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Bulário clínico · Antimicrobiano

Cloridrato de Cefepima

Cefalosporina parenteral de quarta geração, ativa contra Gram-negativos incluindo Pseudomonas aeruginosa e Enterobacterales produtores de AmpC, e contra estreptococos e Staphylococcus aureus sensível à oxacilina. Base do tratamento empírico de neutropenia febril e infecções hospitalares, com ajuste renal obrigatório pelo risco de neurotoxicidade.

Cefalosporina 4ª geraçãoAntipseudomonasEV · IMAjuste renalUso hospitalarReceita com retenção

Revisado em pela equipe MedFoco

Encefalopatia e convulsões por acúmulo na disfunção renal

Confusão, alucinações, torpor, coma, mioclonia, convulsões e estado de mal não convulsivo foram relatados, principalmente em pacientes com disfunção renal (incluindo idosos) que receberam doses acima das recomendadas. Ajuste a manutenção pela depuração de creatinina e suspeite de neurotoxicidade diante de alteração do nível de consciência.

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Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a cefepima?

A cefepima é uma cefalosporina bactericida de quarta geração, de uso parenteral. Sua estrutura zwitteriônica favorece a penetração na membrana externa de Gram-negativos e confere maior estabilidade a beta-lactamases cromossômicas do tipo AmpC, mantendo atividade contra Gram-positivos sensíveis. É amplamente usada em infecções hospitalares e no tratamento empírico da neutropenia febril.

ViasEV · IM
Faixa etária≥ 2 meses a idoso
SUSFora da RENAME 2024
ReceitaAntimicrobiano · 2 vias

Composição e papel de cada componente1 ativos

Cefepima

Liga-se às proteínas ligadoras de penicilina, inibindo a síntese da parede celular. Penetra rapidamente em Gram-negativos e tem baixa afinidade por beta-lactamases cromossômicas. Atividade tempo-dependente.

Cefalosporina de 4ª geração

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Tratamento empírico da neutropenia febril (monoterapia em pacientes sem alto risco).
  • Infecções do trato respiratório inferior, incluindo pneumonia hospitalar.
  • Infecções do trato urinário complicadas e não complicadas, incluindo pielonefrite.
  • Infecções intra-abdominais, incluindo peritonite e infecções do trato biliar, em associação com anaerobicida.
  • Infecções de pele e estruturas cutâneas, ginecológicas e septicemia.
  • Meningite bacteriana em pediatria (> 2 meses).
  • Profilaxia cirúrgica em cirurgia de cólon e reto, associada a metronidazol.
Não indicado
  • Hipersensibilidade a cefepima, outras cefalosporinas, penicilinas ou outros beta-lactâmicos.
  • Infecções por enterococos, MRSA ou anaeróbios como cobertura isolada.
  • Enterobacterales produtoras de carbapenemases.
  • Infecções por ESBL como terapia definitiva preferencial.
  • Administração por vias não recomendadas (somente EV ou IM).

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis4 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Cefepima 1 gPó para solução injetávelCefepima (como cloridrato) 1 gArginina 725 mgFrasco-ampola de 1 g sem diluente; embalagens unitárias ou hospitalares (até 50 unidades).
UnifepimClocef
Cefepima 1 gCom diluentePó para solução injetávelCefepima (como cloridrato) 1 gArginina 725 mgDiluente 3 mLFrasco-ampola de 1 g acompanhado de ampola de diluente de 3 mL.
Unifepim
Cefepima 2 gPó para solução injetávelCefepima (como cloridrato) 2 gArginina 1,45 gFrasco-ampola de 2 g sem diluente; embalagens unitárias ou hospitalares (10 a 50 unidades).
UnifepimClocef
Cefepima 500 mgCirculação restritaPó para solução injetávelCefepima (como cloridrato) 500 mgDiluente 1,5 mLFrasco-ampola de 500 mg com ampola de diluente de 1,5 mL. Apresentação com registro ativo, de circulação restrita.
Unifepim
Cefepima 1 gPó para solução injetável
Concentração / composição
Cefepima (como cloridrato) 1 gArginina 725 mg
EmbalagemFrasco-ampola de 1 g sem diluente; embalagens unitárias ou hospitalares (até 50 unidades).
Nomes comerciais
UnifepimClocef
Cefepima 1 gPó para solução injetável
Com diluente
Concentração / composição
Cefepima (como cloridrato) 1 gArginina 725 mgDiluente 3 mL
EmbalagemFrasco-ampola de 1 g acompanhado de ampola de diluente de 3 mL.
Nomes comerciais
Unifepim
Cefepima 2 gPó para solução injetável
Concentração / composição
Cefepima (como cloridrato) 2 gArginina 1,45 g
EmbalagemFrasco-ampola de 2 g sem diluente; embalagens unitárias ou hospitalares (10 a 50 unidades).
Nomes comerciais
UnifepimClocef
Cefepima 500 mgPó para solução injetável
Circulação restrita
Concentração / composição
Cefepima (como cloridrato) 500 mgDiluente 1,5 mL
EmbalagemFrasco-ampola de 500 mg com ampola de diluente de 1,5 mL. Apresentação com registro ativo, de circulação restrita.
Nomes comerciais
Unifepim
Atenção

