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Animais peçonhentos

O tratamento cabe em uma frase: classificar a gravidade, escolher o soro certo e aplicar a dose inteira, o mais cedo possível, por via intravenosa. O que muda desfecho não é sofisticação — é o intervalo entre a picada e a primeira ampola. O protocolo do Ministério da Saúde de 2026 revisou as doses do acidente botrópico, aboliu o teste de sensibilidade e não recomenda pré-medicação.

Soro o mais precoce possível Mesma dose para criança Sem torniquete e sem incisão Dose inteira, sem fracionar
Tempo de leitura: 22 min
Atualizado em: 17/08/2026

Identificar

  • A clínica identifica o acidente melhor que o animal
  • Dor e edema progressivo apontam botrópico
  • Ptose e mialgia apontam crotálico
  • Manifestação vagal aponta laquético

Aplicar o soro

  • Via intravenosa, dose inteira de uma só vez
  • Sem teste de sensibilidade e sem pré-medicação
  • Mesma dose para adulto e criança
  • Diluir e infundir a 8 a 12 mL por minuto

O que não fazer

  • Torniquete, garrote e incisão são proibidos
  • Não sugar, não cauterizar, não aplicar substâncias
  • Anti-inflamatório não hormonal aumenta risco renal
  • Antibiótico profilático não é recomendado

Vigiar

  • Tempo de coagulação, função renal e diurese
  • Lesão renal aguda é a complicação mais temida
  • Síndrome compartimental e necrose local
  • Observação mínima de 24 horas após o soro

O princípio que organiza tudo

Diante de qualquer acidente por animal peçonhento, três perguntas resolvem a conduta: qual o tipo de acidente, qual a gravidade e qual soro em qual dose. O resto é suporte clínico e vigilância de complicações.

Nenhuma dessas perguntas depende de ver o animal. Na maioria dos atendimentos o bicho não é levado, e a identificação se faz pela síndrome clínica somada aos dados epidemiológicos da região. Esperar identificação para tratar é um erro que custa tempo — e tempo, aqui, é a variável que mais pesa no desfecho.

A soroterapia deve ser aplicada o mais precocemente possível, por via intravenosa, com a dose inteira de uma só vez. Não se fraciona, não se testa sensibilidade antes e não se faz pré-medicação de rotina. E a dose é a mesma para adulto e criança: o objetivo é neutralizar o veneno circulante, que independe do peso do paciente.

O que mudou em 2026

O Ministério da Saúde publicou em 2026 o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas dos Acidentes Ofídicos, que consolida e atualiza as orientações anteriores. Os pontos que mais mudam a prática:

  • Doses do acidente botrópico revisadas para 3, 6 e 12 frascos-ampola nos casos leve, moderado e grave.
  • O tempo de coagulação não classifica gravidade. Ele confirma diagnóstico e monitora a resposta, mas a classificação é pela extensão do edema e pelas complicações.
  • Teste de sensibilidade cutânea abolido — baixa sensibilidade e atraso do tratamento.
  • Pré-medicação não é preconizada. A síntese de evidências não mostrou benefício na prevenção de reações anafiláticas no acidente botrópico.
  • Anti-inflamatório não hormonal não é recomendado, pelo risco de lesão renal aguda. Analgesia com dipirona ou paracetamol.
  • Antibiótico profilático não é recomendado — apenas em infecção secundária estabelecida.

Como se conta o edema

A classificação do acidente botrópico usa a divisão do membro em três segmentos. No membro superior: mão e punho; antebraço e cotovelo; braço. No membro inferior: pé e tornozelo; perna e joelho; coxa. Quando a picada é em tórax ou cabeça, mede-se a circunferência da região.

1
Mão e punho
Pé e tornozelo
2
Antebraço e cotovelo
Perna e joelho
3
Braço
Coxa
A presença de hemorragia grave, hipotensão, choque ou lesão renal aguda classifica o caso como grave independentemente da extensão do edema.

Primeiros socorros e conduta inicial

  1. Lave o local com água e sabão e, em seguida, com soro fisiológico.
  2. Mantenha o membro elevado e estendido, e retire anéis, pulseiras, relógio e roupas apertadas antes que o edema se instale.
  3. NÃO FAÇA TORNIQUETE, GARROTE OU INCISÃO no local da picada — aumentam complicações e não reduzem a gravidade.
  4. Hidrate: água por demanda no paciente responsivo e sem vômitos, e hidratação venosa conforme o quadro, para prevenir lesão renal aguda.
  5. Avalie a dor com escala apropriada e trate com dipirona ou paracetamol. Evite anti-inflamatórios não hormonais.
  6. Puncione acesso venoso periférico em membro diferente do acometido. Evite a via intramuscular pelo risco de hematoma na coagulopatia.
  7. Classifique a gravidade e administre o soro específico na dose correspondente, sem aguardar exames.
  8. Atualize a profilaxia antitetânica conforme o tipo de ferimento e a situação vacinal.
  9. Notifique o caso — acidentes por animais peçonhentos são de notificação compulsória, mesmo sem uso de soro.
Bloqueio anestésico e administração de medicamentos no local da picada são contraindicados nos acidentes ofídicos, pelo quadro inflamatório intenso. A exceção é o foneutrismo e o escorpionismo, em que a infiltração de anestésico local sem vasoconstritor é justamente o tratamento da dor.

