecções graves100 mg12/12 hConforme infecçãoDose de 200 mg/dia mantida durante todo o tratamento.
Febre maculosa e outras riquetsioses100 mg12/12 hAté 3 dias após a defervescência (mínimo 5–7 dias)Iniciar na suspeita clínica. Casos graves podem exigir via EV inicial. Anaplasmose: 10 dias.
Leptospirose — tratamento100 mg12/12 h7 diasFormas leves. Formas graves exigem antibiótico parenteral.
Leptospirose — profilaxia200 mg1x/semanaDurante a permanência na área de risco + 200 mg ao finalExposição de risco, como enchentes e atividades ocupacionais.
Chlamydia trachomatis (uretral, endocervical ou retal) e uretrite não gonocócica100 mg12/12 h7 diasInclui uretrite por Ureaplasma urealyticum. Tratar parcerias sexuais.
Linfogranuloma venéreo100 mg12/12 hMínimo de 21 diasCausado por Chlamydia trachomatis sorovares L1–L3.
Orquiepididimite aguda100 mg12/12 h10 diasAssociar ceftriaxona IM em dose única (ou outra cefalosporina apropriada) para cobertura gonocócica.
Gonorreia não complicada100 mg12/12 h7 diasSempre associada a cefalosporina apropriada; a doxiciclina cobre a coinfecção por clamídia.
Sífilis primária e secundária (alergia à penicilina)100 mg12/12 h14 diasSeguimento sorológico obrigatório. Não usar na gestação.
Sífilis latente ou terciária (alergia à penicilina)100 mg12/12 h28 diasBula admite 2 a 4 semanas; protocolos atuais usam 28 dias. Excluir neurossífilis.
Doença de Lyme inicial100 mg12/12 h14 a 60 dias, conforme estágioEstágios 1 e 2.
Febre recorrente e tifo transmitido por piolho100 a 200 mgDose únicaDose única ou 100 mg 12/12 h por 7 diasO esquema de 7 dias reduz persistência e recorrência.
Doença inflamatória pélvica100 mg12/12 h14 diasAmbulatorial: associar ceftriaxona IM em dose única (± metronidazol). Internada: associar cefoxitina EV até melhora e completar 14 dias VO.
Acne inflamatória100 mg1x/diaAté 12 semanasAssociar terapia tópica (peróxido de benzoíla ou retinoide) para reduzir resistência. Não associar isotretinoína.
Malária por P. falciparum resistente à cloroquina200 mg/dia1x/dia ou 100 mg 12/12 hPelo menos 7 diasSempre associada a esquizonticida de ação rápida (ex.: quinina), conforme guia do Ministério da Saúde.
Profilaxia de malária100 mg1x/dia1–2 dias antes, durante e 4 semanas após deixar a áreaOrientar fotoproteção durante todo o período.
Cólera — tratamento e profilaxia seletiva300 mgDose únicaDose únicaHidratação é a base do tratamento.
Profilaxia de tifo (R. tsutsugamushi)200 mgDose únicaDose únicaExposição em área endêmica.
Profilaxia da diarreia do viajante200 mg no 1º dia; depois 100 mg/dia1x/diaDurante a permanência na áreaNo 1º dia, pode ser 200 mg em dose única ou 100 mg 12/12 h.
Antraz por inalação (pós-exposição)100 mg12/12 h60 diasNas formas sistêmicas, associar antimicrobianos bactericidas.
Dose usual
200 mg no 1º dia; depois 100 mg/dia1º dia: dose única ou 100 mg 12/12 h; depois 1x/dia ou 50 mg 12/12 h
Detalhes
DuraçãoAté 24–48 h após a resolução dos sintomas
Observações

Estreptococo beta-hemolítico do grupo A: mínimo de 10 dias.

Infecções graves
100 mg12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme infecção
Observações

Dose de 200 mg/dia mantida durante todo o tratamento.

Febre maculosa e outras riquetsioses
100 mg12/12 h
Detalhes
DuraçãoAté 3 dias após a defervescência (mínimo 5–7 dias)
Observações

Iniciar na suspeita clínica. Casos graves podem exigir via EV inicial. Anaplasmose: 10 dias.

