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Bulário clínico · Antifúngico

Anfotericina B Lipossomal

Formulação lipossomal da anfotericina B para micoses sistêmicas graves, terapia empírica da febre persistente no paciente neutropênico e leishmaniose visceral. Tem menor nefrotoxicidade e menos reações infusionais que a formulação convencional, com doses maiores em mg/kg.

Antifúngico poliênicoLipossomalInfusão EV 30–60 minUso hospitalarAdulto e pediátrico ≥ 1 mêsNão intercambiável

Revisado em pela equipe MedFoco

Doses lipossomais não se aplicam à anfotericina B convencional

A anfotericina B lipossomal é usada em 3 a 10 mg/kg/dia, enquanto o desoxicolato não pode exceder 1,5 mg/kg/dia. Trocar uma formulação pela outra sem recalcular a dose pode ser fatal. Confirme o nome completo do produto na prescrição, na dispensação e no preparo.

Informações rápidas Toque em um cartão para abrir o resumo sem sair da página.

Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é a anfotericina B lipossomal?

É a anfotericina B incorporada à bicamada lipídica de lipossomas, vesículas compostas por fosfatidilcolina hidrogenada de soja, colesterol e distearoil fosfatidilglicerol. A formulação mantém a atividade antifúngica e leishmanicida da anfotericina B, permite doses maiores e reduz nefrotoxicidade e reações infusionais em comparação ao desoxicolato. Não é equivalente às demais formulações de anfotericina B.

ViaEndovenosa exclusiva
Faixa etáriaAdulto e ≥ 1 mês
SUSRENAME 2024 · Estratégico
ReceitaSimples · uso hospitalar

Composição e papel de cada componente1 ativos

Anfotericina B

Liga-se ao ergosterol da membrana fúngica e altera sua permeabilidade. A veiculação em lipossomas favorece a captação pelo sistema reticuloendotelial e reduz a exposição das células tubulares renais.

Antifúngico poliênico lipossomal

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Infecções micóticas profundas graves e micoses sistêmicas endêmicas ou oportunistas: criptococose, candidíase disseminada, aspergilose, histoplasmose, mucormicose, coccidioidomicose e blastomicose.
  • Terapia empírica da febre de origem indeterminada em pacientes neutropênicos sem resposta à antibioticoterapia após 96 horas.
  • Terapia primária da leishmaniose visceral em adultos e crianças imunocompetentes.
  • Alguns casos de leishmaniose mucocutânea americana.
  • Meningite criptocócica e outras formas de neurocriptococose, em associação com flucitosina, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
  • Pacientes com indicação de anfotericina B e disfunção renal, intolerância ou falha ao desoxicolato.
Não indicado
  • Formas comuns e sem manifestações clínicas de micoses, comprovadas apenas por testes cutâneos ou sorológicos.
  • Hipersensibilidade à anfotericina B ou a qualquer excipiente da formulação.
  • Febre em neutropênico quando a causa provável for viral, parasitária ou micobacteriana.
  • Substituição direta pelo desoxicolato ou pelo complexo lipídico na mesma dose em mg/kg.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis1 apresentação

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Anfotericina B lipossomal 50 mgRENAME 2024Pó para solução para infusãoAnfotericina B lipossomal 50 mg/frasco-ampolaApós reconstituição 4 mg/mLExcipientes Fosfatidilcolina hidrogenada de soja, colesterol, distearoil fosfatidilglicerol, sacarose, alfatocoferol e succinato dissódicoCaixa com 10 frascos-ampola de 20 mL contendo 50 mg, acompanhados de 10 filtros estéreis de 5 µm.
AmBisome
Anfotericina B lipossomal 50 mgPó para solução para infusão
RENAME 2024
Concentração / composição
Anfotericina B lipossomal 50 mg/frasco-ampolaApós reconstituição 4 mg/mLExcipientes Fosfatidilcolina hidrogenada de soja, colesterol, distearoil fosfatidilglicerol, sacarose, alfatocoferol e succinato dissódico
EmbalagemCaixa com 10 frascos-ampola de 20 mL contendo 50 mg, acompanhados de 10 filtros estéreis de 5 µm.
Nomes comerciais
AmBisome
Atenção

Formulação lipossomal não é intercambiável

A anfotericina B lipossomal difere do desoxicolato e do complexo lipídico em dose, preparo, filtro e tempo de infusão. Não substituir uma formulação por outra sem nova prescrição.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Dose usual3 mg/kg/dia

Micoses sistêmicas e febre neutropênica.

