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Bulário clínico · Antidiabético

Dapagliflozina + Cloridrato de Metformina

Associação em dose fixa de inibidor do SGLT2 com metformina de liberação prolongada para o diabetes tipo 2 em adultos, administrada uma vez ao dia com a refeição da noite.

Via oral · liberação prolongadaiSGLT2 + biguanidaAdultos1x/dia no jantarReceita simplesCetoacidose · acidose láctica

Revisado em pela equipe MedFoco

Função renal e volemia definem a segurança

Não iniciar com TFGe entre 30 e 44 mL/min/1,73 m² e não usar abaixo de 30. Suspender temporariamente em desidratação, doença aguda grave, cirurgia com jejum e contraste iodado. Suspeitar de cetoacidose mesmo com glicemia pouco elevada.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a associação dapagliflozina + metformina?

É uma combinação em dose fixa de dapagliflozina, inibidor seletivo e reversível do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2), com cloridrato de metformina em matriz de liberação prolongada. Os mecanismos são complementares e independentes da secreção de insulina, o que permite redução da HbA1c com baixo risco intrínseco de hipoglicemia em um único comprimido diário.

ViaOral · liberação prolongada
Faixa etáriaAdultos
SUSAssociação fora da RENAME
ReceitaReceita simples · sem retenção

Composição e papel de cada componente2 ativos

Dapagliflozina

Reduz a reabsorção renal de glicose no túbulo proximal, aumentando a glicosúria, com efeito diurético osmótico e natriurético.

Inibidor do SGLT2
Metformina

Reduz a produção hepática de glicose, melhora a sensibilidade periférica à insulina e diminui parcialmente a absorção intestinal de glicose.

Biguanida de liberação prolongada

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Diabetes mellitus tipo 2 em adultos, como adjuvante à dieta e ao exercício, quando o tratamento com dapagliflozina e metformina é apropriado.
  • Substituição de dapagliflozina e metformina em comprimidos separados, nas doses correspondentes, para simplificar o esquema.
  • Intensificação em pacientes com controle inadequado com metformina isolada, quando a adição de dapagliflozina é apropriada.
Não indicado
  • Diabetes mellitus tipo 1 ou tratamento da cetoacidose diabética.
  • TFGe inferior a 30 mL/min/1,73 m²; início do tratamento com TFGe entre 30 e 44 mL/min/1,73 m².
  • Acidose metabólica aguda ou crônica e condições associadas à hipóxia tecidual.
  • Insuficiência hepática.
  • Pacientes que necessitam de 5 mg de dapagliflozina com mais de 1.000 mg de metformina ou com 500 mg de metformina: usar os fármacos separados.
  • Gestação e amamentação.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis3 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Dapagliflozina 10 mg + Metformina XR 500 mgInício usualComprimido revestido de liberação prolongadaDapagliflozina (como propanodiol) 10 mgCloridrato de metformina de liberação prolongada 500 mgCaixa com 14 comprimidos.
Xigduo XR
Dapagliflozina 10 mg + Metformina XR 1.000 mgComprimido revestido de liberação prolongadaDapagliflozina (como propanodiol) 10 mgCloridrato de metformina de liberação prolongada 1.000 mgCaixa com 14 ou 30 comprimidos.
Xigduo XR
Dapagliflozina 5 mg + Metformina XR 1.000 mg2 cp = dose máximaComprimido revestido de liberação prolongadaDapagliflozina (como propanodiol) 5 mgCloridrato de metformina de liberação prolongada 1.000 mgCaixa com 14 ou 60 comprimidos.
Xigduo XR
Dapagliflozina 10 mg + Metformina XR 500 mgComprimido revestido de liberação prolongada
Início usual
Concentração / composição
Dapagliflozina (como propanodiol) 10 mgCloridrato de metformina de liberação prolongada 500 mg
EmbalagemCaixa com 14 comprimidos.
Nomes comerciais
Xigduo XR
Dapagliflozina 10 mg + Metformina XR 1.000 mgComprimido revestido de liberação prolongada
Concentração / composição
Dapagliflozina (como propanodiol) 10 mgCloridrato de metformina de liberação prolongada 1.000 mg
EmbalagemCaixa com 14 ou 30 comprimidos.
Nomes comerciais
Xigduo XR
Dapagliflozina 5 mg + Metformina XR 1.000 mgComprimido revestido de liberação prolongada
2 cp = dose máxima
Concentração / composição
Dapagliflozina (como propanodiol) 5 mgCloridrato de metformina de liberação prolongada 1.000 mg
EmbalagemCaixa com 14 ou 60 comprimidos.
Nomes comerciais
Xigduo XR
Atenção

