Gestação
Categoria BUsar apenas se claramente necessário
Estudos em animais não mostraram dano fetal; dados em gestantes são limitados.
Lipopeptídeo cíclico bactericida de uso endovenoso, uma vez ao dia, ativo contra gram-positivos resistentes, incluindo MRSA e enterococos resistentes à vancomicina, indicado em infecções complicadas de pele e partes moles e na bacteremia por Staphylococcus aureus. Não deve ser usado em pneumonia.
Revisado em pela equipe MedFoco
O surfactante pulmonar inativa a daptomicina, que não é eficaz em pneumonia. Pode causar miopatia e rabdomiólise: dosar CPK no início e ao menos semanalmente, com maior frequência em insuficiência renal ou uso recente de estatina.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
A daptomicina é um antibiótico lipopeptídeo cíclico, derivado da fermentação de Streptomyces roseosporus, com atividade bactericida rápida restrita a bactérias gram-positivas. É utilizada em ambiente hospitalar como alternativa à vancomicina em infecções graves por Staphylococcus aureus, incluindo MRSA, e em infecções por enterococos resistentes à vancomicina. Por ser inativada pelo surfactante pulmonar, não é eficaz em pneumonia.
Liga-se à membrana citoplasmática de gram-positivos na presença de cálcio, forma agregados, despolariza a membrana e interrompe a síntese de DNA, RNA e proteínas, com morte bacteriana sem lise celular significativa.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Daptomicina 350 mg | Pó liofilizado para solução injetável | 350 mg por frasco-ampola | Caixa com 1 frasco-ampola. | Dopcym |
| Daptomicina 500 mgMais utilizada | Pó liofilizado para solução injetável | 500 mg por frasco-ampola | Caixa com 1 frasco-ampola; algumas marcas também em embalagem com 5 frascos-ampolas. | CubicinDopcymExfunoReldaptosTrisk |
Os frascos devem ser mantidos entre 2 e 8 °C. Reconstituir com SF 0,9%; nunca diluir em soluções com glicose.
Dose, frequência e duração por população.
Adulto, 24/24 h, por 7 a 14 dias.
Adulto, 24/24 h, por 2 a 6 semanas.
Mesma dose em mg/kg; após hemodiálise.
Mais frequente em insuficiência renal ou com estatinas.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual — pele e partes moles complicadas | 4 mg/kg | 24/24 h | 7 a 14 dias ou até resolução | Bolus EV em 2 minutos (50 mg/mL) ou infusão em 30 minutos diluída em SF 0,9%. Não administrar mais de uma vez ao dia. |
| Dose usual — bacteremia por S. aureus | 6 mg/kg | 24/24 h | 2 a 6 semanas | Inclui endocardite do lado direito por MSSA ou MRSA. Duração conforme foco, controle da fonte e hemoculturas de controle. |
| Bacteremia complicada, endocardite ou osteomielite por MRSA | 8 a 10 mg/kg | 24/24 h | Conforme foco infeccioso | Doses acima das de bula recomendadas por diretrizes (IDSA MRSA, ESC 2023) em infecções graves, bacteremia persistente ou CIM elevada de vancomicina; até 12 mg/kg em cenários selecionados. Intensificar monitorização de CPK. |
Bolus EV em 2 minutos (50 mg/mL) ou infusão em 30 minutos diluída em SF 0,9%. Não administrar mais de uma vez ao dia.
Inclui endocardite do lado direito por MSSA ou MRSA. Duração conforme foco, controle da fonte e hemoculturas de controle.
Doses acima das de bula recomendadas por diretrizes (IDSA MRSA, ESC 2023) em infecções graves, bacteremia persistente ou CIM elevada de vancomicina; até 12 mg/kg em cenários selecionados. Intensificar monitorização de CPK.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Pele e partes moles · 12 a 17 anos | 5 mg/kg | 24/24 h, infusão em 30 min | Até 14 dias | Diluir em 50 mL de SF 0,9%. Não usar bolus de 2 minutos em crianças. |
| Pele e partes moles · 7 a 11 anos | 7 mg/kg | 24/24 h, infusão em 30 min | Até 14 dias | Diluir em 50 mL de SF 0,9%. |
| Pele e partes moles · 2 a 6 anos | 9 mg/kg | 24/24 h, infusão em 60 min | Até 14 dias | Diluir em 25 mL de SF 0,9%. |
| Pele e partes moles · 1 a < 2 anos | 10 mg/kg | 24/24 h, infusão em 60 min | Até 14 dias | Diluir em 25 mL de SF 0,9%. |
| Bacteremia por S. aureus · 12 a 17 anos | 7 mg/kg | 24/24 h, infusão em 30 min | Até 42 dias | Duração mínima conforme risco de complicações. |
| Bacteremia por S. aureus · 7 a 11 anos | 9 mg/kg | 24/24 h, infusão em 30 min | Até 42 dias | Duração mínima conforme risco de complicações. |
| Bacteremia por S. aureus · 1 a 6 anos | 12 mg/kg | 24/24 h, infusão em 60 min | Até 42 dias | Duração mínima conforme risco de complicações. |
Diluir em 50 mL de SF 0,9%. Não usar bolus de 2 minutos em crianças.
