Gestação
Categoria BNão recomendado; substituir por insulina
Ao planejar gravidez e durante a gestação, o diabetes não deve ser tratado com a associação; usar insulina para manter a glicemia o mais próximo possível do normal.
Associação em dose fixa de metformina XR e gliclazida de liberação prolongada, em tomada única diária, para adultos com diabetes tipo 2 já controlados com os dois fármacos em comprimidos separados.
Revisado em pela equipe MedFoco
A associação é indicada para pacientes adequadamente controlados com metformina e gliclazida em comprimidos separados, na mesma dose. Quem precisa de doses não cobertas pela apresentação fixa deve manter os componentes isolados.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
É uma associação em dose fixa, em comprimido bicamada de liberação prolongada, de metformina, biguanida que reduz a produção hepática de glicose e a resistência à insulina, e gliclazida, sulfonilureia que estimula a secreção de insulina pelas células beta. Permite manter em tomada única diária o tratamento de pacientes já controlados com os dois fármacos separados.
Reduz a gliconeogênese e a glicogenólise hepáticas, aumenta a sensibilidade muscular à insulina e retarda a absorção intestinal de glicose. A formulação XR prolonga a absorção e melhora a tolerabilidade gastrointestinal.
Bloqueia canais de potássio sensíveis ao ATP via receptor SUR1 nas células beta, estimulando a secreção de insulina com perfil de liberação ao longo de 24 horas.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Metformina 500 mg + Gliclazida 30 mgXR | Comprimido de liberação prolongada | Cloridrato de metformina 500 mg (390 mg de metformina)Gliclazida 30 mg | Caixa com 30 ou 60 comprimidos de liberação prolongada. | Glivance XR |
Engolir inteiro, sem partir ou mastigar. O revestimento do comprimido pode ser eliminado nas fezes, o que não indica falha de absorção. Contém óxido de ferro como corante, que pode causar reações alérgicas.
Dose, frequência e duração por população.
Mesma dose dos componentes
No café da manhã
Metformina + gliclazida
Entre aumentos
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 1 comprimido (500 mg + 30 mg) | 1x/dia, pela manhã, no café da manhã | Uso contínuo | Para pacientes controlados com metformina 500 mg/dia e gliclazida 30 mg/dia em comprimidos separados. |
| 2 comprimidos (1.000 mg + 60 mg) | 1x/dia, pela manhã, no café da manhã | Uso contínuo | Para pacientes controlados com metformina 1.000 mg/dia e gliclazida 60 mg/dia. Os dois comprimidos são tomados juntos. | |
| Doses mais altas | 3 a 4 comprimidos (1.500 mg + 90 mg a 2.000 mg + 120 mg) | 1x/dia, pela manhã, no café da manhã | Uso contínuo | Dose máxima de 2.000 mg de metformina e 120 mg de gliclazida por dia. Aumentos com intervalo mínimo de 1 mês, ou ao final da segunda semana se a glicemia não diminuir. |
Para pacientes controlados com metformina 500 mg/dia e gliclazida 30 mg/dia em comprimidos separados.
Para pacientes controlados com metformina 1.000 mg/dia e gliclazida 60 mg/dia. Os dois comprimidos são tomados juntos.
Dose máxima de 2.000 mg de metformina e 120 mg de gliclazida por dia. Aumentos com intervalo mínimo de 1 mês, ou ao final da segunda semana se a glicemia não diminuir.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Crianças e adolescentes | Não indicado | — | — | Segurança e eficácia não estabelecidas; uso não recomendado nessa população. |
Segurança e eficácia não estabelecidas; uso não recomendado nessa população.
Não recomendado; substituir por insulina
Ao planejar gravidez e durante a gestação, o diabetes não deve ser tratado com a associação; usar insulina para manter a glicemia o mais próximo possível do normal.
