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Bulário clínico · Antifúngico

Anfotericina B Complexo Lipídico

Formulação lipídica da anfotericina B complexada a fosfolipídios, indicada na candidíase invasiva grave e como segunda linha em micoses sistêmicas graves refratárias, com intolerância ou contraindicação ao desoxicolato. Dose usual de até 5 mg/kg/dia em infusão única a 2,5 mg/kg/h.

Antifúngico poliênicoComplexo lipídicoInfusão EVUso hospitalarPotássio e magnésioNão intercambiável

Revisado em pela equipe MedFoco

Não substituir por outra formulação de anfotericina B

O complexo lipídico é usado em até 5 mg/kg/dia, enquanto o desoxicolato não pode exceder 1,5 mg/kg/dia, e a formulação lipossomal tem preparo e tempo de infusão próprios. A troca sem recalcular dose e preparo é erro de medicação potencialmente fatal.

Informações rápidas Toque em um cartão para abrir o resumo sem sair da página.

Visão geral

O essencial do perfil clínico em uma tela.

O que é o complexo lipídico de anfotericina B?

É uma suspensão de anfotericina B complexada, em razão molar 1:1, com dois fosfolipídios — dimiristoilfosfatidilcolina (DMPC) e dimiristoilfosfatidilglicerol (DMPG). A formulação forma estruturas em fita captadas pelo sistema reticuloendotelial, com concentrações elevadas em fígado, baço e pulmão e menor exposição renal que o desoxicolato. Não é intercambiável com as demais formulações de anfotericina B.

ViaEndovenosa exclusiva
Faixa etáriaAdulto e ≥ 1 mês
SUSRENAME 2024 · Estratégico
ReceitaSimples · uso hospitalar

Composição e papel de cada componente1 ativos

Anfotericina B

Liga-se aos esteróis da membrana de fungos suscetíveis, alterando sua permeabilidade. O complexo com DMPC e DMPG modifica a distribuição tecidual e reduz a toxicidade renal em relação ao desoxicolato.

Antifúngico poliênico em complexo lipídico

Quando usar e quando evitar

Indicações
  • Candidíase invasiva grave, incluindo candidemia e formas disseminadas.
  • Segunda linha em infecções fúngicas sistêmicas graves sem resposta à anfotericina B convencional ou a outros antifúngicos sistêmicos.
  • Pacientes com comprometimento renal, outras contraindicações ou nefrotoxicidade associada à anfotericina B convencional.
  • Segunda linha em aspergilose invasiva, meningite criptocócica e criptococose disseminada em pessoas com HIV.
  • Leishmaniose cutânea e visceral em pessoas com HIV.
  • Fusariose, coccidioidomicose, paracoccidioidomicose, histoplasmose, zigomicose (mucormicose) e blastomicose.
Não indicado
  • Infecções fúngicas comuns, superficiais ou detectáveis apenas por testes cutâneos ou sorológicos.
  • Hipersensibilidade à anfotericina B ou aos componentes da formulação, salvo quando o benefício superar o risco.
  • Substituição direta pelo desoxicolato ou pela formulação lipossomal na mesma dose em mg/kg.
  • Recém-nascidos prematuros com aspergilose, por ausência de dados de eficácia e segurança.

Apresentações

Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.

Apresentações disponíveis1 apresentação

ApresentaçãoForma farmacêuticaConcentração / composiçãoEmbalagemNomes comerciais
Anfotericina B complexo lipídico 5 mg/mLAbastecimento irregularSuspensão injetávelAnfotericina B 5 mg/mL (100 mg/frasco)Veículo lipídico DMPC e DMPGOutros excipientes Cloreto de sódio e água para injetáveisFrasco-ampola de 20 mL de uso único, acompanhado de 1 agulha-filtro de 5 µm.
Abelcet
Anfotericina B complexo lipídico 5 mg/mLSuspensão injetável
Abastecimento irregular
Concentração / composição
Anfotericina B 5 mg/mL (100 mg/frasco)Veículo lipídico DMPC e DMPGOutros excipientes Cloreto de sódio e água para injetáveis
EmbalagemFrasco-ampola de 20 mL de uso único, acompanhado de 1 agulha-filtro de 5 µm.
Nomes comerciais
Abelcet
Atenção

Disponibilidade sujeita a interrupções

O fabricante comunicou à Anvisa descontinuação temporária de fabricação em 2025, após períodos anteriores de desabastecimento em que o Ministério da Saúde recorreu à importação via OPAS. Confirme a disponibilidade antes de planejar o tratamento e, se necessário, use a formulação lipossomal com a posologia própria.

