Gestação
Categoria CUsar somente se o benefício superar o risco
Sem dano fetal em ratos e coelhos com doses inferiores às humanas; não há estudos controlados em gestantes.
Formulação lipídica da anfotericina B complexada a fosfolipídios, indicada na candidíase invasiva grave e como segunda linha em micoses sistêmicas graves refratárias, com intolerância ou contraindicação ao desoxicolato. Dose usual de até 5 mg/kg/dia em infusão única a 2,5 mg/kg/h.
Revisado em pela equipe MedFoco
O complexo lipídico é usado em até 5 mg/kg/dia, enquanto o desoxicolato não pode exceder 1,5 mg/kg/dia, e a formulação lipossomal tem preparo e tempo de infusão próprios. A troca sem recalcular dose e preparo é erro de medicação potencialmente fatal.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
É uma suspensão de anfotericina B complexada, em razão molar 1:1, com dois fosfolipídios — dimiristoilfosfatidilcolina (DMPC) e dimiristoilfosfatidilglicerol (DMPG). A formulação forma estruturas em fita captadas pelo sistema reticuloendotelial, com concentrações elevadas em fígado, baço e pulmão e menor exposição renal que o desoxicolato. Não é intercambiável com as demais formulações de anfotericina B.
Liga-se aos esteróis da membrana de fungos suscetíveis, alterando sua permeabilidade. O complexo com DMPC e DMPG modifica a distribuição tecidual e reduz a toxicidade renal em relação ao desoxicolato.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Anfotericina B complexo lipídico 5 mg/mLAbastecimento irregular | Suspensão injetável | Anfotericina B 5 mg/mL (100 mg/frasco)Veículo lipídico DMPC e DMPGOutros excipientes Cloreto de sódio e água para injetáveis | Frasco-ampola de 20 mL de uso único, acompanhado de 1 agulha-filtro de 5 µm. | Abelcet |
O fabricante comunicou à Anvisa descontinuação temporária de fabricação em 2025, após períodos anteriores de desabastecimento em que o Ministério da Saúde recorreu à importação via OPAS. Confirme a disponibilidade antes de planejar o tratamento e, se necessário, use a formulação lipossomal com a posologia própria.
Dose, frequência e duração por população.
Infusão única; 5 mg/kg/dia nas infecções graves.
A partir de 1 mês, por peso.
5 mg/kg correspondem a 2 horas de infusão.
SNC: 2 a 6 semanas conforme resposta.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 1 a 5 mg/kg/dia | 24/24 h, em infusão única | Mínimo de 14 dias em infecções sistêmicas graves | Micoses sistêmicas: iniciar com 1 mg/kg/dia e aumentar até 5 mg/kg/dia conforme necessidade. Infusão a 2,5 mg/kg/h. Infecções do SNC: 2 a 6 semanas. |
| Candidíase invasiva e candidemia | 5 mg/kg/dia | 24/24 h | ≥ 14 dias após hemocultura negativa | Esquema do Ministério da Saúde, também para candidíase disseminada crônica, intra-abdominal e osteoarticular resistente a fluconazol. Exige resolução dos sintomas e hemoculturas seriadas. |
| Endoftalmite e coriorretinite por Candida | 5 mg/kg/dia | 24/24 h | 4 a 6 semanas | Alternativa a fluconazol ou voriconazol em protocolo do Ministério da Saúde. |
| Candidíase do SNC | 5 mg/kg/dia | 24/24 h | Até regressão clínica, de imagem e do líquor | Usar na indisponibilidade da anfotericina B lipossomal. |
| Mucormicose | 5 mg/kg/dia | 24/24 h | Mínimo de 3 a 6 semanas | Alternativa à anfotericina B lipossomal em dose alta, associada a desbridamento cirúrgico e controle da doença de base. |
| Leishmaniose visceral | 3 mg/kg/dia | 24/24 h | 5 a 10 dias | Indicação de bula, sobretudo em pessoas com HIV. No SUS, a formulação lipossomal é a opção habitual. |
| Candidúria em paciente de alto risco | 5 mg/kg/dia | 24/24 h | Até 2 semanas | Isolado resistente a fluconazol ou paciente de alto risco, conforme Ministério da Saúde. Trocar a sonda vesical. |
Micoses sistêmicas: iniciar com 1 mg/kg/dia e aumentar até 5 mg/kg/dia conforme necessidade. Infusão a 2,5 mg/kg/h. Infecções do SNC: 2 a 6 semanas.
Esquema do Ministério da Saúde, também para candidíase disseminada crônica, intra-abdominal e osteoarticular resistente a fluconazol. Exige resolução dos sintomas e hemoculturas seriadas.
Alternativa a fluconazol ou voriconazol em protocolo do Ministério da Saúde.