Não usar durante a amamentação
Contraindicado pelo risco de hipoglicemia no lactente.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| TFGe 30 a 59 mL/min/1,73 m²Ajustar dose | Iniciar 500 mg/dia de metformina (1 comprimido) | 1x/dia | Ajustar dose. Máximo de 1.000 mg/dia de metformina (2 comprimidos), somente na ausência de outros fatores de risco para acidose láctica. Monitorar função renal a cada 3 a 6 meses (TFGe 45–59) ou a cada 3 meses (TFGe 30–44). |
| TFGe < 45 mL/min/1,73 m² durante o usoReavaliar | Avaliar risco-benefício da continuidade | 1x/dia | Reavaliar. Ponderar a manutenção da metformina e o risco de hipoglicemia prolongada pela gliclazida. |
| TFGe < 30 mL/min/1,73 m²Contraindicado | Não usar | — | Contraindicado. Interromper imediatamente pelo risco de acúmulo de metformina e acidose láctica. |
| Insuficiência hepáticaContraindicado | Não usar | — | Contraindicado. A gliclazida é metabolizada no fígado; a hepatopatia aumenta o risco de hipoglicemia prolongada e de acidose láctica. |
Ajustar dose. Máximo de 1.000 mg/dia de metformina (2 comprimidos), somente na ausência de outros fatores de risco para acidose láctica. Monitorar função renal a cada 3 a 6 meses (TFGe 45–59) ou a cada 3 meses (TFGe 30–44).
Reavaliar. Ponderar a manutenção da metformina e o risco de hipoglicemia prolongada pela gliclazida.
Contraindicado. Interromper imediatamente pelo risco de acúmulo de metformina e acidose láctica.
Contraindicado. A gliclazida é metabolizada no fígado; a hepatopatia aumenta o risco de hipoglicemia prolongada e de acidose láctica.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| IdosoCautela | Ajustar metformina pela função renal | 1x/dia | Cautela. A queda da função renal é frequente e assintomática. Avaliar função renal 2 a 4 vezes por ano e atentar para hipoglicemia. |
Cautela. A queda da função renal é frequente e assintomática. Avaliar função renal 2 a 4 vezes por ano e atentar para hipoglicemia.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Tomada única diária pela manhã, junto com o café da manhã. Engolir o comprimido inteiro.
Verificar que o paciente está controlado com metformina e gliclazida separadas em doses equivalentes à associação.
Dosar creatinina e calcular TFGe antes de iniciar. Com TFGe 30–59, limitar a 1.000 mg/dia de metformina.
Todos os comprimidos do dia são tomados juntos, pela manhã, com o café da manhã.
Partir, triturar ou mastigar compromete a liberação prolongada dos dois componentes.
Omitir refeições ou reduzir a ingestão calórica aumenta o risco de hipoglicemia.
Aguardar pelo menos 1 mês entre aumentos; antecipar para 2 semanas apenas se a glicemia não tiver diminuído.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Oral | Via indicada | Comprimido de liberação prolongada para deglutição inteira, com o café da manhã. |
| SNG/SNE | Não usar | Formulação de liberação prolongada não deve ser triturada. Em pacientes com sonda, usar componentes isolados em formulações adequadas ou outra estratégia. |
| Sublingual | Não usar | Não se aplica. |
| Endovenosa | Não usar | Não existe apresentação parenteral. |
| Intramuscular | Não usar | Não se aplica. |
| Subcutânea | Não usar | Não se aplica. |
| Retal | Não usar | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não usar | Não se aplica. |
Comprimido de liberação prolongada para deglutição inteira, com o café da manhã.
Formulação de liberação prolongada não deve ser triturada. Em pacientes com sonda, usar componentes isolados em formulações adequadas ou outra estratégia.
Não se aplica.
Não existe apresentação parenteral.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Contraste intravenoso com TFGe ≥ 45: não é necessário suspender. Contraste intravenoso com TFGe < 45 ou intra-arterial com TFGe < 60: suspender 48 horas antes e reiniciar após 48 horas, se a função renal não piorou.
Suspender 48 horas antes de cirurgias eletivas de grande porte. Reiniciar após pelo menos 48 horas, desde que a função renal não tenha se deteriorado. Insulina pode ser necessária em febre, infecção, trauma ou cirurgia.
