Gestação
Categoria BUsar quando o benefício superar o risco
Sem potencial teratogênico em ratos e coelhos. Segurança em gestantes não bem estabelecida, mas é a opção de escolha para leishmaniose visceral na gestação no SUS.
Formulação lipossomal da anfotericina B para micoses sistêmicas graves, terapia empírica da febre persistente no paciente neutropênico e leishmaniose visceral. Tem menor nefrotoxicidade e menos reações infusionais que a formulação convencional, com doses maiores em mg/kg.
Revisado em pela equipe MedFoco
A anfotericina B lipossomal é usada em 3 a 10 mg/kg/dia, enquanto o desoxicolato não pode exceder 1,5 mg/kg/dia. Trocar uma formulação pela outra sem recalcular a dose pode ser fatal. Confirme o nome completo do produto na prescrição, na dispensação e no preparo.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
É a anfotericina B incorporada à bicamada lipídica de lipossomas, vesículas compostas por fosfatidilcolina hidrogenada de soja, colesterol e distearoil fosfatidilglicerol. A formulação mantém a atividade antifúngica e leishmanicida da anfotericina B, permite doses maiores e reduz nefrotoxicidade e reações infusionais em comparação ao desoxicolato. Não é equivalente às demais formulações de anfotericina B.
Liga-se ao ergosterol da membrana fúngica e altera sua permeabilidade. A veiculação em lipossomas favorece a captação pelo sistema reticuloendotelial e reduz a exposição das células tubulares renais.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Anfotericina B lipossomal 50 mgRENAME 2024 | Pó para solução para infusão | Anfotericina B lipossomal 50 mg/frasco-ampolaApós reconstituição 4 mg/mLExcipientes Fosfatidilcolina hidrogenada de soja, colesterol, distearoil fosfatidilglicerol, sacarose, alfatocoferol e succinato dissódico | Caixa com 10 frascos-ampola de 20 mL contendo 50 mg, acompanhados de 10 filtros estéreis de 5 µm. | AmBisome |
A anfotericina B lipossomal difere do desoxicolato e do complexo lipídico em dose, preparo, filtro e tempo de infusão. Não substituir uma formulação por outra sem nova prescrição.
Dose, frequência e duração por população.
Micoses sistêmicas e febre neutropênica.
10 mg/kg/dia se houver acometimento do SNC.
Em 2 h para doses > 5 mg/kg/dia.
Em até 10 min; observar por 30 min.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | Em média 14 a 15 dias | Infecções micóticas sistêmicas. Após o início, adaptar a dose às necessidades do paciente e à resposta clínica. |
| Febre persistente no neutropênico | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | Até resolução da febre e da neutropenia | Febre sem resposta a antibioticoterapia após 96 horas. Excluir, quando possível, causa viral, parasitária ou micobacteriana. |
| Leishmaniose visceral · bula | 1 a 1,5 mg/kg/dia | 24/24 h | 21 dias | Pacientes imunocompetentes. |
| 3 mg/kg/dia | 24/24 h | 10 dias | Esquema alternativo em imunocompetentes. Em imunocomprometidos, as recidivas são frequentes. | |
| Leishmaniose visceral · Ministério da Saúde | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | 7 dias | Dose total de cerca de 21 mg/kg. Indicada no SUS para grupos de risco (gestantes, idosos, imunossuprimidos, doença grave, insuficiência renal ou falha terapêutica). |
| 4 mg/kg/dia | 24/24 h | 5 dias | Esquema alternativo com dose total de 20 mg/kg. | |
| Candidíase do SNC | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | 2 semanas (indução) | Com ou sem flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de fluconazol, conforme Nota Técnica do Ministério da Saúde. |
| Meningite criptocócica · indução | 3 a 4 mg/kg/dia | 24/24 h | ≥ 2 semanas | Associar flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de consolidação com fluconazol. Diretrizes da OMS admitem dose única de 10 mg/kg associada a flucitosina e fluconazol em pessoas com HIV; seguir o protocolo vigente. |
| Mucormicose · indução | 5 a 10 mg/kg/dia | 24/24 h | Mínimo de 3 a 6 semanas | Usar 10 mg/kg/dia se houver acometimento do SNC. Associar desbridamento cirúrgico e controle da doença de base. Infundir em 2 horas. |
| Mucormicose · manutenção | 3 a 5 mg/kg | 3 vezes por semana | 6 semanas a 6 meses ou mais | Alternativa ao isavuconazol ou posaconazol na consolidação, conforme remissão clínica e radiológica. |
Infecções micóticas sistêmicas. Após o início, adaptar a dose às necessidades do paciente e à resposta clínica.