Os soros disponíveis no Brasil

Sigla Soro Indicação
SABRAntibotrópico pentavalenteAcidente botrópico (jararaca e afins)
SABLAntibotrópico pentavalente e antilaquéticoAcidente laquético; alternativa no botrópico e na dúvida entre os dois
SACAnticrotálicoAcidente crotálico (cascavel)
SABCAntibotrópico pentavalente e anticrotálicoAlternativa no botrópico e no crotálico, e na dúvida entre os dois
SAELAAntielapídico bivalenteAcidente elapídico (coral-verdadeira)
SAEscAntiescorpiônicoEscorpionismo moderado e grave
SAArAntiaracnídico trivalenteTityus, Phoneutria e Loxosceles; usado quando não se diferencia o agente ou falta o soro específico
SALoxAntiloxoscélico trivalenteLoxoscelismo moderado e grave
SALatrAntilatrodécticoLatrodectismo moderado e grave
SALonAntilonômicoAcidente por lagarta do gênero Lonomia
Todos são armazenados e transportados entre 2 e 8 °C, sem congelar, e usados imediatamente após a abertura do frasco. A distribuição é centralizada e nem toda unidade dispõe de todos os tipos — conheça o hospital de referência da sua região antes de precisar dele.

Os números que orientam

Botrópico

3, 6 ou 12 frascos-ampola conforme leve, moderado ou grave.

Escorpiônico

2 a 3 ampolas no moderado; 4 a 6 no grave. Leve não recebe soro.

Infusão

8 a 12 mL por minuto, diluído em salina ou glicose a 5%.

Observação

Mínimo de 24 horas para quem recebeu soro; 6 horas na ausência de sintomas.

Apoio

Disque-Intoxicação 0800 722 6001, para orientação e localização de soro.

Se a unidade não tiver a dose total no momento, administre o que houver e complete assim que possível. Meia dose agora vale mais do que a dose inteira daqui a quatro horas.

Os quatro acidentes ofídicos

Quatro grupos de serpentes têm importância médica no Brasil. Reconhecer a síndrome é mais confiável do que tentar identificar o animal pela descrição do paciente.

Botrópico — jararaca

BothropsO mais frequente

Ações do veneno: proteolítica ou inflamatória aguda, coagulante e hemorrágica.

Quadro: dor e edema progressivos, equimose, bolhas, sangramento no local. Sistemicamente, gengivorragia, hematúria, epistaxe e hematêmese. Incoagulabilidade sanguínea é achado clássico.

Complicações: necrose, abscesso, infecção secundária, síndrome compartimental e lesão renal aguda.

Laquético — surucucu

LachesisAmazônia e Mata Atlântica

Ações do veneno: as mesmas do botrópico mais uma ação neurotóxica vagal.

Quadro: local muito semelhante ao botrópico, acrescido de manifestações vagais — hipotensão, bradicardia, diarreia, dor abdominal, visão escurecida e sudorese.

Particularidade: é a maior serpente peçonhenta do país e inocula grande volume de veneno. Por isso não existe classificação leve: todo caso é moderado ou grave.

Crotálico — cascavel

Crotalus durissusMaior letalidade

Ações do veneno: neurotóxica (crotoxina, com bloqueio pré-sináptico), miotóxica e coagulante.

Quadro: local discreto, apenas parestesia e eritema. Sistemicamente, fácies miastênica com ptose palpebral, diplopia, oftalmoplegia, mialgia intensa e urina escura por mioglobinúria.

Complicações: lesão renal aguda por rabdomiólise — a mais frequente e a mais temida — e insuficiência respiratória.

Elapídico — coral-verdadeira

MicrurusRaro e potencialmente grave

Ação do veneno: neurotoxinas de baixo peso molecular, com difusão rápida e bloqueio pós-sináptico na maioria das espécies.

Quadro: local pobre, com dor e parestesia. Sistemicamente, ptose palpebral, fácies miastênica, disfagia, oftalmoplegia, sialorreia e fraqueza muscular progressiva.

Complicação: paralisia respiratória. É o acidente em que a via aérea pode ser necessária de forma abrupta.

Diferenciando à beira do leito

Achado Botrópico Laquético Crotálico Elapídico
Dor e edema localIntensos e progressivosIntensosDiscretosDiscretos
SangramentoFrequenteFrequenteRaroAusente
CoagulopatiaComumComumPossívelAusente
NeurológicoAusenteVagalFácies miastênica, mialgiaFácies miastênica, disfagia
Urina escuraHematúriaHematúriaMioglobinúriaRara
Achado que decideEdema progressivo com sangramentoManifestação vagalMialgia com urina escuraParalisia sem quadro local
SoroSABR (ou SABL/SABC)SABLSAC (ou SABC)SAELA
Serpentes sem importância médicaPhilodryas, Xenodon, Helicops, Clelia — podem causar dor, edema e até equimose, mas não alteram a coagulação. Por isso o tempo de coagulação ajuda a diferenciar esses acidentes dos botrópicos e laquéticos, e evita soroterapia desnecessária.

