MedFoco

Home Emergência & UTI Arritmias Taquicardia Supraventricular
Emergência & UTI • Arritmias

Taquicardia Supraventricular

É a arritmia sustentada que mais assusta o paciente e menos costuma matá-lo — desde que duas armadilhas sejam evitadas: tratar como supraventricular uma taquicardia ventricular, e dar bloqueador do nó atrioventricular numa fibrilação atrial pré-excitada. Duas perguntas resolvem a maior parte dos casos na beira do leito: o QRS é estreito, e o ritmo é regular?

Instável significa cardioverter Valsalva modificada primeiro Adenosina 6 e depois 12 mg Nunca em FA pré-excitada
Tempo de leitura: 20 min
Atualizado em: 23/08/2026

Classificar o ritmo

  • Duas perguntas: QRS estreito ou largo, regular ou irregular
  • Estreito e regular é o cenário clássico da TSV
  • QRS largo é taquicardia ventricular até prova em contrário
  • Irregular e largo levanta FA pré-excitada

Avaliar a estabilidade

  • Hipotensão, alteração do nível de consciência, dor isquêmica
  • Congestão pulmonar aguda ou sinais de choque
  • Instável significa cardioversão sincronizada imediata
  • Estável permite tentar manobra vagal e fármacos

Reverter

  • Manobra de Valsalva modificada é a primeira linha
  • Adenosina 6 mg em bolus rápido, depois 12 mg
  • Verapamil, diltiazem ou betabloqueador se falhar
  • Registre o traçado durante a manobra e a droga

Definir o seguimento

  • Ablação por cateter é primeira linha nas reentradas
  • Sucesso acima de 95% na maioria dos substratos
  • Pré-excitação no ECG basal exige avaliação especializada
  • Ensine a manobra vagal ao paciente antes da alta

O que é taquicardia supraventricular

No sentido estrito, taquicardia supraventricular é toda taquiarritmia com frequência acima de 100 batimentos por minuto cujo circuito ou foco depende de estruturas situadas acima da bifurcação do feixe de His — átrios, nó atrioventricular ou via acessória.

Na prática da emergência, porém, o termo é usado num sentido mais restrito: a taquicardia supraventricular paroxística, de QRS estreito e regular, que engloba a taquicardia por reentrada nodal, a taquicardia por reentrada atrioventricular e a taquicardia atrial focal. Fibrilação atrial e flutter atrial também são supraventriculares, mas têm manejo próprio e são habitualmente tratados à parte.

Duas armadilhas concentram quase toda a morbidade evitável: tratar como supraventricular uma taquicardia ventricular de QRS largo, e administrar bloqueador do nó atrioventricular numa fibrilação atrial pré-excitada — situação em que a droga pode acelerar a condução pela via acessória e precipitar fibrilação ventricular.

Como se organiza a classificação

A forma mais útil de organizar as taquicardias na beira do leito é por duas perguntas objetivas, respondidas em segundos no monitor: o QRS é estreito ou largo, e o ritmo é regular ou irregular.

Padrão Hipóteses Conduta inicial
Estreito e regular
(QRS abaixo de 120 ms)
Taquicardia sinusal, reentrada nodal, reentrada atrioventricular ortodrômica, taquicardia atrial focal, flutter atrial com condução fixa, taquicardia juncional. Manobra vagal e, se necessário, adenosina — que é ao mesmo tempo terapêutica e diagnóstica.
Estreito e irregular Fibrilação atrial, flutter atrial com condução variável, taquicardia atrial multifocal. Controle de frequência, avaliação de anticoagulação e tratamento da causa de base.
Largo e regular
(QRS de 120 ms ou mais)
Taquicardia ventricular até prova em contrário. Diferenciais: TSV com aberrância, TSV com bloqueio de ramo prévio, reentrada atrioventricular antidrômica, taquicardia por marca-passo. Se instável, cardioversão sincronizada. Se estável, tratar como ventricular salvo diagnóstico seguro de supraventricular.
Largo e irregular Fibrilação atrial pré-excitada, fibrilação atrial com bloqueio de ramo ou com aberrância, taquicardia ventricular polimórfica. Cenário de maior risco: não usar bloqueadores do nó atrioventricular. Cardioversão ou antiarrítmico específico.
Sempre que possível, registre um eletrocardiograma de 12 derivações durante a taquicardia, e não apenas a tira do monitor. Esse traçado é o documento que permitirá ao eletrofisiologista definir o mecanismo depois — e uma vez revertido o ritmo, a oportunidade não volta.

Os mecanismos

Três mecanismos explicam praticamente todas as taquiarritmias supraventriculares, e reconhecê-los ajuda a prever a resposta ao tratamento.

  • Reentrada — o mais comum. Exige um circuito com duas vias de condução e velocidades e períodos refratários diferentes. É o mecanismo da reentrada nodal, da reentrada atrioventricular e do flutter. Começa e termina de forma súbita, e responde bem a manobras vagais e à adenosina.
  • Automatismo aumentado — um foco dispara mais rápido que o nó sinusal. É o mecanismo de boa parte das taquicardias atriais focais e da taquicardia juncional. Tem início e término graduais, com aquecimento e desaceleração, e frequentemente não reverte com adenosina.
  • Atividade deflagrada — pós-despolarizações, associadas a intoxicação digitálica, distúrbios eletrolíticos e catecolaminas.