Usar na indisponibilidade da anfotericina B lipossomal.
Alternativa à anfotericina B lipossomal em dose alta, associada a desbridamento cirúrgico e controle da doença de base.
Indicação de bula, sobretudo em pessoas com HIV. No SUS, a formulação lipossomal é a opção habitual.
Isolado resistente a fluconazol ou paciente de alto risco, conforme Ministério da Saúde. Trocar a sonda vesical.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual | 2 a 5 mg/kg/dia | 24/24 h, em infusão única | Mínimo de 14 dias em infecções sistêmicas graves | Infecção fúngica sistêmica de 1 mês a 16 anos, com doses comparáveis às do adulto por peso. Infusão a 2,5 mg/kg/h; concentração final até 2 mg/mL se houver restrição hídrica. |
| Candidíase invasiva neonatal | 2,5 a 5 mg/kg/dia | 24/24 h | Conforme protocolo neonatal | Há estudo em neonatos com candidíase invasiva nesta faixa de dose, mas os dados de eficácia e segurança abaixo de 1 mês são considerados insuficientes. Uso individualizado por equipe especializada. |
Infecção fúngica sistêmica de 1 mês a 16 anos, com doses comparáveis às do adulto por peso. Infusão a 2,5 mg/kg/h; concentração final até 2 mg/mL se houver restrição hídrica.
Há estudo em neonatos com candidíase invasiva nesta faixa de dose, mas os dados de eficácia e segurança abaixo de 1 mês são considerados insuficientes. Uso individualizado por equipe especializada.
Usar somente se o benefício superar o risco
Sem dano fetal em ratos e coelhos com doses inferiores às humanas; não há estudos controlados em gestantes.
Decidir entre suspender o aleitamento ou o tratamento
Excreção no leite desconhecida. Considerar a necessidade do tratamento materno e o potencial de reações graves no lactente.
Usado com doses comparáveis às recomendadas por peso. Monitorar creatinina antes e durante o tratamento, além de potássio e magnésio. Pode ser administrado durante diálise ou hemofiltração; hemodiálise e diálise peritoneal não aumentam a eliminação. Pacientes com disfunção hepática por infecção, doença do enxerto contra o hospedeiro ou fármacos hepatotóxicos foram tratados com doses habituais. Monitorar provas hepáticas.
Doses habituais por peso. Elevação de creatinina e dispneia foram mais frequentes acima de 65 anos. Pode ser usado em diabéticos com doses habituais por peso; considerar o aporte de glicose do diluente.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Infusão única diária a 2,5 mg/kg/h, preferencialmente em bomba de infusão, na concentração de 1 mg/mL em SG 5% (até 2 mg/mL em pediatria, cardiopatia ou restrição hídrica).
Verifique que se trata do complexo lipídico (5 mg/mL; 100 mg por frasco) e calcule dose, número de frascos e volume.
Agitar suavemente até desaparecer o sedimento amarelo. Aspirar a dose com seringa e agulha calibre 18.
Substituir a agulha pela agulha-filtro de 5 µm fornecida. Uma agulha-filtro pode ser usada para até quatro frascos.
Injetar o conteúdo filtrado em bolsa de SG 5% para concentração final de 1 mg/mL (até 2 mg/mL em pediatria, cardiopatia ou restrição hídrica). Homogeneizar a bolsa.
Na primeira administração, realizar dose-teste imediatamente antes da infusão, com observação clínica estreita, conforme protocolo institucional.
Usar bomba de infusão, via lavada com SG 5% ou exclusiva, sem filtro de linha. Se a infusão durar mais de 2 horas, homogeneizar a bolsa a cada 2 horas.
Adultos
Volume da dose (5 mg/mL) + 4 volumes de SG 5%
Não diluir em soluções salinas, não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos e não usar filtro de linha.
Volume da dose (5 mg/mL) + 4 volumes de SG 5%
Não diluir em soluções salinas, não misturar com outros medicamentos ou eletrólitos e não usar filtro de linha.
Pediatria, cardiopatia ou restrição hídrica
Volume da dose (5 mg/mL) + 1,5 volume de SG 5%
Concentração máxima permitida para infusão.
Volume da dose (5 mg/mL) + 1,5 volume de SG 5%
Concentração máxima permitida para infusão.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Via indicada | Infusão a 2,5 mg/kg/h em SG 5% (1–2 mg/mL), em bomba de infusão e sem filtro de linha. |
| Intramuscular | Não usar | Não há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV. |
| Subcutânea | Não usar | Não há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV. |
| Oral | Não se aplica | Sem uso oral. |
| Sublingual | Não se aplica | Não se aplica. |
| Retal | Não se aplica | Não se aplica. |
| Tópica/mucosas | Não se aplica | Não se aplica. |
| SNG/SNE | Não se aplica | Não se aplica. |
Infusão a 2,5 mg/kg/h em SG 5% (1–2 mg/mL), em bomba de infusão e sem filtro de linha.
