MedFoco

Home Emergência & UTI Dor Torácica Tamponamento Cardíaco
Emergência & UTI • Dor Torácica

Tamponamento Cardíaco

É choque obstrutivo por compressão do coração. O que determina a gravidade não é o volume do derrame, e sim a velocidade com que ele se acumula: 150 a 200 mL de sangue em minutos matam, enquanto 1,5 L acumulados em semanas podem ser quase silenciosos. O diagnóstico é clínico, confirmado pelo ecocardiograma — e o tratamento é esvaziar o pericárdio.

Choque obstrutivo Pulso paradoxal > 10 mmHg POCUS à beira do leito Drenagem é o tratamento
Tempo de leitura: 18 min
Atualizado em: 22/08/2026

Suspeitar

  • Hipotensão com turgência jugular e pulmões limpos
  • Taquicardia, dispneia e pulso paradoxal
  • Contexto: neoplasia, uremia, pós-procedimento, trauma
  • Tríade de Beck completa é rara — não espere por ela

Confirmar

  • Ecocardiograma sem atraso — POCUS já responde
  • Colapso diastólico de VD e sistólico tardio de AD
  • VCI pletórica sem variação respiratória
  • Variação do fluxo mitral > 25% e tricúspide > 40%

Estabilizar

  • Volume em alíquotas pequenas se hipovolêmico
  • Nunca diurético, nem vasodilatador
  • Evitar ventilação com pressão positiva
  • Suporte é ponte, jamais substitui a drenagem

Drenar

  • Choque: pericardiocentese imediata, guiada por eco
  • Estável: drenagem em 12 a 24 horas
  • Cirurgia: dissecção de aorta, ruptura de parede, trauma
  • Retirar até 1 L por vez e manter dreno

O que é tamponamento cardíaco

Tamponamento cardíaco é a compressão do coração pelo acúmulo de líquido, sangue, coágulos, pus ou gás dentro do saco pericárdico, com aumento da pressão intrapericárdica, restrição ao enchimento diastólico e queda do débito cardíaco. É uma forma de choque obstrutivo e, sem drenagem, evolui de forma previsível para a morte.

Não é um evento com um único ponto de corte: existe um espectro hemodinâmico que vai do tamponamento incipiente ou pré-clínico — em que a pressão pericárdica já iguala a pressão do átrio direito, mas ainda é inferior à do átrio esquerdo — até o choque franco, com queda do volume sistólico, hipotensão e pulso paradoxal evidente.

O diagnóstico é clínico; o ecocardiograma confirma. Um paciente com hipotensão inexplicada, jugulares distendidas e ausculta pulmonar limpa tem tamponamento até prova em contrário — e a prova se faz com o transdutor na mão, não com a solicitação de um exame para depois.

A curva em J do pericárdio

O pericárdio normal é pouco distensível e comporta apenas cerca de 15 a 50 mL de líquido fisiológico. Sua curva pressão-volume tem formato em J: um trecho inicial curto e complacente, que absorve variações fisiológicas com pouco aumento de pressão, seguido de uma porção quase vertical.

  • Acúmulo rápido — 100 a 200 mL de sangue, como em perfuração iatrogênica ou trauma, elevam a pressão pericárdica a 20 a 30 mmHg em minutos. É o tamponamento "cirúrgico".
  • Acúmulo lento — o pericárdio se estira ao longo de semanas e acomoda 1 a 2 L antes de descompensar. É o tamponamento "clínico", de neoplasias e uremia.
  • Fenômeno da última gota — na porção vertical da curva, um incremento mínimo de volume produz colapso hemodinâmico. Isso explica a deterioração súbita de um paciente que estava apenas "taquicárdico".

Interdependência ventricular

Com o volume cardíaco total fixado pelo líquido pericárdico, as câmaras passam a competir pelo mesmo espaço. Qualquer aumento de volume de um lado obriga a redução do outro.

  • Na inspiração, o retorno venoso ao ventrículo direito aumenta; o septo se desloca para a esquerda e reduz o enchimento do ventrículo esquerdo.
  • O volume sistólico esquerdo cai, e com ele a pressão arterial sistólica — é a base do pulso paradoxal.
  • As pressões diastólicas se equalizam entre as câmaras, tipicamente entre 15 e 30 mmHg.
  • O débito é mantido às custas de taquicardia e vasoconstrição adrenérgica — mecanismos que se esgotam.
Por que a pré-carga importa

Enquanto a pressão de enchimento superar a pressão pericárdica, ainda há diástole. Por isso o paciente hipovolêmico descompensa mais cedo, e por isso um volume pequeno pode ganhar tempo — mas apenas tempo.

O que define a gravidade

Três variáveis explicam por que dois pacientes com o mesmo volume de derrame podem ter apresentações opostas.

Velocidade

É a variável dominante. Minutos versus semanas mudam completamente o quadro.

Complacência

Pericárdio fibrosado ou irradiado descompensa com volumes menores.

Volemia

Hipovolemia antecipa o colapso e mascara a turgência jugular.

Pressões basais

Hipertrofia e hipertensão pulmonar retardam o colapso das câmaras direitas.

Ventilação

Pressão positiva reduz ainda mais o retorno venoso e o débito.

As três perguntas da beira do leito

É tamponamento?

Hipotensão ou choque, com pressão venosa central elevada e ausculta pulmonar limpa, é a combinação que obriga a colocar o transdutor no tórax. Some a isso taquicardia, dispneia e pulso paradoxal.

