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Toxoplasmose

Infecção causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii, geralmente assintomática em imunocompetentes, mas potencialmente grave na gestação, doença ocular e imunossupressão. O diagnóstico combina sorologia, avaliação clínica e PCR conforme o cenário; o tratamento é direcionado à apresentação e ao risco do hospedeiro.

Protozoário intracelular Alimentos e água Gestação SNC e olhos
20–24 min de leitura Atualizado em agosto de 2026

Quando suspeitar

Síndrome mononucleose-like, retinocoroidite ou quadro neurológico focal em pessoa com exposição compatível, gestação ou imunossupressão.

Diagnóstico

IgG/IgM orientam a investigação; avidez ajuda na gestação inicial. PCR é útil em líquido amniótico, SNC e outros cenários selecionados.

Tratamento

Imunocompetentes leves geralmente não tratam. Gestação, doença ocular relevante e neurotoxoplasmose exigem esquemas específicos.

Prevenção

Cozimento adequado das carnes, água segura, higiene de frutas/verduras e cuidado com solo e fezes de felinos reduzem o risco.

O que é toxoplasmose

A toxoplasmose é uma infecção causada por Toxoplasma gondii, protozoário intracelular obrigatório capaz de infectar praticamente todos os animais de sangue quente. Na maioria dos imunocompetentes, a infecção primária é assintomática ou autolimitada; a relevância clínica aumenta diante de gestação, imunossupressão, acometimento ocular ou doença visceral.

Após a fase aguda, o parasito pode permanecer por toda a vida em cistos teciduais contendo bradizoítas. Essa persistência explica a possibilidade de reativação quando a imunidade celular se deteriora e também por que os fármacos disponíveis tratam a doença ativa, mas não erradicam os cistos teciduais.

Em pessoa imunocompetente, linfadenopatia cervical associada a febre, mal-estar e mialgia pode lembrar mononucleose. Em pessoa com HIV avançado, déficit focal, convulsão ou alteração do estado mental exige investigação imediata de neurotoxoplasmose.

O patógeno

T. gondii pertence ao filo Apicomplexa e apresenta formas biologicamente importantes: taquizoítas, associados à multiplicação rápida e à fase aguda; bradizoítas, presentes em cistos teciduais persistentes; e oocistos, produzidos no ciclo sexuado intestinal dos felídeos.

Felinos domésticos e silvestres são os hospedeiros definitivos. Humanos, aves e outros mamíferos funcionam como hospedeiros intermediários. Oocistos eliminados nas fezes precisam esporular no ambiente antes de se tornarem infectantes, razão pela qual a higiene diária da caixa de areia ajuda a reduzir o risco.

Ponto parasitológico:

o risco não é simplesmente “ter contato com gato”. A exposição relevante envolve oocistos provenientes de fezes contaminadas, solo/água contaminados ou alimentos que tenham entrado em contato com esse material.

Toxoplasma gondii — toque/clique para ampliar.

Fisiopatologia e ciclo de vida

O ciclo combina uma etapa sexuada restrita aos felídeos e uma etapa assexuada que ocorre nos hospedeiros intermediários. A infecção humana é adquirida principalmente pela ingestão de oocistos esporulados no ambiente ou de cistos teciduais presentes em alimentos de origem animal.

  1. Ciclo no felino: após ingerir cistos teciduais ou oocistos, o felino permite a reprodução sexuada intestinal e elimina oocistos nas fezes por período limitado.
  2. Esporulação ambiental: os oocistos tornam-se infectantes após permanecerem no ambiente e podem contaminar solo, água, frutas, verduras e superfícies.
  3. Entrada no hospedeiro intermediário: a ingestão libera formas que atravessam a mucosa gastrointestinal e originam taquizoítas.
  4. Disseminação aguda: taquizoítas multiplicam-se intracelularmente e podem alcançar linfonodos, músculos, retina, placenta, cérebro e outros tecidos.
  5. Latência tecidual: sob pressão imune, o parasito diferencia-se em bradizoítas dentro de cistos persistentes, sobretudo em músculo, retina e sistema nervoso central.
  6. Reativação: imunossupressão intensa pode romper o equilíbrio hospedeiro-parasito, com nova multiplicação de taquizoítas e doença focal ou disseminada.
Os esquemas atuais atuam principalmente sobre formas proliferativas. Não existe tratamento que elimine de forma confiável os cistos teciduais, por isso reativação e recidiva permanecem relevantes em imunossuprimidos.
Fisiopatologia e ciclo de vida da toxoplasmose — toque/clique para ampliar.

