Gestação
Categoria BEvitar; usar somente se indispensável
Atravessa a placenta. Sem malformações ou toxicidade fetal em animais, mas a segurança na gestação humana não foi estabelecida e a bula recomenda não utilizar.
Cefalosporina parenteral de terceira geração, com boa atividade contra enterobactérias comunitárias, H. influenzae, N. meningitidis e S. pneumoniae e penetração no sistema nervoso central, muito utilizada em neonatologia e pediatria, sem atividade antipseudomonas.
Revisado em pela equipe MedFoco
A solução preparada com lidocaína 1% nunca deve ser administrada por via EV e é contraindicada em crianças abaixo de 30 meses, bloqueio cardíaco sem marca-passo, insuficiência cardíaca grave e alergia a anestésicos locais do tipo amida.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
A cefotaxima é uma cefalosporina bactericida de terceira geração, de uso parenteral, ativa contra Gram-positivos e Gram-negativos. É metabolizada parcialmente no fígado em desacetilcefotaxima, metabólito ativo e sinérgico, e tem papel destacado em neonatologia por não deslocar a bilirrubina da albumina de forma relevante, ao contrário da ceftriaxona.
Betalactâmico bactericida que se liga às proteínas ligadoras de penicilina e inibe a transpeptidação do peptidoglicano; estável a muitas betalactamases de Gram-negativos.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Cefotaxima 500 mgRENAME 2024 | Pó para solução injetável | 500 mg | Frasco-ampola; caixa com 50 frascos-ampola. | Cetazima |
| Cefotaxima 1 g | Pó para solução injetável | 1 g | Frasco-ampola sem diluente; embalagens hospitalares de 20, 50 ou 100 frascos-ampola, conforme fabricante. | CetazimaClafordil |
| Cefotaxima 1 g | Pó liofilizado para solução injetável | Cefotaxima (como cefotaxima sódica 1.048,3 mg) 1 gDiluente (água para injetáveis) 5 mL | Frasco-ampola acompanhado de ampola de diluente de 5 mL; embalagem com 20 unidades. | Clafordil |
Existem frascos de 500 mg e de 1 g. Após reconstituição com 2 mL ou 4 mL, respectivamente, ambos ficam com cerca de 215 mg/mL; confirme o frasco antes de aspirar a dose.
Dose, frequência e duração por população.
Até 6–12 g/dia nas infecções graves.
Em intervalos de 6 a 12 h; 150–200 mg/kg/dia se risco de vida.
12/12 h na 1ª semana; 8/8 h de 1 a 4 semanas.
Hemodiálise: 1–2 g/dia, após a sessão.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 1 a 2 g | 12/12 h | Até 48–72 h após defervescência ou erradicação bacteriana | Infecções com vários patógenos de suscetibilidade alta a média (2 a 4 g/dia). Preferir EV se dose diária > 2 g. |
| Profilaxia cirúrgica | 1 a 2 g | 30 a 60 minutos antes da cirurgia | Dose única; repetir conforme risco | A mesma dose pode ser repetida conforme o risco infeccioso e a duração do procedimento. |
Infecções com vários patógenos de suscetibilidade alta a média (2 a 4 g/dia). Preferir EV se dose diária > 2 g.
A mesma dose pode ser repetida conforme o risco infeccioso e a duração do procedimento.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Infecção típica por patógeno sensível | 1 g | 12/12 h | Até 48–72 h após defervescência | Dose diária de 2 g. |
Dose diária de 2 g.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Infecção grave com risco de vida | 2 a 3 g | A cada 6 a 8 h | Conforme foco e resposta clínica | Dose diária de 6 a 12 g; acima de 4 g/dia, via EV obrigatória. Inclui meningite e infecção não localizada. |
Dose diária de 6 a 12 g; acima de 4 g/dia, via EV obrigatória. Inclui meningite e infecção não localizada.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Gonorreia | 500 mg | Dose única | Dose única | Germes menos sensíveis exigem dose maior. Rastrear sífilis antes de tratar. Conferir protocolos atuais de IST. |
Germes menos sensíveis exigem dose maior. Rastrear sífilis antes de tratar. Conferir protocolos atuais de IST.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 50 a 100 mg/kg/dia | Dividir a cada 6 a 12 h | Até 48–72 h após defervescência | Lactentes e crianças até 12 anos e < 50 kg. Com ≥ 50 kg, usar posologia do adulto. |
Lactentes e crianças até 12 anos e < 50 kg. Com ≥ 50 kg, usar posologia do adulto.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Infecção com risco de vida | 150 a 200 mg/kg/dia | Dividir a cada 6 a 8 h | Conforme foco infeccioso | Inclui meningite. Não exceder a dose máxima do adulto (12 g/dia). |
| Prematuros e RN até 1 semana | 50 a 100 mg/kg/dia | Dividir de 12/12 h | Conforme indicação | Meia-vida neonatal de 1,4 a 6,4 h. Em sepse neonatal, geralmente associada à ampicilina. |
| Prematuros e RN de 1 a 4 semanas | 75 a 150 mg/kg/dia | Dividir de 8/8 h | Conforme indicação | Ajustar conforme protocolo neonatal por idade gestacional e pós-natal. |
Inclui meningite. Não exceder a dose máxima do adulto (12 g/dia).
