Ceratopatia em Faixa
Degeneração corneana caracterizada por depósitos de sais de cálcio nas camadas superficiais da córnea, formando uma opacidade horizontal na zona interpalpebral.
Visão Geral
A ceratopatia em faixa, também chamada ceratopatia em banda calcificada, é uma degeneração corneana causada pela deposição de sais de cálcio, principalmente na membrana de Bowman e no estroma anterior.
Os depósitos costumam formar uma faixa horizontal branco-acinzentada na área interpalpebral, iniciando-se junto ao limbo nasal e temporal e avançando em direção ao centro da córnea.
A condição é frequentemente associada à inflamação ocular crônica, sobretudo uveíte, mas também pode ocorrer em olhos com doença avançada, após exposição prolongada a alguns colírios ou em distúrbios sistêmicos com hipercalcemia ou hiperfosfatemia.
Lesões periféricas podem ser assintomáticas. Quando a faixa alcança o eixo visual ou torna a superfície corneana irregular, pode causar redução da visão, sensação de corpo estranho, fotofobia, lacrimejamento e dor.
- Opacidade horizontal branco-acinzentada na zona interpalpebral
- Depósitos de cálcio na membrana de Bowman e no estroma anterior
- Progressão do limbo nasal e temporal em direção ao centro
- Pequenos orifícios claros entre os depósitos, conhecidos como “Swiss cheese”
- Separação entre a faixa calcificada e o limbo por uma zona corneana transparente
- Redução visual ou desconforto quando há comprometimento central e irregularidade epitelial
Os depósitos calcificados localizam-se principalmente no epitélio basal, na membrana de Bowman e no estroma anterior, alterando a transparência e a regularidade da superfície corneana.
A ceratopatia em faixa apresenta depósito progressivo de cálcio na córnea exposta pela fenda palpebral, geralmente com padrão bilateral quando associada a alterações metabólicas e unilateral ou assimétrica quando relacionada a doença ocular local.
A intensidade dos sintomas depende da extensão da calcificação, do envolvimento do eixo visual e da integridade do epitélio corneano.
Opacidade horizontal
Forma-se uma faixa branco-acinzentada na região interpalpebral da córnea, tipicamente orientada no sentido horizontal.
Progressão periférica
Os depósitos geralmente começam junto ao limbo nasal e temporal e progridem lentamente em direção ao centro.
Padrão “Swiss cheese”
Pequenos espaços claros correspondentes à passagem de nervos corneanos podem permanecer visíveis entre as áreas calcificadas.
Redução da visão
O comprometimento do eixo visual pode causar visão borrada, perda de contraste e piora da acuidade visual.
Irritação e dor
Depósitos elevados podem romper ou tornar irregular o epitélio, provocando sensação de corpo estranho, fotofobia, lacrimejamento e dor.
Inflamação ocular associada
Uveíte crônica, artrite idiopática juvenil e outras doenças inflamatórias oculares são associações clínicas importantes.
Alterações metabólicas
Hipercalcemia ou hiperfosfatemia por hiperparatireoidismo, doença renal e outras condições podem favorecer deposição bilateral.
Fatores locais e iatrogênicos
Olhos cronicamente inflamados ou com baixa visão e uso prolongado de preparações contendo fosfato podem desenvolver calcificação corneana.
O diagnóstico é predominantemente clínico e realizado por exame oftalmológico com lâmpada de fenda, que demonstra a localização superficial e o padrão característico dos depósitos.
A investigação etiológica deve considerar o histórico ocular e medicamentoso. Exames laboratoriais são especialmente importantes quando não existe uma causa ocular evidente, quando a apresentação é bilateral ou quando há suspeita de alteração sistêmica.
Biomicroscopia
A lâmpada de fenda identifica a faixa calcificada superficial, sua extensão, os orifícios claros e o comprometimento do eixo visual.
Acuidade visual e refração
Avaliam o impacto funcional da opacidade e da irregularidade corneana, principalmente quando os depósitos atingem a região central.
História clínica dirigida
Pesquisa uveíte, trauma, cirurgias, doença ocular crônica, uso prolongado de colírios e condições sistêmicas associadas.
