MedFoco

Bulário clínico · Antimicrobiano

Cefotaxima sódica

Cefalosporina parenteral de terceira geração, com boa atividade contra enterobactérias comunitárias, H. influenzae, N. meningitidis e S. pneumoniae e penetração no sistema nervoso central, muito utilizada em neonatologia e pediatria, sem atividade antipseudomonas.

Cefalosporina 3ª geraçãoEV · IMUso neonatalAjuste renal graveUso hospitalarReceita com retenção

Revisado em pela equipe MedFoco

Lidocaína como diluente somente por via IM

A solução preparada com lidocaína 1% nunca deve ser administrada por via EV e é contraindicada em crianças abaixo de 30 meses, bloqueio cardíaco sem marca-passo, insuficiência cardíaca grave e alergia a anestésicos locais do tipo amida.

Informações rápidas Toque em um cartão para abrir o resumo sem sair da página.

Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a cefotaxima?

A cefotaxima é uma cefalosporina bactericida de terceira geração, de uso parenteral, ativa contra Gram-positivos e Gram-negativos. É metabolizada parcialmente no fígado em desacetilcefotaxima, metabólito ativo e sinérgico, e tem papel destacado em neonatologia por não deslocar a bilirrubina da albumina de forma relevante, ao contrário da ceftriaxona.

ViasEV · IM
Faixa etáriaPrematuros a idosos
SUSRENAME 2024 · Básico
ReceitaAntimicrobiano · 2 vias

Composição e papel de cada componente1 ativos

Cefotaxima

Betalactâmico bactericida que se liga às proteínas ligadoras de penicilina e inibe a transpeptidação do peptidoglicano; estável a muitas betalactamases de Gram-negativos.

Cefalosporina de 3ª geração

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Meningite bacteriana e meningoencefalite por germes sensíveis (pneumococo, meningococo, H. influenzae).
  • Sepse e infecção de corrente sanguínea, inclusive sepse neonatal em esquemas combinados.
  • Pneumonia comunitária, derrame parapneumônico e empiema.
  • Infecções urinárias, incluindo pielonefrite e abscesso renal ou perinefrético.
  • Infecções intra-abdominais e colangite, associada a anaerobicida quando necessário.
  • Osteomielite, artrite séptica e infecções de pele e partes moles.
  • Doença inflamatória pélvica e gonorreia.
  • Leptospirose e profilaxia de infecções pós-cirúrgicas.
Não indicado
  • Infecções por Pseudomonas aeruginosa.
  • Infecções por MRSA, enterococos ou Listeria em monoterapia.
  • Infecções por enterobactérias produtoras de ESBL ou carbapenemases.
  • Alergia a cefalosporinas ou penicilinas.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis3 apresentações

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Cefotaxima 500 mgRENAME 2024Pó para solução injetável500 mgFrasco-ampola; caixa com 50 frascos-ampola.
Cetazima
Cefotaxima 1 gPó para solução injetável1 gFrasco-ampola sem diluente; embalagens hospitalares de 20, 50 ou 100 frascos-ampola, conforme fabricante.
CetazimaClafordil
Cefotaxima 1 gPó liofilizado para solução injetávelCefotaxima (como cefotaxima sódica 1.048,3 mg) 1 gDiluente (água para injetáveis) 5 mLFrasco-ampola acompanhado de ampola de diluente de 5 mL; embalagem com 20 unidades.
Clafordil
Cefotaxima 500 mgPó para solução injetável
RENAME 2024
Concentração / composição
500 mg
EmbalagemFrasco-ampola; caixa com 50 frascos-ampola.
Nomes comerciais
Cetazima
Cefotaxima 1 gPó para solução injetável
Concentração / composição
1 g
EmbalagemFrasco-ampola sem diluente; embalagens hospitalares de 20, 50 ou 100 frascos-ampola, conforme fabricante.
Nomes comerciais
CetazimaClafordil
Cefotaxima 1 gPó liofilizado para solução injetável
Concentração / composição
Cefotaxima (como cefotaxima sódica 1.048,3 mg) 1 gDiluente (água para injetáveis) 5 mL
EmbalagemFrasco-ampola acompanhado de ampola de diluente de 5 mL; embalagem com 20 unidades.
Nomes comerciais
Clafordil
Atenção

Confira a dose total do frasco

Existem frascos de 500 mg e de 1 g. Após reconstituição com 2 mL ou 4 mL, respectivamente, ambos ficam com cerca de 215 mg/mL; confirme o frasco antes de aspirar a dose.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Adulto1–2 g 12/12 h

Até 6–12 g/dia nas infecções graves.