Por que o paciente sente tanto

O quadro clínico é desproporcional à gravidade, o que gera consultas repetidas e ansiedade importante.

  • Palpitações de início e término súbitos, descritas como um "interruptor" que liga e desliga.
  • Sinal do sapo — pulsação visível no pescoço, causada pela contração atrial contra a valva tricúspide fechada. É bastante sugestivo de reentrada nodal.
  • Tontura, dispneia, desconforto torácico e ansiedade intensa.
  • Poliúria após a crise, pela liberação de peptídeo natriurético atrial.
  • Síncope é incomum e, quando presente, exige investigação mais cuidadosa.
A pergunta que define o mecanismo

"A palpitação começa e termina de repente, como um interruptor, ou vai acelerando aos poucos?" Início súbito aponta para reentrada; início gradual, para taquicardia sinusal ou automática.

Perfil epidemiológico

Mais comum

Reentrada nodal responde por cerca de 60% das TSV paroxísticas.

Predomínio

A reentrada nodal é mais frequente em mulheres, tipicamente na terceira e quarta décadas.

Via acessória

A reentrada atrioventricular predomina em pacientes mais jovens.

Coração normal

A maioria dos pacientes não tem cardiopatia estrutural.

Ablação

Sucesso acima de 95% na reentrada nodal e na maioria das vias acessórias.

Prognóstico geralmente excelente em coração estruturalmente normal. As exceções que exigem atenção são a pré-excitação com fibrilação atrial de resposta muito rápida, pelo risco de morte súbita, e a cardiomiopatia induzida por taquicardia, quando o ritmo permanece incessante por semanas a meses.

As quatro perguntas da beira do leito

O paciente está instável?

Hipotensão, alteração aguda do nível de consciência, dor torácica isquêmica, congestão pulmonar aguda ou sinais de choque atribuíveis à taquicardia indicam cardioversão sincronizada imediata.

O QRS é estreito ou largo?

Estreito permite a rota clássica da TSV. Largo obriga a tratar como taquicardia ventricular até prova em contrário — o erro inverso mata.

O ritmo é regular?

Irregular afasta reentrada nodal e atrioventricular. Irregular e largo levanta imediatamente a hipótese de fibrilação atrial pré-excitada.

Existe causa desencadeante?

Febre, anemia, hipovolemia, dor, hipertireoidismo, embolia pulmonar, sepse, álcool, cafeína, estimulantes e drogas ilícitas. Em taquicardia sinusal, tratar a causa é o tratamento.

Nunca cardioverta uma taquicardia sinusal. Frequência acima de 150 com onda P visível e contexto de sepse, hipovolemia ou dor é resposta fisiológica: bloquear o nó nesse cenário retira o mecanismo compensatório e pode precipitar colapso.

Os principais substratos

Tipo Características Pistas no eletrocardiograma
Reentrada nodal
(TRN)
Circuito dentro ou ao redor do nó atrioventricular, com via lenta e via rápida. Cerca de 60% dos casos; mais comum em mulheres. Frequência habitual de 140 a 250 bpm. Onda P retrógrada escondida no QRS ou logo após ele: pseudo-onda r' em V1 e pseudo-onda S nas derivações inferiores. Intervalo RP muito curto.
Reentrada atrioventricular ortodrômica
(TRAV)
Circuito desce pelo nó e sobe pela via acessória. Cerca de 30% dos casos; predomina em pacientes mais jovens. QRS estreito, com onda P retrógrada visível após o QRS, no segmento ST ou na onda T. Alternância elétrica do QRS é sugestiva.
Reentrada atrioventricular antidrômica Circuito desce pela via acessória e sobe pelo nó. Bem menos frequente. QRS largo e maximamente pré-excitado — indistinguível de taquicardia ventricular sem informação adicional.
Taquicardia atrial focal Foco atrial único, com automatismo aumentado. Cerca de 10% dos casos; pode ser incessante e causar cardiomiopatia. Onda P de morfologia diferente da sinusal, com intervalo RP longo. Aquecimento e desaceleração graduais.
Flutter atrial Macrorreentrada atrial, tipicamente no istmo cavotricuspídeo. Frequência atrial em torno de 300 bpm. Ondas em dente de serra nas derivações inferiores. Condução 2:1 gera frequência ventricular próxima de 150 bpm.
Taquicardia atrial multifocal Múltiplos focos atriais; fortemente associada a doença pulmonar avançada e a distúrbios metabólicos. Ritmo irregular com três ou mais morfologias distintas de onda P e intervalos PR variáveis.
Taquicardia juncional Automatismo do nó atrioventricular ou do feixe de His. Rara no adulto; associada a pós-operatório cardíaco e a intoxicação digitálica. QRS estreito sem onda P precedente, com possível dissociação atrioventricular.
Taquicardia sinusal inapropriada Frequência sinusal desproporcional ao estímulo, sem causa secundária identificável. Onda P de morfologia sinusal, com frequência de repouso acima de 100 bpm.

