MedFoco

Home Emergência & UTI Neurológico Meningite e Encefalite
Emergência & UTI • Neurológico

Meningite e Encefalite

Duas emergências neurológicas em que o tempo até a primeira dose pesa mais do que qualquer refinamento diagnóstico posterior. Antibiótico e dexametasona na suspeita de meningite bacteriana, aciclovir na suspeita de encefalite — sempre antes do resultado do líquor, e nunca adiados por causa da tomografia.

Antibiótico em até 1 hora Dexametasona antes ou junto Aciclovir empírico na encefalite Notificação imediata
Tempo de leitura: 18 min
Atualizado em: 18/08/2026

Não atrasar

  • Antibiótico em até 1 hora da suspeita
  • Hemocultura antes, mas sem atrasar a droga
  • Se a punção for adiada, trate primeiro
  • Aciclovir empírico se houver encefalopatia

Diferenciar as duas

  • Meningite: febre, cefaleia e rigidez de nuca
  • Encefalite: alteração do estado mental
  • Déficit focal e crise apontam parênquima
  • Meningoencefalite é sobreposição frequente

Líquor bem coletado

  • Celularidade, diferencial, proteína e glicose
  • Sempre com glicemia sérica pareada
  • Gram, cultura, látex e PCR conforme suspeita
  • TC antes da PL só em critérios definidos

Depois da porta

  • Notificação compulsória imediata
  • Isolamento respiratório por 24 horas
  • Quimioprofilaxia dos contactantes próximos
  • Avaliação auditiva antes da alta

Duas síndromes que se sobrepõem

Meningite é a inflamação das leptomeninges e do espaço subaracnóideo. Domina o quadro a síndrome de irritação meníngea: febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia e vômitos, com o nível de consciência tipicamente preservado ou apenas discretamente rebaixado.

Encefalite é a inflamação do parênquima cerebral com disfunção neurológica correspondente. O marcador é a alteração do estado mental — confusão, mudança de personalidade e comportamento, rebaixamento — frequentemente acompanhada de crises epilépticas e de déficits focais.

Na prática, a separação é didática: a maioria dos pacientes graves apresenta algum grau de sobreposição, e falamos em meningoencefalite. O que muda a conduta não é o rótulo, e sim a decisão de cobrir bactéria, vírus, ou ambos, desde a primeira hora.

A tríade clássica de febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental está presente em apenas cerca de metade dos adultos com meningite bacteriana. Exigir a tríade completa para iniciar o tratamento é um erro que custa vidas.

O que distingue

  • Predomínio meníngeo — cefaleia, rigidez de nuca, fotofobia, vômitos, paciente lúcido ou levemente sonolento.
  • Predomínio parenquimatoso — confusão, alteração de comportamento e de linguagem, crise epiléptica, déficit focal, movimentos anormais.
  • Sinais que apontam encefalite — alucinações, alteração de memória, afasia, hemiparesia e crises de início focal.
  • Sinais que apontam bactéria — instalação em horas, toxemia, rash petequial, choque e rebaixamento rápido.
  • Sinais que apontam vírus — pródromo viral, quadro mais arrastado, líquor com predomínio linfocitário e glicose normal.

A pergunta prática à beira do leito

Diante de febre com alteração neurológica, três decisões precisam ser tomadas quase simultaneamente, e nenhuma depende do líquor:

  • Este paciente pode ter meningite bacteriana? Se sim, antibiótico agora.
  • encefalopatia associada? Se sim, aciclovir agora.
  • Existe critério para tomografia antes da punção? Se sim, colha hemocultura, trate e faça a punção depois.
A regra que não muda

Nenhum exame — tomografia, líquor, painel molecular — justifica atraso na primeira dose. A coleta de líquor após o antibiótico perde sensibilidade da cultura, mas mantém celularidade, bioquímica e testes moleculares por horas.

Por que a pressa importa

A meningite bacteriana comunitária permanece com letalidade elevada e sequelas frequentes mesmo em serviços bem estruturados. O atraso na antibioticoterapia é um dos poucos fatores prognósticos sob controle direto da equipe.

Janela

Antibiótico dentro de 1 hora da suspeita, idealmente ainda na sala de emergência.

Letalidade

Alta na meningite pneumocócica; maior ainda quando há choque ou coma na admissão.

Sequelas

Cerca de um em cada cinco sobreviventes fica com sequela, sendo a perda auditiva a mais comum.

Encefalite herpética

Sem aciclovir, a letalidade é altíssima; com tratamento precoce, cai de forma dramática.

Saúde pública

Notificação compulsória imediata e quimioprofilaxia mudam o desfecho de outras pessoas.

Os primeiros 60 minutos

Reconhecer e estabilizar

Vias aéreas, oxigenação e perfusão. Choque com rash petequial em paciente jovem é meningococcemia até prova em contrário. Corrija hipoglicemia e trate crises.

Colher e tratar

Hemoculturas (duas amostras) e exames iniciais. Dexametasona imediatamente antes ou junto da primeira dose do antibiótico. Aciclovir se houver encefalopatia.