Precisa drenar agora?

Choque hemodinâmico ou peri-parada significa pericardiocentese imediata. Paciente estável permite planejar o procedimento em 12 a 24 horas, com exames e equipe adequados.

Punção ou cirurgia?

Dissecção de aorta tipo A, ruptura de parede livre pós-infarto, trauma torácico grave, derrame purulento em séptico instável e derrames loculados são indicações de drenagem cirúrgica.

Retirar apenas 30 a 50 mL já pode reverter a hemodinâmica. A curva em J funciona nos dois sentidos: assim como a última gota descompensa, a primeira alíquota drenada devolve diástole.

Etiologias por risco de tamponar

Nem todo derrame pericárdico evolui para tamponamento. Reconhecer a etiologia orienta a urgência da drenagem e a investigação do líquido.

Grupo Causas Observação
Alta probabilidade de tamponar Neoplasias, infecções (especialmente tuberculose; também virais e bacterianas), hemopericárdio iatrogênico, derrame pós-traumático, síndrome pós-pericardiotomia, hemopericárdio da dissecção de aorta e da ruptura cardíaca pós-infarto, insuficiência renal. São as etiologias que justificam vigilância estreita e limiar baixo para drenagem.
Raramente tamponam Doenças autoimunes sistêmicas, derrames autorreativos, hipotireoidismo e hipertireoidismo, pericardite precoce e tardia do infarto (síndrome de Dressler), pericardite do colesterol, quilopericárdio. Costumam responder ao tratamento da doença de base e ao anti-inflamatório.
Praticamente nunca tamponam Transudatos da insuficiência cardíaca e da hipertensão pulmonar; derrame fisiológico do último trimestre da gestação. Achado incidental frequente — tratar a doença de base, não puncionar.
Fatores precipitantes Anticoagulantes e trombolíticos, anti-hipertensivos, desidratação e diuréticos (reduzem a volemia), septicemia, trauma torácico fechado, dispositivos intracavitários de longa permanência. Transformam um derrame estável em tamponamento — revisar sempre a prescrição.
Diurético em paciente com derrame volumoso é um erro clássico: a "congestão" que ele apresenta é obstrutiva, não volêmica. Reduzir a pré-carga nesse cenário pode precipitar o colapso.

Causas iatrogênicas em ascensão

Procedimentos cardiovasculares são hoje uma das causas mais frequentes de tamponamento em ambiente hospitalar. Nesses casos o quadro é hiperagudo, com derrame pequeno e deterioração em minutos.

Intervenção coronária

Perfuração de coronária por fio-guia, balão ou aterectomia. Suspeitar de hipotensão súbita ainda na sala de hemodinâmica.

Marca-passo e CDI

Perfuração pelo eletrodo, às vezes tardia. Dor torácica, soluço ou estimulação diafragmática após o implante são sinais de alerta.

Ablação de arritmias

Complicação bem descrita da ablação por radiofrequência; exige diagnóstico e punção de resgate imediatos.

TAVI e estruturais

Perfuração por fio ou por dispositivo durante procedimentos valvares percutâneos.

Biópsia endomiocárdica

Perfuração de parede livre, especialmente do ventrículo direito.

Pós-operatório cardíaco

Sangramento e coágulos organizados; derrames loculados e localizados são a regra, e o eco transtorácico pode ser insuficiente.

Hipotensão súbita durante ou logo após qualquer procedimento cardiovascular invasivo é tamponamento até que o eco prove o contrário. Aqui o derrame costuma ser pequeno e o tempo, curtíssimo.

Investigação etiológica

A drenagem tem finalidade terapêutica e também diagnóstica. Sempre que houver punção, encaminhe o líquido para análise — a oportunidade não se repete com facilidade.

  • Bioquímica — proteínas, desidrogenase láctica, glicose e adenosina desaminase, com amostra pareada de sangue para aplicar os critérios de exsudato.
  • Celularidade — contagem total e diferencial de células; predomínio de neutrófilos aponta para causa bacteriana, e de linfócitos, para tuberculose ou neoplasia.
  • Citologia oncótica — obrigatória sempre que houver neoplasia conhecida ou suspeita; volumes maiores aumentam o rendimento.
  • Microbiologia — Gram, cultura para germes comuns, pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes, cultura para micobactérias e teste molecular rápido quando disponível.
  • Hematócrito do líquido — ajuda a diferenciar hemopericárdio verdadeiro de punção acidental de câmara cardíaca.
  • Investigação sistêmica — função renal, função tireoidiana, marcadores inflamatórios, sorologias e autoanticorpos conforme o contexto.
  • Biópsia pericárdica — considerar quando a drenagem for cirúrgica ou quando a etiologia permanecer indefinida em derrame recidivante.
A maioria dos derrames é transudato e não revela a causa. Ainda assim, a análise é obrigatória quando se suspeita de etiologia bacteriana, tuberculosa ou neoplásica — são justamente as que mudam a conduta.

Sintomas e sinais

A apresentação varia com a velocidade de acúmulo. No tamponamento agudo predominam hipotensão e colapso; no subagudo, o paciente chega com semanas de dispneia progressiva e é frequentemente rotulado como insuficiência cardíaca descompensada.

