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Bulário clínico · Antimicrobiano

Daptomicina

Lipopeptídeo cíclico bactericida de uso endovenoso, uma vez ao dia, ativo contra gram-positivos resistentes, incluindo MRSA e enterococos resistentes à vancomicina, indicado em infecções complicadas de pele e partes moles e na bacteremia por Staphylococcus aureus. Não deve ser usado em pneumonia.

Lipopeptídeo cíclicoMRSA · VREEV 1×/diaInativa em pneumoniaMonitorar CPKReceita com retenção

Revisado em pela equipe MedFoco

Não usar em pneumonia e monitorar CPK

O surfactante pulmonar inativa a daptomicina, que não é eficaz em pneumonia. Pode causar miopatia e rabdomiólise: dosar CPK no início e ao menos semanalmente, com maior frequência em insuficiência renal ou uso recente de estatina.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a daptomicina?

A daptomicina é um antibiótico lipopeptídeo cíclico, derivado da fermentação de Streptomyces roseosporus, com atividade bactericida rápida restrita a bactérias gram-positivas. É utilizada em ambiente hospitalar como alternativa à vancomicina em infecções graves por Staphylococcus aureus, incluindo MRSA, e em infecções por enterococos resistentes à vancomicina. Por ser inativada pelo surfactante pulmonar, não é eficaz em pneumonia.

ViaEV · bolus 2 min ou infusão
Faixa etária≥ 1 ano
SUSNão consta na RENAME
ReceitaAntimicrobiano · 2 vias

Composição e papel de cada componente1 ativos

Daptomicina

Liga-se à membrana citoplasmática de gram-positivos na presença de cálcio, forma agregados, despolariza a membrana e interrompe a síntese de DNA, RNA e proteínas, com morte bacteriana sem lise celular significativa.

Lipopeptídeo cíclico

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Infecções complicadas de pele e partes moles por gram-positivos sensíveis em adultos e crianças de 1 a 17 anos.
  • Bacteremia por Staphylococcus aureus sensível ou resistente à meticilina em adultos, incluindo endocardite infecciosa do lado direito.
  • Bacteremia por S. aureus em crianças de 1 a 17 anos.
  • Alternativa em infecções por MRSA com falha, intolerância ou CIM elevada de vancomicina.
  • Infecções por enterococos resistentes à vancomicina (uso guiado por antibiograma e diretrizes).
Não indicado
  • Pneumonia, pela inativação pelo surfactante pulmonar.
  • Crianças com menos de 1 ano, pelo risco muscular, neuromuscular e neurológico.
  • Infecções por gram-negativos ou anaeróbios como monoterapia.
  • Endocardite de valva esquerda como indicação aprovada, com eficácia não estabelecida na bula.
  • Hipersensibilidade à daptomicina ou aos excipientes.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis2 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Daptomicina 350 mgPó liofilizado para solução injetável350 mg por frasco-ampolaCaixa com 1 frasco-ampola.
Dopcym
Daptomicina 500 mgMais utilizadaPó liofilizado para solução injetável500 mg por frasco-ampolaCaixa com 1 frasco-ampola; algumas marcas também em embalagem com 5 frascos-ampolas.
CubicinDopcymExfunoReldaptosTrisk
Daptomicina 350 mgPó liofilizado para solução injetável
Concentração / composição
350 mg por frasco-ampola
EmbalagemCaixa com 1 frasco-ampola.
Nomes comerciais
Dopcym
Daptomicina 500 mgPó liofilizado para solução injetável
Mais utilizada
Concentração / composição
500 mg por frasco-ampola
EmbalagemCaixa com 1 frasco-ampola; algumas marcas também em embalagem com 5 frascos-ampolas.
Nomes comerciais
CubicinDopcymExfunoReldaptosTrisk
Atenção

Conservar sob refrigeração

Os frascos devem ser mantidos entre 2 e 8 °C. Reconstituir com SF 0,9%; nunca diluir em soluções com glicose.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Pele e partes moles4 mg/kg/dia

Adulto, 24/24 h, por 7 a 14 dias.

Bacteremia por S. aureus6 mg/kg/dia

Adulto, 24/24 h, por 2 a 6 semanas.

ClCr < 30 mL/min48/48 h

Mesma dose em mg/kg; após hemodiálise.

CPKSemanal

Mais frequente em insuficiência renal ou com estatinas.