Genéricos amplamente disponíveis

Cloridrato de cefepima 1 g e 2 g é comercializado como genérico por diversos fabricantes, em geral em embalagens hospitalares sem diluente. A marca de referência histórica não está mais registrada no país.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Adulto1–2 g 12/12 h

Conforme gravidade, com função renal normal.

Grave / neutropenia2 g 8/8 h

Dose máxima recomendada.

Pediatria50 mg/kg

12/12 h ou 8/8 h; > 2 meses e ≤ 40 kg.

Duração7–10 dias

Neutropenia febril: ≥ 7 dias ou até resolução.

Esquemas por população3 grupos

Adulto e criança > 40 kg

Via endovenosa ou intramuscular2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual1 g12/12 h7 a 10 diasInfecções leves a moderadas fora do trato urinário, com função renal normal.
ITU leve a moderada500 mg a 1 g12/12 h7 a 10 diasInclui pielonefrite não grave.
Dose usual
1 g12/12 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Infecções leves a moderadas fora do trato urinário, com função renal normal.

ITU leve a moderada
500 mg a 1 g12/12 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Inclui pielonefrite não grave.

Via endovenosa4 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Infecção grave2 g12/12 h7 a 10 dias ou maisEx.: pneumonia grave, ITU complicada grave, infecção intra-abdominal (associar metronidazol).
Infecção muito grave ou com risco de morte2 g8/8 hConforme evoluçãoDose máxima. Inclui suspeita de Pseudomonas aeruginosa, choque e meningite.
Neutropenia febril (empírico)2 g8/8 hPelo menos 7 dias ou até resolução da neutropeniaEm alto risco (transplante de medula recente, hipotensão, neoplasia hematológica, neutropenia grave e prolongada), a monoterapia pode não ser apropriada.
Profilaxia em cirurgia de cólon e reto2 g, em infusão de 30 minDose única, 60 min antes da incisãoRepetir após 12 h se a cirurgia se prolongarSeguida imediatamente de metronidazol 500 mg EV, em equipo separado ou após lavagem da linha.
Infecção grave
2 g12/12 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias ou mais
Observações

Ex.: pneumonia grave, ITU complicada grave, infecção intra-abdominal (associar metronidazol).

Infecção muito grave ou com risco de morte
2 g8/8 h
Detalhes
DuraçãoConforme evolução
Observações

Dose máxima. Inclui suspeita de Pseudomonas aeruginosa, choque e meningite.

Neutropenia febril (empírico)
2 g8/8 h
Detalhes
DuraçãoPelo menos 7 dias ou até resolução da neutropenia
Observações

Em alto risco (transplante de medula recente, hipotensão, neoplasia hematológica, neutropenia grave e prolongada), a monoterapia pode não ser apropriada.

Profilaxia em cirurgia de cólon e reto
2 g, em infusão de 30 minDose única, 60 min antes da incisão
Detalhes
DuraçãoRepetir após 12 h se a cirurgia se prolongar
Observações

Seguida imediatamente de metronidazol 500 mg EV, em equipo separado ou após lavagem da linha.