Sintomas

  • Dispneia aos esforços, progredindo para ortopneia — o mais constante.
  • Dor ou opressão torácica, muitas vezes com componente pericardítico.
  • Tosse, fraqueza, fadiga, anorexia e palpitações.
  • Sintomas compressivos: náusea (diafragma), disfagia (esôfago), rouquidão (nervo laríngeo recorrente) e soluços (nervo frênico).
  • Oligúria, confusão e agitação, refletindo hipoperfusão.

Sinais

  • Taquicardia — quase sempre presente; pode faltar no hipotireoidismo e na uremia.
  • Turgência jugular com pressão venosa elevada e descenso "y" ausente.
  • Hipofonese de bulhas.
  • Pulso paradoxal maior que 10 mmHg.
  • Hipotensão, pressão de pulso estreita, extremidades frias.
  • Sinal de Kussmaul — mais típico da pericardite constritiva, mas descrito no tamponamento.
  • Atrito pericárdico é raro e não afasta o diagnóstico.
A tríade de Beck — hipotensão, turgência jugular e hipofonese de bulhas — foi descrita no tamponamento cirúrgico agudo. Em séries de pacientes com derrame pericárdico, a tríade completa é incomum. Exigi-la para pensar no diagnóstico é o erro mais frequente.

Pulso paradoxal — como medir de verdade

É o achado de exame físico mais útil, com sensibilidade relatada entre 75% e 98%. "Paradoxal" refere-se ao contraste entre o pulso periférico que some e o ictus que continua palpável — não a algo verdadeiramente paradoxal na fisiologia.

  1. Coloque o paciente em decúbito semi-sentado, respirando tranquilamente. Não peça inspiração profunda: isso superestima o valor.
  2. Insufle o manguito cerca de 20 mmHg acima da pressão sistólica.
  3. Desinsufle lentamente até ouvir o primeiro som de Korotkoff apenas durante a expiração. Anote esse valor.
  4. Continue desinsuflando até que os sons sejam audíveis em todo o ciclo respiratório. Anote esse segundo valor.
  5. A diferença entre as duas medidas é o pulso paradoxal. Acima de 10 mmHg é anormal.
  6. Com linha arterial, meça diretamente na curva a maior e a menor sistólica ao longo de um ciclo respiratório completo.

Falso-negativo (tamponamento sem pulso paradoxal)

  • Hipotensão grave — não há pressão para gerar diferença de 10 mmHg.
  • Disfunção ventricular esquerda com pressões de enchimento muito elevadas.
  • Insuficiência aórtica importante.
  • Comunicação interatrial ampla.
  • Hipertrofia ou infarto de ventrículo direito.
  • Ventilação mecânica, sobretudo com volume corrente baixo.
  • Tamponamento de baixa pressão (hipovolêmico).

Falso-positivo (sem tamponamento)

  • Asma grave e doença pulmonar obstrutiva em exacerbação.
  • Tromboembolismo pulmonar maciço.
  • Choque hipovolêmico e hemorrágico.
  • Obesidade importante e grandes esforços respiratórios.
  • Pericardite constritiva, em parte dos casos.
A curva de pletismografia do oxímetro reproduz a variação respiratória e é um bom rastreador visual à beira do leito — útil enquanto se prepara o manguito ou a linha arterial.

Apresentações que enganam

Tamponamento de baixa pressão

Paciente hipovolêmico (desidratado, em diálise, sangrando). A pressão venosa não sobe, as jugulares estão planas e o pulso paradoxal pode faltar. Só o eco revela o quadro — e a expansão volêmica desmascara os sinais.

Tamponamento febril

Confundido com choque séptico. Diante de febre, hipotensão e taquicardia que não respondem a volume, faça o eco antes de escalonar vasopressor.

Rotulado como insuficiência cardíaca

Dispneia progressiva, jugulares distendidas, edema e cardiomegalia radiológica em quem recebe diurético e piora. Pulmões limpos na ausculta e no ultrassom pulmonar são a pista.

Confundido com constrição

Pericardite constritiva e forma efuso-constritiva compartilham sinais. A suspeita nasce quando a pressão atrial não normaliza após a drenagem.

Atribuído a hepatopatia

Ascite, edema e turgência jugular em cirrótico podem mascarar derrame volumoso de evolução lenta.

Trauma sem sinais clássicos

No politraumatizado hipovolêmico, a jugular não se distende. Ferimento penetrante medial aos mamilos ou às escápulas obriga a janela pericárdica ecográfica no FAST.

Diagnóstico diferencial

Condição Como diferenciar Conduta
Pericardite constritiva História arrastada, pericárdio espessado ou calcificado, "septal bounce", sinal de Kussmaul proeminente e ausência de derrame significativo. Imagem dedicada com tomografia ou ressonância; o tratamento definitivo é a pericardiectomia.
Infarto de ventrículo direito Hipotensão com jugulares distendidas e pulmões limpos — mesma combinação. Supradesnivelamento em derivações direitas e ausência de derrame ao eco. Volume e reperfusão; evitar nitrato e diurético.
Tromboembolismo pulmonar maciço Choque obstrutivo com ventrículo direito dilatado e hipocinético, sem derrame pericárdico significativo. Anticoagulação e considerar trombólise; a conduta é oposta à da punção.
Pneumotórax hipertensivo Assimetria de murmúrio, timpanismo, desvio de traqueia. Ultrassom sem deslizamento pleural. Descompressão torácica imediata — não perca tempo com imagem adicional.
Dissecção aórtica tipo A Dor de início súbito e migratória, assimetria de pulsos, insuficiência aórtica nova. Pode causar tamponamento por hemopericárdio. É indicação cirúrgica; a punção ampla é contraindicada e pode agravar a dissecção.
Insuficiência cardíaca direita Curso crônico, hepatomegalia, edema, sem pulso paradoxal e sem colapso de câmaras ao eco. Tratamento da doença de base; aqui o diurético é apropriado.
Miocardiopatia restritiva Padrão restritivo sem derrame, com alterações de Doppler tecidual características. Investigação de amiloidose e demais causas infiltrativas.
A combinação hipotensão + pressão venosa alta + pulmões limpos reduz o diferencial a poucas entidades: tamponamento, infarto de ventrículo direito, tromboembolismo pulmonar maciço e pneumotórax hipertensivo. O ultrassom à beira do leito separa as quatro em minutos.

