Pericardite Aguda
Responde por cerca de 5% das dores torácicas não isquêmicas na emergência, e o primeiro passo continua sendo excluir síndrome coronariana aguda — não confirmar pericardite. As diretrizes da ESC e do ACC de 2025 reescreveram os critérios diagnósticos, colocaram a dor pleurítica como elemento obrigatório e promoveram os anti-IL-1 à frente do corticoide nos casos refratários.
Excluir SCA
- Eletrocardiograma em até 10 minutos na dor torácica
- Supra convexo ou horizontal aponta para infarto
- Supra em DIII maior que em DII aponta para infarto
- História e exame não bastam para excluir isquemia
Diagnosticar
- Dor pleurítica típica é o critério obrigatório em 2025
- Some atrito, ECG, PCR elevada, derrame ou inflamação
- Zero achados: improvável; um: possível; dois ou mais: definitivo
- Avaliação inicial: ECG, radiografia, laboratório e ecocardiograma
Estratificar
- Febre acima de 38 °C e curso subagudo indicam internação
- Derrame volumoso ou tamponamento também
- Falha do AINE após uma semana é marcador maior
- Sem marcadores: tratamento ambulatorial com reavaliação
Tratar
- AINE ou AAS em dose alta associado a colchicina
- Colchicina por 3 meses; 6 a 12 meses na recorrência
- Corticoide precoce aumenta o risco de recorrência
- Restrição de exercício até a remissão clínica
O que é pericardite
Pericardite é a inflamação do pericárdio, com ou sem derrame associado. É a doença pericárdica mais comum e responde por cerca de 5% das dores torácicas não isquêmicas atendidas na emergência e por aproximadamente 0,1% das internações hospitalares. Acomete tipicamente homens entre a segunda e a sexta década de vida, embora a forma recorrente seja mais frequente em mulheres.
A diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2025 é a primeira a tratar miocardite e pericardite em um único documento e introduziu o termo síndrome inflamatória miopericárdica como diagnóstico guarda-chuva, a ser usado até que se defina qual das duas estruturas predomina. O reconhecimento é simples: elas compartilham gatilhos, exames e tratamento.
Classificação pela duração
A nomenclatura mudou pouco, mas os prazos definem conduta: duração do tratamento, necessidade de ressonância e limiar para escalonar terapia.
| Forma | Definição | Implicação prática |
|---|---|---|
| Aguda | Primeiro episódio, com resolução dos sintomas em menos de 4 a 6 semanas. | Colchicina por 3 meses associada a AINE ou AAS. A maioria tem curso benigno. |
| Incessante | Sintomas que persistem por mais de 4 a 6 semanas, sem remissão, e por menos de 3 meses. | Curso mais agressivo. Indicar ressonância e considerar escalonamento terapêutico. |
| Recorrente | Novo episódio após intervalo livre de sintomas de 4 a 6 semanas, com o tratamento anterior concluído. | Colchicina por 6 a 12 meses. Ocorre em 15% a 30% após o primeiro episódio e chega a 50% após a primeira recorrência. |
| Crônica | Sintomas com duração superior a 3 meses. | Investigação etiológica ampliada e encaminhamento a centro de referência em doenças pericárdicas. |
| Miopericardite e perimiocardite | Acometimento simultâneo de pericárdio e miocárdio, com elevação de troponina. Cerca de 15% dos casos. | Na miopericardite predomina o pericárdio; na perimiocardite, o miocárdio, com disfunção ventricular. Muda o seguimento e a liberação para exercício. |
Por que acontece
A lesão das células mesoteliais do pericárdio, seja por vírus, cirurgia, procedimento ou desregulação imune, libera padrões moleculares que ativam o fator nuclear kappa B e montam o inflamassoma NLRP3.
- O inflamassoma ativa a caspase-1, que processa e libera a interleucina-1 beta e a interleucina-18.
- A interleucina-1 amplifica o próprio ciclo inflamatório — é o que explica a tendência à recorrência.
- Em paralelo, a fosfolipase A2 alimenta a via do ácido araquidônico, gerando prostaglandinas e a dor.
- Os anti-inflamatórios e o AAS agem na ciclo-oxigenase; a colchicina inibe a montagem do inflamassoma; os anti-IL-1 bloqueiam a alça de amplificação.
Entender essa cascata explica por que a colchicina reduz recorrência mesmo quando o AINE já controla a dor: são alvos diferentes da mesma via.
Os dois fenótipos
A distinção entre fenótipo inflamatório e não inflamatório é uma das ideias mais úteis das diretrizes de 2025, porque decide qual será a segunda linha.