Posologia

Dose, frequência e duração por população.

Dose diária1–5 mg/kg/dia

Infusão única; 5 mg/kg/dia nas infecções graves.

Pediatria2–5 mg/kg/dia

A partir de 1 mês, por peso.

Velocidade2,5 mg/kg/h

5 mg/kg correspondem a 2 horas de infusão.

Duração≥ 14 dias

SNC: 2 a 6 semanas conforme resposta.

Esquemas por população3 grupos

Adulto

Via endovenosa7 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual1 a 5 mg/kg/dia24/24 h, em infusão únicaMínimo de 14 dias em infecções sistêmicas gravesMicoses sistêmicas: iniciar com 1 mg/kg/dia e aumentar até 5 mg/kg/dia conforme necessidade. Infusão a 2,5 mg/kg/h. Infecções do SNC: 2 a 6 semanas.
Candidíase invasiva e candidemia5 mg/kg/dia24/24 h≥ 14 dias após hemocultura negativaEsquema do Ministério da Saúde, também para candidíase disseminada crônica, intra-abdominal e osteoarticular resistente a fluconazol. Exige resolução dos sintomas e hemoculturas seriadas.
Endoftalmite e coriorretinite por Candida5 mg/kg/dia24/24 h4 a 6 semanasAlternativa a fluconazol ou voriconazol em protocolo do Ministério da Saúde.
Candidíase do SNC5 mg/kg/dia24/24 hAté regressão clínica, de imagem e do líquorUsar na indisponibilidade da anfotericina B lipossomal.
Mucormicose5 mg/kg/dia24/24 hMínimo de 3 a 6 semanasAlternativa à anfotericina B lipossomal em dose alta, associada a desbridamento cirúrgico e controle da doença de base.
Leishmaniose visceral3 mg/kg/dia24/24 h5 a 10 diasIndicação de bula, sobretudo em pessoas com HIV. No SUS, a formulação lipossomal é a opção habitual.
Candidúria em paciente de alto risco5 mg/kg/dia24/24 hAté 2 semanasIsolado resistente a fluconazol ou paciente de alto risco, conforme Ministério da Saúde. Trocar a sonda vesical.
Dose usual
1 a 5 mg/kg/dia24/24 h, em infusão única
Detalhes
DuraçãoMínimo de 14 dias em infecções sistêmicas graves
Observações

Micoses sistêmicas: iniciar com 1 mg/kg/dia e aumentar até 5 mg/kg/dia conforme necessidade. Infusão a 2,5 mg/kg/h. Infecções do SNC: 2 a 6 semanas.

Candidíase invasiva e candidemia
5 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração≥ 14 dias após hemocultura negativa
Observações

Esquema do Ministério da Saúde, também para candidíase disseminada crônica, intra-abdominal e osteoarticular resistente a fluconazol. Exige resolução dos sintomas e hemoculturas seriadas.

Endoftalmite e coriorretinite por Candida
5 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração4 a 6 semanas
Observações

Alternativa a fluconazol ou voriconazol em protocolo do Ministério da Saúde.

Candidíase do SNC
5 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoAté regressão clínica, de imagem e do líquor
Observações

Usar na indisponibilidade da anfotericina B lipossomal.

Mucormicose
5 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoMínimo de 3 a 6 semanas
Observações

Alternativa à anfotericina B lipossomal em dose alta, associada a desbridamento cirúrgico e controle da doença de base.

Leishmaniose visceral
3 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
Duração5 a 10 dias
Observações

Indicação de bula, sobretudo em pessoas com HIV. No SUS, a formulação lipossomal é a opção habitual.

Candidúria em paciente de alto risco
5 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoAté 2 semanas
Observações

Isolado resistente a fluconazol ou paciente de alto risco, conforme Ministério da Saúde. Trocar a sonda vesical.