Pré-excitação e síndrome de Wolff-Parkinson-White

Pré-excitação é a ativação precoce do ventrículo por uma via acessória que conecta átrio e ventrículo, contornando o nó atrioventricular. A distinção terminológica importa e é cobrada em prova.

Pré-excitação isolada

  • Achado eletrocardiográfico em paciente assintomático.
  • Intervalo PR curto, abaixo de 120 ms.
  • Onda delta: empastamento do início do QRS.
  • QRS alargado, com alterações secundárias da repolarização.
  • Também chamada de padrão de Wolff-Parkinson-White.

Síndrome de Wolff-Parkinson-White

  • Pré-excitação somada a arritmia sintomática documentada.
  • A arritmia mais comum é a reentrada atrioventricular ortodrômica, de QRS estreito.
  • A mais perigosa é a fibrilação atrial pré-excitada, com resposta ventricular muito rápida e risco de degeneração para fibrilação ventricular.
  • Risco de morte súbita baixo, porém não desprezível — e é justamente o que justifica a estratificação.
Na fibrilação atrial pré-excitada — taquicardia irregular, de QRS largo, com morfologia variável e frequência muito elevada — são contraindicados adenosina, verapamil, diltiazem, betabloqueadores, digoxina e amiodarona. Todos podem bloquear o nó e favorecer a condução exclusiva pela via acessória. A conduta é cardioversão elétrica ou, se estável, procainamida.

Diagnóstico diferencial da taquicardia sinusal

Antes de rotular como arritmia, confirme que não se trata de resposta fisiológica. Taquicardia sinusal não se trata com antiarrítmico: trata-se a causa.

Infecção e sepse

Febre, resposta inflamatória e vasodilatação. A taquicardia é compensatória e sustenta o débito.

Hipovolemia e anemia

Sangramento, desidratação e anemia grave. Procure hipotensão postural e queda de hemoglobina.

Tromboembolismo pulmonar

Taquicardia sinusal é o achado mais frequente; hipoxemia e dispneia acompanham.

Hipertireoidismo

Taquicardia persistente, perda ponderal, tremor. Pode precipitar fibrilação atrial.

Substâncias

Cafeína, álcool, nicotina, descongestionantes, broncodilatadores, cocaína e anfetaminas.

Dor e ansiedade

Diagnóstico de exclusão, apenas depois de afastadas as causas orgânicas.

Lendo a taquicardia de QRS estreito

Depois de confirmar que o QRS é estreito e o ritmo regular, a leitura fina busca a onda P e sua relação com o QRS. O achado organizador é o intervalo RP: a distância entre o QRS e a onda P retrógrada seguinte.

Padrão do RP Achado Hipótese principal
P invisível Onda P retrógrada totalmente escondida dentro do QRS. Reentrada nodal típica — átrio e ventrículo despolarizam quase simultaneamente.
RP muito curto
(abaixo de 70 ms)
Deformação do final do QRS: pseudo-r' em V1 e pseudo-S em DII, DIII e aVF, ausentes no traçado em ritmo sinusal. Reentrada nodal típica. A comparação com um ECG prévio confirma que a deformação é nova.
RP curto
(70 ms ou mais, RP menor que PR)
Onda P retrógrada visível após o QRS, no segmento ST ou na onda T. Reentrada atrioventricular ortodrômica, por via acessória.
RP longo
(RP maior que PR)
Onda P mais próxima do QRS seguinte que do anterior, com morfologia diferente da sinusal. Taquicardia atrial, reentrada nodal atípica ou taquicardia juncional reciprocante permanente.
Ondas em dente de serra Atividade atrial contínua a cerca de 300 bpm, mais evidente em DII, DIII e aVF. Flutter atrial. A frequência ventricular de aproximadamente 150 bpm sugere condução 2:1.
Frequência ventricular próxima de 150 bpm em ritmo regular deve sempre levantar a hipótese de flutter atrial com condução 2:1. As ondas de flutter frequentemente se escondem dentro do QRS e da onda T — e é exatamente aí que a adenosina cumpre seu papel diagnóstico, ao desmascarar a atividade atrial.

O que a adenosina revela

A adenosina é ao mesmo tempo tratamento e ferramenta diagnóstica. Registre tira longa de ritmo durante a injeção — mesmo quando a arritmia não reverte, a resposta orienta o mecanismo.

Resposta Interpretação
Interrupção súbita, terminando com onda P após o último QRS Muito sugestivo de reentrada nodal típica ou reentrada atrioventricular — o circuito depende do nó, e bloqueá-lo encerra a arritmia.
Interrupção terminando com um QRS Mais frequente em taquicardia atrial, e possível na reentrada nodal atípica.
Bloqueio atrioventricular transitório que desmascara a atividade atrial Flutter atrial ou taquicardia atrial — a arritmia continua nos átrios enquanto os ventrículos desaceleram.
Desaceleração gradual seguida de reaceleração Sugere taquicardia sinusal ou taquicardia atrial automática.
Nenhuma alteração Dose insuficiente, injeção lenta, técnica inadequada, uso de metilxantinas — ou arritmia que não depende do nó, como a taquicardia ventricular.
Aceleração paradoxal com QRS largo e irregular Emergência: sugere condução por via acessória em fibrilação atrial pré-excitada. Prepare-se para cardioversão imediata.
Algumas taquicardias ventriculares idiopáticas respondem a manobras que se esperaria serem específicas de arritmias supraventriculares: a taquicardia ventricular fascicular é sensível ao verapamil, e a taquicardia da via de saída do ventrículo direito pode responder à adenosina. Reverter com adenosina, portanto, não prova origem supraventricular.