- Fenótipo inflamatório — 80% a 90% dos casos. Cursa com PCR elevada, febre, leucocitose com neutrofilia e derrames pericárdico e pleural. Responde bem a anti-inflamatório e é o alvo preferencial dos anti-IL-1.
- Fenótipo não inflamatório — 10% a 20% dos casos. PCR normal ou quase normal, frequentemente associado a doenças autoimunes sistêmicas. Aqui o mecanismo autoimune predomina e o corticoide em dose baixa costuma ser a escolha.
A proteína C reativa não serve só para diagnóstico: define fenótipo, orienta o momento do desmame do anti-inflamatório e é o principal marcador de remissão e de recorrência no seguimento.
Números que orientam a conversa com o paciente
O prognóstico da pericardite viral ou idiopática é bom, e vale dizer isso ao paciente — desde que o tratamento seja completo e o corticoide seja evitado no primeiro episódio.
Presente em 85% a 90% dos casos, tipicamente pleurítica e posicional.
Em 20% a 30%, intermitente — sua ausência não afasta o diagnóstico.
Em 25% a 60% dos pacientes. ECG normal é comum.
15% a 30% após o primeiro episódio; até 50% após a primeira recorrência.
Em cerca de 5% a 10% dos casos; constrição é rara na forma viral ou idiopática.
As quatro perguntas do plantão
Eletrocardiograma em até 10 minutos, troponina seriada e avaliação de risco. História e exame físico isoladamente não excluem isquemia — em caso de dúvida persistente, a investigação continua, inclusive com cateterismo.
Aplique os critérios de 2025: dor pleurítica típica é obrigatória, somada a atrito, alterações eletrocardiográficas, elevação de marcadores inflamatórios, derrame novo ou inflamação pericárdica na imagem.
Procure os marcadores de mau prognóstico: febre acima de 38 °C, curso subagudo, derrame volumoso, tamponamento e falha do anti-inflamatório após uma semana. Qualquer um deles indica internação e investigação etiológica.
Troponina elevada muda o cenário. Avalie função ventricular ao ecocardiograma, considere ressonância e ajuste a liberação para atividade física e o seguimento.
Etiologias
Em países de alta renda, até 80% dos casos são idiopáticos ou presumidamente virais. Em regiões com alta prevalência de tuberculose e de infecção pelo HIV, mais de 70% dos casos podem ser de origem tuberculosa — um dado que muda o raciocínio na realidade brasileira.
| Categoria | Exemplos | Quando suspeitar |
|---|---|---|
| Idiopática | Sem etiologia identificável; presume-se mecanismo autoinflamatório, possivelmente viral. | Maioria dos casos em jovens previamente hígidos, sem marcadores de risco. |
| Infecciosa viral | Coxsackievírus, echovírus, adenovírus, parvovírus B19, herpes-vírus, HIV, SARS-CoV-2. | Pródromo gripal ou gastrointestinal nas semanas anteriores. |
| Infecciosa bacteriana | Mycobacterium tuberculosis, estafilococos, estreptococos, pneumococo, Haemophilus, Coxiella, Borrelia burgdorferi. | Febre alta, sepse, derrame purulento, imunossupressão, contato com tuberculose. |
| Autoimune e autoinflamatória | Lúpus, artrite reumatoide, esclerose sistêmica, doença mista do tecido conjuntivo, vasculites, sarcoidose, doença de Behçet, doença de Still, febre familiar do Mediterrâneo. | Manifestações sistêmicas, PCR desproporcional ao quadro, recorrências. |
| Neoplásica | Primária (mesotelioma) ou secundária (pulmão, mama, linfoma, sarcoma de Kaposi). | Derrame volumoso, recidivante, hemorrágico ou com espessamento nodular. |
| Pós-lesão cardíaca | Pós-pericardiotomia, pós-infarto (síndrome de Dressler), ablação, implante de dispositivo, intervenção coronária, biópsia endomiocárdica, trauma. | Dias a semanas após cirurgia ou procedimento — frequentemente subdiagnosticada. |
| Radiação | Radioterapia com campo torácico, incluindo mama, pulmão e linfoma. | Pode ser precoce ou surgir anos depois, com risco elevado de constrição. |
| Metabólica | Uremia e pericardite associada à diálise, hipotireoidismo, hipertireoidismo, anorexia nervosa. | Doença renal crônica avançada, diálise inadequada, alterações tireoidianas. |
| Medicamentosa | Procainamida, isoniazida, hidralazina, ciclosporina, quimioterápicos, inibidores de checkpoint imunológico. | Relação temporal com o início do fármaco; imunoterapia oncológica em uso. |
Até onde investigar
Uma das recomendações mais úteis de 2025 é sobre o que não pedir. A investigação etiológica ampla não se aplica a todos: ela é reservada aos pacientes de alto risco ou que não respondem ao tratamento.