Febre sem resposta a antibioticoterapia após 96 horas. Excluir, quando possível, causa viral, parasitária ou micobacteriana.
Pacientes imunocompetentes.
Esquema alternativo em imunocompetentes. Em imunocomprometidos, as recidivas são frequentes.
Dose total de cerca de 21 mg/kg. Indicada no SUS para grupos de risco (gestantes, idosos, imunossuprimidos, doença grave, insuficiência renal ou falha terapêutica).
Esquema alternativo com dose total de 20 mg/kg.
Com ou sem flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de fluconazol, conforme Nota Técnica do Ministério da Saúde.
Associar flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de consolidação com fluconazol. Diretrizes da OMS admitem dose única de 10 mg/kg associada a flucitosina e fluconazol em pessoas com HIV; seguir o protocolo vigente.
Usar 10 mg/kg/dia se houver acometimento do SNC. Associar desbridamento cirúrgico e controle da doença de base. Infundir em 2 horas.
Alternativa ao isavuconazol ou posaconazol na consolidação, conforme remissão clínica e radiológica.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | Em média 14 a 15 dias | Crianças a partir de 1 mês. Dose calculada por kg como no adulto e adaptada à resposta. Segurança e eficácia não estabelecidas abaixo de 1 mês. |
| Febre persistente no neutropênico | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | Até resolução da febre e da neutropenia | Mesma dose por kg do adulto. |
| Leishmaniose visceral | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | 7 a 10 dias | Bula: 3 mg/kg/dia por 10 dias em imunocompetentes. Ministério da Saúde: 3 mg/kg/dia por 7 dias ou 4 mg/kg/dia por 5 dias. |
Crianças a partir de 1 mês. Dose calculada por kg como no adulto e adaptada à resposta. Segurança e eficácia não estabelecidas abaixo de 1 mês.
Mesma dose por kg do adulto.
Bula: 3 mg/kg/dia por 10 dias em imunocompetentes. Ministério da Saúde: 3 mg/kg/dia por 7 dias ou 4 mg/kg/dia por 5 dias.
Usar quando o benefício superar o risco
Sem potencial teratogênico em ratos e coelhos. Segurança em gestantes não bem estabelecida, mas é a opção de escolha para leishmaniose visceral na gestação no SUS.
Decidir entre manter o aleitamento ou o tratamento
Excreção no leite desconhecida. Considerar o benefício do tratamento materno, o benefício do aleitamento e o risco potencial ao lactente.
Doses de 1 a 5 mg/kg/dia foram usadas em comprometimento renal prévio sem ajuste. Monitorar função renal antes e durante o tratamento; reduzir, interromper ou suspender se houver piora clinicamente significativa. Hemodiálise e diálise peritoneal não parecem alterar a eliminação. Evitar administrar durante a sessão. Não há dados para recomendação de dose. Monitorar provas hepáticas; considerar redução ou interrupção se houver piora relevante.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| IdosoSem ajuste | Sem ajuste posológico específico | Conforme indicação | Sem ajuste. Não é necessário alterar dose ou frequência; atenção à função renal e aos eletrólitos. |
| Diabetes mellitusMonitorar glicemia | Dose habitual | Conforme indicação | Monitorar glicemia. A formulação contém sacarose; monitorar glicemia. Evitar em intolerância hereditária à frutose, má absorção de glicose-galactose ou deficiência de sacarase-isomaltase. |
Sem ajuste. Não é necessário alterar dose ou frequência; atenção à função renal e aos eletrólitos.