Mucormicose5–10 mg/kg/dia

10 mg/kg/dia se houver acometimento do SNC.

Infusão30–60 min

Em 2 h para doses > 5 mg/kg/dia.

Dose-teste1 mg

Em até 10 min; observar por 30 min.

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via endovenosa10 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual3 mg/kg/dia24/24 hEm média 14 a 15 diasInfecções micóticas sistêmicas. Após o início, adaptar a dose às necessidades do paciente e à resposta clínica.
Febre persistente no neutropênico3 mg/kg/dia24/24 hAté resolução da febre e da neutropeniaFebre sem resposta a antibioticoterapia após 96 horas. Excluir, quando possível, causa viral, parasitária ou micobacteriana.
Leishmaniose visceral · bula1 a 1,5 mg/kg/dia24/24 h21 diasPacientes imunocompetentes.
3 mg/kg/dia24/24 h10 diasEsquema alternativo em imunocompetentes. Em imunocomprometidos, as recidivas são frequentes.
Leishmaniose visceral · Ministério da Saúde3 mg/kg/dia24/24 h7 diasDose total de cerca de 21 mg/kg. Indicada no SUS para grupos de risco (gestantes, idosos, imunossuprimidos, doença grave, insuficiência renal ou falha terapêutica).
4 mg/kg/dia24/24 h5 diasEsquema alternativo com dose total de 20 mg/kg.
Candidíase do SNC3 mg/kg/dia24/24 h2 semanas (indução)Com ou sem flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de fluconazol, conforme Nota Técnica do Ministério da Saúde.
Meningite criptocócica · indução3 a 4 mg/kg/dia24/24 h≥ 2 semanasAssociar flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de consolidação com fluconazol. Diretrizes da OMS admitem dose única de 10 mg/kg associada a flucitosina e fluconazol em pessoas com HIV; seguir o protocolo vigente.
Mucormicose · indução5 a 10 mg/kg/dia24/24 hMínimo de 3 a 6 semanasUsar 10 mg/kg/dia se houver acometimento do SNC. Associar desbridamento cirúrgico e controle da doença de base. Infundir em 2 horas.
Mucormicose · manutenção3 a 5 mg/kg3 vezes por semana6 semanas a 6 meses ou maisAlternativa ao isavuconazol ou posaconazol na consolidação, conforme remissão clínica e radiológica.
Dose usual
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoEm média 14 a 15 dias
Observações

Infecções micóticas sistêmicas. Após o início, adaptar a dose às necessidades do paciente e à resposta clínica.

Febre persistente no neutropênico
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoAté resolução da febre e da neutropenia
Observações

Febre sem resposta a antibioticoterapia após 96 horas. Excluir, quando possível, causa viral, parasitária ou micobacteriana.

Leishmaniose visceral · bula
1 a 1,5 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração21 dias
Observações

Pacientes imunocompetentes.

3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração10 dias
Observações

Esquema alternativo em imunocompetentes. Em imunocomprometidos, as recidivas são frequentes.

Leishmaniose visceral · Ministério da Saúde
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração7 dias
Observações

Dose total de cerca de 21 mg/kg. Indicada no SUS para grupos de risco (gestantes, idosos, imunossuprimidos, doença grave, insuficiência renal ou falha terapêutica).

4 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração5 dias
Observações

Esquema alternativo com dose total de 20 mg/kg.

Candidíase do SNC
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração2 semanas (indução)
Observações

Com ou sem flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de fluconazol, conforme Nota Técnica do Ministério da Saúde.

Meningite criptocócica · indução
3 a 4 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração≥ 2 semanas
Observações

Associar flucitosina 100 mg/kg/dia VO de 6/6 h, seguida de consolidação com fluconazol. Diretrizes da OMS admitem dose única de 10 mg/kg associada a flucitosina e fluconazol em pessoas com HIV; seguir o protocolo vigente.