Pediatria

Via endovenosa7 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual — > 2 meses e ≤ 40 kg50 mg/kg/dose12/12 h10 diasPneumonia, ITU, pele e estruturas cutâneas. Em infecções mais graves, usar intervalo de 8/8 h. Máximo 2 g/dose.
Septicemia, meningite ou neutropenia febril50 mg/kg/dose8/8 h7 a 10 diasCrianças > 2 meses e ≤ 40 kg. Não exceder 2 g de 8/8 h. Também usado em infecções por Pseudomonas e exacerbação de fibrose cística.
Lactente de 1 a 2 meses30 mg/kg/dose8/8 h ou 12/12 hConforme focoExperiência limitada; administração cuidadosamente monitorada. Algumas marcas contraindicam o uso abaixo de 2 meses.
Neonato ≤ 28 dias e ≤ 2 kg30 mg/kg/dose12/12 hConforme indicação neonatalEsquema de referências neonatais, fora da faixa etária aprovada em bula. Diluir para até 40 mg/mL.
Neonato ≤ 28 dias e > 2 kg50 mg/kg/dose12/12 hConforme indicação neonatalEsquema de referências neonatais, fora da faixa etária aprovada em bula.
Lactente > 28 dias (qualquer peso)50 mg/kg/dose8/8 hConforme focoEsquema de referências neonatais para prematuros e lactentes jovens; confirmar com protocolo da unidade.
Infusão estendida (pediatria)50 mg/kg/dose8/8 h, infundida em 3 a 4 hConforme focoPara pacientes graves ou patógenos com CIM elevada, conforme protocolo institucional.
Dose usual — > 2 meses e ≤ 40 kg
50 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
Duração10 dias
Observações

Pneumonia, ITU, pele e estruturas cutâneas. Em infecções mais graves, usar intervalo de 8/8 h. Máximo 2 g/dose.

Septicemia, meningite ou neutropenia febril
50 mg/kg/dose8/8 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Crianças > 2 meses e ≤ 40 kg. Não exceder 2 g de 8/8 h. Também usado em infecções por Pseudomonas e exacerbação de fibrose cística.

Lactente de 1 a 2 meses
30 mg/kg/dose8/8 h ou 12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco
Observações

Experiência limitada; administração cuidadosamente monitorada. Algumas marcas contraindicam o uso abaixo de 2 meses.

Neonato ≤ 28 dias e ≤ 2 kg
30 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme indicação neonatal
Observações

Esquema de referências neonatais, fora da faixa etária aprovada em bula. Diluir para até 40 mg/mL.

Neonato ≤ 28 dias e > 2 kg
50 mg/kg/dose12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme indicação neonatal
Observações

Esquema de referências neonatais, fora da faixa etária aprovada em bula.

Lactente > 28 dias (qualquer peso)
50 mg/kg/dose8/8 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco
Observações

Esquema de referências neonatais para prematuros e lactentes jovens; confirmar com protocolo da unidade.

Infusão estendida (pediatria)
50 mg/kg/dose8/8 h, infundida em 3 a 4 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco
Observações

Para pacientes graves ou patógenos com CIM elevada, conforme protocolo institucional.

Via endovenosa ou intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Criança > 40 kgDoses do adultoConforme gravidade7 a 10 diasA experiência com IM em pediatria é limitada.
Criança > 40 kg
Doses do adultoConforme gravidade
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

A experiência com IM em pediatria é limitada.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria B

Usar se claramente necessário

Estudos de reprodução em camundongos, ratos e coelhos sem dano fetal; não há estudos controlados em gestantes.