Pediatria50–100 mg/kg/dia

Em intervalos de 6 a 12 h; 150–200 mg/kg/dia se risco de vida.

Neonatos50–150 mg/kg/dia

12/12 h na 1ª semana; 8/8 h de 1 a 4 semanas.

ClCr < 1050% da dose

Hemodiálise: 1–2 g/dia, após a sessão.

Esquemas por população3 grupos

Adulto e > 12 anos (≥ 50 kg)

Via endovenosa ou intramuscular2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual1 a 2 g12/12 hAté 48–72 h após defervescência ou erradicação bacterianaInfecções com vários patógenos de suscetibilidade alta a média (2 a 4 g/dia). Preferir EV se dose diária > 2 g.
Profilaxia cirúrgica1 a 2 g30 a 60 minutos antes da cirurgiaDose única; repetir conforme riscoA mesma dose pode ser repetida conforme o risco infeccioso e a duração do procedimento.
Dose usual
1 a 2 g12/12 h
Detalhes
DuraçãoAté 48–72 h após defervescência ou erradicação bacteriana
Observações

Infecções com vários patógenos de suscetibilidade alta a média (2 a 4 g/dia). Preferir EV se dose diária > 2 g.

Profilaxia cirúrgica
1 a 2 g30 a 60 minutos antes da cirurgia
Detalhes
DuraçãoDose única; repetir conforme risco
Observações

A mesma dose pode ser repetida conforme o risco infeccioso e a duração do procedimento.

Via intramuscular ou endovenosa1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Infecção típica por patógeno sensível1 g12/12 hAté 48–72 h após defervescênciaDose diária de 2 g.
Infecção típica por patógeno sensível
1 g12/12 h
Detalhes
DuraçãoAté 48–72 h após defervescência
Observações

Dose diária de 2 g.

Via endovenosa1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Infecção grave com risco de vida2 a 3 gA cada 6 a 8 hConforme foco e resposta clínicaDose diária de 6 a 12 g; acima de 4 g/dia, via EV obrigatória. Inclui meningite e infecção não localizada.
Infecção grave com risco de vida
2 a 3 gA cada 6 a 8 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco e resposta clínica
Observações

Dose diária de 6 a 12 g; acima de 4 g/dia, via EV obrigatória. Inclui meningite e infecção não localizada.

Via intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Gonorreia500 mgDose únicaDose únicaGermes menos sensíveis exigem dose maior. Rastrear sífilis antes de tratar. Conferir protocolos atuais de IST.
Gonorreia
500 mgDose única
Detalhes
DuraçãoDose única
Observações

Germes menos sensíveis exigem dose maior. Rastrear sífilis antes de tratar. Conferir protocolos atuais de IST.

Pediatria e neonatologia

Via endovenosa ou intramuscular1 esquema
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual50 a 100 mg/kg/diaDividir a cada 6 a 12 hAté 48–72 h após defervescênciaLactentes e crianças até 12 anos e < 50 kg. Com ≥ 50 kg, usar posologia do adulto.
Dose usual
50 a 100 mg/kg/diaDividir a cada 6 a 12 h
Detalhes
DuraçãoAté 48–72 h após defervescência
Observações

Lactentes e crianças até 12 anos e < 50 kg. Com ≥ 50 kg, usar posologia do adulto.

Via endovenosa3 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Infecção com risco de vida150 a 200 mg/kg/diaDividir a cada 6 a 8 hConforme foco infecciosoInclui meningite. Não exceder a dose máxima do adulto (12 g/dia).
Prematuros e RN até 1 semana50 a 100 mg/kg/diaDividir de 12/12 hConforme indicaçãoMeia-vida neonatal de 1,4 a 6,4 h. Em sepse neonatal, geralmente associada à ampicilina.
Prematuros e RN de 1 a 4 semanas75 a 150 mg/kg/diaDividir de 8/8 hConforme indicaçãoAjustar conforme protocolo neonatal por idade gestacional e pós-natal.
Infecção com risco de vida
150 a 200 mg/kg/diaDividir a cada 6 a 8 h
Detalhes
DuraçãoConforme foco infeccioso
Observações

Inclui meningite. Não exceder a dose máxima do adulto (12 g/dia).