Cálcio e fósforo séricos
Auxiliam na identificação de hipercalcemia ou hiperfosfatemia, sobretudo nos casos sem causa ocular definida ou com acometimento bilateral.
Função renal e PTH
Creatinina, função renal e paratormônio podem ser solicitados conforme o contexto para investigar doença renal e hiperparatireoidismo.
OCT de segmento anterior
Em casos selecionados, demonstra a profundidade e a densidade dos depósitos, auxiliando no planejamento do tratamento superficial.
A ceratopatia em faixa deve ser diferenciada de degeneração esferoidal, distrofia de Schnyder, cicatrizes corneanas, degeneração nodular de Salzmann e outras causas de opacidade ou depósito corneano superficial.
O padrão horizontal interpalpebral, a localização superficial dos depósitos e a presença de pequenos espaços claros favorecem o diagnóstico de ceratopatia em faixa.
Abaixo estão exemplos clínicos e imagens ilustrativas da ceratopatia em faixa, destacando o padrão horizontal dos depósitos calcificados na córnea.
O tratamento depende dos sintomas, do potencial visual do olho, da extensão dos depósitos e da causa associada. Casos periféricos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados.
Quando há dor, irritação, comprometimento visual ou indicação estética relevante, o objetivo é remover o cálcio, restaurar uma superfície corneana mais regular e controlar a doença ocular ou sistêmica de base.
Lubrificação ocular
Lágrimas artificiais e medidas de proteção da superfície ocular podem aliviar sintomas leves, mas não removem os depósitos de cálcio.
Controle da causa de base
Uveíte, alterações metabólicas, doença renal e fatores medicamentosos devem ser tratados ou corrigidos para reduzir progressão e recorrência.
Quelação com EDTA
Após remoção do epitélio, o EDTA liga-se ao cálcio e facilita sua retirada. É uma das técnicas mais utilizadas nos casos sintomáticos.
Ceratoplastia superficial
O desbridamento ou a ceratectomia superficial pode remover placas calcificadas, frequentemente em associação à quelação com EDTA.
Ceratectomia fototerapêutica
A PTK com excimer laser pode tratar depósitos mais extensos ou residuais e regularizar a superfície em casos selecionados.
Seguimento e recorrência
O acompanhamento é necessário porque a calcificação pode recidivar, especialmente quando a inflamação ou a alteração metabólica permanece ativa.
O alívio do desconforto costuma ser significativo após a remoção dos depósitos. A melhora visual depende do envolvimento do eixo óptico, da profundidade da calcificação e da presença de outras doenças oculares.
Olhos com baixa visão por uveíte crônica, glaucoma, doença retiniana ou outras alterações podem apresentar melhora sintomática sem ganho visual expressivo. A recorrência é possível, mas nem sempre exige novo procedimento.
As referências abaixo foram utilizadas como base para a construção deste conteúdo sobre ceratopatia em faixa calcificada.
- AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. Calcific Band Keratopathy. EyeWiki. Atualizado em 2026.
- AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY. What causes calcification on the cornea? Eye Health, 2019.
- COLUMBIA UNIVERSITY IRVING MEDICAL CENTER. Band Keratopathy. Digital Reference of Ophthalmology.
- AL-HITY, A. et al. EDTA chelation for symptomatic band keratopathy: results and recurrence. Eye, 2018; 32:26–31.
- NAJJAR, D. M. et al. EDTA chelation for calcific band keratopathy. American Journal of Ophthalmology, 2004; 137(6):1056–1064.
- SHAH, R. P. et al. Modified transepithelial phototherapeutic keratectomy for band keratopathy. Journal of Clinical Medicine, 2024; 13(19):5717.
As imagens utilizadas neste atlas oftalmológico foram produzidas com finalidade educacional utilizando referências clínicas reais e representações anatômicas didáticas.
Parte das imagens pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para facilitar a identificação dos depósitos calcificados e das camadas superficiais da córnea.
Este material possui finalidade exclusivamente educacional e não substitui avaliação oftalmológica especializada, investigação clínica individualizada, livros-texto completos ou orientação acadêmica.
