Gestação
Categoria CUsar quando houver indicação clínica
A atropina atravessa a placenta. Em bradicardia sintomática grave ou intoxicação muscarínica com risco de vida, o tratamento materno não deve ser adiado por preocupação fetal.
Antagonista muscarínico usado em bradicardia sintomática selecionada, intoxicação colinérgica e situações perioperatórias. A dose varia amplamente conforme a indicação e pode ser muito maior nas intoxicações por organofosforados ou carbamatos.
Revisado em pela equipe MedFoco
Na bradicardia sintomática do adulto, o ACLS 2025 utiliza 1 mg EV a cada 3–5 minutos, até 3 mg. Na intoxicação colinérgica grave, a dose inicial é repetida em escalada rápida até controlar broncorreia, broncoespasmo e instabilidade.
O essencial do perfil clínico em uma tela.
Antagonista competitivo da acetilcolina nos receptores muscarínicos M1 a M5. Reduz secreções, diminui o tônus vagal cardíaco e antagoniza manifestações muscarínicas da estimulação colinérgica. Na intoxicação por organofosforados ou carbamatos melhora broncorreia, broncoespasmo e bradicardia, mas não corrige o componente nicotínico da toxicidade.
Bloqueia competitivamente receptores muscarínicos, reduzindo respostas parassimpáticas em coração, glândulas exócrinas e musculatura lisa.
Concentrações, embalagens e nomes comerciais no Brasil.
| Apresentação | Forma farmacêutica | Concentração / composição | Embalagem | Nomes comerciais |
|---|---|---|---|---|
| Sulfato de atropina 0,25 mg/mLRENAME 2024 | Solução injetável | 0,25 mg/mL | Ampola de 1 mL; embalagem hospitalar varia por fabricante. | Atropionoutros fabricantes registrados |
| Sulfato de atropina 0,50 mg/mLMaior concentração | Solução injetável | 0,50 mg/mL | Ampola de 1 mL; embalagem hospitalar varia por fabricante. | Atropionoutros fabricantes registrados |
Uma dose de 1 mg corresponde a 4 mL da solução 0,25 mg/mL ou 2 mL da solução 0,50 mg/mL. Confirme mg/mL antes de aspirar.
Dose, frequência e duração por população.
Repetir a cada 3–5 min; máximo total de 3 mg.
EV/IO; pode repetir uma vez; mínimo 0,1 mg e máximo 0,5 mg por dose.
Titular até atropinização clínica.
Converte dose em volume e calcula dose pediátrica por peso.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual — efeito antimuscarínico | 0,4 a 0,6 mg | a cada 4–6 h, se necessário | Conforme indicação | Pode ser administrada por via IM, EV ou SC. Para uso EV, administrar lentamente e monitorar a resposta cardiovascular. |
Pode ser administrada por via IM, EV ou SC. Para uso EV, administrar lentamente e monitorar a resposta cardiovascular.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Bradicardia sintomática com comprometimento cardiopulmonar | 1 mg | a cada 3–5 min, se necessário | Até resposta ou 3 mg no total | Se não houver resposta adequada, considerar marcapasso transcutâneo e/ou dopamina ou epinefrina sem atrasar o tratamento da causa reversível. |
| Reversão de bloqueio neuromuscular com anticolinesterásico | 0,6 a 1,2 mg | dose única associada ao anticolinesterásico | Perioperatório | Administrar antes ou concomitantemente à neostigmina, em seringas separadas, conforme protocolo anestésico. |
Se não houver resposta adequada, considerar marcapasso transcutâneo e/ou dopamina ou epinefrina sem atrasar o tratamento da causa reversível.
Administrar antes ou concomitantemente à neostigmina, em seringas separadas, conforme protocolo anestésico.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Intoxicação grave por organofosforado/carbamato | 1 a 2 mg inicialmente | dobrar a cada 5 min até atropinização | Até controle das manifestações muscarínicas; depois manutenção | Titular pela reversão de broncorreia, broncoespasmo, bradicardia e hipotensão. Após atropinização, usar infusão de 10%–20% da dose total de carga por hora, até 2 mg/h no adulto. |
Titular pela reversão de broncorreia, broncoespasmo, bradicardia e hipotensão. Após atropinização, usar infusão de 10%–20% da dose total de carga por hora, até 2 mg/h no adulto.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Pré-medicação anestésica | 0,2 a 0,6 mg | dose única | 30–60 min antes do procedimento | Usar quando houver objetivo de reduzir secreções ou prevenir resposta vagal, conforme avaliação anestésica. |
Usar quando houver objetivo de reduzir secreções ou prevenir resposta vagal, conforme avaliação anestésica.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Dose usual — efeito antimuscarínico | 0,01 mg/kg | a cada 4–6 h, se necessário | Conforme indicação | Crianças pequenas são mais sensíveis à hipertermia e aos efeitos centrais; usar monitorização clínica adequada. |
Crianças pequenas são mais sensíveis à hipertermia e aos efeitos centrais; usar monitorização clínica adequada.