Não há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV.
Não há estudos por vias não recomendadas; administrar somente por via EV.
Sem uso oral.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não infundir com soluções salinas, eletrólitos ou outros medicamentos. Lavar o acesso existente com SG 5% antes da infusão.
A filtração ocorre na transferência com a agulha-filtro de 5 µm. Não usar filtro de linha durante a infusão.
Febre e calafrios costumam ser leves e diminuir com os dias. Pré-medicação com antipiréticos, anti-histamínicos e antieméticos foi eficaz na prevenção e no tratamento.
Toxicidade pulmonar aguda foi descrita com anfotericina B e transfusão de leucócitos. Separar as infusões ao máximo.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
O complexo lipídico é menos nefrotóxico que o desoxicolato, mas calafrios, febre, aumento de creatinina e hipocalemia são frequentes. Dificuldade respiratória grave durante a infusão exige suspensão imediata e contraindica novas infusões.
Sem dano fetal em ratos e coelhos com doses até 0,64 vez a humana, mas sem estudos controlados em gestantes. Usar somente se o benefício superar os riscos para mãe e feto.
Excreção no leite desconhecida. Decidir entre suspender a amamentação ou o tratamento, considerando a necessidade materna.
Usado com doses habituais por peso em insuficiência renal, inclusive em diálise ou hemofiltração. Pacientes com creatinina basal > 2,5 mg/dL apresentaram queda da creatinina durante o tratamento. Monitorar creatinina, potássio e magnésio.
Efeito da insuficiência hepática desconhecido; pacientes com disfunção hepática foram tratados com doses habituais. Monitorar provas hepáticas.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Polieno que se liga aos esteróis da membrana de fungos suscetíveis, alterando a permeabilidade da membrana e levando ao extravasamento do conteúdo celular. A ligação aos esteróis das membranas humanas responde pela toxicidade; o complexo lipídico reduz a fração livre disponível para os túbulos renais.
A cinética é não linear: volume de distribuição e depuração aumentam com a dose. Com 5 mg/kg/dia, o volume de distribuição aparente é de cerca de 131 L/kg e a Cmáx de cerca de 1,7 µg/mL no sangue total.
As maiores concentrações teciduais ocorrem em baço, pulmão e fígado, com níveis bem menores em rim, coração e cérebro.
A meia-vida de eliminação terminal após doses múltiplas é de cerca de 173 horas, refletindo redistribuição lenta dos tecidos. Apenas 0,9% da dose é excretada na urina em 24 horas.
Há pequeno acúmulo sanguíneo com doses repetidas. Hemodiálise e diálise peritoneal não aumentam a eliminação.
Não há estudos formais de interação com o complexo lipídico, mas aplicam-se as interações conhecidas da anfotericina B. Aminoglicosídeos, pentamidina, ciclosporina em doses altas e outros nefrotóxicos aumentam o risco de lesão renal; exigem cautela e monitorização intensiva da função renal. Corticosteroides e corticotropina potencializam a hipocalemia, que por sua vez aumenta a toxicidade de digitálicos e o efeito curarizante de relaxantes musculares esqueléticos; controlar potássio sérico e função cardíaca. Antineoplásicos somam risco de nefrotoxicidade, broncoespasmo e hipotensão. Zidovudina associou-se a mielotoxicidade e nefrotoxicidade exacerbadas em estudo animal, justificando vigilância renal e hematológica frequente. A flucitosina pode ter sua toxicidade aumentada. Imidazólicos podem antagonizar a anfotericina B in vitro e em modelos animais, com relevância clínica indeterminada. Transfusões de leucócitos não devem ser administradas ao mesmo tempo pelo risco de toxicidade pulmonar aguda.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Teva Farmacêutica Ltda. Bula do profissional de saúde aprovada pela Anvisa em 12/04/2021: indicações, posologia, preparo, estabilidade, farmacocinética e segurança.
Recomendações para candidíase invasiva e mucormicose no SUS, com esquemas de complexo lipídico de anfotericina B 5 mg/kg/dia.
Registro de descontinuação temporária de fabricação do Abelcet comunicada em 2025.
Contexto de desabastecimento do complexo lipídico de anfotericina B e importação excepcional via OPAS.
Ministério da Saúde. Anfotericina B complexo lipídico no Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Amphotericin B: DDD parenteral de 210 mg para formulações lipídicas.
Critérios de prescrição e retenção de receita de antimicrobianos e lista de substâncias abrangidas.