Pediatria e neonatologia

Via endovenosa2 esquemas
IndicaçãoDoseFrequênciaDuraçãoObservações
Dose usual2 a 5 mg/kg/dia24/24 h, em infusão únicaMínimo de 14 dias em infecções sistêmicas gravesInfecção fúngica sistêmica de 1 mês a 16 anos, com doses comparáveis às do adulto por peso. Infusão a 2,5 mg/kg/h; concentração final até 2 mg/mL se houver restrição hídrica.
Candidíase invasiva neonatal2,5 a 5 mg/kg/dia24/24 hConforme protocolo neonatalHá estudo em neonatos com candidíase invasiva nesta faixa de dose, mas os dados de eficácia e segurança abaixo de 1 mês são considerados insuficientes. Uso individualizado por equipe especializada.
Dose usual
2 a 5 mg/kg/dia24/24 h, em infusão única
Detalhes
DuraçãoMínimo de 14 dias em infecções sistêmicas graves
Observações

Infecção fúngica sistêmica de 1 mês a 16 anos, com doses comparáveis às do adulto por peso. Infusão a 2,5 mg/kg/h; concentração final até 2 mg/mL se houver restrição hídrica.

Candidíase invasiva neonatal
2,5 a 5 mg/kg/dia24/24 h
Detalhes
DuraçãoConforme protocolo neonatal
Observações

Há estudo em neonatos com candidíase invasiva nesta faixa de dose, mas os dados de eficácia e segurança abaixo de 1 mês são considerados insuficientes. Uso individualizado por equipe especializada.

Populações especiais

Gestação e lactação

Gestação

Categoria C

Usar somente se o benefício superar o risco

Sem dano fetal em ratos e coelhos com doses inferiores às humanas; não há estudos controlados em gestantes.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Decidir entre suspender o aleitamento ou o tratamento

Excreção no leite desconhecida. Considerar a necessidade do tratamento materno e o potencial de reações graves no lactente.

Ajuste por órgão

Não há ajuste posológico específicoInsuficiência renal · Diálise ou hemofiltração · Insuficiência hepática

Usado com doses comparáveis às recomendadas por peso. Monitorar creatinina antes e durante o tratamento, além de potássio e magnésio. Pode ser administrado durante diálise ou hemofiltração; hemodiálise e diálise peritoneal não aumentam a eliminação. Pacientes com disfunção hepática por infecção, doença do enxerto contra o hospedeiro ou fármacos hepatotóxicos foram tratados com doses habituais. Monitorar provas hepáticas.

Outras populações

Não há ajuste posológico específicoIdoso · Diabetes mellitus

Doses habituais por peso. Elevação de creatinina e dispneia foram mais frequentes acima de 65 anos. Pode ser usado em diabéticos com doses habituais por peso; considerar o aporte de glicose do diluente.

Modelos de prescrição2 modelos

Adulto · dose usualVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.
Pediatria · dose usualVia endovenosaAbrir modelo
Texto da prescriçãoVocê pode alterar livremente o conteúdo antes de copiar.

Administração

Técnica de aplicação, vias e situações especiais.

DiluentesSG 5% (exclusivo)ReconstituiçãoNão requer
Via principalInfusão endovenosa

Infusão única diária a 2,5 mg/kg/h, preferencialmente em bomba de infusão, na concentração de 1 mg/mL em SG 5% (até 2 mg/mL em pediatria, cardiopatia ou restrição hídrica).

Técnica de aplicação6 passos

1
Confirme a formulação e a dose

Verifique que se trata do complexo lipídico (5 mg/mL; 100 mg por frasco) e calcule dose, número de frascos e volume.

2
Homogeneíze o frasco

Agitar suavemente até desaparecer o sedimento amarelo. Aspirar a dose com seringa e agulha calibre 18.

3
Troque pela agulha-filtro

Substituir a agulha pela agulha-filtro de 5 µm fornecida. Uma agulha-filtro pode ser usada para até quatro frascos.

4
Dilua em SG 5%

Injetar o conteúdo filtrado em bolsa de SG 5% para concentração final de 1 mg/mL (até 2 mg/mL em pediatria, cardiopatia ou restrição hídrica). Homogeneizar a bolsa.

5
Faça a dose-teste

Na primeira administração, realizar dose-teste imediatamente antes da infusão, com observação clínica estreita, conforme protocolo institucional.

6
Infunda a 2,5 mg/kg/h

Usar bomba de infusão, via lavada com SG 5% ou exclusiva, sem filtro de linha. Se a infusão durar mais de 2 horas, homogeneizar a bolsa a cada 2 horas.