Avaliação inicial de todos
- Eletrocardiograma.
- Radiografia de tórax.
- Laboratório: hemograma, proteína C reativa, velocidade de hemossedimentação e troponina.
- Função renal, eletrólitos, função hepática e função tireoidiana.
- Ecocardiograma transtorácico.
O que não fazer de rotina
- Painéis sorológicos virais — a ESC recomenda contra a pesquisa de rotina, com exceção de suspeita de HIV, doença de Lyme e hepatite C.
- Tomografia de rotina apenas para diagnosticar pericardite.
- Ressonância de rotina no primeiro episódio não complicado.
- Pericardiocentese de derrame sem tamponamento e sem suspeita de causa bacteriana ou neoplásica.
- Biópsia pericárdica fora de casos refratários.
Quando puncionar e o que pedir no líquido
A pericardiocentese na pericardite tem indicação restrita e bem definida.
- Tamponamento cardíaco — indicação classe I, com finalidade terapêutica imediata.
- Suspeita de etiologia bacteriana, tuberculosa ou neoplásica — indicação diagnóstica, classe I com nível de evidência C.
- Derrame moderado a volumoso sintomático que não responde ao tratamento clínico.
- Não puncionar derrame inflamatório sem tamponamento: nesses casos, o anti-inflamatório vem primeiro.
- Análise do líquido — celularidade com diferencial, proteínas, desidrogenase láctica, glicose, adenosina desaminase, citologia oncótica, Gram, cultura, pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes e teste molecular rápido para tuberculose.
- Hematócrito do líquido — diferencia hemopericárdio verdadeiro de punção acidental de câmara.
- Drenagem cirúrgica quando a punção não é viável ou quando o derrame é purulento.
A dor da pericardite
A dor torácica está presente em 85% a 90% dos casos e tem características que, quando completas, são bastante sugestivas. A diretriz do ACC de 2025 tornou a dor pleurítica típica — ou apresentação equivalente — obrigatória para o diagnóstico.
Retroesternal ou precordial, em pontada, de início relativamente rápido.
Piora com a inspiração profunda, com a tosse e com a deglutição.
Piora em decúbito dorsal e alivia sentado e inclinado para a frente — o achado mais característico.
Para o trapézio (sinal de Kert), pescoço e braço esquerdo, o que simula dor isquêmica.
Febre baixa, dispneia, fadiga, mialgia e pródromo viral nas semanas anteriores.
Horas a dias, contínua, sem o padrão em crescendo e decrescendo do angor típico.
Atrito pericárdico
Presente em 20% a 30% dos casos, é praticamente patognomônico quando encontrado — mas é intermitente, e sua ausência não afasta nada.
- Ausculte com o diafragma do estetoscópio, na borda esternal esquerda baixa.
- Peça ao paciente que se sente e incline o tronco para a frente, aproximando o pericárdio da parede torácica.
- Peça uma expiração sustentada — o ruído é mais audível com os pulmões vazios.
- Procure um som áspero, raspante, de couro ou de "neve pisada", tipicamente trifásico: sístole ventricular, enchimento diastólico rápido e sístole atrial.
- Reausculte em momentos diferentes do dia: o atrito aparece e desaparece em questão de horas.
- Não confunda com atrito pleural, que desaparece quando o paciente prende a respiração — o atrito pericárdico persiste em apneia.
Eletrocardiograma — os quatro estágios
As alterações eletrocardiográficas aparecem em 25% a 60% dos pacientes e evoluem de forma dinâmica ao longo de dias a semanas. Um eletrocardiograma normal é comum e não exclui o diagnóstico.
| Estágio | Quando | Achados |
|---|---|---|
| I | Primeiras horas a dias | Supradesnivelamento difuso do segmento ST com concavidade superior e infradesnivelamento do segmento PR, na maior parte das derivações. Em aVR e V1 ocorre o inverso: infra de ST e supra de PR. |
| II | Primeira semana | Normalização do segmento ST e do segmento PR; as ondas T começam a se achatar. |
| III | Semanas | Inversão difusa das ondas T, sem perda de onda R e sem aparecimento de ondas Q patológicas. |
| IV | Semanas a meses | Normalização completa. Em alguns pacientes a inversão de T persiste de forma crônica. |
Pericardite versus infarto com supradesnivelamento
Essa é a diferenciação que decide o destino do paciente na emergência. Em um estudo retrospectivo com 207 pacientes, os achados eletrocardiográficos que mais apontaram para síndrome coronariana aguda foram os quatro listados na tabela abaixo.