Puncionar quando seguro

Sem critérios para tomografia, faça a punção lombar já. Com critérios, faça a imagem depois de ter tratado — a ordem correta é tratar e depois puncionar.

Monte a bandeja mentalmente como um pacote único: hemocultura, dexametasona, ceftriaxona (mais ampicilina e vancomicina conforme o caso) e aciclovir se houver encefalopatia. Depois disso, o resto do plantão é diagnóstico.

Agentes bacterianos por faixa etária

A escolha do esquema empírico decorre diretamente desta tabela. Idade, comorbidade e porta de entrada definem quais agentes precisam ser cobertos na primeira dose.

Grupo Agentes prováveis Implicação no esquema empírico
Neonato (até 1 mês) Streptococcus agalactiae (grupo B), Escherichia coli e outras enterobactérias, Listeria monocytogenes. Ampicilina associada a cefotaxima (ou a aminoglicosídeo, conforme o protocolo do serviço).
1 mês a 50 anos Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae; Haemophilus influenzae tipo b em não vacinados. Ceftriaxona (ou cefotaxima), com vancomicina onde há pneumococo resistente.
Acima de 50 anos Pneumococo, meningococo, Listeria monocytogenes, bacilos gram-negativos aeróbios. Acrescentar ampicilina para cobrir Listeria.
Imunossupressão celular Listeria, pneumococo, gram-negativos, Cryptococcus, micobactérias. Ampicilina obrigatória; considerar cobertura antipseudomonas e investigação fúngica.
Gestante Mesmo perfil do adulto, com risco aumentado de Listeria. Incluir ampicilina; evitar quinolonas.
TCE, neurocirurgia, derivação Staphylococcus aureus, estafilococos coagulase-negativos, gram-negativos incluindo Pseudomonas. Vancomicina associada a betalactâmico antipseudomonas (cefepima, ceftazidima ou meropenem).
Fístula liquórica / fratura de base Pneumococo predominante, além de H. influenzae e estreptococos beta-hemolíticos. Cefalosporina de terceira geração associada a vancomicina.
O corte de 50 anos para incluir ampicilina é convenção operacional, não fronteira biológica: pacientes mais jovens com etilismo, neoplasia, corticoterapia ou outra imunossupressão também precisam de cobertura para Listeria.

Etiologias não bacterianas

Meningite viral (asséptica)

Enterovírus são a causa mais comum, seguidos de herpes-vírus, arbovírus e primoinfecção pelo HIV. Curso geralmente benigno e autolimitado, com líquor linfocitário e glicose normal.

Encefalite viral

Herpes simples tipo 1 é a causa esporádica tratável mais importante. Também enterovírus, varicela-zóster, arbovírus e, no Brasil, arboviroses regionais como dengue, zika, chikungunya e febre do Nilo Ocidental em áreas específicas.

Tuberculose meníngea

Instalação subaguda ao longo de semanas, com paralisia de nervos cranianos, hidrocefalia e vasculite. Líquor linfocitário com glicose baixa e proteína muito elevada.

Fúngica

Cryptococcus neoformans em imunossuprimidos, sobretudo HIV com contagem baixa de CD4: cefaleia arrastada, hipertensão intracraniana importante e tinta da China ou antígeno criptocócico positivo.

Encefalite autoimune

Anticorpo antirreceptor NMDA e outros: quadro subagudo com sintomas psiquiátricos, discinesias, disautonomia e crises. Pode surgir após encefalite herpética.

Meningite não infecciosa

Medicamentosa (anti-inflamatórios, sulfas, imunoglobulina), neoplásica (carcinomatose meníngea) e doenças autoimunes sistêmicas. Diagnóstico de exclusão, após afastar infecção.

"Meningite asséptica" descreve apenas a ausência de crescimento bacteriano em cultura convencional. Não exclui tuberculose, fungo, sífilis nem meningite bacteriana parcialmente tratada — três situações em que o líquor pode ser linfocitário.

Pistas epidemiológicas que mudam a conduta

  • Aglomeração e surto — alojamento coletivo, quartel e escola aumentam a probabilidade de meningococo e disparam a investigação de contactantes.
  • Rash petequial ou purpúrico — meningococcemia; a evolução para choque pode ocorrer em poucas horas.
  • Otite, sinusite ou pneumonia recente — porta de entrada pneumocócica; procure também abscesso e empiema subdural.
  • Etilismo, esplenectomia, mieloma e HIV — risco elevado de pneumococo e de agentes oportunistas.
  • Contato com tuberculose ou HIV avançado — considere tuberculose meníngea e criptococose desde o início.
  • Viagem, área rural e exposição a vetores — arboviroses; conheça a sazonalidade da sua região.
  • Mordedura de animal ou contato com morcegos — raiva, que é encefalite sem tratamento específico e com quase 100% de letalidade.
  • Neurocirurgia, derivação ventricular ou trauma recente — perfil hospitalar, com necessidade de cobertura para estafilococo e gram-negativos.