Meia-vida neonatal de 1,4 a 6,4 h. Em sepse neonatal, geralmente associada à ampicilina.
Ajustar conforme protocolo neonatal por idade gestacional e pós-natal.
Evitar; usar somente se indispensável
Atravessa a placenta. Sem malformações ou toxicidade fetal em animais, mas a segurança na gestação humana não foi estabelecida e a bula recomenda não utilizar.
Interromper a amamentação ou o tratamento
Excretada no leite; a bula contraindica o uso durante o aleitamento e a doação de leite.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| ClCr ≥ 10 mL/minSem ajuste | Dose usual | Conforme indicação | Sem ajuste. A meia-vida não ultrapassa 2,5 h mesmo em insuficiência renal terminal. |
| ClCr < 10 mL/minReduzir dose | Metade da dose de manutenção | Intervalo usual | Reduzir dose. A dose inicial depende da suscetibilidade do patógeno e da gravidade. Recomendação baseada em adultos. |
| HemodiáliseDose pós-diálise | 1 a 2 g/dia | 24/24 h; após a sessão nos dias de diálise | Dose pós-diálise. Conforme a gravidade da infecção. |
| Insuficiência hepáticaSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. Metabolização hepática parcial em desacetilcefotaxima, sem recomendação de ajuste. Monitorar enzimas hepáticas. |
Sem ajuste. A meia-vida não ultrapassa 2,5 h mesmo em insuficiência renal terminal.
Reduzir dose. A dose inicial depende da suscetibilidade do patógeno e da gravidade. Recomendação baseada em adultos.
Dose pós-diálise. Conforme a gravidade da infecção.
Sem ajuste. Metabolização hepática parcial em desacetilcefotaxima, sem recomendação de ajuste. Monitorar enzimas hepáticas.
Acima de 80 anos, a meia-vida aumenta moderadamente para cerca de 2,5 h, sem necessidade de ajuste pela idade.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
EV direta em 3 a 5 minutos, infusão curta em 20 minutos ou infusão em 50 a 60 minutos. A via IM é adequada para doses diárias de até 2 g; acima de 4 g/dia, a via EV é obrigatória.
Volume final ≈ 2,3 mL (500 mg) ou ≈ 4,6 mL (1 g), ambos ≈ 215 mg/mL. Para IM, pode-se usar lidocaína 1% em volume semelhante. Se formar espuma, aguardar cerca de 15 minutos.
Investigue alergia a betalactâmicos; em caso de dúvida, o médico deve estar presente na primeira administração.
500 mg em 2 mL ou 1 g em 4 mL. Agitar até dissolver; a espuma não altera a concentração se todo o pó estiver dissolvido.
Injetar lentamente. Bolus rápido por cateter venoso central pode causar arritmia.
2 g em 40 mL em 20 minutos, ou 2 g em 100 mL em 50 a 60 minutos.
Não aplicar mais de 4 mL no mesmo glúteo. Com lidocaína 1%, uso exclusivamente IM e proibido abaixo de 30 meses.
Não misturar com outros antibióticos, sobretudo aminoglicosídeos, nem com bicarbonato de sódio.
Doses intermitentes
500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis
Evitar bolus rápido por cateter venoso central: risco de arritmia.
500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis
Evitar bolus rápido por cateter venoso central: risco de arritmia.
Doses maiores
2 g em 40 mL
2 g em 40 mL
Doses altas ou restrição a bolus
2 g em 100 mL
Não misturar com aminoglicosídeos nem com bicarbonato de sódio.
2 g em 100 mL
Não misturar com aminoglicosídeos nem com bicarbonato de sódio.
Doses diárias de até 2 g
500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis ou lidocaína 1%
Com lidocaína: somente IM e nunca em crianças abaixo de 30 meses.