| Indicação | Dose | Frequência | Duração | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Bradicardia por aumento do tônus vagal ou bloqueio AV primário | 0,02 mg/kg | pode repetir uma vez | Até resposta clínica | Dose mínima 0,1 mg e máxima de 0,5 mg por administração. Corrigir hipóxia e ventilação inadequada prioritariamente. |
| Intoxicação grave por organofosforado/carbamato | 0,02 mg/kg inicialmente | dobrar a cada 5 min até atropinização | Até controle das manifestações muscarínicas | A dose pediátrica inicial não deve exceder a dose inicial do adulto. Doses subsequentes são tituladas pela resposta clínica. |
| Premedicação para intubação de emergência | 0,02 mg/kg | dose única, quando indicada | Pré-intubação | Pode ser considerada em lactentes e crianças com maior risco de bradicardia durante intubação; para esta indicação, a AHA não exige dose mínima. |
Dose mínima 0,1 mg e máxima de 0,5 mg por administração. Corrigir hipóxia e ventilação inadequada prioritariamente.
A dose pediátrica inicial não deve exceder a dose inicial do adulto. Doses subsequentes são tituladas pela resposta clínica.
Pode ser considerada em lactentes e crianças com maior risco de bradicardia durante intubação; para esta indicação, a AHA não exige dose mínima.
Usar quando houver indicação clínica
A atropina atravessa a placenta. Em bradicardia sintomática grave ou intoxicação muscarínica com risco de vida, o tratamento materno não deve ser adiado por preocupação fetal.
Individualizar conforme indicação e exposição
Há relato de pequenas quantidades no leite e possibilidade de redução da produção láctea. Após uso parenteral, pode-se considerar ordenhar e descartar o leite por 24 horas antes de retomar a amamentação.
Na doença renal grave, usar com maior cautela e monitorar efeitos anticolinérgicos e cardiovasculares. Na doença hepática grave, usar com maior cautela e titular pela resposta clínica.
| Condição | Ajuste / Dose | Frequência | Observações |
|---|---|---|---|
| IdosoMaior sensibilidade | Preferir o menor extremo da faixa quando possível | Conforme indicação | Maior sensibilidade. Idosos apresentam maior risco de confusão, retenção urinária, glaucoma precipitado e efeitos cardiovasculares; titular com cautela. |
Maior sensibilidade. Idosos apresentam maior risco de confusão, retenção urinária, glaucoma precipitado e efeitos cardiovasculares; titular com cautela.
Técnica de aplicação, vias e situações especiais.
Na bradicardia sintomática do adulto, a via EV é a referência. Em pediatria e em intoxicação crítica, a via IO pode ser utilizada quando indicada pelo protocolo e o acesso EV não está disponível.
Defina se o objetivo é tratar bradicardia, intoxicação colinérgica, efeito antimuscarínico ou situação perioperatória; as doses não são intercambiáveis.
Confirme 0,25 mg/mL ou 0,50 mg/mL antes de calcular o volume.
Use volume (mL) = dose (mg) ÷ concentração (mg/mL).
Em uso de emergência, acompanhar ECG, frequência cardíaca, pressão arterial, perfusão, ventilação e resposta clínica.
Na bradicardia, observe a resposta e respeite o limite do esquema; na intoxicação, a titulação segue os sinais de atropinização.
A ampola é de uso único; descartar qualquer conteúdo não utilizado após abertura.
Bradicardia e outras indicações em que a solução possa ser administrada sem diluição
Aspirar o volume correspondente à dose prescrita conforme a concentração da ampola.
Em bolus de emergência, priorizar cálculo correto do volume e monitorização contínua.
Aspirar o volume correspondente à dose prescrita conforme a concentração da ampola.
Em bolus de emergência, priorizar cálculo correto do volume e monitorização contínua.
Manutenção em intoxicação grave por organofosforado/carbamato após controle inicial
Preparar a solução em concentração padronizada pelo serviço e programar a bomba para fornecer 10%–20% da dose total de carga por hora.
A referência AHA limita a manutenção adulta a até 2 mg/h. Reavaliar frequentemente para evitar excesso de atropina.
Preparar a solução em concentração padronizada pelo serviço e programar a bomba para fornecer 10%–20% da dose total de carga por hora.
A referência AHA limita a manutenção adulta a até 2 mg/h. Reavaliar frequentemente para evitar excesso de atropina.
| Via | Status | Observações |
|---|---|---|
| Endovenosa | Preferida na bradicardia adulta | Via de referência no ACLS para bradicardia sintomática do adulto e principal via para titulação rápida. |
| Intraóssea | Usar conforme protocolo | Aceita no PALS para bradicardia e nas recomendações de intoxicação crítica quando o acesso EV não está disponível. |
| Intramuscular | Situações selecionadas | Utilizada em pré-medicação anestésica e em algumas indicações não dependentes de efeito imediato. |
| Subcutânea | Situações selecionadas | Descrita para efeito antimuscarínico e alguns esquemas pediátricos; não é via de escolha em emergência instável. |
| Endotraqueal | Não rotina | Consta em algumas apresentações/rotulagens, mas os algoritmos atuais de bradicardia priorizam EV no adulto e EV/IO na pediatria. |
Via de referência no ACLS para bradicardia sintomática do adulto e principal via para titulação rápida.