Mucormicose · indução
5 a 10 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoMínimo de 3 a 6 semanas
Observações

Usar 10 mg/kg/dia se houver acometimento do SNC. Associar desbridamento cirúrgico e controle da doença de base. Infundir em 2 horas.

Mucormicose · manutenção
3 a 5 mg/kg3 vezes por semana
Detalhes
Duração6 semanas a 6 meses ou mais
Observações

Alternativa ao isavuconazol ou posaconazol na consolidação, conforme remissão clínica e radiológica.

Pediatria

Via endovenosa3 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual3 mg/kg/dia24/24 hEm média 14 a 15 diasCrianças a partir de 1 mês. Dose calculada por kg como no adulto e adaptada à resposta. Segurança e eficácia não estabelecidas abaixo de 1 mês.
Febre persistente no neutropênico3 mg/kg/dia24/24 hAté resolução da febre e da neutropeniaMesma dose por kg do adulto.
Leishmaniose visceral3 mg/kg/dia24/24 h7 a 10 diasBula: 3 mg/kg/dia por 10 dias em imunocompetentes. Ministério da Saúde: 3 mg/kg/dia por 7 dias ou 4 mg/kg/dia por 5 dias.
Dose usual
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoEm média 14 a 15 dias
Observações

Crianças a partir de 1 mês. Dose calculada por kg como no adulto e adaptada à resposta. Segurança e eficácia não estabelecidas abaixo de 1 mês.

Febre persistente no neutropênico
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoAté resolução da febre e da neutropenia
Observações

Mesma dose por kg do adulto.

Leishmaniose visceral
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração7 a 10 dias
Observações

Bula: 3 mg/kg/dia por 10 dias em imunocompetentes. Ministério da Saúde: 3 mg/kg/dia por 7 dias ou 4 mg/kg/dia por 5 dias.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria B

Usar quando o benefício superar o risco

Sem potencial teratogênico em ratos e coelhos. Segurança em gestantes não bem estabelecida, mas é a opção de escolha para leishmaniose visceral na gestação no SUS.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Decidir entre manter o aleitamento ou o tratamento

Excreção no leite desconhecida. Considerar o benefício do tratamento materno, o benefício do aleitamento e o risco potencial ao lactente.

Ajuste por órgão

Não há ajuste posológico específicoInsuficiência renal · Hemodiálise e hemofiltração · Insuficiência hepática

Doses de 1 a 5 mg/kg/dia foram usadas em comprometimento renal prévio sem ajuste. Monitorar função renal antes e durante o tratamento; reduzir, interromper ou suspender se houver piora clinicamente significativa. Hemodiálise e diálise peritoneal não parecem alterar a eliminação. Evitar administrar durante a sessão. Não há dados para recomendação de dose. Monitorar provas hepáticas; considerar redução ou interrupção se houver piora relevante.

Outras populações

CondiçãoAjuste / DoseFrequênciaObservações
IdosoSem ajusteSem ajuste posológico específicoConforme indicaçãoSem ajuste. Não é necessário alterar dose ou frequência; atenção à função renal e aos eletrólitos.
Diabetes mellitusMonitorar glicemiaDose habitualConforme indicaçãoMonitorar glicemia. A formulação contém sacarose; monitorar glicemia. Evitar em intolerância hereditária à frutose, má absorção de glicose-galactose ou deficiência de sacarase-isomaltase.
IdosoSem ajuste
Sem ajuste posológico específico
FrequênciaConforme indicação
Observações

Sem ajuste. Não é necessário alterar dose ou frequência; atenção à função renal e aos eletrólitos.

Diabetes mellitusMonitorar glicemia
Dose habitual
FrequênciaConforme indicação
Observações

Monitorar glicemia. A formulação contém sacarose; monitorar glicemia. Evitar em intolerância hereditária à frutose, má absorção de glicose-galactose ou deficiência de sacarase-isomaltase.

Modelos de prescrição2 modelos

Adulto · dose usualVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · dose usualVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSG 5% (exclusivo)
Via principalInfusão endovenosa

Infundir em 30 a 60 minutos, na concentração de 0,2 a 2 mg/mL em SG 5%. Para doses acima de 5 mg/kg/dia, infundir em 2 horas. Infusões mais lentas reduzem reações relacionadas à infusão.