Prematuros e RN até 1 semana
50 a 100 mg/kg/diaDividir de 12/12 h
Detalhes
DuraçãoConforme indicação
Observações

Meia-vida neonatal de 1,4 a 6,4 h. Em sepse neonatal, geralmente associada à ampicilina.

Prematuros e RN de 1 a 4 semanas
75 a 150 mg/kg/diaDividir de 8/8 h
Detalhes
DuraçãoConforme indicação
Observações

Ajustar conforme protocolo neonatal por idade gestacional e pós-natal.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria B

Evitar; usar somente se indispensável

Atravessa a placenta. Sem malformações ou toxicidade fetal em animais, mas a segurança na gestação humana não foi estabelecida e a bula recomenda não utilizar.

Lactação

Contraindicado

Interromper a amamentação ou o tratamento

Excretada no leite; a bula contraindica o uso durante o aleitamento e a doação de leite.

Ajuste por órgão

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
ClCr ≥ 10 mL/minSem ajusteDose usualConforme indicaçãoSem ajuste. A meia-vida não ultrapassa 2,5 h mesmo em insuficiência renal terminal.
ClCr < 10 mL/minReduzir doseMetade da dose de manutençãoIntervalo usualReduzir dose. A dose inicial depende da suscetibilidade do patógeno e da gravidade. Recomendação baseada em adultos.
HemodiáliseDose pós-diálise1 a 2 g/dia24/24 h; após a sessão nos dias de diáliseDose pós-diálise. Conforme a gravidade da infecção.
Insuficiência hepáticaSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Metabolização hepática parcial em desacetilcefotaxima, sem recomendação de ajuste. Monitorar enzimas hepáticas.
ClCr ≥ 10 mL/minSem ajuste
Dose usual
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. A meia-vida não ultrapassa 2,5 h mesmo em insuficiência renal terminal.

ClCr < 10 mL/minReduzir dose
Metade da dose de manutenção
FrequênciaIntervalo usual
Observações

Reduzir dose. A dose inicial depende da suscetibilidade do patógeno e da gravidade. Recomendação baseada em adultos.

HemodiáliseDose pós-diálise
1 a 2 g/dia
Frequência24/24 h; após a sessão nos dias de diálise
Observações

Dose pós-diálise. Conforme a gravidade da infecção.

Insuficiência hepáticaSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Metabolização hepática parcial em desacetilcefotaxima, sem recomendação de ajuste. Monitorar enzimas hepáticas.

Outras populações

Não há ajuste posológico específicoIdoso

Acima de 80 anos, a meia-vida aumenta moderadamente para cerca de 2,5 h, sem necessidade de ajuste pela idade.

Modelos de prescrição2 modelos

Adulto · dose usualVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · dose usualVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSF 0,9% · SG 5% · Ringer · água para injetáveis
Via principalEndovenosa

EV direta em 3 a 5 minutos, infusão curta em 20 minutos ou infusão em 50 a 60 minutos. A via IM é adequada para doses diárias de até 2 g; acima de 4 g/dia, a via EV é obrigatória.

ReconstituiçãoÁgua para injetáveis: 2 mL (500 mg) ou 4 mL (1 g)

Volume final ≈ 2,3 mL (500 mg) ou ≈ 4,6 mL (1 g), ambos ≈ 215 mg/mL. Para IM, pode-se usar lidocaína 1% em volume semelhante. Se formar espuma, aguardar cerca de 15 minutos.

Técnica de aplicação6 passos

1
Confirme alergias

Investigue alergia a betalactâmicos; em caso de dúvida, o médico deve estar presente na primeira administração.

2
Reconstitua com água para injetáveis

500 mg em 2 mL ou 1 g em 4 mL. Agitar até dissolver; a espuma não altera a concentração se todo o pó estiver dissolvido.

3
EV direta: 3 a 5 minutos

Injetar lentamente. Bolus rápido por cateter venoso central pode causar arritmia.

4
Infusão curta ou prolongada

2 g em 40 mL em 20 minutos, ou 2 g em 100 mL em 50 a 60 minutos.

