Quando suspeitar
Infecção respiratória aguda com sintomas como tosse, coriza, dor de garganta ou congestão nasal, associados ou não a febre, cefaleia, mialgia ou calafrios.
A covid-19 é uma infecção respiratória causada pelo SARS-CoV-2, um coronavírus humano cuja transmissão ocorre predominantemente por partículas respiratórias. O diagnóstico combina quadro clínico e testes virais, enquanto a conduta depende da gravidade e do risco de progressão, com vacinação, ventilação e medidas de redução da transmissão como pilares preventivos.
Infecção respiratória aguda com sintomas como tosse, coriza, dor de garganta ou congestão nasal, associados ou não a febre, cefaleia, mialgia ou calafrios.
Testes de antígeno e métodos moleculares detectam infecção ativa. Na vigilância brasileira de 2026, RT-qPCR segue como padrão-ouro na vigilância sentinela.
Casos sem fatores de risco recebem suporte e monitoramento. No SUS, nirmatrelvir/ritonavir é opção precoce para grupos elegíveis de alto risco.
Vacinação atualizada, boa ventilação, etiqueta respiratória e uso criterioso de máscara reduzem o risco de transmissão e de formas graves.
A covid-19 é a doença infecciosa causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. A infecção pode permanecer assintomática ou produzir doença respiratória de intensidade variável, de quadros autolimitados a pneumonia, hipoxemia, síndrome respiratória aguda grave, trombose e disfunção de múltiplos órgãos.
Com imunidade populacional adquirida por vacinação e infecções prévias, mudanças na circulação de variantes e disponibilidade de terapias, o risco individual atual é muito heterogêneo. Por isso, percentuais fixos de hospitalização ou letalidade da fase inicial da pandemia não devem ser usados como regra contemporânea.
Na taxonomia atual do ICTV, o SARS-CoV-2 integra a espécie Betacoronavirus pandemicum, na família Coronaviridae, gênero Betacoronavirus e subgênero Sarbecovirus. É um vírus envelopado de RNA de fita simples de sentido positivo, com genoma de aproximadamente 30 kb.
Entre as proteínas estruturais mais importantes estão a proteína S (spike), responsável pela ligação ao receptor celular; a proteína M (membrana); a proteína E (envelope); e a proteína N (nucleocapsídeo). A proteína S interage principalmente com a ACE2, e proteases do hospedeiro facilitam a entrada viral.
A doença começa com infecção de células suscetíveis do trato respiratório. A ligação da proteína spike à ACE2 e a ativação proteolítica da spike permitem fusão/entrada, seguida de tradução do RNA viral e montagem de novos vírions. A resposta imune do hospedeiro determina grande parte da evolução clínica.
As linhagens do SARS-CoV-2 continuam evoluindo. A classificação da OMS é dinâmica e deve ser consultada por data, em vez de manter uma lista histórica de Alpha, Beta, Gamma e Delta como se todas fossem variantes atuais.
Em 28 de julho de 2026, a OMS mantinha JN.1 como variante de interesse (VOI).
Em 27 de julho de 2026, eram monitoradas PQ.16.1.1, NB.1.8.1, XFG e BA.3.2.
A prevalência muda ao longo das semanas e depende da representatividade da vigilância genômica.
As VUMs acompanhadas em julho de 2026 não mostravam risco adicional de saúde pública em relação às demais variantes circulantes.
O período de incubação varia conforme a linhagem e o hospedeiro e, nas linhagens contemporâneas, costuma ser mais curto que o descrito no início da pandemia. A transmissão pode ocorrer antes do início dos sintomas e tende a ser maior nos primeiros dias da doença.
Período em que a transmissibilidade costuma ser maior.
RNA detectável por semanas não equivale, por si só, a vírus viável ou transmissível.
Pode ocorrer por queda da proteção e escape imune de novas linhagens.
Vacinação e infecções prévias modificam risco de doença grave, sem impedir toda infecção.
A principal via é a exposição a partículas respiratórias infecciosas liberadas ao respirar, falar, tossir ou espirrar. Essas partículas podem ser inaladas ou atingir diretamente mucosas, com maior risco em proximidade, permanência prolongada e ambientes fechados ou mal ventilados.