Ecocardiograma — o exame de escolha

O ecocardiograma deve ser realizado sem atraso diante de suspeita clínica. Ele identifica o derrame, estima o volume, avalia a repercussão hemodinâmica e define a melhor via de punção. Nenhum achado isolado faz o diagnóstico: a leitura é sempre integrada ao quadro clínico.

Achado Como avaliar Interpretação
Tamanho do derrame Separação diastólica dos folhetos: pequeno abaixo de 10 mm, moderado de 10 a 20 mm, volumoso acima de 20 mm. Correlaciona-se mal com a repercussão — pequeno derrame agudo tampona.
Colapso do átrio direito Invaginação da parede atrial na sístole ventricular; significativo quando dura mais de um terço do ciclo cardíaco. Sinal mais precoce; muito sensível, menos específico.
Colapso do ventrículo direito Invaginação da parede livre na diástole. Modo M no eixo longo paraesternal, cruzando a parede livre do VD e a valva mitral. Mais específico; indica pressão pericárdica superior à do VD.
Pletora de veia cava inferior Diâmetro acima de 20 mm com redução inferior a 50% na inspiração. Alta sensibilidade. Sua ausência torna o tamponamento improvável em respiração espontânea.
Variação respiratória do fluxo Doppler pulsado nas pontas das cúspides: variação da onda E mitral acima de 25% e tricúspide acima de 40%. Equivalente ecocardiográfico do pulso paradoxal.
Coração pendular Oscilação do coração dentro do saco pericárdico. Derrame volumoso; explica a alternância elétrica no eletrocardiograma.
Movimento septal anômalo Deslocamento do septo para a esquerda na inspiração. Expressão da interdependência ventricular.
Diante de forte suspeita clínica, um eco "sem sinais clássicos" não exclui tamponamento. Derrames loculados, pós-operatórios e coágulos organizados comprimem câmaras específicas e escapam ao exame transtorácico — nesses casos, considere o eco transesofágico ou a tomografia.

Ultrassom à beira do leito (POCUS)

Na emergência, o próprio médico assistente faz o diagnóstico. Uma sequência objetiva resolve a maior parte dos casos.

  1. Janela subxifoide — confirma o derrame e é a primeira do protocolo FAST no trauma.
  2. Eixo longo paraesternal — confirma se o derrame é circunferencial e diferencia de derrame pleural, que passa por trás da aorta descendente.
  3. Modo M no paraesternal, cruzando parede livre do VD e valva mitral — documenta o colapso diastólico do ventrículo direito.
  4. Janela apical de 4 câmaras — colapso atrial e Doppler pulsado do fluxo mitral e tricúspide.
  5. Veia cava inferior — pletora sem variação respiratória.
  6. Ultrassom pulmonar — pulmões secos reforçam a origem obstrutiva do choque.
  7. Escolha a janela com maior lâmina de líquido e menor distância à pele: é ela que definirá a via de punção.
Cuidado com os simuladores de derrame: gordura epicárdica (ecogênica, anterior, acompanha o coração), derrame pleural esquerdo, cisto pericárdico e ascite. A regra do eixo longo paraesternal em relação à aorta descendente resolve a dúvida entre pericárdico e pleural.

Eletrocardiograma e radiografia

Eletrocardiograma

  • Taquicardia sinusal — o achado mais comum, e o menos específico.
  • Baixa voltagem do QRS — efeito de amortecimento do líquido.
  • Alternância elétrica — variação batimento a batimento da amplitude do QRS pelo coração pendular. É específica, mas pouco sensível.
  • Alterações de pericardite associada: supradesnivelamento difuso do segmento ST com infradesnivelamento de PR.
  • Pode ser normal — eletrocardiograma normal não afasta tamponamento.

Radiografia de tórax

  • Cardiomegalia com silhueta em moringa ou garrafa d'água.
  • Campos pulmonares limpos, sem congestão — dissociação sugestiva.
  • Exige pelo menos 200 a 250 mL para alterar a silhueta: no tamponamento agudo a radiografia costuma ser normal.
  • Pode revelar alargamento do mediastino, sinais de trauma torácico ou massa pulmonar.
A dupla alternância elétrica com baixa voltagem em paciente dispneico é altamente sugestiva de derrame volumoso — mas a decisão nunca deve esperar por ela.

Quando ampliar a imagem

Eco transesofágico

Derrame loculado, janela transtorácica ruim, pós-operatório de cirurgia cardíaca com suspeita de coágulo organizado comprimindo câmara isolada.