| Característica | Sugere pericardite | Sugere síndrome coronariana |
|---|---|---|
| Morfologia do supra de ST | Côncava para cima, em "sorriso". | Convexa ou horizontal, em "tenda". |
| Distribuição | Difusa, sem respeitar território coronariano. | Territorial, correspondendo a uma artéria. |
| Infra de PR | Presente, em várias derivações. | Ausente. |
| Infra de ST recíproco | Restrito a aVR e V1. | Presente em outras derivações além de aVR e V1. |
| DIII versus DII | Supra em DII maior ou igual ao de DIII. | Supra em DIII maior que em DII. |
| Onda Q e perda de R | Ausentes. | Podem estar presentes. |
| Evolução | Lenta, ao longo de dias, em quatro estágios. | Rápida, em minutos a horas. |
| Relação PCR / troponina | Razão alta: PCR muito elevada com troponina pouco alterada. | Razão baixa: troponina muito elevada com PCR pouco alterada. |
Outros diferenciais
| Condição | Pistas | Conduta |
|---|---|---|
| Repolarização precoce | Jovem assintomático, supra côncavo sem infra de PR, entalhe no ponto J, padrão estável ao longo do tempo. Razão ST/T em V6 abaixo de 0,25. | Comparar com traçados prévios; ausência de dor típica e de PCR elevada afasta pericardite. |
| Miocardite | Troponina elevada de forma desproporcional, disfunção ventricular, arritmias, alteração segmentar da contratilidade. | Ressonância cardíaca; restrição de exercício mais rigorosa e seguimento prolongado. |
| Tromboembolismo pulmonar | Dor pleurítica com dispneia e hipoxemia, taquicardia, fatores de risco para trombose. | Escores de probabilidade e angiotomografia — a dor pleurítica é a armadilha comum. |
| Dissecção aórtica | Dor súbita, lancinante e migratória, assimetria de pulsos, sopro de insuficiência aórtica. | Angiotomografia imediata. Pode causar hemopericárdio e tamponamento. |
| Pneumonia e pleurite | Febre, tosse produtiva, achados focais na ausculta e na radiografia; atrito pleural cessa em apneia. | Radiografia de tórax e tratamento dirigido. |
| Causas gastroesofágicas | Relação com alimentação, pirose, dor em queimação, alívio com antiácido. | Diagnóstico de exclusão na emergência — nunca antes de afastar causas cardiovasculares. |
| Dor musculoesquelética | Reprodutível à palpação, relação com movimento e postura, sem alterações laboratoriais. | Atenção: dor à palpação também pode coexistir com causa cardíaca. |
Critérios diagnósticos — o que mudou em 2025
Durante uma década vigoraram os critérios da diretriz europeia de 2015, que exigiam dois entre quatro achados, todos com o mesmo peso. As diretrizes de 2025 mudaram a lógica: a dor pleurítica típica passou a ser obrigatória, e os demais achados apenas graduam a confiança diagnóstica.
Critérios de 2015 (dois de quatro)
- Dor torácica pericardítica.
- Atrito pericárdico.
- Alterações eletrocardiográficas: supra difuso de ST ou infra de PR.
- Derrame pericárdico novo ou em piora.
Achados de apoio: elevação de marcadores inflamatórios e evidência de inflamação pericárdica na tomografia ou na ressonância.
Critérios de 2025 (dor obrigatória)
- Obrigatório: dor pleurítica típica ou apresentação clínica equivalente.
- Mais pelo menos um destes cinco: atrito pericárdico; alterações eletrocardiográficas; elevação de marcadores inflamatórios (PCR ou VHS); derrame pericárdico novo ou em piora na imagem; inflamação pericárdica na ressonância ou na tomografia.
Graduação: nenhum achado adicional significa diagnóstico improvável; um achado, possível; dois ou mais, definitivo.
Avaliação inicial obrigatória
Diante da suspeita, as diretrizes de 2025 recomendam quatro exames em todo paciente — recomendação classe I.
Em até 10 minutos na dor torácica. Procure supra difuso côncavo, infra de PR, e também baixa voltagem e alternância elétrica, que sugerem derrame volumoso.
Habitualmente normal. Cardiomegalia sugere derrame acima de 200 a 250 mL; avalia também campos pulmonares e mediastino.
Hemograma, proteína C reativa, velocidade de hemossedimentação e troponina. A PCR define fenótipo e guia o desmame; a troponina identifica acometimento miocárdico.
Exame de imagem inicial de escolha. Detecta derrame em cerca de 60% dos casos e pode ser normal em até metade dos primeiros episódios.