ReconstituiçãoReconstituir com 12 mL de água para injetáveis (4 mg/mL)

Imediatamente após adicionar a água, agitar vigorosamente por 30 segundos até dispersão completa (dispersão amarela translúcida). Não usar soluções salinas nem diluentes com agentes bacteriostáticos.

Técnica de aplicação6 passos

1
Confirme a formulação e a dose

Verifique que o produto é a anfotericina B lipossomal e calcule a dose em mg/kg e o número de frascos de 50 mg.

2
Reconstitua e agite vigorosamente

Adicionar 12 mL de água para injetáveis a cada frasco e agitar vigorosamente por 30 segundos. Continuar agitando se houver partículas; não usar se houver precipitado.

3
Filtre ao transferir

Aspirar o volume calculado (4 mg/mL) e instilar no SG 5% através do filtro de 5 µm fornecido, um por frasco.

4
Dilua em SG 5%

Diluir em 1 a 19 partes de SG 5% para concentração final de 2 a 0,2 mg/mL. Não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos.

5
Faça a dose-teste

Na primeira administração, infundir 1 mg em até 10 minutos, interromper e observar o paciente por 30 minutos antes de prosseguir.

6
Infunda em via preparada

Lavar acesso previamente usado com SF 0,9% com SG 5% antes da infusão, ou usar via exclusiva. Filtro de linha, se usado, com poro ≥ 1 µm. Infundir em 30–60 min (2 h se > 5 mg/kg/dia).

Diluições e preparo4 preparos

Reconstituição do frasco

Etapa obrigatória antes da diluição

4 mg/mL

50 mg + 12 mL de água para injetáveis

  1. Adicionar 12 mL de água para injetáveis sem conservante.
  2. Agitar vigorosamente por 30 segundos imediatamente após a adição.
  3. Verificar dispersão amarela translúcida, sem partículas.
Volume final12,5 mL
DiluenteÁgua para injetáveis
EstabilidadeUsar imediatamente; se necessário, até 24 horas entre 2 e 8 °C. Estabilidade físico-química de 24 horas a 25 °C no frasco quando preparado em condições assépticas validadas

Não reconstituir com soluções salinas.

Reconstituição do frascoEtapa obrigatória antes da diluição4 mg/mL

50 mg + 12 mL de água para injetáveis

  1. Adicionar 12 mL de água para injetáveis sem conservante.
  2. Agitar vigorosamente por 30 segundos imediatamente após a adição.
  3. Verificar dispersão amarela translúcida, sem partículas.
Volume final12,5 mL
DiluenteÁgua para injetáveis
EstabilidadeUsar imediatamente; se necessário, até 24 horas entre 2 e 8 °C. Estabilidade físico-química de 24 horas a 25 °C no frasco quando preparado em condições assépticas validadas

Não reconstituir com soluções salinas.

Infusão diluída a 2 mg/mL

Menor volume (restrição hídrica, pediatria)

2 mg/mL

Volume reconstituído + igual volume de SG 5% (diluição 1:2)

  1. Aspirar o volume reconstituído correspondente à dose.
  2. Transferir ao SG 5% através do filtro de 5 µm.
  3. Homogeneizar suavemente.
Volume finalExemplo: 3 mg/kg em 70 kg (210 mg) = 52,5 mL + 52,5 mL de SG 5% = 105 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo30–60 minutos (2 horas se > 5 mg/kg/dia)

Não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos.

Infusão diluída a 2 mg/mLMenor volume (restrição hídrica, pediatria)2 mg/mL

Volume reconstituído + igual volume de SG 5% (diluição 1:2)

  1. Aspirar o volume reconstituído correspondente à dose.
  2. Transferir ao SG 5% através do filtro de 5 µm.
  3. Homogeneizar suavemente.
Volume finalExemplo: 3 mg/kg em 70 kg (210 mg) = 52,5 mL + 52,5 mL de SG 5% = 105 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo30–60 minutos (2 horas se > 5 mg/kg/dia)

Não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos.