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via endovenosa3 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — pele e partes moles complicadas4 mg/kg24/24 h7 a 14 dias ou até resoluçãoBolus EV em 2 minutos (50 mg/mL) ou infusão em 30 minutos diluída em SF 0,9%. Não administrar mais de uma vez ao dia.
Dose usual — bacteremia por S. aureus6 mg/kg24/24 h2 a 6 semanasInclui endocardite do lado direito por MSSA ou MRSA. Duração conforme foco, controle da fonte e hemoculturas de controle.
Bacteremia complicada, endocardite ou osteomielite por MRSA8 a 10 mg/kg24/24 hConforme foco infecciosoDoses acima das de bula recomendadas por diretrizes (IDSA MRSA, ESC 2023) em infecções graves, bacteremia persistente ou CIM elevada de vancomicina; até 12 mg/kg em cenários selecionados. Intensificar monitorização de CPK.
Dose usual — pele e partes moles complicadas
4 mg/kg24/24 h
Detalhes
Duração7 a 14 dias ou até resolução
Observações

Bolus EV em 2 minutos (50 mg/mL) ou infusão em 30 minutos diluída em SF 0,9%. Não administrar mais de uma vez ao dia.

Dose usual — bacteremia por S. aureus
6 mg/kg24/24 h
Detalhes
Duração2 a 6 semanas
Observações

Inclui endocardite do lado direito por MSSA ou MRSA. Duração conforme foco, controle da fonte e hemoculturas de controle.

Bacteremia complicada, endocardite ou osteomielite por MRSA
8 a 10 mg/kg24/24 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco infeccioso
Observações

Doses acima das de bula recomendadas por diretrizes (IDSA MRSA, ESC 2023) em infecções graves, bacteremia persistente ou CIM elevada de vancomicina; até 12 mg/kg em cenários selecionados. Intensificar monitorização de CPK.

Pediatria (1 a 17 anos)

Via endovenosa7 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Pele e partes moles · 12 a 17 anos5 mg/kg24/24 h, infusão em 30 minAté 14 diasDiluir em 50 mL de SF 0,9%. Não usar bolus de 2 minutos em crianças.
Pele e partes moles · 7 a 11 anos7 mg/kg24/24 h, infusão em 30 minAté 14 diasDiluir em 50 mL de SF 0,9%.
Pele e partes moles · 2 a 6 anos9 mg/kg24/24 h, infusão em 60 minAté 14 diasDiluir em 25 mL de SF 0,9%.
Pele e partes moles · 1 a < 2 anos10 mg/kg24/24 h, infusão em 60 minAté 14 diasDiluir em 25 mL de SF 0,9%.
Bacteremia por S. aureus · 12 a 17 anos7 mg/kg24/24 h, infusão em 30 minAté 42 diasDuração mínima conforme risco de complicações.
Bacteremia por S. aureus · 7 a 11 anos9 mg/kg24/24 h, infusão em 30 minAté 42 diasDuração mínima conforme risco de complicações.
Bacteremia por S. aureus · 1 a 6 anos12 mg/kg24/24 h, infusão em 60 minAté 42 diasDuração mínima conforme risco de complicações.
Pele e partes moles · 12 a 17 anos
5 mg/kg24/24 h, infusão em 30 min
Detalhes
DuraçãoAté 14 dias
Observações

Diluir em 50 mL de SF 0,9%. Não usar bolus de 2 minutos em crianças.

Pele e partes moles · 7 a 11 anos
7 mg/kg24/24 h, infusão em 30 min
Detalhes
DuraçãoAté 14 dias
Observações

Diluir em 50 mL de SF 0,9%.

Pele e partes moles · 2 a 6 anos
9 mg/kg24/24 h, infusão em 60 min
Detalhes
DuraçãoAté 14 dias
Observações

Diluir em 25 mL de SF 0,9%.

Pele e partes moles · 1 a < 2 anos
10 mg/kg24/24 h, infusão em 60 min
Detalhes
DuraçãoAté 14 dias
Observações

Diluir em 25 mL de SF 0,9%.

Bacteremia por S. aureus · 12 a 17 anos
7 mg/kg24/24 h, infusão em 30 min
Detalhes
DuraçãoAté 42 dias
Observações

Duração mínima conforme risco de complicações.

Bacteremia por S. aureus · 7 a 11 anos
9 mg/kg24/24 h, infusão em 30 min
Detalhes
DuraçãoAté 42 dias
Observações

Duração mínima conforme risco de complicações.