Ressonância e tomografia — quando pedir
A ressonância cardíaca é hoje o exame que melhor demonstra inflamação pericárdica ativa, e sua indicação depende da estratificação de risco. A tomografia tem papel complementar, sobretudo na doença crônica.
| Método | Achados típicos | Quando indicar |
|---|---|---|
| Ressonância cardíaca | Realce tardio pelo gadolínio no pericárdio (inflamação e neovascularização), edema pericárdico no T2-STIR, espessamento acima de 3 mm, derrame e sinais de constrição. Avalia simultaneamente o miocárdio. | Diagnóstico incerto, suspeita de miocardite associada, formas incessante, recorrente ou crônica, ausência de resposta ao tratamento e planejamento de escalonamento terapêutico. |
| Tomografia cardíaca | Calcificação pericárdica, espessamento, derrames loculados e complexos, massas, realce tardio pelo iodo, anatomia torácica. | Suspeita de constrição crônica, planejamento de pericardiectomia, avaliação de derrames complexos e de doença pleuropulmonar concomitante. Também útil para investigar outras causas de dor torácica. |
Estratificação de risco
Esta é a atualização mais operacional da diretriz europeia de 2025: a decisão de internar, de investigar a fundo e de pedir ressonância passa pela presença de marcadores de mau prognóstico.
Marcadores maiores
- Febre acima de 38 °C.
- Curso subagudo, com sintomas instalados ao longo de dias a semanas.
- Derrame pericárdico volumoso, acima de 20 mm.
- Tamponamento cardíaco.
- Ausência de resposta ao AAS ou ao anti-inflamatório após pelo menos uma semana de tratamento.
Marcadores menores
- Miopericardite, com elevação de troponina.
- Imunossupressão.
- Trauma.
- Uso de anticoagulante oral.
A presença de qualquer marcador, maior ou menor, indica internação e investigação etiológica dirigida.
Pode receber alta com teste terapêutico anti-inflamatório ambulatorial e reavaliação em uma a duas semanas. Se não melhorar, ou se surgirem marcadores de alto risco, interna-se para investigação etiológica e tratamento monitorado.
Critérios diagnósticos ESC e ACC 2025
Marque o critério obrigatório e, em seguida, os achados adicionais presentes. A classificação sai automaticamente: nenhum achado adicional indica diagnóstico improvável, um indica possível e dois ou mais indicam diagnóstico definitivo.
Estratificação de risco e decisão de internar
Marque os preditores de mau prognóstico presentes. A presença de qualquer marcador, maior ou menor, indica internação e investigação etiológica dirigida; a ausência de todos permite tratamento ambulatorial com reavaliação programada.
Razão PCR / troponina
Tanto a pericardite quanto a síndrome coronariana podem elevar PCR e troponina, mas em proporções diferentes. Em estudo retrospectivo unicêntrico, a razão entre PCR em mg/L e troponina em ng/mL apresentou especificidade em torno de 85% quando acima de 500 e superior a 92% quando acima de 1000 para o diagnóstico de miopericardite. Confira a unidade do seu laboratório antes de interpretar.
Montador do esquema de primeira linha
A terapia de primeira linha combina colchicina com AAS em dose alta ou anti-inflamatório não esteroidal — recomendação classe I, nível de evidência A. Preencha os campos para ver o esquema sugerido e as ressalvas aplicáveis.
Sequência de abordagem
O tratamento persegue quatro objetivos: aliviar sintomas, obter remissão clínica, prevenir complicações — sobretudo a recorrência — e tratar a causa específica quando existe. Remissão significa desaparecimento dos sintomas com normalização de eletrocardiograma, PCR, troponina e achados de imagem.
- EXCLUA SÍNDROME CORONARIANA AGUDA antes de qualquer outra coisa: eletrocardiograma em até 10 minutos, troponina seriada e estratificação de risco isquêmico.
- Aplique os critérios diagnósticos de 2025 e registre a classificação em improvável, possível ou definitivo.
- Complete a avaliação inicial: eletrocardiograma, radiografia de tórax, laboratório com PCR e troponina, e ecocardiograma transtorácico.
- Estratifique o risco procurando os marcadores maiores e menores; a presença de qualquer um indica internação e investigação etiológica dirigida.
- Inicie a primeira linha: AAS em dose alta ou anti-inflamatório associado a colchicina, com protetor gástrico.
- Oriente restrição de exercício e explique que ela faz parte do tratamento, não é apenas precaução.
- Mantenha a dose plena até a resolução dos sintomas e a normalização da PCR; só então inicie o desmame gradual.
- Reavalie em 1 a 2 semanas com clínica e PCR; ausência de resposta é marcador maior de mau prognóstico.
- Diante de refratariedade, escalone conforme o fenótipo: anti-IL-1 no inflamatório, corticoide em dose baixa no não inflamatório.
- Programe seguimento com PCR e ecocardiograma, atento à recorrência, ao derrame e à evolução para constrição.