5
IM: profunda no glúteo

Não aplicar mais de 4 mL no mesmo glúteo. Com lidocaína 1%, uso exclusivamente IM e proibido abaixo de 30 meses.

6
Administre separadamente

Não misturar com outros antibióticos, sobretudo aminoglicosídeos, nem com bicarbonato de sódio.

Diluições e preparo4 preparos

EV direta

Doses intermitentes

≈ 215 mg/mL

500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis

  1. Reconstituir com água para injetáveis.
  2. Agitar e, se houver espuma, aguardar a dissolução completa.
Volume final≈ 2,3 mL (500 mg) · ≈ 4,6 mL (1 g)
DiluenteÁgua para injetáveis
Tempo / modo3–5 minutos
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira

Evitar bolus rápido por cateter venoso central: risco de arritmia.

EV diretaDoses intermitentes≈ 215 mg/mL

500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis

  1. Reconstituir com água para injetáveis.
  2. Agitar e, se houver espuma, aguardar a dissolução completa.
Volume final≈ 2,3 mL (500 mg) · ≈ 4,6 mL (1 g)
DiluenteÁgua para injetáveis
Tempo / modo3–5 minutos
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira

Evitar bolus rápido por cateter venoso central: risco de arritmia.

Infusão curta

Doses maiores

≈ 50 mg/mL

2 g em 40 mL

  1. Reconstituir os frascos com água para injetáveis.
  2. Completar até 40 mL com água para injetáveis, SF 0,9%, SG 5% ou Ringer.
Volume final40 mL
DiluenteÁgua para injetáveis, SF 0,9%, SG 5% ou Ringer
Tempo / modo20 minutos
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira
Infusão curtaDoses maiores≈ 50 mg/mL

2 g em 40 mL

  1. Reconstituir os frascos com água para injetáveis.
  2. Completar até 40 mL com água para injetáveis, SF 0,9%, SG 5% ou Ringer.
Volume final40 mL
DiluenteÁgua para injetáveis, SF 0,9%, SG 5% ou Ringer
Tempo / modo20 minutos
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira

Infusão prolongada (gotejamento)

Doses altas ou restrição a bolus

≈ 20 mg/mL

2 g em 100 mL

  1. Reconstituir os frascos com água para injetáveis.
  2. Diluir em 100 mL de SF 0,9%, SG 5% ou Ringer.
Volume final100 mL
DiluenteSF 0,9%, SG 5% ou Ringer
Tempo / modo50–60 minutos
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira

Não misturar com aminoglicosídeos nem com bicarbonato de sódio.

Infusão prolongada (gotejamento)Doses altas ou restrição a bolus≈ 20 mg/mL

2 g em 100 mL

  1. Reconstituir os frascos com água para injetáveis.
  2. Diluir em 100 mL de SF 0,9%, SG 5% ou Ringer.
Volume final100 mL
DiluenteSF 0,9%, SG 5% ou Ringer
Tempo / modo50–60 minutos
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira

Não misturar com aminoglicosídeos nem com bicarbonato de sódio.

Intramuscular

Doses diárias de até 2 g

≈ 215 mg/mL

500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis ou lidocaína 1%

  1. Reconstituir com o diluente escolhido.
  2. Aplicar profundamente no glúteo, até 4 mL por lado.
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira

Com lidocaína: somente IM e nunca em crianças abaixo de 30 meses.

IntramuscularDoses diárias de até 2 g≈ 215 mg/mL

500 mg + 2 mL ou 1 g + 4 mL de água para injetáveis ou lidocaína 1%

  1. Reconstituir com o diluente escolhido.
  2. Aplicar profundamente no glúteo, até 4 mL por lado.
Estabilidade12 h em temperatura ambiente ou 24 h em geladeira

Com lidocaína: somente IM e nunca em crianças abaixo de 30 meses.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaPreferida se dose diária > 2 g e obrigatória acima de 4 g/dia. Injetar em 3–5 minutos ou infundir em 20–60 minutos.
IntramuscularVia indicadaProfunda no glúteo, até 4 mL por lado; dor local é muito comum.
OralNão se aplicaSem absorção oral útil.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
SubcutâneaNão usarVia não estudada; administrar apenas por via EV ou IM.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão há apresentação tópica.
SNG/SNENão se aplicaNão se aplica.
EndovenosaVia indicada
Observações

Preferida se dose diária > 2 g e obrigatória acima de 4 g/dia. Injetar em 3–5 minutos ou infundir em 20–60 minutos.