Leptospirose — tratamento
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração7 dias
Observações

Formas leves. Formas graves exigem antibiótico parenteral.

Leptospirose — profilaxia
200 mg1x/semana
Detalhes
DuraçãoDurante a permanência na área de risco + 200 mg ao final
Observações

Exposição de risco, como enchentes e atividades ocupacionais.

Chlamydia trachomatis (uretral, endocervical ou retal) e uretrite não gonocócica
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração7 dias
Observações

Inclui uretrite por Ureaplasma urealyticum. Tratar parcerias sexuais.

Linfogranuloma venéreo
100 mg12/12 h
Detalhes
DuraçãoMínimo de 21 dias
Observações

Causado por Chlamydia trachomatis sorovares L1–L3.

Orquiepididimite aguda
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração10 dias
Observações

Associar ceftriaxona IM em dose única (ou outra cefalosporina apropriada) para cobertura gonocócica.

Gonorreia não complicada
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração7 dias
Observações

Sempre associada a cefalosporina apropriada; a doxiciclina cobre a coinfecção por clamídia.

Sífilis primária e secundária (alergia à penicilina)
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração14 dias
Observações

Seguimento sorológico obrigatório. Não usar na gestação.

Sífilis latente ou terciária (alergia à penicilina)
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração28 dias
Observações

Bula admite 2 a 4 semanas; protocolos atuais usam 28 dias. Excluir neurossífilis.

Doença de Lyme inicial
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração14 a 60 dias, conforme estágio
Observações

Estágios 1 e 2.

Febre recorrente e tifo transmitido por piolho
100 a 200 mgDose única
Detalhes
DuraçãoDose única ou 100 mg 12/12 h por 7 dias
Observações

O esquema de 7 dias reduz persistência e recorrência.

Doença inflamatória pélvica
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração14 dias
Observações

Ambulatorial: associar ceftriaxona IM em dose única (± metronidazol). Internada: associar cefoxitina EV até melhora e completar 14 dias VO.

Acne inflamatória
100 mg1x/dia
Detalhes
DuraçãoAté 12 semanas
Observações

Associar terapia tópica (peróxido de benzoíla ou retinoide) para reduzir resistência. Não associar isotretinoína.

Malária por P. falciparum resistente à cloroquina
200 mg/dia1x/dia ou 100 mg 12/12 h
Detalhes
DuraçãoPelo menos 7 dias
Observações

Sempre associada a esquizonticida de ação rápida (ex.: quinina), conforme guia do Ministério da Saúde.

Profilaxia de malária
100 mg1x/dia
Detalhes
Duração1–2 dias antes, durante e 4 semanas após deixar a área
Observações

Orientar fotoproteção durante todo o período.

Cólera — tratamento e profilaxia seletiva
300 mgDose única
Detalhes
DuraçãoDose única
Observações

Hidratação é a base do tratamento.

Profilaxia de tifo (R. tsutsugamushi)
200 mgDose única
Detalhes
DuraçãoDose única
Observações

Exposição em área endêmica.

Profilaxia da diarreia do viajante
200 mg no 1º dia; depois 100 mg/dia1x/dia
Detalhes
DuraçãoDurante a permanência na área
Observações

No 1º dia, pode ser 200 mg em dose única ou 100 mg 12/12 h.

Antraz por inalação (pós-exposição)
100 mg12/12 h
Detalhes
Duração60 dias
Observações

Nas formas sistêmicas, associar antimicrobianos bactericidas.