500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis ou lidocaína 1%
Com lidocaína: somente IM e nunca em crianças abaixo de 30 meses.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Preferida se dose diária > 2 g e obrigatória acima de 4 g/dia. Injetar em 3–5 minutos ou infundir em 20–60 minutos. |
| Intramuscular | Via indicada | Profunda no glúteo, até 4 mL por lado; dor local é muito comum. |
| Oral | Não se aplica | Sem absorção oral útil. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Subcutânea | Não usar | Via não estudada; administrar apenas por via EV ou IM. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não há apresentação tópica. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica. |
Preferida se dose diária > 2 g e obrigatória acima de 4 g/dia. Injetar em 3–5 minutos ou infundir em 20–60 minutos.
Profunda no glúteo, até 4 mL por lado; dor local é muito comum.
Sem absorção oral útil.
Não se aplica.
Via não estudada; administrar apenas por via EV ou IM.
Não se aplica.
Não há apresentação tópica.
Não se aplica.
Diferentemente da ceftriaxona, pode ser usada em neonatos com hiperbilirrubinemia e junto a soluções com cálcio. Em sepse e meningite neonatal, costuma ser associada à ampicilina.
Há relatos de arritmia após infusão em bolus por cateter venoso central; respeitar 3 a 5 minutos ou usar infusão.
No tratamento de leptospirose, borreliose ou sífilis, podem surgir febre, calafrios, cefaleia e artralgia nas primeiras horas.
Leucopenia, neutropenia e, raramente, agranulocitose ou aplasia podem ocorrer; suspender se houver alterações relevantes.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
Anamnese de alergia a betalactâmicos é obrigatória. Monitorar a primeira administração; anafilaxia pode ser grave ou fatal e exige interrupção imediata e tratamento de emergência.
Atravessa a placenta. Sem malformações em animais, mas a segurança na gestação humana não foi estabelecida; evitar e usar somente se indispensável.
Excretada no leite; interromper o tratamento ou a amamentação e a doação de leite, conforme alternativa terapêutica.
Reduzir a manutenção à metade com ClCr < 10 mL/min. Em hemodiálise, 1 a 2 g/dia, após a sessão. Monitorar com aminoglicosídeos ou furosemida.
Metabolização hepática parcial sem recomendação de ajuste. Elevações de enzimas hepáticas são incomuns e hepatite é rara.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Liga-se às proteínas ligadoras de penicilina e inibe a etapa final de transpeptidação do peptidoglicano, impedindo a síntese da parede celular. O metabólito desacetilcefotaxima mantém atividade antibacteriana sinérgica.
Meia-vida de cerca de 1 h (EV) a 1–1,5 h (IM); a da desacetilcefotaxima é de cerca de 2 h. Volume de distribuição de 0,3 L/kg e ligação proteica de 25% a 40%, principalmente à albumina.
Em crianças, a meia-vida varia de 0,75 a 1,5 h; em neonatos e prematuros, de 1,4 a 6,4 h. Acima de 80 anos, aumenta para cerca de 2,5 h.
Cerca de 90% da dose são eliminados pela urina (aproximadamente 50% inalterados e 20% como desacetilcefotaxima) e cerca de 10% pelas fezes.
Em insuficiência renal, o volume de distribuição se mantém e a meia-vida não excede 2,5 h, mesmo em doença renal terminal. A probenecida eleva e prolonga os níveis séricos.
Fármacos potencialmente nefrotóxicos administrados de forma concomitante ou subsequente, como aminoglicosídeos e furosemida, aumentam o risco de elevação da creatinina e exigem monitorização estreita da função renal. A cefotaxima não deve ser misturada na mesma seringa ou solução com outros antibióticos, especialmente aminoglicosídeos, nem com bicarbonato de sódio. A probenecida inibe a excreção renal, elevando e prolongando as concentrações séricas. Em exames laboratoriais, pode positivar o teste de Coombs e gerar falso-positivo em determinações não enzimáticas de glicosúria; preferir métodos enzimáticos.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Fresenius Kabi Brasil Ltda. Bula profissional do pó para solução injetável de 500 mg e 1 g: posologia, ajuste renal, preparo, estabilidade, interações e segurança.
Blau Farmacêutica S.A. Pó liofilizado de 1.000 mg, com ou sem ampola de diluente de 5 mL.
Ministério da Saúde. Cefotaxima sódica 500 mg pó para solução injetável no Componente Básico, código J01DD01 e classificação AWaRe Alerta.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Cefotaxime: J01DD01; DDD parenteral de 4 g.
Organização Mundial da Saúde. Classificação AWaRe dos antibióticos (Acesso, Alerta e Reserva).
Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.