Infusão diluída a 0,2 mg/mL

Concentração mínima recomendada

0,2 mg/mL

Volume reconstituído + 19 partes de SG 5% (diluição 1:20)

  1. Aspirar o volume reconstituído correspondente à dose.
  2. Transferir ao SG 5% através do filtro de 5 µm.
  3. Homogeneizar suavemente.
Volume finalExemplo: 210 mg = 52,5 mL + 997,5 mL de SG 5% = 1.050 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo30–60 minutos (2 horas se > 5 mg/kg/dia)

Concentrações intermediárias entre 0,2 e 2 mg/mL podem ser usadas conforme volume tolerado.

Infusão diluída a 0,2 mg/mLConcentração mínima recomendada0,2 mg/mL

Volume reconstituído + 19 partes de SG 5% (diluição 1:20)

  1. Aspirar o volume reconstituído correspondente à dose.
  2. Transferir ao SG 5% através do filtro de 5 µm.
  3. Homogeneizar suavemente.
Volume finalExemplo: 210 mg = 52,5 mL + 997,5 mL de SG 5% = 1.050 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo30–60 minutos (2 horas se > 5 mg/kg/dia)

Concentrações intermediárias entre 0,2 e 2 mg/mL podem ser usadas conforme volume tolerado.

Dose-teste

Antes da primeira dose terapêutica

Da solução preparada

1 mg da solução de infusão

  1. Infundir o volume correspondente a 1 mg em até 10 minutos.
  2. Interromper e observar o paciente por 30 minutos.
  3. Na ausência de reação, completar a infusão da dose.
Tempo / modoAté 10 minutos + 30 minutos de observação

Reação anafilática ou anafilactoide grave contraindica novas infusões.

Dose-testeAntes da primeira dose terapêuticaDa solução preparada

1 mg da solução de infusão

  1. Infundir o volume correspondente a 1 mg em até 10 minutos.
  2. Interromper e observar o paciente por 30 minutos.
  3. Na ausência de reação, completar a infusão da dose.
Tempo / modoAté 10 minutos + 30 minutos de observação

Reação anafilática ou anafilactoide grave contraindica novas infusões.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaInfusão em 30–60 min a 0,2–2 mg/mL em SG 5%; 2 h para doses > 5 mg/kg/dia.
IntramuscularNão usarNão é via de administração.
SubcutâneaNão usarNão é via de administração.
OralNão se aplicaSem uso oral.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
SNG/SNENão se aplicaNão se aplica.
EndovenosaVia indicada
Observações

Infusão em 30–60 min a 0,2–2 mg/mL em SG 5%; 2 h para doses > 5 mg/kg/dia.

IntramuscularNão usar
Observações

Não é via de administração.

SubcutâneaNão usar
Observações

Não é via de administração.

OralNão se aplica
Observações

Sem uso oral.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Acesso venoso

Incompatível com soluções salinas

Não administrar em acesso com SF 0,9% sem lavagem prévia com SG 5%; se não for possível, usar acesso separado. Não misturar com outros medicamentos.

Reações infusionais

Infusão mais lenta e pré-medicação

Febre, calafrios, dor torácica, dorsalgia, dispneia e rubor cedem ao interromper a infusão. Infundir em mais de 2 horas e pré-medicar com difenidramina, paracetamol, petidina ou hidrocortisona são medidas eficazes.

Transfusão de leucócitos

Espaçar ao máximo

Há relatos de toxicidade pulmonar aguda com anfotericina B administrada durante ou logo após transfusão de leucócitos. Manter o maior intervalo possível e monitorar função pulmonar.

Laboratório

Falsa elevação do fósforo

O fosfato sérico pode estar falsamente elevado em ensaios do tipo PHOSm. Interpretar hiperfosfatemia isolada com cautela.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Menos tóxica, mas não isenta de toxicidade

A nefrotoxicidade é aproximadamente metade da observada com o desoxicolato, mas aumento de creatinina, hipocalemia e hipomagnesemia são frequentes, sobretudo em doses altas. Reações anafiláticas exigem dose-teste e interrupção definitiva quando graves.