Pediatria (≥ 8 anos)

Via oral16 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — < 45 kg4,4 mg/kg no 1º dia; depois 2,2 mg/kg/dia1º dia em 1 ou 2 doses; depois 1x/dia ou dividido 12/12 hAté 24–48 h após a resolução dos sintomasInfecções graves: até 4,4 mg/kg/dia na manutenção. Com ≥ 45 kg, usar a dose do adulto.
Febre maculosa e riquetsioses (qualquer idade)2,2 mg/kg/dose12/12 hAté 3 dias após a defervescência (mínimo 5–7 dias)Máximo de 100 mg/dose. Indicada também abaixo de 8 anos. Anaplasmose: 10 dias.
Pneumonia atípica (Mycoplasma, Chlamydophila)1 a 2 mg/kg/dose12/12 h10 dias (5 dias em casos não graves)Máximo de 100 mg/dose.
Pele e partes moles (MRSA comunitário)< 45 kg: 2 mg/kg/dose · ≥ 45 kg: 100 mg12/12 h5 a 10 diasAjustar a duração à resposta clínica.
Chlamydia trachomatis2,2 mg/kg/dose12/12 h7 diasMáximo de 100 mg/dose.
Doença de Lyme — tratamento2,2 mg/kg/dose12/12 h10 a 28 dias, conforme manifestaçãoEritema migrans 10 dias; meningite, radiculopatia ou cardite 14–21 dias; artrite 28 dias. Máximo de 100 mg/dose.
Doença de Lyme — profilaxia pós-picada4,4 mg/kgDose únicaDose únicaMáximo de 200 mg. Somente exposição de alto risco (Ixodes ≥ 36 h, até 72 h da retirada, área endêmica).
Febre Q2,2 mg/kg/dose12/12 h14 diasMáximo de 100 mg/dose. Formas crônicas ou endocardite: associar hidroxicloroquina por 18–36 meses.
Brucelose2,2 mg/kg/dose12/12 h6 semanasAssociar rifampicina; em casos graves, gentamicina nas 1–2 semanas iniciais. Máximo de 100 mg/dose.
Cólera< 6 anos: 4 mg/kg · ≥ 6 anos: 4 a 6 mg/kgDose únicaDose únicaMáximo de 300 mg. Hidratação é prioritária.
Malária — tratamento (associação)2,2 mg/kg/dose12/12 h7 diasAssociar quinina (e primaquina se P. vivax). Máximo de 100 mg/dose.
Malária — profilaxia2,2 mg/kg1x/dia1–2 dias antes, durante e 4 semanas após a viagemMáximo de 100 mg/dia.
Antraz — profilaxia pós-exposição ou forma cutânea< 45 kg: 2,2 mg/kg/dose · ≥ 45 kg: 100 mg12/12 h60 dias (exposição) · 7–10 dias (cutâneo natural)Opção preferencial ou alternativa ao ciprofloxacino; indicada também abaixo de 8 anos.
Tularemia2,2 mg/kg/dose12/12 h14 a 21 diasProfilaxia pós-exposição: 14 dias. Máximo de 100 mg/dose.
Acne moderada a grave50 a 100 mg1 a 2x/diaAté 12 semanasAssociar terapia tópica.
Profilaxia de endocardite (alergia à penicilina)2,2 mg/kgDose única 30–60 min antes do procedimentoDose únicaProcedimentos odontológicos. Máximo de 100 mg.
Dose usual — < 45 kg
4,4 mg/kg no 1º dia; depois 2,2 mg/kg/dia1º dia em 1 ou 2 doses; depois 1x/dia ou dividido 12/12 h
Detalhes
DuraçãoAté 24–48 h após a resolução dos sintomas
Observações

Infecções graves: até 4,4 mg/kg/dia na manutenção. Com ≥ 45 kg, usar a dose do adulto.

Febre maculosa e riquetsioses (qualquer idade)
2,2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
DuraçãoAté 3 dias após a defervescência (mínimo 5–7 dias)
Observações

Máximo de 100 mg/dose. Indicada também abaixo de 8 anos. Anaplasmose: 10 dias.

Pneumonia atípica (Mycoplasma, Chlamydophila)
1 a 2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração10 dias (5 dias em casos não graves)
Observações

Máximo de 100 mg/dose.

Pele e partes moles (MRSA comunitário)
< 45 kg: 2 mg/kg/dose · ≥ 45 kg: 100 mg12/12 h
Detalhes
Duração5 a 10 dias
Observações

Ajustar a duração à resposta clínica.

Chlamydia trachomatis
2,2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração7 dias
Observações

Máximo de 100 mg/dose.