Taquicardia de QRS largo

A regra é simples e salva vidas: toda taquicardia regular de QRS largo é ventricular até prova em contrário. Em pacientes com cardiopatia estrutural conhecida, especialmente infarto prévio, a probabilidade de taquicardia ventricular ultrapassa 90%.

Favorece taquicardia ventricular

  • Dissociação atrioventricular — o achado mais específico.
  • Batimentos de captura ou de fusão — praticamente diagnósticos.
  • Concordância positiva ou negativa em todas as precordiais.
  • QRS muito largo, acima de 140 ms com padrão de bloqueio direito ou de 160 ms com padrão esquerdo.
  • Eixo no quadrante noroeste.
  • História de infarto prévio ou cardiopatia estrutural.
  • Morfologia do QRS diferente de bloqueios de ramo típicos.

Favorece supraventricular com aberrância

  • Morfologia idêntica a bloqueio de ramo prévio documentado.
  • Padrão típico de bloqueio de ramo direito ou esquerdo.
  • Início da taquicardia com extrassístole atrial.
  • Reversão com manobra vagal — sugestiva, mas não conclusiva.
  • Paciente jovem, sem cardiopatia estrutural.
Verapamil em taquicardia ventricular pode causar colapso hemodinâmico e parada cardíaca. Só administre bloqueadores do nó atrioventricular quando o diagnóstico de origem supraventricular estiver plenamente estabelecido. Na dúvida, trate como ventricular: essa escolha erra com segurança.

Avaliação complementar

  • Eletrocardiograma de 12 derivações durante a taquicardia — documento essencial, insubstituível depois da reversão.
  • Eletrocardiograma em ritmo sinusal — procura pré-excitação, bloqueio de ramo prévio e cardiopatia estrutural.
  • Tira longa de ritmo durante a manobra vagal e durante a adenosina.
  • Eletrólitos — potássio, magnésio e cálcio.
  • Função tireoidiana — em taquicardia recorrente ou de causa não esclarecida.
  • Hemograma — anemia como fator desencadeante.
  • Ecocardiograma transtorácico — avalia cardiopatia estrutural e função ventricular; obrigatório se há pré-excitação ou suspeita de cardiopatia.
  • Monitorização ambulatorial — Holter, monitor de eventos ou monitor implantável, conforme a frequência dos sintomas.
  • Estudo eletrofisiológico — define o mecanismo com precisão e permite a ablação no mesmo procedimento.

Sequência de abordagem

A decisão inicial é binária: o paciente está estável ou instável? Tudo o mais decorre dessa resposta.

  1. Monitorização contínua, oximetria, acesso venoso calibroso e desfibrilador ao lado.
  2. Registre o eletrocardiograma de 12 derivações durante a taquicardia — sempre que a estabilidade permitir.
  3. AVALIE A ESTABILIDADE: hipotensão, alteração aguda do nível de consciência, dor torácica isquêmica, congestão pulmonar aguda ou sinais de choque ATRIBUÍVEIS à taquicardia indicam cardioversão sincronizada imediata.
  4. Classifique o traçado: QRS estreito ou largo, ritmo regular ou irregular.
  5. Procure e trate o desencadeante: febre, anemia, hipovolemia, dor, hipoxemia, distúrbio eletrolítico, tireotoxicose e substâncias estimulantes.
  6. Estável, com QRS estreito e regular: manobra de Valsalva modificada como primeira linha.
  7. Se falhar: adenosina 6 mg em bolus rápido, seguida de 12 mg se necessário.
  8. Se falhar: verapamil, diltiazem ou betabloqueador intravenoso, respeitando as contraindicações.
  9. QRS LARGO E IRREGULAR: pense em FA pré-excitada e NÃO use adenosina, verapamil, diltiazem, betabloqueador, digoxina ou amiodarona.
  10. Revertido o ritmo, repita o eletrocardiograma em ritmo sinusal, procurando onda delta.
  11. Defina o seguimento: ensine a manobra vagal, oriente sobre desencadeantes e encaminhe à eletrofisiologia quando indicado.

Manobra de Valsalva modificada

A modificação postural aumenta substancialmente a taxa de reversão em comparação à manobra clássica — cerca de 43% contra 17% no ensaio que a validou. É gratuita, segura e deve ser a primeira tentativa em todo paciente estável.