Classificação e número de frascos-ampola

Acidente botrópico — SABR, SABL ou SABC

Leve — 3 frascos-ampola

Dor e edema de até um segmento; sangramento discreto ou ausente; coagulopatia presente ou ausente.

Moderado — 6 frascos-ampola

Dor e edema de dois segmentos; sangramento discreto ou ausente; coagulopatia presente ou ausente.

Grave — 12 frascos-ampola

Dor e edema de três segmentos; ou complicações como hemorragia grave, hipotensão ou choque, ou lesão renal aguda; coagulopatia presente ou ausente.

Acidente laquético — SABL

Moderado — 10 frascos-ampola

Quadro local presente, podendo haver sangramentos, sem manifestações vagais.

Grave — 20 frascos-ampola

Quadro local intenso, hemorragia intensa e/ou manifestações vagais.

Acidente crotálico — SAC ou SABC

Leve — 5 frascos-ampola

Alterações neuroparalíticas discretas, sem mialgia, sem escurecimento da urina e sem oligúria.

Moderado — 10 frascos-ampola

Alterações neuroparalíticas evidentes, com mialgia e escurecimento da urina discretos.

Grave — 20 frascos-ampola

Alterações neuroparalíticas evidentes, com mialgia e mioglobinúria intensas e, ainda, oligúria.

Acidente elapídico — SAELA

Leve — sem soro, com observação

Manifestações locais como parestesia e dor de intensidade variável, com ou sem irradiação. Observação clínica de pelo menos 24 horas, com soroterapia caso surja miastenia.

Moderado — 5 frascos-ampola

Manifestações de miastenia aguda, como ptose palpebral e diminuição objetiva da força muscular, sem sinais de paralisia.

Grave — 10 frascos-ampola

Fraqueza muscular intensa e paralisia evidente, com dificuldade para levantar e deambular, disfagia, sialorreia e respiração superficial até paralisia respiratória.

O soro antielapídico deve ser diluído em proporção de 1:2 a 1:5 para reduzir a frequência de reações adversas. Nos demais, a diluição é em salina ou glicose a 5%, com atenção à sobrecarga de volume.

Exames e monitoramento

Tempo de coagulação

Confirma o diagnóstico nos acidentes botrópico, laquético e crotálico, e monitora a resposta ao soro. Não deve ser usado para classificar a gravidade. Se permanecer alterado 24 horas após o término da soroterapia no acidente botrópico, administre 2 frascos-ampola adicionais.

Hemograma com plaquetas

Trombocitopenia é frequente no botrópico. Auxilia também no acompanhamento de infecção secundária.

Ureia e creatinina

Na admissão e seriadas. A lesão renal aguda é a complicação sistêmica mais frequente nos acidentes botrópico, laquético e crotálico.

Creatinoquinase e desidrogenase láctica

Essenciais no acidente crotálico para avaliar rabdomiólise, e úteis no elapídico diante de manifestação miotóxica.

Urina tipo I

Identifica hematúria e mioglobinúria pela coloração característica, além de auxiliar na avaliação renal.

Tempo de observação

Mínimo de 24 horas para quem recebeu soro. No crotálico pode se estender de 48 a 72 horas pelo risco de lesão renal tardia; no elapídico, mínimo de 24 horas.

O fibrinogênio não é a primeira escolha para monitorar a coagulopatia: sua correlação com sangramento clínico não está bem estabelecida. Prefira tempo de coagulação e coagulograma com atenção ao tempo de protrombina e ao tempo de tromboplastina parcial ativada.

Escorpionismo

É o acidente por animal peçonhento mais notificado do país e o que mais mata — não por letalidade individual alta, mas por volume de casos. As espécies de importância médica pertencem ao gênero Tityus, com destaque para T. serrulatus, o escorpião-amarelo.

O veneno atua sobre os canais de sódio das terminações nervosas, provocando liberação maciça de catecolaminas e de acetilcolina. Isso explica a apresentação: dor intensa imediata seguida, nos casos graves, de tempestade autonômica com vômitos, sudorese, arritmia, edema pulmonar e choque.

Criança pequena é outro paciente. Menores de 9 anos — sobretudo abaixo de 7 — concentram as complicações sistêmicas e os óbitos, especialmente nos acidentes por T. serrulatus. O quadro é dinâmico e pode deteriorar em poucas horas: toda criança picada por escorpião merece observação em unidade com condições de suporte.

Classificação e soroterapia

O soro está indicado apenas nos casos moderados e graves. Use prioritariamente o antiescorpiônico (SAEsc); o antiaracnídico (SAAr) é a alternativa quando aquele falta ou quando não se consegue diferenciar do acidente por Phoneutria.

Leve — sem soro

Dor e parestesia locais, com ou sem eritema e sudorese local. Tratamento sintomático, analgesia e observação, com atenção redobrada em crianças pequenas.