Diluições e preparo2 preparos

Infusão padrão

Adultos

1 mg/mL

Volume da dose (5 mg/mL) + 4 volumes de SG 5%

  1. Aspirar a dose com agulha 18G e trocar pela agulha-filtro de 5 µm.
  2. Injetar na bolsa de SG 5% até 1 mg/mL.
  3. Homogeneizar completamente antes de iniciar.
Volume finalExemplo: 5 mg/kg em 70 kg (350 mg) = 70 mL + 280 mL de SG 5% = 350 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo2,5 mg/kg/h (5 mg/kg em cerca de 2 horas)
EstabilidadeAté 48 horas entre 2 e 8 °C e mais 6 horas em temperatura ambiente

Não diluir em soluções salinas, não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos e não usar filtro de linha.

Infusão padrãoAdultos1 mg/mL

Volume da dose (5 mg/mL) + 4 volumes de SG 5%

  1. Aspirar a dose com agulha 18G e trocar pela agulha-filtro de 5 µm.
  2. Injetar na bolsa de SG 5% até 1 mg/mL.
  3. Homogeneizar completamente antes de iniciar.
Volume finalExemplo: 5 mg/kg em 70 kg (350 mg) = 70 mL + 280 mL de SG 5% = 350 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo2,5 mg/kg/h (5 mg/kg em cerca de 2 horas)
EstabilidadeAté 48 horas entre 2 e 8 °C e mais 6 horas em temperatura ambiente

Não diluir em soluções salinas, não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos e não usar filtro de linha.

Infusão concentrada

Pediatria, cardiopatia ou restrição hídrica

2 mg/mL

Volume da dose (5 mg/mL) + 1,5 volume de SG 5%

  1. Aspirar a dose e filtrar com a agulha-filtro de 5 µm.
  2. Injetar no SG 5% até 2 mg/mL.
  3. Homogeneizar antes de iniciar e a cada 2 horas se a infusão for prolongada.
Volume finalExemplo: 50 mg = 10 mL + 15 mL de SG 5% = 25 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo2,5 mg/kg/h
EstabilidadeAté 48 horas entre 2 e 8 °C e mais 6 horas em temperatura ambiente

Concentração máxima permitida para infusão.

Infusão concentradaPediatria, cardiopatia ou restrição hídrica2 mg/mL

Volume da dose (5 mg/mL) + 1,5 volume de SG 5%

  1. Aspirar a dose e filtrar com a agulha-filtro de 5 µm.
  2. Injetar no SG 5% até 2 mg/mL.
  3. Homogeneizar antes de iniciar e a cada 2 horas se a infusão for prolongada.
Volume finalExemplo: 50 mg = 10 mL + 15 mL de SG 5% = 25 mL
DiluenteSG 5%
Tempo / modo2,5 mg/kg/h
EstabilidadeAté 48 horas entre 2 e 8 °C e mais 6 horas em temperatura ambiente

Concentração máxima permitida para infusão.

Compatibilidade por via

ViaStatusObservações
EndovenosaVia indicadaInfusão a 2,5 mg/kg/h em SG 5% (1–2 mg/mL), em bomba de infusão e sem filtro de linha.
IntramuscularNão usarNão há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV.
SubcutâneaNão usarNão há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV.
OralNão se aplicaSem uso oral.
SublingualNão se aplicaNão se aplica.
RetalNão se aplicaNão se aplica.
Tópica/mucosasNão se aplicaNão se aplica.
SNG/SNENão se aplicaNão se aplica.
EndovenosaVia indicada
Observações

Infusão a 2,5 mg/kg/h em SG 5% (1–2 mg/mL), em bomba de infusão e sem filtro de linha.

IntramuscularNão usar
Observações

Não há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV.

SubcutâneaNão usar
Observações

Não há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV.

OralNão se aplica
Observações

Sem uso oral.

SublingualNão se aplica
Observações

Não se aplica.

RetalNão se aplica
Observações

Não se aplica.

Tópica/mucosasNão se aplica
Observações

Não se aplica.

SNG/SNENão se aplica
Observações

Não se aplica.

Situações especiais

Acesso venoso

Lavar com SG 5% ou usar via exclusiva

Não infundir com soluções salinas, eletrólitos ou outros medicamentos. Lavar o acesso existente com SG 5% antes da infusão.

Filtros

Agulha-filtro sim, filtro de linha não

A filtração ocorre na transferência com a agulha-filtro de 5 µm. Não usar filtro de linha durante a infusão.

Reações infusionais

Mais frequentes nos dois primeiros dias

Febre e calafrios costumam ser leves e diminuir com os dias. Pré-medicação com antipiréticos, anti-histamínicos e antieméticos foi eficaz na prevenção e no tratamento.