Incubação, persistência e evolução

As faixas clássicas descritas após exposição oral são de aproximadamente 5–20 dias após ingestão de oocistos e 10–23 dias após ingestão de cistos teciduais. A maioria dos casos em imunocompetentes evolui sem complicações importantes.

Geralmente assintomática

É a apresentação mais comum em pessoas imunocompetentes.

Olhos

Retinocoroidite pode surgir na infecção adquirida ou congênita e recidivar.

SNC

A reativação cerebral é forma clássica de doença oportunista em HIV avançado.

Congênita

O risco de transmissão aumenta com a idade gestacional, enquanto a gravidade tende a ser maior nas infecções mais precoces.

Como ocorre a transmissão

A transmissão humana ocorre sobretudo por via oral e, durante a gestação, por via transplacentária. Formas raras estão associadas a transplante, transfusão, inoculação acidental e aerossóis contaminados.

Cistos teciduais

Carne crua, malpassada ou insuficientemente cozida pode conter bradizoítas em cistos.

Oocistos

Água, solo, frutas, hortaliças e superfícies podem ser contaminados por oocistos provenientes de fezes de felinos.

Transplacentária

Taquizoítas podem atravessar a placenta durante infecção materna adquirida na gestação.

Contato com gatos não equivale a transmissão. O risco está nas fezes contaminadas e nos oocistos que alcançam o ambiente, a água ou os alimentos.

Quem tem maior risco de doença grave

Gestantes suscetíveis

Infecção primária durante a gestação pode resultar em transmissão fetal, inclusive sem sintomas maternos.

Pessoas com HIV

IgG positiva e CD4 <100 células/mm³ identificam grupo com indicação de profilaxia primária para encefalite toxoplásmica.

Transplantados e outros imunossuprimidos

Reativação e doença disseminada tornam-se mais prováveis quando a imunidade celular está comprometida.

Fetos e recém-nascidos infectados

Podem nascer assintomáticos e desenvolver posteriormente sequelas oculares ou neurológicas.

Exposições ambientais e alimentares

  • Solo/jardinagem: oocistos podem persistir no ambiente; luvas e higiene das mãos reduzem exposição.
  • Água: surtos podem estar relacionados a água contaminada; quando não há segurança do tratamento, filtração/fervura deve ser considerada conforme orientação sanitária.
  • Alimentos vegetais: frutas, verduras e legumes devem ser lavados com água segura antes do consumo.
  • Carne: evitar consumo cru ou malpassado e prevenir contaminação cruzada durante o preparo.
  • Caixa de areia: troca diária reduz a chance de oocistos completarem a esporulação; gestantes e imunossuprimidos devem evitar a tarefa quando possível.

Imunocompetentes

A infecção é frequentemente assintomática. Quando sintomática, costuma produzir quadro autolimitado semelhante à mononucleose, com linfadenopatia — frequentemente cervical —, febre, mal-estar, fadiga e mialgia. Hepatoesplenomegalia transitória pode ocorrer.

Síndrome sistêmica

Febre, fadiga, mialgias, sudorese e sintomas inespecíficos.

Linfadenopatia

Pode ser localizada ou generalizada e persistir por semanas.

Doença ocular

Retinocoroidite pode causar visão borrada, moscas volantes, dor ou fotofobia.

Formas viscerais raras

Miocardite, pneumonite, hepatite e miosite são incomuns em imunocompetentes.

Neurotoxoplasmose e imunossupressão

Em pessoas com imunossupressão importante, especialmente HIV avançado com sorologia IgG positiva, a manifestação mais típica é a encefalite por reativação. O início pode ser subagudo e o quadro frequentemente combina cefaleia com sinais focais.

Neurológico focal

Hemiparesia, déficit sensitivo, alterações de nervos cranianos, afasia ou distúrbios cerebelares.

Convulsões

Podem ocorrer e exigem tratamento anticonvulsivante quando presentes; não se recomenda profilaxia anticonvulsivante de rotina sem crise.

Estado mental

Confusão, sonolência, alterações neuropsiquiátricas ou redução do nível de consciência.

Doença extracerebral

Pneumonite, retinocoroidite, miocardite e doença disseminada são possíveis, embora menos frequentes.

Déficit neurológico focal, convulsão, alteração importante da consciência, sinais de hipertensão intracraniana ou deterioração clínica exigem avaliação hospitalar imediata.