Lactação

Compatível

Manter a amamentação, com cautela e observação do lactente

Excretada no leite em concentrações muito baixas. Observar diarreia, candidíase ou exantema no lactente.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ClCr > 50 mL/minSem ajusteDose usual2 g 8/8 h · 2 g 12/12 h · 1 g 12/12 h · 500 mg 12/12 hSem ajuste. Referência para escolher a coluna de ajuste. A primeira dose é sempre a usual.
ClCr 30 a 50 mL/minAjustar dose2 g 12/12 h · 2 g 24/24 h · 1 g 24/24 h · 500 mg 24/24 hCorrespondente ao esquema usual na mesma ordemAjustar dose. Ex.: esquema usual de 2 g 8/8 h passa a 2 g 12/12 h.
ClCr 11 a 29 mL/minAjustar dose2 g 24/24 h · 1 g 24/24 h · 500 mg 24/24 h · 500 mg 24/24 hCorrespondente ao esquema usual na mesma ordemAjustar dose. Ex.: esquema usual de 2 g 8/8 h passa a 2 g 24/24 h.
ClCr ≤ 10 mL/minAjustar dose1 g 24/24 h · 500 mg 24/24 h · 250 mg 24/24 h · 250 mg 24/24 hCorrespondente ao esquema usual na mesma ordemAjustar dose. Alto risco de neurotoxicidade: vigilância neurológica estreita.
Hemodiálise intermitenteDose pós-diáliseAtaque de 1 g no 1º dia; depois 500 mg24/24 h, após a diálise nos dias de sessãoDose pós-diálise. Na neutropenia febril, manutenção de 1 g/dia. Cerca de 68% é removido em 3 horas de diálise. Administrar no mesmo horário diariamente.
Diálise peritoneal ambulatorial contínuaAjustar intervalo500 mg, 1 g ou 2 g conforme gravidade48/48 hAjustar intervalo. Mesma dose da função renal normal, com intervalo ampliado.
Insuficiência hepáticaSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicação e função renalSem ajuste. Metabolismo hepático mínimo.
Criança com disfunção renalAjustar doseMesmas reduções proporcionais do adultoConforme ClCrAjustar dose. Estimar a depuração pela fórmula de Schwartz (0,55 × altura em cm ÷ creatinina sérica).
ClCr > 50 mL/minSem ajuste
Dose usual
Frequência2 g 8/8 h · 2 g 12/12 h · 1 g 12/12 h · 500 mg 12/12 h
Observações

Sem ajuste. Referência para escolher a coluna de ajuste. A primeira dose é sempre a usual.

ClCr 30 a 50 mL/minAjustar dose
2 g 12/12 h · 2 g 24/24 h · 1 g 24/24 h · 500 mg 24/24 h
FrequênciaCorrespondente ao esquema usual na mesma ordem
Observações

Ajustar dose. Ex.: esquema usual de 2 g 8/8 h passa a 2 g 12/12 h.

ClCr 11 a 29 mL/minAjustar dose
2 g 24/24 h · 1 g 24/24 h · 500 mg 24/24 h · 500 mg 24/24 h
FrequênciaCorrespondente ao esquema usual na mesma ordem
Observações

Ajustar dose. Ex.: esquema usual de 2 g 8/8 h passa a 2 g 24/24 h.

ClCr ≤ 10 mL/minAjustar dose
1 g 24/24 h · 500 mg 24/24 h · 250 mg 24/24 h · 250 mg 24/24 h
FrequênciaCorrespondente ao esquema usual na mesma ordem
Observações

Ajustar dose. Alto risco de neurotoxicidade: vigilância neurológica estreita.

Hemodiálise intermitenteDose pós-diálise
Ataque de 1 g no 1º dia; depois 500 mg
Frequência24/24 h, após a diálise nos dias de sessão
Observações

Dose pós-diálise. Na neutropenia febril, manutenção de 1 g/dia. Cerca de 68% é removido em 3 horas de diálise. Administrar no mesmo horário diariamente.

Diálise peritoneal ambulatorial contínuaAjustar intervalo
500 mg, 1 g ou 2 g conforme gravidade
Frequência48/48 h
Observações

Ajustar intervalo. Mesma dose da função renal normal, com intervalo ampliado.

Insuficiência hepáticaSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação e função renal
Observações

Sem ajuste. Metabolismo hepático mínimo.

Criança com disfunção renalAjustar dose
Mesmas reduções proporcionais do adulto
FrequênciaConforme ClCr
Observações

Ajustar dose. Estimar a depuração pela fórmula de Schwartz (0,55 × altura em cm ÷ creatinina sérica).

Outras populações

Não há ajuste posológico específicoIdoso

Encefalopatia, mioclonia e convulsões ocorreram em idosos com insuficiência renal recebendo doses usuais não ajustadas.

Modelos de prescrição2 modelos

Adulto · 1 g de 12/12 hVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · > 2 meses e ≤ 40 kgVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSF 0,9% · SG 5% · SF 0,9% + SG 5% · Ringer lactato
Via principalEndovenosa

Infusão EV em cerca de 30 minutos ou injeção EV direta em 3–5 minutos. A via EV é a preferencial em infecções graves ou com risco de choque. A via IM é opção para 1 g em infecções leves a moderadas.

ReconstituiçãoEV: 10 mL · IM: 3 mL

Usar água para injetáveis, SF 0,9% ou SG 5%. Agitar em movimentos circulares; se formar espuma, deixar em repouso por cerca de 15 minutos. A solução pode escurecer sem perda de potência.