É a rota dominante, incluindo gotículas e aerossóis de diferentes tamanhos.
Ventilação inadequada, aglomeração e exposição prolongada favorecem transmissão.
Contaminação de superfícies é possível, mas tem importância menor que a transmissão respiratória.
A avaliação independente da OMS publicada em 2025 concluiu que o peso das evidências disponíveis favorece um transbordamento zoonótico, diretamente de morcegos ou por hospedeiro intermediário. Entretanto, não foi possível determinar com certeza onde, quando e como o SARS-CoV-2 entrou inicialmente na população humana, e hipóteses não esclarecidas permanecem sob investigação.
Infecções de animais por SARS-CoV-2 já foram documentadas em diversas espécies após exposição humana, ilustrando a importância de uma abordagem de Saúde Única. Isso não significa que animais domésticos sejam a principal fonte de transmissão na comunidade.
O risco aumenta principalmente com idade avançada, imunossupressão e determinadas doenças crônicas. A avaliação deve ser individual e considerar também vacinação, infecção recente, fragilidade e reserva funcional.
É um dos determinantes mais consistentes de hospitalização, complicações e morte.
Podem ter menor resposta vacinal, maior risco de progressão e replicação viral prolongada.
Cardiovasculares, pulmonares, renais, hepáticas, diabetes, obesidade e outras condições podem aumentar risco.
A gestação é considerada condição de maior risco para desfechos graves em comparação com pessoas não gestantes da mesma faixa etária.
O espectro varia de infecção assintomática a doença crítica. Tosse, coriza/congestão nasal, dor de garganta, febre, cefaleia, mialgia, fadiga e calafrios são frequentes. Alterações de olfato ou paladar continuam possíveis, mas são menos dominantes que em algumas fases anteriores da pandemia.
Tosse, coriza, congestão nasal, odinofagia e, nos casos mais importantes, dispneia.
Febre, calafrios, fadiga, cefaleia, mialgia e mal-estar.
Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal podem ocorrer.
Anosmia, hiposmia, ageusia ou disgeusia podem acompanhar o quadro.
Para a vigilância brasileira, síndrome gripal (SG) é definida como infecção respiratória com início nos últimos 10 dias e pelo menos dois sinais ou sintomas, sendo obrigatoriamente ao menos um respiratório.
Tosse, coriza, dor de garganta ou congestão nasal.
Febre, dor de cabeça, dor no corpo ou calafrios.
Na definição nacional de 2026, SRAG inclui indivíduo hospitalizado com síndrome gripal e ao menos um sinal de agravamento — dispneia, taquipneia e/ou saturação de O2 ≤ 94% em ar ambiente — ou óbito por SRAG independentemente de hospitalização.
Pneumonia viral, insuficiência respiratória e síndrome do desconforto respiratório agudo.
Tromboembolismo venoso e outros eventos trombóticos, sobretudo em doença grave.
Lesão miocárdica, arritmias, miocardite/pericardite e eventos isquêmicos podem ocorrer.
Lesão renal aguda pode acompanhar doença sistêmica grave.
Encefalopatia, AVC e outras manifestações são descritas, especialmente em quadros complexos.
Sintomas persistentes ou novos após a fase aguda podem comprometer múltiplos sistemas.
Hemograma, função renal/hepática, marcadores inflamatórios, troponina, D-dímero e outros exames podem ser úteis conforme gravidade e hipótese de complicação, mas não confirmam covid-19 isoladamente. A procalcitonina também não deve ser interpretada de forma absoluta para excluir ou confirmar coinfecção bacteriana.
Influenza, vírus sincicial respiratório, rinovírus, metapneumovírus, adenovírus, outros coronavírus, pneumonia bacteriana, exacerbações de asma/DPOC, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca e outras causas de síndrome respiratória aguda.