Monitorar glicemia. A formulação contém sacarose; monitorar glicemia. Evitar em intolerância hereditária à frutose, má absorção de glicose-galactose ou deficiência de sacarase-isomaltase.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Infundir em 30 a 60 minutos, na concentração de 0,2 a 2 mg/mL em SG 5%. Para doses acima de 5 mg/kg/dia, infundir em 2 horas. Infusões mais lentas reduzem reações relacionadas à infusão.
Imediatamente após adicionar a água, agitar vigorosamente por 30 segundos até dispersão completa (dispersão amarela translúcida). Não usar soluções salinas nem diluentes com agentes bacteriostáticos.
Verifique que o produto é a anfotericina B lipossomal e calcule a dose em mg/kg e o número de frascos de 50 mg.
Adicionar 12 mL de água para injetáveis a cada frasco e agitar vigorosamente por 30 segundos. Continuar agitando se houver partículas; não usar se houver precipitado.
Aspirar o volume calculado (4 mg/mL) e instilar no SG 5% através do filtro de 5 µm fornecido, um por frasco.
Diluir em 1 a 19 partes de SG 5% para concentração final de 2 a 0,2 mg/mL. Não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos.
Na primeira administração, infundir 1 mg em até 10 minutos, interromper e observar o paciente por 30 minutos antes de prosseguir.
Lavar acesso previamente usado com SF 0,9% com SG 5% antes da infusão, ou usar via exclusiva. Filtro de linha, se usado, com poro ≥ 1 µm. Infundir em 30–60 min (2 h se > 5 mg/kg/dia).
Etapa obrigatória antes da diluição
50 mg + 12 mL de água para injetáveis
Não reconstituir com soluções salinas.
50 mg + 12 mL de água para injetáveis
Não reconstituir com soluções salinas.
Menor volume (restrição hídrica, pediatria)
Volume reconstituído + igual volume de SG 5% (diluição 1:2)
Não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos.
Volume reconstituído + igual volume de SG 5% (diluição 1:2)
Não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos.
Concentração mínima recomendada
Volume reconstituído + 19 partes de SG 5% (diluição 1:20)
Concentrações intermediárias entre 0,2 e 2 mg/mL podem ser usadas conforme volume tolerado.
Volume reconstituído + 19 partes de SG 5% (diluição 1:20)
Concentrações intermediárias entre 0,2 e 2 mg/mL podem ser usadas conforme volume tolerado.
Antes da primeira dose terapêutica
1 mg da solução de infusão
Reação anafilática ou anafilactoide grave contraindica novas infusões.
1 mg da solução de infusão
Reação anafilática ou anafilactoide grave contraindica novas infusões.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Infusão em 30–60 min a 0,2–2 mg/mL em SG 5%; 2 h para doses > 5 mg/kg/dia. |
| Intramuscular | Não usar | Não é via de administração. |
| Subcutânea | Não usar | Não é via de administração. |
| Oral | Não se aplica | Sem uso oral. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica. |
Infusão em 30–60 min a 0,2–2 mg/mL em SG 5%; 2 h para doses > 5 mg/kg/dia.
Não é via de administração.
Não é via de administração.
Sem uso oral.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não administrar em acesso com SF 0,9% sem lavagem prévia com SG 5%; se não for possível, usar acesso separado. Não misturar com outros medicamentos.
Febre, calafrios, dor torácica, dorsalgia, dispneia e rubor cedem ao interromper a infusão. Infundir em mais de 2 horas e pré-medicar com difenidramina, paracetamol, petidina ou hidrocortisona são medidas eficazes.
Há relatos de toxicidade pulmonar aguda com anfotericina B administrada durante ou logo após transfusão de leucócitos. Manter o maior intervalo possível e monitorar função pulmonar.
O fosfato sérico pode estar falsamente elevado em ensaios do tipo PHOSm. Interpretar hiperfosfatemia isolada com cautela.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
A nefrotoxicidade é aproximadamente metade da observada com o desoxicolato, mas aumento de creatinina, hipocalemia e hipomagnesemia são frequentes, sobretudo em doses altas. Reações anafiláticas exigem dose-teste e interrupção definitiva quando graves.