Comprimido de liberação prolongada

Engolir inteiro, sem partir, triturar ou mastigar. Restos inertes da matriz podem ser eliminados nas fezes sem perda de eficácia. Há genérico da associação (5/1.000 mg e 10/1.000 mg) registrado em 2026, com oferta ainda limitada.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Início10/500 mg 1x/dia

Sem metformina prévia

HorárioJantar

Engolir inteiro

Dose máxima10/2.000 mg/dia

2 cp de 5/1.000 mg

TFGe 30–44Máx. 10/1.000 mg

Não iniciar nessa faixa

Esquemas por população2 grupos

Adulto

Via oral4 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — início 10/500 mg1 comprimido de 10 mg/500 mg1x/dia, com a refeição da noiteUso contínuoPara pacientes sem metformina prévia que necessitam de 10 mg de dapagliflozina. Titular a metformina gradualmente para reduzir efeitos gastrointestinais.
Dose usual — 10/1.000 mg1 comprimido de 10 mg/1.000 mg1x/dia, com a refeição da noiteUso contínuoPara pacientes já em uso de cerca de 1.000 mg/dia de metformina ou após titulação. Na troca de metformina de liberação imediata para XR, monitorar o controle glicêmico.
Dose usual — 5/1.000 mg1 comprimido de 5 mg/1.000 mg1x/dia, com a refeição da noiteUso contínuoPara pacientes que necessitam de 5 mg de dapagliflozina com até 1.000 mg de metformina. Se precisarem de mais de 1.000 mg de metformina, usar os fármacos separados.
Dose máxima2 comprimidos de 5 mg/1.000 mg1x/dia, juntos, com a refeição da noiteUso contínuoEquivale a dapagliflozina 10 mg + metformina XR 2.000 mg/dia. Não exceder.
Dose usual — início 10/500 mg
1 comprimido de 10 mg/500 mg1x/dia, com a refeição da noite
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Para pacientes sem metformina prévia que necessitam de 10 mg de dapagliflozina. Titular a metformina gradualmente para reduzir efeitos gastrointestinais.

Dose usual — 10/1.000 mg
1 comprimido de 10 mg/1.000 mg1x/dia, com a refeição da noite
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Para pacientes já em uso de cerca de 1.000 mg/dia de metformina ou após titulação. Na troca de metformina de liberação imediata para XR, monitorar o controle glicêmico.

Dose usual — 5/1.000 mg
1 comprimido de 5 mg/1.000 mg1x/dia, com a refeição da noite
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Para pacientes que necessitam de 5 mg de dapagliflozina com até 1.000 mg de metformina. Se precisarem de mais de 1.000 mg de metformina, usar os fármacos separados.

Dose máxima
2 comprimidos de 5 mg/1.000 mg1x/dia, juntos, com a refeição da noite
Detalhes
DuraçãoUso contínuo
Observações

Equivale a dapagliflozina 10 mg + metformina XR 2.000 mg/dia. Não exceder.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria C

Descontinuar ao confirmar a gestação

Não há estudos adequados em gestantes. A exposição à dapagliflozina no período correspondente ao 2º e 3º trimestres causou dilatação pélvica e tubular renal em animais. A insulina é a estratégia preferencial para o controle glicêmico na gestação.