O diagnóstico de infecção ativa baseia-se principalmente na detecção direta do vírus por teste rápido de antígeno (TR-Ag) ou por método molecular, como RT-qPCR. O desempenho depende do momento da coleta, qualidade da amostra, carga viral e características do teste.
| Método | Melhor uso | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| TR-Ag | Diagnóstico rápido de infecção ativa, sobretudo na fase inicial sintomática. | Resultado negativo pode exigir repetição ou teste molecular quando a suspeita clínica é alta. |
| RT-qPCR / molecular | Detecção sensível de RNA viral; padrão-ouro para vigilância sentinela no Brasil. | Pode permanecer detectável após cessar infectividade; interpretar no contexto clínico. |
| Sorologia | Questões específicas de resposta imune/estudos selecionados. | Não é o método de escolha para diagnosticar infecção aguda ativa. |
Para síndrome gripal por covid-19, a Nota Técnica nº 11/2026 admite confirmação por critério laboratorial — TR-Ag reagente ou método molecular detectável — ou por critério clínico-epidemiológico, quando há SG e contato próximo/domiciliar com caso confirmado nos sete dias anteriores ao início dos sintomas.
Na SRAG, a investigação prioriza método molecular; na ausência deste, o TR-Ag pode ser considerado excepcionalmente conforme a diretriz de vigilância.
Em casos leves sem sinais de alarme, exames complementares extensos geralmente não são necessários. Em doença moderada/grave, a investigação deve ser guiada pelo estado clínico e por complicações suspeitas.
Útil para identificar hipoxemia, acompanhar evolução e orientar necessidade de avaliação hospitalar.
Indicada quando há suspeita de pneumonia, hipoxemia, piora clínica ou diagnóstico diferencial relevante; não é exame de rastreio de rotina.
Hemograma, função renal/hepática, eletrólitos e marcadores específicos conforme gravidade, terapias e suspeita de complicação.
Reservar culturas e antimicrobianos para contextos em que coinfecção bacteriana seja clinicamente plausível.
O manejo deve separar três perguntas: o paciente tem doença grave?, tem alto risco de progressão? e está dentro da janela para antiviral?. Casos não graves sem fatores de risco costumam receber tratamento sintomático, hidratação, orientação e monitoramento.
Em pacientes de alto risco, antivirais devem ser considerados precocemente. Em doença grave/crítica, suporte respiratório, corticosteroide sistêmico e, em pacientes selecionados, imunomodulação fazem parte das estratégias baseadas em evidências.
Hidratação, alimentação conforme tolerância, repouso relativo e sintomáticos apropriados ao perfil do paciente.
Orientar retorno por piora respiratória, dor/pressão torácica persistente, alteração de consciência, desidratação importante ou outros sinais de alarme.
Avaliar elegibilidade, janela, função renal/hepática e interações medicamentosas antes de prescrever.
Hidroxicloroquina, ivermectina e anticorpos monoclonais sem atividade contra variantes atuais não devem ser tratados como esquemas ativos.
Abra os cartões para ver indicação, dose quando aplicável e pontos de segurança.
Pacientes com hipoxemia, insuficiência respiratória, choque ou disfunção orgânica exigem avaliação hospitalar e suporte proporcional à gravidade. O oxigênio deve ser titulado conforme metas clínicas e comorbidades; escalonamento para cânula nasal de alto fluxo, ventilação não invasiva ou ventilação invasiva depende da resposta e do esforço respiratório.
O artigo original de pesquisa reúne intervenções que fizeram parte de fases anteriores da pandemia. Algumas perderam indicação por ausência de benefício ou por escape das variantes. O conteúdo atual não mantém como opções rotineiras:
Não apresentam benefício clínico para tratamento da covid-19.
Não deve ser usada como tratamento específico de rotina para covid-19.
Casirivimabe/imdevimabe, sotrovimabe, regdanvimabe e tixagevimabe/cilgavimabe não devem ser listados como opções ativas sem confirmação contemporânea de atividade, autorização e disponibilidade.
Não é indicado na ausência de suspeita clínica de coinfecção bacteriana.
A maioria das infecções pediátricas é leve, mas lactentes, crianças com comorbidades e imunocomprometidas exigem atenção especial. Em menores de 2 anos, sinais como apneia, batimento de asas nasais, cianose, tiragens, recusa alimentar, irritabilidade e letargia podem indicar agravamento.