Diluir em 50 mL de SF 0,9%.
Diluir em 25 mL de SF 0,9%.
Diluir em 25 mL de SF 0,9%.
Duração mínima conforme risco de complicações.
Duração mínima conforme risco de complicações.
Duração mínima conforme risco de complicações.
Usar apenas se claramente necessário
Estudos em animais não mostraram dano fetal; dados em gestantes são limitados.
Evitar amamentar durante o tratamento
Passa ao leite em concentrações muito baixas (máximo de 0,045 mcg/mL em relato de caso) e tem baixa absorção oral, mas a bula orienta evitar a amamentação.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ClCr ≥ 30 mL/minSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | 24/24 h | Sem ajuste. Inclui idosos com ClCr ≥ 30 mL/min. |
| ClCr < 30 mL/min, hemodiálise ou CAPDAjustar intervalo | 4 mg/kg (pele) ou 6 mg/kg (bacteremia) | 48/48 h | Ajustar intervalo. Em hemodiálise, alternativamente 3 doses por semana, após a sessão nos dias de diálise. Monitorar função renal e CPK mais de uma vez por semana. |
| Insuficiência renal em pediatriaNão estabelecido | Regime não estabelecido | Individualizar | Não estabelecido. Não há esquema validado para crianças com função renal reduzida. |
| Insuficiência hepática leve a moderadaSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. Child-Pugh A e B. Farmacocinética não avaliada em Child-Pugh C. |
Sem ajuste. Inclui idosos com ClCr ≥ 30 mL/min.
Ajustar intervalo. Em hemodiálise, alternativamente 3 doses por semana, após a sessão nos dias de diálise. Monitorar função renal e CPK mais de uma vez por semana.
Não estabelecido. Não há esquema validado para crianças com função renal reduzida.
Sem ajuste. Child-Pugh A e B. Farmacocinética não avaliada em Child-Pugh C.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ObesidadePeso real | Dose em mg/kg pelo peso corporal total | 24/24 h | Peso real. Não é necessário ajuste específico; alguns protocolos usam peso ajustado em obesidade grave para reduzir risco de miopatia. |
| Menores de 1 anoNão usar | Contraindicado pela bula | Não se aplica | Não usar. Efeitos musculares, neuromusculares e nervosos observados em cães neonatos. |
Peso real. Não é necessário ajuste específico; alguns protocolos usam peso ajustado em obesidade grave para reduzir risco de miopatia.
Não usar. Efeitos musculares, neuromusculares e nervosos observados em cães neonatos.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Em adultos, injeção EV direta em 2 minutos da solução a 50 mg/mL ou infusão de 30 minutos após diluição. Em crianças, somente infusão: 30 minutos (7 a 17 anos) ou 60 minutos (1 a 6 anos).
Injetar lentamente contra a parede do frasco, girar suavemente sem agitar e deixar repousar cerca de 10 minutos; depois girar por alguns minutos até dissolução completa.
Conferir apresentação (350 ou 500 mg) e calcular a dose pelo peso corporal real e pela indicação.
Adicionar lentamente 7 mL (350 mg) ou 10 mL (500 mg) de SF 0,9% direcionando o jato à parede do frasco. Girar suavemente, aguardar 10 minutos e girar de novo até solução límpida (amarelo-clara a marrom-clara).
Adultos: aspirar a dose a 50 mg/mL e injetar em 2 minutos, ou diluir em cerca de 50 mL de SF 0,9% e infundir em 30 minutos.
7 a 17 anos: diluir em 50 mL e infundir em 30 minutos (1,67 mL/min). 1 a 6 anos: diluir em 25 mL e infundir em 60 minutos (0,42 mL/min).
Não usar diluentes com glicose. Não adicionar outros fármacos ao frasco ou à bolsa; lavar a linha com solução compatível antes e depois.
Dosar CPK basal e semanal, e acompanhar dor ou fraqueza muscular, sintomas respiratórios e parestesias.
Somente adultos
Volume (mL) = dose (mg) ÷ 50
Não usar bolus em pacientes pediátricos.
Volume (mL) = dose (mg) ÷ 50
Não usar bolus em pacientes pediátricos.