Quadro clínico

Sugere meningite

  • Febre com cefaleia holocraniana intensa e de instalação rápida.
  • Rigidez de nuca, fotofobia, náuseas e vômitos.
  • Sinais de Kernig e de Brudzinski — específicos, porém pouco sensíveis.
  • Rash petequial ou purpúrico, sugestivo de meningococo.
  • Nível de consciência preservado ou pouco alterado nas fases iniciais.

Sugere encefalite

  • Alteração do estado mental por 24 horas ou mais, sem outra causa.
  • Mudança de personalidade, comportamento bizarro e alucinações.
  • Crises epilépticas, sobretudo de início focal.
  • Déficits focais: afasia, hemiparesia e alteração de campo visual.
  • Movimentos anormais e disautonomia, que sugerem causa autoimune.
Nos extremos de idade o quadro é atípico. No lactente predominam irritabilidade, recusa alimentar, abaulamento de fontanela, hipotonia e convulsão, sem rigidez de nuca. No idoso, pode haver apenas confusão e queda do estado geral, muitas vezes sem febre.

Exames iniciais

  • Duas hemoculturas antes do antibiótico — positivas em boa parte dos casos e podem salvar o diagnóstico quando a cultura do líquor já foi esterilizada.
  • Hemograma, PCR, lactato, função renal e hepática, eletrólitos e coagulograma — o coagulograma também orienta a segurança da punção.
  • Glicemia sérica pareada colhida próxima ao momento da punção: sem ela, a glicose liquórica é ininterpretável.
  • Gasometria e lactato em quem tem sinais de sepse ou choque.
  • Sorologia para HIV, com consentimento, em todo caso de meningite ou encefalite sem causa definida.
  • Tomografia de crânio apenas nas indicações listadas abaixo — e nunca como pré-requisito universal.
  • Ressonância magnética na suspeita de encefalite: é o exame de escolha e pode mostrar alterações em lobos temporais e sistema límbico.
  • Eletroencefalograma na encefalite e no rebaixamento inexplicado, para detectar crise não convulsiva e padrões sugestivos.

Calculadora — preciso de tomografia antes da punção?

6 critérios Não atrasa a droga

Marque o que estiver presente. A ausência de todos os critérios permite puncionar sem imagem prévia. A presença de qualquer um indica tomografia antes — e, nesse caso, hemocultura, dexametasona e antibiótico vêm antes da imagem.

Conduta quanto à punção
Nenhum critério marcado
Pode puncionar sem tomografia prévia — colha hemocultura e trate imediatamente após a coleta do líquor
Ferramenta de apoio. A tomografia normal não garante ausência de risco de herniação, e o julgamento clínico prevalece. Contraindicações independentes à punção incluem coagulopatia significativa, plaquetopenia grave, uso de anticoagulante e infecção de pele no local — nesses casos, trate e discuta a coleta com a neurologia.

Diagnósticos diferenciais

Condição Como diferenciar Conduta
Hemorragia subaracnóidea Cefaleia súbita e explosiva, no auge desde o início, com rigidez de nuca e sem febre nas primeiras horas. Tomografia sem contraste; se negativa e a suspeita persistir, punção com pesquisa de xantocromia.
Abscesso cerebral e empiema subdural Febre com déficit focal e sinais de efeito de massa; foco parameníngeo como otite ou sinusite. Imagem com contraste antes da punção; tratamento antimicrobiano prolongado e avaliação neurocirúrgica.
Sepse com encefalopatia Foco infeccioso extracraniano evidente, sem síndrome meníngea nem déficit focal. Tratar o foco; se houver dúvida, o líquor resolve — na dúvida real, cubra também o sistema nervoso central.
Estado de mal não convulsivo Rebaixamento flutuante, automatismos e desvio ocular, sem explicação sistêmica. Eletroencefalograma; tratamento antiepiléptico específico.
Encefalopatias metabólicas e tóxicas Hepática, urêmica, hiponatrêmica, hipoglicêmica, intoxicações e síndrome serotoninérgica. Exames laboratoriais dirigidos e correção; lembrar que também são causas de crise epiléptica.
Enxaqueca com meningismo História prévia semelhante, ausência de febre e de toxemia, exame neurológico normal. Diagnóstico de exclusão — na primeira apresentação com febre, investigue.
Trombose venosa cerebral Cefaleia progressiva, crises, déficits que não respeitam território arterial, fatores pró-trombóticos. Angiorressonância ou angiotomografia venosa; anticoagulação.
Cefaleia súbita e de intensidade máxima desde o início não é meningite até que a hemorragia subaracnóidea seja afastada. E febre com déficit focal exige imagem antes da punção, pela possibilidade de lesão com efeito de massa.

O que pedir na punção

A punção lombar continua sendo o exame que fecha o diagnóstico. Colha em três a quatro frascos e distribua os pedidos de forma que nenhuma amostra seja desperdiçada.