Técnica de aplicação6 passos

1
Defina a dose pela gravidade e pela função renal

Escolher o esquema usual (500 mg a 2 g de 12/12 h ou 2 g de 8/8 h) e, se ClCr ≤ 50 mL/min, aplicar a coluna de ajuste correspondente.

2
Reconstitua

EV: 10 mL por frasco de 1 g (≈ 90 mg/mL) ou 2 g (≈ 160 mg/mL). IM: 3 mL para 1 g (≈ 238 mg/mL).

3
Dilua para infusão

Adicionar a solução reconstituída a 100 mL de diluente compatível no adulto; em pediatria, concentração máxima de cerca de 40 mg/mL.

4
Infunda

Infusão em cerca de 30 minutos ou EV direta em 3–5 minutos. Infusão estendida (3–4 h) pode ser usada em protocolos para pacientes críticos.

5
IM em grande massa muscular

Injeção IM profunda no quadrante superior externo do glúteo; não injetar mais de 1 g por glúteo.

6
Não misture na mesma solução

Incompatível com metronidazol, vancomicina, gentamicina, tobramicina e netilmicina. Administrar separadamente e lavar a linha entre os fármacos.

Diluições e preparo5 preparos

Infusão intermitente adulto

Administração EV padrão

10–20 mg/mL

1 ou 2 g reconstituídos em 10 mL e diluídos em 100 mL.

  1. Reconstituir o frasco com 10 mL de água para injetáveis, SF 0,9% ou SG 5%.
  2. Transferir para 100 mL de SF 0,9%, SG 5%, SF 0,9% + SG 5% ou Ringer lactato.
  3. Homogeneizar e inspecionar a solução.
Volume final≈ 110 mL
DiluenteSF 0,9%, SG 5%, SF + SG 5% ou Ringer lactato
Tempo / modo≈ 30 minutos
Estabilidade12 horas em temperatura ambiente (15–30 °C) ou 3 dias sob refrigeração (2–8 °C)

Não adicionar metronidazol, vancomicina ou aminoglicosídeos à mesma bolsa.

Infusão intermitente adultoAdministração EV padrão10–20 mg/mL

1 ou 2 g reconstituídos em 10 mL e diluídos em 100 mL.

  1. Reconstituir o frasco com 10 mL de água para injetáveis, SF 0,9% ou SG 5%.
  2. Transferir para 100 mL de SF 0,9%, SG 5%, SF 0,9% + SG 5% ou Ringer lactato.
  3. Homogeneizar e inspecionar a solução.
Volume final≈ 110 mL
DiluenteSF 0,9%, SG 5%, SF + SG 5% ou Ringer lactato
Tempo / modo≈ 30 minutos
Estabilidade12 horas em temperatura ambiente (15–30 °C) ou 3 dias sob refrigeração (2–8 °C)

Não adicionar metronidazol, vancomicina ou aminoglicosídeos à mesma bolsa.

Infusão estendida

Pacientes críticos ou patógenos com CIM elevada

Até 40 mg/mL

Mesma dose diluída em 100 mL, infundida em 3–4 horas a cada 8 horas.

  1. Preparar como na infusão intermitente.
  2. Programar bomba de infusão para 3–4 horas.
DiluenteSF 0,9% ou SG 5%
Tempo / modo3–4 horas
EstabilidadeDentro das 12 horas em temperatura ambiente após o preparo

Estratégia farmacodinâmica de protocolos institucionais, não descrita em bula.

Infusão estendidaPacientes críticos ou patógenos com CIM elevadaAté 40 mg/mL

Mesma dose diluída em 100 mL, infundida em 3–4 horas a cada 8 horas.

  1. Preparar como na infusão intermitente.
  2. Programar bomba de infusão para 3–4 horas.
DiluenteSF 0,9% ou SG 5%
Tempo / modo3–4 horas
EstabilidadeDentro das 12 horas em temperatura ambiente após o preparo

Estratégia farmacodinâmica de protocolos institucionais, não descrita em bula.

Diluição pediátrica

Doses por peso

≤ 40 mg/mL

Reconstituir 1 g em 10 mL (≈ 100 mg/mL) e rediluir em SF 0,9% ou SG 5% até 40 mg/mL.