Toxoplasmose ocular

A retinocoroidite toxoplásmica pode ocorrer após infecção congênita ou adquirida e pode apresentar reativações. A gravidade depende especialmente da atividade, localização e tamanho da lesão, intensidade da inflamação e comprometimento da acuidade visual.

Prioridade oftalmológica:

lesões próximas à mácula, disco óptico ou grandes vasos, inflamação intensa, grande perda visual, doença em imunossuprimidos e apresentações atípicas exigem avaliação especializada rápida.

Toxoplasmose congênita

A maioria dos recém-nascidos infectados pode não apresentar sinais óbvios ao nascimento. Quando presente, a doença pode afetar olhos e sistema nervoso central, além de produzir manifestações sistêmicas.

Retinocoroidite

Pode comprometer a visão ao nascimento ou surgir/reativar posteriormente.

SNC

Hidrocefalia/ventriculomegalia, calcificações intracranianas, convulsões e alterações do desenvolvimento.

Sistêmica

Icterícia, hepatoesplenomegalia, anemia, trombocitopenia, rash e baixo peso podem ocorrer.

Diagnósticos diferenciais por síndrome

CenárioDiferenciais importantes
Mononucleose-likeEBV, CMV, infecção aguda por HIV, sífilis, rubéola e outras causas de linfadenopatia/febre.
Lesões cerebrais em HIVLinfoma primário do SNC, tuberculose, criptococose, abscessos bacterianos/fúngicos e outras infecções oportunistas.
RetinocoroiditeCMV, sífilis, tuberculose, necrose retiniana herpética e outras uveítes infecciosas/inflamatórias.
CongênitaCMV, sífilis, rubéola e outras infecções congênitas conforme achados clínicos e de imagem.

Sorologia: IgG, IgM e avidez

O diagnóstico costuma começar pela pesquisa de anticorpos específicos. IgG indica exposição prévia; IgM pode apoiar a hipótese de infecção recente, mas pode persistir por meses e apresentar resultados falso-positivos. Por isso, IgM isolada não deve ser usada para “datar” a infecção sem contexto e confirmação apropriada.

IgG− / IgM−

Sem evidência sorológica de infecção prévia; na gestação, indica suscetibilidade e necessidade de prevenção/repetição conforme o pré-natal.

IgG+ / IgM−

Em geral indica infecção passada; a interpretação na gestação depende do momento da coleta e da história sorológica.

IgG+ / IgM+

Pode representar infecção recente ou IgM persistente. Em gestação inicial, avidez de IgG e teste confirmatório ajudam a estimar o momento da infecção.

IgG− / IgM+

Pode ser infecção muito recente ou IgM falso-positiva; repetir sorologia em laboratório adequado é essencial.

Na diretriz brasileira, alta avidez de IgG em amostra obtida precocemente na gestação pode afastar infecção adquirida durante a gestação atual. Baixa avidez, isoladamente, não prova infecção recente porque pode persistir.

PCR e diagnóstico direto

A PCR para T. gondii é usada conforme o sítio e a pergunta clínica. Na suspeita de infecção fetal, o principal material é o líquido amniótico em idade gestacional adequada; no sistema nervoso central, PCR do líquor pode apoiar o diagnóstico, mas sua sensibilidade é limitada e um resultado negativo não exclui neurotoxoplasmose.

  • Gestação/feto: PCR em líquido amniótico é considerada a partir de 18 semanas, respeitando também intervalo adequado desde a provável infecção materna.
  • Neurotoxoplasmose: PCR no LCR tem boa especificidade quando positiva, porém pode ser negativa mesmo em doença ativa.
  • Congênita: o diagnóstico integra sorologia neonatal, evolução dos anticorpos maternos e testes diretos conforme disponibilidade/protocolo.

Neurotoxoplasmose: imagem + contexto clínico

Em pessoa com HIV e imunossupressão avançada, o diagnóstico é frequentemente presuntivo diante de síndrome neurológica compatível, IgG anti-Toxoplasma positiva e neuroimagem sugestiva. A ressonância magnética é mais sensível que a tomografia para detectar lesões adicionais.

Padrão clássico:

múltiplas lesões com realce anelar e edema, frequentemente envolvendo gânglios da base. Lesão única não exclui toxoplasmose, mas amplia a preocupação com diagnósticos alternativos, incluindo linfoma primário do SNC.

A maioria dos pacientes com tratamento adequado apresenta melhora neurológica em até cerca de 14 dias. Ausência de resposta clínica ou piora precoce exige reavaliar diagnóstico, adesão e necessidade de investigação invasiva.