  • Pressão de abertura — com o paciente em decúbito lateral e pernas estendidas; valores muito elevados sugerem criptococose, tuberculose ou hipertensão intracraniana.
  • Citologia global e diferencial — número de células e predomínio de neutrófilos ou linfócitos.
  • Bioquímica — proteína e glicose, esta última sempre com glicemia sérica pareada.
  • Bacterioscopia pelo Gram e cultura — o Gram é rápido e razoavelmente sensível na meningite bacteriana não tratada.
  • Látex ou teste imunocromatográfico — útil quando o antibiótico já foi iniciado.
  • PCR ou painel molecular — herpes simples, enterovírus, meningococo, pneumococo e outros, conforme disponibilidade.
  • Pesquisa de BAAR, cultura para micobactérias e teste molecular rápido quando houver suspeita de tuberculose.
  • Tinta da China e antígeno criptocócico em imunossuprimidos.
  • Lactato liquórico, quando disponível, ajuda a separar padrão bacteriano de viral.
Punção traumática atrapalha a leitura. Uma correção prática é descontar cerca de 1 leucócito para cada 500 a 700 hemácias, mas a regra é imprecisa: diante de dúvida em paciente grave, decida pelo tratamento e não pela aritmética.

Padrões liquóricos típicos

Parâmetro Normal Bacteriana Viral Tuberculosa / fúngica
Aspecto Límpido Turvo ou purulento Límpido Límpido ou opalescente
Células (por mm³) Até 5 Habitualmente acima de 1000 De 10 a 500 De 50 a 500
Predomínio Linfócitos Neutrófilos Linfócitos (neutrófilos nas primeiras horas) Linfócitos
Proteína (mg/dL) De 15 a 45 Elevada, frequentemente acima de 100 Normal ou pouco elevada Muito elevada, podendo passar de 200
Glicose Relação com o soro em torno de 0,6 Baixa, com relação abaixo de 0,4 Normal Baixa
Lactato Abaixo de 2,1 mmol/L Habitualmente 3,5 mmol/L ou mais Normal ou pouco elevado Elevado
Padrões são probabilísticos, não determinísticos. Meningite bacteriana muito precoce pode ter poucas células; encefalite herpética costuma cursar com líquor linfocitário e discreto aumento de proteína, às vezes com hemácias. Nenhum padrão isolado autoriza suspender o antibiótico em paciente grave.

Calculadora — interpretação do líquor

Relação glicose líquor/soro Padrão citológico Leitura automática

Preencha os valores do resultado. A leitura sugere o padrão mais provável, sempre subordinada ao quadro clínico e ao uso prévio de antibiótico.

Relação glicose líquor/soro
0,60
Predomínio celular
Linfocitário
Proteína
Normal
Padrão sugerido
Líquor sem alterações significativas
Correlacione com o quadro clínico — líquor normal não exclui infecção muito precoce
Padrão bacteriano: pleocitose acentuada com predomínio de neutrófilos, proteína elevada, relação de glicose abaixo de 0,4 e lactato de 3,5 mmol/L ou mais.
Padrão viral: pleocitose leve a moderada com predomínio de linfócitos, proteína normal ou pouco elevada e glicose preservada.
Padrão tuberculoso ou fúngico: pleocitose linfocitária, proteína muito elevada e glicose baixa, geralmente com instalação subaguda.
Sem pleocitose: celularidade normal, com bioquímica preservada.
Ferramenta de apoio à interpretação, não substitui o julgamento clínico. Antibiótico prévio, punção traumática, neutropenia e fases muito precoces alteram o padrão. Em paciente grave, mantenha a cobertura empírica mesmo com líquor atípico, até que a evolução e as culturas permitam decidir.

Calculadora — Bacterial Meningitis Score

29 dias a 19 anos 5 critérios

Escore de Nigrovic, validado em crianças com pleocitose liquórica para estimar risco de meningite bacteriana. Não se aplica a menores de 29 dias, a pacientes criticamente enfermos, imunossuprimidos, com uso recente de antibiótico, portadores de derivação ventricular ou com púrpura.

Pontuação total
0
Risco muito baixo de meningite bacteriana
Escore zero tem valor preditivo negativo muito alto — decisão de observar ou tratar continua sendo clínica
Ferramenta de apoio. O escore foi desenvolvido para reduzir internações e antibioticoterapia desnecessárias em crianças de baixo risco, e não para autorizar alta em paciente com aspecto toxêmico. Qualquer sinal de gravidade sobrepõe-se ao resultado.

Sequência de abordagem

O tratamento empírico é iniciado pela suspeita clínica. Todo o restante — imagem, líquor, painel molecular — serve para refinar depois, nunca para autorizar a primeira dose.