Moderado — 2 a 3 ampolas de SAEsc ou SAAr

Dor local intensa associada a manifestações sistêmicas discretas: náuseas, vômitos, sudorese, sialorreia, agitação, taquipneia e taquicardia.

Grave — 4 a 6 ampolas de SAEsc ou SAAr

Além do acima, vômitos profusos e incoercíveis, sudorese profusa, prostração, convulsão, bradicardia, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e choque.

Os sintomas locais e os vômitos melhoram rapidamente após o soro; as alterações cardiovasculares demoram mais para regredir. Não interprete a persistência de taquicardia como falha da soroterapia.

Conduta prática

  1. Analgesia é a prioridade nos casos leves. Infiltração local de lidocaína a 2% sem vasoconstritor, 1 a 4 mL em adultos e 1 a 2 mL em crianças, repetível conforme necessidade.
  2. Analgesia sistêmica com dipirona, na dose habitual por peso, quando a infiltração não for suficiente. Opioide pode ser necessário na dor refratária.
  3. Classifique pela presença e intensidade das manifestações sistêmicas, não pela dor isolada.
  4. CRIANÇA COM VÔMITOS, SUDORESE OU AGITAÇÃO já é caso moderado: administre o soro sem esperar a deterioração.
  5. Monitorização com cardioscopia, oximetria, pressão arterial e reavaliação frequente nos casos moderados e graves.
  6. Eletrocardiograma, radiografia de tórax e ecocardiograma nos casos graves, para detecção de acometimento cardíaco.
  7. Insuficiência cardíaca e edema pulmonar: suporte com oxigênio, cautela na hidratação, diurético e, se necessário, inotrópico em infusão contínua.
  8. Observação de pelo menos 6 a 12 horas nos casos leves em crianças, pela possibilidade de evolução, e internação nos moderados e graves.

Diagnóstico diferencial

Foneutrismo

O acidente pela aranha-armadeira produz quadro local e sistêmico praticamente idêntico. Na dúvida, o SAAr cobre os dois.

Abdome agudo

Dor abdominal, vômitos e sudorese em criança podem ser confundidos com quadro cirúrgico. Procure a marca da picada e a história.

Intoxicação simpaticomimética

Agitação, taquicardia e hipertensão também ocorrem com estimulantes. O contexto e a dor local desproporcional orientam.

Miocardite e edema pulmonar

Nos casos graves o quadro cardiovascular domina e pode ser confundido com causa primária. A história de picada é a chave.

Araneísmo

Três gêneros de aranhas têm importância médica no Brasil, com quadros clínicos completamente diferentes entre si. O erro mais comum é tratar todos como se fossem o mesmo acidente.

Loxosceles — aranha-marrom

A mais notificadaSul e Sudeste

Como acontece: a aranha é comprimida contra o corpo ao vestir roupa ou ao dormir. Tronco, abdome, coxas e braços são os locais mais atingidos.

Quadro cutâneo: dor pouco intensa e tardia, com lesão que evolui em dias para a placa marmórea — área de palidez alternada com equimose e eritema — e depois necrose seca de bordas bem delimitadas.

Forma cutâneo-hemolítica: hemólise intravascular, com anemia, icterícia, hemoglobinúria e risco de lesão renal aguda. É a forma que mata.

Phoneutria — armadeira

Aranha-da-bananaQuadro agudo

Quadro: dor local intensa e imediata, com irradiação, edema, eritema e sudorese local. É o extremo oposto do loxoscelismo.

Sistêmico: taquicardia, hipertensão, agitação, sudorese, vômitos e, em crianças, sialorreia, priapismo, choque e edema pulmonar.

Importante: o quadro é praticamente indistinguível do escorpionismo, e o SAAr trata os dois.

Latrodectus — viúva-negra

Raro no BrasilLitoral do Nordeste

Quadro: dor local seguida de contraturas musculares intensas, com rigidez abdominal que simula abdome agudo, tremores, sudorese, hipertensão, taquicardia e fácies latrodectísmica.

Tratamento: analgesia, benzodiazepínico para as contraturas e, nos casos moderados e graves, soro antilatrodéctico.

Lonomia — taturana

LagartaSíndrome hemorrágica

Como acontece: contato com as cerdas da lagarta agrupada em troncos de árvores. O quadro inicial é apenas dor em queimação, edema e eritema.

O perigo: horas depois pode instalar-se síndrome hemorrágica por consumo de fibrinogênio, com gengivorragia, equimoses, hematúria e risco de hemorragia intracraniana e lesão renal aguda.

Regra: todo contato com Lonomia exige avaliação da coagulação, mesmo com quadro local trivial.