Lactação

Contraindicado

Não usar durante a amamentação

Ambos os componentes são excretados no leite em animais, e a exposição à dapagliflozina pode afetar a maturação renal do lactente. Escolher alternativa terapêutica.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
TFGe ≥ 45 mL/min/1,73 m²Sem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Avaliar a função renal antes do início e periodicamente: ao menos 1x/ano com função normal e 2 a 4x/ano com TFGe próxima de 45 ou em idosos.
TFGe 30 a 44 mL/min/1,73 m²Ajustar doseMáximo de 10 mg/1.000 mg por dia1x/diaAjustar dose. Não iniciar o tratamento nessa faixa. Se a TFGe cair persistentemente abaixo de 45 durante o uso, reavaliar o risco-benefício de continuar.
TFGe < 30 mL/min/1,73 m²ContraindicadoNão usar—Contraindicado. Risco de acúmulo de metformina e acidose láctica. Suspender o tratamento.
Insuficiência hepáticaContraindicadoNão usar—Contraindicado. A disfunção hepática reduz a depuração de lactato e aumenta o risco de acidose láctica associada à metformina.
TFGe ≥ 45 mL/min/1,73 m²Sem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Avaliar a função renal antes do início e periodicamente: ao menos 1x/ano com função normal e 2 a 4x/ano com TFGe próxima de 45 ou em idosos.

TFGe 30 a 44 mL/min/1,73 m²Ajustar dose
Máximo de 10 mg/1.000 mg por dia
Frequência1x/dia
Observações

Ajustar dose. Não iniciar o tratamento nessa faixa. Se a TFGe cair persistentemente abaixo de 45 durante o uso, reavaliar o risco-benefício de continuar.

TFGe < 30 mL/min/1,73 m²Contraindicado
Não usar
Frequência—
Observações

Contraindicado. Risco de acúmulo de metformina e acidose láctica. Suspender o tratamento.

Insuficiência hepáticaContraindicado
Não usar
Frequência—
Observações

Contraindicado. A disfunção hepática reduz a depuração de lactato e aumenta o risco de acidose láctica associada à metformina.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
Risco de depleção de volumeCautelaConsiderar dapagliflozina 5 mg1x/diaCautela. Nesses pacientes, usar dapagliflozina e metformina em comprimidos separados. Corrigir a volemia antes de iniciar e considerar suspensão temporária se houver depleção.
IdosoCautelaIndividualizar pela função renal e volemiaConforme apresentaçãoCautela. Maior propensão a redução da função renal, hipotensão e depleção de volume. Monitorar TFGe com maior frequência.
Risco de depleção de volumeCautela
Considerar dapagliflozina 5 mg
Frequência1x/dia
Observações

Cautela. Nesses pacientes, usar dapagliflozina e metformina em comprimidos separados. Corrigir a volemia antes de iniciar e considerar suspensão temporária se houver depleção.

IdosoCautela
Individualizar pela função renal e volemia
FrequênciaConforme apresentação
Observações

Cautela. Maior propensão a redução da função renal, hipotensão e depleção de volume. Monitorar TFGe com maior frequência.

Modelos de prescrição3 modelos

Dose usual — início 10/500 mgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — 10/1.000 mgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Dose usual — 5/1.000 mgUso oralAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesNão se aplicaReconstituiçãoNão requer
Via principalVia oral

Uma vez ao dia, com a refeição da noite. Comprimido de liberação prolongada: engolir inteiro, com água.

Técnica de aplicação6 passos

1
Confira a função renal

Obter TFGe antes de iniciar. Não iniciar com TFGe abaixo de 45 mL/min/1,73 m².

2
Avalie a volemia

Corrigir depleção de volume antes do início, sobretudo em idosos, usuários de diuréticos de alça ou pacientes com hipotensão.