  1. Reconheça a suspeita e estabilize: via aérea, oxigenação, perfusão, glicemia e controle de crises.
  2. Colha duas hemoculturas e os exames iniciais — sem que isso consuma mais do que poucos minutos.
  3. Aplique os critérios para tomografia antes da punção. Sem critérios, puncione agora.
  4. SE A PUNÇÃO FOR ADIADA por qualquer motivo, administre dexametasona e antibiótico IMEDIATAMENTE, antes da imagem.
  5. Dexametasona logo antes ou junto da primeira dose do antibiótico — depois disso, o benefício se perde.
  6. Antibiótico empírico conforme idade, comorbidade e porta de entrada, com dose plena para o sistema nervoso central.
  7. Acrescente aciclovir se houver encefalopatia, crise epiléptica ou déficit focal sugerindo encefalite.
  8. Reavalie em 24 a 48 horas com o resultado das culturas: descale, ajuste ou suspenda de forma deliberada.
A sequência mais cobrada e mais errada: hemocultura → dexametasona → antibiótico → tomografia → punção. Colher líquor antes é melhor apenas quando não há critério de imagem e a punção pode ser feita de imediato.

Esquema empírico do adulto

Cenário Esquema Racional
Adulto até 50 anos, imunocompetente Ceftriaxona associada a vancomicina. Cobertura de meningococo e pneumococo, incluindo cepas com sensibilidade reduzida.
Acima de 50 anos, gestante, etilista ou imunossuprimido Ceftriaxona, vancomicina e ampicilina. A ampicilina cobre Listeria monocytogenes, que não responde a cefalosporina.
Alergia grave a betalactâmico Vancomicina associada a moxifloxacino; sulfametoxazol-trimetoprima no lugar da ampicilina para Listeria. Discuta com a infectologia — as alternativas têm penetração e evidência menos robustas.
Pós-neurocirurgia, derivação ou trauma penetrante Vancomicina associada a cefepima, ceftazidima ou meropenem. Cobre estafilococo e gram-negativos incluindo Pseudomonas; avalie retirada do dispositivo.
Suspeita de encefalite Acrescentar aciclovir ao esquema antibacteriano. Herpes simples é a causa tratável mais importante e o atraso piora o prognóstico.
A inclusão sistemática de vancomicina depende da prevalência local de pneumococo com sensibilidade reduzida à cefalosporina. Confira o protocolo da sua instituição e o perfil de resistência do seu serviço — este é o principal ponto de variação entre protocolos brasileiros.

Calculadora — doses por peso

Dose por quilo Doses de meningite

As doses para infecção do sistema nervoso central são mais altas do que as habituais, pela barreira hematoencefálica. Informe o peso e o cenário para ver o esquema calculado.

Ferramenta de apoio ao cálculo. Ajuste para função renal e hepática, confira as doses máximas por dose e por dia, e siga o protocolo institucional e a bula. A vancomicina exige monitorização sérica e ajuste conforme a meta do serviço.

Dexametasona: quando e como

Usar

  • Suspeita de meningite bacteriana comunitária em adulto.
  • Criança com suspeita de meningite por Haemophilus influenzae tipo b.
  • Sempre imediatamente antes ou junto da primeira dose do antibiótico.
  • Manter por 4 dias se for confirmado pneumococo ou Haemophilus.

Suspender ou não iniciar

  • Quando o antibiótico já foi administrado horas antes — o benefício depende do momento.
  • Se for identificada etiologia sem benefício demonstrado, como meningococo, conforme o protocolo local.
  • Se o diagnóstico final for meningite viral não complicada.
  • Na meningite associada a derivação ou pós-neurocirúrgica, em que não há evidência de benefício.
O benefício mais consistente é a redução de perda auditiva e de sequelas neurológicas, com redução de mortalidade na meningite pneumocócica do adulto. Na tuberculose meníngea o corticoide também é indicado, mas em esquema e duração diferentes.

Duração do tratamento

Agente Duração usual Observação
Neisseria meningitidis7 diasResposta habitualmente rápida.
Haemophilus influenzae7 diasVerificar produção de betalactamase.
Streptococcus pneumoniae10 a 14 diasAjustar conforme sensibilidade e evolução.
Streptococcus agalactiae14 a 21 diasComum no neonato.
Listeria monocytogenes21 dias ou maisConsiderar associação com gentamicina.
Bacilos gram-negativos aeróbios21 diasFrequente no perfil hospitalar.
Encefalite por herpes simples14 a 21 diasAciclovir intravenoso; considerar PCR de controle.
Tuberculose meníngea12 mesesEsquema conforme o Ministério da Saúde, com corticoide associado.
Durações são orientativas e dependem da resposta clínica, do agente e das complicações. Punção de controle é indicada quando há má resposta em 48 horas, agente gram-negativo, neonato ou dúvida quanto à esterilização do líquor.
Condutas — como usar os cards

Cada card abre o detalhamento: indicação, posologia, alvo e cuidados. Confira sempre o protocolo institucional, a função renal e a apresentação disponível no seu serviço.

Antimicrobianos empíricos

Doses de meningite, mais altas do que as habituais, pela necessidade de concentração adequada no líquor mesmo com meninge pouco inflamada.

Adjuvantes e etiologias específicas

Corticoide como adjuvante, antiviral empírico e os esquemas dirigidos que mudam completamente quando o agente é micobactéria ou fungo.