  1. Reconstituir com 10 mL de água para injetáveis.
  2. Aspirar o volume correspondente à dose.
  3. Completar com SF 0,9% para concentração ≤ 40 mg/mL.
DiluenteSF 0,9% ou SG 5%
Tempo / modo30 minutos
Diluição pediátricaDoses por peso≤ 40 mg/mL

Reconstituir 1 g em 10 mL (≈ 100 mg/mL) e rediluir em SF 0,9% ou SG 5% até 40 mg/mL.

  1. Reconstituir com 10 mL de água para injetáveis.
  2. Aspirar o volume correspondente à dose.
  3. Completar com SF 0,9% para concentração ≤ 40 mg/mL.
DiluenteSF 0,9% ou SG 5%
Tempo / modo30 minutos

EV direta

Infecções graves, inclusive no choque

≈ 90 mg/mL (1 g) ou ≈ 160 mg/mL (2 g)

Frasco reconstituído com 10 mL.

  1. Reconstituir com 10 mL de água para injetáveis, SF 0,9% ou SG 5%.
  2. Injetar diretamente na veia ou no equipo de solução compatível.
Tempo / modo3–5 minutos
EV diretaInfecções graves, inclusive no choque≈ 90 mg/mL (1 g) ou ≈ 160 mg/mL (2 g)

Frasco reconstituído com 10 mL.

  1. Reconstituir com 10 mL de água para injetáveis, SF 0,9% ou SG 5%.
  2. Injetar diretamente na veia ou no equipo de solução compatível.
Tempo / modo3–5 minutos

Intramuscular

Infecções leves a moderadas, 1 g

≈ 238 mg/mL

1 g em 3 mL de água para injetáveis, SF 0,9% ou SG 5%.

  1. Reconstituir com 3 mL (volume final ≈ 4,2 mL).
  2. Aplicar IM profunda no glúteo.
Estabilidade12 horas em temperatura ambiente ou 3 dias sob refrigeração

Não exceder 1 g por glúteo.

IntramuscularInfecções leves a moderadas, 1 g≈ 238 mg/mL

1 g em 3 mL de água para injetáveis, SF 0,9% ou SG 5%.

  1. Reconstituir com 3 mL (volume final ≈ 4,2 mL).
  2. Aplicar IM profunda no glúteo.
Estabilidade12 horas em temperatura ambiente ou 3 dias sob refrigeração

Não exceder 1 g por glúteo.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaInfusão em 30 minutos, EV direta em 3–5 minutos ou infusão estendida conforme protocolo. Preferencial em infecções graves.
IntramuscularVia indicadaIM profunda para doses de até 1 g por glúteo; experiência limitada em pediatria.
SubcutâneaFora da bulaHipodermóclise (1–2 g de 12/12 ou 8/8 h, diluída) é descrita em consensos de cuidados paliativos e geriatria, mas não consta em bula.
OralNão se aplicaNão é absorvida por via oral.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão há formulação tópica.
SNG/SNENão se aplicaMedicamento exclusivamente parenteral.
EndovenosaVia indicada
Observações

Infusão em 30 minutos, EV direta em 3–5 minutos ou infusão estendida conforme protocolo. Preferencial em infecções graves.

IntramuscularVia indicada
Observações

IM profunda para doses de até 1 g por glúteo; experiência limitada em pediatria.

SubcutâneaFora da bula
Observações

Hipodermóclise (1–2 g de 12/12 ou 8/8 h, diluída) é descrita em consensos de cuidados paliativos e geriatria, mas não consta em bula.

OralNão se aplica
Observações

Não é absorvida por via oral.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não há formulação tópica.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Medicamento exclusivamente parenteral.

Situações especiais

Neurotoxicidade

Pense na cefepima diante de encefalopatia

Confusão, mioclonia, convulsões ou estado de mal não convulsivo em paciente com disfunção renal sugerem acúmulo. Suspender, considerar EEG e hemodiálise, que remove o fármaco.

Profilaxia colorretal

Cefepima e metronidazol em sequência

Infundir 2 g de cefepima em 30 minutos, 60 minutos antes da incisão, seguidos de metronidazol 500 mg. Não misturar no mesmo recipiente; lavar o equipo entre os dois.

Infusão estendida

Otimização farmacodinâmica

Por ser tempo-dependente, infusões de 3–4 horas aumentam o tempo acima da CIM e são usadas em pacientes críticos ou com Pseudomonas de CIM elevada.