  1. Posicione o paciente semi-sentado, com o tronco elevado a cerca de 45 graus.
  2. Peça que sopre por 15 segundos contra resistência — uma seringa de 10 mL, com força suficiente para mover o êmbolo, gera a pressão adequada de cerca de 40 mmHg.
  3. Imediatamente ao final do sopro, deite o paciente e eleve passivamente as pernas a 45 graus por 15 segundos.
  4. Volte à posição semi-sentada e reavalie o ritmo após 1 minuto.
  5. Pode ser repetida se não houver reversão e o paciente tolerar.
  6. Mantenha registro contínuo do ritmo durante toda a manobra.

Outras manobras

  • Massagem do seio carotídeo — 5 a 10 segundos, unilateral, com o pescoço em leve extensão e rotação contralateral.
  • Imersão facial em água fria — mais usada em crianças e lactentes.

O que não fazer

  • Compressão ocular — abandonada pelo risco de lesão da retina.
  • Massagem carotídea bilateral simultânea.
  • Massagem carotídea diante de sopro carotídeo, acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório prévio, ou estenose carotídea conhecida.
Condutas — como usar os cards

Cada card abre o detalhamento: indicação, posologia, técnica e cuidados. Confira sempre a bula, a apresentação disponível e o protocolo institucional antes de prescrever.

Reversão aguda

A sequência é escalonada e começa pelo que não tem custo nem risco. A cardioversão elétrica atravessa toda a escala quando há instabilidade.

Situações específicas e tratamento crônico

Cenários em que a rota habitual não se aplica, e as decisões que se tomam depois de revertido o ritmo.

Classificador da taquicardia

Largura do QRS Regularidade Estabilidade

Responde às duas perguntas que organizam a beira do leito e cruza com a estabilidade hemodinâmica. Devolve as hipóteses do quadrante e a conduta inicial correspondente.

Hipóteses e conduta
Ferramenta de apoio ao raciocínio, não substitui a interpretação do traçado por profissional experiente. Antes de qualquer conduta, exclua taquicardia sinusal: frequência elevada com onda P sinusal em contexto de febre, dor, hipovolemia ou sepse é resposta fisiológica, e bloquear o nó nesse cenário pode precipitar colapso.

Adenosina — dose, ajustes e contraindicações

Bolus rápido com flush Ajustes de dose

Marque as situações presentes. A ferramenta ajusta a dose inicial e sinaliza as contraindicações. A meia-vida da adenosina é de poucos segundos, o que exige injeção muito rápida seguida de flush imediato.

Contraindicações
Situações que exigem dose inicial reduzida
Situações que reduzem o efeito
Dose inicial
6 mg
Segunda dose
12 mg
Terceira dose
12 mg
Observações
Esquema padrão
Bolus rápido em veia calibrosa proximal, seguido imediatamente de flush de 20 mL de soro fisiológico e elevação do membro
A diretriz europeia admite bolus de 6 a 18 mg; o esquema mais difundido é 6 mg seguido de 12 mg. Avise o paciente antes da injeção sobre a sensação transitória de opressão torácica, rubor e mal-estar intenso — dura poucos segundos e a advertência prévia reduz muito o susto. Mantenha registro contínuo do ritmo e desfibrilador ao lado; pode ocorrer assistolia transitória e fibrilação atrial em 1% a 15% dos casos.

Cardioversão elétrica sincronizada

Energia por arritmia Checklist de segurança

Selecione a arritmia e o tipo de aparelho. As energias apresentadas são as habitualmente recomendadas — confira sempre o manual do desfibrilador do seu serviço, pois há variação entre fabricantes.

Energia inicial
Sincronização
Se falhar
Observações
Antes do choque: consentimento quando possível, jejum avaliado, acesso venoso, monitorização, oximetria, material de via aérea e sedação com analgesia. Confirme que o botão de sincronismo está ativo e que o aparelho está marcando as ondas R — a sincronização precisa ser reativada a cada choque na maioria dos aparelhos. Em arritmia com duração superior a 48 horas ou indeterminada, avalie a necessidade de anticoagulação ou de ecocardiograma transesofágico antes da cardioversão eletiva.

Estratificação da pré-excitação

Risco de morte súbita Indicação de ablação

Aplica-se ao paciente com onda delta no eletrocardiograma basal. Marque os achados presentes para orientar a necessidade de estudo eletrofisiológico e de ablação. Os parâmetros invasivos vêm do estudo eletrofisiológico, habitualmente sob isoprenalina.

Marcadores de alto risco
Fatores que aumentam a preocupação
Marcadores de baixo risco
Estratificação
0 alto · 0 baixo
Nenhum marcador assinalado
Marque os achados presentes para ver a leitura
Ferramenta de apoio, não substitui a avaliação do eletrofisiologista. Todo paciente com pré-excitação e arritmia sintomática documentada tem indicação de encaminhamento. Nos assintomáticos, a decisão sobre estudo eletrofisiológico é individualizada e leva em conta profissão, prática esportiva, ansiedade do paciente e disponibilidade do serviço. A ablação está recomendada quando o estudo identifica propriedades de alto risco.

Depois de revertida a crise

A mudança mais importante das diretrizes contemporâneas é o posicionamento da ablação por cateter como primeira linha na maioria dos substratos reentrantes, oferecida ao paciente como opção inicial após explicação detalhada de riscos e benefícios — e não apenas depois da falha de medicamentos.