Bacteremia por S. aureus · 1 a 6 anos
12 mg/kg24/24 h, infusão em 60 min
Detalhes
DuraçãoAté 42 dias
Observações

Duração mínima conforme risco de complicações.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria B

Usar apenas se claramente necessário

Estudos em animais não mostraram dano fetal; dados em gestantes são limitados.

Lactação

Contraindicado

Evitar amamentar durante o tratamento

Passa ao leite em concentrações muito baixas (máximo de 0,045 mcg/mL em relato de caso) e tem baixa absorção oral, mas a bula orienta evitar a amamentação.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ClCr ≥ 30 mL/minSem ajusteSem ajuste posológico específico24/24 hSem ajuste. Inclui idosos com ClCr ≥ 30 mL/min.
ClCr < 30 mL/min, hemodiálise ou CAPDAjustar intervalo4 mg/kg (pele) ou 6 mg/kg (bacteremia)48/48 hAjustar intervalo. Em hemodiálise, alternativamente 3 doses por semana, após a sessão nos dias de diálise. Monitorar função renal e CPK mais de uma vez por semana.
Insuficiência renal em pediatriaNão estabelecidoRegime não estabelecidoIndividualizarNão estabelecido. Não há esquema validado para crianças com função renal reduzida.
Insuficiência hepática leve a moderadaSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Child-Pugh A e B. Farmacocinética não avaliada em Child-Pugh C.
ClCr ≥ 30 mL/minSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
Frequência24/24 h
Observações

Sem ajuste. Inclui idosos com ClCr ≥ 30 mL/min.

ClCr < 30 mL/min, hemodiálise ou CAPDAjustar intervalo
4 mg/kg (pele) ou 6 mg/kg (bacteremia)
Frequência48/48 h
Observações

Ajustar intervalo. Em hemodiálise, alternativamente 3 doses por semana, após a sessão nos dias de diálise. Monitorar função renal e CPK mais de uma vez por semana.

Insuficiência renal em pediatriaNão estabelecido
Regime não estabelecido
FrequênciaIndividualizar
Observações

Não estabelecido. Não há esquema validado para crianças com função renal reduzida.

Insuficiência hepática leve a moderadaSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Child-Pugh A e B. Farmacocinética não avaliada em Child-Pugh C.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ObesidadePeso realDose em mg/kg pelo peso corporal total24/24 hPeso real. Não é necessário ajuste específico; alguns protocolos usam peso ajustado em obesidade grave para reduzir risco de miopatia.
Menores de 1 anoNão usarContraindicado pela bulaNão se aplicaNão usar. Efeitos musculares, neuromusculares e nervosos observados em cães neonatos.
ObesidadePeso real
Dose em mg/kg pelo peso corporal total
Frequência24/24 h
Observações

Peso real. Não é necessário ajuste específico; alguns protocolos usam peso ajustado em obesidade grave para reduzir risco de miopatia.

Menores de 1 anoNão usar
Contraindicado pela bula
FrequênciaNão se aplica
Observações

Não usar. Efeitos musculares, neuromusculares e nervosos observados em cães neonatos.

Modelos de prescrição2 modelos

Adulto · pele e partes moles (4 mg/kg)Via endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Adulto · bacteremia por S. aureus (6 mg/kg)Via endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSF 0,9% · Ringer lactato
Via principalEndovenosa

Em adultos, injeção EV direta em 2 minutos da solução a 50 mg/mL ou infusão de 30 minutos após diluição. Em crianças, somente infusão: 30 minutos (7 a 17 anos) ou 60 minutos (1 a 6 anos).

ReconstituiçãoSF 0,9%: 7 mL (350 mg) ou 10 mL (500 mg) → 50 mg/mL

Injetar lentamente contra a parede do frasco, girar suavemente sem agitar e deixar repousar cerca de 10 minutos; depois girar por alguns minutos até dissolução completa.

Técnica de aplicação6 passos

1
Retire o frasco da geladeira

Conferir apresentação (350 ou 500 mg) e calcular a dose pelo peso corporal real e pela indicação.

2
Reconstitua sem formar espuma

Adicionar lentamente 7 mL (350 mg) ou 10 mL (500 mg) de SF 0,9% direcionando o jato à parede do frasco. Girar suavemente, aguardar 10 minutos e girar de novo até solução límpida (amarelo-clara a marrom-clara).

3
Escolha bolus ou infusão

Adultos: aspirar a dose a 50 mg/mL e injetar em 2 minutos, ou diluir em cerca de 50 mL de SF 0,9% e infundir em 30 minutos.