Doença de Lyme — tratamento
2,2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração10 a 28 dias, conforme manifestação
Observações

Eritema migrans 10 dias; meningite, radiculopatia ou cardite 14–21 dias; artrite 28 dias. Máximo de 100 mg/dose.

Doença de Lyme — profilaxia pós-picada
4,4 mg/kgDose única
Detalhes
DuraçãoDose única
Observações

Máximo de 200 mg. Somente exposição de alto risco (Ixodes ≥ 36 h, até 72 h da retirada, área endêmica).

Febre Q
2,2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração14 dias
Observações

Máximo de 100 mg/dose. Formas crônicas ou endocardite: associar hidroxicloroquina por 18–36 meses.

Brucelose
2,2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração6 semanas
Observações

Associar rifampicina; em casos graves, gentamicina nas 1–2 semanas iniciais. Máximo de 100 mg/dose.

Cólera
< 6 anos: 4 mg/kg · ≥ 6 anos: 4 a 6 mg/kgDose única
Detalhes
DuraçãoDose única
Observações

Máximo de 300 mg. Hidratação é prioritária.

Malária — tratamento (associação)
2,2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração7 dias
Observações

Associar quinina (e primaquina se P. vivax). Máximo de 100 mg/dose.

Malária — profilaxia
2,2 mg/kg1x/dia
Detalhes
Duração1–2 dias antes, durante e 4 semanas após a viagem
Observações

Máximo de 100 mg/dia.

Antraz — profilaxia pós-exposição ou forma cutânea
< 45 kg: 2,2 mg/kg/dose · ≥ 45 kg: 100 mg12/12 h
Detalhes
Duração60 dias (exposição) · 7–10 dias (cutâneo natural)
Observações

Opção preferencial ou alternativa ao ciprofloxacino; indicada também abaixo de 8 anos.

Tularemia
2,2 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração14 a 21 dias
Observações

Profilaxia pós-exposição: 14 dias. Máximo de 100 mg/dose.

Acne moderada a grave
50 a 100 mg1 a 2x/dia
Detalhes
DuraçãoAté 12 semanas
Observações

Associar terapia tópica.

Profilaxia de endocardite (alergia à penicilina)
2,2 mg/kgDose única 30–60 min antes do procedimento
Detalhes
DuraçãoDose única
Observações

Procedimentos odontológicos. Máximo de 100 mg.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria D

Contraindicado

Tetraciclinas atravessam a placenta e depositam-se em dentes e ossos fetais, com retardo do desenvolvimento esquelético e descoloração dentária. Usar apenas se o benefício superar claramente o risco em infecção grave sem alternativa.

Lactação

Contraindicado

Evitar durante a amamentação

Excretada no leite materno. Preferir alternativa compatível; se indispensável, individualizar e observar o lactente.

Ajuste por órgão

Não há ajuste posológico específicoInsuficiência renal · Insuficiência hepática

Meia-vida inalterada mesmo com ClCr < 10 mL/min, pela maior eliminação intestinal. Não há efeito antianabólico relevante. Não é removida por hemodiálise. Hepatotoxicidade é rara; monitorar provas hepáticas em uso prolongado e evitar outros hepatotóxicos.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Crianças < 8 anosExceção em doença grave2,2 mg/kg/dose 12/12 hSomente riquetsioses, antraz ou ausência de alternativaExceção em doença grave. Risco de descoloração dentária maior em cursos prolongados ou repetidos; cursos curtos para riquetsiose têm baixo risco.
IdosoSem ajusteDose usual do adultoConforme indicaçãoSem ajuste. Atenção à disfagia e ao risco de esofagite; orientar tomada em pé com bastante líquido.
Crianças < 8 anosExceção em doença grave
2,2 mg/kg/dose 12/12 h
FrequênciaSomente riquetsioses, antraz ou ausência de alternativa
Observações

Exceção em doença grave. Risco de descoloração dentária maior em cursos prolongados ou repetidos; cursos curtos para riquetsiose têm baixo risco.

IdosoSem ajuste
Dose usual do adulto
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Atenção à disfagia e ao risco de esofagite; orientar tomada em pé com bastante líquido.