Tomografia

Avaliação de mediastino e pulmões, suspeita de dissecção de aorta, neoplasia, derrames complexos e planejamento cirúrgico. Não avalia hemodinâmica.

Ressonância cardíaca

Caracterização do pericárdio, espessamento, realce tardio e diferenciação com constrição. Não é exame de urgência.

Cateterismo

Raramente necessário. Mostra equalização das pressões diastólicas e reciprocidade respiratória entre câmaras direitas e esquerdas.

Nenhum exame adicional justifica atrasar a drenagem em paciente instável. Tomografia em paciente com choque por tamponamento é um erro que custa vidas.

Calculadora — pulso paradoxal

Manguito ou linha arterial Corte de 10 mmHg Resultado imediato

Informe as duas pressões sistólicas obtidas na aferição. Com manguito: a primeira é aquela em que o som de Korotkoff aparece apenas na expiração; a segunda é aquela em que ele passa a ser audível em todo o ciclo respiratório. Com linha arterial: use a maior e a menor sistólica de um ciclo respiratório completo.

Pulso paradoxal
Queda percentual
Classificação
Leitura clínica
Informe as duas pressões
O valor normal é inferior a 10 mmHg
Meça com o paciente respirando tranquilamente: inspiração profunda superestima o resultado. Lembre-se de que o pulso paradoxal pode ser falsamente normal na hipotensão grave, na disfunção ventricular esquerda, na insuficiência aórtica importante, na comunicação interatrial ampla e sob ventilação mecânica — e falsamente elevado na asma grave, na doença pulmonar obstrutiva descompensada, no tromboembolismo maciço e no choque hipovolêmico.

Critérios para pericardiocentese urgente

4 critérios clínicos Confirmação ecocardiográfica

Conjunto de critérios clínicos e ecocardiográficos proposto como atalho ao escore de triagem do Grupo de Trabalho de Doenças do Miocárdio e do Pericárdio da Sociedade Europeia de Cardiologia, especialmente em regiões de tuberculose endêmica. Quando todos os critérios são preenchidos, indica-se pericardiocentese urgente na ausência de contraindicações.

1

Critérios clínicos — os quatro devem estar presentes

Avaliação à beira do leito, antes ou simultaneamente ao ecocardiograma.

2

Confirmação ecocardiográfica — obrigatória

Derrame circunferencial com lâmina superior a 1 cm anterior ao ventrículo direito na janela subcostal.

3

Pelo menos um sinal de repercussão ao eco

Basta um dos três achados abaixo para completar o conjunto de critérios.

Critérios preenchidos
0 / 6
Conjunto de critérios incompleto
Marque os itens presentes para ver a leitura
Ferramenta de apoio ao registro, não substitui julgamento clínico. Diante de choque hemodinâmico ou peri-parada, a pericardiocentese é imediata e nenhuma pontuação deve ser calculada antes. Da mesma forma, dissecção de aorta tipo A, ruptura de parede livre pós-infarto, trauma torácico grave, derrame purulento em séptico instável e derrames loculados vão direto para a drenagem cirúrgica, independentemente dos critérios.

Checklist — segurança e via de drenagem

Contraindicações relativas Indicações cirúrgicas

Antes de puncionar, percorra a lista. Ela separa o que precisa ser corrigido antes, o que muda a via para cirurgia e o que só pode ser ignorado diante de risco iminente de morte.

Indicações de drenagem cirúrgica — independentemente de qualquer escore

Contraindicações relativas — corrigir antes, se o paciente permitir esperar

Situação hemodinâmica

Leitura do checklist
Sem restrições marcadas
Pericardiocentese percutânea guiada por ecocardiograma é a via preferencial
Quando a cirurgia não estiver prontamente disponível ou o paciente estiver instável demais para o transporte, na dissecção de aorta e na ruptura de parede livre pode-se tentar a drenagem controlada de volumes muito pequenos, apenas o suficiente para manter a sistólica em torno de 90 mmHg, como ponte para a cirurgia de emergência.

Escore de triagem em três etapas

O Grupo de Trabalho de Doenças do Miocárdio e do Pericárdio da Sociedade Europeia de Cardiologia propôs, em 2014, um escore em três etapas para decidir o momento da drenagem nos pacientes com tamponamento sem choque. Ele soma pontos de etiologia, apresentação clínica e achados de imagem.

Etapa O que é pontuado Racional
1 Etiologia — neoplasia, tuberculose, radioterapia mediastínica prévia, insuficiência renal terminal, infecção, hemopericárdio recente. Causas associadas a derrames volumosos e a maior risco de progressão para choque.
2 Apresentação clínica — intensidade e piora dos sintomas, dispneia e ortopneia, hipotensão, taquicardia, pulso paradoxal acima de 10 mmHg, turgência jugular. Paciente muito sintomático e com sinais físicos completos tem maior risco de deterioração.
3 Imagem — cardiomegalia na radiografia, derrame maior que 20 mm, pletora de veia cava inferior, colapso de câmaras direitas e do átrio esquerdo. Esta etapa é pontuada durante o ecocardiograma. Sinais de derrame volumoso e em piora justificam ação imediata.
Como interpretar

Pontuação total igual ou maior que 6 indica pericardiocentese urgente, na ausência de contraindicações. Pontuação menor permite programar a drenagem nas 12 a 48 horas seguintes, inclusive com transferência para serviço especializado. Em pacientes com choque, o escore não se aplica: a drenagem é imediata.