4
Em crianças, sempre infusão

7 a 17 anos: diluir em 50 mL e infundir em 30 minutos (1,67 mL/min). 1 a 6 anos: diluir em 25 mL e infundir em 60 minutos (0,42 mL/min).

5
Evite glicose e misturas

Não usar diluentes com glicose. Não adicionar outros fármacos ao frasco ou à bolsa; lavar a linha com solução compatível antes e depois.

6
Monitore CPK e sintomas

Dosar CPK basal e semanal, e acompanhar dor ou fraqueza muscular, sintomas respiratórios e parestesias.

Diluições e preparo3 preparos

Injeção EV em 2 minutos

Somente adultos

50 mg/mL

Volume (mL) = dose (mg) ÷ 50

  1. Reconstituir o frasco a 50 mg/mL com SF 0,9%.
  2. Aspirar o volume correspondente à dose.
  3. Injetar lentamente em 2 minutos.
DiluenteSem diluição adicional
Tempo / modo2 minutos
EstabilidadeSolução reconstituída no frasco: 12 h a 20–25 °C ou 48 h sob refrigeração.

Não usar bolus em pacientes pediátricos.

Injeção EV em 2 minutosSomente adultos50 mg/mL

Volume (mL) = dose (mg) ÷ 50

  1. Reconstituir o frasco a 50 mg/mL com SF 0,9%.
  2. Aspirar o volume correspondente à dose.
  3. Injetar lentamente em 2 minutos.
DiluenteSem diluição adicional
Tempo / modo2 minutos
EstabilidadeSolução reconstituída no frasco: 12 h a 20–25 °C ou 48 h sob refrigeração.

Não usar bolus em pacientes pediátricos.

Infusão de 30 minutos

Adultos e crianças de 7 a 17 anos

Variável conforme dose

Dose reconstituída + 50 mL de SF 0,9%

  1. Reconstituir a 50 mg/mL.
  2. Transferir a dose para bolsa de 50 mL de SF 0,9%.
  3. Infundir a 1,67 mL/min.
Volume final≈ 50 mL
DiluenteSF 0,9% ou Ringer lactato
Tempo / modo30 minutos
EstabilidadeBolsa: 12 h a 20–25 °C ou 48 h sob refrigeração; tempo total frasco + bolsa não deve exceder esses limites.
Infusão de 30 minutosAdultos e crianças de 7 a 17 anosVariável conforme dose

Dose reconstituída + 50 mL de SF 0,9%

  1. Reconstituir a 50 mg/mL.
  2. Transferir a dose para bolsa de 50 mL de SF 0,9%.
  3. Infundir a 1,67 mL/min.
Volume final≈ 50 mL
DiluenteSF 0,9% ou Ringer lactato
Tempo / modo30 minutos
EstabilidadeBolsa: 12 h a 20–25 °C ou 48 h sob refrigeração; tempo total frasco + bolsa não deve exceder esses limites.

Infusão de 60 minutos

Crianças de 1 a 6 anos

Variável conforme dose

Dose reconstituída + 25 mL de SF 0,9%

  1. Reconstituir a 50 mg/mL.
  2. Transferir a dose para bolsa de 25 mL de SF 0,9%.
  3. Infundir a 0,42 mL/min.
Volume final≈ 25 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo60 minutos
EstabilidadeBolsa: 12 h a 20–25 °C ou 48 h sob refrigeração.
Infusão de 60 minutosCrianças de 1 a 6 anosVariável conforme dose

Dose reconstituída + 25 mL de SF 0,9%

  1. Reconstituir a 50 mg/mL.
  2. Transferir a dose para bolsa de 25 mL de SF 0,9%.
  3. Infundir a 0,42 mL/min.
Volume final≈ 25 mL
DiluenteSF 0,9%
Tempo / modo60 minutos
EstabilidadeBolsa: 12 h a 20–25 °C ou 48 h sob refrigeração.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaBolus de 2 minutos (apenas adultos) ou infusão de 30–60 minutos. Compatível em Y com aztreonam, ceftazidima, ceftriaxona, gentamicina, fluconazol, levofloxacino, dopamina, heparina e lidocaína.
IntramuscularNão usarVia não estudada nem aprovada.
SubcutâneaNão usarVia não aprovada.
OralNão se aplicaNão há formulação oral.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
SNG/SNENão se aplicaNão se aplica.
EndovenosaVia indicada
Observações

Bolus de 2 minutos (apenas adultos) ou infusão de 30–60 minutos. Compatível em Y com aztreonam, ceftazidima, ceftriaxona, gentamicina, fluconazol, levofloxacino, dopamina, heparina e lidocaína.