Modelos de prescrição2 modelos

Dose usual — adultoUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — pediatria < 45 kgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesÁgua (comprimido solúvel: 50 mL)ReconstituiçãoNão requer
Via principalVia oral

Tomar com bastante líquido, em posição ortostática. Se houver irritação gástrica, pode ser ingerida com alimentos ou leite, com pouca redução da absorção. O comprimido solúvel pode ser dissolvido em 50 mL de água.

Técnica de aplicação6 passos

1
Escolha a forma adequada

Comprimido solúvel para crianças, disfagia e sonda; comprimido revestido para deglutição inteira.

2
Tome com água abundante

Um copo cheio de água reduz o risco de esofagite e úlcera esofágica.

3
Não deite logo após

Evitar tomar imediatamente antes de dormir; permanecer em pé ou sentado por pelo menos 30 minutos.

4
Afaste quelantes

Separar em 2 a 3 horas de antiácidos, ferro, cálcio, magnésio, alumínio e subsalicilato de bismuto.

5
Proteja-se do sol

Evitar exposição solar intensa e UV artificial; usar fotoprotetor e suspender se houver reação fototóxica.

6
Dose esquecida

Tomar assim que lembrar; se estiver perto da próxima dose, pular a esquecida, sem dobrar.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
OralVia indicadaAbsorção quase completa; alimentos e leite reduzem pouco a absorção, ao contrário da tetraciclina.
SNG/SNESomente comprimido solúvelDissolver o comprimido solúvel em 50 mL de água, pausar a dieta e lavar a sonda antes e depois. Não triturar o comprimido revestido (perda do revestimento e risco de obstrução).
EndovenosaApresentação própriaA doxiciclina injetável (pó para solução) é abordada em monografia específica; não administrar comprimidos dissolvidos por via parenteral.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
IntramuscularNão usarNão há formulação intramuscular.
SubcutâneaNão se aplicaNão se aplica.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
OralVia indicada
Observações

Absorção quase completa; alimentos e leite reduzem pouco a absorção, ao contrário da tetraciclina.

SNG/SNESomente comprimido solúvel
Observações

Dissolver o comprimido solúvel em 50 mL de água, pausar a dieta e lavar a sonda antes e depois. Não triturar o comprimido revestido (perda do revestimento e risco de obstrução).

EndovenosaApresentação própria
Observações

A doxiciclina injetável (pó para solução) é abordada em monografia específica; não administrar comprimidos dissolvidos por via parenteral.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

IntramuscularNão usar
Observações

Não há formulação intramuscular.

SubcutâneaNão se aplica
Observações

Não se aplica.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Febre maculosa

Tratamento empírico imediato

Febre com história de exposição a carrapatos em área de risco justifica início imediato, em qualquer idade. Casos graves devem ser hospitalizados.

Contracepção

Método adicional

A eficácia de contraceptivos orais pode ser reduzida; orientar método de barreira durante o tratamento.

Sífilis e IST

Investigar sífilis concomitante

Em doenças venéreas com suspeita de sífilis, confirmar o diagnóstico e realizar sorologia mensal por pelo menos 4 meses.

Anticonvulsivantes e álcool

Meia-vida reduzida

Carbamazepina, fenitoína, barbitúricos e uso crônico de álcool reduzem a meia-vida; considerar dose de 12/12 h.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Esofagite, fotossensibilidade e hipertensão intracraniana

Úlceras esofágicas ocorrem sobretudo quando o comprimido é tomado antes de deitar. Reações fototóxicas são muito comuns. Pseudotumor cerebral pode causar perda visual permanente; avaliar prontamente cefaleia com distúrbio visual.

Contraindicações5 itens

  • Hipersensibilidade à doxiciclina, a outras tetraciclinas ou aos componentes da fórmula.
  • Gestação.
  • Lactação.
  • Crianças menores de 8 anos, exceto em condições graves sem alternativa (febre maculosa, antraz).
  • Hipersensibilidade à tartrazina ou a outros corantes presentes na apresentação utilizada.