Quando pensar em encefalite

O critério maior é alteração do estado mental por 24 horas ou mais — rebaixamento, letargia ou mudança de personalidade — sem causa alternativa identificada. A partir daí, critérios menores aumentam a probabilidade.

  • Febre documentada de 38 °C ou mais nas 72 horas anteriores ou posteriores ao início.
  • Crise epiléptica generalizada ou focal não atribuível a epilepsia prévia.
  • Novo achado neurológico focal ao exame.
  • Pleocitose liquórica, geralmente linfocitária.
  • Alteração de neuroimagem sugestiva de acometimento parenquimatoso, sobretudo em lobos temporais.
  • Alteração eletroencefalográfica compatível, não explicada por outra causa.
Diante de encefalopatia febril, inicie aciclovir empírico junto com o esquema antibacteriano e só suspenda com base em critérios definidos. Cada hora de atraso na encefalite herpética se traduz em pior desfecho funcional.

Encefalite herpética

É a causa esporádica tratável mais importante, em qualquer idade e sem sazonalidade. O acometimento preferencial é do lobo temporal e do sistema límbico, o que explica o quadro.

  • Clínica — febre, cefaleia, alteração de comportamento, alucinações olfativas ou gustativas, afasia, alteração de memória e crises focais.
  • Líquor — pleocitose linfocitária, proteína pouco elevada, glicose normal; pode haver hemácias pela natureza necrótico-hemorrágica.
  • PCR para herpes simples — exame de escolha, com sensibilidade alta a partir das primeiras 24 a 48 horas.
  • Ressonância — hipersinal em lobo temporal medial, ínsula e giro do cíngulo, tipicamente assimétrico.
  • Eletroencefalograma — lentificação focal temporal e descargas epileptiformes lateralizadas periódicas.

Armadilhas do PCR

Um resultado negativo colhido muito precocemente, nas primeiras 24 a 72 horas, não afasta o diagnóstico. Se a suspeita permanecer alta, mantenha o aciclovir e repita a coleta em 3 a 7 dias, sobretudo quando a imagem mostra alteração temporal.

Quando suspender o aciclovir

Considere a suspensão quando o PCR for negativo em amostra colhida após as primeiras 72 horas de sintomas, com ressonância sem alteração sugestiva, quadro clínico alternativo explicado e evolução favorável. Fora dessa combinação, mantenha a droga.

Encefalite autoimune

Cada vez mais reconhecida, sobretudo em jovens. A apresentação subaguda, ao longo de semanas, com sintomas psiquiátricos proeminentes, costuma passar pelo psiquiatra antes de chegar ao neurologista.

Antirreceptor NMDA

Sintomas psiquiátricos, alteração de memória, crises, discinesias orofaciais, disautonomia e hipoventilação. Buscar teratoma de ovário e outras neoplasias.

Encefalite límbica

Alteração subaguda de memória, crises temporais e alteração de humor, com hipersinal límbico bilateral na ressonância. Anticorpos como LGI1 e CASPR2.

Pós-herpética

Recaída após encefalite herpética tratada, com PCR negativo e novo quadro comportamental ou discinético: pensar em anticorpo anti-NMDA secundário.

Tratamento

Imunoterapia de primeira linha com corticoide, imunoglobulina e plasmaférese; rituximabe e ciclofosfamida como segunda linha, além do tratamento do tumor associado.

Encefalite autoimune é diagnóstico de equipe, com neurologia e, muitas vezes, reumatologia e oncologia. Enquanto os anticorpos não voltam, mantenha a cobertura infecciosa: iniciar imunossupressão sobre uma infecção não tratada é o pior desfecho possível.

Suporte na terapia intensiva

  • Via aérea — indicação precoce de intubação em rebaixamento importante, com risco de broncoaspiração.
  • Crises epilépticas — tratamento agressivo; eletroencefalograma contínuo quando houver rebaixamento desproporcional.
  • Hipertensão intracraniana — cabeceira elevada, normocapnia, controle de temperatura e avaliação neurocirúrgica quando há hidrocefalia.
  • Sódio — hiponatremia é frequente, por secreção inapropriada de hormônio antidiurético ou por perda cerebral de sal, com manejos opostos.
  • Glicemia, temperatura e oxigenação — evitar hipoglicemia, febre e hipoxemia, todas associadas a lesão secundária.
  • Reabilitação precoce — sequelas cognitivas e de linguagem são frequentes, e a fonoaudiologia e a terapia ocupacional devem entrar cedo.