Sintomas leves: carboidratos por via oral (adoçantes não funcionam). Episódios graves ou prolongados exigem atendimento médico e podem requerer glicose contínua por vários dias, pois a hipoglicemia pode recorrer.
O revestimento do comprimido pode aparecer nas fezes. Orientar o paciente de que isso é esperado.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
A gliclazida pode causar hipoglicemia grave e prolongada, sobretudo com refeições irregulares, álcool, exercício extenuante ou disfunção renal ou hepática. A metformina pode acumular e causar acidose láctica em lesão renal aguda, hipóxia ou desidratação.
Uso não estudado na gestação. Ao planejar gravidez e durante a gestação, substituir por insulina.
Contraindicado durante a amamentação pelo risco de hipoglicemia no lactente.
TFGe 30–59: iniciar com 500 mg/dia de metformina e limitar a 1.000 mg/dia. TFGe < 45: reavaliar risco-benefício. TFGe < 30: contraindicado.
Contraindicado na insuficiência hepática pelo risco de hipoglicemia prolongada e de acidose láctica.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Reduz a produção hepática de glicose por inibição da gliconeogênese e da glicogenólise, aumenta a sensibilidade muscular à insulina e a captação periférica de glicose e retarda a absorção intestinal de glicose. Não estimula a secreção de insulina.
Sulfonilureia que inibe os canais de potássio sensíveis ao ATP das células beta por meio do receptor SUR1, despolarizando a membrana e aumentando a secreção de insulina. A formulação de liberação prolongada mantém concentrações estáveis ao longo do dia.
Na formulação XR, a metformina tem absorção retardada (Tmáx de cerca de 7 horas), ligação proteica desprezível, não é metabolizada e é eliminada inalterada pelos rins por filtração e secreção tubular.
A gliclazida é totalmente absorvida, com concentrações crescentes até a sexta hora e platô até a décima segunda hora. Liga-se cerca de 95% às proteínas, é metabolizada no fígado sem metabólitos ativos e tem meia-vida de aproximadamente 17,5 horas na associação; menos de 1% é eliminado inalterado na urina.
A eficácia da associação livre de metformina e gliclazida está estabelecida; a dose fixa busca reduzir o número de comprimidos e de tomadas diárias em pacientes já controlados.
O ganho de adesão deve ser ponderado frente ao risco de hipoglicemia da sulfonilureia, especialmente em idosos e na doença renal.
O miconazol sistêmico ou em gel oral potencializa intensamente a gliclazida e é contraindicado. Outros antidiabéticos, betabloqueadores, fluconazol, inibidores da ECA, antagonistas H2, IMAO, sulfonamidas, claritromicina, fenilbutazona e AINEs podem aumentar o efeito hipoglicemiante e exigem automonitoramento. Glicocorticoides, tetracosactida, agonistas beta-2, clorpromazina em altas doses, danazol e diuréticos elevam a glicemia. Meios de contraste iodados e fármacos que reduzem agudamente a função renal, como AINEs, inibidores da ECA, antagonistas da angiotensina II e diuréticos de alça, aumentam o risco de acúmulo de metformina e acidose láctica. Inibidores de OCT2, como cimetidina, dolutegravir, crizotinibe, olaparibe, daclatasvir e vandetanibe, podem elevar a concentração de metformina; verapamil pode reduzir sua eficácia e a rifampicina aumentá-la. Sulfonilureias podem potencializar a anticoagulação pela varfarina. O álcool aumenta o risco de acidose láctica e de hipoglicemia.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Merck S.A. Comprimidos de liberação prolongada de 500 mg + 30 mg; referência para indicação, posologia, função renal, contraste iodado, gravidez, lactação, interações e reações adversas.
Merck S.A. Referência complementar para a formulação de liberação prolongada da metformina.
Ministério da Saúde. Situação da metformina e da gliclazida como componentes isolados na assistência farmacêutica do SUS.
Posicionamento das sulfonilureias, com preferência pela gliclazida pelo menor risco de hipoglicemia, em associação com metformina.
American Diabetes Association. Referência complementar sobre sulfonilureias, hipoglicemia e uso da metformina na doença renal.
Classificação internacional das associações de metformina e sulfonilureias.