3
Tome com o jantar

A tomada única com a refeição da noite melhora a tolerância gastrointestinal da metformina XR.

4
Engula inteiro

Não partir, triturar ou mastigar: a matriz de liberação prolongada perde sua função.

5
Dose esquecida

Não dobrar a dose. Retomar no horário habitual do dia seguinte.

6
Oriente higiene genital e hidratação

Reduz o risco de infecções genitais e de depleção de volume associadas à glicosúria.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
OralVia indicadaComprimido inteiro, uma vez ao dia, com a refeição da noite.
SNG/SNENão usarA trituração destrói a liberação prolongada, altera a farmacocinética e pode obstruir a sonda. Usar os componentes separados em formulações adequadas.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
EndovenosaNão se aplicaNão há apresentação parenteral.
IntramuscularNão se aplicaNão se aplica.
SubcutâneaNão se aplicaNão se aplica.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
OralVia indicada
Observações

Comprimido inteiro, uma vez ao dia, com a refeição da noite.

SNG/SNENão usar
Observações

A trituração destrói a liberação prolongada, altera a farmacocinética e pode obstruir a sonda. Usar os componentes separados em formulações adequadas.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

EndovenosaNão se aplica
Observações

Não há apresentação parenteral.

IntramuscularNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SubcutâneaNão se aplica
Observações

Não se aplica.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Cirurgia

Suspender antes de procedimentos com jejum

Suspender temporariamente antes de cirurgias que exijam restrição de alimentos e líquidos (para iSGLT2, protocolos atuais recomendam ao menos 3 dias antes de cirurgia eletiva). Reiniciar após retorno da ingestão oral e confirmação de função renal estável.

Contraste iodado

Pausa de 48 horas

Interromper no momento ou antes do exame com contraste iodado intravascular e reiniciar após 48 horas, se a função renal estiver estável.

Doença aguda

Regra dos dias de doença

Vômitos, diarreia, febre, baixa ingestão ou infecção grave: suspender temporariamente pelo risco de cetoacidose, depleção de volume e acidose láctica.

Laboratório

Glicosúria esperada

A glicose urinária é positiva durante o tratamento e não deve ser usada para monitorar o controle glicêmico. O ensaio de 1,5-anidroglucitol também perde validade.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Cetoacidose euglicêmica e acidose láctica

A dapagliflozina pode causar cetoacidose com glicemia normal ou pouco elevada, e a metformina pode acumular e causar acidose láctica na disfunção renal ou hipóxia. Diante de náuseas, vômitos, dor abdominal, mal-estar ou dispneia, suspender e investigar com cetonemia, gasometria e lactato.

Contraindicações6 itens

  • Hipersensibilidade à dapagliflozina, à metformina ou a qualquer excipiente.
  • Insuficiência renal grave (TFGe < 30 mL/min/1,73 m²).
  • Acidose metabólica aguda ou crônica, incluindo cetoacidose diabética e acidose láctica.
  • Insuficiência hepática.
  • Condições agudas com hipóxia tecidual ou risco de deterioração renal, como choque, sepse e desidratação importante.
  • Amamentação.

Populações especiais

Gestação

Categoria C

Descontinuar quando a gestação for confirmada. Não recomendado especialmente no 2º e 3º trimestres pelo efeito da dapagliflozina sobre o desenvolvimento renal em estudos animais. Preferir insulina.

Lactação

Contraindicado

Contraindicado durante o aleitamento. Há excreção no leite em animais e potencial efeito sobre a maturação renal do lactente.

Função renal

Ajustar dose

TFGe ≥ 45: sem ajuste. TFGe 30–44: não iniciar; se em uso, máximo 10/1.000 mg/dia e reavaliar. TFGe < 30: contraindicado.