Classificação e soroterapia

Acidente Gravidade Quadro Soro e ampolas
Foneutrismo
(Phoneutria)
LeveDor local, com ou sem edema, eritema e sudoreseSem soro; analgesia
ModeradoDor intensa, sudorese, vômitos ocasionais, agitação, hipertensãoSAAr, 2 a 4 ampolas
GraveSudorese profusa, sialorreia, vômitos profusos, priapismo, choque, edema pulmonarSAAr, 5 a 10 ampolas
Loxoscelismo
(Loxosceles)
LeveLesão incaracterística, sem alterações sistêmicas; diagnóstico ainda incertoSem soro; reavaliar em 72 horas
ModeradoLesão sugestiva ou característica, com ou sem alterações sistêmicas levesSALox ou SAAr, 5 ampolas
GraveLesão característica com hemólise intravascular — forma cutâneo-hemolíticaSALox ou SAAr, 10 ampolas
Latrodectismo
(Latrodectus)
LeveDor local, edema discreto, sudorese localSem soro; analgesia
Moderado a graveContraturas, rigidez abdominal, sudorese generalizada, alterações cardiovascularesSALatr, 1 a 2 ampolas
Erucismo
(Lonomia)
LeveQuadro local, sem sangramento e sem alteração da coagulaçãoSem soro; observar e repetir coagulação
ModeradoQuadro local, sangramento de pele e mucosas e/ou alteração da coagulação, sem hemorragia visceralSALon, 5 ampolas
GraveAlteração da coagulação com hemorragia visceral ou lesão renal agudaSALon, 10 ampolas
No loxoscelismo, recomenda-se associar prednisona — 40 mg por dia no adulto e 1 mg/kg por dia na criança, por 5 dias. A grande limitação do soro nessa forma é o diagnóstico tardio: quando a necrose já está delimitada, o antiveneno acrescenta pouco, e o cuidado passa a ser da ferida.

Outros animais

Himenópteros

Abelhas, vespas e formigas. Dois cenários distintos: anafilaxia por poucas picadas em indivíduo sensibilizado, tratada com adrenalina intramuscular; e envenenamento maciço por centenas de picadas, com rabdomiólise, hemólise e lesão renal aguda. Não há antiveneno disponível na rotina do SUS.

Peixes peçonhentos

Arraias, niquim e bagres. Dor desproporcional e intensa. O tratamento é imersão da área em água quente, entre 45 e 50 °C, por 30 a 90 minutos, que desnatura a toxina termolábil. Remova espinhos, faça imagem se suspeitar de corpo estranho e atualize a antitetânica.

Outras lagartas

Espécies fora do gênero Lonomia causam apenas dermatite urticante: dor em queimação, eritema e prurido, sem repercussão sistêmica. Compressa fria, analgesia e remoção das cerdas com fita adesiva.

Lacraias e aranhas caranguejeiras

Dor local, às vezes intensa, sem envenenamento sistêmico relevante. Analgesia e cuidados com a ferida. Não há indicação de soro. As caranguejeiras causam sobretudo irritação por cerdas urticantes.

No envenenamento maciço por abelhas, o número de ferroadas é o principal marcador de gravidade. Remova os ferrões por raspagem, hidrate vigorosamente, monitorize creatinoquinase, potássio e função renal, e antecipe a necessidade de terapia de substituição renal.

Como se aplica o soro

  1. Classifique a gravidade pelo quadro clínico. Não espere resultado de exame para iniciar.
  2. Escolha o soro específico conforme o tipo de acidente, ou o soro combinado disponível quando houver dúvida diagnóstica ou falta do específico.
  3. Dilua em soro fisiológico ou glicosado a 5%. No antielapídico, a diluição recomendada é de 1:2 a 1:5.
  4. ADMINISTRE A DOSE INTEIRA DE UMA SÓ VEZ, por via intravenosa, sem fracionar, sob vigilância direta de profissional de saúde.
  5. Infunda a 8 a 12 mL por minuto, com atenção à sobrecarga de volume, sobretudo em criança, cardiopata e nefropata.
  6. Não faça teste de sensibilidade e não faça pré-medicação de rotina — nenhum dos dois é preconizado.
  7. Mantenha ao lado adrenalina, material de via aérea e acesso venoso pérvio durante toda a infusão.
  8. Reavalie após o término. Piora das manifestações sistêmicas exige reclassificar e complementar a dose conforme a nova gravidade.
A dose é a mesma para adulto e criança. Não existe cálculo por peso na soroterapia antiveneno: o alvo é a quantidade de veneno inoculada, e ela não é menor porque o paciente é menor. Ao contrário — em criança, a mesma carga de veneno se distribui em volume corporal menor.

Classificador do acidente botrópico

Contagem de segmentos Complicações escalonam

Marque os segmentos com dor e edema e as complicações presentes. A classificação segue o protocolo do Ministério da Saúde de 2026: a extensão do edema define a faixa, e qualquer complicação sistêmica classifica como grave.

Segmentos acometidos

Complicações sistêmicas

Classificação e dose
Coagulopatia pode estar presente ou ausente em qualquer faixa e não muda a classificação. O tempo de coagulação serve para confirmar o diagnóstico e monitorar a resposta, não para definir a dose. Picada em cabeça e pescoço merece cautela adicional e avaliação em serviço de referência.

Calculadora de soroterapia

Serpentes Aracnídeos Lagartas

Selecione o tipo de acidente e a gravidade para obter o soro indicado, o número de frascos-ampola e as observações específicas.