Substrato Ablação Alternativa medicamentosa
Reentrada nodal Primeira linha, com sucesso acima de 95%. Risco principal é o bloqueio atrioventricular, hoje bem inferior a 1% com a técnica de via lenta. Verapamil, diltiazem ou betabloqueador — rebaixados de classe I para IIa nas diretrizes atuais.
Reentrada atrioventricular Primeira linha; elimina a via acessória e, com ela, o risco associado à pré-excitação. Flecainida ou propafenona em pacientes sem cardiopatia isquêmica ou estrutural.
Taquicardia atrial focal Recomendada, com bom índice de sucesso; especialmente indicada nas formas incessantes. Betabloqueador, verapamil ou diltiazem; antiarrítmicos de classe IC em casos selecionados.
Flutter atrial típico Ablação do istmo cavotricuspídeo, com alta taxa de sucesso e baixa recorrência. Controle de frequência; avaliar anticoagulação com os mesmos critérios da fibrilação atrial.
Pré-excitação sintomática Recomendada. Nos assintomáticos, indicada quando o estudo eletrofisiológico identifica propriedades de alto risco. Evitar bloqueadores isolados do nó; flecainida ou propafenona quando a ablação não é viável.
Taquicardia atrial multifocal Não é o alvo — o tratamento é da doença de base, tipicamente pulmonar. Corrigir hipoxemia, distúrbios eletrolíticos e broncoespasmo; verapamil como opção.
Vale explicar ao paciente que a ablação é um procedimento potencialmente curativo, enquanto o medicamento apenas reduz a frequência das crises e precisa ser tomado indefinidamente. Muitos pacientes jovens só descobrem que existe essa possibilidade anos depois da primeira crise.

Quando encaminhar à eletrofisiologia

  • Pré-excitação no eletrocardiograma basal, sintomática ou não — a avaliação especializada é indicada em ambos os casos.
  • Crises recorrentes que exigem atendimento em pronto-socorro.
  • Crises sintomáticas que limitam a vida do paciente ou geram ansiedade importante.
  • Intolerância ou contraindicação aos antiarrítmicos, ou preferência do paciente por tratamento definitivo.
  • Síncope associada à taquicardia — sempre exige investigação aprofundada.
  • Taquicardia incessante ou disfunção ventricular sugerindo cardiomiopatia induzida por taquicardia.
  • Diagnóstico indefinido após avaliação não invasiva completa.
  • Atletas competitivos e profissões de risco com qualquer arritmia documentada.
  • Cardiopatia estrutural associada à arritmia supraventricular.

O que orientar na alta

Ensine a manobra vagal

Demonstre a Valsalva modificada e peça que o paciente reproduza. Muitos conseguem abortar crises em casa e evitar idas ao pronto-socorro.

Identifique desencadeantes

Cafeína, álcool, energéticos, nicotina, privação de sono, estresse, descongestionantes e estimulantes. Sugira um diário de crises.

Sinais de alarme

Síncope, dor torácica, dispneia importante ou crise que não cede com a manobra devem levar ao serviço de emergência.

Guarde o traçado

Oriente o paciente a levar cópia do eletrocardiograma da crise à consulta com o cardiologista — é o documento que define o mecanismo.

Tranquilize

Em coração estruturalmente normal, o prognóstico é excelente. A ansiedade em si é fator desencadeante, e explicar isso já tem efeito terapêutico.

Agende o retorno

Consulta com cardiologista antes da alta, não deixada a cargo do paciente, com indicação clara de quem investigará o mecanismo.

Situações com manejo próprio

Cenário Particularidade O que fazer diferente
Fibrilação atrial pré-excitada Taquicardia irregular, de QRS largo e morfologia variável, com frequência muito elevada. Risco de degeneração para fibrilação ventricular. Cardioversão elétrica se instável; procainamida se estável. Proibidos adenosina, verapamil, diltiazem, betabloqueador, digoxina e amiodarona.
Gestação As crises tendem a aumentar em frequência. A preocupação com o feto frequentemente leva a subtratamento. Manobra vagal primeiro; adenosina é considerada segura. Evitar todos os antiarrítmicos no primeiro trimestre. A cardioversão elétrica é segura em qualquer trimestre.
Idoso Maior chance de cardiopatia estrutural, doença do nó sinusal e uso de fármacos que deprimem a condução. Cautela com bloqueadores do nó; considere QRS largo como ventricular com limiar ainda mais baixo, pela alta prevalência de cardiopatia isquêmica.
Insuficiência cardíaca com fração reduzida Verapamil e diltiazem têm efeito inotrópico negativo relevante. Evitar verapamil e diltiazem. Preferir adenosina e, se necessário, betabloqueador com cautela ou cardioversão.
Broncoespasmo A adenosina pode desencadear broncoconstrição. Evitar adenosina na asma ou doença pulmonar obstrutiva grave em atividade. Preferir verapamil ou diltiazem, ou cardioversão.
Coração transplantado Órgão denervado, hipersensível à adenosina; resposta exagerada e prolongada. Reduzir a dose inicial e ter marca-passo transcutâneo prontamente disponível.
Cardiomiopatia induzida por taquicardia Disfunção ventricular causada pela própria arritmia, quando incessante por semanas a meses. Frequentemente confundida com miocardiopatia dilatada primária. Suspeitar quando há taquicardia persistente com disfunção; o controle do ritmo, geralmente por ablação, costuma reverter a disfunção.
Intoxicação digitálica Pode causar taquicardia atrial com bloqueio e taquicardia juncional. Corrigir potássio e magnésio; considerar anticorpo antidigoxina. Evitar cardioversão elétrica pelo risco de arritmia ventricular refratária.
Estimulantes e drogas Cocaína, anfetaminas, energéticos e descongestionantes. Benzodiazepínico como base do tratamento; hidratação e correção de eletrólitos. Betabloqueador tradicionalmente evitado na intoxicação por cocaína.