Adultos e crianças de 7 a 17 anos
Dose reconstituída + 50 mL de SF 0,9%
Dose reconstituída + 50 mL de SF 0,9%
Crianças de 1 a 6 anos
Dose reconstituída + 25 mL de SF 0,9%
Dose reconstituída + 25 mL de SF 0,9%
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Bolus de 2 minutos (apenas adultos) ou infusão de 30–60 minutos. Compatível em Y com aztreonam, ceftazidima, ceftriaxona, gentamicina, fluconazol, levofloxacino, dopamina, heparina e lidocaína. |
| Intramuscular | Não usar | Via não estudada nem aprovada. |
| Subcutânea | Não usar | Via não aprovada. |
| Oral | Não se aplica | Não há formulação oral. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica. |
Bolus de 2 minutos (apenas adultos) ou infusão de 30–60 minutos. Compatível em Y com aztreonam, ceftazidima, ceftriaxona, gentamicina, fluconazol, levofloxacino, dopamina, heparina e lidocaína.
Via não estudada nem aprovada.
Via não aprovada.
Não há formulação oral.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Reconstituir e diluir somente em SF 0,9% ou Ringer lactato. Lavar a linha antes e depois se houver infusão sequencial de outros fármacos.
A dose única diária e o bolus de 2 minutos favorecem terapia antimicrobiana parenteral domiciliar ou em hospital-dia, com CPK semanal.
Com reagentes de tromboplastina recombinante, coletar TP/RNI imediatamente antes da próxima dose; se persistir elevado, usar método alternativo.
Pelo risco aditivo de miopatia, considerar suspender inibidores da HMG-CoA redutase durante o tratamento e monitorar CPK com maior frequência.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
A daptomicina pode causar elevação de CPK, miopatia e rabdomiólise, sobretudo com doses altas, insuficiência renal e uso de estatinas. Pneumonia eosinofílica, DRESS, nefrite túbulo-intersticial e neuropatia periférica são raras, mas exigem suspensão imediata.
Sem evidência de dano fetal em animais e dados humanos limitados. Usar apenas se claramente necessário.
Excretada no leite em concentrações muito baixas, mas a bula orienta evitar a amamentação durante o tratamento.
Com ClCr < 30 mL/min, hemodiálise ou CAPD, manter a dose em mg/kg a cada 48 h. Monitorar função renal e CPK mais de uma vez por semana. Regime pediátrico não estabelecido.
Sem ajuste em Child-Pugh A e B. Não avaliada em insuficiência hepática grave.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Lipopeptídeo cíclico que, na presença de cálcio, insere sua cauda lipofílica na membrana citoplasmática de bactérias gram-positivas, oligomeriza e provoca efluxo de potássio e despolarização rápida. Isso interrompe a síntese de DNA, RNA e proteínas e leva à morte bacteriana sem lise significativa. A ligação ao surfactante pulmonar explica a ineficácia em pneumonia.
Volume de distribuição de cerca de 0,1 L/kg, independente da dose, com ligação reversível às proteínas plasmáticas de 90–93% (84–88% com ClCr < 30 mL/min). Farmacocinética linear entre 4 e 12 mg/kg, com estado de equilíbrio no terceiro dia.
Metabolismo mínimo, sem participação relevante do citocromo P450. Em idosos (≥ 75 anos), a depuração é cerca de 35% menor.
Cerca de 78% da dose é recuperada na urina, majoritariamente inalterada, e 5,7% nas fezes. A meia-vida é de aproximadamente 8–9 horas com função renal normal.
Com ClCr < 30 mL/min a AUC dobra, e em diálise triplica, o que justifica o intervalo de 48 horas.
A interação mais relevante é com inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas), pelo risco aditivo de miopatia e rabdomiólise; considerar suspensão temporária e intensificar a dosagem de CPK. Outros fármacos associados a miopatia, como fibratos e ciclosporina, exigem a mesma cautela. A tobramicina altera discretamente a farmacocinética da daptomicina, com relevância clínica incerta. Com varfarina não há interação farmacocinética, mas recomenda-se monitorar a anticoagulação nos primeiros dias. Há interferência laboratorial com reagentes de tromboplastina recombinante, que podem elevar falsamente TP e RNI. A daptomicina não é metabolizada pelo citocromo P450, e interações por indução ou inibição enzimática são improváveis.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Accord Farmacêutica Ltda. Bula para o profissional de saúde: indicações, posologia adulta e pediátrica, ajuste renal, preparo, estabilidade, compatibilidade e segurança.
Antibióticos do Brasil Ltda. (ABL). Bula para o profissional de saúde do medicamento genérico.
Liu C, et al. Clin Infect Dis. 2011;52(3):e18-e55. Doses de 8–10 mg/kg em bacteremia persistente e infecções graves por MRSA.
Delgado V, et al. Eur Heart J. 2023;44(39):3948-4042. Daptomicina 10 mg/kg/dia em endocardite estafilocócica e enterocócica.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Daptomycin: J01XX09; DDD parenteral de 0,28 g.
Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, consultada para situação no SUS.
Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.