Contraindicações4 itens

  • Hipersensibilidade à anfotericina B ou a qualquer excipiente da formulação, salvo infecção com risco de vida tratável somente com anfotericina B, sob julgamento e vigilância rigorosos.
  • Reação anafilática ou anafilactoide grave em infusão prévia.
  • Micoses comuns ou sem manifestação clínica, comprovadas apenas por testes cutâneos ou sorológicos.
  • Intolerância hereditária à frutose, má absorção de glicose-galactose ou deficiência de sacarase-isomaltase, pela presença de sacarose.

Populações especiais

Gestação

Categoria B

Sem teratogenicidade em ratos e coelhos; segurança em gestantes não bem estabelecida. Usar quando o benefício superar o risco para mãe e feto.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Não se sabe se é excretada no leite humano. Decidir entre manter o aleitamento ou o tratamento considerando riscos e benefícios.

Função renal

Sem ajuste específico

Sem ajuste de dose ou frequência no comprometimento renal prévio. Monitorar a função renal antes e durante o tratamento; evitar a infusão durante hemodiálise ou hemofiltração.

Função hepática

Sem ajuste definido

Não há dados para recomendar ajuste. Monitorar provas hepáticas e reavaliar a dose em caso de piora.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Sinais de anafilaxia durante a dose-teste e as primeiras infusões.
  • Febre, calafrios, dor torácica, dorsalgia, dispneia e hipotensão relacionados à infusão.
  • Função pulmonar em transfusões de leucócitos.
  • Glicemia em pacientes diabéticos.
  • Resposta clínica e micológica.
Sinais de alerta
  • Creatinina e ureia antes e durante o tratamento, com maior frequência em doença renal prévia ou nefrotóxicos associados.
  • Potássio e magnésio regularmente, com reposição apropriada.
  • Função hepática e hemograma periódicos.
  • Interpretar o fósforo sérico com cautela pela possível interferência analítica.

Eventos adversos

Muito comuns≥ 10%
Calafrios e febreNáuseas e vômitosHipocalemia
Comuns1–10%
Aumento de creatinina e ureiaHiponatremia, hipocalcemia, hipomagnesemia, hipercalemia e hiperglicemiaTaquicardia, hipotensão, vasodilatação e ruborCefaleia, dispneia, dor torácica e dorsalgiaDiarreia, dor abdominal e rashAlteração de provas hepáticas, hiperbilirrubinemia e aumento de fosfatase alcalina
Incomuns0,1–1%
TrombocitopeniaConvulsãoBroncoespasmoReação anafilactoide
GravesRaros ou frequência desconhecida
Anafilaxia e angioedemaArritmias e parada cardíaca, inclusive por hipercalemiaInsuficiência renalRabdomiólise associada à hipocalemiaAgranulocitose e cistite hemorrágica

Advertências

  • Não equivalente a outros produtos com anfotericina B; não substituir sem nova prescrição.
  • Administrar dose-teste antes da primeira infusão; reação anafilática grave exige interrupção imediata e definitiva.
  • Doses de 5, 6 ou 10 mg/kg/dia aumentam a incidência de elevação de creatinina, hipocalemia e hipomagnesemia em comparação com 3 mg/kg/dia.
  • Hipercalemia, com arritmias e parada cardíaca, foi descrita sobretudo em insuficiência renal e em pacientes com reposição de potássio.
  • Piora renal, hepática ou hematológica clinicamente significativa exige redução, interrupção ou suspensão.
  • Contém sacarose: monitorar glicemia em diabéticos.
  • Reservar para micoses clinicamente manifestas; não tratar achados isolados de testes cutâneos ou sorológicos.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Anfotericina B

Polieno que se concentra na bicamada lipídica dos lipossomas e, liberado no sítio de infecção, liga-se ao ergosterol da membrana fúngica, alterando sua permeabilidade e causando extravasamento de íons e pequenas moléculas. É fungistática ou fungicida conforme a concentração e a suscetibilidade, e também ativa contra Leishmania.

Farmacocinética

Concentrações plasmáticas altas e cinética não linear

Com 1 a 7,5 mg/kg/dia, a Cmáx variou de cerca de 7 a 84 µg/mL e a AUC de 27 a 555 µg·h/mL, valores muito superiores aos do desoxicolato. O estado de equilíbrio é atingido em cerca de 4 dias.