Este escore é baseado em consenso de especialistas e ainda carece de validação prospectiva robusta. Em estudo observacional posterior, a pontuação não se associou a diferenças em complicações ou mortalidade de curto prazo, que dependeram mais da progressão da doença de base. Use-o como apoio à organização do cuidado, não como substituto do julgamento clínico.
Os pesos exatos de cada item constam da figura original do documento de posicionamento (Ristić e colaboradores, European Heart Journal, 2014). Como as pontuações item a item variam entre as reproduções publicadas, este artigo apresenta a estrutura e o ponto de corte, e recomenda a consulta à figura original antes de aplicar o escore de forma quantitativa à beira do leito.

Sequência de abordagem

O tratamento do tamponamento é mecânico: retirar o líquido. Tudo o mais é medida de suporte, com efeito modesto e transitório, e nunca deve retardar a drenagem.

  1. Reconheça o choque obstrutivo: hipotensão, pressão venosa elevada e ausculta pulmonar limpa.
  2. Faça o ecocardiograma imediatamente, de preferência à beira do leito, sem transportar paciente instável.
  3. Garanta dois acessos venosos calibrosos, monitorização contínua, oxigênio para manter saturação acima de 92% e material de reanimação disponível.
  4. Se houver hipovolemia, infunda 250 a 500 mL de cristaloide e reavalie — volumes maiores podem piorar a hemodinâmica.
  5. NÃO administre diurético, nitrato ou qualquer vasodilatador: reduzir a pré-carga nesse contexto pode ser fatal.
  6. Evite ventilação com pressão positiva sempre que possível; se for indispensável, use volumes correntes baixos e prepare-se para hipotensão à indução.
  7. Acione a equipe capacitada e defina a via: pericardiocentese guiada por ecocardiograma ou drenagem cirúrgica.
  8. Em choque ou peri-parada por tamponamento, a pericardiocentese é IMEDIATA e feita no local, como intervenção salvadora.
  9. Retire no máximo 1 L por vez, mantenha o cateter para drenagem prolongada e envie o líquido para análise.
  10. Reavalie o ecocardiograma após o procedimento e monitorize por descompensação pós-drenagem.
Na parada cardíaca por tamponamento, a compressão torácica externa tem valor limitado ou nulo: não há espaço para enchimento adicional. A conduta que altera o desfecho é o esvaziamento do pericárdio — pericardiocentese ou toracotomia de reanimação, conforme o contexto e a equipe disponível.
Condutas — como usar os cards

Cada card abre o detalhamento: indicação, doses, técnica e cuidados. Confira sempre o protocolo institucional, a disponibilidade de equipe treinada e as bulas vigentes antes de aplicar.

Estabilização enquanto a drenagem é preparada

Medidas temporárias, de efeito limitado, cujo único objetivo é comprar minutos até o esvaziamento do pericárdio.

Drenagem definitiva e cuidados pós-procedimento

A escolha da via depende da etiologia, da distribuição do derrame e da experiência local. O acompanhamento depois da punção é parte do tratamento.

Quando drenar

Imediato, no local

  • Choque hemodinâmico atribuível ao tamponamento.
  • Peri-parada ou parada cardiorrespiratória.
  • Hemopericárdio iatrogênico com deterioração rápida.
  • Nesses casos, não se espera resultado de exame laboratorial: corrija anticoagulação, INR e anemia simultaneamente à drenagem.

Programado

  • Paciente hemodinamicamente estável: drenagem em 12 a 24 horas do diagnóstico.
  • Aguardar hemograma, coagulograma e reserva de hemocomponentes.
  • Escolher a melhor janela, a melhor guiagem e a equipe mais experiente.
  • Transferência para serviço especializado sempre acompanhada por médico, com monitorização de eletrocardiograma e pressão arterial.
Além do tamponamento, a punção também está indicada na suspeita de etiologia bacteriana, tuberculosa ou neoplásica e no derrame moderado a volumoso sintomático que não responde ao tratamento clínico.

Depois da drenagem

  • Reavaliar o ecocardiograma — documentar a resolução dos sinais de tamponamento e o volume residual.
  • Manter o cateter com aspirações intermitentes a cada 4 a 6 horas; retirar quando a drenagem cair abaixo de 25 a 30 mL em 24 horas.
  • Radiografia de tórax após o procedimento, para excluir pneumotórax.
  • Cuidados com o cateter iguais aos de um acesso venoso central, com técnica asséptica rigorosa.
  • Monitorização contínua de eletrocardiograma, pressão arterial, diurese horária e lactato nas primeiras horas.
  • Enviar o líquido para bioquímica, celularidade, citologia oncótica e microbiologia, incluindo pesquisa de micobactérias.
  • Tratar a causa — anti-inflamatório e colchicina quando houver pericardite, quimioterapia ou janela pericárdica nas neoplasias, diálise na uremia, antibiótico e drenagem cirúrgica no derrame purulento.
  • Programar o seguimento com ecocardiograma seriado, atento à recidiva e à evolução para constrição, inclusive a forma efuso-constritiva.