Função hepática

Contraindicado

Evitar em pacientes com evidência clínica ou laboratorial de doença hepática pelo risco de acidose láctica.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • HbA1c pelo menos 2x/ano se estável na meta e trimestralmente em mudança de terapia ou fora da meta.
  • Volemia: peso, pressão arterial, sintomas ortostáticos, hematócrito e eletrólitos.
  • Sinais de infecção genital ou urinária e de dor/edema perineal.
  • Sintomas inespecíficos sugestivos de cetoacidose, especialmente em jejum, doença aguda ou redução de insulina.
Sinais de alerta
  • TFGe antes de iniciar e ao menos 1x/ano; 2 a 4x/ano em idosos ou TFGe próxima de 45.
  • Vitamina B12 periodicamente no uso prolongado ou se houver anemia ou neuropatia.
  • Na suspeita de cetoacidose, dosar cetonas no sangue e pH arterial; cetonúria e bicarbonato isolados podem ser insuficientes.
  • Hemograma anualmente.

Eventos adversos

Muito comuns≥ 10%
Náusea, vômito, diarreia, dor abdominal e perda de apetite (metformina, sobretudo no início)
Comuns1% a < 10%
Infecção genital (vulvovaginite, balanite)Infecção do trato urinárioPoliúria e polaciúriaDor nas costasDistúrbio do paladarErupção cutânea
Raros e muito raros< 0,1%
Cetoacidose diabéticaDeficiência de vitamina B12Alterações da função hepática, hepatiteUrticária, eritema e prurido
GravesAtendimento imediato
Cetoacidose, inclusive euglicêmicaAcidose lácticaFasciíte necrosante do períneo (gangrena de Fournier)Pielonefrite e urosepseDepleção de volume com hipotensão e lesão renal aguda

Advertências

  • Não indicado para diabetes tipo 1 nem para tratar cetoacidose diabética.
  • Fatores predisponentes à cetoacidose: baixa reserva de células beta, redução de insulina, baixa ingestão calórica, infecção, cirurgia e álcool.
  • A associação com insulina ou sulfonilureia aumenta o risco de hipoglicemia; considerar reduzir a dose desses agentes.
  • AINEs, diuréticos e anti-hipertensivos podem comprometer agudamente a função renal; usar com cautela.
  • Não recomendado com câncer de bexiga ativo; ponderar o uso em pacientes com antecedente da doença.
  • Evitar consumo excessivo de álcool pelo risco de acidose láctica e cetoacidose.
  • Pacientes previamente controlados que desenvolvem alterações clínicas ou laboratoriais devem ser avaliados de imediato para cetoacidose e acidose láctica.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação2 componentes

Dapagliflozina

Inibe de forma potente, seletiva e reversível o SGLT2 no túbulo contorcido proximal, responsável pela maior parte da reabsorção da glicose filtrada. Aumenta a excreção urinária de glicose (cerca de 70 g/dia), com perda calórica, diurese osmótica e natriurese. O efeito depende da carga filtrada e diminui com a queda da TFG.

Metformina

Reduz a produção hepática de glicose, principalmente pela inibição da gliconeogênese, aumenta a captação periférica de glicose e a sensibilidade à insulina e diminui a absorção intestinal de glicose. A matriz de liberação prolongada permite uma tomada diária com melhor tolerância gastrointestinal.

Farmacocinética

Glicuronidação e eliminação renal

Dapagliflozina: absorção rápida, ligação proteica de cerca de 91%, metabolização por UGT1A9 a 3-O-glicuronídeo inativo e excreção principalmente urinária (menos de 2% inalterada); meia-vida em torno de 13 horas.

Metformina XR: pico em cerca de 7 horas, ligação proteica desprezível, sem metabolismo hepático e eliminação renal inalterada por filtração e secreção tubular (meia-vida plasmática de cerca de 6 horas).