Populações especiais

Gestação

Categoria D

Contraindicada. Atravessa a placenta, deposita-se em dentes e ossos fetais e pode retardar o desenvolvimento esquelético. Usar apenas em infecção grave sem alternativa.

Lactação

Contraindicado

Excretada no leite materno. Deve ser evitada durante a amamentação.

Função renal

Sem ajuste

Não se acumula na insuficiência renal e não eleva a ureia como as demais tetraciclinas. É a tetraciclina preferida na doença renal.

Função hepática

Sem ajuste

Sem ajuste definido. Hepatotoxicidade é rara; monitorar provas hepáticas em uso prolongado.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Resposta clínica e curva febril (riquetsioses: defervescência em 24–72 h).
  • Odinofagia, disfagia ou dor retroesternal.
  • Reações fototóxicas e fotoonicólise.
  • Cefaleia, visão turva ou diplopia (hipertensão intracraniana).
  • Diarreia, candidíase oral ou vaginal.
Sinais de alerta
  • Hemograma e funções renal e hepática em tratamentos prolongados.
  • Tempo de protrombina/INR em usuários de varfarina.
  • Sorologia mensal por 4 meses quando houver suspeita de sífilis em tratamento de IST.
  • Febre Q aguda: reavaliação clínica e sorológica em 6 meses para detectar cronificação.

Eventos adversos

Muito comuns e comuns≥ 1%
Reação de fotossensibilidadeNáusea e vômitoCefaleiaRash maculopapular e eritematoso, urticáriaHipersensibilidade (inclui angioedema, exacerbação de LES, pericardite, doença do soro)
Incomuns0,1% a 1%
Dispepsia (azia, gastrite)
Raros0,01% a 0,1%
Anemia hemolítica, neutropenia, trombocitopenia e eosinofiliaEsofagite e úlcera esofágica, disfagia, glossiteDescoloração dentária e hiperpigmentação da peleFotoonicólise, artralgia e mialgiaReação de Jarisch-Herxheimer, zumbido, pancreatite, elevação da ureia
GravesAtendimento imediato
Choque anafiláticoSSJ, NET, eritema multiforme, dermatite esfoliativa e DRESSHipertensão intracraniana benigna (abaulamento de fontanela em lactentes)Colite por Clostridioides difficileHepatite e hepatotoxicidade

Advertências

  • Suspender imediatamente diante de reação cutânea grave (SSJ, NET, eritema multiforme, dermatite esfoliativa, DRESS).
  • Hipertensão intracraniana benigna pode persistir semanas após a suspensão; avaliar com oftalmologia se houver distúrbio visual e evitar isotretinoína concomitante.
  • Tomar com bastante líquido e não deitar logo após, para prevenir esofagite.
  • Evitar exposição solar excessiva e suspender se houver fototoxicidade.
  • Uso prolongado pode causar superinfecção, incluindo candidíase vaginal.
  • Infecções por estreptococo beta-hemolítico do grupo A exigem pelo menos 10 dias de tratamento.
  • Vibramicina contém corantes amarelo e azul laca; Clordox contém tartrazina, que pode causar reações alérgicas.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Doxiciclina

Liga-se de forma reversível à subunidade ribossômica 30S (e possivelmente à 50S), impedindo a ligação do aminoacil-tRNA ao sítio aceptor e inibindo a síntese proteica. É bacteriostática. Sua maior lipofilia em relação à tetraciclina favorece a penetração tecidual e intracelular.

Farmacocinética

Meia-vida longa e eliminação não renal relevante

Absorção oral quase completa, pouco afetada por alimentos ou leite. Após 200 mg, o pico médio é de 2,6 µg/mL em 2 horas, com 1,45 µg/mL após 24 horas. A ligação proteica é superior a 90%.

Distribui-se amplamente (líquido sinovial e pleural, próstata, sêmen, secreções brônquicas e saliva). Não sofre metabolismo hepático relevante; cerca de 40% é excretada na urina em 72 h e o restante pelas fezes. Na insuficiência renal grave a excreção urinária cai para 1% a 5%, sem alteração da meia-vida (18–22 h).