Erros comuns

  • Tratar taquicardia de QRS largo como supraventricular, quando a regra é assumir origem ventricular até prova em contrário.
  • Administrar verapamil em taquicardia ventricular, com risco de colapso hemodinâmico e parada.
  • Usar bloqueador do nó atrioventricular em fibrilação atrial pré-excitada.
  • Cardioverter uma taquicardia sinusal, retirando o mecanismo compensatório de um paciente séptico ou hipovolêmico.
  • Não registrar o eletrocardiograma de 12 derivações durante a taquicardia, perdendo o documento que define o mecanismo.
  • Não manter tira longa de ritmo durante a manobra vagal e durante a adenosina.
  • Injetar a adenosina lentamente ou sem flush imediato, o que praticamente anula seu efeito.
  • Usar acesso venoso distal e fino para adenosina, em vez de veia calibrosa proximal.
  • Não avisar o paciente sobre a sensação intensa e transitória causada pela adenosina.
  • Não reduzir a dose de adenosina em acesso central, coração transplantado ou uso de dipiridamol e carbamazepina.
  • Prescrever adenosina em paciente com broncoespasmo grave em atividade.
  • Esquecer de ativar ou de reativar o botão de sincronismo antes de cada choque.
  • Cardioverter sem sedação adequada em paciente consciente.
  • Usar verapamil ou diltiazem em paciente com fração de ejeção reduzida.
  • Não repetir o eletrocardiograma em ritmo sinusal depois da reversão, deixando passar a onda delta.
  • Não procurar o fator desencadeante — febre, anemia, tireotoxicose, cafeína, estimulantes.
  • Dar alta sem ensinar a manobra vagal e sem agendar retorno com cardiologista.
  • Não encaminhar à eletrofisiologia o paciente com crises recorrentes ou com pré-excitação.

Resumo do fluxo

  1. Monitorização, acesso venoso, oximetria e desfibrilador ao lado. Registre o eletrocardiograma de 12 derivações durante a taquicardia.
  2. AVALIE A ESTABILIDADE: hipotensão, rebaixamento agudo, dor isquêmica, congestão aguda ou choque atribuíveis à taquicardia indicam CARDIOVERSÃO SINCRONIZADA imediata, com sedação.
  3. Estável: classifique o traçado — QRS estreito ou largo, ritmo regular ou irregular.
  4. Exclua taquicardia sinusal e procure o desencadeante: febre, anemia, hipovolemia, dor, hipoxemia, tireotoxicose e estimulantes.
  5. Estreito e regular: manobra de Valsalva modificada, com tira longa de ritmo durante a manobra.
  6. Sem reversão: adenosina 6 mg em bolus rápido por veia calibrosa proximal, com flush de 20 mL e elevação do membro; depois 12 mg se necessário.
  7. Sem reversão: verapamil, diltiazem ou betabloqueador intravenoso, respeitando fração de ejeção reduzida e demais contraindicações.
  8. LARGO E IRREGULAR: suspeite de FA pré-excitada. NÃO use bloqueadores do nó AV. Cardioversão elétrica ou procainamida.
  9. Largo e regular: trate como taquicardia ventricular salvo diagnóstico seguro de origem supraventricular.
  10. Revertido o ritmo: novo eletrocardiograma em ritmo sinusal, procurando onda delta e bloqueio de ramo.
  11. Solicite eletrólitos, função tireoidiana e hemograma; ecocardiograma se houver pré-excitação ou suspeita de cardiopatia.
  12. Antes da alta: ensine a manobra vagal, oriente desencadeantes e sinais de alarme, e agende o retorno com cardiologista ou eletrofisiologista.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