Situações com manejo próprio

Cenário Particularidade O que fazer diferente
Trauma torácico penetrante Ferimento medial aos mamilos (lesões anteriores) ou às escápulas (posteriores). Bastam 150 mL para tamponar; a jugular pode estar plana pela hipovolemia. Janela pericárdica no FAST. Instável e sem resposta: toracotomia com pericardiotomia. A punção é medida temporária e pode ser falsamente negativa por coágulos.
Dissecção de aorta tipo A Hemopericárdio por rotura para o saco pericárdico. A descompressão rápida eleva a pressão arterial e pode propagar a dissecção. Cirurgia de emergência. Se indisponível ou paciente inviável para transporte, drenagem controlada de volumes mínimos, mantendo a sistólica em torno de 90 mmHg.
Ruptura de parede livre pós-infarto Deterioração súbita entre o segundo e o quinto dia, com dissociação eletromecânica. A descompressão pode agravar a ruptura. Acionamento cirúrgico imediato; a punção serve apenas como ponte. Suspender trombolítico e anticoagulante.
Neoplasia Causa frequente de derrame volumoso e recidivante. A citologia é fundamental e o rendimento aumenta com volumes maiores. Drenagem prolongada para reduzir recidiva; considerar janela pericárdica ou terapia intrapericárdica nos casos de repetição. Discutir prognóstico e objetivos de cuidado.
Uremia e diálise Derrame relacionado à toxicidade urêmica ou à diálise inadequada; frequentemente com sangramento pela disfunção plaquetária. Intensificar a diálise, preferencialmente sem heparina. Puncionar quando houver tamponamento ou derrame volumoso persistente.
Tuberculose pericárdica Relevante no Brasil. Curso subagudo, derrame volumoso, alto risco de evoluir para constrição. Punção com pesquisa de micobactérias, adenosina desaminase e teste molecular. Iniciar esquema antituberculoso; discutir corticoide adjuvante conforme protocolo.
Pericardite purulenta Rara, grave e de alta mortalidade. Suspeitar em derrame associado a sepse ou choque séptico. Drenagem cirúrgica com dreno calibroso e antibiótico intravenoso. Punção isolada costuma ser insuficiente.
Pós-operatório de cirurgia cardíaca Derrames loculados e coágulos organizados comprimindo câmaras isoladas; apresentação atípica e às vezes tardia. Baixo limiar para eco transesofágico. Frequentemente exige reabordagem cirúrgica. A via apical é mais utilizada nesse cenário.
Gestação Derrame fisiológico no terceiro trimestre praticamente nunca tampona. Tamponamento verdadeiro é raro, mas descrito. Preferir guiagem ecocardiográfica, evitando radiação. Atenção às restrições medicamentosas, incluindo colchicina.
Hipotireoidismo Derrame volumoso de instalação muito lenta, com bradicardia em vez de taquicardia. Reposição hormonal costuma resolver. Puncionar apenas se houver repercussão hemodinâmica.

Erros comuns

  • Exigir a tríade de Beck completa para considerar o diagnóstico.
  • Descartar tamponamento porque o derrame "é pequeno" — no acúmulo rápido, 150 mL bastam.
  • Deixar de medir o pulso paradoxal, ou medi-lo pedindo inspiração profunda.
  • Prescrever diurético para a "congestão" de quem tem derrame volumoso.
  • Usar nitrato ou outro vasodilatador em paciente com pressão venosa alta e pulmões limpos.
  • Intubar e ventilar com pressão positiva antes de drenar, sem antecipar o colapso hemodinâmico.
  • Transportar paciente instável para tomografia em vez de fazer o eco à beira do leito.
  • Puncionar às cegas quando havia ecocardiograma disponível.
  • Puncionar quando a indicação era cirúrgica: dissecção de aorta, ruptura de parede livre, derrame purulento, coágulo organizado.
  • Retirar volume excessivo de uma só vez, com risco de síndrome de descompressão pericárdica.
  • Retirar o cateter logo após a punção, aumentando a chance de recidiva.
  • Não enviar o líquido para citologia e microbiologia, perdendo a chance diagnóstica.
  • Interpretar jugulares planas como ausência de tamponamento em paciente hipovolêmico.
  • Esquecer de reavaliar após a drenagem e não reconhecer a forma efuso-constritiva.

Resumo do fluxo

  1. Suspeite diante de hipotensão com pressão venosa elevada e ausculta pulmonar limpa, sobretudo em contexto de neoplasia, uremia, trauma ou procedimento cardiovascular recente.
  2. Meça o pulso paradoxal e avalie a turgência jugular; solicite eletrocardiograma procurando baixa voltagem e alternância elétrica.
  3. Faça o ecocardiograma SEM ATRASO, à beira do leito, sem transportar paciente instável.
  4. Integre clínica e eco: derrame com colapso de câmaras direitas, veia cava pletórica e variação respiratória exagerada do fluxo confirmam a repercussão.
  5. Estabilize com cristaloide em pequenas alíquotas se houver hipovolemia; considere dobutamina. Evite diurético, vasodilatador e ventilação com pressão positiva.
  6. Defina a via: pericardiocentese guiada por eco na maioria; drenagem cirúrgica nas indicações específicas.
  7. Choque ou peri-parada: pericardiocentese IMEDIATA, no local, sem esperar exames.
  8. Retire no máximo 1 L por vez, mantenha o cateter para drenagem prolongada e envie o líquido para análise completa.
  9. Reavalie o eco, faça radiografia de controle e monitorize por síndrome de descompressão pericárdica.
  10. Trate a etiologia e programe seguimento com eco seriado, atento à recidiva e à evolução para constrição.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