Conduta específica
Ferramenta de apoio baseada no protocolo do Ministério da Saúde. Diante de dúvida sobre classificação, disponibilidade de soro ou conduta, acione o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001, e o hospital de referência da sua região.

Calculadora de diluição e tempo de infusão

Volume total 8 a 12 mL/min

Estima o volume final e o tempo de infusão. Cada frasco-ampola contém 10 mL. Ajuste o diluente conforme a tolerância volêmica do paciente.

Volume de soro
Volume total infundido
Tempo estimado
Detalhamento

Reduza o diluente diante de risco de sobrecarga — criança pequena, cardiopata e nefropata — e monitorize durante toda a infusão. No soro antielapídico, use diluição de 1:2 a 1:5 em relação ao volume do soro, o que reduz a frequência de reações adversas.
Condutas — como usar os cards

Cada card abre o detalhamento com indicação, dose, alvo e cuidados. As doses seguem o protocolo do Ministério da Saúde: confira sempre a disponibilidade e a rotina do seu serviço.

Acidentes ofídicos

Quatro síndromes distintas, quatro soros distintos — e uma regra comum: dose inteira, por via intravenosa, o mais cedo possível.

Aracnídeos e lagartas

Quadros muito diferentes entre si, do escorpionismo hiperagudo ao loxoscelismo que se revela em dias.

Suporte e primeiros socorros

O que fazer enquanto o soro não chega — e o que precisa ser feito mesmo depois que ele foi aplicado.

Reações ao soro

As reações são divididas por tempo de instalação. Vale lembrar que os soros brasileiros atuais têm alto grau de purificação, e a frequência de reações graves é baixa — mas nunca zero.

Precoces

Durante a infusão ou nas primeiras 2 horas: prurido, urticária, rubor facial, exantema morbiliforme, taquicardia, rinorreia, espirros, tosse, náuseas, cólica abdominal e diarreia. Raramente evoluem para quadro grave, com edema de glote, broncoespasmo, hipotensão e choque.

Tardias

A chamada doença do soro, entre 5 e 24 dias após a aplicação: febre, urticária, erupções cutâneas, artralgia e enfartamento ganglionar. Mais raramente, vasculite e nefrite. Tratamento sintomático, com anti-histamínico e corticoide conforme a intensidade.

  1. Interrompa temporariamente a infusão ao detectar qualquer evento adverso precoce.
  2. NA ANAFILAXIA, ADRENALINA INTRAMUSCULAR É A PRIORIDADE — corticoide e anti-histamínico têm papel secundário.
  3. Expanda com cristaloide e garanta oxigenação adequada; broncoespasmo persistente responde a beta-2-agonista inalatório.
  4. Retome a soroterapia assim que possível após a remissão do quadro — inclusive depois de eventos graves. O veneno continua agindo.
  5. Reação pirogênica recorrente: despreze a solução, prepare uma nova e continue o tratamento.
  6. Registre a reação e notifique como evento adverso pós-soro conforme a rotina institucional.
O medo da reação alérgica não justifica não aplicar o soro. A reação é tratável e reversível; o envenenamento não neutralizado não é. Prepare-se para tratar a reação e siga com a soroterapia.

Lesão renal aguda

É a complicação sistêmica mais frequente e a principal causa de óbito tardio nos acidentes ofídicos. Os mecanismos variam: hipoperfusão e microangiopatia no botrópico, rabdomiólise com mioglobinúria no crotálico, e hemólise no loxoscelismo cutâneo-hemolítico.

  • Hidratação precoce e adequada é a medida preventiva de maior impacto — comece na admissão, não quando a creatinina subir.
  • Monitorize a diurese e o balanço hídrico de forma sistemática, com ureia e creatinina seriadas.
  • Evite anti-inflamatórios não hormonais, contraindicados justamente por esse risco.
  • Corrija distúrbios eletrolíticos, com atenção ao potássio na rabdomiólise.
  • Considere alcalinização urinária nos quadros com mioglobinúria, conforme protocolo institucional.
  • Acione a nefrologia diante de oligúria persistente, hipercalemia refratária ou acidose grave — a terapia de substituição renal pode ser necessária.

Complicações locais

Complicação Como reconhecer Conduta
Síndrome compartimental Edema endurecido em todo o membro, dor intensa e persistente desproporcional, parestesia e déficit de perfusão distal. Avaliação cuidadosa — o quadro local do envenenamento já é muito intenso e pode simular. A fasciotomia não é rotina e sua indicação deve ser avaliada por equipe multiprofissional.
Necrose Coloração escurecida no local ou região próxima, redução da perfusão, odor fétido e dor intensa persistente. Desbridamento de tecido desvitalizado com indicação individualizada; avaliação de cirurgia plástica nos casos extensos.
Infecção secundária Dor persistente localizada, rubor, flutuação, secreção purulenta e eventualmente febre. Antibiótico somente na infecção estabelecida, dirigido ao sítio. Profilaxia não é recomendada — estudos com amoxicilina com clavulanato e com cloranfenicol não mostraram benefício.
Abscesso Coleção flutuante e dolorosa, geralmente após alguns dias. Drenagem cirúrgica associada a antibioticoterapia dirigida.
Bolhas Conteúdo seroso ou hemorrágico, que pode conter veneno residual ainda ativo. Aspiração e desbridamento são descritos, mas não são preconizados como rotina por ausência de evidência robusta. Curativo e observação.
Déficit funcional Perda de mobilidade ou de força após a fase aguda, sobretudo em acidentes botrópicos extensos. Reabilitação precoce com fisioterapia; em casos extremos pode haver necessidade de amputação.