Fibrose cística

Erradicação nem sempre alcançada

Há melhora clínica nas exacerbações pulmonares, mas a terapia pode não erradicar o patógeno; a farmacocinética não exige ajuste específico nessa população.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Ajuste renal é a principal medida de segurança

Concentrações altas e prolongadas ocorrem com doses usuais em disfunção renal. A maioria dos casos de encefalopatia, mioclonia e convulsões ocorreu com doses acima das recomendadas, alguns com desfecho fatal. Recalcular a depuração de creatinina sempre que a função renal mudar.

Contraindicações5 itens

  • Hipersensibilidade prévia à cefepima ou a qualquer componente da formulação, incluindo a arginina.
  • Hipersensibilidade a antibióticos da classe das cefalosporinas.
  • Hipersensibilidade a penicilinas ou a outros antibióticos beta-lactâmicos.
  • Uso por vias não recomendadas (somente EV ou IM).
  • Menores de 2 meses para marcas cuja bula restringe o uso a partir dessa idade.

Populações especiais

Gestação

Categoria B

Sem evidência de dano fetal em estudos de reprodução animal; não há estudos controlados em gestantes. Usar durante a gravidez somente se claramente necessário.

Lactação

Compatível

Excretada no leite em concentrações muito baixas. Uso compatível com a amamentação, com cautela e observação do lactente para alterações intestinais e candidíase.

Função renal

Ajuste obrigatório

Primeira dose usual e manutenção reduzida quando ClCr ≤ 50 mL/min. Em hemodiálise, ataque de 1 g e 500 mg/dia após a sessão; na diálise peritoneal contínua, dose habitual a cada 48 h.

Função hepática

Sem ajuste específico

A farmacocinética não se altera de forma relevante na disfunção hepática; não é necessário ajuste.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Nível de consciência, mioclonia e convulsões, sobretudo em idosos e renais crônicos.
  • Sinais de hipersensibilidade nas primeiras doses.
  • Diarreia durante o tratamento e até 2 meses após.
  • Flebite no local de infusão.
  • Resposta clínica e evolução da febre.
Sinais de alerta
  • Creatinina e depuração estimada antes e durante o tratamento.
  • Função renal com uso concomitante de aminoglicosídeos ou diuréticos potentes.
  • Hemograma e coagulograma (TP e TTPa) em tratamentos prolongados ou desnutridos.
  • Enzimas hepáticas quando clinicamente indicado.
  • EEG se houver alteração do nível de consciência inexplicada.

Eventos adversos

Comuns1% a 10%
Reações no local da infusão (5,2%), incluindo flebite (2,9%)Dor ou inflamação no local da injeção IM (2,6%)Erupções cutâneas (1,8%)Diarreia (1,2%)Elevação de ALT, AST, fosfatase alcalina e bilirrubina; TP e TTPa prolongados; anemia e eosinofiliaTeste de Coombs positivo sem hemólise
Incomuns0,1% a 1%
Prurido e urticáriaNáusea, vômito e candidíase oralColite, inclusive pseudomembranosaCefaleia, febre, vaginite e eritemaElevação transitória de ureia e creatinina e trombocitopenia
Raros0,01% a 0,1%
Dor abdominal e constipaçãoVasodilatação e dispneiaTontura, parestesia e alteração do paladarCalafrios, prurido genital e candidíase
GravesMuito raros ou pós-comercialização
Encefalopatia (confusão, alucinações, torpor, coma), mioclonia e convulsões, incluindo estado de mal não convulsivoAnafilaxiaSíndrome de Stevens-Johnson, eritema multiforme e necrólise epidérmica tóxicaInsuficiência renal, anemia aplásica ou hemolítica e hemorragia

Advertências

  • Ajustar a dose de manutenção em ClCr ≤ 50 mL/min ou em condições que comprometam a função renal.
  • Investigar hipersensibilidade prévia a cefepima, cefalosporinas, penicilinas e outros fármacos; hipersensibilidade cruzada pode ocorrer em até 10% dos pacientes com alergia a penicilina.
  • Reações graves de hipersensibilidade podem exigir epinefrina, oxigênio, corticosteroides e suporte de vias aéreas.
  • Diarreia associada a C. difficile pode ocorrer até 2 meses após o uso; suspender se suspeita ou confirmada.
  • O uso prolongado pode levar a supercrescimento de organismos não sensíveis.
  • Pode causar alteração do estado de consciência, tontura, confusão ou alucinações, prejudicando a capacidade de dirigir ou operar máquinas.
  • A diálise peritoneal não é eficaz para remover a cefepima na superdose; preferir hemodiálise.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Cefepima

Cefalosporina bactericida que inibe a síntese da parede celular por ligação às proteínas ligadoras de penicilina. A estrutura zwitteriônica permite penetração rápida pelas porinas de Gram-negativos, e a baixa afinidade por beta-lactamases cromossômicas (AmpC) amplia a atividade contra Enterobacter, Citrobacter e Serratia. Mantém atividade contra estreptococos e estafilococos sensíveis à oxacilina.