A cinética é não linear, com concentrações proporcionalmente maiores que o aumento da dose, atribuída à saturação da captação pelo sistema reticuloendotelial. Não há acúmulo plasmático significativo com doses repetidas.

Cmáx altaNão linearEquilíbrio em ~4 dias
Distribuição e eliminação

Ampla distribuição tecidual e baixa exposição tubular

O volume de distribuição sugere ampla distribuição tecidual. A meia-vida de eliminação terminal após doses repetidas é de cerca de 7 horas no plasma.

Pelo tamanho dos lipossomas, a formulação não é filtrada pelos glomérulos, o que reduz a interação com as células do túbulo distal e o potencial nefrotóxico. O metabolismo é desconhecido e a diálise não altera a eliminação.

t½ terminal ~7 hNão filtrada no gloméruloNão dialisável

Interações medicamentosas

Não há estudos formais de interação com a formulação lipossomal, mas aplicam-se as interações conhecidas da anfotericina B. Outros nefrotóxicos, como ciclosporina, tacrolimo, aminoglicosídeos, pentamidina, foscarnete e vancomicina, somam risco renal, ainda que a nefrotoxicidade seja menor que com o desoxicolato; monitorar a função renal regularmente. Corticosteroides, corticotropina e diuréticos de alça ou tiazídicos potencializam a hipocalemia, que por sua vez aumenta a toxicidade de digitálicos, o efeito de relaxantes musculares esqueléticos e o risco de arritmias com fármacos que prolongam o QT; controlar potássio, magnésio e função cardíaca. Antineoplásicos aumentam o risco de nefrotoxicidade, broncoespasmo e hipotensão. A flucitosina pode ter toxicidade aumentada por maior captação celular ou menor excreção renal, exigindo vigilância hematológica. Azólicos podem induzir resistência à anfotericina B em modelos experimentais; combinações devem ser feitas com cautela. Transfusões de leucócitos devem ser espaçadas ao máximo pelo risco de toxicidade pulmonar aguda. Em laboratório, pode haver falsa elevação do fósforo sérico em determinados ensaios.

Informação regulatória

SUSRENAME 2024Anfotericina B lipossomal 50 mg integra o Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica, com aquisição centralizada pelo Ministério da Saúde para leishmanioses e micoses sistêmicas e oportunistas, mediante solicitação e critérios específicos.
GenéricoNão disponívelNo mercado brasileiro, a formulação lipossomal é comercializada como AmBisome, de uso restrito a estabelecimentos de saúde, sem genérico registrado.
ATCJ02AA01WHO ATC/DDD: anfotericina B, antimicótico de uso sistêmico. DDD parenteral das formulações lipídicas: 210 mg.

Receituário

Tipo de receitaReceita simples · prescrição hospitalar
Número de vias2 vias
RetençãoNão consta na lista da RDC 471/2021
ValidadeConforme norma institucional

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

AmBisome® — anfotericina B lipossomal 50 mg

United Medical Ltda. / Gilead Sciences. Bula para o profissional de saúde aprovada pela Anvisa em 12/12/2025: indicações, posologia, preparo, estabilidade, farmacocinética e segurança.

2025
02
Ministério da Saúde

Nota Técnica nº 7/2024-CGTM/DATHI/SVSA/MS

Recomendações para candidíase invasiva e mucormicose no SUS, com esquemas de anfotericina B lipossomal em infecção do SNC e mucormicose.

2024
03
Ministério da Saúde

Leishmaniose visceral: recomendações clínicas para redução da letalidade

Esquemas de anfotericina B lipossomal de 3 mg/kg/dia por 7 dias ou 4 mg/kg/dia por 5 dias e critérios de indicação.

2011
04
Diretriz internacional

WHO Guidelines for diagnosing, preventing and managing cryptococcal disease among adults, adolescents and children living with HIV

Indução com dose única de 10 mg/kg de anfotericina B lipossomal associada a flucitosina e fluconazol.

2022
05
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Anfotericina B lipossomal no Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica.

2024
06
Classificação

ATC/DDD Index — J02AA01

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Amphotericin B: DDD parenteral de 210 mg para formulações lipídicas.

2026
07
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021 e IN nº 360/2025

Critérios de prescrição e retenção de receita de antimicrobianos e lista de substâncias abrangidas.

2025
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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