Notificação e isolamento

  • Notificação compulsória imediata — meningite de qualquer etiologia é de notificação obrigatória, e o caso suspeito de doença meningocócica deve ser comunicado à vigilância epidemiológica em até 24 horas.
  • Precaução para gotículas — manter por 24 horas após o início do antibiótico eficaz na suspeita de meningococo ou de Haemophilus influenzae.
  • Máscara cirúrgica para a equipe durante procedimentos com contato próximo, inclusive na intubação e na aspiração.
  • Investigação de contactantes — a vigilância define o bloqueio e a extensão da quimioprofilaxia.
  • Avaliação auditiva antes ou logo após a alta em todo caso de meningite bacteriana, especialmente na criança.
  • Vacinação — atualizar o calendário e considerar vacina pneumocócica e meningocócica conforme indicação, sobretudo em asplênicos e imunossuprimidos.

Quimioprofilaxia de contactantes

Indicada nos casos de doença meningocócica e de Haemophilus influenzae tipo b, para contatos íntimos e prolongados nos 7 dias anteriores ao início dos sintomas do caso. Deve ser feita o mais precocemente possível, idealmente em até 48 horas.

Situação Quem recebe Opções habituais
Doença meningocócica Moradores do mesmo domicílio, contatos íntimos, colegas de creche e de alojamento, e quem teve contato direto com secreções respiratórias. Rifampicina por 2 dias; ceftriaxona intramuscular em dose única (opção na gestante); ciprofloxacino em dose única para adultos.
Profissional de saúde Apenas quem realizou manobras com exposição direta a secreções sem proteção, como intubação, aspiração e ventilação com máscara. Mesmos esquemas; a simples assistência ao paciente não indica profilaxia.
Haemophilus influenzae tipo b Domiciliares quando há criança menor de 4 anos não vacinada ou imunossuprimido no domicílio. Rifampicina por 4 dias, conforme a orientação da vigilância.
Pneumococo e demais agentes Não há indicação de quimioprofilaxia de contactantes. Reforçar vacinação quando indicada.
Doses, faixas etárias e indicações seguem o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e as orientações da vigilância epidemiológica local, que também define a necessidade de vacinação de bloqueio. Confirme antes de prescrever.

Complicações a antecipar

Perda auditiva

Sequela mais comum na criança. A dexametasona precoce reduz o risco, e a avaliação audiológica precisa ser programada antes da alta.

Hidrocefalia

Mais frequente na tuberculose e na criptococose. Considere derivação e punções de alívio conforme o caso.

Crises epilépticas

Comuns no pneumococo e na encefalite herpética; tratar de forma agressiva e investigar crise não convulsiva no rebaixamento inexplicado.

Hiponatremia

Por secreção inapropriada de hormônio antidiurético ou por perda cerebral de sal; o tratamento é oposto nos dois casos, e a volemia é a chave.

Empiema e abscesso

Suspeite diante de febre persistente, novo déficit ou má resposta em 48 a 72 horas; peça imagem com contraste.

Choque séptico e coagulopatia

Típicos da meningococcemia, com púrpura fulminante e necrose de extremidades; suporte hemodinâmico imediato.

Piora ou ausência de melhora após 48 horas de tratamento adequado não é evolução esperada: reavalie o agente, a dose, a penetração, a possibilidade de coleção intracraniana e a hipótese de diagnóstico alternativo.

Erros comuns

  • Esperar a tomografia para iniciar o antibiótico.
  • Esperar o resultado do líquor para iniciar o antibiótico.
  • Exigir a tríade clássica completa antes de suspeitar de meningite.
  • Esquecer a dexametasona ou administrá-la horas depois do antibiótico.
  • Omitir a ampicilina em paciente acima de 50 anos, gestante ou imunossuprimido.
  • Usar dose de antibiótico não meníngea, insuficiente para o sistema nervoso central.
  • Não colher glicemia sérica pareada e ficar sem interpretar a glicose do líquor.
  • Não iniciar aciclovir em paciente com encefalopatia febril.
  • Suspender o aciclovir por um único PCR negativo colhido muito precocemente.
  • Chamar de "meningite viral" todo líquor linfocitário, sem considerar tuberculose, fungo, sífilis e tratamento antibiótico prévio.
  • Não notificar o caso nem acionar a vigilância epidemiológica.
  • Prescrever quimioprofilaxia a toda a equipe do plantão, sem critério de exposição.
  • Dar alta sem programar avaliação auditiva e seguimento neurológico.

Resumo do fluxo

  1. Suspeitou de meningite ou encefalite: acione o time, monitorize e garanta acesso venoso.
  2. Colha duas hemoculturas e os exames iniciais, incluindo glicemia sérica.
  3. Verifique os critérios para tomografia antes da punção.
  4. DEXAMETASONA E ANTIBIÓTICO EM ATÉ 1 HORA — antes da imagem se a punção for adiada.
  5. Acrescente aciclovir se houver encefalopatia, crise ou déficit focal.
  6. Puncione assim que for seguro e envie citologia, bioquímica, Gram, cultura e biologia molecular.
  7. Ajuste o esquema com o resultado do líquor e das culturas, definindo a duração pelo agente.
  8. Notifique o caso, mantenha precaução de gotículas por 24 horas e organize a quimioprofilaxia dos contactantes.
  9. Antes da alta: avaliação auditiva, seguimento neurológico e atualização vacinal.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço, as normas da vigilância epidemiológica e as bulas vigentes.