UGT1A9Excreção renalTmáx XR ~7 h1x/dia
Efeito clínico

Redução de HbA1c com baixo risco de hipoglicemia

A adição de dapagliflozina à metformina reduz a HbA1c, o peso corporal e a pressão arterial, sem aumentar intrinsecamente o risco de hipoglicemia.

A eficácia glicêmica da dapagliflozina diminui com a redução da TFG, enquanto a metformina passa a acumular; por isso a função renal limita o uso da associação.

DM2Perda de pesoRedução da PADepende da TFG

Interações medicamentosas

Insulina e secretagogos, como sulfonilureias e glinidas, aumentam o risco de hipoglicemia e podem exigir redução de dose. Diuréticos, especialmente de alça e tiazídicos, potencializam a diurese osmótica e o risco de depleção de volume e hipotensão. Fármacos que podem reduzir agudamente a função renal, como AINEs, inibidores da ECA, bloqueadores do receptor de angiotensina e contraste iodado, aumentam o risco de acúmulo de metformina e acidose láctica. Inibidores de transportadores de cátions orgânicos (OCT2/MATE), como cimetidina, dolutegravir, ranolazina, trimetoprima e vandetanibe, podem elevar a exposição à metformina. O álcool potencializa o efeito da metformina sobre o lactato. Indutores de UGT, como rifampicina, reduzem modestamente a exposição à dapagliflozina sem necessidade de ajuste. Corticosteroides, tiazídicos em altas doses, agonistas beta-2 e antipsicóticos podem elevar a glicemia. Durante o uso, o teste de glicose urinária é positivo e o 1,5-anidroglucitol não é confiável.

Informação regulatória

SUSAssociação fora da RENAMEA associação em dose fixa não consta na RENAME 2024. Os componentes isolados estão disponíveis: metformina no Componente Básico e dapagliflozina 10 mg no Componente Especializado, conforme protocolo clínico.
GenéricoRegistrado em 2026O primeiro genérico da associação (5/1.000 mg e 10/1.000 mg, liberação prolongada) foi registrado pela Anvisa em maio de 2026, tendo Xigduo XR como referência; a oferta nas farmácias ainda é limitada.
ATCA10BD15Classificação WHO ATC/DDD: metformina e dapagliflozina, associações de hipoglicemiantes orais, código A10BD15.

Receituário

Tipo de receitaReceita simples
Número de vias1 via
RetençãoNão
ValidadeSem prazo específico de controle especial

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula

Xigduo XR® — dapagliflozina + cloridrato de metformina XR

AstraZeneca do Brasil Ltda. Comprimidos revestidos de liberação prolongada de 5/1.000 mg, 10/500 mg e 10/1.000 mg; posologia, função renal, populações especiais e reações adversas.

2025
02
Bula profissional

Forxiga® — dapagliflozina

AstraZeneca do Brasil Ltda. Referência complementar para farmacocinética, cetoacidose, gangrena de Fournier e gestação.

2025
03
Bula profissional

Glifage® XR — cloridrato de metformina

Merck S.A. Referência para metformina de liberação prolongada, acidose láctica, contraste iodado e vitamina B12.

2025
04
Agência reguladora

Anvisa — registro do primeiro genérico de dapagliflozina + metformina

Comunicação sobre o registro do genérico de liberação prolongada nas concentrações de 5/1.000 mg e 10/1.000 mg.

2026
05
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Metformina no Componente Básico e dapagliflozina 10 mg no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.

2024
06
Diretriz brasileira

Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes — Tratamento farmacológico do DM2

Uso de iSGLT2 associados à metformina, cuidados perioperatórios e prevenção de cetoacidose.

2025
07
Diretriz internacional

ADA Standards of Care in Diabetes — Pharmacologic Approaches to Glycemic Treatment

American Diabetes Association. Terapia combinada, função renal e suspensão perioperatória de iSGLT2.

2026
08
Classificação

WHO ATC/DDD Index · A10BD15

Metformina e dapagliflozina.

2026
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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