Transfusão de leucócitos

Não administrar simultaneamente

Toxicidade pulmonar aguda foi descrita com anfotericina B e transfusão de leucócitos. Separar as infusões ao máximo.

Cuidados

Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.

Menor nefrotoxicidade, mesma vigilância

O complexo lipídico é menos nefrotóxico que o desoxicolato, mas calafrios, febre, aumento de creatinina e hipocalemia são frequentes. Dificuldade respiratória grave durante a infusão exige suspensão imediata e contraindica novas infusões.

Contraindicações4 itens

  • Hipersensibilidade conhecida à anfotericina B ou a qualquer componente da formulação, salvo quando o benefício superar o risco.
  • Reação anafilática ou dificuldade respiratória grave em infusão prévia.
  • Infecções fúngicas comuns, superficiais ou detectáveis apenas por testes cutâneos ou sorológicos.
  • Administração por vias diferentes da endovenosa.

Populações especiais

Gestação

Categoria C

Sem dano fetal em ratos e coelhos com doses até 0,64 vez a humana, mas sem estudos controlados em gestantes. Usar somente se o benefício superar os riscos para mãe e feto.

Lactação

Avaliar risco-benefício

Excreção no leite desconhecida. Decidir entre suspender a amamentação ou o tratamento, considerando a necessidade materna.

Função renal

Sem ajuste específico

Usado com doses habituais por peso em insuficiência renal, inclusive em diálise ou hemofiltração. Pacientes com creatinina basal > 2,5 mg/dL apresentaram queda da creatinina durante o tratamento. Monitorar creatinina, potássio e magnésio.

Função hepática

Sem ajuste específico

Efeito da insuficiência hepática desconhecido; pacientes com disfunção hepática foram tratados com doses habituais. Monitorar provas hepáticas.

Monitoramento

Sinais de melhora
  • Febre, calafrios, hipotensão, broncoespasmo e dessaturação durante a infusão, sobretudo nos dois primeiros dias.
  • Sinais de hipercalemia ou hipocalemia, como fraqueza muscular e arritmias.
  • Função respiratória em transfusões de leucócitos.
  • Resposta clínica e micológica.
Sinais de alerta
  • Creatinina sérica em intervalos frequentes.
  • Potássio e magnésio séricos regularmente.
  • Hemograma completo e função hepática regularmente.
  • Função renal e hematológica com maior frequência se houver uso de zidovudina.

Eventos adversos

Mais frequentesMuito comuns (≥ 10%)
Calafrios (16%) e pirexia (10%)Aumento de creatinina sérica (13%)
Comuns1–10%
Hipocalemia, hipercalemia e hipomagnesemiaNáusea, vômito e dor abdominalCefaleia e tremorTaquicardia, arritmias, hipertensão ou hipotensãoDispneia e asmaTrombocitopenia, hiperbilirrubinemia e alteração de provas hepáticasRash e deficiência renal
Incomuns0,1–1%
Convulsão e neuropatiaPrurido e mialgiaReação no local de administração
GravesIncomuns ou frequência desconhecida
Anafilaxia (< 0,1%)Choque e parada cardiorrespiratóriaInsuficiência respiratória e broncoespasmoAcidose tubular renal e diabetes insipidus nefrogênicoDermatite esfoliativa

Advertências

  • Não substituir por outra formulação de anfotericina B: doses e métodos de administração diferem.
  • A administração inicial deve ocorrer sob observação clínica estreita, com dose-teste.
  • Dificuldade respiratória grave durante a infusão exige suspensão imediata; não administrar novas infusões.
  • Hipercalemia, com arritmias e parada cardíaca, foi descrita, especialmente em insuficiência renal ou com reposição de potássio.
  • Raramente, a infusão associou-se a hipotensão, broncoespasmo, arritmias, choque, dor torácica e cianose.
  • Elevação de creatinina e dispneia foram mais frequentes em pacientes acima de 65 anos.
  • Uso restrito a hospitais.

Técnico

Farmacologia, interações e informação regulatória.

Mecanismo de ação1 componentes

Anfotericina B

Polieno que se liga aos esteróis da membrana de fungos suscetíveis, alterando a permeabilidade da membrana e levando ao extravasamento do conteúdo celular. A ligação aos esteróis das membranas humanas responde pela toxicidade; o complexo lipídico reduz a fração livre disponível para os túbulos renais.