Gestantes têm maior risco de alguns desfechos graves da covid-19 em comparação com pessoas não gestantes da mesma idade. A avaliação terapêutica deve ponderar benefício materno, idade gestacional, comorbidades, função orgânica e dados de segurança do medicamento.
No calendário brasileiro vigente em 2026, a vacina contra covid-19 é recomendada em uma dose a cada gestação. A vacinação deve ser atualizada durante o pré-natal conforme orientação do PNI.
Podem apresentar maior risco de progressão e, em alguns casos, replicação viral prolongada. O limiar para avaliação precoce de antiviral é menor, e a interpretação de testes positivos persistentes precisa considerar sintomas, grau de imunossupressão e contexto.
Nirmatrelvir/ritonavir exige revisão de função renal e de interações pelo potente efeito do ritonavir sobre o metabolismo de diversos medicamentos. O guia brasileiro deve ser consultado no momento da prescrição, especialmente em doença renal avançada, hepatopatia importante, polifarmácia e uso de fármacos com estreita margem terapêutica.
A Nota Técnica nº 5/2026 atualizou o período recomendado de isolamento para síndromes respiratórias. Para SG na comunidade em pessoas não imunossuprimidas, são 5 dias desde o início dos sintomas, desde que a pessoa esteja sem febre há pelo menos 24 horas sem antitérmico e apresente remissão dos sintomas respiratórios.
5 dias desde o início dos sintomas, com critérios clínicos para suspensão.
5 dias a partir da data do exame laboratorial positivo.
10 dias, com pelo menos 48 h sem febre e remissão de sintomas respiratórios.
20 dias desde o início dos sintomas, com pelo menos 24 h sem febre e remissão de sintomas respiratórios.
A vacinação permanece a principal estratégia para reduzir formas graves. O esquema depende de idade, grupo de risco, histórico vacinal e recomendações atualizadas do PNI.
Rotina infantil inclui vacinação contra covid-19 a partir dos 6 meses, com esquema conforme produto e situação imunológica.
Calendário vigente recomenda 1 dose semestral.
Calendário vigente recomenda 1 dose a cada gestação.
Aumentar renovação do ar em ambientes internos reduz concentração de partículas respiratórias.
São especialmente úteis quando há sintomas, exposição recente, locais fechados lotados ou contato com pessoas vulneráveis.
Higienizar as mãos e evitar tocar mucosas após contato com secreções respiratórias.
Manter doses atualizadas conforme o PNI e o grupo de risco.
Persistência, recorrência ou aparecimento de sintomas após a fase aguda pode envolver fadiga, dispneia, intolerância ao esforço, alterações cognitivas, dor, sintomas autonômicos e outras manifestações. A abordagem é clínica, multidimensional e orientada pelos sintomas e prejuízo funcional.
A notificação universal mudou. Devem ser notificados em até 24 horas: todos os casos confirmados de síndrome gripal por covid-19, todos os casos de SRAG hospitalizada e todos os óbitos por SRAG, independentemente de hospitalização.
Material educacional de apoio à decisão clínica. Não substitui avaliação individualizada, protocolos institucionais, serviço de referência, infectologia, pediatria/obstetrícia nem consulta às bulas. Doses por peso, função renal/hepática, formas focais graves, gestação e profilaxia após exposição devem ser conferidas antes da prescrição.
O essencial de Coronavírus para consulta rápida no celular.
Quadro respiratório agudo com tosse/coriza/dor de garganta/congestão e sintomas gerais compatíveis.
TR-Ag ou método molecular para infecção ativa; sorologia não é teste de escolha para doença aguda.
Suporte no baixo risco; avaliar antiviral até D5 em pacientes elegíveis de alto risco.
Vacinação atualizada + ventilação + medidas respiratórias conforme contexto.
Integra a definição brasileira de agravamento da SRAG em ar ambiente.
Janela para início de nirmatrelvir/ritonavir no guia brasileiro de alto risco.
Não usar corticosteroide sistêmico nem antibiótico empírico sem indicação específica.
Checar interações e função renal/hepática antes da prescrição.
Covid-19 → síndrome respiratória + teste viral; hipoxemia e esforço respiratório mudam a urgência.
Antiviral é mais útil quando iniciado cedo em quem tem risco de progressão.
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