Escalonamento em três degraus
A grande mudança de 2025 foi a promoção dos bloqueadores da interleucina-1. Nos pacientes com fenótipo inflamatório, o ACC os coloca à frente do corticoide quando a primeira linha falha.
| Degrau | O que usar | Observações |
|---|---|---|
| 1 | AAS em dose alta ou AINE + colchicina, com restrição de exercício. | Classe I, nível de evidência A, para pericardite aguda, subaguda e recorrente. A colchicina é o que reduz recorrência. |
| 2 | Fenótipo inflamatório: anti-IL-1 (anacinra, rilonacepte). Fenótipo não inflamatório: corticoide em dose baixa a moderada. |
O fenótipo é definido por febre, PCR elevada e inflamação pericárdica na ressonância. Na ESC, os anti-IL-1 exigem inflamação demonstrada na ressonância após falha, intolerância ou contraindicação à primeira linha. |
| 3 | Casos refratários: azatioprina, imunoglobulina intravenosa e, em último caso, pericardiectomia radical. | Evidência limitada para as duas primeiras. A pericardiectomia deve ser feita em centro cirúrgico de alto volume e experiência. |
Cada card abre o detalhamento: indicação, posologia, duração, desmame e cuidados. Confira sempre a bula, a apresentação disponível e o protocolo institucional antes de prescrever.
Primeira linha
Combinação de anti-inflamatório com colchicina, mantida em dose plena até a remissão e desmamada lentamente. A restrição de exercício integra o tratamento e não é opcional.
Escalonamento e situações específicas
Entram quando a primeira linha falha, é contraindicada ou não é tolerada — ou quando existe etiologia específica que exige tratamento próprio.
Como desmamar
O desmame precoce é uma das causas mais comuns de recorrência. A regra é simples e vale para todos os esquemas.
Quando começar o desmame
- Sintomas completamente resolvidos.
- Proteína C reativa normalizada.
- Nunca antes das duas condições acima, mesmo que o paciente se sinta bem.
- Reduza um fármaco por vez, jamais dois simultaneamente.
Ordem de retirada
- Primeiro o corticoide, se em uso, com redução lenta ao longo de meses.
- Depois o anti-inflamatório ou o AAS, com redução escalonada a cada 1 a 2 semanas.
- Por último a colchicina, ao completar 3 meses no primeiro episódio ou 6 a 12 meses na recorrência.
- Recheque a PCR a cada etapa; elevação nova sugere recidiva e contraindica prosseguir com a redução.
Complicações e cenários com manejo próprio
| Cenário | Particularidade | O que fazer diferente |
|---|---|---|
| Pericardite recorrente | Ocorre em 15% a 30% após o primeiro episódio e chega a 50% após a primeira recorrência. Fatores de risco: falta de resposta ao anti-inflamatório, uso precoce de corticoide, PCR alta e realce pericárdico intenso na ressonância. | Colchicina por 6 a 12 meses. Baixo limiar para ressonância e para anti-IL-1. Encaminhar a centro de referência em doenças pericárdicas. |
| Forma incessante | Sintomas que não remitem por mais de 4 a 6 semanas; curso mais agressivo que o da forma recorrente. | Ressonância para documentar inflamação ativa e escalonamento terapêutico mais precoce. |
| Derrame e tamponamento | Tamponamento em cerca de 5% a 10%. O que determina a repercussão é a velocidade de acúmulo, não o volume. | Ecocardiograma imediato. Tamponamento é indicação classe I de pericardiocentese. Derrame sem repercussão trata-se com anti-inflamatório, não com punção. |
| Constrição transitória | Fisiologia constritiva com inflamação ativa: realce tardio e edema na ressonância, PCR elevada. | Tratamento anti-inflamatório por 3 a 6 meses antes de cogitar cirurgia — pode reverter completamente. |
| Constrição crônica | Pericárdio fibrosado e frequentemente calcificado, sem realce nem edema. Quadro de insuficiência cardíaca direita com fração de ejeção preservada. | Pericardiectomia radical em centro experiente. A ESC de 2025 sugere cirurgia precoce, avaliando cuidadosamente a insuficiência tricúspide pré-operatória. |
| Forma efuso-constritiva | Fisiologia constritiva que persiste após a drenagem do derrame; a pressão atrial direita não cai como esperado. | Reavaliar com ecocardiograma após a punção. Anti-inflamatório dirigido ao componente visceral inflamado. |
| Miopericardite | Cerca de 15% dos casos, com troponina elevada e possível disfunção ventricular ou alteração segmentar. | Ressonância cardíaca, restrição de exercício mais rigorosa, cautela com dose alta de anti-inflamatório e seguimento prolongado com Holter e teste ergométrico. |