  1. Brugada J, Katritsis DG, Arbelo E, et al. 2019 ESC Guidelines for the management of patients with supraventricular tachycardia. Eur Heart J. 2020;41(5):655-720.
  2. Page RL, Joglar JA, Caldwell MA, et al. 2015 ACC/AHA/HRS Guideline for the Management of Adult Patients With Supraventricular Tachycardia. Circulation. 2016;133(14):e506-e574.
  3. Greif R, et al. Part 9: Adult Advanced Life Support — 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation. 2025;152(16 Suppl 2):S538-S577.
  4. Appelboam A, Reuben A, Mann C, et al. Postural modification to the standard Valsalva manoeuvre for emergency treatment of supraventricular tachycardias (REVERT): a randomised controlled trial. Lancet. 2015;386(10005):1747-1753.
  5. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes Brasileiras de Arritmias Cardíacas e de Dispositivos Eletrônicos Implantáveis — versões vigentes. Arq Bras Cardiol.
  6. Katritsis DG, Josephson ME. Differential diagnosis of regular, narrow-QRS tachycardias. Heart Rhythm. 2015;12(7):1667-1676.
  7. Brugada P, Brugada J, Mont L, et al. A new approach to the differential diagnosis of a regular tachycardia with a wide QRS complex. Circulation. 1991;83(5):1649-1659.
  8. Vereckei A, Duray G, Szénási G, et al. New algorithm using only lead aVR for differential diagnosis of wide QRS complex tachycardia. Heart Rhythm. 2008;5(1):89-98.
  9. Pappone C, Vicedomini G, Manguso F, et al. Wolff-Parkinson-White syndrome in the era of catheter ablation: insights from a registry study of 2169 patients. Circulation. 2014;130(10):811-819.
  10. Cohen MI, Triedman JK, Cannon BC, et al. PACES/HRS expert consensus statement on the management of the asymptomatic young patient with a Wolff-Parkinson-White electrocardiographic pattern. Heart Rhythm. 2012;9(6):1006-1024.
  11. Katritsis DG, Zografos T, Siontis KC, et al. Endpoints for successful slow pathway catheter ablation in typical and atypical atrioventricular nodal re-entrant tachycardia. Circ Arrhythm Electrophysiol. 2019;12(10):e007612.
  12. Delacrétaz E. Supraventricular tachycardia. N Engl J Med. 2006;354(10):1039-1051.
  13. Regitz-Zagrosek V, Roos-Hesselink JW, Bauersachs J, et al. 2018 ESC Guidelines for the management of cardiovascular diseases during pregnancy. Eur Heart J. 2018;39(34):3165-3241.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, energias, critérios e condutas devem ser sempre conferidos antes da aplicação.

Informações rápidas

Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.

O essencial

Classificar o ritmo

Duas perguntas resolvem: o QRS é estreito ou largo, e o ritmo é regular ou irregular. Estreito e regular é o cenário clássico da TSV — reentrada nodal, reentrada atrioventricular ou taquicardia atrial. Largo e regular é taquicardia ventricular até prova em contrário. Largo e irregular levanta imediatamente fibrilação atrial pré-excitada.

Avaliar a estabilidade

Hipotensão, alteração aguda do nível de consciência, dor torácica isquêmica, congestão pulmonar aguda ou sinais de choque atribuíveis à taquicardia indicam cardioversão sincronizada imediata, com sedação. Paciente estável permite manobra vagal e fármacos. Antes de tudo, exclua taquicardia sinusal: nela, o tratamento é da causa.

Reverter

Valsalva modificada primeiro: sopro de 15 segundos contra resistência, seguido de decúbito com elevação passiva das pernas por 15 segundos — reverte cerca de 43%, contra 17% da manobra clássica. Se falhar, adenosina 6 mg em bolus rápido por veia calibrosa proximal, com flush de 20 mL, seguida de 12 mg. Depois, verapamil, diltiazem ou betabloqueador.

Definir o seguimento

A ablação por cateter é primeira linha na reentrada nodal e na reentrada atrioventricular, com sucesso acima de 95%. Repita o eletrocardiograma em ritmo sinusal procurando onda delta. Ensine a manobra vagal ao paciente, oriente desencadeantes e agende retorno com cardiologista antes da alta.

Números rápidos

Valsalva modificada: sopro de 15 s e elevação das pernas por 15 s; reverte cerca de 43%.

Adenosina: 6 mg em bolus rápido, depois 12 mg, com flush de 20 mL de soro fisiológico.

Cardioversão da TSV: 50 a 100 J bifásico, sincronizada e com sedação.

Cardioversão da FA: 120 a 200 J bifásico.

Frequências: reentrada nodal 60%, reentrada atrioventricular 30%, taquicardia atrial 10%.

Alto risco no WPW: menor RR pré-excitado durante fibrilação atrial igual ou inferior a 250 ms.

Não esqueça

QRS largo é taquicardia ventricular até prova em contrário.

FA pré-excitada: nada de adenosina, verapamil, diltiazem, betabloqueador, digoxina ou amiodarona.

Registre o ECG de 12 derivações durante a crise — depois da reversão não volta.

Adenosina só funciona em bolus muito rápido com flush imediato.

Taquicardia sinusal se trata tratando a causa, nunca cardiovertendo.

Em provas / residência

A banca cobra a pseudo-onda r' em V1 da reentrada nodal, a diferença entre padrão e síndrome de Wolff-Parkinson-White e as drogas proibidas na FA pré-excitada.

Decore: adenosina 6 e depois 12 mg; cardioversão da TSV com 50 a 100 J; QRS largo é ventricular até prova em contrário.

Mais informações nas abas do artigo.

Rolar para cima