  1. Adler Y, Charron P, Imazio M, et al. 2015 ESC Guidelines for the diagnosis and management of pericardial diseases. Eur Heart J. 2015;36(42):2921-2964.
  2. Ristić AD, Imazio M, Adler Y, et al. Triage strategy for urgent management of cardiac tamponade: a position statement of the European Society of Cardiology Working Group on Myocardial and Pericardial Diseases. Eur Heart J. 2014;35(34):2279-2284.
  3. Imazio M, Adler Y. Management of pericardial effusion. Eur Heart J. 2013;34(16):1186-1197.
  4. Spodick DH. Acute cardiac tamponade. N Engl J Med. 2003;349(7):684-690.
  5. Klein AL, Abbara S, Agler DA, et al. American Society of Echocardiography clinical recommendations for multimodality cardiovascular imaging of patients with pericardial disease. J Am Soc Echocardiogr. 2013;26(9):965-1012.
  6. Rafique AM, Patel N, Biner S, et al. Frequency of recurrence of pericardial tamponade in patients with extended versus nonextended pericardial catheter drainage. Am J Cardiol. 2011;108(12):1820-1825.
  7. Curtiss EI, Reddy PS, Uretsky BF, Cecchetti AA. Pulsus paradoxus: definition and relation to the severity of cardiac tamponade. Am Heart J. 1988;115(2):391-398.
  8. Roy CL, Minor MA, Brookhart MA, Choudhry NK. Does this patient with a pericardial effusion have cardiac tamponade? JAMA. 2007;297(16):1810-1818.
  9. Hayashi T, Tsukube T, Yamashita T, et al. Impact of controlled pericardial drainage on critical cardiac tamponade with acute type A aortic dissection. Circulation. 2012;126(11 Suppl 1):S97-S101.
  10. Maisch B, Ristić AD, Seferović PM, Tsang TS. Interventional Pericardiology: Pericardiocentesis, Pericardioscopy, Pericardial Biopsy, Balloon Pericardiotomy, and Intrapericardial Therapy. Heidelberg: Springer; 2011.
  11. Vakamudi S, Ho N, Cremer PC. Pericardial effusions: causes, diagnosis, and management. Prog Cardiovasc Dis. 2017;59(4):380-388.
  12. Martins HS, Brandão Neto RA, Velasco IT, et al. Emergências clínicas: abordagem prática. Barueri: Manole — capítulo de pericardites e tamponamento pericárdico.
  13. American College of Surgeons. Advanced Trauma Life Support (ATLS) — manejo do tamponamento cardíaco traumático.
  14. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Diretrizes e posicionamentos vigentes sobre doenças do pericárdio e choque obstrutivo.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, escalas, critérios e condutas devem ser sempre conferidos antes da aplicação.

Informações rápidas

Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.

O essencial

Suspeitar

Hipotensão com turgência jugular e ausculta pulmonar limpa, somada a taquicardia, dispneia e pulso paradoxal, é tamponamento até prova em contrário. O contexto ajuda: neoplasia, uremia, trauma e procedimento cardiovascular recente. A tríade de Beck completa é incomum — esperar por ela atrasa o diagnóstico.

Confirmar

Ecocardiograma sem atraso, de preferência à beira do leito. Procure colapso diastólico do ventrículo direito, colapso do átrio direito por mais de um terço do ciclo, veia cava inferior pletórica sem variação respiratória e variação do fluxo mitral acima de 25% e tricúspide acima de 40%. Eco sem sinais clássicos não exclui o diagnóstico em derrames loculados.

Estabilizar

Cristaloide em alíquotas de 250 a 500 mL se houver hipovolemia, com reavaliação a cada etapa. Dobutamina pode ser considerada. Nunca diurético, nitrato ou vasodilatador. Evite ventilação com pressão positiva. Todo o suporte é ponte: jamais substitui a drenagem.

Drenar

Choque ou peri-parada exigem pericardiocentese imediata, guiada por ecocardiograma. Paciente estável pode ser drenado em 12 a 24 horas. Dissecção de aorta tipo A, ruptura de parede livre pós-infarto, trauma grave, derrame purulento em séptico instável e derrames loculados vão para a cirurgia. Retire no máximo 1 L por vez e mantenha o dreno.

Números rápidos

Pulso paradoxal: queda inspiratória da sistólica acima de 10 mmHg.

Derrame volumoso: lâmina acima de 20 mm na diástole ao ecocardiograma.

Volume que tampona: 150 a 200 mL se agudo; até 1 a 2 L se crônico.

Prazo da drenagem: imediata no choque; em 12 a 24 horas se estável.

Retirada por vez: no máximo 1 L; manter o dreno até menos de 25 a 30 mL por dia.

Não esqueça

O diagnóstico é clínico; o eco confirma e guia a punção.

A velocidade de acúmulo importa mais que o volume.

Tríade de Beck completa é rara — não espere por ela.

Nada de diurético, nitrato ou vasodilatador.

Dissecção de aorta e ruptura de parede livre são cirúrgicas.

Em provas / residência

A banca cobra a tríade de Beck, o pulso paradoxal com o corte de 10 mmHg, a alternância elétrica e o colapso diastólico do ventrículo direito ao eco.

Decore: velocidade de acúmulo importa mais que volume; diurético é proibido; dissecção de aorta e ruptura de parede livre vão para a cirurgia, não para a agulha.

Mais informações nas abas do artigo.

Rolar para cima