Diagnóstico da doença ocular

É predominantemente clínico-oftalmológico, baseado em fundoscopia e avaliação especializada. A sorologia costuma ser apenas de suporte, porque grande parcela da população exposta pode ter IgG positiva sem doença ocular ativa.

Princípios do tratamento

Pessoas imunocompetentes com forma linfonodal leve e autolimitada geralmente não precisam de terapia antiparasitária. O tratamento ganha prioridade quando há sintomas intensos/persistentes, doença visceral, imunossupressão, neurotoxoplasmose, gestação, infecção congênita ou toxoplasmose ocular com indicação oftalmológica.

Pirimetamina deve ser acompanhada de ácido folínico (leucovorina) para reduzir toxicidade hematológica. Ácido fólico comum não é substituto equivalente no esquema antiparasitário.

Esquemas por cenário clínico

Abra o cartão correspondente para consultar indicação, doses, duração e pontos de monitoramento.

Monitoramento e toxicidade

Pirimetamina

Risco de supressão medular; usar ácido folínico e monitorar hemograma, especialmente em cursos prolongados.

Sulfadiazina

Reações de hipersensibilidade, citopenias e complicações renais podem ocorrer; avaliar função renal, hidratação e interações.

TMP-SMX

Monitorar rash, citopenias, função renal, potássio e interações conforme perfil do paciente.

Corticoide

Na doença ocular, somente quando indicado pelo oftalmologista; na neurotoxoplasmose, reservar para edema/efeito de massa clinicamente relevante.

Em neurotoxoplasmose, corticosteroide não deve ser usado rotineiramente apenas porque existe lesão cerebral. O NIH recomenda restringi-lo a efeito de massa/edema clinicamente significativo ou IRIS relevante.

Gestação

A infecção materna pode ser totalmente assintomática. A probabilidade de transmissão vertical tende a aumentar com a idade gestacional, enquanto infecções mais precoces estão associadas a maior gravidade fetal. Por isso, rastreamento, tratamento precoce e encaminhamento ao pré-natal de alto risco são centrais.

Documentos brasileiros usam marcos diferentes para partes do algoritmo: a Nota Técnica nº 100/2022 utiliza 16 semanas em etapas de interpretação sorológica/avidez, enquanto a página atual da Linha de Cuidado do Ministério da Saúde apresenta <18 vs. ≥18 semanas para o esquema terapêutico. Seguir o protocolo de referência do pré-natal de alto risco e a versão vigente do fluxo local.
Infecção antes da gestação

Em imunocompetente, infecção remota geralmente não implica risco de transmissão na gestação atual.

Infecção primária na gestação

É o principal cenário de transmissão congênita e exige intervenção mesmo quando a gestante está assintomática.

PCR fetal

Líquido amniótico é avaliado a partir de 18 semanas e após intervalo adequado da provável infecção materna.

Ultrassonografia

Seguimento fetal seriado busca ventriculomegalia, calcificações e outros sinais sugestivos.

Recém-nascido e criança com toxoplasmose congênita

O tratamento prolongado reduz o risco de sequelas e deve ser acompanhado por equipe pediátrica especializada. Além da terapêutica antiparasitária, o seguimento inclui avaliação oftalmológica e do desenvolvimento, com investigação auditiva/neurológica conforme o caso.

Mesmo sem sintomas ao nascer:

a ausência de sinais clínicos iniciais não exclui infecção congênita nem risco de manifestação ocular/neurológica tardia.

HIV

Em pessoas com HIV, IgG anti-Toxoplasma positiva documenta exposição e ajuda a definir risco de reativação. A profilaxia primária é indicada quando o CD4 cai abaixo de 100 células/mm³; após encefalite, todos os pacientes devem receber terapia de manutenção até reconstituição imune adequada.

CD4 <100 + IgG+

Indicação de profilaxia primária; TMP-SMX DS 1 comprimido/dia é o esquema preferencial do NIH.

Encefalite ativa

Tratar por pelo menos 6 semanas; prolongar se resposta clínica/radiológica estiver incompleta.

Após terapia aguda

Manutenção é obrigatória até reconstituição imune em resposta à terapia antirretroviral.

Falha de resposta

Piora na primeira semana ou ausência de melhora em 10–14 dias exige reavaliar diagnóstico e considerar biópsia.