Biodisponibilidade ≈ 90–100%Meia-vida 18–22 hLigação proteica > 90%Não dialisável
Espectro

Agentes intracelulares, zoonoses e atípicos

Primeira linha para Rickettsia, Coxiella burnetii, Ehrlichia, Anaplasma, Borrelia burgdorferi, Bartonella, Chlamydia trachomatis, Chlamydophila, Mycoplasma pneumoniae, Leptospira, Francisella tularensis e Klebsiella granulomatis.

Alternativa para Brucella, Yersinia pestis, Vibrio cholerae, Actinomyces, Cutibacterium acnes, Pasteurella multocida, Staphylococcus aureus (inclusive MRSA comunitário) e Plasmodium falciparum. Resistência variável entre estreptococos e Gram-negativos exige antibiograma.

BacteriostáticaRiquétsiasMRSA comunitárioAntimalárico

Interações medicamentosas

Antiácidos com alumínio, cálcio ou magnésio, preparações de ferro e subsalicilato de bismuto formam quelatos e reduzem a absorção; administrar a doxiciclina com intervalo de 2 a 3 horas. Indutores enzimáticos e uso crônico de álcool, como carbamazepina, fenitoína e barbitúricos, encurtam a meia-vida e podem exigir doses de 12/12 h. A doxiciclina deprime a atividade protrombínica e pode potencializar a varfarina; monitorar o INR e ajustar o anticoagulante. Por ser bacteriostática, pode interferir na ação bactericida das penicilinas, e a associação deve ser evitada. A combinação com metoxiflurano causa nefrotoxicidade fatal e é contraindicada. Isotretinoína e outros retinoides aumentam o risco de hipertensão intracraniana benigna. Pode reduzir a eficácia de contraceptivos orais. Interfere em testes laboratoriais baseados em fluorescência, incluindo catecolaminas urinárias.

Informação regulatória

SUSRENAME 2024 · EstratégicoA RENAME 2024 inclui cloridrato de doxiciclina 100 mg comprimido e doxiciclina 100 mg comprimido solúvel no Componente Estratégico (AWaRe: Acesso), além da doxiciclina 100 mg pó para solução injetável. Uso estratégico em febre maculosa, leptospirose, IST, malária e outras endemias.
GenéricoDisponívelHá genéricos de doxiciclina 100 mg em comprimido solúvel e em comprimido revestido.
ATCJ01AA02WHO ATC/DDD: doxiciclina, tetraciclinas (J01AA). DDD oral de 0,1 g.

Receituário

Tipo de receitaReceita de antimicrobiano (RDC 471/2021)
Número de vias2 vias
RetençãoSim, 2ª via retida na farmácia
Validade10 dias a partir da emissão

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Vibramicina® — doxiciclina monoidratada

Wyeth/Pfizer. Comprimido solúvel 100 mg; posologia, uso pediátrico, advertências, interações e reações adversas.

2020
02
Bula profissional

Clordox® — hiclato de doxiciclina

Laboratório Teuto Brasileiro S.A. Comprimido revestido 100 mg; indicações, farmacocinética, insuficiência renal, gravidez e esquemas por indicação.

2025
03
Bula profissional

Doxiclin® — hiclato de doxiciclina

Pharlab Indústria Farmacêutica S.A. Comprimido revestido 100 mg.

2025
04
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Doxiciclina 100 mg comprimido, comprimido solúvel e pó para solução injetável no Componente Estratégico, ATC J01AA02, AWaRe Acesso.

2025
05
Guia nacional

Guia de Vigilância em Saúde — febre maculosa e leptospirose

Ministério da Saúde. Tratamento empírico com doxiciclina na suspeita de febre maculosa em todas as idades e esquemas para leptospirose.

2024
06
Protocolo nacional

PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST

Ministério da Saúde. Doxiciclina em clamídia, linfogranuloma venéreo, DIP e sífilis em alérgicos à penicilina.

2022
07
Classificação

WHO ATC/DDD Index · J01AA02

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Doxiciclina no grupo das tetraciclinas.

2026
08
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receitas de antimicrobianos.

2021
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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