| Tuberculose pericárdica | Curso subagudo, derrame volumoso, febre arrastada e emagrecimento. Alto risco de evoluir para constrição. | Punção com adenosina desaminase, pesquisa de micobactérias e teste molecular. Esquema antituberculoso por 6 meses; corticoide adjuvante conforme protocolo. |
| Pericardite purulenta | Rara e de alta mortalidade; suspeitar em derrame associado a sepse ou choque séptico. | Drenagem cirúrgica com dreno calibroso e antibioticoterapia intravenosa. Risco de constrição de 20% a 30%. |
| Pós-lesão cardíaca | Após cirurgia, ablação, implante de dispositivo ou intervenção coronária. Frequentemente subdiagnosticada ou confundida com dor incisional. | Diagnóstico e tratamento precoces. A profilaxia com colchicina pode ser considerada, embora os dados sejam limitados. |
| Paciente oncológico | Pericardite pode ser manifestação da neoplasia, do tratamento (quimioterapia, imunoterapia) ou da radioterapia. Infecções fúngicas e bacterianas são mais prováveis. | Citologia oncótica no líquido. Considerar suspensão ou troca do fármaco implicado. Adaptar as metas de cuidado ao estágio da doença. |
| Gestação | A colchicina é contraindicada e a exposição à radiação deve ser evitada; anti-inflamatórios têm restrições, sobretudo após 20 semanas. | Preferir guiagem ecocardiográfica em qualquer procedimento. Discutir esquema com obstetrícia e cardiologia; AAS em dose baixa e corticoide em dose baixa são alternativas conforme o trimestre. |
| Pericardite urêmica | Relacionada à toxicidade urêmica ou à diálise inadequada, frequentemente com componente hemorrágico pela disfunção plaquetária. | Intensificar a diálise, preferencialmente sem heparina. Anti-inflamatórios têm uso restrito nessa população. |
Erros comuns
- Rotular como pericardite um supradesnivelamento que era infarto, sem excluir isquemia adequadamente.
- Exigir atrito pericárdico para fazer o diagnóstico, quando ele aparece em apenas 20% a 30% dos casos.
- Descartar pericardite porque o eletrocardiograma está normal — ele é normal em boa parte dos pacientes.
- Descartar pericardite porque o ecocardiograma não mostrou derrame, sendo que ele é normal em até metade dos primeiros episódios.
- Não dosar proteína C reativa, perdendo o parâmetro que define fenótipo, guia o desmame e detecta recorrência.
- Prescrever anti-inflamatório sem colchicina, abrindo mão da única medida que reduz recorrência de forma consistente.
- Usar corticoide como primeira linha no primeiro episódio, aumentando o risco de recorrência.
- Usar dose de colchicina fixa, sem ajuste por peso, por função renal ou por interações com inibidores de P-gp e CYP3A4.
- Suspender o anti-inflamatório assim que a dor melhora, antes da normalização da PCR.
- Interromper vários fármacos ao mesmo tempo em vez de desmamar um de cada vez.
- Omitir a orientação de restrição de exercício, tratando-a como recomendação opcional.
- Pedir painel sorológico viral de rotina, contrariando a recomendação explícita da diretriz.
- Puncionar derrame inflamatório sem tamponamento e sem suspeita de causa bacteriana ou neoplásica.
- Deixar de considerar tuberculose pericárdica em paciente brasileiro com curso subagudo e derrame volumoso.
- Prescrever colchicina para gestante, sem checar a contraindicação.
- Interpretar realce pericárdico residual na ressonância como falha terapêutica em paciente já assintomático e com PCR normal.
Resumo do fluxo
- Dor torácica: eletrocardiograma em até 10 minutos e EXCLUSÃO de síndrome coronariana aguda antes de qualquer outro raciocínio.
- Aplique os critérios de 2025: dor pleurítica típica obrigatória mais atrito, alterações eletrocardiográficas, PCR elevada, derrame novo ou inflamação na imagem.
- Complete a avaliação inicial com radiografia de tórax, hemograma, PCR, troponina e ecocardiograma transtorácico.
- Procure marcadores de mau prognóstico: febre acima de 38 °C, curso subagudo, derrame volumoso, tamponamento, falha do anti-inflamatório, miopericardite, imunossupressão, trauma e anticoagulação.
- Com qualquer marcador presente: internar, investigar a etiologia de forma dirigida e considerar ressonância cardíaca.
- Sem marcadores: alta com esquema anti-inflamatório e reavaliação garantida em 1 a 2 semanas.
- Prescreva AAS em dose alta ou anti-inflamatório associado a colchicina, com protetor gástrico e restrição de exercício.
- Mantenha a dose plena até a resolução dos sintomas e a normalização da PCR; desmame gradual, um fármaco por vez.