Transplante e outras imunossupressões

O risco depende da sorologia prévia, do tipo de transplante, da intensidade da imunossupressão e da profilaxia utilizada. Doença do sistema nervoso central, pulmonar, cardíaca ou disseminada requer avaliação especializada e, muitas vezes, manejo hospitalar.

Prevenção individual

Carne

Cozinhar adequadamente, evitar carne crua/malpassada e prevenir contaminação cruzada na cozinha.

Frutas e verduras

Lavar corretamente com água segura antes do consumo, inclusive antes de descascar.

Água

Preferir água tratada; quando a potabilidade não é garantida, seguir orientação sanitária para filtrar/ferver.

Solo

Usar luvas em jardinagem e lavar bem as mãos após contato com terra ou areia.

Felinos

Não oferecer carne crua ao gato, manter caixa limpa diariamente e evitar que gestantes/imunossuprimidos manipulem fezes.

Higiene

Lavar mãos, bancadas, facas e tábuas após contato com carne crua, solo ou produtos não higienizados.

Seguimento por cenário

CenárioSeguimento prático
Imunocompetente leveReavaliar se sintomas persistirem, surgirem sinais focais, alteração ocular ou doença visceral.
OcularSeguimento oftalmológico; recorrências podem ocorrer e a decisão de retratamento depende de atividade/localização da lesão.
NeurotoxoplasmoseAvaliar resposta clínica; imagem de controle pode ser repetida em 3 e 6 semanas ou antes se houver deterioração.
CongênitaTratamento por 12 meses e seguimento prolongado oftalmológico e do neurodesenvolvimento.
GestaçãoPré-natal de alto risco, tratamento contínuo conforme protocolo e avaliação fetal seriada.

Vigilância e notificação

No Brasil, a vigilância prioriza toxoplasmose adquirida na gestação e toxoplasmose congênita, com registro no SINAN conforme definições vigentes. Casos adquiridos isolados fora desses cenários não compõem, de forma geral, a mesma rotina de notificação compulsória; suspeitas de surto hídrico/alimentar devem ser comunicadas e investigadas pela vigilância epidemiológica.

Resumo do fluxo prático

  1. Defina o cenário: imunocompetente, gestação, doença ocular, imunossupressão/HIV ou suspeita congênita.
  2. Investigue via de exposição e sintomas focais, principalmente visuais e neurológicos.
  3. Use sorologia IgG/IgM como base; na gestação, interprete com cronologia, avidez e confirmação quando indicada.
  4. Na suspeita de neurotoxoplasmose, obtenha neuroimagem rapidamente e considere PCR do LCR quando segura/útil.
  5. Não trate automaticamente todo imunocompetente soropositivo; terapia é guiada por doença ativa e risco.
  6. Em HIV com IgG+ e CD4 <100, iniciar profilaxia primária; encefalite exige ≥6 semanas + manutenção.
  7. Em gestação e toxoplasmose congênita, seguir fluxos nacionais e serviço de alto risco/pediatria.
  8. Reforce prevenção alimentar, hídrica e ambiental, sem recomendar afastamento indiscriminado de gatos.

Referências principais

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 100/2022-CGPAM/DSMI/SAPS/MS — Diretriz nacional para a conduta clínica, diagnóstico e tratamento da Toxoplasmose Adquirida na Gestação e Toxoplasmose Congênita. Página oficial atualizada em 24 de abril de 2025.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 133/2022-CGZV/DEDT/SVSA/MS. Orientações para análise de dados das notificações de toxoplasmose adquirida na gestação e toxoplasmose congênita no SINAN; republicada na página oficial em julho de 2025.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Toxoplasmose — Saúde de A a Z. Informações oficiais sobre transmissão, prevenção, tratamento e vigilância.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Pré-natal de Baixo Risco — Toxoplasmose em gestantes. Fluxo terapêutico oficial disponível em 2026.
  5. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Care of Toxoplasmosis. Atualizado em 15 de maio de 2026.
  6. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Overview of Toxoplasmosis. Diagnóstico sorológico e testes complementares.
  7. National Institutes of Health (NIH). Toxoplasma gondii Encephalitis: Adult and Adolescent Opportunistic Infections Guidelines. Diretriz vigente consultada em agosto de 2026.
  8. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). DPDx — Toxoplasmosis. Ciclo de vida, morfologia e diagnóstico parasitológico.

Aviso importante

Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, infectologia, oftalmologia, obstetrícia/pediatria nem consulta às apresentações disponíveis. Doses por peso, função renal/hepática, interações, citopenias, gestação e formas graves devem ser conferidas antes da prescrição.

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