IntramuscularNão usar
Observações

Via não estudada nem aprovada.

SubcutâneaNão usar
Observações

Via não aprovada.

OralNão se aplica
Observações

Não há formulação oral.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Glicose

Incompatível com soluções glicosadas

Reconstituir e diluir somente em SF 0,9% ou Ringer lactato. Lavar a linha antes e depois se houver infusão sequencial de outros fármacos.

Uso ambulatorial

Adequada para OPAT

A dose única diária e o bolus de 2 minutos favorecem terapia antimicrobiana parenteral domiciliar ou em hospital-dia, com CPK semanal.

Coagulograma

Falso aumento de TP/RNI

Com reagentes de tromboplastina recombinante, coletar TP/RNI imediatamente antes da próxima dose; se persistir elevado, usar método alternativo.

Estatinas

Suspender temporariamente

Pelo risco aditivo de miopatia, considerar suspender inibidores da HMG-CoA redutase durante o tratamento e monitorar CPK com maior frequência.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Toxicidade muscular e pulmonar exigem vigilância

A daptomicina pode causar elevação de CPK, miopatia e rabdomiólise, sobretudo com doses altas, insuficiência renal e uso de estatinas. Pneumonia eosinofílica, DRESS, nefrite túbulo-intersticial e neuropatia periférica são raras, mas exigem suspensão imediata.

Contraindicações4 itens

  • Hipersensibilidade conhecida à daptomicina ou aos excipientes.
  • Crianças com menos de 1 ano.
  • Tratamento de pneumonia (ineficaz).
  • Diluição em soluções contendo glicose.

Populações especiais

Gestação

Categoria B

Sem evidência de dano fetal em animais e dados humanos limitados. Usar apenas se claramente necessário.

Lactação

Contraindicado

Excretada no leite em concentrações muito baixas, mas a bula orienta evitar a amamentação durante o tratamento.

Função renal

Ajustar intervalo

Com ClCr < 30 mL/min, hemodiálise ou CAPD, manter a dose em mg/kg a cada 48 h. Monitorar função renal e CPK mais de uma vez por semana. Regime pediátrico não estabelecido.

Função hepática

Sem ajuste específico

Sem ajuste em Child-Pugh A e B. Não avaliada em insuficiência hepática grave.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Resposta clínica e hemoculturas de controle na bacteremia.
  • Dor, fraqueza muscular ou cãibras, especialmente em extremidades distais.
  • Febre, dispneia, hipoxemia ou novos infiltrados pulmonares.
  • Parestesias e sinais de neuropatia periférica.
  • Febre com exantema, eosinofilia ou acometimento de órgãos (DRESS).
Sinais de alerta
  • CPK no início e pelo menos semanalmente; mais frequente em insuficiência renal, uso de estatinas ou CPK em elevação.
  • Suspender se miopatia com CPK > 1.000 U/L (≈ 5× LSN) ou CPK > 2.000 U/L (≈ 10× LSN) sem sintomas.
  • Função renal mais de uma vez por semana se ClCr < 30 mL/min.
  • TP/RNI coletado no vale da daptomicina, se alterado.

Eventos adversos

Comuns1% a 10%
Diarreia, náusea, vômitos, constipação e dor abdominalCefaleia, tontura, insônia e ansiedadeElevação de CPK e de enzimas hepáticasErupção cutânea, prurido e reação no local de infusãoAnemia, infecções fúngicas e urinárias
Incomuns0,1% a 1%
Mialgia, fraqueza muscular e artralgiaParestesia, tremor e alteração do paladarEosinofilia e trombocitopeniaInsuficiência renalDiarreia associada a C. difficile
Raros< 0,1%
IcteríciaNeuropatia periféricaProlongamento falso de TP/RNI
GravesExigem suspensão
RabdomiólisePneumonia eosinofílicaDRESS e pustulose exantemática generalizada agudaNefrite túbulo-intersticialAnafilaxia e angioedema