Sem teratogenicidade em ratos e coelhos; segurança em gestantes não bem estabelecida. Usar quando o benefício superar o risco para mãe e feto.
Não se sabe se é excretada no leite humano. Decidir entre manter o aleitamento ou o tratamento considerando riscos e benefícios.
Sem ajuste de dose ou frequência no comprometimento renal prévio. Monitorar a função renal antes e durante o tratamento; evitar a infusão durante hemodiálise ou hemofiltração.
Não há dados para recomendar ajuste. Monitorar provas hepáticas e reavaliar a dose em caso de piora.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Polieno que se concentra na bicamada lipídica dos lipossomas e, liberado no sítio de infecção, liga-se ao ergosterol da membrana fúngica, alterando sua permeabilidade e causando extravasamento de íons e pequenas moléculas. É fungistática ou fungicida conforme a concentração e a suscetibilidade, e também ativa contra Leishmania.
Com 1 a 7,5 mg/kg/dia, a Cmáx variou de cerca de 7 a 84 µg/mL e a AUC de 27 a 555 µg·h/mL, valores muito superiores aos do desoxicolato. O estado de equilíbrio é atingido em cerca de 4 dias.
A cinética é não linear, com concentrações proporcionalmente maiores que o aumento da dose, atribuída à saturação da captação pelo sistema reticuloendotelial. Não há acúmulo plasmático significativo com doses repetidas.
O volume de distribuição sugere ampla distribuição tecidual. A meia-vida de eliminação terminal após doses repetidas é de cerca de 7 horas no plasma.
Pelo tamanho dos lipossomas, a formulação não é filtrada pelos glomérulos, o que reduz a interação com as células do túbulo distal e o potencial nefrotóxico. O metabolismo é desconhecido e a diálise não altera a eliminação.
Não há estudos formais de interação com a formulação lipossomal, mas aplicam-se as interações conhecidas da anfotericina B. Outros nefrotóxicos, como ciclosporina, tacrolimo, aminoglicosídeos, pentamidina, foscarnete e vancomicina, somam risco renal, ainda que a nefrotoxicidade seja menor que com o desoxicolato; monitorar a função renal regularmente. Corticosteroides, corticotropina e diuréticos de alça ou tiazídicos potencializam a hipocalemia, que por sua vez aumenta a toxicidade de digitálicos, o efeito de relaxantes musculares esqueléticos e o risco de arritmias com fármacos que prolongam o QT; controlar potássio, magnésio e função cardíaca. Antineoplásicos aumentam o risco de nefrotoxicidade, broncoespasmo e hipotensão. A flucitosina pode ter toxicidade aumentada por maior captação celular ou menor excreção renal, exigindo vigilância hematológica. Azólicos podem induzir resistência à anfotericina B em modelos experimentais; combinações devem ser feitas com cautela. Transfusões de leucócitos devem ser espaçadas ao máximo pelo risco de toxicidade pulmonar aguda. Em laboratório, pode haver falsa elevação do fósforo sérico em determinados ensaios.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
United Medical Ltda. / Gilead Sciences. Bula para o profissional de saúde aprovada pela Anvisa em 12/12/2025: indicações, posologia, preparo, estabilidade, farmacocinética e segurança.
Recomendações para candidíase invasiva e mucormicose no SUS, com esquemas de anfotericina B lipossomal em infecção do SNC e mucormicose.
Esquemas de anfotericina B lipossomal de 3 mg/kg/dia por 7 dias ou 4 mg/kg/dia por 5 dias e critérios de indicação.
Indução com dose única de 10 mg/kg de anfotericina B lipossomal associada a flucitosina e fluconazol.
Ministério da Saúde. Anfotericina B lipossomal no Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Amphotericin B: DDD parenteral de 210 mg para formulações lipídicas.
Critérios de prescrição e retenção de receita de antimicrobianos e lista de substâncias abrangidas.