Farmacocinética

Grande volume de distribuição e captação tecidual

A cinética é não linear: volume de distribuição e depuração aumentam com a dose. Com 5 mg/kg/dia, o volume de distribuição aparente é de cerca de 131 L/kg e a Cmáx de cerca de 1,7 µg/mL no sangue total.

As maiores concentrações teciduais ocorrem em baço, pulmão e fígado, com níveis bem menores em rim, coração e cérebro.

Vd ~131 L/kgBaço > pulmão > fígadoNão linear
Eliminação

Meia-vida terminal longa por redistribuição lenta

A meia-vida de eliminação terminal após doses múltiplas é de cerca de 173 horas, refletindo redistribuição lenta dos tecidos. Apenas 0,9% da dose é excretada na urina em 24 horas.

Há pequeno acúmulo sanguíneo com doses repetidas. Hemodiálise e diálise peritoneal não aumentam a eliminação.

t½ terminal ~173 hUrina 0,9%/24 hNão dialisável

Interações medicamentosas

Não há estudos formais de interação com o complexo lipídico, mas aplicam-se as interações conhecidas da anfotericina B. Aminoglicosídeos, pentamidina, ciclosporina em doses altas e outros nefrotóxicos aumentam o risco de lesão renal; exigem cautela e monitorização intensiva da função renal. Corticosteroides e corticotropina potencializam a hipocalemia, que por sua vez aumenta a toxicidade de digitálicos e o efeito curarizante de relaxantes musculares esqueléticos; controlar potássio sérico e função cardíaca. Antineoplásicos somam risco de nefrotoxicidade, broncoespasmo e hipotensão. Zidovudina associou-se a mielotoxicidade e nefrotoxicidade exacerbadas em estudo animal, justificando vigilância renal e hematológica frequente. A flucitosina pode ter sua toxicidade aumentada. Imidazólicos podem antagonizar a anfotericina B in vitro e em modelos animais, com relevância clínica indeterminada. Transfusões de leucócitos não devem ser administradas ao mesmo tempo pelo risco de toxicidade pulmonar aguda.

Informação regulatória

SUSRENAME 2024Anfotericina B complexo lipídico 5 mg/mL suspensão injetável integra o Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica, com aquisição centralizada pelo Ministério da Saúde para micoses sistêmicas e oportunistas, mediante solicitação e critérios específicos.
GenéricoNão disponívelNo mercado brasileiro, o complexo lipídico é registrado apenas como Abelcet, de uso restrito a hospitais e com fornecimento sujeito a descontinuações temporárias.
ATCJ02AA01WHO ATC/DDD: anfotericina B, antimicótico de uso sistêmico. DDD parenteral das formulações lipídicas: 210 mg.

Receituário

Tipo de receitaReceita simples · prescrição hospitalar
Número de vias2 vias
RetençãoNão consta na lista da RDC 471/2021
ValidadeConforme norma institucional

Referências

Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.

01
Bula profissional

Abelcet® — complexo lipídico de anfotericina B 5 mg/mL

Teva Farmacêutica Ltda. Bula do profissional de saúde aprovada pela Anvisa em 12/04/2021: indicações, posologia, preparo, estabilidade, farmacocinética e segurança.

2021
02
Ministério da Saúde

Nota Técnica nº 7/2024-CGTM/DATHI/SVSA/MS

Recomendações para candidíase invasiva e mucormicose no SUS, com esquemas de complexo lipídico de anfotericina B 5 mg/kg/dia.

2024
03
Regulatório

Anvisa — lista de medicamentos de referência excluídos e descontinuações

Registro de descontinuação temporária de fabricação do Abelcet comunicada em 2025.

2025
04
Regulatório

Anvisa — votos da Diretoria Colegiada sobre importação excepcional

Contexto de desabastecimento do complexo lipídico de anfotericina B e importação excepcional via OPAS.

2023
05
Relação nacional

RENAME 2024

Ministério da Saúde. Anfotericina B complexo lipídico no Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica.

2024
06
Classificação

ATC/DDD Index — J02AA01

WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Amphotericin B: DDD parenteral de 210 mg para formulações lipídicas.

2026
07
Regulatório

RDC Anvisa nº 471/2021 e IN nº 360/2025

Critérios de prescrição e retenção de receita de antimicrobianos e lista de substâncias abrangidas.

2025
Revisão MedFoco: outubro de 2026. Conteúdo de apoio à prática clínica — confirme apresentação, concentração, contraindicações e recomendações na bula profissional vigente e nos protocolos da sua instituição.
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