- Sem resposta: defina o fenótipo. Inflamatório vai para anti-IL-1; não inflamatório vai para corticoide em dose baixa.
- Complete 3 meses de colchicina no primeiro episódio e 6 a 12 meses na recorrência, com seguimento clínico, PCR e ecocardiograma.
Referências bibliográficas
Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.
- Task Force for the Management of Myocarditis and Pericarditis of the European Society of Cardiology. 2025 ESC Guidelines for the management of myocarditis and pericarditis. Eur Heart J. 2025;46(40):3952-4032.
- Wang TKM, Klein AL, Cremer PC, et al. 2025 Concise Clinical Guidance: an ACC Expert Consensus Statement on the Diagnosis and Management of Pericarditis. J Am Coll Cardiol. 2025.
- Adler Y, Charron P, Imazio M, et al. 2015 ESC Guidelines for the diagnosis and management of pericardial diseases. Eur Heart J. 2015;36(42):2921-2964.
- Klein AL, Wang TKM, Cremer PC, et al. Pericardial diseases: international position statement on new concepts and advances in multimodality cardiac imaging. JACC Cardiovasc Imaging. 2024;17:937-988.
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- Imazio M, Brucato A, Cemin R, et al. A randomized trial of colchicine for acute pericarditis (ICAP). N Engl J Med. 2013;369:1522-1528.
- Klein AL, Imazio M, Cremer P, et al. Phase 3 trial of interleukin-1 trap rilonacept in recurrent pericarditis (RHAPSODY). N Engl J Med. 2021;384(1):31-41.
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- Ministério da Saúde do Brasil. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil — esquema básico e formas extrapulmonares.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Dor Torácica na Emergência e posicionamentos vigentes sobre doenças do pericárdio.
Aviso importante
Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, critérios, escalas e condutas devem ser sempre conferidos antes da aplicação.
Informações rápidas
Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.
O essencial
Excluir SCA
Toda dor torácica merece eletrocardiograma em até 10 minutos. Apontam para infarto: supra convexo ou horizontal, ausência de infra de PR, infra de ST recíproco fora de aVR e V1, e supra em DIII maior que em DII. História e exame físico isoladamente não excluem isquemia.
Diagnosticar
Critérios de 2025: dor pleurítica típica é obrigatória, somada a pelo menos um entre atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas, elevação de PCR ou VHS, derrame novo ou em piora, e inflamação pericárdica na ressonância. Nenhum achado adicional: improvável; um: possível; dois ou mais: definitivo. A avaliação inicial de todos inclui ECG, radiografia, laboratório com PCR e troponina, e ecocardiograma.
Estratificar
Marcadores maiores: febre acima de 38 °C, curso subagudo, derrame acima de 20 mm, tamponamento e falha do anti-inflamatório após uma semana. Marcadores menores: miopericardite, imunossupressão, trauma e anticoagulação oral. Qualquer um indica internação e investigação dirigida; nenhum permite tratamento ambulatorial com reavaliação em 1 a 2 semanas.
Tratar
Primeira linha: AAS em dose alta ou anti-inflamatório associado a colchicina, com protetor gástrico e restrição de exercício. Colchicina por 3 meses no primeiro episódio e 6 a 12 meses na recorrência. Corticoide precoce aumenta a recorrência; nos refratários com fenótipo inflamatório, os anti-IL-1 vêm antes dele.
Números rápidos
Critérios de 2025: dor pleurítica obrigatória; 0 improvável, 1 possível, 2 ou mais definitivo.
Marcadores maiores: febre acima de 38 °C, curso subagudo, derrame acima de 20 mm, tamponamento, falha do AINE.
Colchicina: 0,5 mg 12/12h se 70 kg ou mais; 0,5 mg ao dia se abaixo de 70 kg.
Duração: 3 meses no primeiro episódio; 6 a 12 meses na recorrência.
Exercício: restrição por pelo menos 1 mês, com frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, até a remissão.
Recorrência: 15% a 30% após o primeiro episódio; até 50% após a primeira recorrência.
Não esqueça
Excluir síndrome coronariana aguda vem sempre primeiro.
ECG e ecocardiograma normais não afastam pericardite.
Colchicina é o que reduz recorrência — não deixe de fora.
Corticoide precoce aumenta o risco de recorrência.
Só desmame após sintomas resolvidos e PCR normalizada.
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Em provas / residência
A banca cobra o supra difuso côncavo com infra de PR, a diferenciação do infarto, os quatro estágios eletrocardiográficos e o esquema AINE mais colchicina.
Decore: colchicina 3 meses no agudo e 6 a 12 meses na recorrência; corticoide precoce aumenta recorrência; febre acima de 38 °C é marcador maior de mau prognóstico.