  1. World Health Organization. WHO guidelines on meningitis diagnosis, treatment and care. Genebra: WHO; 2025.
  2. Tunkel AR, Hartman BJ, Kaplan SL, et al. Practice guidelines for the management of bacterial meningitis. Clin Infect Dis. 2004;39(9):1267-1284.
  3. van de Beek D, Cabellos C, Dzupova O, et al. ESCMID guideline: diagnosis and treatment of acute bacterial meningitis. Clin Microbiol Infect. 2016;22(Suppl 3):S37-S62.
  4. Tunkel AR, Glaser CA, Bloch KC, et al. The management of encephalitis: clinical practice guidelines by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2008;47(3):303-327.
  5. Tunkel AR, Hasbun R, Bhimraj A, et al. IDSA clinical practice guidelines for healthcare-associated ventriculitis and meningitis. Clin Infect Dis. 2017;64(6):e34-e65.
  6. National Institute for Health and Care Excellence. Meningitis (bacterial) and meningococcal disease: recognition, diagnosis and management. NICE guideline NG240; 2024.
  7. Venkatesan A, Tunkel AR, Bloch KC, et al. Case definitions, diagnostic algorithms, and priorities in encephalitis: consensus statement of the International Encephalitis Consortium. Clin Infect Dis. 2013;57(8):1114-1128.
  8. Graus F, Titulaer MJ, Balu R, et al. A clinical approach to diagnosis of autoimmune encephalitis. Lancet Neurol. 2016;15(4):391-404.
  9. Nigrovic LE, Kuppermann N, Macias CG, et al. Clinical prediction rule for identifying children with cerebrospinal fluid pleocytosis at very low risk of bacterial meningitis. JAMA. 2007;297(1):52-60.
  10. de Gans J, van de Beek D. Dexamethasone in adults with bacterial meningitis. N Engl J Med. 2002;347(20):1549-1556.
  11. Brouwer MC, McIntyre P, Prasad K, van de Beek D. Corticosteroids for acute bacterial meningitis. Cochrane Database Syst Rev. 2015;(9):CD004405.
  12. Hasbun R, Abrahams J, Jekel J, Quagliarello VJ. Computed tomography of the head before lumbar puncture in adults with suspected meningitis. N Engl J Med. 2001;345(24):1727-1733.
  13. Ministério da Saúde (Brasil). Guia de Vigilância em Saúde, capítulos de meningites e de doença meningocócica, incluindo notificação e quimioprofilaxia de contactantes.
  14. Ministério da Saúde (Brasil). Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil, seção de tuberculose meníngea.

Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses, escalas e condutas devem ser sempre conferidas antes da aplicação.

Informações rápidas

Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.

O essencial

Não atrasar

Antibiótico em até 1 hora da suspeita. Colha hemocultura antes, mas sem atrasar a droga. Se a punção for adiada por qualquer motivo, trate primeiro e puncione depois. Acrescente aciclovir sempre que houver encefalopatia.

Diferenciar as duas

Na meningite predominam febre, cefaleia e rigidez de nuca, com consciência preservada. Na encefalite predomina a alteração do estado mental, com crises e déficits focais. A sobreposição é frequente e recebe o nome de meningoencefalite.

Líquor bem coletado

Peça celularidade com diferencial, proteína e glicose — sempre com glicemia sérica pareada —, Gram, cultura, látex e biologia molecular conforme a suspeita. A tomografia antes da punção só é necessária diante de critérios definidos.

Depois da porta

Notificação compulsória imediata, precaução para gotículas por 24 horas, quimioprofilaxia dos contactantes próximos no meningococo e no Haemophilus tipo b, e avaliação auditiva antes da alta.

Números rápidos

Janela terapêutica: antibiótico em até 1 hora da suspeita.

Dexametasona: 0,15 mg/kg a cada 6 horas por 4 dias, antes ou junto do antibiótico.

Aciclovir: 10 mg/kg a cada 8 horas, por 14 a 21 dias na encefalite herpética.

Líquor bacteriano: neutrofílico, proteína alta, relação de glicose abaixo de 0,4 e lactato de 3,5 mmol/L ou mais.

Isolamento: precaução para gotículas por 24 horas após o antibiótico eficaz.

Não esqueça

Tomografia nunca justifica atrasar o antibiótico.

Ampicilina acima de 50 anos, na gestante e no imunossuprimido.

Aciclovir empírico em toda encefalopatia febril.

Glicemia sérica pareada junto com a punção.

Notificação imediata e quimioprofilaxia dos contactantes.

Em provas / residência

A banca cobra a sequência hemocultura, dexametasona, antibiótico, tomografia e punção, além dos critérios de imagem antes da punção.

Decore: ampicilina acima de 50 anos pela Listeria; dexametasona antes ou junto do antibiótico; aciclovir empírico na encefalite; líquor bacteriano com glicose baixa e neutrófilos.

Mais informações nas abas do artigo.

Rolar para cima