IntramuscularVia indicada
Observações

Profunda no glúteo, até 4 mL por lado; dor local é muito comum.

OralNão se aplica
Observações

Sem absorção oral útil.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SubcutâneaNão usar
Observações

Via não estudada; administrar apenas por via EV ou IM.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não há apresentação tópica.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Neonatologia

Cefalosporina de 3ª geração preferida no recém-nascido

Diferentemente da ceftriaxona, pode ser usada em neonatos com hiperbilirrubinemia e junto a soluções com cálcio. Em sepse e meningite neonatal, costuma ser associada à ampicilina.

Cateter central

Evitar bolus rápido

Há relatos de arritmia após infusão em bolus por cateter venoso central; respeitar 3 a 5 minutos ou usar infusão.

Infecções por espiroquetas

Reação de Jarisch-Herxheimer

No tratamento de leptospirose, borreliose ou sífilis, podem surgir febre, calafrios, cefaleia e artralgia nas primeiras horas.

Tratamento prolongado

Hemograma após 10 dias

Leucopenia, neutropenia e, raramente, agranulocitose ou aplasia podem ocorrer; suspender se houver alterações relevantes.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Alergia cruzada com penicilinas em 5% a 10% dos casos

Anamnese de alergia a betalactâmicos é obrigatória. Monitorar a primeira administração; anafilaxia pode ser grave ou fatal e exige interrupção imediata e tratamento de emergência.

Contraindicações5 itens

  • Hipersensibilidade à cefotaxima ou a qualquer componente da fórmula.
  • Hipersensibilidade a cefalosporinas.
  • Hipersensibilidade a penicilinas.
  • Lactação.
  • Com lidocaína como diluente: alergia a anestésicos do tipo amida, bloqueio cardíaco sem marca-passo, insuficiência cardíaca grave, via EV e crianças abaixo de 30 meses.

Populações especiais

Gestação

Categoria B

Atravessa a placenta. Sem malformações em animais, mas a segurança na gestação humana não foi estabelecida; evitar e usar somente se indispensável.

Lactação

Contraindicado

Excretada no leite; interromper o tratamento ou a amamentação e a doação de leite, conforme alternativa terapêutica.

Função renal

Ajustar se ClCr < 10

Reduzir a manutenção à metade com ClCr < 10 mL/min. Em hemodiálise, 1 a 2 g/dia, após a sessão. Monitorar com aminoglicosídeos ou furosemida.

Função hepática

Sem ajuste específico

Metabolização hepática parcial sem recomendação de ajuste. Elevações de enzimas hepáticas são incomuns e hepatite é rara.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Sinais de hipersensibilidade na primeira administração.
  • Resposta clínica e curva térmica.
  • Diarreia grave ou persistente (colite por C. difficile).
  • Alterações neurológicas com doses altas em insuficiência renal.
  • Ritmo cardíaco quando administrada por cateter central.
Sinais de alerta
  • Hemograma em tratamentos acima de 10 dias.
  • Função renal com aminoglicosídeos ou diuréticos potentes.
  • Enzimas hepáticas e bilirrubina quando indicado.
  • Glicosúria por métodos enzimáticos durante o tratamento.

Eventos adversos

LocaisMuito comum (IM)
Dor no local da injeção IMFlebite ou tromboflebite (incomum)
Incomuns> 1/1.000 a ≤ 1/100
Rash, prurido e urticáriaDiarreiaLeucopenia, eosinofilia e trombocitopeniaElevação de enzimas hepáticas, bilirrubina e creatininaFebre e reação de Jarisch-Herxheimer
Frequência desconhecidaPós-comercialização
Náusea, vômito e dor abdominalCefaleia e tonturaHepatite, às vezes com icteríciaNefrite intersticial
Exigem suspensão e avaliaçãoPotencialmente graves
Anafilaxia, angioedema e broncoespasmoSJS, NET e PEGAAgranulocitose, pancitopenia e anemia hemolíticaColite pseudomembranosaEncefalopatia e convulsões; arritmia com bolus central