Farmacocinética

Distribuição ampla e baixa ligação proteica

A absorção IM é rápida e completa. O volume de distribuição é de cerca de 0,26 L/kg, e a ligação às proteínas séricas é de cerca de 16%, independente da concentração.

Atinge concentrações terapêuticas em urina, bile, líquido peritoneal, secreção brônquica e, com meninges inflamadas, no líquor. Não houve acúmulo com 2 g de 8/8 h por 9 dias em indivíduos sadios.

Ligação proteica ≈ 16%Vd ≈ 0,26 L/kgTempo-dependente
Eliminação

Predominantemente renal

A meia-vida é de cerca de 2 horas e independe da dose entre 250 mg e 2 g. Cerca de 85% é excretado inalterado na urina, por filtração glomerular; o metabolismo a N-metilpirrolidina e seu N-óxido é mínimo.

Idosos apresentam maior AUC e menor depuração renal. A hemodiálise remove cerca de 68% em 3 horas.

Meia-vida ≈ 2 h85% inalterada na urinaDialisável

Interações medicamentosas

O cuidado principal é a nefrotoxicidade aditiva: com aminoglicosídeos em doses altas, como amicacina e gentamicina, monitorar a função renal pelo aumento do potencial nefrotóxico e ototóxico; nefrotoxicidade também foi descrita com outras cefalosporinas associadas a diuréticos potentes, como a furosemida. Qualquer fármaco que reduza a depuração renal aumenta a exposição à cefepima e o risco de neurotoxicidade. No preparo, é física e quimicamente incompatível com metronidazol, vancomicina, gentamicina, tobramicina e netilmicina na mesma solução; quando associados, administrar separadamente. Em exames laboratoriais, pode causar falso-positivo para glicosúria nos métodos de redução do cobre (Benedict, Fehling, Clinitest), sem interferir nos testes enzimáticos, e positivar o teste de Coombs sem hemólise.

Informação regulatória

SUSFora da RENAME 2024A cefepima não integra a RENAME 2024; o acesso no SUS se dá pela padronização hospitalar. Classificação AWaRe da OMS: Watch (Alerta).
GenéricoDisponívelCloridrato de cefepima 1 g e 2 g é registrado como genérico por diversos fabricantes.
ATCJ01DE01WHO ATC/DDD: cefalosporina de quarta geração para uso sistêmico. DDD parenteral: 4 g.

Receituário

Tipo de receitaAntimicrobiano
Número de vias2 vias
Retenção2ª via
Validade10 dias

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Cloridrato de cefepima — pó para solução injetável 1 g e 2 g

Fresenius Kabi Brasil (genérico). Bula profissional: indicações, posologia adulta e pediátrica, tabela de ajuste renal, diálise, preparo, estabilidade, compatibilidade e reações adversas.

2024
02
Bula profissional

Unifepim® — cloridrato de cefepima

União Química Farmacêutica Nacional. Registro ativo com apresentações de 500 mg, 1 g e 2 g.

2025
03
Bula profissional

Clocef® — cloridrato de cefepima

Laboratório Teuto Brasileiro. Apresentações de 1 g e 2 g.

2024
04
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais; cefepima não consta na relação.

2025
05
Classificação

ATC/DDD Index — J01DE01

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Cefepime: J01DE01; DDD parenteral de 4 g.

2026
06
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de antimicrobianos.

2021
07
Referência pediátrica

Doses neonatais e pediátricas de cefepima

Compêndios pediátricos e neonatais de referência para esquemas por peso e idade pós-natal e infusão estendida.

2025
08
Revisão

Neurotoxicidade associada à cefepima

Revisões sistemáticas sobre encefalopatia, estado de mal não convulsivo e fatores de risco relacionados à disfunção renal e ao ajuste inadequado de dose.

2017
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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