Complicações respiratórias e hemorrágicas

Insuficiência respiratória

Típica dos acidentes elapídico e crotálico, por paralisia da musculatura respiratória. Garanta ventilação — bolsa-válvula-máscara e, nos casos graves, intubação com ventilação mecânica.

Anticolinesterásico

No acidente elapídico, a neostigmina pode reverter manifestações neuroparalíticas causadas por veneno de ação pós-sináptica. Administre atropina antes, para antagonizar os efeitos muscarínicos.

Coagulopatia persistente

Se o tempo de coagulação não normalizar 24 horas após o término da soroterapia no acidente botrópico, administre 2 frascos-ampola adicionais.

Hemoderivados

Transfusão de plasma ou de plaquetas isoladamente não corrige a coagulopatia enquanto houver veneno circulante. O tratamento é o antiveneno; hemoderivados ficam para sangramento ativo com repercussão.

Piora das manifestações sistêmicas depois da soroterapia obriga a reclassificar a gravidade e complementar a dose conforme a nova classificação. Não interprete automaticamente como falha do soro nem como reação alérgica.

Reações e complicações

Três situações que aparecem depois da decisão inicial e mudam completamente a condução do caso.

Populações e situações particulares

Cenário Particularidade O que fazer diferente
Criança Menor massa corporal e mesmo volume de veneno inoculado: tende a maior gravidade. No escorpionismo, menores de 9 anos concentram os óbitos. Mesma dose de soro do adulto — não existe cálculo por peso. Atenção à sobrecarga de volume na diluição e observação mais prolongada.
Gestante Risco de hemorragia uterina, descolamento prematuro de placenta, hipóxia fetal, prematuridade e óbito fetal. A soroterapia não é contraindicada e deve ser feita normalmente. Informe a equipe sobre a gestação, associe avaliação obstétrica e monitorização fetal conforme a idade gestacional.
Lactante Literatura escassa, mas sem sinal de risco relevante. Não há contraindicação ao soro durante a amamentação. Informe a equipe para avaliação clínica adequada.
Paciente etilizado As manifestações do álcool podem imitar o quadro neurológico dos acidentes crotálico e elapídico, dificultando a classificação. Infusão de soro glicosado ajuda a regredir os efeitos do álcool e permite reavaliar as manifestações do envenenamento.
Picada seca Parcela relevante das picadas por serpente de importância médica não inocula veneno suficiente para causar manifestações. Sem sintomas, não indique soro. Observe por no mínimo 6 horas em regiões de predomínio botrópico, com reavaliação clínica e do tempo de coagulação.
Serpente sem importância médica Philodryas, Xenodon, Helicops e Clelia causam dor, edema e às vezes equimose — sem alterar a coagulação. Cuidados gerais, analgesia e observação. Não há indicação de soro. O tempo de coagulação normal ajuda a sustentar a decisão.
Atendimento tardio Chegada após 24, 48 ou mais horas, situação comum em áreas rurais e ribeirinhas. A soroterapia ainda é indicada quando há manifestações clínicas ou alterações de coagulação. Atraso não é contraindicação — é justamente o cenário de maior risco de complicação.
Falta de soro na unidade Realidade frequente fora dos centros de referência. Administre o estoque disponível no momento e complete depois; acione a regulação e o hospital de referência simultaneamente. Considere o soro combinado disponível quando o específico faltar.
Área de sobreposição geográfica Regiões onde Bothrops e Lachesis coexistem, com quadros locais quase idênticos. Use o SABL, que cobre os dois. A manifestação vagal é o achado que aponta o acidente laquético.
Crotalus durissus ruruima Subespécie de Roraima, com quadro que inclui edema, dor local, sangramento e incoagulabilidade — parecido com o botrópico. Evidências incipientes sugerem melhor resposta hemorrágica ao SABC. Avalie caso a caso, com cautela e apoio especializado.