Advertências

  • Não indicada para pneumonia: o surfactante pulmonar inativa o fármaco.
  • Monitorar dor e fraqueza muscular e dosar CPK no início e semanalmente; suspender diante de miopatia com CPK > 5× LSN ou CPK > 10× LSN sem sintomas.
  • Pneumonia eosinofílica pode surgir após 2–4 semanas; suspender e iniciar corticoide sistêmico. Há recorrência na reexposição.
  • Suspender imediatamente diante de suspeita de DRESS ou nefrite túbulo-intersticial.
  • Bacteremia persistente ou recorrente exige novas hemoculturas, CIM do isolado e busca de foco com eventual intervenção cirúrgica.
  • Não administrar a menores de 1 ano.
  • Pode ocorrer diarreia por C. difficile e superinfecção por micro-organismos não sensíveis.
  • Pode haver falso aumento de TP/RNI com determinados reagentes.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Daptomicina

Lipopeptídeo cíclico que, na presença de cálcio, insere sua cauda lipofílica na membrana citoplasmática de bactérias gram-positivas, oligomeriza e provoca efluxo de potássio e despolarização rápida. Isso interrompe a síntese de DNA, RNA e proteínas e leva à morte bacteriana sem lise significativa. A ligação ao surfactante pulmonar explica a ineficácia em pneumonia.

Farmacocinética

Pequeno volume de distribuição e alta ligação proteica

Volume de distribuição de cerca de 0,1 L/kg, independente da dose, com ligação reversível às proteínas plasmáticas de 90–93% (84–88% com ClCr < 30 mL/min). Farmacocinética linear entre 4 e 12 mg/kg, com estado de equilíbrio no terceiro dia.

Metabolismo mínimo, sem participação relevante do citocromo P450. Em idosos (≥ 75 anos), a depuração é cerca de 35% menor.

Vd ≈ 0,1 L/kgLigação proteica 90–93%Sem CYP450
Eliminação

Excreção renal predominante

Cerca de 78% da dose é recuperada na urina, majoritariamente inalterada, e 5,7% nas fezes. A meia-vida é de aproximadamente 8–9 horas com função renal normal.

Com ClCr < 30 mL/min a AUC dobra, e em diálise triplica, o que justifica o intervalo de 48 horas.

Meia-vida ≈ 8 hUrina 78%Dose única diária

Interações medicamentosas

A interação mais relevante é com inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas), pelo risco aditivo de miopatia e rabdomiólise; considerar suspensão temporária e intensificar a dosagem de CPK. Outros fármacos associados a miopatia, como fibratos e ciclosporina, exigem a mesma cautela. A tobramicina altera discretamente a farmacocinética da daptomicina, com relevância clínica incerta. Com varfarina não há interação farmacocinética, mas recomenda-se monitorar a anticoagulação nos primeiros dias. Há interferência laboratorial com reagentes de tromboplastina recombinante, que podem elevar falsamente TP e RNI. A daptomicina não é metabolizada pelo citocromo P450, e interações por indução ou inibição enzimática são improváveis.

Informação regulatória

SUSNão consta na RENAMEA daptomicina não integra a RENAME 2024; o acesso depende de padronização hospitalar e de protocolos estaduais. Classificada no grupo Reserva da AWaRe da OMS.
GenéricoDisponívelHá genéricos de 350 mg e 500 mg registrados no Brasil, além de similares; Cubicin é o medicamento de referência.
ATCJ01XX09WHO ATC/DDD: daptomicina, outros antibacterianos de uso sistêmico. DDD parenteral: 0,28 g.

Receituário

Tipo de receitaAntimicrobiano
Número de vias2 vias
Retenção2ª via
Validade10 dias

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Dopcym® — daptomicina

Accord Farmacêutica Ltda. Bula para o profissional de saúde: indicações, posologia adulta e pediátrica, ajuste renal, preparo, estabilidade, compatibilidade e segurança.

2025
02
Bula profissional

Daptomicina — pó liofilizado 500 mg

Antibióticos do Brasil Ltda. (ABL). Bula para o profissional de saúde do medicamento genérico.

2025
03
Diretriz

IDSA — Clinical practice guidelines for MRSA infections

Liu C, et al. Clin Infect Dis. 2011;52(3):e18-e55. Doses de 8–10 mg/kg em bacteremia persistente e infecções graves por MRSA.

2011
04
Diretriz

ESC 2023 Guidelines for the management of endocarditis

Delgado V, et al. Eur Heart J. 2023;44(39):3948-4042. Daptomicina 10 mg/kg/dia em endocardite estafilocócica e enterocócica.

2023
05
Classificação

ATC/DDD Index — J01XX09

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Daptomycin: J01XX09; DDD parenteral de 0,28 g.

2026
06
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, consultada para situação no SUS.

2024
07
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.

2021
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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