Advertências

  • Usar com extremo cuidado em pacientes sensíveis à penicilina e monitorar a primeira dose.
  • Suspender imediatamente diante de suspeita de colite pseudomembranosa; não usar inibidores da motilidade intestinal.
  • Uso prolongado pode causar superinfecção por micro-organismos não suscetíveis.
  • Monitorar hemograma em tratamentos acima de 10 dias.
  • Doses altas em insuficiência renal podem causar encefalopatia e convulsões.
  • Contém cerca de 48 mg de sódio por grama: considerar em hipertensos e restrição de sódio.
  • Pode causar tontura: orientar a evitar dirigir ou operar máquinas.
  • Não é ativa contra Pseudomonas aeruginosa nem confiável contra enterobactérias produtoras de ESBL.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Cefotaxima

Liga-se às proteínas ligadoras de penicilina e inibe a etapa final de transpeptidação do peptidoglicano, impedindo a síntese da parede celular. O metabólito desacetilcefotaxima mantém atividade antibacteriana sinérgica.

Farmacocinética

Meia-vida curta e metabólito ativo

Meia-vida de cerca de 1 h (EV) a 1–1,5 h (IM); a da desacetilcefotaxima é de cerca de 2 h. Volume de distribuição de 0,3 L/kg e ligação proteica de 25% a 40%, principalmente à albumina.

Em crianças, a meia-vida varia de 0,75 a 1,5 h; em neonatos e prematuros, de 1,4 a 6,4 h. Acima de 80 anos, aumenta para cerca de 2,5 h.

t½ ≈ 1 hVd 0,3 L/kgLigação 25–40%
Eliminação

Predominantemente renal

Cerca de 90% da dose são eliminados pela urina (aproximadamente 50% inalterados e 20% como desacetilcefotaxima) e cerca de 10% pelas fezes.

Em insuficiência renal, o volume de distribuição se mantém e a meia-vida não excede 2,5 h, mesmo em doença renal terminal. A probenecida eleva e prolonga os níveis séricos.

Renal ≈ 90%Metabolismo hepático parcialDesacetilcefotaxima ativa

Interações medicamentosas

Fármacos potencialmente nefrotóxicos administrados de forma concomitante ou subsequente, como aminoglicosídeos e furosemida, aumentam o risco de elevação da creatinina e exigem monitorização estreita da função renal. A cefotaxima não deve ser misturada na mesma seringa ou solução com outros antibióticos, especialmente aminoglicosídeos, nem com bicarbonato de sódio. A probenecida inibe a excreção renal, elevando e prolongando as concentrações séricas. Em exames laboratoriais, pode positivar o teste de Coombs e gerar falso-positivo em determinações não enzimáticas de glicosúria; preferir métodos enzimáticos.

Informação regulatória

SUSRENAME 2024Cefotaxima sódica 500 mg pó para solução injetável consta na RENAME 2024 no Componente Básico da Assistência Farmacêutica, com classificação AWaRe de Alerta. Disponibilidade variável conforme o município.
GenéricoDisponívelHá cefotaxima sódica genérica registrada no mercado brasileiro.
ATCJ01DD01WHO ATC/DDD: cefotaxima, cefalosporina de terceira geração. DDD parenteral: 4 g. Classificação AWaRe: Alerta (Watch).

Receituário

Tipo de receitaAntimicrobiano
Número de vias2 vias
Retenção2ª via
Validade10 dias

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Cetazima® — cefotaxima sódica

Fresenius Kabi Brasil Ltda. Bula profissional do pó para solução injetável de 500 mg e 1 g: posologia, ajuste renal, preparo, estabilidade, interações e segurança.

2024
02
Bula

Clafordil® — cefotaxima sódica

Blau Farmacêutica S.A. Pó liofilizado de 1.000 mg, com ou sem ampola de diluente de 5 mL.

2024
03
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Cefotaxima sódica 500 mg pó para solução injetável no Componente Básico, código J01DD01 e classificação AWaRe Alerta.

2024
04
Classificação

ATC/DDD Index — J01DD01

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Cefotaxime: J01DD01; DDD parenteral de 4 g.

2026
05
Classificação

WHO AWaRe antibiotic book

Organização Mundial da Saúde. Classificação AWaRe dos antibióticos (Acesso, Alerta e Reserva).

2022
06
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021

Critérios para prescrição, dispensação, controle e retenção de receita de medicamentos antimicrobianos.

2021
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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