Erros comuns

  • Esperar a identificação do animal para iniciar a soroterapia.
  • Fazer torniquete, garrote ou incisão no local da picada.
  • Sugar o veneno, cauterizar ou aplicar substâncias caseiras sobre a ferida.
  • Calcular a dose do soro por peso e subdosar a criança.
  • Fracionar a dose de soro ao longo de horas em vez de aplicá-la de uma vez.
  • Fazer teste de sensibilidade cutânea antes do soro, prática abolida por baixa sensibilidade e atraso do tratamento.
  • Fazer pré-medicação de rotina com corticoide e anti-histamínico, sem benefício demonstrado.
  • Usar o tempo de coagulação para classificar a gravidade do acidente botrópico.
  • Prescrever anti-inflamatório não hormonal para a dor, aumentando o risco de lesão renal aguda.
  • Prescrever antibiótico profilático em todo acidente ofídico.
  • Aplicar medicação por via intramuscular em paciente com coagulopatia.
  • Fazer bloqueio anestésico no local da picada em acidente ofídico.
  • Puncionar acesso venoso no próprio membro acometido.
  • Interromper definitivamente a soroterapia após uma reação precoce, em vez de tratar e retomar.
  • Transfundir plasma ou plaquetas para corrigir a coagulopatia sem antes neutralizar o veneno.
  • Dar alta antes de 24 horas em paciente que recebeu soro.
  • Não reavaliar o tempo de coagulação 24 horas após o término da soroterapia botrópica.
  • Deixar de notificar o caso quando não houve uso de soro.

Resumo do fluxo

  1. Lave o local, eleve e estenda o membro, retire anéis e acessórios, e nunca faça torniquete ou incisão.
  2. Puncione acesso venoso em membro diferente do acometido e inicie hidratação.
  3. CLASSIFIQUE A GRAVIDADE pela clínica e administre o soro específico na dose correspondente, sem esperar exames.
  4. Dilua em salina ou glicose a 5%, infunda a 8 a 12 mL por minuto e mantenha adrenalina e via aérea disponíveis.
  5. Trate a dor com dipirona ou paracetamol, e evite anti-inflamatórios não hormonais.
  6. Colha tempo de coagulação, hemograma, ureia, creatinina e, no crotálico, creatinoquinase e urina.
  7. Atualize a profilaxia antitetânica e reserve antibiótico apenas para infecção estabelecida.
  8. Monitorize diurese, coagulação, força muscular e sinais de complicação local por pelo menos 24 horas.
  9. Reclassifique e complemente a dose se houver piora sistêmica; repita 2 ampolas se a coagulação não normalizar em 24 horas no botrópico.
  10. Notifique o caso e programe seguimento, incluindo orientação sobre a doença do soro entre 5 e 24 dias.

Referências bibliográficas

Fontes utilizadas na construção deste artigo. Em caso de divergência, prevalecem os protocolos institucionais do seu serviço e as bulas vigentes.

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Aviso importante

Este artigo é uma ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional, destinada a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico individualizado, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas e diretrizes vigentes. Doses e condutas devem ser sempre conferidas antes da aplicação. Acidentes por animais peçonhentos são de notificação compulsória. Em caso de acidente, acione o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de referência pelo Disque-Intoxicação, 0800 722 6001.

Informações rápidas

Resumo do artigo e referências de bolso, reunidos em um só lugar.

O essencial

Identificar

A clínica identifica o acidente melhor do que o animal. Dor e edema progressivos com sangramento apontam botrópico; manifestação vagal aponta laquético; mialgia com urina escura aponta crotálico; paralisia sem quadro local aponta elapídico.

Aplicar o soro

Via intravenosa, dose inteira de uma só vez, o mais precocemente possível, diluída em salina ou glicose a 5% e infundida a 8 a 12 mL por minuto. Sem teste de sensibilidade e sem pré-medicação. A dose é a mesma para adulto e criança.

O que não fazer

Nada de torniquete, garrote, incisão, sucção ou cauterização. Evite anti-inflamatório não hormonal pelo risco renal, antibiótico profilático e via intramuscular na coagulopatia. Não faça bloqueio anestésico no local da picada em acidente ofídico.

Vigiar

Tempo de coagulação, hemograma, ureia, creatinina e diurese; creatinoquinase no crotálico. A lesão renal aguda é a complicação sistêmica mais frequente. Observação mínima de 24 horas após o soro, e até 72 horas no crotálico.

Números rápidos

Botrópico: 3, 6 ou 12 frascos-ampola conforme leve, moderado ou grave.

Laquético: 10 no moderado e 20 no grave — não existe classificação leve.

Crotálico: 5, 10 ou 20 frascos-ampola.

Elapídico: 5 no moderado e 10 no grave; leve fica em observação de 24 horas.

Escorpiônico: 2 a 3 ampolas no moderado e 4 a 6 no grave.

Infusão: 8 a 12 mL por minuto, dose inteira, sem fracionar.

Não esqueça

A dose do soro é a mesma para adulto e criança.

Sem teste de sensibilidade e sem pré-medicação de rotina.

Torniquete e incisão são proibidos.

Anti-inflamatório não hormonal aumenta o risco de lesão renal aguda.

O tempo de coagulação não classifica a gravidade do acidente botrópico.

Notificação compulsória, mesmo quando não se usa soro.

Em provas / residência

A banca cobra a diferenciação entre os quatro acidentes ofídicos, o número de ampolas por gravidade e a proibição do torniquete.

Decore: manifestação vagal aponta laquético; mialgia com urina escura aponta crotálico; paralisia sem quadro local aponta elapídico; a dose do soro é igual para adulto e criança.

Mais informações nas abas do artigo.

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