Aceita no PALS para bradicardia e nas recomendações de intoxicação crítica quando o acesso EV não está disponível.
Utilizada em pré-medicação anestésica e em algumas indicações não dependentes de efeito imediato.
Descrita para efeito antimuscarínico e alguns esquemas pediátricos; não é via de escolha em emergência instável.
Consta em algumas apresentações/rotulagens, mas os algoritmos atuais de bradicardia priorizam EV no adulto e EV/IO na pediatria.
Se a atropina não for eficaz e houver instabilidade, considerar marcapasso transcutâneo e/ou infusão de dopamina ou epinefrina conforme o algoritmo.
O alvo é controlar broncorreia, broncoespasmo e instabilidade hemodinâmica; midríase e taquicardia isoladas não devem ser usadas como único alvo.
Em Mobitz II ou bloqueio AV completo com QRS largo, a atropina pode ser ineficaz; antecipar estimulação cardíaca quando houver instabilidade.
Manter na embalagem original e inspecionar a solução antes do uso; descartar a ampola se houver partículas ou alteração do aspecto.
Contraindicações, monitoramento e eventos adversos.
Taquicardia, hipertermia, retenção urinária, redução da motilidade intestinal, midríase e alterações neuropsiquiátricas podem surgir com doses cumulativas elevadas. Em intoxicação colinérgica, a titulação deve equilibrar controle das secreções e sinais de toxicidade.
A atropina atravessa a placenta. Dados observacionais não demonstram um padrão consistente de malformações, mas a evidência é limitada. Tratamento de bradicardia grave ou intoxicação com risco de vida não deve ser adiado.
Pequenas quantidades podem alcançar o leite e há possibilidade de redução da produção láctea. Para minimizar exposição após administração parenteral, pode-se considerar pausa de 24 horas antes de retomar a amamentação.
Não existe esquema universal de ajuste por função renal. Em doença renal grave, usar com maior cautela e monitorar toxicidade anticolinérgica.
Não existe esquema universal de ajuste por função hepática. Em doença hepática grave, titular pela resposta e vigiar efeitos adversos.
Farmacologia, interações e informação regulatória.
Antagoniza competitivamente a acetilcolina nos receptores muscarínicos M1 a M5. O efeito clínico inclui redução de secreções, aumento da frequência sinusal quando predomina tônus vagal e relaxamento da musculatura lisa dependente de estímulo muscarínico.
A atropina é rapidamente distribuída após administração parenteral e atravessa a barreira hematoencefálica e a placenta.
A meia-vida plasmática em adultos costuma ficar em torno de 2–4 horas e pode ser prolongada em crianças menores de 2 anos e em idosos. Parte da dose é metabolizada hepaticamente e parte é excretada inalterada na urina.
Na bradicardia, o objetivo é reduzir a influência vagal sobre o nó sinusal e a condução AV.
Na intoxicação colinérgica, o objetivo principal é reverter secreções e broncoespasmo e estabilizar a hemodinâmica; doses muito maiores podem ser necessárias.
Medicamentos com efeito antimuscarínico — como antidepressivos tricíclicos, alguns anti-histamínicos e amantadina — podem somar taquicardia, xerostomia, retenção urinária e alterações do estado mental. Fármacos colinérgicos, como pilocarpina, carbacol e inibidores da colinesterase, podem ter parte de seus efeitos antagonizados. A redução da motilidade gastrointestinal pode atrasar a absorção de cetoconazol e mexiletina; quando o tempo de absorção for clinicamente relevante, revisar o intervalo de administração. O ciclopropano aumenta o risco de arritmias ventriculares e deve ser evitado com atropina. Em associações com outros fármacos capazes de elevar a frequência cardíaca ou alterar a condução, monitorar ECG e resposta clínica.
Fontes regulatórias e clínicas utilizadas.
Blau Farmacêutica S.A. Informações de apresentação, indicações, posologia, administração, contraindicações, interações e segurança.
American Heart Association. Algoritmo de bradicardia do adulto com dose de atropina e alternativas para resposta inadequada.
American Heart Association / American Academy of Pediatrics. Dose pediátrica, limites e contexto de uso na bradicardia.
American Heart Association. Dose inicial, escalada por atropinização e infusão de manutenção para intoxicação colinérgica crítica.
Ministério da Saúde. Sulfato de atropina 0,25 mg/mL solução injetável incluído na relação nacional.
WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Classificação ATC vigente da atropina.
DailyMed. Informações complementares sobre farmacocinética, gestação, lactação e uso em populações especiais.